Logística

Taxas de frete marítimo desafiam a lógica mesmo com queda na demanda global

As taxas de frete de contêineres continuam surpreendendo o mercado. Mesmo com o enfraquecimento da demanda, os valores cobrados para transporte global seguem elevados. Dados mais recentes mostram que as importações dos Estados Unidos somaram 2,3 milhões de TEU em outubro, uma queda de 7,5% em relação ao ano anterior e leve recuo de 0,1% frente a setembro — apenas o segundo declínio para o mês em toda a última década.

As compras americanas de produtos vindos da China diminuíram 16% no comparativo anual, embora tenham crescido 5,4% na passagem mensal. A National Retail Federation projeta que as importações dos EUA devem cair abaixo de 2 milhões de TEU em novembro e dezembro e sofrer “uma nova queda mais acentuada” no primeiro trimestre de 2025. Apesar do novo acordo comercial entre Washington e Pequim, exportadores chineses ainda devem recorrer a intermediários para reduzir o impacto das tarifas impostas pelos EUA.

Frete dispara em outubro e novembro, mas volatilidade permanece

O Freightos Global Index registrou forte oscilação. A tarifa média global para um contêiner de 40 pés caiu para US$ 1.546 em 10 de outubro, mas subiu rapidamente para US$ 2.193 em 7 de novembro, alta de 42% em quatro semanas. Depois, recuou 1% na semana seguinte e mais 11% até 21 de novembro, estabilizando-se em US$ 1.937, ainda 4% acima do registrado quatro semanas antes.

Na rota China–Costa Oeste dos EUA, os preços atingiram o fundo de US$ 1.431 em 10 de outubro, mas avançaram para US$ 2.958 em 7 de novembro, salto de 107% impulsionado pelo acordo entre Donald Trump e Xi Jinping. Contudo, a tarifa despencou para US$ 1.903 em 21 de novembro, queda semanal de 32% e recuo de 6% no acumulado de quatro semanas.

O trajeto China–Costa Leste dos EUA seguiu padrão semelhante: após atingir US$ 3.015 em outubro, as tarifas subiram até US$ 3.734 em 14 de novembro, antes de cair para US$ 3.443 — redução de 8%. Analistas apontam que as companhias de navegação pioraram a pressão sobre os preços ao adicionar cerca de 12% de capacidade extra ao Pacífico em novembro com a entrada de novos navios, um movimento que deve se repetir nos próximos anos.

EUA perdem tração como destino: frete para a China cai ao menor nível histórico

Enquanto tarifas de exportação chinesa mostram volatilidade, o caminho inverso esfriou radicalmente. Os preços de frete dos EUA para a China recuaram para US$ 268 em novembro, o menor valor já registrado e 24% abaixo do observado quatro semanas antes — distante do pico de US$ 1.239 em junho de 2021.

Europa mantém demanda por produtos chineses com aproximação do Natal

O porto de Xangai movimentou 4,82 milhões de TEU em setembro, menos que agosto, mas acima do mesmo mês do ano anterior. Com a temporada de pico já superada, os volumes seguem firmes graças ao redirecionamento de exportações chinesas para mercados europeus.

O custo do frete China–Noroeste da Europa subiu de US$ 1.747 em 10 de outubro para US$ 2.480 em 14 de novembro, mantendo-se próximo desse nível no fim do mês — alta de 9% em quatro semanas. Na rota Ásia–Mediterrâneo, as tarifas avançaram 41% no período, chegando a US$ 2.998 em 21 de novembro, impulsionadas pela demanda do varejo europeu.

Rotas das Américas mostram sinais mistos

A tarifa Europa–EUA permaneceu estável em US$ 2.269 desde setembro. No sentido inverso, o valor caiu de US$ 667 em 7 de novembro para US$ 543 em 21 de novembro, alinhado à média anual de US$ 537.

Já a rota Europa–Costa Leste da América do Sul registrou leve alta, atingindo US$ 814, enquanto o trajeto Europa–Costa Oeste da América do Sul interrompeu uma queda de 13 semanas ao subir para US$ 2.359 — embora especialistas alertem que o mercado segue frágil e sujeito a novas baixas.

Frota global cresce e pressiona mercado

A frota de navios porta-contêiner iniciou novembro com 32,3 milhões de TEU, expansão de 6% no ano e menos de 1% da capacidade parada, segundo a Alphaliner. O orderbook supera 11 milhões de TEU, com entregas distribuídas pelos próximos 36 meses. Nos planejamentos estratégicos das companhias, temas como automação, integração logística e disputa por market share seguem centrais para 2025.

FONTE: Splash Extra
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Splash Extra

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Comércio Internacional

Alertam que certificados ambientais se tornam novo requisito nos negócios internacionais

As regras do comércio global estão mudando. Cada vez mais, os acordos internacionais e os consumidores exigem que as empresas comprovem seu compromisso ambiental. Os selos verdes, certificações e critérios de sustentabilidade deixaram de ser opcionais e tornaram-se condições de acesso aos mercados mais competitivos. Nesse cenário, surgem desafios para a Argentina — especialmente para as pequenas e médias empresas (PMEs) — na adaptação às novas exigências ambientais impostas pelo comércio internacional.

Para compreender esse processo, o portal serindustria.com.ar entrevistou Adriana H. Narváez, doutora em Relações Internacionais e reitora do Instituto de Capacitação Aduaneira. Com mestrado pela Universidade Paris I Panthéon Sorbonne e experiência em fóruns da Organização Mundial do Comércio (OMC), Narváez também lidera projetos de pesquisa no Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia da Argentina.

A especialista destacou que a sustentabilidade se tornou um elemento essencial da competitividade global. Segundo ela, os selos e certificações ambientais estão se transformando em novas barreiras não tarifárias, especialmente em mercados como União Europeia e Japão. Narváez também observou que muitas PMEs argentinas ainda reagem às exigências externas de sustentabilidade apenas quando enfrentam demandas concretas, em vez de adotar essas práticas de forma estratégica.

Ela analisou ainda o impacto do acordo Mercosul-União Europeia, a necessidade de maior divulgação e incentivos governamentais para estimular a certificação ambiental e o cambio geracional na formação dos novos profissionais de comércio exterior.

Narváez ressaltou que, embora existam programas e linhas de crédito voltados à certificação e à sustentabilidade, a falta de divulgação é o principal obstáculo para que as empresas — especialmente as PMEs — tenham acesso a essas oportunidades. Também explicou que as certificações ambientais, longe de representarem um custo, são investimentos estratégicos que aumentam a rentabilidade e a competitividade das empresas no médio e longo prazo.

A especialista concluiu que, à medida que o mundo avança rumo a economias de baixo carbono, a Argentina tem o potencial de se adaptar e competir globalmente, desde que invista na capacitação de suas empresas e na adoção de padrões ambientais internacionais. Segundo ela, “mais cedo ou mais tarde, essa transição será inevitável — e quem se antecipar sairá na frente”.

FONTE: Ser Industria
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Comércio Internacional

Feira Internacional de Importações da China bate recorde com US$ 83,49 bilhões em negócios

A Feira Internacional de Importações da China (CIIE) alcançou um novo marco histórico em sua oitava edição, ao registrar US$ 83,49 bilhões em acordos comerciais previstos, um crescimento de 4,4% em relação ao ano anterior. O resultado confirma o evento como uma das maiores plataformas de promoção do comércio internacional no mundo.

CIIE reforça papel da China no comércio global

Realizada em Xangai, entre 5 e 10 de novembro de 2025, a CIIE reuniu milhares de empresas e visitantes de mais de 150 países e regiões, consolidando-se como um espaço estratégico para impulsionar o intercâmbio econômico e promover cooperação internacional. Segundo os organizadores, o aumento no volume de negócios reflete tanto a força da economia chinesa quanto o comprometimento do país com a abertura de mercado e a globalização econômica.

Inovação e tecnologia são destaques da feira

Os setores de alta tecnologia, inteligência artificial e equipamentos industriais de ponta atraíram grande atenção do público e dos investidores. A área dedicada à inovação tecnológica foi uma das mais movimentadas, reunindo empresas chinesas e estrangeiras interessadas em parcerias estratégicas e novas oportunidades de negócios.

Desde sua criação, em 2018, a CIIE é vista como uma das principais iniciativas do governo chinês para ampliar o acesso do mercado interno a produtos e serviços internacionais, funcionando como uma ponte entre economias e fortalecendo as cadeias globais de valor.

Comércio, sustentabilidade e integração global

Autoridades destacaram que a China continuará promovendo um ambiente de negócios aberto e previsível, estimulando parcerias sustentáveis e a integração econômica global. A feira também reforçou o papel do país como motor do crescimento mundial, especialmente em um momento de busca por equilíbrio nas cadeias produtivas internacionais.

A crescente presença de empresas estrangeiras na feira demonstra a confiança do setor privado na estabilidade da economia chinesa e nas perspectivas de expansão do consumo interno. Os acordos firmados durante a edição de 2025 devem impulsionar investimentos em tecnologia, saúde, alimentos e energia limpa, consolidando a CIIE como um dos principais motores do comércio internacional contemporâneo.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Global Times

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Agricultura

França mantém posição contrária ao acordo UE-Mercosul, diz ministra da Agricultura

A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, reiterou neste domingo (9) que o país não assinará o acordo entre a União Europeia e o Mercosul caso ele prejudique os produtores rurais franceses. A declaração reforça a postura cautelosa de Paris dias após o presidente Emmanuel Macron ter demonstrado otimismo quanto à aprovação do tratado.

“Queremos proteger nossos agricultores, e por isso a França não firmará um acordo que, no fim das contas, os condene”, afirmou Genevard ao Journal du Dimanche (JDD). Segundo ela, a França mantém “linhas vermelhas” inegociáveis nas discussões com o bloco sul-americano.

Exigências da França no acordo

A ministra destacou três condições essenciais para que o país aceite o pacto comercial:

  1. Uma cláusula de salvaguarda agrícola, que permita acionar um “freio de emergência” caso os preços caiam por causa de importações em larga escala;
  2. Medidas que impeçam a entrada de produtos agrícolas que não respeitem os padrões europeus de saúde e meio ambiente;
  3. Controles sanitários mais rigorosos para proteger o mercado interno.

Genevard afirmou que ainda há pontos em aberto e prometeu manter “vigilância total” sobre o processo. “Quem decide? Quem verifica? Quais critérios acionam o mecanismo? Estamos avaliando tudo isso, sempre com a mesma pergunta: este sistema realmente protege nossos agricultores?”, questionou.

Apoio de outros países europeus

Questionada sobre a possibilidade de a França bloquear o acordo UE-Mercosul, especialmente após o Brasil mencionar a intenção de assiná-lo até 20 de dezembro, Genevard respondeu que Paris “tem os meios para fazer sua voz ser ouvida”. Ela acrescentou que outros Estados-membros — Polônia, Áustria, Holanda, Irlanda e Hungria — compartilham das mesmas preocupações.

“Enquanto essas garantias não forem formalmente escritas, validadas e aceitas pelos parceiros do Mercosul, a França manterá sua posição”, reforçou.

Divergência com Macron

Na última quinta-feira (4), durante visita ao Brasil, Emmanuel Macron afirmou estar “bastante otimista” quanto ao avanço do acordo, embora tenha ressaltado que o país continuaria “vigilante”. Poucas horas depois, em passagem pelo México, o presidente voltou a dizer que a França “ainda aguarda respostas claras”.

As declarações de Macron foram recebidas com críticas por setores agrícolas e parte da classe política francesa, que consideram o pacto inaceitável nos moldes atuais.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

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Comércio

Mercosul e Emirados Árabes avançam em nova rodada de negociações para acordo de livre comércio

As delegações do Mercosul e dos Emirados Árabes Unidos se reuníram em Brasília, entre os dias 4 e 7 de novembro, para a quarta rodada de negociações do acordo de livre comércio entre o bloco sul-americano e o país árabe. O encontro aconteceu no Itamaraty e envolveu representantes de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e dos EAU, com grupos técnicos discutindo temas como comércio de bens, regras de origem, serviços, questões institucionais e jurídicas.

Acordo pode ser concluído ainda em 2025

As negociações, iniciadas em 2024, têm avançado de forma significativa e, segundo fontes ouvidas pelo CNN Money, há expectativa de conclusão do acordo ainda neste ano. As divergências entre as partes diminuíram e se concentram em poucas questões específicas, o que alimenta o otimismo sobre um desfecho próximo.

O principal ponto em debate é a redução a zero das tarifas de importação cobradas pelo Mercosul sobre cerca de 20 produtos petroquímicos. A medida é um pedido dos Emirados Árabes, grandes produtores de petróleo e derivados, mas enfrenta resistência por parte da indústria brasileira, que busca proteger-se da concorrência externa nesse segmento sensível.

Comércio entre Brasil e Emirados Árabes segue em alta

Em 2024, a corrente comercial entre o Brasil e os Emirados Árabes Unidos alcançou US$ 5,4 bilhões, com superávit de US$ 3,6 bilhões para o lado brasileiro, segundo dados do governo federal.

Os principais produtos exportados pelo Brasil para o país árabe são carne de frango, carne bovina e açúcar. Já as importações vindas dos Emirados incluem petróleo, ureia, enxofre e peças aeronáuticas.

Relação estratégica e investimentos crescentes

Além do comércio em expansão, Brasil e Emirados Árabes têm fortalecido uma parceria estratégica baseada na confiança e cooperação bilateral. O diálogo diplomático vem se ampliando em diferentes áreas, incluindo energia, infraestrutura, defesa e inovação.

O fluxo de investimentos dos Emirados no Brasil também cresce rapidamente. Grupos como Mubadala, Abu Dhabi Investment Group (ADIG), Edge Group e DP World têm ampliado sua presença no país, atuando em setores como logística, portos, aviação e energia renovável.

Especialistas avaliam que o acordo Mercosul–Emirados Árabes Unidos pode consolidar o Brasil como porta de entrada comercial dos árabes na América do Sul, além de ampliar as oportunidades de exportação e investimento mútuo.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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Exportação

Exportações da UE dobram para parceiros com acordos comerciais

As exportações de bens da União Europeia (UE) cresceram o dobro em 2024 para os 76 países com os quais o bloco mantém acordos comerciais, em comparação com os destinos sem tratados preferenciais, segundo o quinto relatório anual sobre a política comercial da UE, publicado pela Comissão Europeia.

O documento destaca que a ampla rede de acordos do bloco ajuda as empresas europeias a encontrar mercados alternativos e reduzir dependências em um contexto geopolítico desafiador.

De acordo com o estudo, as exportações de mercadorias para parceiros com acordos comerciais aumentaram 1,4%, frente ao 0,7% registrado com países sem acordos. O relatório também enfatiza que esses tratados fortalecem a resiliência e a competitividade dos operadores econômicos europeus.

Como exemplo, a Comissão apontou que as exportações para o Canadá cresceram 51% desde 2017, enquanto as vendas para o restante do mundo aumentaram apenas 20%.

Recorde agroalimentar

O relatório também destacou um novo recorde nas exportações agroalimentares, que atingiram 235 bilhões de euros em 2024, um aumento de 2,8% em relação a 2023.

As exportações de alimentos e bebidas para parceiros preferenciais somaram 138 bilhões de euros, com um crescimento de 3,6%, mais que o dobro do registrado com países sem acordos (1,6%).

Comércio de serviços e diversificação

O comércio de serviços com parceiros preferenciais atingiu 1,3 trilhão de euros e cresceu mais de três vezes em comparação com países fora de tratados (4,5% contra 1,2%).

A Comissão destacou que os acordos comerciais favorecem a diversificação e a estabilidade das cadeias de suprimentos. As exportações para México, Noruega, Suíça e Reino Unido compensaram a queda nas vendas para a Rússia, afetadas pelas sanções impostas após a invasão da Ucrânia.

Energia e barreiras comerciais

O relatório também ressaltou que as importações de gás e gás natural liquefeito (GNL) de Argélia, Cazaquistão e Noruega ajudaram a preencher o vazio deixado pela Rússia.

Por fim, Bruxelas informou que somente em 2024 foram eliminadas 44 barreiras comerciais em países terceiros, reforçando a abertura do comércio europeu. Atualmente, a UE mantém 44 acordos comerciais ativos com 76 parceiros em todo o mundo.

FONTE: Todo Logistica News
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Agronegócio

Agronegócio brasileiro enfrenta novos desafios no mercado asiático

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou uma viagem à Indonésia e à Malásia, onde participou da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). A visita reforçou o interesse do governo em ampliar a presença do agronegócio brasileiro na Ásia, considerada a região mais dinâmica da economia mundial.

Apesar do potencial, o crescimento das exportações brasileiras na região pode ocorrer em ritmo mais lento do que o previsto. No mesmo período, o ex-presidente americano Donald Trump também esteve na Ásia e conseguiu garantir concessões comerciais de vários países por meio de medidas tarifárias, fortalecendo o posicionamento dos Estados Unidos no comércio internacional.

Soja brasileira perde espaço para os EUA

A política comercial americana tem impactado diretamente as exportações do Brasil, especialmente de soja. Após uma trégua entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, a China retomou a compra de soja dos Estados Unidos, com um acordo que prevê 12 milhões de toneladas até o fim do ano e 25 milhões anuais até 2028.

No curto prazo, isso significa que o país asiático deve reduzir as importações de soja brasileira, priorizando o produto americano até a entrada da nova safra do Brasil, prevista para fevereiro. A expansão brasileira em outros mercados asiáticos também pode ser afetada, incluindo o farelo de soja.

Carne e algodão na disputa internacional

Além da soja, os produtores americanos de carne e algodão têm criticado o avanço do Brasil na Ásia. O país é o maior exportador mundial de carne bovina e pode ultrapassar os EUA também em produção total neste ano. Atualmente, 32% da carne bovina e 35% da carne suína produzidas no Brasil são exportadas, com destaque para China, México, Canadá e Filipinas.

No setor têxtil, o Brasil triplicou sua produção de algodão desde 2010, tornando-se o maior exportador global. Produtores norte-americanos afirmam que a concorrência brasileira se baseia em preços mais competitivos e pressionam o governo dos EUA por apoio político e econômico.

Comércio global cada vez mais politizado

Durante o Brazil Commodities Forum, realizado em Genebra, especialistas alertaram que o cenário de tarifas e políticas protecionistas — impulsionado pelo lema “America First” — começa a reverter oportunidades antes abertas ao Brasil. Países como Japão, Reino Unido e nações do Sudeste Asiático voltaram a comprar mais produtos americanos, muitas vezes por razões políticas e não comerciais.

A demanda chinesa por commodities se estabilizou, enquanto o custo das terras agrícolas brasileiras segue alto. Mesmo com maior eficiência produtiva, o país enfrenta taxas de juros elevadas, o que encarece o crédito e limita novos investimentos.

Sustentabilidade e competitividade como novos pilares

Para a advogada Heloisa Slav, especialista em commodities e organizadora do fórum, o futuro do agro brasileiro dependerá de três fatores principais:

  1. Manter o baixo custo e a alta escala de produção;
  2. Comprovar sustentabilidade em mercados com padrões cada vez mais exigentes;
  3. Equilibrar relações comerciais com China e Estados Unidos, mesmo em um ambiente global instável.

As novas exigências da União Europeia e dos EUA, que incluem produção livre de desmatamento, rastreabilidade e baixo carbono, tornam a sustentabilidade um diferencial competitivo. Nesse contexto, o Brasil tem potencial para se consolidar como fornecedor preferencial, unindo eficiência econômica e responsabilidade ambiental.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Exportação

China vai remover 15 empresas dos EUA da lista de controle de exportações

A China anunciou que retirará 15 empresas norte-americanas de sua lista de controle de exportações, como parte do compromisso firmado nas recentes negociações econômicas e comerciais entre Pequim e Washington, realizadas em Kuala Lumpur. A medida passa a valer no dia 10 de novembro, conforme informou nesta quarta-feira um porta-voz do Ministério do Comércio chinês.

De acordo com o governo chinês, essas companhias haviam sido incluídas na lista em março de 2025, por meio do Anúncio nº 13, que impedia a exportação de tecnologias e materiais de uso duplo – aplicáveis tanto para fins civis quanto militares. Entre as empresas afetadas estão Leidos, Gibbs & Cox, IP Video Market Info, Sourcemap, Skydio, Rapid Flight, Red Six Solutions, Shield AI, HavocAI, Neros Technologies, Group W, Aerkomm, General Atomics Aeronautical Systems, General Dynamics Land Systems e AeroVironment.

Outras restrições seguem suspensas por mais um ano

O comunicado também informou que as sanções aplicadas a outras 16 empresas dos Estados Unidos, incluídas em abril pelo Anúncio nº 21, permanecerão suspensas por mais um ano. Exportadores que desejarem retomar transações comerciais com as companhias liberadas deverão solicitar licença específica ao Ministério do Comércio da China, que analisará cada caso.

Pequim busca estabilidade nas relações bilaterais

Em nota adicional, o ministério confirmou que serão parcialmente canceladas as sanções contra empresas americanas listadas como “entidades não confiáveis”. As restrições de abril continuarão suspensas, enquanto as de março serão encerradas definitivamente.

Segundo o governo chinês, as decisões reforçam o compromisso de cumprir os acordos firmados com os EUA e de promover um ambiente de negócios mais previsível e estável entre as duas maiores economias do mundo.

FONTE: Jornal de Brasília
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/X

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Comércio Internacional

PEIEX fortalece micro e pequenas empresas paulistas no comércio internacional

O Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte participou do lançamento de um novo núcleo do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) nas regiões do ABC Paulista e Baixada Santista, uma iniciativa da ApexBrasil em parceria com o Sebrae-SP e a Faculdade Sebrae.

Capacitação e competitividade para pequenas empresas

O programa tem como objetivo capacitar centenas de micro, pequenas e médias empresas paulistas, preparando-as para atuar no comércio internacional. A iniciativa busca ampliar a competitividade, gerar empregos e fortalecer o empreendedorismo local.

Governo federal apoia expansão internacional de negócios

Com o suporte da ApexBrasil, o PEIEX é uma ação estratégica do Governo Federal para incentivar a inovação, abrir novos mercados e levar o talento e a força das pequenas empresas brasileiras para o exterior.

O ministério reforça o compromisso de criar oportunidades e fortalecer os negócios que impulsionam o crescimento econômico do país.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MDIC e MEMP

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Comércio

Tarifa de 50% sobre café brasileiro pressiona torrefadores dos EUA e eleva preços ao consumidor

Os torrefadores norte-americanos estão consumindo seus estoques de café à espera de uma definição nas negociações comerciais entre EUA e Brasil, que podem determinar se o setor precisará pagar ainda mais por grãos de outras origens.

O café brasileiro, responsável por cerca de um terço do consumo nos Estados Unidos, praticamente desapareceu do mercado americano desde agosto, após o governo de Donald Trump impor uma tarifa de 50% sobre as importações. A medida, que mistura política e comércio, foi interpretada como retaliação ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, após críticas envolvendo o tratamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF.

Impactos da tarifa: preços altos e estoques em queda

O imposto de importação gerou grandes prejuízos para um setor que movimenta cerca de US$ 340 bilhões por ano nos EUA. Importadores enfrentam dificuldades para liberar cargas brasileiras retidas, torrefadores pagam multas por cancelamento de contratos e consumidores já chegam a pagar até 40% mais caro pelo café.

A expectativa é que os estoques norte-americanos atinjam níveis críticos em dezembro, pressionando torrefadores e redes varejistas a buscarem alternativas para manter suas margens de lucro.

Estratégias logísticas: redirecionamento para o Canadá

Algumas empresas adotaram soluções logísticas para minimizar perdas. A importadora Lucatelli Coffee, por exemplo, recebeu US$ 720 mil em café brasileiro após a entrada em vigor da tarifa, armazenando parte em depósitos alfandegados na Flórida para postergar o pagamento do imposto.

Para evitar a taxa de 50%, parte do café tem sido redirecionada para o Canadá, aumentando o custo de transporte, mas evitando perdas maiores.

“O problema não é comércio, é política — é pessoal entre Trump e Lula”, afirmou Steven Walter Thomas, proprietário da Lucatelli Coffee.

Cancelamentos e substituições elevam custos

Diante do cenário indefinido, várias torrefadoras norte-americanas optaram por cancelar pedidos de café brasileiro, pagando taxas de US$ 20 a US$ 25 por saca de 60 kg (aproximadamente US$ 515 sem tarifas).

A Downeast Coffee Roasters, em Rhode Island, cancelou parte dos contratos e busca alternativas mais caras, como cafés colombianos, mexicanos e centro-americanos, cujos preços subiram até 10% desde o anúncio das tarifas, enquanto o café brasileiro caiu cerca de 5%.

“Temos estoques, mas eles estão se esgotando rapidamente”, alertou Michael Kapos, executivo da Downeast Coffee Roasters.

Alta do café contribui para inflação nos EUA

A tarifa também impacta diretamente o consumidor. Segundo o Bureau of Labor Statistics, o preço médio do café torrado e moído nos supermercados norte-americanos subiu 41% em setembro na comparação anual, alcançando US$ 9,14 por libra-peso.

A combinação de tarifas e escassez global por fatores climáticos tem pressionado a inflação de alimentos nos Estados Unidos.

“Costumava pagar US$ 6 ou US$ 7, agora está US$ 11 — e o pacote parece menor”, comentou Yasmin Vazquez, consumidora de Nova Jersey.

Estoques em níveis críticos e expectativa por acordo

Atualmente, os estoques de café nos EUA estão em 4 milhões de sacas, podendo cair para 2,5 a 3 milhões até dezembro, próximo do limite mínimo de segurança, considerando que o país consome cerca de 25 milhões de sacas por ano, das quais 8 milhões vêm do Brasil.

Enquanto isso, o presidente Lula se mostrou otimista com a possibilidade de um acordo comercial em breve, enquanto Trump afirmou: “Não sei se algo vai acontecer, mas vamos ver”. Até lá, os consumidores americanos devem continuar pagando caro pelo café diário.

FONTE: Portal do Agronegócio
TEXTO: Redação
IMAGEM: José Fernando Ogura

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