Exportação

Exportação de carne bovina para China pode seguir com cortes específicos mesmo após nova tarifa

A nova tarifa aplicada pela China sobre a carne bovina brasileira fora da cota de importação elevou o custo total para cerca de 67%, cenário considerado inviável para grande parte das negociações entre exportadores e compradores chineses.

Mesmo assim, frigoríficos brasileiros ainda enxergam oportunidades pontuais para exportação de determinados cortes com alta demanda no mercado asiático. A expectativa do setor é que ajustes de preços entre Brasil e China possam abrir espaço para operações rentáveis nos próximos meses.

Cortes dianteiros e peças específicas seguem no radar

Entre os produtos que ainda podem encontrar mercado na China estão cortes como músculo dianteiro e traseiro, bananinha, costela e lagarto. Segundo representantes da indústria, a elevada produção de carne bovina no Brasil pode gerar excesso de oferta no mercado interno, especialmente desses cortes menos valorizados pelo consumidor brasileiro.

O CEO da Frigol, Luciano Pascon, avalia que uma possível redução nos preços no Brasil, combinada com aumento de preços no mercado chinês, pode tornar algumas exportações economicamente viáveis mesmo com a incidência da nova taxa.

De acordo com ele, a China continua sendo praticamente o único mercado capaz de absorver grandes volumes desses produtos.

Mercado aguarda ajustes após fim da cota

Até o momento, não houve fechamento de contratos considerando a sobretaxa. Exportadores e importadores ainda evitam assumir os custos adicionais sem maior clareza sobre o comportamento dos preços.

O gerente de exportação da Masterboi, Flávio Silva, afirma que o setor acompanha atentamente a reação do consumidor chinês após o encerramento da cota brasileira.

Segundo ele, mesmo com a nova tributação, alguns cortes podem continuar competitivos devido ao prêmio pago pela China em comparação com outros mercados internacionais.

Parcerias estratégicas ganham força no mercado chinês

Além da venda tradicional de carne in natura, frigoríficos brasileiros também apostam em estratégias de maior valor agregado para manter espaço no mercado chinês.

A Naturafrig, por exemplo, firmou parceria com uma empresa chinesa especializada em processamento e porcionamento de carne bovina. O modelo permite que os produtos cheguem aos supermercados já embalados e identificados com a marca da companhia brasileira.

Para o diretor-executivo da Naturafrig, Fabrizzio Capuci, esse tipo de parceria representa uma evolução da presença da carne brasileira na China e pode ampliar a rentabilidade das exportações.

Ele destaca ainda que o mercado chinês possui diferentes perfis regionais de consumo, criando oportunidades para atuação em nichos específicos.

Setor aposta em diversificação de mercados

Na avaliação do CEO da Estrela Alimentos, Pedro Bordon, a imposição de limites e tarifas deve levar os frigoríficos brasileiros a adotarem estratégias comerciais mais segmentadas.

Segundo ele, o segundo semestre tende a exigir maior planejamento na destinação dos cortes bovinos, com diversificação de mercados compradores conforme o perfil de consumo de cada país.

Apesar das incertezas envolvendo a China, o cenário internacional segue favorável para o Brasil. O mercado global projeta déficit de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de carne bovina em 2026, impulsionado pela menor oferta nos Estados Unidos e na Austrália.

Com isso, exportadores brasileiros podem encontrar novas oportunidades para ampliar as vendas a outros países importadores.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels

Ler Mais
Comércio Exterior

China suspende frigoríficos brasileiros após detectar substância proibida em carne bovina

A China suspendeu as importações de carne bovina brasileira de três frigoríficos após identificar resíduos de acetato de medroxiprogesterona, substância vetada pelo país asiático em animais destinados ao abate. A decisão foi tomada pela Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) e já está em vigor.

Frigoríficos brasileiros afetados pela suspensão

As unidades desabilitadas para exportação ao mercado chinês pertencem às empresas:

  • JBS, em Pontes e Lacerda (MT);
  • PrimaFoods, localizada em Araguari (MG);
  • Frialto, em Matupá (MT).

Segundo registros do sistema chinês Ciferquery SingleWindow, utilizado para controle de empresas autorizadas a exportar alimentos ao país, a suspensão passou a valer na quarta-feira, dia 20.

Até a publicação da medida, as empresas e o Ministério da Agricultura não haviam se manifestado oficialmente sobre o caso.

China aponta presença de hormônio proibido

De acordo com informações encaminhadas ao governo brasileiro, o motivo da suspensão foi a detecção de resíduos hormonais em cargas de carne bovina exportadas pelas plantas frigoríficas.

O composto identificado, o acetato de medroxiprogesterona, é um hormônio sintético utilizado em medicamentos veterinários para controle reprodutivo de animais. No entanto, a legislação chinesa proíbe o uso da substância em animais de corte destinados ao consumo humano.

Governo brasileiro foi comunicado por Pequim

A decisão da autoridade sanitária chinesa foi comunicada ao Ministério da Agricultura por meio da adidância agrícola brasileira em Pequim. O aviso foi enviado ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), responsável pelo acompanhamento sanitário das exportações.

Apesar disso, as suspensões ainda não haviam sido registradas no Sistema de Informações Gerenciais do Serviço de Inspeção Federal (SIGSIF) até a divulgação do caso.

Número de frigoríficos suspensos sobe para quatro

Com a nova medida, sobe para quatro o número de frigoríficos brasileiros impedidos de exportar carne bovina para a China por suspeita de presença da substância proibida.

Em abril, o país asiático já havia suspendido as compras da Frigosul, localizada em Várzea Grande (MT), após a identificação do mesmo composto em um lote de carne bovina congelada desossada.

A China é atualmente um dos principais destinos da carne bovina brasileira, e decisões sanitárias como essa costumam gerar impacto direto no setor exportador e no agronegócio nacional.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mattes/Wikimedia Commons

Ler Mais
Comércio Exterior

China libera frigoríficos brasileiros e retoma importação de carne bovina

A China voltou a autorizar a importação de carne bovina brasileira produzida por três frigoríficos que estavam suspensos desde março de 2025. A decisão reabre espaço para exportações ao principal mercado consumidor do produto no exterior.

Segundo o Ministério da Agricultura, a medida foi anunciada após reunião entre o ministro André de Paula e representantes da Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC), em Pequim.

Frigoríficos retomam acesso ao mercado chinês

Com a nova liberação, três unidades brasileiras voltam a ficar habilitadas para exportar carne bovina para a China. As empresas autorizadas são:

  • Frisa Frigorífico Rio Doce, em Nanuque (MG);
  • Bon-Mart Frigorífico, em Presidente Prudente (SP);
  • JBS S/A, em Mozarlândia (GO).

A atualização já aparece na plataforma oficial de registro de empresas exportadoras da China, conhecida como Cifer. A retomada das importações passou a valer oficialmente em 19 de maio.

Suspensão ocorreu após auditorias sanitárias

Os frigoríficos estavam impedidos de vender ao mercado chinês desde março do ano passado. Na época, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes informou que a suspensão ocorreu após auditorias remotas realizadas pelas autoridades chinesas.

As inspeções identificaram inconsistências relacionadas aos requisitos exigidos pela China para o cadastro de estabelecimentos estrangeiros aptos a exportar produtos de origem animal.

Brasil amplia presença nas exportações de carne

Atualmente, 66 frigoríficos brasileiros possuem autorização para exportar carne bovina brasileira ao mercado chinês, conforme dados da GACC.

Durante o encontro em Pequim, autoridades sanitárias da China também comunicaram o início da certificação eletrônica para produtos cárneos a partir do próximo mês. A medida deve modernizar processos e agilizar operações comerciais entre os dois países.

A China segue como um dos principais destinos das exportações do agronegócio brasileiro, especialmente no setor de exportação de carne bovina.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

Ler Mais
Internacional

Guerra no Oriente Médio pressiona custos da carne, afirma CEO da JBS em Nova York

O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou nesta quarta-feira, durante o Summit Valor Brazil-USA 2026, em Nova York, que a guerra no Oriente Médio vem elevando os custos em toda a cadeia de produção de carnes e proteínas.

Segundo o executivo, os impactos chegam desde embalagens plásticas até fertilizantes e fretes logísticos, pressionando os custos operacionais da indústria alimentícia mundial.

JBS aposta em diversificação geográfica para reduzir impactos

Durante o painel, Tomazoni explicou que a companhia tem conseguido minimizar os efeitos do cenário internacional por meio da sua presença global e da diversificação de mercados.

De acordo com ele, a estratégia permite equilibrar dificuldades regionais e manter o abastecimento em diferentes países.

“O grande fornecedor do Oriente Médio é o Brasil. Não tivemos ruptura de abastecimento, mas foi necessário reorganizar a estratégia logística, utilizando novos portos e transporte interno para garantir a entrega ao cliente final”, destacou o executivo.

A empresa também reforçou o foco em segurança alimentar e na otimização da infraestrutura para enfrentar períodos de instabilidade geopolítica.

Alta da demanda compensou aumento nos custos

Apesar do avanço das despesas operacionais, o CEO da JBS afirmou que o crescimento da demanda global por proteína animal ajudou a compensar os custos adicionais registrados nos últimos meses.

Segundo Tomazoni, a companhia manteve seus investimentos e operações sem alterar o planejamento estratégico de médio e longo prazo.

A Seara, controlada pela JBS, segue entre os principais negócios do grupo no Brasil, incluindo operações relevantes em Santa Catarina.

Mercado americano enfrenta baixa oferta de animais

Ao comentar o cenário dos Estados Unidos, Tomazoni afirmou que o país vive dificuldades específicas relacionadas à baixa oferta de animais para abate.

Além do ciclo pecuário natural, a seca em algumas regiões americanas também vem pressionando a produção, fator que contribui para manter os preços da carne elevados.

Segundo o executivo, esse cenário reduz as chances de queda nos preços ao consumidor, tema frequentemente citado pelo presidente Donald Trump.

“O preço da carne depende diretamente da relação entre oferta e demanda”, ressaltou.

Redução de tarifas pode beneficiar Brasil e EUA

Tomazoni também defendeu a discussão sobre redução tarifária para a carne brasileira no mercado americano. Na avaliação dele, Brasil e Estados Unidos possuem mercados complementares no setor de proteína animal.

O executivo destacou ainda que a produção de carnes exige planejamento de longo prazo, o que diferencia o segmento de outras cadeias industriais.

JBS amplia presença e faturamento nos Estados Unidos

Durante o evento, mediado pelo jornalista Lauro Jardim, o CEO apresentou números das operações da JBS no mercado americano.

Segundo ele, a empresa atua há cerca de 20 anos nos EUA, onde concentra mais de 52% do faturamento global, superando US$ 40 bilhões em receita.

Atualmente, a companhia está presente em 31 estados americanos, conta com aproximadamente 78 mil colaboradores e possui uma rede de cerca de 10 mil fornecedores no país.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Estela Benetti

Ler Mais
Exportação

Exportação de carne brasileira para a União Europeia cresce 132% e setor reage a restrições

As exportações de carne bovina brasileira para a União Europeia registraram forte expansão em 2025, mesmo diante da decisão do bloco europeu de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal. A medida, publicada nesta terça-feira (12), passa a valer a partir de setembro e gera preocupação entre representantes do setor de proteína animal.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, apontam que os embarques ao mercado europeu alcançaram 128,9 mil toneladas neste ano, com faturamento de US$ 1,06 bilhão.

União Europeia ampliou compras de carne bovina brasileira

O volume exportado para o bloco europeu teve crescimento de 132,8% em comparação com 2024, colocando a União Europeia entre os mercados que mais ampliaram as compras da carne brasileira no período.

Apesar de ocupar a quarta posição entre os principais destinos da proteína bovina nacional — atrás de China, Estados Unidos e Chile —, o mercado europeu se destacou pelo alto valor agregado das negociações. A receita obtida com as exportações superou inclusive mercados com maior volume embarcado, como Rússia e México.

No cenário geral, o Brasil encerrou 2025 com exportações recordes de carne bovina, totalizando 3,50 milhões de toneladas e movimentando US$ 18,03 bilhões. Os produtos brasileiros chegaram a mais de 170 países ao longo do ano.

Restrição europeia envolve novas exigências sanitárias

Segundo a ABIEC, a decisão da União Europeia está ligada à adoção de novas regras sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. As exigências entram em vigor em setembro de 2026.

A entidade informou que o bloqueio das exportações só deverá ocorrer caso o Brasil não apresente, dentro do prazo estabelecido, as adequações técnicas e garantias solicitadas pelas autoridades europeias.

Governo brasileiro e setor privado iniciam negociações

Fontes ligadas ao setor afirmam que o Ministério da Agricultura e Pecuária criou um comitê de crise em conjunto com representantes da União Europeia para discutir a restrição e buscar alternativas antes da entrada em vigor da medida.

A Associação Brasileira de Proteína Animal também informou que o governo brasileiro, com apoio técnico das empresas do setor, deverá encaminhar esclarecimentos às autoridades europeias sobre os protocolos relacionados aos antimicrobianos.

Já a Abrafrigo afirmou que não irá comentar o tema neste momento, destacando que a medida ainda depende de negociações e só passa a valer oficialmente em setembro.

Restrição atinge carnes, ovos, peixes e animais vivos

O documento europeu prevê a suspensão das exportações brasileiras de animais vivos destinados à produção de alimentos, além de produtos como carne bovina, aves, peixes, ovos e mel. Cavalos destinados ao mercado europeu também estão incluídos nas restrições.

A decisão aumenta a preocupação do setor exportador brasileiro, principalmente devido à relevância do mercado europeu para as vendas externas de proteína animal e ao impacto potencial sobre a cadeia produtiva nacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Jana Rodenbusch

Ler Mais
Exportação

Exportação de carne bovina para China já atinge metade da cota de salvaguarda

O governo da China informou neste domingo (10) que as importações de carne bovina brasileira já alcançaram 50% da cota prevista no mecanismo de salvaguarda adotado pelo país asiático. Segundo comunicado oficial, o limite parcial foi atingido no sábado (9).

A medida faz parte das regras estabelecidas pelo Ministério do Comércio chinês para controlar o volume de entrada da proteína no mercado local.

Tarifa pode chegar a 55% sobre carne brasileira

De acordo com o chamado Anúncio nº 87 de 2025, quando as importações atingirem 100% da cota definida, passará a valer uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina exportada pelo Brasil.

A cobrança deverá entrar em vigor três dias após o esgotamento total da cota.

Setor já esperava avanço rápido da cota

A ABIEC afirmou que ainda não recebeu uma comunicação oficial sobre o avanço do uso da cota, mas destacou que o cenário já era previsto pelo mercado.

Segundo estimativas da entidade, a China já teria recebido mais de 60% do volume total previsto para este ano.

China segue como principal destino da carne bovina brasileira

Dados do MDIC mostram que, entre janeiro e abril, a China respondeu por 43,5% de toda a exportação brasileira de carne bovina.

O país asiático permanece como o principal comprador da proteína produzida no Brasil.

Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume embarcado para o mercado chinês registrou crescimento de 28,8%.

Diferença nos números envolve tempo de trânsito da carga

Segundo a ABIEC, há divergência entre os dados contabilizados pelas autoridades chinesas e os registros brasileiros por causa do chamado “transit time”.

O termo se refere ao período médio de aproximadamente 45 dias necessário para que a carne embarcada no Brasil chegue efetivamente ao território chinês.

Mercado prevê desaceleração nas exportações

Para o analista da Safras & Mercados, Fernando Henrique Iglesias, o comunicado reforça a expectativa de que a cota seja totalmente utilizada até meados de junho.

Caso isso aconteça, o Brasil poderá enfrentar uma redução significativa nos embarques para a China entre o fim de junho e outubro.

Segundo Iglesias, a tendência é de um período de cerca de três meses com exportações mais moderadas, até que o mercado chinês volte a ampliar as compras visando a composição da cota prevista para 2027.

O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil não se manifestou sobre o assunto até o fechamento da reportagem.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

Ler Mais
Exportação

Abiec alerta para risco nas exportações de carne com impasse sobre cotas no Mercosul

A disputa entre os países do Mercosul sobre a divisão das cotas de exportação de carne bovina para a União Europeia tem gerado preocupação no setor frigorífico brasileiro. A avaliação da ABIEC é de que a falta de consenso pode provocar perdas financeiras, reduzir a competitividade das exportações e comprometer o equilíbrio comercial do bloco.

Setor critica proposta do Paraguai para divisão igualitária

Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, existe há cerca de duas décadas um entendimento firmado entre representantes privados dos países do Mercosul para definir a participação de cada integrante nas cotas de exportação.

O modelo atual considera fatores como capacidade produtiva e volume exportado por cada país. No entanto, o Paraguai passou a defender uma nova divisão com participação igual de 25% para cada membro do bloco — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Para a entidade brasileira, a proposta não acompanha a realidade do mercado internacional. De acordo com Perosa, o market share paraguaio representa atualmente cerca de 2,5% das exportações do setor, índice muito inferior ao percentual reivindicado nas cotas destinadas ao mercado europeu.

Exportadores temem perdas e desorganização no comércio

A Abiec avalia que uma eventual redistribuição das cotas nos moldes sugeridos pelo Paraguai pode afetar diretamente os exportadores brasileiros de carne bovina e desestruturar o sistema historicamente utilizado pelo bloco.

Na tentativa de buscar consenso, o Foro Mercosul da Carne deve realizar nas próximas semanas uma reunião virtual com representantes do setor agropecuário e da indústria frigorífica. O encontro contará com a participação de entidades como a Abiec e a CNA.

Acordo Mercosul-União Europeia amplia relevância da discussão

As negociações acontecem em um momento estratégico para o setor, especialmente após os avanços do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

Perosa destacou que o tratado prevê mecanismos de salvaguarda para limitar aumentos excessivos nos volumes exportados ou nos preços. Caso o crescimento ultrapasse 5%, poderão ser acionadas medidas de proteção comercial junto ao mercado europeu.

Ainda assim, a expectativa da indústria é de ganho de competitividade para a carne brasileira na Europa.

Redução de tarifas favorece carne bovina brasileira

Antes da entrada em vigor do acordo provisório, o Brasil já exportava volumes expressivos para a União Europeia, mas enfrentava tarifas elevadas.

Dentro da chamada Cota Hilton, destinada aos cortes nobres, a taxação chegava a cerca de 27,8%, com embarques anuais próximos de 8 mil toneladas. Já as demais exportações, que somam aproximadamente 100 mil toneladas por ano, acumulavam tarifas de até 147%, considerando diferentes cobranças aplicadas ao longo da operação.

Com o novo acordo, a tarifa da Cota Hilton foi zerada em maio. Nas demais categorias, a alíquota deve cair para 7,5%.

Segundo a Abiec, a medida representa uma oportunidade histórica para ampliar a presença da carne bovina brasileira no mercado europeu.

Controle das cotas preocupa setor frigorífico

Apesar do cenário favorável, o setor teme perder autonomia sobre o gerenciamento das cotas caso o controle fique concentrado nas mãos dos importadores europeus.

A proposta defendida pelos países do Mercosul é manter o gerenciamento interno por meio de um sistema de certificação conhecido como FIFO (First In, First Out), modelo que acompanha os embarques por ordem de entrada.

Na avaliação da entidade, sem um acordo sobre os percentuais destinados a cada país, pode haver desorganização logística e redução da competitividade regional.

Brasil e Argentina avançam em certificação

Brasil e Argentina já discutem uma certificação própria junto ao MDIC para atender às exigências da União Europeia tanto na exportação de carne bovina quanto de frango.

O Uruguai ainda avalia qual posição adotará nas negociações.

Perosa afirmou que a Abiec pretende ampliar o diálogo com o setor privado e os governos envolvidos para buscar uma solução que preserve os interesses do Mercosul.

Setor estima perdas de até US$ 700 por tonelada

A associação calcula que, caso prevaleça apenas a lógica de “quem embarca primeiro”, os exportadores poderão perder entre US$ 600 e US$ 700 por tonelada exportada.

Além do impacto financeiro, o setor avalia que o Mercosul perderia poder de negociação internacional, favorecendo principalmente os importadores europeus.

Governo aposta em consenso entre países do bloco

A Abiec já iniciou conversas com o Ministério da Agricultura para tentar destravar as negociações. O secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luis Rua, afirmou confiar no entendimento entre os países do bloco.

Segundo ele, neste primeiro ano não haverá uma divisão formal das cotas entre os integrantes do Mercosul. O acesso ao volume disponível ocorrerá inicialmente pelo sistema de ordem de chegada.

Rua destacou, no entanto, que os governos já discutem a possibilidade de definir cotas específicas por país a partir do próximo ano.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

Ler Mais
Comércio

Minerva Foods registra queda de 52,8% no lucro do 1º trimestre apesar de alta na receita

A Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 87,3 milhões. O resultado representa uma queda de 52,8% em relação ao mesmo período do ano passado, influenciado principalmente pelos impactos financeiros, pela alta no preço do boi gordo e pela menor disponibilidade de animais para abate.

Mesmo diante do cenário mais desafiador, a companhia conseguiu ampliar indicadores operacionais e manter o crescimento das receitas, impulsionada pela integração de ativos adquiridos da antiga Marfrig, atualmente MBRF.

Ebitda cresce com sinergias das aquisições

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da empresa avançou 16,2% no comparativo anual, alcançando R$ 1,12 bilhão.

Segundo o diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, o trimestre foi marcado por forte volatilidade no mercado, mas os ganhos obtidos com as novas unidades adquiridas ajudaram a sustentar o desempenho operacional da companhia.

A Minerva concluiu no fim de 2025 a incorporação de uma série de plantas compradas da Marfrig, operação considerada estratégica para ampliar escala e eficiência.

Alta da arroba reduz margens da companhia

Durante o trimestre, a empresa registrou queda de 5,3% no volume de abates, totalizando 1,35 milhão de cabeças de gado.

O cenário de oferta mais restrita elevou os preços da arroba bovina, pressionando as margens da operação. Ainda assim, o volume de vendas cresceu 16,2%, chegando a 481,7 mil toneladas, sustentado principalmente pela utilização de estoques.

O CEO da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, afirmou que a valorização do boi gordo já fazia parte das projeções internas da companhia devido ao atual ciclo pecuário brasileiro.

Segundo ele, a compressão da margem bruta vem sendo parcialmente compensada pelos ganhos de escala e pela redução de despesas obtidas com a integração dos ativos incorporados.

Guerra no Oriente Médio eleva custos logísticos

Executivos da companhia também comentaram os impactos do conflito envolvendo o Irã sobre as operações globais da empresa.

De acordo com Queiroz, o principal reflexo ocorre nos custos logísticos, especialmente no frete marítimo e nas rotas comerciais destinadas ao Oriente Médio.

Apesar disso, o executivo avalia que o impacto financeiro ainda é limitado em relação ao valor agregado da carne exportada. Ele ressaltou ainda que as regiões mais afetadas pelas dificuldades logísticas representam uma fatia menor das operações internacionais da Minerva.

Minerva aposta na diversificação geográfica para manter exportações à China

A empresa afirmou que pretende manter, ao longo de 2026, níveis semelhantes de exportação de carne bovina para a China, mesmo diante das restrições tarifárias que afetam principalmente as plantas brasileiras.

A estratégia da companhia está baseada na diversificação geográfica da operação, utilizando unidades localizadas na Argentina, Colômbia e Uruguai para atender parte da demanda chinesa.

Segundo a Minerva, a presença em diferentes países fortalece sua posição no mercado internacional e amplia a flexibilidade comercial em momentos de instabilidade.

Mercado dos EUA surge como alternativa

Além da China, os Estados Unidos aparecem como opção para absorver parte da produção brasileira afetada pelas limitações tarifárias impostas ao setor.

No entanto, o CEO destacou que o mercado chinês continua sendo o principal destino da carne bovina brasileira e lembrou que há menos plantas habilitadas para exportação aos EUA do que para a China.

A empresa avalia que esse cenário pode aumentar a oferta no mercado interno brasileiro e gerar pressão sobre os preços domésticos.

Receita da Minerva cresce quase 20% no trimestre

Apesar da queda no lucro, a receita líquida da companhia avançou 19,8% nos três primeiros meses do ano, atingindo R$ 13,4 bilhões.

As vendas no mercado interno cresceram 23,6%, somando R$ 6,55 bilhões. Já as operações internacionais tiveram alta de 19,6%, alcançando R$ 7,9 bilhões.

Segundo a empresa, a América do Sul continua desempenhando papel estratégico no abastecimento global de proteína bovina, especialmente em um cenário de restrição de oferta em mercados internacionais.

FONTE: Istoé Dinheiro
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Istoé

Ler Mais
Exportação

Exportação de carne bovina para China pode cair e pressionar mercado do boi gordo

A possibilidade de esgotamento da cota de exportação de carne bovina brasileira para a China entre o fim de maio e meados de junho acendeu o alerta no setor pecuário. A projeção é da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que avalia impactos diretos sobre os embarques e o mercado do boi gordo no Brasil.

Segundo o presidente da entidade, Roberto Perosa, caso o volume excedente não encontre novos destinos comerciais, as exportações brasileiras de carne bovina podem registrar retração de até 10% em 2026.

Redução nas exportações pode afetar preço da arroba

Com menor demanda internacional, a tendência é de desaceleração no ritmo de abates e pressão sobre o preço da arroba do boi gordo nos próximos meses. O setor teme que a redução das vendas externas gere excesso de oferta no mercado interno, impactando diretamente produtores e frigoríficos.

A China segue como principal destino da carne bovina brasileira, e qualquer limitação nas compras do país asiático provoca reflexos relevantes em toda a cadeia pecuária.

Para minimizar os impactos, a indústria aposta no fortalecimento do consumo interno no segundo semestre. No entanto, representantes do setor afirmam que o avanço do consumo das famílias tem sido limitado pelo crescimento das apostas online no Brasil.

De acordo com a Abiec, uma pesquisa da Nielsen apresentada ao vice-presidente Geraldo Alckmin aponta queda de 10% no consumo de alimentos entre famílias de menor renda. O levantamento relaciona a redução ao aumento dos gastos com plataformas de apostas.

Embora o consumo de carne bovina ainda mantenha crescimento, o setor acredita que o desempenho poderia ser mais expressivo sem esse cenário. Por isso, entidades ligadas à indústria da carne e ao atacado defendem medidas de restrição às apostas ilegais e maior controle sobre publicidade digital.

EUA, Japão e Coreia do Sul surgem como alternativas

Além do mercado interno, os Estados Unidos aparecem como possível alternativa para ampliar as exportações brasileiras. Porém, a cota atual destinada ao Brasil já foi preenchida, e os embarques fora desse limite enfrentam tarifas que reduzem a competitividade.

A abertura de novos mercados também ganhou prioridade nas negociações internacionais. Países como Japão, Coreia do Sul e Turquia são considerados estratégicos para compensar uma eventual redução das compras chinesas.

Entre eles, o Japão aparece em estágio mais avançado de negociação. Recentemente, técnicos japoneses estiveram na região Sul do Brasil para avaliar o sistema sanitário brasileiro em possível processo de abertura comercial.

Oriente Médio preocupa setor exportador

Outro ponto de atenção para a indústria é o cenário no Oriente Médio, responsável por cerca de 15% das exportações brasileiras de carne bovina.

Segundo a Abiec, os embarques para a região recuaram 20% em março e 10% em abril. Além da redução no volume exportado, empresas enfrentam aumento nos custos logísticos e dificuldades operacionais provocadas pelos conflitos na região. Apesar disso, a expectativa do setor é de gradual normalização do fluxo comercial nos próximos meses.

Sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor recentemente, a avaliação inicial da Abiec é de impacto limitado no curto prazo. Isso porque ainda será necessário definir a divisão das cotas de exportação entre os países do bloco econômico.

Fonte: Canal Rural

Texto: Redação

Imagem: Reprodução CNN / Paulo Whitaker/Reuters

Ler Mais
Internacional, Investimento

MBRF amplia unidade no Uruguai com investimento de US$ 70 milhões e aumenta produção de carne bovina

A MBRF inaugurou a ampliação de sua unidade de carne bovina no Uruguai, localizada em Tacuarembó. O projeto recebeu investimento de aproximadamente US$ 70 milhões e marca a implementação, no país vizinho, do modelo de complexo industrial integrado já utilizado pela companhia no Brasil.

A iniciativa fortalece a estratégia de crescimento da empresa e amplia sua capacidade de atuação no mercado global de proteína animal.

Capacidade produtiva e industrialização crescem

Com a modernização, a unidade passou por aumento significativo na capacidade de produção, especialmente na área de produtos industrializados. A fabricação de hambúrgueres, por exemplo, deve saltar de 200 para 900 toneladas mensais.

O volume de abate também será ampliado, passando de 900 para 1.400 cabeças de gado por dia — crescimento de cerca de 40%. Com isso, a planta se torna a maior em capacidade de abate no país.

Além disso, a estrutura de pré-resfriamento foi expandida, elevando a capacidade de 1.800 para 2.800 animais, o que contribui para maior eficiência operacional.

Estratégia mira escala e eficiência

Segundo Marcos Molina, o modelo adotado permite ganhos em escala, padronização e segurança, facilitando o atendimento a diferentes mercados com mais agilidade.

A produção da unidade será destinada tanto ao mercado interno uruguaio quanto às exportações, reforçando a presença da companhia no comércio internacional.

Uruguai é considerado mercado estratégico

Para Miguel Gularte, o Uruguai oferece vantagens competitivas relevantes, como qualidade reconhecida da produção, rigor sanitário e amplo acesso a mercados externos — fatores que favorecem a expansão dos negócios.

A inauguração contou com a presença do presidente uruguaio Yamandú Orsi, além de executivos da empresa, evidenciando a importância do investimento para a economia local.

Histórico de negociações no país

Apesar do atual movimento de expansão, a atuação da empresa no Uruguai passou por desafios recentes. A Marfrig chegou a negociar a venda de ativos na região em acordo com a Minerva Foods, envolvendo plantas industriais em diferentes países da América do Sul.

No entanto, o processo enfrentou resistência regulatória no Uruguai, com análises prolongadas por parte da autoridade de defesa da concorrência local, o que acabou impedindo a conclusão da operação.

Investimento reforça estratégia regional

Com a ampliação da unidade em Tacuarembó, a MBRF consolida sua presença no país e reforça sua estratégia de crescimento na América do Sul, apostando em eficiência produtiva, expansão industrial e acesso a mercados internacionais.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Forbes

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook