Comércio Internacional

EUA iniciam diálogo com empresas afetadas por tarifas contra o Brasil

O governo dos Estados Unidos deu um novo passo nas negociações sobre as tarifas impostas ao Brasil pelo presidente Donald Trump e iniciou uma série de reuniões com empresas americanas afetadas pelas sobretaxas. As taxas, que chegam a 40%, foram aplicadas com base em motivações políticas, entre elas o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com fontes ligadas ao governo americano, o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) determinou que todas as empresas interessadas sejam ouvidas diretamente pelo órgão e pelo Departamento de Estado. A medida foi tomada após o encontro entre o chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado americano Marco Rubio, realizado há duas semanas. A reunião foi vista por ambas as partes como o início efetivo das negociações tarifárias entre Brasil e EUA.

Reuniões indicam avanço nas tratativas

Segundo membros da comitiva americana, o clima após o diálogo entre Lula e Trump, ocorrido na Malásia, foi positivo, com sinais de boa disposição para um acordo comercial.

O USTR já havia conduzido audiências com empresas dentro de uma investigação baseada na Seção 301, legislação americana de 1974 que permite a aplicação de medidas tarifárias e não tarifárias contra países considerados prejudiciais ao comércio dos EUA — como China e União Europeia, que já foram alvos anteriormente.

Desta vez, porém, o processo de escuta não estaria formalmente vinculado à Seção 301. O objetivo seria identificar as demandas das empresas americanas e incorporá-las às negociações com o Brasil, sinalizando uma intenção real de avançar nas discussões sobre as tarifas.

USTR assume protagonismo técnico nas negociações

Para o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, sócio do escritório Barral Parente Pinheiro Advogados, o movimento do USTR demonstra uma abertura para diálogo técnico. “O USTR está se reunindo com as empresas que pediram para falar sobre o Brasil, para ver se elas têm elementos para colocar na mesa de negociações”, afirmou.

O superintendente de relações internacionais da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Federico Lamego, avalia que o protagonismo do USTR é um sinal positivo. “Estamos com grande expectativa de que haja um bom desfecho, com possibilidade de suspensão temporária das tarifas de 50%. O fato de o USTR liderar as negociações indica que o processo tende a seguir um caminho técnico”, declarou.

A CNI defende ainda que o acordo com os EUA seja mais abrangente, indo além da questão tarifária. A entidade propõe incluir compromissos de investimentos de empresas brasileiras nos EUA, compras governamentais e parcerias estratégicas em áreas como minerais críticos, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e data centers. Um documento com essas sugestões está sendo preparado para ser entregue ao governo americano.

Setores brasileiros buscam espaço nas negociações

Enquanto isso, setores diretamente afetados pelas tarifas também se movimentam. O Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) informou que busca incluir o café na solicitação de suspensão das tarifas por 90 dias. Caso a medida não avance, o setor pretende garantir que o produto entre na lista de isenções assinada por Trump em 5 de setembro.

A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) destacou, em nota, que as negociações são fundamentais para preservar a competitividade da carne brasileira e garantir previsibilidade aos exportadores.

“O encontro entre Lula e Trump reforça a importância do diálogo para o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e demonstra a disposição de ambos os governos em avançar nas discussões sobre as tarifas atualmente em vigor”, afirmou a entidade.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Brendan SMIALOWSKI/AFP

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Comércio

Mercosul fará notificações conjuntas à OMC para agilizar harmonização regulatória

Os países do Mercosul chegaram a um acordo técnico inédito para enviar notificações conjuntas à Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre projetos e resoluções do Subgrupo de Trabalho 8 (SGT-8), responsável por temas de agricultura. A iniciativa marca um avanço no processo regulatório do bloco, ao permitir que as propostas sejam submetidas à consulta pública internacional antes de sua aprovação definitiva.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), coordenou as negociações e atuará como ponto focal das notificações à OMC.

Cooperação entre países do Mercosul

Com o novo modelo, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai passarão a comunicar, de forma coordenada e transparente, os demais membros da OMC sobre regulamentos em elaboração dentro do bloco. O procedimento aumenta a previsibilidade, permite colaborações técnicas externas e contribui para reduzir retrabalho e acelerar prazos de implementação das normas regionais.

A medida abrange áreas estratégicas como saúde animal, sanidade vegetal e vitivinicultura, setores em que a harmonização regulatória é essencial para o acesso ao mercado regional e para a competitividade internacional.

Ao consolidar uma única notificação por regulamento, o Mercosul cria um canal unificado para receber comentários e sugestões internacionais, favorecendo a avaliação de impactos e o alinhamento com boas práticas multilaterais.

Próximos passos do acordo

O texto segue agora para análise política no Grupo Mercado Comum (GMC). Se aprovado, a resolução entrará em vigor imediatamente, e a SCRI/Mapa dará início ao fluxo operacional das notificações — definindo cronogramas, recepção de comentários e encaminhamentos técnicos junto aos órgãos competentes dos quatro países.

O que muda na prática

  • Canal único de transparência: um expediente conjunto do Mercosul por regulamento, substituindo notificações individuais por país;
  • Consulta internacional prévia: regulamentos em elaboração serão submetidos a comentários de outros membros da OMC antes da adoção final;
  • Previsibilidade regulatória: etapas e prazos mais claros para harmonização no âmbito do SGT-8;
  • Coordenação estruturada: enquanto o Brasil estiver na Presidência Pro Tempore, a SCRI/Mapa centralizará o envio e acompanhamento das notificações em articulação com as contrapartes nacionais e regionais.

Modernização regulatória no bloco

A proposta representa uma modernização dos marcos regulatórios do Mercosul, reforçando a integração entre os setores público e privado no processo de formulação de normas agropecuárias. O objetivo é garantir maior transparência, base técnica e alinhamento às práticas multilaterais, fortalecendo a credibilidade internacional do bloco.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcos Oliveira/Agência Senado

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Comércio Exterior

Empresários brasileiros esperam redução de taxas após encontro de Lula e Trump

O empresariado brasileiro mantém expectativas cautelosas em relação aos desdobramentos do encontro entre o presidente Lula (PT) e Donald Trump, realizado no último domingo (26) na Malásia. O foco principal está nas possíveis alterações nas sobretaxas americanas sobre produtos brasileiros, aponta análise de Victor Irajá no Bastidores CNN.

Revisão de sobretaxas e exceções

Entre as medidas discutidas, estão a reavaliação da sobretaxa de 50% e a possível inclusão de novos produtos brasileiros na lista de exceções, que atualmente conta com cerca de 700 itens. “Essa é uma expectativa positiva, mas ainda cautelosa, dos empresários”, afirmou Irajá.

Antes do encontro, o Brasil enfrentava dificuldades até mesmo para manter contato com representantes do segundo escalão do governo americano. A mudança no cenário foi impulsionada pela pressão conjunta de setores empresariais brasileiros e americanos, que buscavam abertura para negociações.

Pressões internas nos Estados Unidos

O presidente Donald Trump enfrenta crescente pressão interna devido ao aumento dos preços ao consumidor. O café registrou alta de 21% em agosto, em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto as carnes tiveram variações entre 13% e 18,4%.

O setor manufatureiro norte-americano também demonstra preocupação com o impacto das sobretaxas. José Velloso, presidente executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), destaca que diversos produtos industriais brasileiros são essenciais para as cadeias produtivas dos EUA, tanto no agronegócio quanto na indústria em geral.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Comércio Internacional

Ministro Carlos Fávaro garante avanços históricos para a agropecuária brasileira no Sudeste Asiático

A missão oficial do governo brasileiro à Indonésia e à Malásia, realizada entre 23 e 28 de outubro, trouxe resultados estratégicos para a agropecuária brasileira. Liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a participação do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, a agenda reforçou a presença do Brasil no mercado internacional, com a abertura de seis novos mercados, revisão de protocolos sanitários, retomada de exportações e assinatura de acordos de cooperação técnica e científica.
Desde o início do atual governo, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) já contabiliza 466 mercados abertos, consolidando o protagonismo brasileiro na diplomacia agropecuária.

“Encerramos mais uma missão governamental com excelentes resultados. Trabalhamos para abrir mercados, fortalecer laços diplomáticos e garantir oportunidades para os produtores brasileiros. Assim seguimos, com o presidente Lula, ampliando a presença do agro do Brasil no mundo”, afirmou Fávaro.

Novos mercados e produtos brasileiros

Na primeira reunião bilateral dedicada ao setor agropecuário, em Kuala Lumpur, o Brasil conseguiu abrir seis novos mercados para exportação de:

  • Pescados extrativos e de cultivo
  • Gergelim
  • Ovo em pó
  • Melões do Ceará e do Rio Grande do Norte
  • Maçãs do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina

Além disso, houve a retomada do comércio de carne de frango com a Malásia, com atualização do protocolo sanitário, que reduziu de 12 para 3 meses o período de suspensão em casos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade. A antecipação da auditoria para habilitação de novos frigoríficos de carne suína também foi confirmada, abrindo caminho para novos negócios.

Cooperação científica e tecnológica

O Mapa, junto à Embrapa e ao Instituto de Pesquisa Agrícola da Malásia (MARDI), assinou acordo de cooperação técnica para desenvolvimento de projetos em biotecnologia e nanotecnologia. O documento ainda prevê intercâmbio técnico nas cadeias de sorgo, soja, milho e coco, reforçando a cooperação científica entre os países.

Avanços na União Europeia e Indonésia

Durante a missão, o Brasil também obteve a retomada do pré-listing para exportações de carne de frango à União Europeia, suspenso desde 2018. Esse mecanismo permite que frigoríficos cumprindo normas europeias exportem sem auditorias individuais, representando avanço significativo para o setor avícola.

“Essa retomada representa uma excelente oportunidade para os criadores e para a agroindústria de frango do Brasil, que seguem demonstrando ao mundo a qualidade e a responsabilidade sanitária da produção nacional”, destacou Fávaro.

Na Indonésia, o país avançou nas negociações para ampliar o mercado de carne bovina, com nova auditoria prevista ainda este ano para habilitação de plantas exportadoras. A Indonésia é o quarto maior mercado agropecuário do mundo, com grande potencial de crescimento nos negócios.

Também foi firmado acordo de cooperação com a autoridade quarentenária da Indonésia, estabelecendo equivalência sanitária, fitossanitária e certificação eletrônica, reforçando a segurança técnica e a confiança mútua entre os países.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Caroline De Vita/Mapa

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Exportação

Brasil busca ampliar número de frigoríficos habilitados para exportar carne à Indonésia

O Brasil está em movimento para fortalecer sua presença no mercado asiático e ampliar a lista de frigoríficos autorizados a exportar carne bovina para a Indonésia. Uma missão com mais de 30 empresários brasileiros do setor está em Jacarta, capital do país, para negociar a habilitação de 40 novas plantas frigoríficas, o que pode dobrar o número atual de unidades aptas a vender para o mercado indonésio.

Expansão do mercado e aumento nas exportações

Atualmente, 38 frigoríficos brasileiros estão habilitados a exportar para a Indonésia, todos certificados dentro dos padrões halal, conforme a lei islâmica. O número representa um avanço expressivo desde 2019, quando apenas 11 plantas tinham autorização.

As exportações de carne bovina também refletem esse crescimento. Entre janeiro e setembro de 2025, o Brasil enviou 16,7 mil toneladas ao país asiático, superando o total dos dois anos anteriores somados. O volume rendeu mais de US$ 76 milhões em negócios e consolidou o Brasil como o terceiro maior fornecedor da Indonésia, atrás apenas de Austrália e Índia.

Novas oportunidades comerciais e produtos com maior valor agregado

A recente abertura do mercado indonésio para carne com osso, miúdos e produtos industrializados amplia as perspectivas de exportação. Uma nova missão técnica deve ser enviada ainda em 2025 para auditoria e validação das plantas frigoríficas, acelerando o processo de habilitação.

A Indonésia, maior nação muçulmana do mundo com 270 milhões de habitantes, é vista pelo setor como um parceiro estratégico. O aumento da renda e do consumo de proteína animal no país impulsiona a demanda por carnes premium e processadas, segmento em que o Brasil busca se consolidar.

No entanto, o setor ainda enfrenta barreiras, como a tarifa de 30% sobre produtos industrializados, tripas e derivados bovinos — percentual que os empresários esperam ver reduzido em futuras negociações. Para carnes sem osso, com osso e miúdos, a taxa é de 5%.

Investimentos e parcerias estratégicas

Além das exportações, a Indonésia representa novas oportunidades de investimento. A JBS firmou um Memorando de Entendimento (MoU) com o fundo Danantara Indonesia, com o objetivo de criar uma plataforma local de produção sustentável de alimentos, voltada principalmente para proteínas. A iniciativa pretende transformar o país em um polo regional de referência global no setor alimentício.

Acordos bilaterais e cooperação internacional

Durante encontro oficial entre Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente indonésio Prabowo Subianto, foram assinados memorandos de entendimento voltados à cooperação em medidas sanitárias, fitossanitárias e certificação agrícola.

No Fórum Empresarial Brasil–Indonésia, Lula destacou o interesse em construir uma parceria equilibrada e duradoura.

“O Brasil não quer apenas vender para a Indonésia. Apostamos em uma parceria mutuamente benéfica. Como dois dos maiores produtores de bioenergia do mundo, podemos juntos criar um mercado global de biocombustíveis”, afirmou o presidente.

Com o cenário favorável e o interesse mútuo em ampliar as relações comerciais, o Brasil reforça sua posição como fornecedor estratégico de carne bovina e parceiro de longo prazo no mercado do sudeste asiático.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Economia

Fórum destaca papel importante das economias da Ásia Central na construção do futuro do comércio

Um fórum de alto nível organizado pelo Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB) nos dias 22 e 23 de outubro, em parceria com a Secretaria da OMC, destacou como o comércio internacional pode apoiar as economias da Ásia Central e os países vizinhos, impulsionando o crescimento econômico e promovendo a integração regional. Autoridades governamentais seniores – incluindo negociadores-chefes envolvidos nas negociações de adesão à OMC – participaram do evento, realizado na OMC, no âmbito do Programa de Cooperação Econômica Regional da Ásia Central (CAREC).

Os participantes também discutiram a contribuição da região para o sistema multilateral de comércio e as discussões em curso na OMC sobre a reforma da instituição.

Ao abrir o evento, a Diretora-Geral Ngozi Okonjo-Iweala afirmou que a região CAREC possui grande potencial para desempenhar um papel importante na agenda de re-globalização, destacando sua “localização estrategicamente importante entre grandes centros econômicos da Europa e Ásia, seu considerável potencial para integração econômica regional e suas abundantes reservas de minerais críticos e potencial de energia verde.”

“Reduzir os custos de comércio, simplificar procedimentos nas fronteiras e eliminar a burocracia na região – por exemplo, por meio da implementação do Acordo de Facilitação de Comércio da OMC – ajudaria a atrair mais investimentos, incentivar o comércio e apoiar o crescimento e a geração de empregos”, observou.

A DG Okonjo-Iweala também destacou a importância da conectividade digital para que as economias da Ásia Central superem as limitações geográficas, especialmente considerando que a maioria é de países sem litoral. “A IA e a transformação digital só aumentarão o potencial da região de se tornar um hub comercial para economias ligadas à terra. O recente Relatório sobre Comércio Mundial da OMC aponta medidas que os países CAREC e seus parceiros podem adotar internamente para aproveitar ao máximo a IA como motor do comércio e do crescimento inclusivo”, disse.

Reforçando as observações da DG, Bruce Gosper, Vice-Presidente de Administração e Gestão Corporativa do ADB, afirmou: “O sistema multilateral de comércio e a integração regional não são alternativas; eles são ferramentas mutuamente reforçadoras para a prosperidade. Iniciativas regionais como o Programa CAREC podem ajudar a manter o ímpeto de um sistema de comércio aberto baseado em regras. Ao reduzir barreiras comerciais, físicas e não físicas, podemos expandir nossos mercados, diversificar nossas economias e aumentar a resiliência a choques globais.”

Gosper também destacou que as adesões de Azerbaijão, Turcomenistão e Uzbequistão à OMC são prioridades no âmbito da Agenda Integrada de Comércio CAREC 2030, que o ADB apoia por meio de assessoria técnica, diálogo político regional e oportunidades de aprendizado entre pares. Ele ainda mencionou que as prioridades para a cooperação regional incluem adesão à OMC, facilitação de comércio, conectividade digital, ações climáticas no comércio e promoção de serviços para diversificação econômica.

O Programa CAREC é uma parceria aberta e inclusiva de 11 membros da Ásia Central, Cáucaso do Sul, Leste Asiático e Sul da Ásia, apoiada por parceiros de desenvolvimento. O Banco Asiático de Desenvolvimento atua como Secretaria do Programa CAREC.

FONTE: World Trade Organization
IMAGEM: Reprodução/World Trade Organization

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Internacional

Lula defende comércio sem dependência do dólar durante visita à Indonésia

Durante visita oficial à Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a redução da dependência do dólar nas relações comerciais internacionais. Em discurso nesta quinta-feira (23), o petista destacou a importância de utilizar moedas locais nas transações bilaterais e criticou o protecionismo econômico.

Indonésia e Brasil não querem uma nova Guerra Fria. Queremos comércio livre. E mais: tanto a Indonésia quanto o Brasil têm interesse em discutir a possibilidade de comercializar usando nossas próprias moedas. Essa é uma mudança necessária”, afirmou Lula em coletiva à imprensa.

Lula prega multilateralismo e menos dependência internacional

O presidente ressaltou que o século 21 exige coragem política e novas formas de atuação econômica para reduzir a dependência de grandes potências. Segundo ele, a meta é fortalecer o multilateralismo e promover uma “democracia comercial” baseada em cooperação e equilíbrio.

“Precisamos mudar nossa forma de agir comercialmente para não ficarmos dependentes de ninguém. Queremos multilateralismo, não unilateralismo. Queremos democracia comercial, não protecionismo”, disse o chefe do Executivo brasileiro.

A defesa de Lula vai na contramão da posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem criticado abertamente iniciativas de países do Brics e de outras nações emergentes para diminuir o uso do dólar no comércio global.

Acordos e fortalecimento da relação Brasil–Indonésia

Durante a agenda oficial, Lula se reuniu com o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, no Palácio Merdeka, onde ambos assinaram acordos nas áreas de agricultura, energia e mineração, ciência e tecnologia e comércio.

Atualmente, o fluxo comercial entre os dois países gira em torno de US$ 6 bilhões, valor considerado baixo por Lula. “É pouco para a Indonésia, é pouco para o Brasil. Nossos povos merecem um esforço maior para garantir que esse comércio cresça de acordo com o aumento da nossa população”, afirmou o presidente.

Possível encontro entre Lula e Trump na Ásia

A viagem de Lula ao continente asiático pode incluir uma reunião com Donald Trump, prevista para ocorrer no domingo, na Malásia, durante a Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Os dois líderes conversaram por telefone no início do mês e demonstraram interesse em um encontro presencial.

O diálogo deve servir para reduzir tensões diplomáticas e discutir a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, um dos principais pontos de atrito entre os dois países.

FONTE: Metrópoles
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert / PR

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Comércio Exterior

Rússia legaliza uso de criptomoedas em comércio internacional e desafia sanções ocidentais

A Rússia deu um passo estratégico na corrida tecnológica e econômica global ao legalizar o uso de criptomoedas em transações internacionais. A medida cria um sistema alternativo para driblar as sanções ocidentais e garantir maior autonomia no comércio com países parceiros, como China, Índia e Turquia.
De acordo com o governo russo, o objetivo é fortalecer o comércio exterior sem comprometer a estabilidade do rublo, mantendo um controle rigoroso sobre riscos financeiros.

Criptomoedas liberadas para transações internacionais

O Ministério da Fazenda e o Banco Central da Rússia oficializaram a utilização de criptoativos em negociações externas, consolidando o regime experimental iniciado em setembro. Esse modelo já vinha sendo testado em operações limitadas de comércio exterior.
O ministro da Fazenda, Anton Siluanov, destacou que, embora a decisão alivie o impacto das sanções, o foco principal do governo continua sendo a segurança do sistema financeiro:

“Embora o objetivo estratégico seja aliviar as sanções, nosso foco principal continua sendo o controle dos riscos financeiros inerentes às criptomoedas”, afirmou Siluanov.
Mesmo com a liberação para o comércio internacional, o uso de criptomoedas dentro do território russo permanece proibido, garantindo a preservação da moeda nacional.

Supervisão e segurança reforçadas

Para evitar lavagem de dinheiro e riscos cambiais, o novo sistema russo impõe regras rigorosas de monitoramento e fiscalização. Todas as transações deverão passar por infraestrutura regulada e supervisionada pelo Banco Central e pelo Federal Financial Monitoring Service.
Entre as exigências do governo estão:

  • Conformidade com os padrões internacionais de AML (Anti-Money Laundering) e KYC (Know Your Customer);
  • Controle de todas as operações em ambiente regulado;
  • Manutenção das restrições sobre transações domésticas com criptoativos.
    Essas medidas buscam equilibrar inovação financeira e proteção da economia interna, evitando instabilidades no câmbio e no sistema bancário.

Impactos e perspectivas globais

Com a legalização das criptomoedas para pagamentos internacionais, Moscou cria uma rota alternativa aos sistemas bancários tradicionais, como o SWIFT, do qual foi excluída por sanções. Assim, empresas russas poderão realizar pagamentos internacionais com mais agilidade e menor interferência política.
A decisão também fortalece os laços comerciais com nações não alinhadas ao Ocidente, abrindo espaço para negociações bilaterais mais flexíveis e seguras. No entanto, especialistas alertam que o modelo exige fiscalização constante para evitar abusos e riscos de volatilidade.
Em um cenário de crescente pressão econômica, a Rússia transforma a criptoeconomia em ferramenta de soberania e resistência geopolítica, sinalizando uma nova era no uso estratégico das moedas digitais no comércio global.

FONTE: Bit Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Bit Notícias

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Comércio Internacional

Crise no comércio internacional: Guterres alerta para risco de colapso nas regras globais

Comércio global sob ameaça

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou nesta quarta-feira (23), em Genebra, que o sistema de comércio internacional enfrenta o risco de “descarrilar” diante do aumento dos conflitos comerciais e das crescentes tensões econômicas entre grandes potências.

Durante a 16ª Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (CNUCED), Guterres destacou que as atuais dinâmicas geopolíticas e econômicas ameaçam as bases de um comércio global baseado em regras.


Dívida global e falta de segurança financeira

O dirigente das Nações Unidas também demonstrou preocupação com a expansão da dívida mundial e a ausência de redes de segurança financeira eficazes para apoiar os países em desenvolvimento.

“A dívida global explodiu, a pobreza e a fome persistem. A arquitetura financeira internacional não oferece uma rede de proteção adequada aos países em desenvolvimento”, afirmou Guterres.

Ele ressaltou que a combinação entre endividamento crescente, redução da ajuda internacional e instabilidade econômica amplia a vulnerabilidade das nações mais frágeis.


Tensões comerciais e tarifas elevadas

O secretário-geral citou ainda as incertezas provocadas pelas tarifas impostas durante o governo de Donald Trump, que reacenderam disputas comerciais e aumentaram barreiras entre países.

Segundo Guterres, algumas das nações menos desenvolvidas enfrentam tarifas de até 40%, mesmo representando menos de 1% do comércio mundial. Esse cenário, alertou, prejudica a integração global e intensifica desigualdades.


Prioridades para enfrentar a crise

Para reverter o quadro, Guterres defendeu uma ação coordenada em quatro frentes:

  1. Comércio e investimento justos, que garantam oportunidades equilibradas;
  2. Financiamento sustentável para países em desenvolvimento;
  3. Inovação tecnológica voltada à recuperação econômica;
  4. Alinhamento das políticas comerciais aos objetivos climáticos.

“Investimos mais na morte do que na prosperidade”

O chefe da ONU fez ainda uma crítica ao desequilíbrio entre gastos militares e investimentos sociais:

“Estamos investindo cada vez mais na morte, em vez de na prosperidade das populações.”

Guterres concluiu destacando que as divisões geopolíticas, a crise climática e os conflitos prolongados continuam a impactar a economia global, exigindo cooperação internacional urgente.

FONTE: Com informações da ONU e agências internacionais.
TEXTO: Redação

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Comércio, Tecnologia

Malásia realiza primeira visita oficial a Santa Catarina para ampliar comércio, tecnologia e educação

Santa Catarina recebeu, nesta terça-feira (21), a primeira visita oficial do cônsul de Comércio da Malásia no Brasil, Amirul Azman Ahmad, acompanhado de sua equipe diplomática. A comitiva foi recepcionada pelo secretário adjunto de Articulação Internacional e Projetos Estratégicos, Emerson Pereira, na sede da Secretaria de Articulação Internacional (SAI), em Florianópolis. Participaram também Renato Lacerda, presidente da InvestSC, e a secretária adjunta de Educação, Kênia Scarduelli, com equipe técnica.

A visita marca o primeiro contato formal da Malásia com o estado desde a instalação da embaixada brasileira em Kuala Lumpur, em 1995, reforçando o esforço do governador Jorginho Mello de diversificar mercados e estreitar relações com países do Sudeste Asiático, região com mais de 680 milhões de consumidores e crescente peso econômico global.

Parcerias estratégicas e oportunidades bilaterais

Segundo o secretário adjunto da SAI, Emerson Pereira, a presença do cônsul destaca o potencial catarinense para atrair investimentos e construir parcerias internacionais focadas em inovação e sustentabilidade.

“O governador Jorginho Mello tem orientado a abertura de Santa Catarina para o mundo, buscando resultados concretos em comércio, tecnologia e educação. A Malásia é um parceiro estratégico da ASEAN, com tradição industrial robusta. Identificamos oportunidades em semicondutores, automação, energia limpa e indústria de proteínas”, afirmou Emerson.

O cônsul Amirul Azman Ahmad reforçou o interesse da Malásia em aproximar-se do Brasil, destacando Santa Catarina como polo industrial e tecnológico. “A ASEAN será a quarta maior economia do mundo até 2030, e a Malásia, como presidente do bloco neste ano, busca fortalecer relações com estados dinâmicos como Santa Catarina. Estamos interessados em joint ventures e intercâmbios tecnológicos, conectando nossa expertise em semicondutores à inovação catarinense”, disse.

Além disso, o cônsul destacou o potencial de cooperação no setor Halal, observando que Santa Catarina já possui destaque global na exportação de proteínas e pode se tornar parceira-chave na produção de alimentos certificados para o mercado muçulmano.

Educação técnica e intercâmbio internacional

A secretária adjunta de Educação, Kênia Scarduelli, ressaltou a importância da visita para ampliar oportunidades acadêmicas e de capacitação profissional.

“Receber a Malásia é uma oportunidade única para discutir intercâmbios e projetos educacionais conjuntos. Santa Catarina tem investido fortemente em educação técnica e profissional, e essa parceria poderá trazer novas práticas de ensino, especialmente nas áreas de tecnologia”, afirmou Kênia.

Agenda e continuidade da missão

A programação do cônsul incluiu reuniões empresariais e visitas a empresas de referência, como WEG, em Jaraguá do Sul, e Eletrobras CGT Eletrosul, em Florianópolis. A comitiva também se reuniu com entidades como FIESC, FACISC, FECOMÉRCIO e ACIF, para apresentar oportunidades de comércio e investimentos bilaterais.

Com a visita, Santa Catarina reforça seu papel como porta de entrada do Brasil para a Ásia, fortalecendo políticas de internacionalização, inovação e geração de negócios lideradas pelo governo estadual.

FONTE: Agência de Notícias SECOM
TEXTO: Redação
IMAGEM: Roberto Zacarias/Secom GOVSC

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