Exportação

Exportações de etanol de EUA e Brasil devem crescer com demanda global por biocombustíveis

Os Estados Unidos e o Brasil, líderes mundiais na produção de etanol, projetam um forte avanço nas exportações do biocombustível em 2026. O movimento ocorre em meio à busca de diversos países por alternativas energéticas mais seguras, diante das incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz.

Segundo representantes do setor de biocombustíveis, o aumento da demanda internacional já impacta diretamente os embarques norte-americanos e brasileiros, impulsionando também a produção agrícola de milho e cana-de-açúcar.

Exportações de etanol avançam nos EUA

Nos Estados Unidos, as exportações de etanol combustível cresceram cerca de 20% nos primeiros meses deste ano, mantendo o ritmo recorde registrado anteriormente. Dados da Renewable Fuels Association (RFA) apontam que o país exportou 638 milhões de galões no primeiro trimestre, volume superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

O presidente-executivo da entidade, Geoff Cooper, afirmou que o cenário internacional favorece o produto norte-americano, especialmente devido à competitividade dos preços frente à gasolina.

“Diversos países estão buscando novas fontes de combustível líquido para reforçar a segurança energética”, destacou o executivo.

Brasil pode dobrar vendas externas de biocombustível

No Brasil, a expectativa também é positiva. A consultoria Datagro projeta que as exportações brasileiras de etanol alcancem 2,2 bilhões de litros na safra 2026/27, iniciada em abril. O volume representa mais que o dobro da temporada anterior, quando o país embarcou aproximadamente 1 bilhão de litros.

Além das exportações, a produção nacional deve atingir um novo recorde. A previsão é de 41,4 bilhões de litros de etanol brasileiro, crescimento de cerca de 4 bilhões de litros em relação ao ciclo anterior.

Ásia amplia mistura de etanol na gasolina

Especialistas apontam que países asiáticos estão acelerando programas de mistura de etanol na gasolina, ampliando a necessidade de importação do combustível renovável.

O analista-chefe da Datagro, Plinio Nastari, explicou que algumas nações possuem produção local, mas não suficiente para atender à nova demanda energética.

Esse cenário fortalece um antigo objetivo defendido por Brasil e Estados Unidos: a criação de um mercado global de biocombustíveis, proposta discutida ainda em 2007 pelos então presidentes George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva.

Segurança energética impulsiona mercado global

Mesmo diante da possibilidade de um acordo entre Irã e Estados Unidos sobre o Estreito de Ormuz, investidores do setor acreditam que a procura por energia renovável continuará elevada.

Shameek Konar, executivo da Ara Partners — empresa que investe em projetos de energia limpa nos EUA — afirmou que a segurança energética passou a ser prioridade nas políticas globais.

Segundo ele, países buscam reduzir a dependência de regiões historicamente instáveis, como o Oriente Médio, fortalecendo mercados alternativos de combustíveis renováveis.

Além disso, a RFA informou que os EUA deverão ampliar sua capacidade produtiva em aproximadamente 1 bilhão de galões de etanol nos próximos 12 a 18 meses.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Investing

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