Portos

Portos do norte da Europa estariam em crise

Os principais portos do norte da Europa enfrentam um dos congestionamentos mais graves dos últimos anos, segundo a Kuehne+Nagel.

Paolo Montrone, diretor global de comércio logístico marítimo, alertou que a situação pode se estender por vários meses. Os navios não chegam nos horários programados, o que gera acúmulo em terminais já saturados, explicou o executivo.

Greves e insatisfação trabalhista afetaram os cronogramas das alianças marítimas, complicando ainda mais a operação portuária. Além disso, mudanças recentes nas alianças entre transportadoras aumentaram a incerteza quanto à rotação e frequência dos navios.

A logística terrestre também está sob pressão devido a fatores externos, indicou Montrone. O baixo nível do rio Reno afetou as barcaças e forçou o desvio de carga para trens e caminhões.

Essas redes terrestres já operam próximas do limite, o que agrava ainda mais a situação logística na região. Para Montrone, o problema não é conjuntural, mas estrutural, e requer medidas urgentes de planejamento estratégico.

Ele recomenda diversificar os corredores logísticos, mesmo que isso implique custos mais altos, incluindo opções em portos do sul da Europa. Rotas intermodais pelo Adriático e pela Europa Oriental podem oferecer algum alívio no curto e médio prazo.

Também sugere mudar a estratégia de estoques, abandonando o modelo “just-in-time” para cargas críticas. Preparar-se para prazos de entrega mais longos será essencial para evitar maiores interrupções, concluiu. “É hora de agir antes que a disrupção se torne paralisia”, alertou.

A crise atual nos portos do norte reflete uma vulnerabilidade crescente na cadeia logística global que não pode ser ignorada.

Fonte: Todo Logística News

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Economia, Finanças

Juros na Europa, balança comercial e produção de veículos: o que move o mercado

Analistas projetam que o Banco Central Europeu irá cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual

O mercado financeiro começa esta quinta-feira, 5, de olho na decisão do Banco Central Europeu (BCE), que deve cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 2,25% para 2%. A expectativa é unânime entre os investidores, motivada pela inflação na Zona do Euro abaixo da meta de 2%.

O anúncio está marcado para as 9h15, seguido pela entrevista da presidente Christine Lagarde às 9h45, momento que deve trazer mais clareza sobre o rumo da política monetária na região.

Nos Estados Unidos, às 9h30, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego e a balança comercial de abril. Os investidores seguem cautelosos após dados fracos sobre o mercado de trabalho, especialmente a forte queda na geração de empregos no setor privado e a retração no setor de serviços. Esses números aumentaram as apostas de um corte de juros ainda neste mês, com atenção redobrada para o relatório de payroll que será divulgado amanhã.

Representantes do Federal Reserve americano estarão ativos ao longo do dia: Adriana Kugler fala às 13h, enquanto Patrick Harker e Jeff Schmid se apresentam às 14h30, com potenciais impactos nas expectativas sobre a política monetária americana.

No Brasil, o destaque fica para a balança comercial de maio, que sai às 15h, acompanhada de coletiva da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Também está prevista a divulgação da produção de veículos em maio pela Anfavea, às 11h.

Ainda assim, o foco do mercado local está nas dúvidas sobre as medidas fiscais que a equipe econômica prepara para substituir o aumento do IOF, fator que tem guiado as negociações no mercado doméstico.

Mercados internacionais

As bolsas na Ásia e no Pacífico fecharam sem direção única. Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 1,49%, atingindo a máxima em mais de 10 meses, e o Kosdaq avançou 0,8%, impulsionados pelas expectativas de reformas e estímulos fiscais no governo do presidente eleito Lee Jae-myung.

Em contraste, o Nikkei 225 de Tóquio recuou 0,51%, e o Topix caiu 1,03%. O S&P/ASX 200 da Austrália fechou estável. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,85%, enquanto o índice CSI 300, da China, avançou 0,23%.

Na Índia, o Nifty 50 e o Sensex cresceram 0,84% e 0,77%, respectivamente, com o mercado antecipando corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros.

As bolsas europeias operam em alta nesta manhã, impulsionadas pela expectativa de corte da taxa de juros. Por volta das 7h15 (horário de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,44%, o francês CAC 40 subia 0,49%, o alemão DAX ganhava 0,47% e o britânico FTSE 100 registrava alta de 0,28%.

Na Alemanha, as encomendas à indústria cresceram 0,6% em abril ante março, contrariando a expectativa de queda de 1%, sustentadas pela demanda por equipamentos eletrônicos e óticos.

Nos Estados Unidos, os índices futuros operam em leve alta. Às 7h15, os futuros do S&P 500 subiam 0,07%, os do Dow Jones avançavam 0,11% e os do Nasdaq 100 ganhavam 0,09%.

Fonte: Exame

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Economia, Negócios

Ações europeias ficam estáveis em meio a dados de inflação e nervosismo comercial

O índice pan-europeu STOXX 600 fechou estável nesta terça-feira, com investidores cedendo terreno sob a dupla pressão de indicadores econômicos mais fracos e persistentes preocupações com o comércio global.

O índice pan-europeu STOXX 600 fechou com variação positiva de 0,09%, a 548,44 pontos.

Na frente macroeconômica, o arrefecimento da inflação em todo o bloco — agora confortavelmente abaixo da meta do Banco Central Europeu (BCE) — aumentou as expectativas de uma guinada agressiva em direção à flexibilização monetária.

O BCE já cortou as taxas de juros sete vezes desde junho passado, e os mercados monetários já estão quase totalmente convencidos de que haverá uma redução de 25 pontos-base na quinta-feira, se encaminhando para reduzir a taxa de juros da região para 2%.

Operadores estão prevendo reduções de pelo menos 55 pontos-base, ou mais dois cortes de 0,25 ponto percentual, incluindo o de quinta-feira, até o final do ano.

“Isso (os dados) indica que o aumento dos preços em maio retira alguma pressão do BCE em seu mandato duplo, e isso reforçou para os mercados que eles estão corretos ao precificar mais cortes”, disse Daniela Hathorn, analista sênior de mercado da Capital.com.

O nervosismo provocado pelas tensões comerciais globais continuou a se mostrar presente, exacerbado pela persistente disputa jurídica em torno das tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Reforçando esses temores, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu sua perspectiva de crescimento global, destacando especificamente a escalada e o impacto econômico desproporcional exercido pela guerra comercial de Trump sobre a economia dos EUA.

O setor de mídia caiu 1,1%, ampliando sua baixa em relação à sessão anterior, já o de recursos básicos perdeu 0,8%, seguindo os preços do cobre. [MET/L]

Enquanto isso, o setor de energia subiu 1% — o melhor desempenho entre os demais, com os preços do petróleo em alta de quase 1%. [O/R]

Em LONDRES, o índice Financial Times avançou 0,15%, a 8.787,02 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX subiu 0,67%, a 24.091,62 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 ganhou 0,34%, a 7.763,84 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve valorização de 0,23%, a 40.074,47 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou baixa de 0,52%, a 14.128,40 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 valorizou-se 0,41%, a 7.456,30 pontos.

Fonte: InfoMoney


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Internacional, Mercado Internacional

Acordo Mercosul-UE representa mudança histórica nas relações comerciais com a Europa

Instrumento consolida parceria baseada em valores, regras e visão de futuro compartilhada, avalia secretária do MDIC

O acordo Mercosul-União Europeia representa uma mudança histórica de patamar nas relações comerciais entre os blocos e, especialmente, do Brasil com os países da União Europeia.

A avaliação é da secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, que participou nesta quinta-feira (29/5) do 1º Fórum de Investimentos Brasil-União Europeia – Moldando um futuro sustentável e forte, realizado em São Paulo. O evento é organizado pela Delegação da União Europeia no Brasil, em parceria com a ApexBrasil e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

A secretária participou do painel “Desbloqueando Comércio e Investimento para o Desenvolvimento Sustentável”, no qual também esteve o negociador chefe da Comissão Europeia para o Acordo Mercosul-UE, Rupert Schlegelmilch.

“Trata-se de um acordo estratégico, que se torna ainda mais relevante diante de um mundo onde crescem as incertezas e as barreiras ao comércio. É importante não apenas para o fortalecimento econômico, mas também para a consolidação de uma parceria baseada em valores, regras e visão de futuro compartilhada” comentou Tatiana.

Em sua avaliação, o acordo valoriza a previsibilidade, a estabilidade e a segurança jurídica, itens fundamentais para a tomada de decisões de investimento e expansão de negócios.

Também estavam no painel representantes do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); da Casa Civil da Presidência da República e do Banco Europeu de Investimento (BEI).

Oportunidades setor privado

Ao falar para uma plateia de empresários brasileiros e europeus e líderes políticos, a secretária do MDIC destacou que o acordo cria uma série de oportunidades, a partir de um marco regulatório claro e moderno para a cooperação econômica.

 “Em nossa visão, é positivo para os dois lados, mas essas oportunidades só se traduzirão em negócios se o setor privado conhecer os benefícios do acordo, as regras negociadas e buscar conhecer a realidade das oportunidades de um lado e do outro”, disse.

Juntos, Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22 trilhões.  “Esse é um acordo que constrói pontes num mundo onde crescem barreiras”, finalizou.

Enfrentando desafios globais

Mais cedo, Tatiana participou de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, em que destacou a importância do fortalecimento da política comercial brasileira para lidar com um cenário internacional marcado por incertezas, tensões geopolíticas e transformações estruturais nas dinâmicas de comércio.

Ela ressaltou que o comércio internacional passa por uma reconfiguração profunda, com o enfraquecimento do multilateralismo, a ascensão do protecionismo e a crescente instrumentalização do comércio para fins geopolíticos.

A secretária observou que a lógica da eficiência, que durante décadas orientou a integração comercial global, vem sendo substituída por uma lógica de resiliência, na qual países buscam se proteger contra riscos econômicos e políticos.

Ela também apontou, como vetores adicionais das transformações observadas, o retorno das políticas industriais, a aceleração da transformação digital e a crescente conexão entre as agendas de comércio e sustentabilidade.

Diante desse cenário, a secretária destacou quatro pontos que considera centrais na estratégia brasileira para fortalecer o comércio exterior:

  • Acordos comerciais com base em regras claras e previsibilidade jurídica, destacando o acordo assinado com Singapura em 2023 e o acordo concluído com a União Europeia em 2024;
  • Facilitação de comércio e desburocratização, com foco na redução de custos que permite maior competitividade aos produtos brasileiros – esforços concretizados, entre outros, pela implantação do Portal Único de Comércio Exterior;
  • Reforma tributária, que eliminará a cumulatividade de tributos sobre a exportação no modelo atual; e
  • Aprovação da Lei de Reciprocidade, instrumento adicional ao Brasil para negociar em melhores condições com parceiros comerciais e defender os interesses das empresas e dos trabalhadores brasileiros.

Tatiana também destacou que o Brasil está relativamente distante dos principais focos de tensão geopolítica e tem atuado com equilíbrio, com foco nos interesses do país. Além da secretária, participaram da audiência, presidida pelo senador Nelsinho Trad, autoridades como os embaixadores Philip Fox-Drummond Gough, Laudemar Gonçalves de Aguiar Neto, Rubens Barbosa e Roberto Azevêdo.

Fonte: Governo Federal – Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Portos

Mais de meia tonelada de cocaína é encontrada no Porto de Santos rumo à Europa

A droga estava num carregamento de resina de hidrocarboneto

A Receita Federal frustrou a tentativa de envio de 664 kg de cocaína, que seriam levados para a Bélgica, através do Porto de Santos, nesta quinta-feira (22). A droga, que foi apreendida, estava escondida num carregamento de 100 toneladas de resina de hidrocarboneto.

Segundo a Receita Federal, a cocaína foi interceptada durante uma operação realizada por equipes da
Alfândega do Porto de Santos e dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos. A carga, que é utilizada em diversas aplicações industriais, estava acondicionada em 4 mil sacas e, em algumas delas, o seu conteúdo foi substituído por tabletes de cocaína. O destino da mercadoria seria o Porto de Antuérpia.

Durante a fiscalização, três cães de faro da Alfândega de Santos, dois de Guarulhos e um de
Viracopos sinalizaram positivamente para a presença de drogas na carga. A perícia e a investigação serão conduzidas em inquérito policial.

Após a confirmação da contaminação da carga, a Polícia Federal (PF) foi acionada para os
procedimentos de polícia judiciária da União e para realizar a perícia no local dos fatos, a fim de
subsidiar a investigação a ser conduzida em inquérito policial.

Como é feita a seleção

Para a seleção de cargas, são utilizados critérios objetivos de gerenciamento e análise de risco, bem como a inspeção por imagens de escâner. Segundo a Receita Federal, esse trabalho busca garantir a agilidade das operações do comércio exterior e, ao mesmo tempo, coibir a prática de atos ilícitos aduaneiros no complexo portuário santista. Outra ferramenta importante é a participação dos cães farejadores da Receita Federal.

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Comércio Exterior, Negócios, Tecnologia

‘Virada de jogo’: BYD ultrapassa Tesla na corrida dos carros elétricos e lidera vendas na Europa

Disputa pelo domínio do setor ganha força com crescimento acelerado e novas fábricas na região

A montadora chinesa BYD vendeu mais veículos totalmente elétricos na Europa do que a americana Tesla pela primeira vez, mesmo enfrentando tarifas mais altas impostas pela União Europeia (UE). Segundo relatório da JATO Dynamics, essa é uma “virada de jogo” para o mercado automotivo europeu.

Dados da consultoria especializada mostram que as vendas da BYD na Europa cresceram 359% em abril na comparação anual.

Já a Tesla registrou queda de 49% no mesmo período, afetada também por protestos na região contra seu CEO, Elon Musk. A análise da JATO cobre 28 países do continente.

O avanço da BYD ocorre apesar da UE ter aplicado, em outubro do ano passado, tarifas punitivas sobre veículos elétricos chineses, citando práticas comerciais injustas.

Tesla foi beneficiada por uma tarifa menor, de 7,8%, para seus carros produzidos na China, enquanto a BYD teve 17%. Outras montadoras chinesas chegaram a enfrentar tarifas de até 35%. A UE mantém ainda uma tarifa padrão de 10% para importação de carros.

Em entrevista à CNBC, Felipe Munoz, analista da JATO, diz que a diferença entre as vendas da BYD e da Tesla em abril foi pequena, mas o significado do resultado é enorme. A BYD também superou marcas tradicionais europeias, vendendo mais que Fiat e Seat na França, por exemplo.

“A BYD só começou a atuar oficialmente fora da Noruega e Holanda no fim de 2022, enquanto a Tesla lidera o mercado europeu de veículos 100% elétricos há anos. Isso marca um momento decisivo no mercado europeu de carros”, afirmou Munoz.

O crescimento da BYD acontece antes mesmo do início da produção em sua nova fábrica na Hungria, que deverá se tornar seu centro operacional no continente.

A Europa surge como um campo de batalha estratégico entre BYD e Tesla, segundo a consultoria Counterpoint Research. A expectativa é que o mercado europeu de veículos elétricos cresça mais em 2025 do que o chinês, que já tem alta penetração.

As tarifas europeias incentivam montadoras chinesas a localizarem sua produção na região. A Tesla também planeja expandir sua fábrica na Alemanha.

Segundo a JATO, as tarifas impactaram inicialmente as vendas chinesas, mas as empresas reagiram ampliando e diversificando suas linhas com modelos híbridos plug-in — veículos que combinam motor elétrico com motor a combustão e que não são alvo das tarifas.

As vendas de veículos 100% elétricos e híbridos plug-in na Europa subiram 28% e 31%, respectivamente, mesmo com queda nos carros a combustão. As vendas totais de elétricos chineses cresceram 59% em abril, chegando a quase 15,3 mil unidades.

Em março, dados mostraram que a Tesla, que só vende carros 100% elétricos, ficou atrás da BYD em número total de vendas anuais no mundo.

Fonte: Exame

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Internacional, Negócios

Brexit: Após quase uma década, Europa e Reino Unido fazem acordo histórico

Entre as medidas, britânicos poderão agora utilizar os portões eletrônicos nos aeroportos europeus quando viajarem de férias, juntando-se aos titulares de passaportes da UE nas filas de espera simplificadas

O Reino Unido e a União Europeia chegaram a um acordo histórico com o objetivo de “reiniciar” as suas relações pós-Brexit, aliviando as restrições às viagens e ao trabalho de centenas de milhões de pessoas no continente.

O pacto, acordado numa reunião em Londres na segunda-feira (19), veio após meses de negociações entre Downing Street e Bruxelas. Inclui acordos sobre defesa, migração, trabalho e viagens – e os líderes de cada lado do Canal da Mancha esperam que os anos de tensão, fiquem no passado.

“Este é um momento histórico”, disse a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao Primeiro-Ministro do Reino Unido, Keir Starmer, aquando da apresentação do acordo na segunda-feira. “Estamos virando uma página. Estamos abrindo um novo capítulo na nossa relação única”.

“A Grã-Bretanha está de volta à cena mundial”, acrescentou Starmer após as reuniões em Lancaster House.

Mas o acordo já ameaçou abrir velhas ferida. Starmer foi criticado por líderes da direita populista ressurgente da Grã-Bretanha, que alegaram que o acordo enfraquece a soberania do Reino Unido.

Eis o que você precisa de saber.

Reduzir a “burocracia” do comércio

As duas partes chegaram a um acordo para facilitar o comércio entre os seus dois mercados – uma das áreas mais controversas das longas negociações do Brexit.

Downing Street anunciou em comunicado que concordou em reduzir a “burocracia” que atualmente sobrecarrega as empresas britânicas que exportam alimentos e bebidas para o bloco por tempo indeterminado.

Parte desse acordo incluirá a remoção completa de alguns controles de rotina de produtos de origem animal e vegetal, afirmou.

O gabinete de Starmer acrescentou que esperava que as mudanças acabassem por “baixar os preços dos alimentos e aumentar a escolha nas prateleiras dos supermercados”, mas estava determinado a não cruzar certas “linhas vermelhas” centrais para a visão do governo do Brexit, incluindo permanecer fora do mercado único da UE e da união aduaneira.

Os parceiros comerciais decidiram avançar para “uma área sanitária e fitossanitária comum”, disse von der Leyen aos jornalistas na segunda-feira. “Isso significa mais certeza, mais estabilidade para os agricultores e produtores de alimentos e para os pescadores e pescadoras de ambos os lados do Canal da Mancha”.

Em todo o caso, as alterações às regras comerciais entre as duas partes são significativas: A UE é o maior parceiro comercial do Reino Unido, tendo o bloco representado 41% das exportações britânicas e mais de metade das suas importações no ano passado, de acordo com dados oficiais que abrangem tanto bens como serviços.

O Reino Unido é também um dos principais parceiros comerciais de Bruxelas e foi o segundo maior destino das exportações de bens da UE em 2024, segundo dados do Eurostat.

O acordo inclui também compromissos no sentido de dar aos barcos de pesca da UE acesso às águas britânicas durante mais 12 anos para além do atual acordo, que expira no próximo ano.

A Europa também abrirá o seu mercado de eletricidade ao Reino Unido, uma medida que von der Leyen elogiou como um passo para aumentar a segurança energética e baixar os preços.

O acordo surge no momento em que a barragem de direitos aduaneiros do Presidente dos EUA, Donald Trump, tem causado estragos na ordem comercial mundial. Numa declaração conjunta divulgada na segunda-feira, a UE e o Reino Unido afirmaram compartilhar um “compromisso com o comércio livre, sustentável, justo e aberto”.

Um novo pacto de defesa

Desde a invasão russa da Ucrânia, as duas partes têm trabalhado de forma cada vez mais estreita no domínio da defesa, e essa unidade só tem aumentado desde que a administração Trump ameaçou retirar as suas garantias de segurança à Europa e deixar Kiev a defender-se sozinha contra Moscou.

A defesa foi um dos aspectos menos controversos das negociações, e o acordo de segunda-feira foi marcado por um aperto de mão formal sobre uma nova parceria de defesa entre o Reino Unido e a UE.

O Reino Unido terá agora acesso a um programa de defesa à escala europeia, permitindo que as empresas britânicas concorram a contratos de segurança juntamente com rivais europeus.

“Esta aquisição conjunta irá aumentar a nossa prontidão e colmatar as lacunas militares que temos”, afirmou von der Leyen.

Starmer e o Presidente francês Emmanuel Macron emergiram como as principais vozes que defendem Kiev na cena mundial, e os dois líderes pressionaram os seus homólogos europeus a aumentar as despesas militares e a juntar-se a um baluarte europeu contra os avanços de Moscou.

O que é que vai mudar para os britânicos e os europeus?

As duas partes vão trabalhar no sentido de criar um regime de mobilidade para jovens que permita aos menores de 30 anos viajar e trabalhar entre o Reino Unido e a Europa. Starmer tem insistido que não haverá um regresso à plena liberdade de circulação, um benefício de que os britânicos gozavam quando eram membros da UE, mas os funcionários europeus sublinharam que um acordo seria mutuamente benéfico.

Os estudantes britânicos deverão também voltar a ter acesso ao programa europeu Erasmus, que lhes permite estudar em outros países europeus.

As duas partes concordaram em chegar a um acordo sobre este programa. “A próxima geração poderá voltar a viver e a estudar no país do outro. Isto irá criar amizades que durarão para toda a vida”, afirmou von der Leyen.

E um impacto visível do Brexit vai desaparecer: Os britânicos poderão agora utilizar os portões eletrônicos nos aeroportos europeus quando viajarem de férias, juntando-se aos titulares de passaportes da UE nas filas de espera simplificadas.

Será que o acordo vai abrir velhas feridas?

Starmer está a fazer um acordo num ambiente político único. O sentimento público apoia-o amplamente; os britânicos lamentam cada vez mais a decisão de sair da UE e preferem um acordo com o bloco a um acordo semelhante com os EUA, segundo as pesquisas de opinião.

Mas o país continua cansado das discussões acaloradas, que duraram anos, que envolveram Westminster após a votação do Brexit em 2016, e Downing Street está agindo com cuidado para evitar reabrir essas feridas.

Pode ser uma ilusão. A primeira-ministra, cujo governo é impopular à medida que se aproxima de um ano de mandato, também está preocupada com a ameaça da direita. O partido populista Reform UK está liderando as pesquisas de opinião e o seu líder Nigel Farage – o principal arquiteto do movimento Brexit – já tentou enquadrar o acordo de segunda-feira como uma rendição a Bruxelas.

A decisão de prolongar o acesso favorável da UE às águas de pesca britânicas até 2038 – mais 12 anos do que o atual acordo – fornece a Farage e a outros críticos um amplo isco. “Estamos a tornar-nos, mais uma vez, um ditador de Bruxelas”, queixou-se a líder conservadora Kemi Badenoch.

Mas Starmer vai estar desesperado por criar outra narrativa: a de que o acordo de segunda-feira encerra finalmente um capítulo polémico da política britânica. “É altura de olhar em frente”, disse. “É altura de ultrapassar os velhos debates e lutas políticas para encontrar soluções práticas e de senso comum que tragam o melhor para o povo britânico.”

Fonte: CNN Brasil

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Internacional, Mercado Internacional

Europa endurece o jogo tarifário contra os EUA — e mira o coração político de Trump

A UE ameaça tarifas adicionais de € 95 bi sobre carros, aviões e bourbon, produtos-chave em redutos eleitorais do presidente americano

A Comissão Europeia ameaçou, nesta quinta-feira, 8, impor tarifas adicionais de até € 95 bilhões (cerca de US$ 108 bilhões ou R$ 612 bilhões) sobre exportações americanas. Na mira de Bruxelas estão automóveis fabricados nos Estados Unidos, aeronaves da Boeing e até o famoso uísque bourbon — símbolo líquido da camaradagem transatlântica que agora amarga sob o novo clima protecionista.

A represália não surgiu do nada. Ela é uma resposta ao arsenal tarifário de Donald Trump, cujas medidas atingem mais de 180 países e oscilam entre suspensão e retaliação, criando um clima de incerteza crônica. A nova rodada de tarifas proposta pela União Europeia — ainda em fase de consulta com os Estados-membros — ampliaria os €21 bilhões já em vigor sobre exportações americanas. Para isso, a Comissão Europeia lançou uma consulta pública com os 27 países do bloco e representantes dos principais setores econômicos, em busca de identificar vulnerabilidades e reunir respaldo político à ofensiva tarifária. Carros fabricados nos EUA e aeronaves da Boeing encabeçam a lista preliminar.

Se implementadas, as medidas europeias afetarão não apenas grandes conglomerados americanos, como a Boeing e montadoras com produção nos EUA, mas também símbolos culturais da América, como o uísque bourbon. Bruxelas lança mão de uma velha tática: pressionar distritos eleitorais decisivos para Trump, onde a indústria automobilística e a produção de uísque têm peso político considerável.

O pano de fundo é uma negociação estagnada. Bruxelas e Washington têm mantido conversas comerciais, mas com pouco avanço. A União Europeia adiou por 90 dias a implementação de suas contramedidas depois que os EUA reduziram parcialmente suas tarifas sobre produtos europeus — de 20% para 10% em muitos casos —, num gesto interpretado como tentativa de pacificação. Como em outras ocasiões, a tática de Trump mistura confronto com promessas de acordo — ele acaba de anunciar um pacto com o Reino Unido — em uma dança diplomática que confunde adversários e parceiros. Mas a paciência europeia está chegando ao fim.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tenta manter um tom diplomático, afirmando que o bloco “continua comprometido com uma solução negociada”. Mas a abertura de uma queixa formal à Organização Mundial do Comércio (OMC) indica que Bruxelas não vê nas negociações atuais um terreno fértil. “Acreditamos que há bons acordos a serem feitos para o benefício dos consumidores e das empresas de ambos os lados do Atlântico”, declarou Ursula von der Leyen, presidente da Comissão. A questão é se há interlocutores dispostos ao compromisso — e se haverá tempo suficiente antes que as medidas entrem em vigor.

Fonte: Veja Negócios

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Internacional, Notícias, Tecnologia

Europa lança ‘balança no espaço’ para saber o peso de todas as árvores na Terra

O satélite Biomass entrou em órbita nesta terça-feira, 29. Ele deve funcionar como uma gigantesca balança no Espaço, destinada a descobrir detalhes sobre as árvores do planeta Terra. A decolagem ocorreu a partir da base da Agência Espacial Europeia (ESA), na Guiana Francesa, por volta das 6h da manhã.

O Biomass emite ondas que conseguem transpor as nuvens e as copas das árvores nas florestas. Assim, será possível determinar a quantidade de material lenhoso (peso e volume), bem como a altura de cada espécime. O satélite é o primeiro com essa capacidade já colocado em órbita terrestre.

Por que colocar uma grande balança no Espaço?
Com o equipamento em órbita, a agência pretende monitorar a quantidade de carbono armazenado pelas plantas. Para cumprir a missão, essa grande balança no Espaço possui uma estrutura semelhante a um guarda-chuva — ou a uma antena parabólica — com 12 metros de diâmetro, apoiada sobre uma haste de 7 metros, além de um refletor para enviar os sinais ao solo.

Quantas árvores existem no planeta?
Cerca de 30% da superfície terrestre é coberta por florestas. Isso corresponde a aproximadamente 4 bilhões de hectares. Estima-se que essa área abrigue 3 trilhões de árvores — o equivalente a um pequeno bosque para cada habitante do planeta, considerando que existem cerca de 8 bilhões de seres humanos na Terra.

Fonte: Diário do Brasil

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Informação, Internacional, Notícias

Justiça da Espanha apura se apagão foi ‘sabotagem’ e ‘terrorismo’

O Tribunal Superior da Espanha anunciou, nesta terça-feira (29/4), que abrirá investigação para verificar se o apagão ocorrido no país foi um ato de “sabotagem cibernética”, o que poderia ser qualificado como “crime terrorista”, por se tratar de um ataque contra “a infraestrutura crítica espanhola”.

O que está acontecendo?
Espanha e Portugal enfrentam um apagão geral nessa segunda-feira (28/4), desde as 12h30, no horário local (por volta de 7h30 no horário de Brasília).
Partes da França foram brevemente afetadas, mas não por muito tempo.
A falta de energia afeta trens, linhas de metrô e aeroportos internacionais nos dois países.
Inicialmente, autoridades portuguesas haviam relacionado o apagão a um ciberataque, o que foi desmentido pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa.
A eletricidade foi quase totalmente restabelecida nesta terça-feira (29/4) na Espanha e em Portugal, cerca de 20 horas após o apagão massivo.
O juiz do Tribunal da Espanha, José Luis Calama, afirmou que iniciará os procedimentos preliminares para a investigação. Em seguida, o juiz pediu que fossem elaborados relatórios no prazo improrrogável de dez dias, indicando “a causa ou as causas que motivaram o apagão”.

De acordo com ele, o incidente resultou em “uma situação crítica para o bem-estar e a sensação de segurança de todos os cidadãos”.

Calama afirma que, embora a causa seja desconhecida, “o ciberterrorismo é uma das possíveis causas”.

“O titular do Quarto Tribunal Central de Instrução explica que, de acordo com o artigo 573 do Código Penal, os crimes cibernéticos podem ser classificados como terrorismo quando têm como objetivo desestabilizar gravemente a ordem constitucional ou o funcionamento de serviços essenciais”, explicou o tribunal em nota.

Em nota, apontaram que, “o investigador analisa a legislação nacional e europeia sobre proteção de infraestruturas críticas e combate ao ciberterrorismo, que, no caso espanhol, levou o legislador a introduzir esse fenômeno no Código Penal como delito de terrorismo”.

“Fenômeno atmosférico”
Portugal também enfrentou um apagão geral na segunda-feira (28/4).

Inicialmente, a operadora de redes energéticas REN, de Portugal, informou à Reuters que a interrupção no fornecimento de energia elétrica no país é resultado de uma falha na rede elétrica espanhola, relacionada com um fenômeno atmosférico raro, conhecido como vibração atmosférica induzida.

No entanto, a empresa desmentiu, ainda na segunda-feira (28/4), a causa do apagão. Segundo eles, não procede a informação de que o apagão que afetou o país teria relação com um fenômeno atmosférico raro que teria levado a uma falha na rede elétrica na rede espanhola.

Fonte: Metrópoles

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