Comércio Exterior

Lula diz que não vai ligar para falar de tarifaço ‘porque Trump não quer’

O presidente Lula (PT) afirmou hoje que não vai ligar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para falar sobre o tarifaço, que entra em vigor amanhã, porque o norte-americano não estaria interessado.

O que aconteceu

“Ele não quer falar”, disse Lula, durante discurso no Itamaraty. O governo brasileiro tem tentado uma aproximação com o norte-americano e se deixou aberto a uma conversa entre os dois, mas não houve avanço pelo lado de Washington.

O Itamaraty justifica que a ligação é um processo diplomático. Membros das Relações Exteriores dizem que a ligação só ocorre com horário marcado e concordância dos dois lados —logo, caso o norte-americano não indique interesse na ligação, o processo nem é iniciado do lado brasileiro.

Lula disse, no entanto, que deve falar com Trump sobre a COP30, marcada para novembro, em Belém. “Vou ligar para convidá-lo para vir para COP porque quero saber o que ele pensa da questão climática. Vou ter a gentileza de ligar. Vou ligar para ele, para [o presidente chinês] Xi Jinping, para o primeiro-ministro [indiano Narendra] Modi.”

Pouco antes, Lula reclamou da preocupação do país com o Pix. “Qual é a preocupação deles? É que, se o Pix tomar conta do mundo, os cartões de crédito irão desaparecer —e é isso que está por detrás dessa loucura contra o Brasil”, afirmou o presidente, sem citar empresas específicas.

Negociações sobre tarifaço

O governo federal estima que 35,9% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão impactadas pelo tarifaço. Isso representa que um total de US$ 14,5 bilhões em vendas externas de produtos brasileiros para o mercado americano passará a ser taxado em 50%.

Ficarão fora da nova taxação 44,6% dos produtos vendidos para os EUA. A fatia corresponde, segundo a governo, a US$ 18 bilhões, levando em conta as vendas do ano passado. A lista de exceções tem 694 itens, incluindo suco de laranja, madeira e derivados de petróleo. Número está próximo ao que havia sido estimado pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), de 43,4%.

Mais cedo, o chanceler Mauro Vieira destacou o avanço das negociações. “As tratativas empreendidas pelo governo foram fundamentais para a exclusão de cerca de 700 itens comerciais da ordem executiva sob tarifas, o que preservou setores estratégicos como a indústria de aviões, a produção de sucos de laranja e o setor de celulose”, disse.

Setores foram do “alívio” ao “medo de colapso” desde o anúncio. Indústria de calçados, que será tarifada, prevê perdas significativas, enquanto o setor de sucos cítricos afirmou ter visto a sua própria exceção com otimismo.

Trump ameaçou com “devolução na mesma moeda” se Brasil retaliar. A ordem executiva assinada por Trump afirma que, se o Brasil resolver aumentar as taxas dos produtos importados dos EUA em resposta ao tarifaço americano, o texto será modificado para “garantir a eficácia das medidas determinadas”.

Fonte: UOL

Ler Mais
Comércio Exterior

Minerais críticos e terras raras podem entrar em negociações com EUA

Ministro Fernando Haddad admitiu possibilidade nesta segunda-feira

Os minerais críticos e as terras raras podem entrar nas negociações tarifárias com os Estados Unidos, disse nesta segunda-feira (4) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Segundo ele, um acordo sobre os dois temas pode ser assinado com o governo estadunidense.

“Temos minerais críticos e terras raras. Os Estados Unidos não são ricos nesses minerais. Podemos fazer acordos de cooperação para produzir baterias mais eficientes”, disse Haddad em entrevista à BandNews nesta tarde.

Atualmente, os minerais críticos, como lítio e nióbio, são usados para a produção de baterias elétricas e em processadores de inteligência artificial (IA). Desde maio, o governo discute um novo marco regulatório para a IA e datacenters (centros de processamento de dados).

Plano de contingência

Em relação ao plano de contingência para ajudar setores afetados pelo tarifaço do governo Trump, Haddad afirmou que as medidas estão prontas e devem ser anunciadas até quarta-feira (6), data marcada para as tarifas entrarem em vigor. Nesta segunda, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o plano está concluído e, entre outras medidas, inclui linhas especiais de crédito e ajuda para compras governamentais.

Novas exceções

Haddad não descartou a possibilidade de outros produtos serem incluídos na lista de exceções dos Estados Unidos até quarta-feira (6). O ministro reiterou que o Brasil continuará negociando e que os termos atuais impostos pelo governo estadunidense são inaceitáveis, mas podem melhorar.

“Creio que alguma coisa [ampliação da lista de exceções] ainda pode acontecer até o dia 6. Pode acontecer, mas estou dizendo que não trabalhamos com data fatídica. Não vamos sair da mesa de negociação até que possamos vislumbrar um acordo, que precisa de interesses em comum. Nesses termos, o Brasil, evidentemente, não vai fazer um acordo, porque não tem o menor sentido na taxação que está sendo imposta ao país”, declarou Haddad.

Um dos possíveis setores beneficiados pode ser o café. Após reunião com Alckmin nesta segunda-feira, o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcio Ferreira, disse haver 50% de chances de o setor ser excluído da tarifa de 50%.

Fonte: Agência Brasil

Ler Mais
Notícias

Como prisão de Bolsonaro pode impactar acenos de Lula e Trump sobre tarifaço

Membros do governo dizem que ainda é cedo para avaliar se prisão do ex-presidente afeta relação com Trump. Especialistas divergem sobre eventuais efeitos da medida.

A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada na segunda-feira (4/8) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, acontece em meio a um dos momentos mais delicados da relação entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a gestão do presidente norte-americano, Donald Trump.

Ela ocorre após emissários brasileiros receberem os primeiros sinais de abertura de canais de comunicação com o governo dos Estados Unidos, em uma tentativa de mitigar ou reverter as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros anunciadas por Trump no dia 9 de julho.

Na quarta-feira (30/7), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se encontrou pela primeira vez com seu homólogo norte-americano, o secretário do Departamento de Estado Marco Rubio. No domingo (3/8), Trump deu uma nova demonstração de abertura e disse que Lula poderia ligar para ele quando quisesse.

A decisão de Moraes, da segunda-feira, no entanto, atingiu em cheio esses esforços, e o governo Trump já se manifestou contra a medida.

“Colocar ainda mais restrições à capacidade de Jair Bolsonaro se defender em público não é um serviço público. Deixem Bolsonaro falar! Os Estados Unidos condenam a decisão de Moraes, impondo prisão domiciliar a Bolsonaro, e vão responsabilizar aqueles que ajudam e incentivam a conduta sancionada”, diz uma postagem no X (antigo Twitter) feita pelo Escritório para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado norte-americano.

Oficialmente, o governo não se manifestou sobre o assunto, e a orientação entre ministros é a mesma que vigorava há algumas semanas: evitar ruídos gerados pela situação de Bolsonaro que possam atrapalhar as negociações com o governo norte-americano.

A ideia, segundo um integrante do governo ouvido pela BBC News Brasil em caráter reservado, é continuar as tentativas de negociação com os Estados Unidos para reverter ou mitigar os efeitos do tarifaço sobre produtos brasileiros, que deve entrar em vigor na quarta-feira (6/8).

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, no entanto, se dividem sobre se a prisão de Bolsonaro pode ou não afetar a aproximação esboçada nos últimos dias entre Brasil e Estados Unidos.

Pausa e avanço

Um integrante do governo brasileiro, ouvido em caráter reservado pela BBC News Brasil, disse que ainda não é possível saber se a decisão de Moraes vai ou não afetar a tímida aproximação entre Brasil e Estados Unidos.

Ele admitiu, no entanto, que, na semana passada, uma suposta trégua nas ações do STF em relação a Bolsonaro foi aproveitada por emissários brasileiros para tentar abrir canais junto aos norte-americanos.

A trégua mencionada por ele ocorreu após um dos momentos de maior tensão entre os dois países neste ano.

No dia 18 de julho, Moraes autorizou uma operação de busca e apreensão contra Bolsonaro em sua casa, em Brasília, e determinou medidas como a proibição do uso de redes sociais próprias ou por terceiros. Ele também proibiu que Bolsonaro se comunicasse com seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por estar, supostamente, orquestrando uma pressão internacional contra o Brasil.

Eduardo Bolsonaro se mudou para os Estados Unidos no início deste ano e vem defendendo, publicamente, que o governo norte-americano aplique sanções contra Moraes. Ele também chegou a comemorar, nas redes sociais, a ameaça de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros feita por Trump.

No mesmo dia, o governo norte-americano revogou vistos de viagem de Moraes e de outros ministros da Corte em resposta à operação contra Bolsonaro.

“A caça às bruxas política do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, contra Jair Bolsonaro criou um complexo de perseguição e censura tão abrangente que não só viola direitos básicos dos brasileiros, mas também se estende além das fronteiras do Brasil e atinge os americanos”, argumentou Rubio em uma postagem nas redes sociais.

Segundo um integrante do governo brasileiro, ouvido pela BBC News Brasil, a operação contra Bolsonaro no dia 18 de julho teria dificultado os esforços de emissários brasileiros que tentavam se aproximar do governo Trump.

Nos dias seguintes à operação autorizada por Moraes, Bolsonaro fez aparições públicas e deu entrevistas que circularam nas redes sociais. O comportamento do ex-presidente fez com que Moraes pedisse esclarecimentos à defesa do ex-presidente, sob pena de prisão.

A defesa, no entanto, alegou que Bolsonaro não violou nenhuma medida judicial. No dia 24 de julho, Moraes aceitou a argumentação dos advogados do ex-presidente e decidiu não prender Bolsonaro.

A partir de então, transcorreram 11 dias nos quais emissários brasileiros tentaram desbloquear os canais de comunicação com o governo norte-americano.

Foi nesse contexto que o governo brasileiro conseguiu a reunião com Marco Rubio.

Segundo a fonte ouvida pela BBC News Brasil, a posição levada ao governo norte-americano era de que o Brasil seguia disposto a negociar, mas não aceitaria interferências externas no julgamento de Bolsonaro

Trump defende Bolsonaro: ‘Não é como se ele fosse meu amigo, é alguém que eu conheço’

Mais pressão adiante?

Na avaliação do professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (FGV-SP), Matias Spektor, não parece ter havido movimentos concretos de aproximação política entre Brasil e Estados Unidos. Por isso, no campo político, a prisão domiciliar de Bolsonaro pode levar a mais pressão norte-americana.

“Os esforços de aproximação foram na área econômica. Na área política, não houve esse movimento de um lado ou do outro. Nesse contexto, Trump pode, sim, manter ou até mesmo aumentar sanções contra membros da Corte e (adotar) outras medidas”, diz Spektor à BBC News Brasil.

Já o conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e professor da Universidade de Harvard, Hussein Kalout, diz acreditar que, ao menos do ponto de vista comercial, a prisão domiciliar de Bolsonaro não deverá afetar as negociações sobre o tarifaço.

“Os Estados Unidos vão olhar para aquilo que interessa a eles em matéria comercial. Bolsonaro nada mais é que um instrumento político pontual. Quando os Estados Unidos fizeram a lista de exceção tarifária, fizeram isso voltados para o que interessa às empresas e ao consumidor americanos. Não fizeram focados na condição jurídica do Bolsonaro”, afirmou Kalout.

A menção à lista de exceção tarifária é uma referência à relação divulgada na semana passada com quase 700 produtos brasileiros que ficaram de fora do tarifaço. Segundo dados preliminares da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), as exceções correspondem a 42% de todo o volume de exportações do Brasil para o mercado norte-americano.

Jana Nelson, especialista em Relações Internacionais pela Universidade Georgetown e ex-subsecretária de Segurança e Defesa no Pentágono para a América Latina, também diz avaliar que a prisão domiciliar de Bolsonaro não afeta substancialmente a visão de Trump sobre o processo contra o ex-presidente brasileiro.

“Na perspectiva de Trump, tudo se mantém igual. Ele já achava, baseado em sua experiência própria, que o Bolsonaro é vítima de um processo de politização do Judiciário. E o fato de que o processo judicial (contra Bolsonaro) continua não necessariamente afeta a situação das possíveis negociações, até porque as negociações não começaram”, diz Nelson à BBC News Brasil.

Fonte: G1

Ler Mais
Economia, Finanças, Informação, Negócios

Ouro fecha em alta, seguindo payroll enfraquecido e mudanças em cargos nos EUA

O contrato mais líquido do ouro fechou em alta nesta segunda-feira

O contrato mais líquido do ouro fechou em alta nesta segunda, 4, em uma sessão na qual as perspectivas para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) foram reforçadas, o que tende a apoiar os preços. O movimento segue a divulgação de dados de emprego abaixo do esperado no Estados Unidos, além das possíveis indicações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para certos cargos, como a substituição da diretora do Fed, Adriana Kugler. No radar seguem ainda os desdobramentos das tensões geopolíticas.

O ouro com vencimento em outubro encerrou em alta de 0,78%, a US$ 3.399,50 por onça-troy, na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex).

“A ameaça de tarifas secundárias e as tensões renovadas com a Rússia destacam a importância de se proteger contra a incerteza geopolítica”, aponta o UBS. “Observamos também que mudanças institucionais, como a recente da comissária do Escritório de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS, na sigla em inglês), e as mudanças na liderança do Fed, podem aumentar a sensibilidade do mercado em relação aos sinais de política monetária e à independência institucional”, aponta o banco.

“Acreditamos que uma alocação em ouro continua sendo uma proteção eficaz contra a incerteza geopolítica e política residual. Mantemos nossa meta de US$ 3.500 a onça-troy e não descartamos a possibilidade de os preços ultrapassarem esse nível se os riscos aumentarem”, conclui.

Na avaliação do Swissquote Bank, a “boa notícia” do payroll de julho é que reacendeu os temores de recessão, que turbinaram as expectativas de corte de juros, mas a “má notícia” é que a economia fraca não fazia parte da promessa de Trump. “Cortar juros no momento errado não salvará os mercados magicamente, e usar o BLS como bode expiatório para o resultado das políticas caóticas de seu governo corre o risco de prejudicar a credibilidade dos dados econômicos dos EUA”, avalia.

Fonte: Estadão

Ler Mais
Comércio Exterior

Setor brasileiro de fertilizantes fica fora da nova tarifa dos EUA e evita impactos imediatos

Produtos essenciais para a agricultura, como fertilizantes NPK e micronutrientes, não sofrerão taxação adicional; comércio entre Brasil e EUA no segmento é pouco expressivo

Nova tarifa dos EUA atinge diversos produtos brasileiros, mas exclui fertilizantes

No dia 31 de julho, o governo dos Estados Unidos anunciou a aplicação de uma tarifa extra de 40% sobre uma série de produtos importados do Brasil. A medida, que visa proteger a indústria americana, passa a valer uma semana após sua publicação e, em alguns casos, eleva a carga tributária total para até 50%.

No entanto, uma análise da consultoria GlobalFert revelou que os fertilizantes usados na agricultura brasileira ficaram de fora dessa nova taxação, evitando impactos diretos ao setor.

Fertilizantes essenciais ficam isentos da nova taxação

Produtos à base de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), além de micronutrientes como boro, zinco, enxofre e magnésio, não sofrerão a sobretaxa adicional. Também seguem isentos compostos como hidróxido de potássio, sulfatos de zinco, manganês e magnésio, além de materiais industriais com uso agrícola, como silício técnico e óxido de alumínio.

A exclusão destes itens da lista tarifária foi possível graças à aplicação rigorosa da classificação pelo código HTSUS (Harmonized Tariff Schedule of the United States), que determina quais produtos estão sujeitos a impostos, cotas ou exceções.

Comércio entre Brasil e EUA no setor é pouco expressivo

Segundo dados da GlobalFert, os Estados Unidos não representam um parceiro comercial relevante para o Brasil no segmento de fertilizantes. Nos últimos cinco anos, apenas 0,4% das exportações brasileiras de fertilizantes NPK tiveram os EUA como destino.

Do lado das importações, os fertilizantes americanos corresponderam a cerca de 1% do total recebido pelo Brasil, com uma leve queda para 0,7% no primeiro semestre de 2025.

Setor de fertilizantes brasileiro evita efeitos diretos do tarifaço

Com a manutenção da isenção para fertilizantes e produtos relacionados, o segmento agrícola brasileiro evita pressões imediatas causadas pela nova política tarifária dos Estados Unidos. Isso contribui para preservar a competitividade da agricultura nacional e garante a continuidade do abastecimento de insumos essenciais para a próxima safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

Ler Mais
Comércio Exterior

Parte do dinheiro do tarifaço pode ser distribuída para população dos EUA, diz Trump

Presidente dos EUA declarou que pode criar dividendos para pessoas de renda média e baixa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no último domingo (3) que pode distribuir parte do dinheiro do tarifaço para a população de média e baixa renda dos Estados Unidos. As informações são do g1.

— Pode haver uma distribuição ou um dividendo para o povo de nosso país, eu diria que para as pessoas de renda média e baixa, poderíamos fazer um dividendo — afirmou Trump a jornalistas antes de embarcar no Air Force One, após deixar seu clube de golfe em Nova Jersey.

Tarifaço

Na semana passada, Trump assinou uma ordem executiva que amplia e modifica as tarifas aplicadas a diversos países, com alíquotas que, agora, vão de 10% a 41%, a partir de 7 de agosto. Mesmo assim, o Brasil ainda é o mais tarifado por Trump, com uma alíquota de 50%, a partir de 6 de agosto. Depois, entre os mais taxados, vem a Síria (41%), seguida por Laos e Mianmar (Birmânia), ambos com taxas de 40%. Já os menos afetados foram o Reino Unido e as Ilhas Malvinas — os únicos até agora com taxas de 10%.

Segundo a Casa Branca, a taxa de 50% contra o Brasil foi adotada em resposta a ações do governo brasileiro que representariam uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA”.

O anúncio, porém, surpreendeu pela inclusão de quase 700 exceções, retirando diversos setores econômicos da tributação extra. A medida foi encarada como uma “desidratação” do tarifaço e trouxe alívio a segmentos econômicos brasileiros.

Entre as áreas que entraram nas exceções e escaparam do tarifaço estão as de aviação civil, com aeronaves e peças, o automotivo, também com veículos e peças, o ramo de eletrônicos, combustíveis, produtos de ferro, aço, alumínio e cobre e fertilizantes (veja lista ao lado). Já as atividades econômicas que não tiveram a mesma sorte e continuaram sujeitas à sobretaxa a partir de 6 de agosto incluem café, carne bovina, frutas, produtos têxteis, calçados e móveis.

Na quinta-feira, após os anúncios, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou que o tarifaço com as exceções acabou sendo melhor que o esperado e representa um “melhor ponto de partida” para as negociações. O político prometeu que as negociações seguirão para tentar livrar do tarifaço também os setores não contemplados nas exceções desta semana.

— Há muita injustiça nas medidas anunciadas ontem, há correções a serem feitas. Há setores que não precisariam estar sendo afetados — afirmou.

Os impactos do tarifaço em SC

Os Estados Unidos são o principal mercado de exportações catarinenses, sendo responsáveis por 14,9% de todas as vendas do Estado ao mercado externo em 2024. Entre os principais itens estão produtos de madeira, motores e materiais elétricos. A participação é maior do que a registrada no comércio nacional, onde os EUA são o segundo maior consumidor, com 11% de todas as negociações brasileiras ao exterior.

Por conta disso, a confirmação do tarifaço e as novas regras e exceções divulgadas esta semana impactaram também nos reflexos econômicos da medida à economia do Estado. Na reta final desta semana, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) ainda analisava quais os setores excluídos e mantidos do tarifaço, e como isso deve refletir no Estado.

A análise inicial apontou que mesmo com as exceções o tarifaço deve atingir a maior parte dos produtos exportados por SC aos EUA.

Os produtos mais exportados de SC aos EUA

  • Obras de carpintaria para construções;
  • Motores elétricos;
  • Partes de motor;
  • Madeira serrada;
  • Madeira em forma;
  • Outros móveis;
  • Madeira compensada;
  • Transformadores elétricos;
  • Partes e acessórios para veículos;
  • Carne suína.

Fonte: NSC Total

Ler Mais
Comércio Exterior

EUA são os que menos perdem em guerra comercial, avalia Samuel Pessôa

Pesquisador do BTG Pactual e do Ibre-FGV indica que, em cenário de conflito tarifário global, economia americana é mais protegida do que possíveis adversários

Com a nova configuração no comércio global, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump tem mais poder de barganha do que seus pares e é por isso que fazem acordos, afirmou Samuel Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Samuel aponta que o processo de desglobalização e do fim do multilateralismo nas relações internacionais “é um desastre para o mundo e para o bem estar. Se for desfazer cadeias globais, o custo é alto”.

Segundo ele, a perda de bem estar é uma ameaça “crível” em democracias, com uma capacidade pior de perder essa questão do que sociedades autocráticas.

O pesquisador traça um paralelo entre a economia americana e a chinesa, especialmente pela diferença no sistema político dos dois países. “O Xi Jinping não tem eleição. Ele pode impor a perda de bem estar.”

Desde quando Trump iniciou sua guerra comercial, o principal adversário do presidente dos Estados Unidos foi a China. Os dois países trocaram retaliações até chegarem a um acordo de pausa, que se encerra em 12 de agosto. 

“Eles estão retaliando, mas aqueles bens que são muito importantes para as cadeias locais da China, os produtores se organizam e não colocam tarifa.”, aponta Samuel. De acordo com o pesquisador, a estratégia de proteção dos produtos importantes para balança comercial chinesa, é “um dos motivos do porquê as tarifas não estão tendo o impacto esperado até aqui”.

Outro fator colocado por Samuel pelo impacto limitado das taxas é que as alíquotas “que estão sendo de fato praticadas são bem menores do que as anunciadas no ‘dia da libertação.'”

Trump já apresentou cerca de 10 acordos tarifários, que reduziram partes do tarifaço anunciado – além de pausas temporárias para alguns países. Mesmo assim, os consumidores americanos vão pagar a maior tarifa desde os anos de 1930, com 18,3%.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior

SC está entre os quatro estados do país mais afetados pelo tarifaço

SC está entre os quatro estados do país mais afetados pelo tarifaço

O aumento de 50% das tarifas de importação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos, a partir do dia 6 de agosto, terá grandes impactos econômicos pra Santa Catarina. Conforme levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o estado aparece em 4º lugar na lista de maior prejuízo financeiro do país (R$ 1,7 bilhão), e terá a segunda maior queda no PIB, com taxa prevista de -0,31%.

A CNI estima que o tarifaço pode gerar a perda de pelo menos 110 mil empregos, além de reduzir em 0,16% o PIB do Brasil e de provocar uma queda de 0,12% na economia global. Em Santa Catarina, quase tudo (99%) que o estado vende pros EUA vem da indústria. Antes mesmo da vigência da sobretaxa, os exportadores catarinenses já tiveram queda de 70% dos pedidos dos importadores norte-americanos.

Mesmo com a retirada de produtos do tarifaço, as principais mercadorias que Santa Catarina exporta pros EUA estão fora das exceções e serão impactadas. Entre elas estão as da indústria náutica, impactando o polo de Itajaí; de motores e transformadores, atingindo gigantes como Weg e Tupy; e de carnes, com impacto em empresas como Sadia, BRF, Seara e Aurora.

O complexo portuário de Itajaí, por onde passa a maioria das exportações do estado, deve sofrer o efeito das operações na indústria. Enquanto 61% das empresas já buscam novos mercados para reduzir os prejuízos, o Porto de Itajaí também articula com o governo federal a ampliação das exportações para a Ásia pra compensar as perdas dos pedidos dos EUA.

Segundo pesquisa da Fiesc, com a vigência da tarifa, 72,1% das indústrias do estado preveem demissões nos próximos seis meses. Também é previsto um tombo no faturamento, atingindo 94% dos exportadores catarinenses, dos quais 51% estimam queda de mais de 30% na receita. Entre as empresas pesquisadas, 54% já suspenderam embarques para os EUA e cerca de 39% estão renegociando preços com os clientes.

“A pesquisa mostra que as perspectivas do setor para os próximos seis meses são de um cenário de redução de pedidos, demissões e recuo significativo no faturamento, demandando uma ação rápida e assertiva do poder público, de forma a preservar empregos e a nossa economia”, resume o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar.

Governos estadual e federal anunciam medidas nesta semana

O governo de Santa Catarina vai anunciar nesta semana medidas de proteção da economia catarinense contra o tarifaço dos Estados Unidos. No pacote estão previstas prorrogação de pagamento de impostos, crédito de ICMS e linhas de crédito para as empresas prejudicadas.

As ações também preveem a manutenção dos empregos pelas indústrias beneficiadas com as medidas. O estudo do governo estadual levou em conta a análise dos impactos por setor e por região, o total das exportações catarinenses e a geração de emprego pelas empresas.

Um pacote de socorro às empresas brasileiras também será anunciado pelo governo federal. As medidas deverão ser por setor. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou na sexta-feira já ter mandado pro presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) as propostas do plano, elaborado com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Porto discute abertura de novos mercados

A Agência Brasileira de Promoção das Exportações (Apex-Brasil) discutiu em reunião na sexta-feira o impacto do tarifaço especialmente para os produtos cujas exportações são feitas pelo Porto de Itajaí. O superintendente do porto, João Paulo Tavares Bastos, participou do encontro.

Ele destacou preocupação sobre setores estratégicos de Santa Catarina, como os de proteína animal, pescados e móveis, entre outros. Segundo João Paulo Bastos, a medida tem gerado insegurança entre os produtores e ameaça comprometer o desempenho do comércio exterior na região.

O presidente da Apex Brasil, Jorge Viana, adiantou as iniciativas em andamento pelo governo federal pra reduzir os prejuízos, incluindo a abertura de novos mercados na Ásia, com destaque para a China, para produtos como pescados. Ainda estão previstas missões internacionais para ampliar o acesso de exportadores nacionais a novos destinos.

Empresários catarinenses devem integrar essas comitivas, inclusive com a participação de Lula. “Estamos aguardando as orientações do governo federal para construir alternativas no comércio internacional”, disse João Paulo. “O Brasil é gigante. Santa Catarina também. E o Porto de Itajaí saberá dar as respostas à altura, com agilidade e responsabilidade”, completou.

Setor náutico faz diagnóstico

Os impactos do tarifaço no setor náutico ainda são avaliados pelas empresas catarinenses. Nesta semana, o segmento, que também está à espera das medidas dos governos federal e estadual, deve fazer um balanço da situação, segundo o presidente da Associação Náutica Brasileira (Acatmar), Leandro “Mané” Ferrari.

A sobretaxa preocupa o setor, já que os EUA são um dos principais compradores de barcos brasileiros, principalmente das embarcações de lazer e iates de luxo que têm Itajaí como polo de construção em Santa Catarina. Neste ano, o Brasil exportou 559 barcos, sendo 68% da movimentação da receita vinda das exportações aos EUA.

De acordo com a Associação Brasileira dos Construtores de Barcos (Acobar), SC responde por metade da produção nacional de barcos de lazer e 90% das exportações do setor. Itajaí é destaque, concentrando 70% da produção estadual e 35% da nacional, segundo a Acatmar. A cidade abriga 27% das empresas náuticas catarinenses e lidera a exportação estadual de embarcações de esporte e lazer.

Fonte: Diarinho


Ler Mais
Comércio Exterior

Trump diz que Lula pode ligar para ele “a qualquer momento”

Presidente dos EUA falou a repórteres no jardim da Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (1°) que o presidente Lula pode ligar para ele “a qualquer momento” para discutir tarifas e outros conflitos entre os países.

Cerca de 44,6% das exportações brasileiras foram isentadas do tarifaço, segundo cálculo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A ordem executiva traz uma lista com cerca de 700 produtos que ficaram de fora da sobretaxa. Entre eles estão aviõescelulosesuco de laranjapetróleo e minério de ferro. Para esses itens, continua valendo a tarifa de 10% anunciada em abril.

A fala do presidente americano acontece após a oficialização das tarifas de 50% aos produtos brasileiros na terça-feira (30). O governo dos EUA justificou as tarifas como uma “emergência nacional” em razão das políticas e ações “incomuns” e “extraordinárias” do Brasil.

Na quinta-feira (31), Trump assinou uma ordem executiva impondo tarifas que variam de 10 a 41% a diversos países.Em entrevista à jornalistas no jardim da Casa Branca, Trump disse: “Ele pode falar comigo quando quiser. Vamos ver o que acontece, eu amo o povo brasileiro” e finalizou afirmando que “as pessoas que governam o Brasil fizeram a coisa errada”.

O decreto trata de reajustar as tarifas anunciadas pelo republicano em 2 de abril, que ficou conhecido como Dia da Libertação.

No texto, Trump ainda sinaliza que pode baixar essas tarifas, a depender de acordos celebrados com os parceiros comerciais, tratativas estas que ele reitera estarem avançando.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior

Com expectativa de safra maior, contratos do algodão apresentam queda em Nova York

Contratos encerram com quedas de 2,1% para dezembro de 2025 e 1,3% em 2026

A perspectiva de uma safra mundial de algodão maior pressionou os contratos em Nova York nesta semana. O contrato para dezembro de 2025 encerrou com queda de 2,1%, enquanto para 2026 de 1,3%.

As informações constam no Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa desta sexta-feira (1º).

Confira os destaques trazidos pelo Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa:

Algodão em NY – O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 31/jul cotado a 67,25 U$c/lp (-2,1% vs. 24/jul). O contrato Dez/26 fechou em 69,10 U$c/lp (-1,3% vs. 24/jul).

Basis Ásia – o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 910 pts para embarque Ago/Set-25 (Middling 1-1/8″ (31-3-36), fonte Cotlook 31/jul/25.

Altistas 1 – O Produto Interno Bruto (PIB) real dos EUA cresceu a uma taxa anual de 3,0% no segundo trimestre de 2025, em comparação com uma queda de 0,5% no primeiro trimestre.

Altistas 2 – As condições da lavoura dos EUA pioraram esta semana: a classificação “boa a excelente” caiu 2 pontos percentuais, para 55%, ainda assim acima dos 49% da safra passada.

Baixistas 1 – Por outro lado, o clima quente e seco do Texas ao Delta tem favorecido o avanço da safra, embora ambas as regiões necessitam de umidade adicional neste momento.

Baixistas 2 – China e EUA não fecharam um acordo sobre produtos agrícolas e essa falta de avanço é mais um limitador para as cotações.

Oferta – A Cotlook elevou as projeções de produção global de algodão para 2024/25 (+113 mil tons) e 2025/26 (+118 mil tons), ultrapassando 26 milhões tons, maior volume desde 2017/18.

Demanda 1 – O consumo global de algodão segue pressionado pelas incertezas tarifárias. China, Paquistão e Turquia tendem a reduzir o uso, enquanto Índia, Bangladesh e Vietnã projetam alta – embora ainda insuficiente para compensar a queda geral.

Demanda 2 – A previsão do Cotlook é de consumo abaixo de 25 milhões tons em 2024/25 e 2025/26, o que resultaria em acúmulo de mais de 1 milhão tons em estoques por temporada.

Missão Compradores 1 – A Abrapa recebe de 3 a 9/ago um grupo com 20 executivos da indústria têxtil de 6 países (Bangladesh, China, Índia, Paquistão, Turquia e Vietnã) que, juntos, respondem por 84,9% das exportações brasileiras de algodão.

Missão Compradores 2 – Nesta 9ª edição da Missão Compradores, serão visitados MT, BA e GO. O objetivo é mostrar como o Brasil se tornou o maior exportador mundial a partir de boas práticas de sustentabilidade, qualidade e rastreabilidade.

Missão Compradores 3 – A delegação inclui 19 empresas têxteis diferentes que consomem, anualmente, 1,4 milhão tons. A pluma brasileira representa, em média, 35% desse consumo total.

Missão Compradores 4 – Além de visitas guiadas a fazendas, a missão passará por algodoeiras, laboratórios e terá workshops técnicos. A iniciativa integra as ações do programa Cotton Brazil.

Tarifas 1 – Nesta semana, antes do aguardado dia 1º de agosto, muitos acordos de renegociação das taxas norte-americanas foram anunciados.

Tarifas 2 – Conversas entre EUA e China mantêm um tom positivo, mas sem perspectiva de resolução rápida. O prazo de 12/ago pode ser estendido novamente.

Tarifas 3 – Há esperança de que, em algum momento da nova temporada, um acordo global estimule compras em larga escala de produtos agrícolas e industriais dos EUA (como ocorreu em 2020) e revitalize o comércio.

Paquistão – Produtores paquistaneses comemoram pausa nas chuvas de monção. A produção de algodão foi estimada em torno de 1,1 milhão tons a 1,3 milhão tons, e o desenvolvimento da safra é considerado satisfatório.

Qualidade 1 – A Abrapa é uma das organizações brasileiras a participar de treinamento sobre classificação de algodão em Memphis (EUA). O curso começou na segunda a convite do USDA e da Uster, fabricante de equipamentos HVI.

Qualidade 2 – O objetivo é qualificar a equipe técnica para dar mais transparência ao processo de classificação. Além da Abrapa, o grupo inclui representantes da Abapa, Amipa, Agopa e Embrapa.

Brasil – Exportações – As exportações brasileiras de algodão somaram 111,7 mil tons na terceira semana de julho. A média diária de embarque é 19,1% menor que no mesmo mês em 2024.

Brasil – Colheita 2024/25 – Até o dia de ontem (31/07) foram colhidos no estado da BA (40,56%), GO (66,41%), MA (55%), MG (60%), MS (68%), MT (17%), PI (67,9%), PR (95%) e SP (95%). Total Brasil: 25,69%.

Brasil – Beneficiamento 2024/25 – Até o dia de ontem (31/07) foram beneficiados nos estados da BA (25%), GO (19,3%), MA (6%), MG (25%), MS (22%), MT (2%), PI (30,8%)  PR (90%) e SP (100%). Total Brasil: 8,46%.

Preços do Algodão – Consulte tabela abaixo:

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook