Informação

Petroleiras lucram quase US$ 3 mil por segundo em meio à crise global de energia

Mesmo diante da crise global de energia e do avanço da inflação, as maiores companhias do setor petrolífero seguem ampliando seus ganhos. Levantamento da organização Oxfam aponta que seis gigantes — Chevron, Shell, BP, ConocoPhillips, ExxonMobil e TotalEnergies — devem registrar, juntas, cerca de US$ 2.967 por segundo em lucros ao longo de 2026.

Na prática, isso representa aproximadamente US$ 94 bilhões no ano, um volume expressivo em um cenário em que consumidores enfrentam combustíveis mais caros, aumento nas tarifas de energia e maior pressão sobre o orçamento doméstico.

Crescimento acelerado dos ganhos

De acordo com a análise, os lucros dessas empresas cresceram significativamente em relação ao ano anterior. O avanço é estimado em quase US$ 37 milhões por dia a mais em comparação com 2025.

O resultado evidencia um contraste marcante: enquanto famílias ajustam despesas básicas, o setor petrolífero mantém trajetória de expansão financeira.

Instabilidade global impulsiona resultados

A tensão geopolítica no Oriente Médio e a volatilidade no mercado internacional de petróleo estão entre os principais fatores que explicam o aumento dos lucros.

Com a alta no preço do barril, as companhias ampliam suas margens e fortalecem o desempenho financeiro. Por outro lado, os impactos recaem sobre consumidores e empresas, que enfrentam custos mais elevados e pressão inflacionária crescente.

Oxfam aponta aumento da desigualdade

A Oxfam critica o cenário, destacando o contraste entre os lucros elevados e as dificuldades enfrentadas por milhões de pessoas. Para a entidade, a situação reforça o avanço da desigualdade econômica e levanta questionamentos sobre políticas de incentivo ao setor de combustíveis fósseis.

A organização também chama atenção para o fato de que diversos governos continuam concedendo subsídios à indústria, mesmo diante da necessidade de acelerar a transição energética e enfrentar a crise climática.

Debate envolve economia e meio ambiente

O desempenho financeiro das petroleiras reacende discussões sobre o papel dessas empresas no cenário global. De um lado, elas permanecem essenciais para garantir o abastecimento energético. De outro, enfrentam críticas por manter modelos que contribuem para o aumento das emissões e dificultam mudanças estruturais no setor.

Especialistas apontam que o desafio está em conciliar segurança energética com responsabilidade ambiental, sem transferir integralmente os custos para o consumidor final.

Um tema que vai além do petróleo

O debate sobre o setor petrolífero ultrapassa a esfera econômica e passa a envolver questões como justiça social, política energética e o futuro climático do planeta.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Petrobras

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Economia

Brics Pay busca reduzir uso do dólar em transações internacionais, dizem especialistas

O Brasil apresentou ao bloco BRICS um novo sistema de pagamentos internacionais, batizado de Brics Pay. A iniciativa pretende criar uma plataforma que permita transferências diretas entre moedas dos países membros, diminuindo a dependência do dólar nas operações comerciais.

O modelo busca substituir intermediários tradicionais, como o SWIFT, atualmente dominado por transações em moeda norte-americana.

Sistema deve funcionar de forma semelhante ao Pix

A proposta prevê um mecanismo inspirado no Pix, com transferências rápidas e integradas entre os sistemas financeiros nacionais. Na prática, isso permitiria, por exemplo, negociações diretas entre real e yuan, sem necessidade de conversão para dólar.

Segundo o especialista Thiago Godoy, a ferramenta pode simplificar as operações comerciais dentro do bloco e reduzir custos cambiais.

Geopolítica impulsiona busca por alternativas

Além de ganhos operacionais, o projeto está ligado a questões estratégicas. Para Marilia Fontes, a criação de um sistema próprio também responde ao risco de sanções internacionais, permitindo maior autonomia nas transações.

A possibilidade de manter o comércio ativo mesmo em cenários de restrição ao sistema global é um dos fatores que impulsionam o debate sobre desdolarização.

Limitações e desafios do Brics Pay

Apesar do potencial, especialistas apontam desafios na implementação. Bernardo Pascowitch destaca que há diferença entre acordos comerciais e a criação de um sistema financeiro integrado.

Segundo ele, um dos pontos sensíveis envolve o nível de acesso dos governos às transações, tema que levanta discussões sobre privacidade e governança financeira.

Debate sobre nova arquitetura financeira global

O Brics Pay surge em meio a discussões mais amplas sobre a diversificação do sistema financeiro internacional. A iniciativa reflete o interesse de países emergentes em reduzir a dependência de estruturas tradicionais e ampliar sua autonomia econômica.

Ainda em fase inicial, o projeto deve enfrentar desafios técnicos, regulatórios e políticos antes de se consolidar como alternativa viável no cenário global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Investimento

Acordo Mercosul-UE pode impulsionar investimentos franceses no Brasil, avalia indústria

Mesmo diante da resistência de setores agrícolas e do governo da França ao acordo entre Mercosul e União Europeia, a indústria francesa já se movimenta para ampliar sua presença no Brasil. A expectativa é que a implementação provisória do tratado, prevista para maio, favoreça novos aportes e fortaleça o fluxo de negócios.

Empresários franceses avaliam que a redução de tarifas e melhores condições de acesso ao mercado sul-americano devem estimular investimentos estrangeiros no Brasil, especialmente em setores estratégicos.

Acordo enfrenta entraves políticos na Europa

O avanço do tratado ocorre em meio a divergências dentro do bloco europeu. Embora países como Alemanha e Espanha apoiem o acordo, o presidente Emmanuel Macron mantém posição crítica.

O processo de ratificação foi temporariamente suspenso após o Parlamento Europeu solicitar análise jurídica ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasar a implementação definitiva.

Setores industriais miram oportunidades no mercado brasileiro

Entidades empresariais como o Medef defendem o acordo e buscam garantir competitividade frente a outros países europeus. A meta é aproveitar a redução de barreiras comerciais para expandir exportações e operações no Mercosul.

Entre os segmentos com maior interesse estão vinhos, laticínios, indústria química, farmacêutica, móveis e design, além de produtos voltados ao consumo doméstico.

Brasil ganha destaque na estratégia de expansão

O Brasil aparece como principal destino dentro do bloco, impulsionado pelo tamanho do mercado e pelas oportunidades em diferentes cadeias produtivas. A Business France tem registrado aumento na procura de empresas interessadas em explorar o país.

O cenário internacional também contribui para essa movimentação. Tensões comerciais e tarifas aplicadas por outras economias têm levado empresas francesas a buscar diversificação, com maior foco na América Latina.

Investimentos recentes reforçam tendência

Nos últimos meses, empresas francesas ampliaram operações no Brasil em diferentes setores. Projetos incluem expansão industrial, abertura de fábricas e investimentos em inovação, com foco em infraestrutura, construção civil e bens de consumo.

Além disso, áreas como energia e recursos naturais também surgem como potenciais destinos de capital, impulsionadas pela estabilidade relativa da região em comparação a outros mercados globais.

Pequenas e médias empresas também devem avançar

A expectativa é que o acordo comercial facilite a entrada de pequenas e médias empresas francesas no Mercosul. O país europeu possui um grande número de companhias desse porte interessadas em diversificar mercados e ampliar exportações.

Apesar do forte estoque de investimentos franceses no Brasil, o volume de comércio bilateral ainda é considerado baixo em relação ao potencial. O tratado é visto como uma oportunidade para ampliar as trocas e fortalecer a relação econômica entre os dois países.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bom Dia França

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Exportação

Exportadores brasileiros reduzem dependência de EUA e China e buscam diversificação de mercados

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que China e Estados Unidos respondem por cerca de 40% das exportações brasileiras. Essa concentração eleva a exposição do país a variações políticas, cambiais e tarifárias, afetando diretamente o planejamento das empresas.

Para especialistas do setor financeiro, essa dependência deixou de ser apenas uma característica do comércio exterior e passou a representar um fator de risco para a previsibilidade dos negócios.

Dependência externa afeta estabilidade das empresas

Segundo Murillo Oliveira, especialista em estruturação financeira internacional e head de tesouraria da Saygo, a concentração em poucos mercados expõe empresas a decisões externas fora de seu controle.

Ele destaca que mudanças em tarifas, sanções ou regulações podem impactar diretamente o fluxo de receita. Nesse contexto, a diversificação de exportações passa a ser vista não apenas como estratégia de crescimento, mas também como proteção financeira.

Novos destinos ganham espaço no comércio exterior

O cenário global recente, marcado por disputas comerciais e ajustes em cadeias de suprimento, tem reconfigurado o fluxo internacional de mercadorias. Tarifas entre grandes economias e restrições sanitárias têm impulsionado a busca por novos fornecedores e mercados.

Nesse movimento, empresas brasileiras começam a ampliar atuação em regiões como Sudeste Asiático, Oriente Médio e mercados europeus fora dos tradicionais centros econômicos.

Expansão exige estratégia e preparo técnico

Apesar das oportunidades, a entrada em novos mercados exige planejamento. A atuação em regiões diferentes demanda conhecimento técnico, análise de risco e adaptação comercial.

Especialistas apontam que a expansão internacional não ocorre de forma automática e depende de estrutura adequada para garantir competitividade.

Diversificação também impacta gestão financeira

A atuação em múltiplos países implica operar com diferentes moedas e ambientes regulatórios, o que aumenta a complexidade da gestão. Por outro lado, essa estratégia reduz a dependência de ciclos econômicos específicos.

Na avaliação de analistas, empresas com presença em mais de um mercado tendem a ter maior estabilidade financeira no médio prazo, equilibrando melhor receitas e riscos.

Barreiras ainda limitam expansão internacional

Apesar do avanço da discussão sobre diversificação de mercados, muitas empresas ainda enfrentam obstáculos operacionais. Entre os principais desafios estão a falta de conhecimento sobre novos destinos, limitações logísticas e ausência de estrutura interna especializada.

Sem esse suporte, a internacionalização pode não gerar os resultados esperados e até aumentar riscos operacionais.

Parceria facilita importações da China para o Brasil

Em paralelo às mudanças no comércio exterior, uma nova iniciativa busca facilitar o fluxo de importações brasileiras da China.

A empresa Axton Global firmou parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC) para ampliar o acesso de empresas brasileiras a seguros de crédito e prazos de pagamento mais longos oferecidos por instituições chinesas.

O objetivo é facilitar operações internacionais, melhorar o fluxo de caixa e reduzir riscos, especialmente para empresas de médio porte que enfrentam restrições de crédito no mercado brasileiro.

China segue como principal parceiro comercial

Desde 2004, a China é o principal destino das importações brasileiras, segundo dados do Mapa Bilateral de Comércio e Investimentos Brasil-China 2024. Entre 2019 e 2023, as compras do país asiático cresceram em média 10,2% ao ano.

O movimento reforça a importância da relação comercial entre os dois países, ao mesmo tempo em que evidencia a necessidade de estratégias mais equilibradas de inserção global.

FONTE: Monitor Mercantil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tânia Rêgo, ABr

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Economia

Diesel mais caro que gasolina: entenda por que o combustível virou um problema econômico global

O avanço dos preços do diesel tem sido mais intenso do que o da gasolina desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que afetou diretamente a oferta global de petróleo. O impacto é especialmente preocupante para setores que dependem fortemente desse combustível, como transporte e agricultura.

Desde o fim de fevereiro, o valor médio do diesel subiu cerca de 45%, enquanto a gasolina teve aumento próximo de 35%. Projeções indicam que o diesel pode ultrapassar US$ 5,80 por galão, contra aproximadamente US$ 4,30 da gasolina. Apesar de uma leve queda recente motivada por expectativas de acordo de paz, a diferença entre os dois combustíveis continua significativa.

Escassez global impulsiona preços do diesel

A elevação acelerada do preço do diesel não começou com a guerra. Antes mesmo do conflito, o mercado já operava com oferta limitada. Com a redução das exportações por países do Golfo Pérsico — importantes produtores —, o desequilíbrio se intensificou.

Outro fator relevante é que o petróleo extraído nessa região é mais adequado para a produção de diesel e combustível de aviação. Com menos disponibilidade, houve escassez simultânea desses derivados, enquanto a gasolina manteve um nível de oferta relativamente mais estável.

Além disso, países com capacidade de compensar parte da produção, como a China, restringiram exportações para priorizar o abastecimento interno, agravando ainda mais o cenário global.

Limitações na produção dificultam resposta rápida

Mesmo sendo exportadores líquidos de derivados, os Estados Unidos não conseguem suprir totalmente a demanda mundial. Parte disso se explica pelas características do petróleo produzido no país, mais indicado para a fabricação de gasolina do que de diesel.

As refinarias também enfrentam limitações técnicas. Embora consigam ajustar parcialmente a produção, não é possível ampliar significativamente a oferta de diesel sem investimentos elevados e mudanças estruturais. Isso reduz a capacidade de resposta imediata diante da crise.

Diesel é essencial e difícil de substituir

Diferentemente da gasolina, cujo consumo pode ser reduzido por alternativas como caronas ou menos deslocamentos, o consumo de diesel é mais rígido. Caminhoneiros, agricultores e operadores de máquinas pesadas dependem diretamente do combustível, o que mantém a demanda elevada mesmo com preços altos.

Diferenças entre diesel e gasolina

Ambos os combustíveis são derivados do petróleo, mas possuem características distintas. A gasolina é mais utilizada em veículos leves, enquanto o diesel, mais eficiente energeticamente, abastece caminhões, tratores e equipamentos industriais.

Essa diferença de uso contribui para a pressão sobre o diesel em momentos de crise, já que ele está ligado a cadeias produtivas essenciais.

Por que o diesel costuma ser mais caro?

Nos Estados Unidos e em outros países, o diesel geralmente custa mais do que a gasolina. Um dos motivos é o processo adicional necessário para reduzir o teor de enxofre, exigido por normas ambientais — o que encarece a produção.

Além disso, o diesel sofre tributação maior e tem preços mais sensíveis ao mercado internacional, já que grande parte da produção é destinada à exportação.

Outro desafio é logístico: a infraestrutura para transporte de diesel, como oleodutos, é mais limitada, o que pode gerar variações regionais de preço.

Quando os preços podem cair?

A normalização dos preços depende diretamente da retomada do fluxo de petróleo, especialmente em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz. Caso isso ocorra, a tendência é de redução gradual dos custos.

No entanto, especialistas apontam que o diesel caro pode persistir por mais tempo, já que a cadeia de abastecimento foi profundamente afetada. A recomposição dos estoques e da distribuição global pode levar meses.

No cenário atual, o diesel segue como peça-chave da economia mundial, influenciando diretamente custos de transporte, alimentos e diversos produtos.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NY Times

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-UE avança para ratificação apesar de contestação judicial europeia

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) está previsto para entrar em vigor provisoriamente em 1º de maio, enquanto ainda aguarda ratificação definitiva. Mesmo antes disso, representantes dos dois blocos já apontam vantagens comerciais iniciais e demonstram confiança de que o processo será concluído rapidamente.

Parlamento Europeu recorre à Justiça, mas impacto é minimizado

Apesar do cenário positivo, o Parlamento Europeu levou o tratado à mais alta instância judicial da UE, questionando sua compatibilidade com normas e tratados vigentes. Durante a feira industrial Hannover Messe, autoridades europeias e brasileiras reduziram o peso da ação, avaliando que o tribunal tende a validar o acordo.

Segundo o deputado alemão Bernd Lange, presidente do Comitê de Comércio Internacional, não há resistência significativa à aplicação provisória. Ele destacou que eventuais preocupações já foram incorporadas ao texto final e que a aprovação parlamentar deve ocorrer em poucos meses.

Prazo de análise e divisões políticas na Europa

A corte europeia informou que revisões desse tipo costumam durar entre 18 e 24 meses, embora possam ser aceleradas. Mais de 140 parlamentares — principalmente de grupos de esquerda, ambientalistas e da extrema-direita — apoiaram a contestação.

No campo político, países como Alemanha, Portugal e Espanha defendem o acordo, enxergando oportunidades para ampliar exportações, reduzir dependência da China e acessar matérias-primas estratégicas. Em contrapartida, França, Polônia, Hungria, Áustria e Irlanda lideram a oposição, especialmente por preocupações com o impacto sobre o setor agrícola europeu.

Brasil reage e defende complementaridade agrícola

Durante visita a Portugal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a contestação judicial como um “equívoco”. Já o embaixador brasileiro junto à UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, afirmou que os questionamentos já estão contemplados na legislação europeia e nas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Lula também rebateu críticas de agricultores europeus, destacando a complementaridade agrícola entre os blocos, em vez de concorrência direta.

Mecanismo de reequilíbrio gera dúvidas

Um dos pontos mais debatidos é o chamado mecanismo de reequilíbrio, que permitiria a países latino-americanos solicitar compensações caso novas regras europeias prejudiquem vantagens comerciais previstas. Alguns parlamentares temem que essa cláusula limite a soberania da UE.

O embaixador brasileiro argumenta que o dispositivo já existe em acordos internacionais e que o tratado inclui princípios modernos, como o princípio da precaução, voltado à proteção de consumidores e do meio ambiente.

Impactos econômicos e foco industrial

Além de simplificar regras comerciais, o acordo deve impulsionar investimentos estrangeiros no Mercosul, especialmente no Brasil, maior economia do bloco. Autoridades brasileiras reforçam que o tratado vai além do agronegócio, com foco relevante em parcerias industriais.

Sustentabilidade e meio ambiente no centro do debate

O governo brasileiro também destaca compromissos com sustentabilidade, combate ao desmatamento e uma matriz energética mais limpa que a europeia. Segundo representantes diplomáticos, as regras do acordo ajudam a reforçar essa agenda ambiental.

Um mercado de mais de 700 milhões de pessoas

O acordo Mercosul-UE prevê a criação de uma área de livre comércio com mais de 700 milhões de consumidores. A expectativa é de eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 91% das importações do Mercosul e 95% das importações europeias, ampliando significativamente o fluxo comercial entre as regiões.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor

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Comércio Exterior

Estreito de Malaca entra no radar global e acende alerta no comércio marítimo

Com a crise no Estreito de Ormuz, outra rota estratégica para o comércio internacional começa a gerar preocupação: o Estreito de Malaca, no sudeste asiático. A região voltou ao centro das atenções após discussões envolvendo possível ampliação da presença militar dos Estados Unidos na área, o que pode trazer impactos geopolíticos relevantes.

Rota essencial para o comércio global

O Estreito de Malaca é considerado uma das principais artérias do transporte marítimo mundial. Ele conecta os oceanos Índico e Pacífico, sendo a via mais curta entre regiões como Oriente Médio, Europa e leste asiático.

Por essa rota passam:

  • cerca de 29% do petróleo transportado por via marítima no mundo;
  • aproximadamente um terço do comércio global;
  • grandes volumes de gás natural liquefeito (GNL).

Além de energia, o estreito é fundamental para o fluxo de produtos eletrônicos, bens industriais, automóveis e commodities agrícolas como soja e cereais.

Volume de cargas e relevância econômica

Dados recentes indicam que mais de 23 milhões de barris de petróleo transitam diariamente pelo estreito. O local também concentra cerca de 25% do comércio marítimo global de automóveis, evidenciando sua importância logística.

Diferentemente de outras rotas estratégicas, o papel de Malaca vai além da energia, abrangendo uma ampla diversidade de mercadorias, o que reforça seu peso na economia global.

Riscos crescentes: pirataria e fatores naturais

Apesar da relevância, o estreito enfrenta desafios constantes. Entre eles:

  • aumento de casos de pirataria marítima, com mais de 100 incidentes registrados recentemente;
  • riscos naturais, como tsunamis e פעילות vulcânica;
  • alta densidade de tráfego, que eleva o risco de acidentes.

Esses fatores tornam a região vulnerável e exigem monitoramento contínuo.

Tensões geopolíticas elevam preocupação

O interesse estratégico no Estreito de Malaca não é apenas econômico, mas também político. A possibilidade de maior presença militar estrangeira na região pode alterar o equilíbrio de poder e gerar tensões entre grandes potências, como Estados Unidos, China e Índia.

Especialistas apontam que, embora impactos imediatos no comércio sejam improváveis, o cenário pode evoluir para um ambiente mais competitivo e militarizado no longo prazo.

Impactos indiretos no comércio global

Mesmo sem interrupções diretas, mudanças na dinâmica de segurança podem gerar efeitos como:

  • aumento nos custos de seguro marítimo;
  • maior percepção de risco nas rotas;
  • volatilidade nos fluxos comerciais.

Esses fatores podem afetar cadeias logísticas globais e pressionar custos de transporte.

O “dilema de Malaca” e a dependência da China

A importância do estreito é ainda mais evidente para a China. O conceito conhecido como “dilema de Malaca” descreve a forte dependência do país dessa rota para exportações e importações.

Atualmente:

  • cerca de 75% do petróleo importado pela China passa pela região;
  • aproximadamente 60% do comércio marítimo chinês utiliza essa rota.

Essa dependência representa um risco estratégico, especialmente em cenários de conflito ou bloqueio.

Alternativas são limitadas

Embora existam rotas alternativas, como os estreitos de Sunda e Lombok, elas apresentam limitações logísticas e operacionais. Outras opções, como contornar a Austrália, implicam custos elevados e maior tempo de viagem.

Diante disso, a tendência é que países dependentes da rota, como China, Japão e Coreia do Sul, continuem apostando em estratégias para gerenciar riscos, em vez de substituí-la.

Equilíbrio geopolítico em jogo

A movimentação recente envolvendo a Indonésia reflete um cenário de equilíbrio diplomático. O país busca manter relações tanto com os Estados Unidos quanto com a China, evitando alinhamentos diretos.

Esse contexto reforça a complexidade do comércio global, cada vez mais influenciado por disputas estratégicas em regiões-chave.

FONTE: BBC
TEXTO: Redação
IMAGEM: BBC

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Economia

Rede dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa (BCPLP) é criada para fortalecer cooperação financeira internacional

Durante as Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Grupo Banco Mundial, representantes de diversos bancos centrais oficializaram a criação da Rede dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa (BCPLP). A iniciativa reúne instituições de Angola, Brasil, Cabo Verde, Estados da África Ocidental (Guiné-Bissau), Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

O objetivo é ampliar a cooperação econômica e financeira internacional entre países que compartilham a língua portuguesa, fortalecendo a articulação técnica e institucional entre os membros.

Cooperação estratégica entre bancos centrais lusófonos

A criação da rede representa um passo importante na consolidação de um espaço permanente de diálogo entre os bancos centrais dos países lusófonos. A proposta busca estruturar e dar continuidade às ações conjuntas já existentes, ampliando o intercâmbio de informações e experiências.

Segundo os participantes, a iniciativa reforça a capacidade de atuação conjunta e contribui para o alinhamento de posições em fóruns internacionais e multilaterais.

Presidência rotativa e agenda de temas econômicos

A BCPLP funcionará com uma presidência rotativa anual, permitindo que cada banco central conduza a agenda de discussões com foco em temas prioritários de sua realidade econômica.

Entre os objetivos está o aprofundamento de debates sobre política monetária, estabilidade financeira e desenvolvimento econômico.

A primeira reunião oficial da rede está prevista para novembro de 2026, em Luanda. Já a primeira presidência será exercida pelo Banco de Portugal em 2027.

Grupos técnicos e troca de experiências

Além dos encontros de alto nível, a estrutura da rede prevê a criação de grupos de trabalho técnicos voltados à análise de temas específicos da agenda econômica.

A proposta é estimular a troca de boas práticas entre bancos centrais, promovendo maior integração institucional e cooperação operacional entre os países participantes.

Também será instituído um comitê de política econômica, responsável por discutir desafios comuns às economias lusófonas e propor encaminhamentos conjuntos.

Integração reforça relevância da lusofonia

Com a criação da rede, os bancos centrais reforçam o compromisso com a cooperação estratégica e com o fortalecimento da presença dos países de língua portuguesa no cenário financeiro global.

A iniciativa busca ampliar a relevância da lusofonia em debates econômicos internacionais, promovendo maior articulação entre as economias envolvidas.

FONTE: Banco Central do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/BCB

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Exportação

Exportações da China desaceleram em março enquanto importações avançam com força

O crescimento das exportações da China perdeu força em março, após um começo de ano robusto. Ao mesmo tempo, as importações chinesas registraram forte alta, influenciadas por fatores sazonais e pelos impactos da guerra no Irã sobre o abastecimento global de energia.

De acordo com dados da Administração Geral de Alfândegas, as vendas externas cresceram 2,5% na comparação anual — bem abaixo do salto observado em fevereiro. O resultado foi afetado por distorções do calendário do Ano Novo Lunar e por uma base de comparação elevada em 2025.

Queda nas exportações para os EUA pressiona resultados

A desaceleração foi ampla entre os principais mercados, com exceção de Taiwan e Hong Kong. Um dos destaques negativos foi a forte queda nas exportações chinesas para os Estados Unidos, que recuaram 26,5% em relação ao ano anterior, impactadas por tarifas comerciais.

O valor exportado para os EUA caiu para US$ 29,4 bilhões no período, evidenciando a pressão sobre o comércio bilateral.

Importações disparam com alta demanda por tecnologia

Enquanto isso, as importações na China cresceram quase 28%, impulsionadas pela maior demanda por produtos de alta tecnologia, como semicondutores. Esse foi o avanço mais rápido desde o fim de 2021.

Com isso, o superávit comercial chinês encolheu para US$ 51 bilhões — o menor nível em mais de um ano.

Guerra no Irã eleva custos e pressiona indústria

O cenário global foi impactado pela escalada da crise no Oriente Médio, especialmente após tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. O fechamento do Estreito de Ormuz elevou os custos de insumos industriais, afetando cadeias produtivas.

Esse corredor estratégico responde por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás natural liquefeito, o que pressionou os preços de materiais e reduziu margens de lucro de fábricas chinesas.

Sazonalidade e calendário explicam parte da desaceleração

Especialistas apontam que fatores sazonais tiveram peso relevante no desempenho mais fraco. O Ano Novo Lunar em 2026, celebrado mais tarde que o habitual, reduziu o número de dias úteis em março, afetando a produção e os embarques.

Além disso, o forte desempenho de março de 2025 — quando empresas anteciparam exportações para evitar tarifas — elevou a base de comparação.

Primeiro trimestre ainda mostra força da economia chinesa

Apesar da desaceleração pontual, o comércio exterior da China manteve um desempenho sólido no primeiro trimestre. As exportações cresceram 15% no período, enquanto as importações avançaram 23% na comparação anual.

Inteligência artificial impulsiona exportações de tecnologia

Um dos principais motores do comércio tem sido o avanço da inteligência artificial, que elevou a demanda global por chips e componentes eletrônicos.

As exportações chinesas de circuitos integrados cresceram 78% no primeiro trimestre, enquanto produtos de alta tecnologia registraram alta de quase 30%. Equipamentos mecânicos e elétricos também apresentaram crescimento expressivo.

Tarifas e decisões judiciais influenciam cenário comercial

Outro fator relevante foi a redução das tarifas comerciais após decisão da Suprema Corte dos EUA, que derrubou medidas adotadas anteriormente. Isso ajudou a aliviar parte da pressão sobre os exportadores chineses.

Ainda assim, o cenário segue incerto, com previsões divergentes entre economistas sobre o ritmo do comércio.

Impactos futuros da crise energética ainda são incertos

O efeito da guerra no Irã sobre o comércio global ainda é imprevisível. Por um lado, pode haver aumento na demanda por produtos sustentáveis chineses, como painéis solares e veículos elétricos.

Por outro, o aumento dos preços do petróleo pode reduzir o consumo global e levar a políticas monetárias mais restritivas, prejudicando a demanda por bens manufaturados.

Setor de veículos elétricos ganha destaque

As exportações de veículos elétricos chineses dobraram em março, atingindo recorde histórico. Montadoras do país ampliaram presença internacional, superando concorrentes tradicionais em mercados como Austrália e Reino Unido.

Perspectivas: entre resiliência e incertezas

Analistas avaliam que a desaceleração recente está mais ligada a fatores temporários do que a uma queda estrutural da demanda global. Ainda assim, os desdobramentos da crise energética e geopolítica devem influenciar o desempenho do comércio nos próximos meses.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Economia

Dólar cai para R$ 5,17 com expectativa de trégua no Oriente Médio e Ibovespa dispara

A possibilidade de redução das tensões no Oriente Médio trouxe alívio aos mercados financeiros nesta terça-feira (31). Com o aumento do apetite global por risco, o dólar registrou queda frente ao real, enquanto a bolsa brasileira avançou de forma expressiva.

Dólar recua e atinge menor nível do mês

O dólar comercial fechou o dia cotado a R$ 5,179, com queda de 1,31%. Ao longo da sessão, a moeda norte-americana ampliou as perdas após declarações de autoridades dos Estados Unidos e do Irã sinalizarem abertura para negociações e possível encerramento do conflito.

Com o resultado, a cotação atingiu o menor patamar desde 11 de março. No acumulado mensal, a alta foi moderada, de 0,87%. Já no primeiro trimestre de 2026, o dólar acumula queda de 5,65%, colocando o real entre as moedas com melhor desempenho no período.

Ibovespa sobe com fluxo externo positivo

A bolsa de valores brasileira acompanhou o cenário internacional e fechou em forte alta. O Ibovespa avançou 2,71%, encerrando o dia aos 187.462 pontos, impulsionado principalmente pela recuperação das bolsas norte-americanas.

Apesar do resultado positivo na sessão, o índice registrou leve recuo de 0,70% em março. No entanto, o desempenho trimestral foi robusto, com valorização de 16,35% — o melhor resultado para o período desde 2020.

O ingresso de capital estrangeiro e a perspectiva de redução das tensões geopolíticas contribuíram para sustentar o movimento de alta, embora o mercado siga atento a possíveis novos desdobramentos.

Petróleo recua com expectativa de acordo

Os preços do petróleo também refletiram o cenário de possível trégua. O barril do tipo Brent para entrega em junho caiu cerca de 3%, sendo negociado a US$ 103,97.

A movimentação ocorreu após informações indicarem que o Irã estaria disposto a encerrar o conflito sob determinadas condições. Ainda assim, no acumulado de março, o petróleo registra valorização próxima de 40%, influenciado pelos riscos à oferta global.

As tensões no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, seguem como fator de atenção para o mercado internacional.

Fonte: Agência Brasil

Texto: Redação

Imagem: Agência Brasil / Valtr Campanato

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