Comércio Exterior

Tarifaço: duas cidades de SC estão entre as 20 mais atingidas pelas tarifas de Trump

A taxa adicional aplicada pelo presidente dos Estados Unidos de 50% aos produtos brasileiros entrou em vigor na quarta-feira (6) e afetou 906 municípios brasileiros

Jaraguá do Sul e Joinville estão entre as 20 cidades mais atingidas pelas tarifas de Donald Trump. A taxa adicional aplicada pelo presidente dos Estados Unidos de 50% aos produtos brasileiros entrou em vigor na quarta-feira (6) e afetou 906 municípios brasileiros.

As exportações de Santa Catarina de máquinas, equipamentos elétricos e mecânicos desses municípios somam quase R$ 474 milhões em vendas anuais para o mercado americano, agora sujeitas à nova taxação decretada por Trump.

Municípios mais atingidos pelas tarifas de Trump

A medida, decretada pelo presidente Donald Trump, atinge especialmente carne, café, máquinas, pescados e armas, poupando apenas setores como aeronaves, petróleo, celulose e suco de laranja. O levantamento é do Estadão, com base em dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

Sudeste e Sul concentram maior impacto

As regiões Sudeste e Sul, líderes nas exportações para os EUA, concentram grande parte dos municípios afetados. Em São Paulo, Piracicaba, referência em máquinas e peças, lidera a lista.

Matão (SP) é forte em preparações de frutas; Guaxupé e Varginha (MG) exportam café; e cidades gaúchas e catarinenses têm fábricas de armas, equipamentos e materiais elétricos que perderão competitividade.

No Rio Grande do Sul, a sobretaxa afeta também as exportações de carnes e móveis, produtos com alta concorrência no mercado internacional. No Sul, Jaraguá do Sul (SC) e São Leopoldo (RS) se destacam entre os mais impactados.

Norte e Nordeste são mais vulneráveis

Segundo estudo do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste da FGV/IBRE, as regiões Norte e Nordeste tendem a sentir mais os efeitos econômicos e sociais do tarifaço. Isso porque suas exportações têm baixo valor agregado e forte peso no emprego local, como frutas, pescados, calçados e têxteis.

Estados como o Ceará, com forte dependência do mercado americano, estão entre os mais expostos. “As isenções beneficiaram proporcionalmente as regiões mais ricas do País e menos as regiões mais pobres”, afirma o pesquisador Flávio Atalibra Barreto.

Centro-Oeste sofre menos com a medida

O Centro-Oeste é a região menos afetada, por ter sua pauta de exportações centrada em commodities agropecuárias e minerais, com destino prioritário para China e Europa. Mesmo assim, há cidades da região que exportam carne e outros produtos que sofrerão com o aumento tarifário.

Produtos e municípios mais atingidos pelas tarifas de Trump

O levantamento do Estadão mapeou os 30 produtos brasileiros mais exportados para os EUA em 2024. Entre os mais impactados estão:

Piracicaba – SP

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 1.052.717,85

Matão – SP

  • Produtos: preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas
  • Valor em MIL US$ 442.426,12

Guaxupé – MG

  • Produtos: café, chá, mate e especiarias
  • Valor: 410.456,63

Barcarena – PA

  • Produtos: produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos
  • Valor: 344.011,52

Varginha – MG

  • Produtos: café, chá, mate e especiarias
  • Valor: 290.403,23

Jaraguá do Sul – SC

  • Produtos: máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios
  • Valor: 245.120,49

Colina – SP

  • Produtos: preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas
  • Valor: 244.896,53

Pederneiras – SP

  • Produtos: veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios
  • Valor: 236.728,72

Joinville – SC

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 228.366,36

Serra – ES

  • Produtos: obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes
  • Valor: 215.801,36

Araraquara – SP

  • Produtos: preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas
  • Valor: 206.007,26

Petrópolis – RJ

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 194.894,86

Campo Largo – PR

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 181.515,87

Lins – SP

  • Produtos: preparações de carne, de peixes ou de crustáceos, de moluscos ou de outros invertebrados aquáticos
  • Valor: 179.662,9

Cachoeiro de Itapemirim – ES

  • Produtos: obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes
  • Valor: 178.644,73

São Luís – MA

  • Produtos: produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos
  • Valor: 155.593,59

Contagem – MG

  • Produtos: máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios
  • Valor: 153.740,23

Ribeirão Pires – SP

  • Produtos: armas e munições; suas partes e acessórios
  • Valor: 153.369,0

Suzano – SP

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 131.941,46

Campo Limpo Paulista – SP

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 131.066,0

Apesar de algumas exceções, como aviões da Embraer e petróleo, a nova 2tarifa deve pressionar setores estratégicos, provocar perda de competitividade e abrir espaço para concorrentes internacionais.

Fonte: ND+

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Comércio Exterior

Plano de contingência contra tarifaço deve ser anunciado até terça (12)

Alckmin teria agenda nesta segunda em São Paulo, mas cancelou para reunião com Lula em Brasília em que deve tratar de últimos detalhes das medidas

Concentrado nos esforços para tirar do papel o pacote de medidas de socorro para mitigar os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, cancelou agendas que teria em São Paulo nesta segunda-feira (11) para um “compromisso inadiável” em Brasília.

Alckmin terá uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro está marcado às 17h. Mas, os ministros terão uma prévia com a Casa Civil. Têm participado dos encontros: Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União).

A expectativa é que o plano de contingência seja anunciado até terça-feira (12), seis dias após as tarifas impostas aos produtos brasileiros terem entrado em vigor.

Na capital paulista, Alckmin participaria de um congresso do agronegócio pela manhã e do lançamento de um programa de qualificação para exportações à tarde. Ele já estava em São Paulo.

De acordo com membros da equipe econômica do governo, o plano a ser apresentado foi construído “sob medida”, com diferentes ações para múltiplos setores e perfis de empresas. O pacote contará com medidas de mitigação de “curto, médio e longo prazo”, de acordo com estes governistas.

Devem fazer parte do plano linhas de crédito para setores impactados e a expansão de compras governamentais, permitindo que órgãos públicos absorvam mercadoria que deixará de ser exportada. Segundo cálculos do governo, as tarifas de 50% afetarão cerca de um terço das empresas que vendem aos EUA.

Entre as 694 isenções da tarifa, estão alguns dos itens mais importantes da pauta de exportações brasileira para os Estados Unidos, como o suco de laranja, celulose e os aviões da Embraer. Mas outros produtos importantes, como café e carne, seguem tarifados.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Com tarifaço, concorrência no mercado de frutas vai disparar

Especialistas projetam redução de preços ao consumidor e diminuição de margem aos produtores

A entrada em vigor das tarifas de 50% dos Estados Unidos para diversos produtos do Brasil, incluindo do agronegócio, gera preocupação para o iminente aumento de concorrência no mercado interno de frutas, verduras e legumes. Esse movimento pode provocar redução de preços ao consumidor e diminuição de margem para os produtores, avaliam especialistas.

Segundo Valeska Ciré, representante da IFPA (International Fresh Produce Association) no Brasil, o setor está “observando, com a expectativa de diálogo”. Mesmo que haja buscas por novos mercados, é complexo alocar contêineres que seriam destinados aos Estados Unidos, e a preocupação é com a redução instantânea de margem dos produtores.

“O aumento da oferta pode levar a mais concorrência e queda de preços, e vai penalizar os produtores”, disse a líder, durante o evento The Brazil Conference & Expo, realizado nesta quarta (6/8) e quinta-feira (7/8), em São Paulo. A IFPA tem 3 mil associados no mundo e 160 empresas no Brasil, que variam de pequeno a grande porte, incluindo produtores de manga, uva, melão, morango e maçã. Todas serão impactadas, segundo Valeska.

De US$ 1,3 bilhão que a Agrícola Famosa exportou em 2024, os Estados Unidos representaram 12%, ou cerca de US$ 140 milhões. A companhia tem a Europa como principal destino, responsável por 70% da absorção de sua produção. Ainda assim, os impactos do tarifaço são “muito preocupantes”, avalia Luiz Roberto Barcelos, sócio-fundador da empresa. “É um volume significativo, fatalmente o preço vai sofrer uma queda”.

Na avaliação do executivo, o importador norte-americano está abrindo mão de parte da sua margem e repassando outra parte ao consumidor, assim como alguns exportadores brasileiros também estão dispostos a perder alguma margem.

O lucro menor e o aumento de preços nos Estados Unidos devem reduzir o consumo, além da provável importação de frutas de outros países como Equador e Peru, analisou o empresário. Se as taxas forem mantidas, a produção nacional vai ser reduzida, constatou Barcelos. “Quem vai pagar o pato é o produtor brasileiro, o importador e o consumidor norte-americano”.

Novos mercados

Para ele, a abertura de novos mercados é um caminho de longo prazo. “Para mandar melão para a China demoramos sete anos, a uva demorou quatro anos. Até dá para abrir mercados novos, mas qualquer um deles não vai demorar menos do que dois anos. Essa solução terá zero efeito sobre a manga que está lá no pé para ser colhida hoje”.

Valeska Ciré, da IFPA, defende campanhas de aumento do consumo de frutas e vegetais, já que o Brasil consome apenas um terço do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Uma maior demanda interna criaria um grande mercado doméstico, absorvendo o aumento da oferta”.

O Grupo Doce Mel, produtor e distribuidor de frutas, legumes e verduras (FLV), vê um impacto indireto em seus negócios. Apesar de não exportar diretamente aos Estados Unidos, diversos fornecedores da companhia vendem para lá. O sócio-diretor Roberto Junior calcula que boa parte do que deveria sair do país, ficará aqui.

“É necessário trabalhar melhor o mercado interno para aumentar o consumo de forma imediata com promoção de frutas, por exemplo”, considerou.

Até empresas que não trabalham diretamente com produção de frutas já medem os impactos da taxação norte-americana. A Paripassu, companhia de inspeção e certificação de produtos da cadeia FLV, teme os desdobramentos do tarifaço aos seus clientes. Dos seus 5,5 mil clientes, cerca de 2 mil são produtores de frutas, legumes, verduras e vegetais frescos.

Ainda que boa parte deles não exportem aos Estados Unidos, muitos produtos serão colocados no mercado nacional.

“Isso vai mexer com a demanda e gerar uma necessidade de reorganização do mercado”, pontuou Heidy Milan, coordenadora de Qualidade e Certificações da Paripassu.

Para ela, muitos clientes não terão fluxo de caixa para lidar com essa mudança de mercado. “Alguns podem não sobreviver, e isso gera impacto no nosso negócio, com possíveis cancelamentos de contratos”.

Decisão dissonante

A CEO global da IFPA national Fresh Produce Association), Cathy Burns, afirmou que defende a isenção de frutas, flores, legumes e verduras da tarifa de 50%. Para ela, as taxas são dissonantes do plano do governo norte-americano de ‘Tornar a América Saudável Novamente’ (Make America Healthy Again), uma iniciativa que pretende combater a crise de doenças crônicas no país.

“Não dá para ser saudável sem comer frutas e vegetais”, afirmou a líder global durante a Brazil Conference & Expo 2025, feira que reúne entre hoje e amanhã o setor de FFLV em São Paulo.

Burns cita o diálogo entre os países como a melhor saída neste momento, porque existem muitos produtos importantes para os americanos que saem do Brasil, mas ressalta que o país deve voltar seus esforços também para outros destinos.

“O Brasil exporta para outros países além dos EUA. Acho que 56% das frutas brasileiras vão para a Europa, então esse é um mercado muito importante também”.

Fonte: Globo Rural


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Comércio Exterior

Análise: Demora do governo acirra tensão do tarifaço

Analista de Política Clarissa Oliveira avaliou no Live CNN que a ausência de medidas de contingência para enfrentar a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros gera insegurança no empresariado e críticas ao governo federal

A ausência de um plano de contingência do governo para enfrentar a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais tem gerado apreensão no setor produtivo. Em vigor deste a última quarta-feira (6), a taxa afeta diversos segmentos da economia, criando um cenário de incertezas para empresários e produtores. A análise é de Clarissa Oliveira no Live CNN.

Havia expectativas de que o governo apresentasse medidas na última semana. Entretanto, a falta de ações tem intensificado as tensões tanto no setor produtivo quanto no meio político, gerando críticas sobre a capacidade de resposta do governo diante de adversidades econômicas.

Impactos e possíveis medidas

As empresas afetadas pelo tarifaço do presidente Donald Trump aguardam definições sobre possíveis linhas de crédito e outras formas de auxílio. Entre as medidas em discussão, cogita-se o aproveitamento de parte da produção excedente para programas governamentais, como o reforço de merendas escolares e parcerias com prefeituras.

Porém, o governo justifica que há cautela na elaboração do plano de contingência, citando a necessidade de não superdimensionar a ajuda e garantir mecanismos eficientes de controle. A preocupação com o impacto fiscal das medidas também é um fator relevante, considerando experiências anteriores com programas de auxílio que se expandiram além do planejado.

Perspectivas de negociação entre Brasil e EUA

Há expectativa em relação a uma reunião programada para a próxima semana entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent.

No entanto, as empresas têm um limite de tempo para aguardar definições antes de precisarem tomar medidas para conter prejuízos, o que pode impactar empregos e gerar insegurança no mercado brasileiro.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Em meio à polêmica do tarifaço, EUA ampliam superávit com o Brasil até junho

Saldo positivo americano foi de US$ 1,3 bi no mês e de US$ 4,5 bi no semestre; em junho, os EUA anunciaram um déficit global de US$ 60 bi, 16% mais baixo que o contabilizado em maio

O superávit comercial de US$ 1,3 bilhão que os Estados Unidos tiveram com o Brasil em junho foi o quinto mais alto individualmente entre os países com quem o país faz transações. A informação está nas planilhas que o Departamento de Comércio americano disponibilizou ao anunciar os dados da balança comercial do mês. No período, os EUA registraram um déficit global de US$ 60 bilhões, 16% mais baixo que o contabilizado em maio.

No mesmo mês de 2024, a relação comercial com o Brasil tinha sido favorável aos EUA em US$ 881 milhões.

Segundo os dados, os EUA exportaram US$ 4,9 bilhões para o Brasil em junho e importaram US$ 3,6 bilhões entre bens e serviços no mês. No acumulado do primeiro semestre, o superávit americano somou US$ 4,5 bilhões, ante US$ 2,8 bilhões no mesmo período do ano passado.

Os dados não estão com os devidos ajustes sazonais, por isso podem diferir dos anunciado pela brasileira Secex. Segundo as informações oficiais brasileiras, o déficit com os EUA ficou em US$ 590 milhões em junho e a conta negativa alcançou US$ 1,67 bilhão em seis meses.

Não houve detalhamento pelos EUA sobre produtos específicos relacionados aos países, mas as tabelas gerais não mostram mudanças significativas até aqui na comparação com os dados de 2024. Até junho, as importações de commodities agrícolas pelos EUA somaram US$ 114,5 bilhões este ano, ante US$ 105,8 bilhões no 1º semestre do ano passado.

Sobre alguns dos principais itens que o Brasil comercializa com os EUA, também não foram registrados recuos até aqui. As compras americanas globais de carnes cresceram de US$ 7,7 bilhões para US$ 9,6 bilhões na mesma comparação. As de peixes e pescados avançaram de US$ 12,1 bilhões para US$ 13,6 bilhões e as importações de frutas e vegetais como um todo passaram de US$ 28,6 bilhões para US$ 28,8 bilhões em um ano.

Mais uma vez, a China manteve a vantagem na relação comercial com os EUA. O Departamento anunciou um déficit de US$ 9,4 bilhões com o gigante asiático — o quinto maior entre todos os países e blocos –, mas destacou que a conta negativa foi US$ 4,6 bilhões menor entre maio e junho – provavelmente sob efeito da política comercial mais agressiva de Donald Trump.

Veja abaixo o ranking de superávits e de déficits comerciais dos EUA em junho:

Superávits em junho:

País/blocoValor (em US$)
HolandaUS$ 6,2 bilhões
América do Sul e CentralUS$ 4,4 bilhões
Reino UnidoUS$ 2,2 bilhões
AustráliaUS$ 1,6 bilhão
Hong KongUS$ 1,6 bilhão
BrasilUS$ 1,3 bilhão

Déficits em junho

País/blocoValor (em US$)
México-US$ 16,3 bilhões
Vietnã-US$16,2 bilhões
Taiwan-US$ 12,9 bilhões
União Europeia-US$ 9,5 bilhões
China-US$ 9,4 bilhões
Japão-US$ 5,7 bilhões
Coreia do Sul-US$5,5 bilhões
Irlanda-US$ 5,3 bilhões
Índia-US$ 5,3 bilhões
Alemanha-US$ 4,0 bilhões

Fonte: InfoMoney

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Exportação

CBA redireciona exportações de alumínio para Europa e América Latina após tarifa de 50% dos EUA

Com a entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre o alumínio brasileiro nesta quarta-feira (6), a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) redirecionou suas exportações para Europa, América Latina e o próprio Brasil.

Embora apenas uma pequena parte das exportações tivesse como destino os Estados Unidos, o presidente da CBA, Luciano Alves, afirmou que a tarifa exigiu ajustes imediatos na estratégia comercial da empresa.

“Tivemos um trimestre com vendas muito parecido com o primeiro trimestre (…) e um volume de vendas saudável com 91% destinado ao mercado interno. Das exportações, de 9%, uma parte ia para os EUA e desviamos deste volume para outros mercados, principalmente Europa, América Latina e Brasil”, frisa.

O executivo reconhece que o movimento tarifário promovido pelo governo de Donald Trump traz impactos indiretos na cadeia e impactos no preço. “A consequência disso é que já vemos uma queda no prêmio da Europa, com muito metal chegando de todos que não estão conseguindo vender para os EUA, e isso influencia na queda de preços”, observou.

Essa saturação de mercados alternativos tem levado à compressão de margens e ao aumento da competição, inclusive no Brasil, onde empresas que antes priorizavam os Estados Unidos também buscam novos compradores.

“No Brasil, isso também ocorre com uma competição maior de outros mercados que antes vendiam para os EUA e passaram a buscar alternativas”, afirma.

Para Alves, o cenário exige atenção, mas ainda não é motivo para alarme. Outro ponto é sobre possíveis medidas de reciprocidade por parte do Brasil, o presidente da CBA, no entanto, frisa que os efeitos seriam limitados, já que a companhia adota uma política de diversificação na sua base de insumos.

Segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio, os efeitos da tarifa de sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos pode provocar um impacto de R$ 1,15 bilhão no setor até o fim de 2025. O valor representa os prejuízos diretos já contabilizados e as perdas projetadas após a ampliação da tarifa de importação para 50%, determinada por nova ordem executiva de Trump.

Fonte: Valor Econômico

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Comércio Exterior

Tarifas mais altas de Trump atingem grandes parceiros comerciais dos EUA, gerando questionamentos e preocupação

As tarifas mais altas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às importações de dezenas de países entraram em vigor nesta semana, elevando a tarifa média de importação dos Estados Unidos para o maior patamar em um século e deixando importantes parceiros comerciais, como a Suíça, o Brasil e a Índia, na busca apressada por acordos melhores.

A agência de Alfândega e Proteção da Fronteira dos EUA passou a cobrar as tarifas mais altas nesta quinta-feira — no caso do Brasil a taxação maior começou já na quarta-feira — após semanas de suspense sobre as taxas finais de Trump e negociações frenéticas com os principais parceiros comerciais que buscavam reduzi-las.

Os líderes do Brasil e da Índia prometeram não se intimidar com a posição de barganha de Trump, enquanto seus negociadores buscam um alívio dos níveis tarifários mais altos.

As novas tarifas testarão a estratégia de Trump para reduzir os déficits comerciais dos EUA sem causar grandes interrupções nas cadeias de suprimentos globais ou provocar inflação mais alta e retaliação rígida dos parceiros comerciais.

“BILHÕES” EM RECEITA TARIFÁRIA

Depois de revelar suas tarifas do “Dia da Libertação” em abril, Trump modificou frequentemente seus planos, aplicando taxas muito mais altas sobre as importações de alguns países, incluindo 50% para produtos do Brasil, 39% da Suíça, 35% do Canadá e 25% da Índia. Na quarta-feira, ele anunciou uma tarifa separada de 25% sobre os produtos indianos, a ser imposta em 21 dias, devido às compras de petróleo russo pela Índia.

“BILHÕES DE DÓLARES, EM GRANDE PARTE DE PAÍSES QUE TIVERAM VANTAGEM DOS ESTADOS UNIDOS POR MUITOS ANOS, RINDO O TEMPO TODO, COMEÇARÃO A ENTRAR NOS EUA”, disse Trump no Truth Social, pouco antes do prazo final da tarifa.

As tarifas são, em última instância, pagas pelas empresas que importam as mercadorias e repassadas total ou parcialmente aos consumidores dos produtos finais.

O principal negociador comercial de Trump, Jamieson Greer, disse que os EUA trabalham para reverter décadas de políticas que enfraqueceram a capacidade de produção e a força de trabalho dos EUA, e que muitos outros países compartilhavam preocupações sobre desequilíbrios macroeconômicos.

“As regras do comércio internacional não podem ser um pacto suicida”, escreveu ele em uma coluna publicada pelo New York Times.

“Ao impor tarifas para reequilibrar o déficit comercial e negociar reformas significativas que formam a base de um novo sistema internacional, os Estados Unidos demonstraram uma liderança ousada”, disse Greer.

Oito grandes parceiros comerciais, que representam cerca de 40% dos fluxos comerciais dos EUA, chegaram a acordos para concessões comerciais e de investimento com Trump, incluindo a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul, reduzindo suas taxas tarifárias básicas para 15%.

O Reino Unido obteve uma taxa de 10%, enquanto o Vietnã, a Indonésia, o Paquistão e as Filipinas garantiram reduções de taxas para 19% ou 20%.

“Para esses países, as notícias são menos ruins”, disse William Reinsch, membro sênior e especialista em comércio do Center for Strategic and International Studies, em Washington.

“Haverá algum rearranjo na cadeia de oferta. Haverá um novo equilíbrio. Os preços aqui subirão, mas levará algum tempo para que isso se manifeste de forma significativa”, disse Reinsch.

Os países com tarifas muito altas, como a Índia e o Canadá, “continuarão a se esforçar para tentar consertar isso”, acrescentou.

A presidente da Suíça, Karin Keller-Sutter, disse nesta quinta-feira que as conversações com os EUA continuariam depois que ela voltou para casa de mãos vazias de uma viagem de 11 horas a Washington com o objetivo de evitar a tarifa de importação dos EUA sobre os produtos suíços.

Uma tentativa de última hora da África do Sul de melhorar sua oferta em troca de uma tarifa mais baixa também fracassou. As equipes de negociação comercial dos dois países terão mais conversas, informou o gabinete do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa.

O Vietnã disse na quinta-feira que continuaria as negociações com os EUA, buscando reduzir ainda mais as tarifas, depois de negociar uma redução para 20% da tarifa de 46% que Trump impôs às importações do país do sudeste asiático em abril.

Enquanto isso, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse à Reuters na quarta-feira que não se humilharia ao tentar fazer uma ligação telefônica com Trump, mesmo tendo afirmado que seu governo continuará as negociações em nível de gabinete para reduzir a tarifa de 50%.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, foi igualmente desafiador, dizendo que não comprometerá os interesses dos agricultores do país.

Também há sinais de que alguns países estão se unindo para enfrentar Trump. Lula ligou nesta quinta-feira para Modi e disse que também falará com o presidente da China, Xi Jinping, para discutir uma resposta conjunta do Brics às tarifas.

A Índia disse na quarta-feira que Modi visitará a China pela primeira vez em sete anos.

RECEITAS E PREÇOS MAIORES 

Os impostos de importação dos EUA são uma parte de uma estratégia tarifária de várias camadas que inclui tarifas setoriais baseadas na segurança nacional sobre semicondutores, produtos farmacêuticos, automóveis, aço, alumínio, cobre, madeira e outros produtos. Trump disse na quarta-feira que as tarifas sobre microchips poderiam chegar a 100%.

A China está em uma trilha tarifária separada e enfrentará um possível aumento de imposto de importação dos EUA em 12 de agosto, a menos que Trump aprove uma prorrogação da trégua anterior após conversas na semana passada na Suécia. Ele disse que poderá impor tarifas adicionais sobre as compras de petróleo russo pela China, pois busca pressionar Moscou a encerrar sua guerra na Ucrânia.

Trump tem elogiado um grande aumento na arrecadação proveniente da cobrança de impostos de importação, e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disse à Fox Business Network nesta quinta-feira esperar que a receita das tarifas chegue a US$50 bilhões por mês.

A medida elevará a média das taxas tarifárias dos EUA para cerca de 20%, a mais alta em um século e bem acima dos 2,5% de quando Trump assumiu o cargo em janeiro, segundo estimativas do Instituto Atlantic.

Dados do Departamento de Comércio divulgados na semana passada mostraram mais evidências de que as tarifas estão elevando os preços dos EUA, enquanto os custos estão aumentando para as empresas.

Na quinta-feira, a Toyota disse esperar um impacto de quase US$10 bilhões das tarifas sobre os carros importados para os EUA e reduziu sua previsão de lucro para o ano inteiro em 16%.

Mas outras empresas japonesas, como a Sony e a Honda, disseram que agora esperam um impacto menor sobre os lucros, depois que o Japão fechou um acordo bilateral com Washington para reduzir as tarifas.

Fonte: Reuters

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Comércio Exterior

Déficit da balança comercial entre Brasil e EUA sobe 1.338% em julho

O déficit da balança comercial entre Brasil e Estados Unidos subiu 1.338,6% em julho, na comparação com o mesmo período de 2024. No mês passado, o déficit com o país comandado por Donald Trump foi de cerca de US$ 560 milhões ante US$ 38,9 milhões de julho de 2024. No acumulado do ano, a balança comercial entre os dois países registrou déficit de US$ 2,26 bilhões para o Brasil.

A balança comercial foi listada por Trump como um dos fatores que motivaram a implementação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Na carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente norte-americano afirma que as barreiras tarifárias brasileiras causaram déficits “insustentáveis” aos EUA. “Entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil, que causaram esses déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos.

Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional”, diz a carta. Somente em julho de 2025, a importação de produtos americanos subiu 18,2%, totalizando US$ 4,27 bilhões. Já as exportações brasileiras aos EUA cresceram 3,8%, totalizando US$ 3,71 bilhões. A corrente de comércio com os EUA também cresceu em julho. Subiu em 11%, chegando a US$ 7,98 bilhões.

Balança comercial do Brasil

Ao considerar as importações e exportações para todos os países, balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,1 bilhões em julho de 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (6) pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). O resultado representa uma queda 6,3% frente ao registrado no ano passado, quando o saldo foi de US$ 7,6 bilhões. No mês, exportações somaram US$ 32,3 bilhões e importações de US$ 25,2 bilhões. A corrente de comércio totalizou US$ 57,5 bilhões no mês, com crescimento de 6,3% na comparação com julho de 2024.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Dependência de fertilizantes russos deixa Brasil vulnerável a mais taxações dos EUA

O Brasil pode ser alvo de novas taxas dos Estados Unidos por comprar fertilizantes da Rússia, seu principal fornecedor.

Os fertilizantes químicos funcionam como um tipo de adubo, usado para preparar e estimular a terra para o plantio.

O presidente Donald Trump aplicou uma tarifa adicional à Índia nesta quarta-feira (6) por comprar petróleo dos russos. Segundo ele, isso contribui “para a manutenção da guerra contra a Ucrânia”.

Com a nova taxa, a tarifa total aplicada à Índia subiu para 50% — empatando com a do Brasil e deixando o país asiático entre os mais taxados por Trump.

Ainda na quarta-feira, Trump declarou que mais tarifas podem ser impostas.

Se o Brasil for alvo de algo semelhante, a produção de alimentos no Brasil pode ser afetada, com aumento nos custos para o agricultor e o consumidor, diz o consultor Carlos Cogo.

Segundo o especialista, a dependência da importação do Brasil torna o país “vulnerável” a esses tipos de aumento.

No mercado de fertilizantes, existem três insumos que são os mais relevantes, que formam o NPK, aponta Cicero Lima, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV AGRO). São eles:

o nitrogênio (N), que o Brasil importa 95%;

o fosfato (P), o qual 75% é comprado no exterior;

e o potássio (K), com 91% vindo de fora do país.

Cogo aponta os principais motivos que explicam essa dependência. Veja abaixo.

➡️Faltam matérias-primas: no país, não há muitas reservas de componentes que são fundamentais para a produção dos fertilizantes, principalmente nitrogênio e potássio.

O potássio, por exemplo, está concentrado em países como Canadá, Rússia e Bielorrússia, que dominam o mercado mundial.

Já a indústria nacional de nitrogenados é pequena, porque a produção exige gás natural barato. Assim, perde competitividade frente a países como EUA, Rússia e Catar.

No caso do fosfato, as reservas têm qualidade inferior e são mais caras de explorar.

➡️Demanda grande: a produção nacional não consegue atender tudo o que a agricultura brasileira consome de fertilizante.

Apesar de ser grande produtor de alimentos, o Brasil tem solo pobre em nutrientes. Por isso, precisa de adubação frequente para manter a produtividade. Saiba mais abaixo.

Essa procura por fertilizante vem, principalmente, de produtos como a soja, milho, café e cana-de-açúcar.

➡️ Altos custos: importar sai mais barato, porque a logística no Brasil é cara e a infraestrutura é limitada, aponta Cogo.

O Brasil tem um Plano Nacional de Fertilizantes, criado em 2022. A meta é produzir entre 45% e 50% do insumo que o país consome até 2050.

Para isso, o governo pretende gastar mais de R$ 25 bilhões até 2030, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Para o consultor Cogo, são necessários grandes investimentos, incentivos e infraestrutura para aumentar a produção.

Dá para trocar de fornecedor?

A Rússia é o 2° maior produtor mundial de fertilizantes potássicos e nitrogenados e o 4° maior de fosfatados. Em 2024, o país foi o principal fornecedor desses insumos para o Brasil, sendo, de acordo com a consultoria Cogo:

53% de fosfato monoamônico (que fornece nitrogênio e fósforo às plantas);

40% de cloreto de potássio;

20% de ureia.

“É um volume muito grande para que qualquer outro fornecedor consiga atender à demanda do Brasil”, diz Lima.

Trocar a Rússia no fornecimento desses componentes para o Brasil não seria rápido, aponta Cogo. Isso porque seria necessário fazer uma reestruturação logística das compras e realizar negociações diplomáticas para fechar novos acordos e abrir mercados.

Entre as alternativas possíveis de novos vendedores, o Brasil poderia ampliar parcerias com Canadá, Marrocos, Nigéria e outros países do Oriente Médio, afirma Cogo.

Mas ele alerta que outros países também buscam evitar sanções e podem disputar os mesmos fornecedores.

Por que o Brasil consome tanto fertilizante?

O Brasil é o 4° maior consumidor de fertilizantes do mundo. Isso acontece porque o solo do país é quimicamente pobre em nutrientes, principalmente no Cerrado, afirma Cogo.

Segundo o consultor, a região tem baixa disponibilidade de elementos essenciais, como fósforo e potássio, além de ter elevada acidez.

Somado a isso, está o clima tropical do país. O Brasil sofre com chuvas intensas, que favorecem a lixiviação, processo em que os nutrientes são rapidamente perdidos do solo.

É diferente do que acontece em países de clima temperado, onde a terra é naturalmente mais fértil e as perdas são menores.

A agricultura intensiva também aumenta a necessidade de fertilizantes. Ela permite várias safras por ano, o que exige reposição constante de nutrientes.

Os cultivos que são voltados para a exportação, como a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o café e o algodão, exigem muitos nutrientes. Portanto, precisam de grandes volumes de adubos químicos para manter produtividade.

Fonte: G1

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Portos

Tarifaço dos EUA impulsiona recorde histórico de movimentação de cargas no maior porto do Brasil

Levantamento preliminar apontou o melhor desempenho mensal da história do Porto de Santos, com 17 milhões de toneladas no mês de julho.

O Porto de Santos, no litoral de São Paulo, registrou um novo recorde de movimentação de cargas no mês de julho. Segundo apurado pelo g1, um levantamento preliminar apontou o melhor desempenho mensal da história do cais santista, com 17 milhões de toneladas. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a marca inédita foi impulsionada, principalmente, pelo aumento das exportações após o anúncio de Donald Trump sobre a aplicação de tarifas de 50% para a entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos.

“A medida levou empresas a anteciparem os embarques, o que gerou um intenso fluxo de navios rumo à Europa e aos EUA, com destaque para cargas agrícolas e industriais”, afirmou o ministério, por meio de nota.

O órgão federal acrescentou que o complexo portuário conseguiu manter as operações sem impactos logísticos, apesar das condições climáticas adversas no mês de julho.

De acordo com a Autoridade Portuária de Santos (APS), a consolidação dos dados ainda está em andamento, uma vez que o cais santista conta com mais de 50 terminais e eles têm um prazo — não especificado — para enviar as informações à empresa administradora. Ainda assim, o monitoramento operacional já confirma o recorde histórico de movimentação no mês de julho deste ano.

Levantamento preliminar

Conforme divulgado pela APS, houve um aumento de 10% no embarque de granéis sólidos (grãos diversos), com 900 mil toneladas. A movimentação de contêineres cresceu 4% e chegou a 200 mil toneladas, enquanto as cargas soltas tiveram alta de 9%, com 85 mil toneladas.

A autoridade portuária afirmou que os granéis líquidos (combustíveis, solventes, entre outros) ainda não foram contabilizados, mas a expectativa é de um aumento de 10%.

Em nota, o presidente da APS, Anderson Pomini, afirmou que os dados confirmam um aumento expressivo dos embarques no cais santista, o que já havia sido constatado na primeira quinzena do mês de julho.

“São dados preliminares, mas este ‘recorde dos recordes’ demonstra a importância de Santos em momentos decisivos da história, como este”, destacou Pomini. “É um recorde absoluto que atesta a resiliência e a eficiência do Porto de Santos. Mesmo com crises externas e fechamento do canal devido a condições climáticas, houve crescimento sem gerar qualquer ocorrência nas vias de acesso”.

Também por meio de nota, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, explicou que o crescimento no volume de cargas demonstra que a infraestrutura dos portos brasileiros é capaz de suportar os aumentos.

“O Ministério de Portos e Aeroportos está trabalhando para ampliar a capacidade e eficiência operacional dos portos com os leilões que estamos preparando para este ano, como o do canal de acesso ao Porto de Santos e o do terminal de contêineres, Tecon Santos 10”, afirmou o ministro.

Fonte: G1

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