Exportação

Exportações de livros brasileiros crescem 7% no primeiro semestre de 2025 e já superam todo o ano de 2024

Editoras apoiadas pelo Brazilian Publishers movimentam mais de USD 14 milhões em negócios internacionais em 6 meses

A internacionalização da produção editorial brasileira segue em ritmo de crescimento. No primeiro semestre de 2025, editoras apoiadas pelo Brazilian Publishers — projeto da Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE) — movimentaram USD 14.367.900 em negócios nas principais feiras literárias do mundo. O valor representa um crescimento de 7% em relação ao ano todo de 2024, quando foram registrados cerca de USD 13 milhões.

Esse avanço foi impulsionado por resultados expressivos em eventos como a Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, que apresentou aumento consistente nas oportunidades de negócios para o setor. Ao longo do semestre, o programa também marcou presença na Feira do Livro de Londres, na Feira Internacional do Livro de Buenos Aires e na Feira Internacional do Livro de Bogotá. Essas participações fortaleceram a presença global das editoras brasileiras e ampliaram sua visibilidade no mercado externo.

Para Sevani Matos, presidente da CBL, os números refletem a consolidação da atuação internacional do setor. “Estamos colhendo os frutos de uma política contínua de incentivo à internacionalização. A presença qualificada das editoras brasileiras nos principais eventos do mundo confirma o valor e a diversidade da nossa produção”, afirma.

Segundo Rayanna Pereira, coordenadora do Brazilian Publishers, o semestre demonstra a força estratégica do programa. “As ações realizadas nas feiras têm impacto direto nas oportunidades comerciais e institucionais. O apoio do Brazilian Publishers tem sido fundamental para ampliar o alcance global dos nossos conteúdos”, destaca.

Próximas ações

No segundo semestre, o Brazilian Publishers dará continuidade à sua agenda internacional com presença confirmada na Feira do Livro de Frankfurt (15 a 19 de outubro), na Alemanha — considerada o maior evento global do setor editorial. A participação brasileira contará com estande próprio e uma programação voltada à promoção de direitos autorais, networking e fortalecimento de parcerias.

Outras ações confirmadas incluem a participação na 15ª Conferência de Editores de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, e na Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México, entre 29 de novembro e 7 de dezembro.

No Brasil, o programa promoverá uma Jornada Profissional com os editores internacionais finalistas da categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior do 67º Prêmio Jabuti. A iniciativa contará com rodadas de negócios, visitas técnicas e participação na cerimônia de premiação, promovendo a troca entre o mercado nacional e seus parceiros internacionais.

Sobre o Brazilian Publishers

Criado em 2008, o Brazilian Publishers é um projeto setorial de fomento às exportações de conteúdo editorial brasileiro. A iniciativa é resultado da parceria entre a CBL e a ApexBrasil, com apoio do MRE, e visa promover o setor de forma coordenada e estratégica no mercado internacional.

Interessados em integrar o programa podem entrar em contato com Ana Claudia Paiva pelo e-mail anaclaudia@cbl.org.br.

Sobre a CBL

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) é uma associação sem fins lucrativos que representa editores, livreiros, distribuidores e demais profissionais do setor. Há 77 anos, atua em diversas frentes sempre com o propósito de promover o acesso ao livro e a democratização da leitura em todo o país, além de divulgar a literatura brasileira no mercado internacional. Desde março de 2020, a CBL é a Agência Nacional do ISBN e, no mesmo período, lançou uma plataforma digital que reúne seus serviços de maneira integrada e dinâmica. Outra atuação forte da entidade está ligada a uma agenda de relacionamento com as mais diversas esferas públicas e governamentais para debater pautas e políticas importantes para o setor. Todas as ações da entidade são pensadas com um olhar estratégico e sensível de quem acredita no poder transformador dos livros para a sociedade.

Sobre a ApexBrasil

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil. A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.

Fonte: ApexBrasil

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Comércio Exterior

Brasil aciona OMC contra tarifaço dos Estados Unidos 

Itamaraty diz que EUA violam compromissos com a entidade

O governo brasileiro acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos contra produtos produzidos no Brasil. Na avaliação do Itamaraty, os EUA “violaram flagrantemente” compromissos assumidos com a própria OMC.

“Ao impor as citadas medidas, os EUA violam flagrantemente compromissos centrais assumidos por aquele país na OMC, como o princípio da nação mais favorecida e os tetos tarifários negociados no âmbito daquela organização”, informou, por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores.

O documento enviado à OMC é um pedido de consultas aos EUA, instrumento instituído com o propósito de viabilizar, às partes, uma solução negociada para a disputa antes do eventual estabelecimento de um painel.

Trata-se, portanto, de uma primeira etapa formal no âmbito do sistema de solução de controvérsias na OMC. 

Nesse documento, o governo brasileiro voltou a reiterar sua disposição para negociação. Ele espera que as consultas contribuam para uma solução para a questão. A data e o local das consultas deverão ser acordados entre as duas partes nas próximas semanas.

Trump

No mês passado, o presidente Donald Trump anunciou tarifas mais altas para produtos importados do Brasil como retaliação pelo processo de tentativa de golpe de Estado ao qual o ex-presidente Jair Bolsonaro responde na Justiça.

Na prática, as tarifas de 50% para vários produtos brasileiros inviabilizam a comercialização desses produtos com os Estados Unidos. 

Fonte: Agência Brasil

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Comércio

Balança comercial tem menor superávit para julho em três anos

Balança comercial tem menor superávit para julho em três anos

Pressionada pela queda no preço de diversas commodities (bens primários com cotação internacional) e pelo aumento das importações, a balança comercial registrou o superávit mais baixo para meses de julho em três anos. No mês passado, o país exportou US$ 7,075 bilhões a mais do que importou ─ uma queda de 6,3% em relação ao registrado no mesmo mês de 2024.

Os números foram divulgados nesta quarta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O superávit em julho é o menor desde 2022, quando o resultado positivo ficou em US$ 5,357 bilhões.

A balança comercial acumula superávit de US$ 36,982 bilhões nos sete primeiros meses de 2025. O valor representa queda de 24,7% em relação aos mesmos meses do ano passado e é o pior para o período desde 2020, quando houve superávit de US$ 29,896 bilhões.

Parte do recuo no valor acumulado ocorreu porque a balança comercial teve déficit de US$ 471,6 milhões em fevereiro, motivado pela importação de uma plataforma de petróleo.

Comércio exterior recorde

Tanto as exportações como as importações bateram recorde no mês passado, mas as compras do exterior cresceram ainda mais. Em julho, o país exportou US$ 32,310 bilhões, alta de 4,8% em relação ao registrado no mesmo mês do ano passado. As importações somaram US$ 25,236 bilhões, alta de 8,4% na mesma comparação.

Ao analisar a quantidade exportada e os preços médios, o volume de mercadorias exportadas subiu 7,2%. Os preços, no entanto, recuaram 2,1%, em média, na comparação com o mesmo mês do ano passado, refletindo a queda no valor das commodities (bens primários com cotação internacional). Nas importações, a quantidade comprada subiu 7,9%, impulsionada pelo crescimento econômico, mas os preços médios recuaram 0,2%.

Setores

No setor agropecuário, a queda na quantidade vendida pesou mais para o leve crescimento de 0,3% nas exportações do segmento. O volume de mercadorias embarcadas caiu 2% em julho, na comparação com o mesmo mês de 2024, enquanto o preço médio subiu 3,3%.

Na indústria de transformação, a quantidade subiu 10,3%, com o preço médio caindo 1,6%, o que refletiu uma certa recuperação econômica na Argentina, o maior comprador de bens industrializados do Brasil.

Na indústria extrativa, que engloba a exportação de minérios e de petróleo, a quantidade exportada subiu 13,1%, enquanto os preços médios recuaram 8,1%, fruto da desaceleração econômica na China e do acirramento da guerra comercial por parte do governo de Donald Trump.

Produtos

Do lado das exportações, as de soja, principal produto da agropecuária, cresceram 1,2% em relação a julho do ano passado, por causa da concentração de embarques que fez o volume vendido subir 9%. Os preços médios, no entanto, recuaram 7,1%.

A alta do preço do café continuou a segurar o crescimento das exportações agrícolas. O valor exportado crescer 25,4% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Apesar da queda de 20,4% no volume embarcado, os preços médios subiram 57,5% no mesmo período.

Segundo produto de exportação do agronegócio, o milho teve desempenho negativo. Por causa do fim da safra, as exportações caíram 27,2% em relação a julho do ano passado. O preço médio subiu 6,3%, mas o volume embarcado recuou 31,5%.

Na indústria extrativa, as vendas de petróleo subiram 8,1%, após meses de queda. Isso ocorreu porque o volume vendido subiu 17,6%, compensando a queda de 8% na cotação do barril. As exportações de minério de ferro recuaram 8,8%. Apesar de a quantidade ter subido 4,7%, os preços caíram 12,9%.

Do lado das importações, as aquisições de motores e máquinas não elétricos; adubos e fertilizantes; e combustíveis puxaram o crescimento. A maior alta ocorreu com os motores, cujo valor comprado aumentou US$ 325,2 milhões (+43,9%) em julho na comparação com julho do ano passado.

Estimativa

Segundo as estimativas mais recentes do Mdic, divulgadas em abril, o superávit deverá ficar em US$ 50,4 bilhões, queda de 32% em relação a 2024. A próxima projeção será divulgada em outubro. As estimativas serão revistas, porque não consideram a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros nos Estados Unidos.

As previsões estão mais pessimistas que as do mercado financeiro. O boletim Focus, pesquisa com analistas de mercado divulgada toda semana pelo Banco Central, projeta superávit de US$ 65,25 bilhões neste ano.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

Tarifaço: Especialistas apontam saídas jurídicas que exportador pode usar

Tributaristas avaliam soluções para mitigar os efeitos da tarifa de 50% dos EUA, que entra em vigor nesta quarta (6)

Os Estados Unidos começam a aplicar nesta quarta-feira (6) uma tarifa de 50% sobre importações brasileiras, e os exportadores têm buscado soluções para mitigar os prejuízos com o fluxo comercial menor entre os países.

CNN consultou tributaristas que representam diferentes setores afetados pelo tarifaço sobre as alternativas jurídicas que podem ajudar as empresas a diminuir o prejuízo decorrente das taxas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Felipe Rainato, especialista em comércio exterior do Hondatar Advogados, atua diretamente com associações como a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) e Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico).

O advogado afirma que as empresas podem acionar cláusulas contratuais como as de caso fortuito e força maior para readequar seus acordos com importadores dos EUA.

A medida visa buscar equilíbrio econômico entre as partes e pode ser acionada em caso da impossibilidade do cumprimento das obrigações pelos exportadores, que podem não conseguir mais vender seus produtos para o território norte-americano nas condições acordadas antes das tarifas.

Thaisis Lessa, advogada especializada em negócios agrícolas da Pontes Leal Advocacia, cita também o uso da teoria da imprevisão ou onerosidade excessiva, caso o contrato se torne caro demais para uma das partes, para tentar uma revisão ou renegociação judicial dos acordos firmados.

Rainato também ressalta a importância das companhias brasileiras se manifestarem ao escritório do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) sobre a investigação nos termos da seção 301 da Lei de Comércio de 1974, usada como argumento para indicar práticas comerciais “desleais” do Brasil.

A medida pode não ter efeito imediato, segundo o especialista, mas seria importante para posicionar as empresas brasileiras diante das autoridades norte-americanas e impedir que conclusões sejam tomadas sem os players serem ouvidos.

Em momentos de instabilidade comercial, Lessa ressalta a importância dos seguros de crédito à exportação: ao amparar os contratos com seguros públicos ou privados, cobrem-se riscos de variação cambial.

As empresas que utilizam a modalidade de drawback – regime aduaneiro para isenção de tributos incidentes na aquisição de matérias utilizadas na industrialização de produtos exportados – para comprar seus insumos devem tentar negociar acordos com o governo brasileiro, reforça Rainato.

Isso porque muitas empresas que utilizam o drawback se comprometeram a exportar quantidades de seus produtos que podem não conseguir cumprir no prazo definido, com a aplicação das tarifas. A consequência seria arcar com os custos das importações e multas decorrentes do não cumprimento do acordo.

Para o advogado, as autoridades brasileiras podem permitir a prorrogação dos prazos para atingir os volumes prometidos ou obter avanços nas negociações com os EUA. A possibilidade de dispensa das obrigações definidas no regime também não é descartada.

Por fim, Lessa pontua sobre o lado comercial e recomenda que os exportadores busquem – além de mercados alternativos com condições tarifárias melhores – intermediar vendas por empresas que façam a triangulação das exportações via destinos menos afetados pelas tarifas.

Fonte: CNN Brasil

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Exportação

Barranqueras exporta couro bovino salgado para a China

Em um fato sem precedentes, o Porto de Barranqueras, na Argentina, consolidou pela primeira vez a exportação de couro bovino salgado; marcando um avanço logístico e produtivo para a região, informou o Governo do Chaco.

O envio partiu de armazéns em Puerto Tirol e foi transportado em cinco caminhões, cada um com 28 toneladas. O destino final do couro chaqueño é a China.

Espera-se que, durante a primeira semana de agosto, outros 10 contêineres com couro salgado sejam adicionados; reforçando a abertura de novos mercados internacionais para essa produção regional.

O governador Leandro César Zdero destacou que essa conquista “reflete o compromisso do Porto de Barranqueras com o desenvolvimento econômico, a sustentabilidade e a formação; consolidando-o como um motor estratégico do comércio exterior do Chaco”.

Além disso, o porto fortalece seu vínculo com a comunidade educativa; recebendo visitas de estudantes de escolas primárias, secundárias, técnicas e universidades da região. E também promovendo a integração entre conhecimento acadêmico e desenvolvimento logístico.

Fonte: Todo Logistica News

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Exportação

Setor de couros acelera exportações aos EUA antes do tarifaço

A indústria de couro brasileira intensificou a exportação por avião para os Estados Unidos na última semana para tentar entregar os produtos antes da entrada em vigor das tarifas de 50% impostas por Donald Trump. Curtumes relatam interrupção nas negociações com importadores americanos em vendas que rendem US$ 200 milhões por ano.

Confira a seguir um histórico das exportações de couro para os EUA a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações de couro aos EUA – Jan 2022 a Maio de 2025 – TEU

O presidente executivo do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), José Fernando Bello, afirmou ao Valor que o setor está preocupado com o impacto do tarifaço e que “perde duplamente”, pois a indústria de calçados, também sobretaxada pelos EUA, deixa de comprar dos curtumes diante das incertezas do mercado.

“Para nós é bastante difícil. Os Estados Unidos são nosso segundo maior cliente; compram couro de valor agregado para as indústrias da moda e o setor automotivo. É um cliente que demoramos a conquistar, tem normas técnicas rígidas, qualidade rígida, e não gostaríamos de perdê-lo. Vamos fazer de tudo para mantê-los”, disse após participar de reunião com ministros para tratar de medidas de apoio aos exportadores diante do tarifaço.

“São US$ 200 milhões por ano. Além de perder parte dessa venda, ainda tem o cliente interno que é o calçado, que está na iminência de perder a exportação do calçado em couro. Perdemos a venda no mercado interno que também exporta para os EUA. Perdemos duas vezes, o que é bastante dramático”, completou.

Segundo ele, os curtumes nacionais relataram que os pedidos dos importadores norte-americanos não estão sendo renovados por conta da expectativa de implementação das tarifas. Bello, no entanto, não tem um levantamento do potencial prejuízo que as empresas terão se o governo não conseguir negociar a inclusão do setor na lista de exceção ou reduzir a tarifa cobrada pelos EUA.

“Alguns curtumes enviaram muita mercadoria via aérea para pegar o prazo de entrega, para estar dentro do prazo e fazer estoque com seu cliente e dar tempo de os governos se acertarem”, informou.

Em reunião nesta segunda-feira (4/8) entre representantes do setores produtivos e ministros em Brasília, Bello reiterou os pedidos do setor para que haja negociação com os EUA para eliminação das tarifas ou, ao menos, a redução das alíquotas para o patamar anterior, de 10%, tido como “aceitável” no mercado.

“Se possível, queremos eliminá-las. Pedimos também para, na medida do possível, apoiar as empresas que não estão contempladas na redução da tarifa, com linhas de créditos de financiamentos com juros subsidiados, a agilização para devolução dos créditos tributários de exportação de PIS/Cofins e o ICMS dos Estados, e construir um sistema de apoio ao desemprego que poderão vir nas indústrias com modelo parecido ao feito na pandemia”, completou.

Cada setor ouvido nesta segunda-feira deverá formalizar as demandas ao governo nos próximos dias. “O governo escutou, anotou, pediu para cada setor formalizar, protocolar as demandas, e indicar quais mercados seriam potenciais, que o governo poderia ajudar para aumentar as vendas e diminuir o impacto da não venda aos EUA”, concluiu.

Fonte: Globo Rural

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Exportação

Antes do tarifaço, exportações do café bateram recorde no Brasil

O Brasil encerrou o ano-safra 2024/2025 com o maior valor da história obtido com exportações de café. Segundo o relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país arrecadou US$ 14,728 bilhões com os embarques do grão ao exterior, uma alta de 49,5% em relação ao recorde anterior, registrado na safra 2023/2024.

O crescimento da receita ocorreu apesar da redução de 3,9% no volume total exportado. Foram embarcadas 45,58 milhões de sacas de 60 quilos para 115 países. O desempenho foi o terceiro maior da história em volume, atrás apenas das safras de 2023/24 e 2020/21.

Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, os preços foram o principal fator para o resultado histórico.

“Os preços, principalmente no segundo semestre de 2024, foram bastante impulsionados por menores potenciais produtivos nos principais produtores mundiais, fato que se observou ao longo de praticamente os últimos cinco anos, quando extremos climáticos afetaram cafezais de Brasil, Vietnã, Colômbia e Indonésia. Isso proporcionou uma elevação significativa no valor do café e potencializou a receita cambial recorde de nossas exportações”, afirmou.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de café em grão via contêiner partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Café em Grão | Jan 2022 a Mai 2025 | TEU

Ferreira também ressaltou que o desempenho ocorreu apesar de um cenário de dificuldades logísticas e geopolíticas.

“A terceira marca na história das exportações brasileiras de café é significativa, uma vez que foi alcançada diante de conflitos geopolíticos […] e de um cenário de infraestrutura defasada nos portos do Brasil, que geram sucessivos atrasos e alterações de escala, resultando em não consolidação de embarques e enormes prejuízos aos exportadores brasileiros devido a taxas imprevistas de sobre-estadia e armazenagem extra”, acrescentou.

O relatório destaca ainda que mais da metade das exportações brasileiras de café teve como destino o continente europeu. A União Europeia importou mais de 20 milhões de sacas. Os Estados Unidos lideraram entre os países individualmente, com 7,46 milhões de sacas, seguidos por Alemanha, Itália, Bélgica e Japão.

O café arábica representou 76,4% das exportações do ciclo, seguido por café robusta (14,4%), solúvel (9,1%) e torrado e moído (0,1%). O preço médio por saca exportada ficou em US$ 323,05, contra US$ 207,54 da safra anterior.

Os cafés diferenciados, com certificações de qualidade ou sustentabilidade, somaram 8,9 milhões de sacas e geraram US$ 3,29 bilhões — alta de 63,2% na comparação com o ciclo 2023/2024.

Apesar do desempenho recorde, o setor enfrenta incertezas com o cenário internacional. Exportadores demonstram preocupação com a possível aplicação de um tarifaço de 50% sobre o café verde em alguns mercados, sem que o produto esteja incluído na lista de exceções. O tema tem sido motivo de mobilização entre entidades do setor, que temem impacto direto na competitividade do café brasileiro no exterior.

Fonte: CNN Brasil

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Industria

Exército se aproxima da indústria de SC para reduzir importações

Departamento de engenharia da Força apresenta demandas para empresas de SC; ideia é firmar parcerias para desenvolvimento de produtos nacionais, fortalecendo a base industrial de defesa

Fortalecimento da base industrial de defesa, redução de custos, autonomia e agilidade no fornecimento estão entre os benefícios de ampliar o volume de compras nacionais pelas Forças Armadas. Com o objetivo de ampliar a aproximação do Exército com a indústria catarinense para encontrar e desenvolver produtos brasileiros para as necessidades do Departamento de Engenharia da Força, o General de Brigada Luís Cláudio Brion Cardoso, diretor de Material de Engenharia do Exército Brasileiro, detalhou nesta quarta-feira (30) as demandas de materiais para os membros do Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa – CONDEFESA da FIESC.

A lista inclui embarcações de trabalho, embarcações blindadas e embarcações pneumáticas. A ideia é desenvolver em conjunto com a indústria, reduzindo a dependência de importações – o que reduz custos, dá mais agilidade e fomenta a soberania tecnológica. 

As demandas contemplam kits de defesa civil – com materiais necessários pelas unidades de engenharia -, placas reforçadoras de solo, lançadores de esteiras e membranas para estações de tratamento de água. Na área de tecnologia, as necessidades incluem drones, robôs e equipamentos para controle de máquinas à distância que possam ser acoplados. Explosores e equipamentos de mergulho também estão entre as possibilidades de compra. 

Durante a reunião, José Augusto Crepaldi Affonso, Presidente Executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança – ABIMDE, destacou os desafios atuais do setor de defesa, considerando o cenário geopolítico. Ele salientou que contratos de empresas brasileiras já estão sendo afetados. Salientou ainda que parcerias estratégicas ao redor do globo estão sendo questionadas em um cenário de desconfiança e aumenta o receio de que – em caso de importações de produtos ou tecnologias – o suporte ao longo do ciclo de vida seja descontinuado. Isso afetaria a compra de peças de reposição, assistência técnica e atualizações de programas, por exemplo. Diante do ambiente mais hostil, Crepaldi reforçou a necessidade de as Forças Armadas ampliarem parcerias com a base industrial de defesa brasileira. 

Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Comércio Exterior

EXCLUSIVO: “Teor político em tarifaço dos EUA é cortina de fumaça”, diz Michel Temer

Para o ex-presidente, Donald Trump está mais preocupado com o avanço dos BRICs do que com a suposta anistia a Bolsonaro. Para ele, governo brasileiro fez bravata no início das tensões com o governo americano e deve continuar a busca por diálogo para solucionar impasse

O escritório do ex-presidente da República Michel Temer, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, estava movimentado na tarde de terça-feira (4). Prefeitos, vereadores, lideranças políticas e empresários se revezavam à espera de uma audiência com o homem que governou o Brasil por dois anos e meio (maio de 2016 a dezembro de 2018), foi vice-presidente e deputado federal. A relevância de conversas e conselhos com Temer está ancorada em décadas de vida pública, que lhe renderam uma bagagem política e uma habilidade na solução de crises reconhecidas por aliados e adversários. Não à toa, a palavra “diálogo” foi a mais pronunciada por ele durante a entrevista exclusiva ao BRAZIL ECONOMY, entre uma agenda e outra.

Temer defende a aproximação do governo brasileiro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aumentou as tarifas sobre produtos nacionais, o que tem afetado a economia e pressionado o Palácio do Planalto a reverter a situação. Ao mesmo tempo em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizia que ligaria para Trump apenas para convidá-lo para a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), que ocorrerá no Pará, em novembro, e não para discutir tarifas, Temer defendia a conversa como saída para o imbróglio.

Na entrevista, o ex-presidente analisa as ações de Trump, as reações de Lula, os efeitos políticos e econômicos do tarifaço e fala sobre o movimento para reunir governadores em prol de uma candidatura alternativa ao Planalto em 2026 — uma opção à polarização entre bolsonarismo e lulopetismo.

Confira os principais trechos:

BRAZIL ECONOMY – Qual a avaliação do sr. diante do tarifaço imposto às exportações brasileiras pelo presidente dos EUA, Donald Trump?

MICHEL TEMER – Lamentei muitíssimo esse tarifaço. Assim como lamentei a cassação dos vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal e de outras figuras. Houve muita falta de diálogo, sabe? Hoje, os países têm que dialogar muito entre si — não apenas os chefes de Estado e de governo, mas também as próprias instituições, os poderes legislativos… Afinal, isso faz parte do chamado multilateralismo. No passado, 70, 80 anos atrás, quando havia alianças entre partidos ou diálogo entre Estados, a preocupação era político-institucional. Hoje, há também uma preocupação comercial.

Nosso maior parceiro comercial é a China; o segundo, os Estados Unidos. Os países árabes compram de 45% a 50% da nossa carne de frango. Temos convênios tecnológicos extraordinários com Israel. Tudo isso revela que a multilateralidade é fundamental. Mas o multilateralismo se alimenta do diálogo. Por isso, a falta de diálogo causa prejuízos.

No caso presente, o que faltou foi um diálogo inaugural entre Estados Unidos e Brasil. Porque a relação, convenhamos, não é entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. É entre a República Federativa do Brasil e os Estados Unidos da América. Isso deveria ser compreendido, para que cada um cumprisse suas funções de natureza constitucional. Portanto, é lamentável. Mas não se deve desistir.

Eles eliminaram a taxação de 50% para muitos produtos. A negociação foi aberta, o que, convenhamos, não foi fruto de relações institucionais. É verdade que o (vice-presidente) Geraldo Alckmin fez muito esforço nesse sentido, mas o avanço se deu, em grande parte, pelas relações comerciais entre empresas brasileiras e americanas — um diálogo também oportuno e sempre produtivo. Quando se inicia um diálogo, seja de quem for, as coisas se resolvem. Estamos num momento em que o diálogo começa a ser retomado, mas deveria ter ocorrido desde o início dos governos. Ainda acredito que essa questão da tarifa será ajustada de forma adequada.

Envolver a política como argumento para uma decisão econômica foi um atentado à soberania do Brasil?
Não vale a pena falar nisso. Sabe por quê? Dizer que o Brasil é soberano é fazer cocada com coco do coqueiro. Nós todos sabemos que cada país é soberano. Não há dúvida. O problema é o contato das duas soberanias, a soberania brasileira e a soberania americana. Como é que elas fazem contato? Fazem contato de natureza política, institucional e comercial. Agora, com toda franqueza, há muita bravata. Dizem que vão retalhar etc. Não dá certo. E vamos ter os pés no chão, convenhamos. O Brasil é um país poderosíssimo, mas sem dúvida o Estados Unidos é mais poderoso que o Brasil economicamente, comercialmente. Não vale a pena brigar com os Estados Unidos. Tem que dialogar.

Sobre essa questão política, que coloca a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro como condição para rever as tarifas, é cortina de fumaça? Alguns analistas avaliam que a ação dos Brics, que discutem uma criação de moeda própria para suas transações comerciais, o que enfraqueceria o dólar, estaria por trás do tarifaço dos EUA.
Estou de acordo com essa cortina de fumaça. Que nem existe muita fumaça. É um pretexto que me parece muito claro. Porque, na verdade, é claro que o presidente Trump tem suas simpatias e preferências pelo ex-presidente Bolsonaro, mas o que está por trás disso são interesses econômicos. A questão do Brics, em que se propôs a usar um neologismo, a desdolarização, a eliminação do dólar, que eu soube, pelo menos, não teve apoio nem da China, nem da Rússia, nem da África do Sul. Mas acho que serviu como pretexto para dizer: “Olha, não mexa conosco.” Acho que foi, na verdade, um pretexto.

Como avaliou a reação do governo Lula diante do tarifaço?
A primeira reação, com toda a delicadeza que eu digo isso, foi de muita bravata. “Ninguém mexe aqui”, disseram. Não vale a pena nem se usar isso com critérios eleitoreiros. O que está em pauta agora não é eleição e nem o aspecto eleitoral. O que está em pauta é o Brasil. É assim que se cumpre a missão constitucional da Presidência da República e de outras tantas instituições. Volto a dizer: lançar palavras agressivas em relação a esse episódio, não vale a pena. Não interessa o país que venham ataques, você tem que estabelecer meios e métodos para dialogar.

Aplicar então a lei da reciprocidade seria algo muito ruim?
Eu não acho bom. Você viu que no despacho do presidente Trump? Ele diz o seguinte: “Olha aqui, são 50% e, se houver retaliação tarifária, a cada aumento que vai acrescentar mais 40%”. Então, você imagina uma tarifa de 50%, que pode passar para 90%? Acho que não vale a pena tomar esse caminho. Tem que tomar o caminho do diálogo até as últimas consequências. E o diálogo resolve.

O recuo dos EUA, de tirar alguns produtos dessa tarifa de 50%, foi uma sinalização ao diálogo?
Ajuda. É um começo de, digamos, solução. Tem que ser incentivado esse diálogo. Agora, parece que o próprio ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) esteve com Marco Rubio (secretário de Estado dos EUA), começando uma abertura de diálogo. Sendo mais uma vez otimista, eu acho que vai resolver.

Já é possível mensurar as consequências para a economia brasileira diante do que está exposto atualmente?
Vou dizer uma experiência prática? Na sexta-feira passada, eu fiz uma palestra em Balneário do Camboriú (SC) para 5.000 empresários brasileiros que foram chamados para uma grande reunião, para ouvir as mais variadas autoridades. E depois, fora da parte das conversas no corredor, muitos se reuniram em salas comigo para conversar e eu fiquei preocupado com uma coisa: as pessoas estão um pouco desesperançadas. Começaram a dizer que vão sair do País. Isso é preocupante. É claro que eu desestimulei. O Brasil ainda é um país do futuro. Aqui se pode produzir muito. É preciso só ajustar as coisas. É preciso tranquilizar um pouco o País, pacificar um pouco o País. O País não pode ficar nessa radicalização política permanente. Às vezes até no plano pessoal. Você verifica que hoje há brasileiros contra brasileiros, instituições contra instituições. Não vale a pena. Pode ter divergência de ideias, divergência de conceitos, divergência de programas, que até é útil. Isso é fruto da democracia. Mas não pode ter crueldade, radicalização de posições, de maneira a odiar o outro, de maneira a provocar instituições. Isso não é bom para o País.

A temperatura política alta, de fato, influencia no humor do setor produtivo e nas questões econômicas…
Sim, porque a temperatura política alta queima. Ela fere, ela machuca. A temperatura tem de estar num patamar normal. E quanto mais esfriada, tanto melhor, porque pacifica as relações sociais.

Como o sr. observa uma possível aproximação do Brasil com a China incentivada ainda mais pelo tarifaço?
Acabei de falar do multilateralismo. O Brasil tem que estar próximo da China e dos Estados Unidos. Não próximo ideologicamente, nem dos Estados Unidos, nem da China. Nós temos a nossa ideologia própria, vamos dizer assim. Mas, comercialmente, ele tem que se aproximar, estar próximo dos dois países, como os demais países do mundo. O unilateralismo ou o bilateralismo não dá certo. Só dá certo o multilateralismo. É isso que se prega no país e é fruto da nossa diplomacia tradicional. Não pode preferir um país tal, um presidente tal… As relações são institucionais.

No início do ano o sr. sugeriu a união de alguns governadores para alçar um nome alternativo à polarização entre Bolsonaro e Lula. Esse tarifaço atrapalha esse projeto?
Tudo isso derivou do seguinte: os governadores, muito delicadamente, vieram me visitar ou falar comigo por telefone. Foram cinco governadores que já haviam falado comigo e depois um sexto, que é o governador Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul. Ele estava muito entusiasmado com essa tese. Eu disse que eles possuem, mais ou menos, as mesmas posições. E se tem as mesmas posições, o Brasil está precisando de um projeto. Eu até tomei a liberdade de dizer que o meu governo foi, talvez, mais do que razoável, porque eu tinha um projeto que era chamado ‘Ponte para o Futuro’. Tudo que nós conseguimos – redução de inflação, redução dos juros, reforma trabalhista, previdência social, recuperação das estatais, a recuperação do PIB – estava nesse projeto. Eles deveriam se reunir, lançar um programa para o País, um projeto para o País e depois escolher dentre eles quem representaria esse projeto. Porque o que haveria não era nome contra nome numa disputa, mas programa contra programa. Você imaginou se nós tivéssemos dois ou três programas em disputa? O eleitor vê o programa e avalia se está de acordo com esse programa. Vai perguntar “quem é que representa esse programa?”. Percebe que cresce a o debate político no País? Hoje a disputa é de A contra B. Não pode ser assim, não. É projeto contra projeto. Por isso que eu propus isso. Se os governadores vão levar adiante, eu não sei. Mas acho que individualmente, pelo menos, se sensibilizaram.

Ainda é viável, mesmo diante do momento que estamos vivendo e há um ano da eleição?
Acho que dá, exatamente porque nós estamos distantes ainda das eleições. Não daria no lá na frente, porque lá na frente é capaz de cada um ser candidato por conta própria. O Brasil vive muito hoje a custa dos governadores, porque a safra de governadores é formidável. Então, eles agem muito adequadamente nos seus estados e produzem uma boa imagem do País. Agora, produzindo todos uma boa imagem do País, não dá para pensar que todos podem vir a ser candidatos à Presidência, porque é claro que divide os votos e cria problema na própria eleição. Facilita só um dos lados.

O sr. roda o Brasil, mas está em São Paulo, mais próximo do governador Tarcísio. Ele seria um nome?
Sem dúvida alguma. O Tarcísio é um nome muito adequado. Eu tive a honra de tê-lo no meu governo, ajudou muito (foi secretário da Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), responsável pelo programa de privatizações, concessões e desestatizações).Aqui em São Paulo, ele vai muito bem. Agora, é preciso politicamente ter uma estrutura que permita a eleição.

Na ausência de Bolsonaro nas urnas por estar inelegível, Tarcísio seria o nome mais viável para ocupar esse espaço?
É difícil dizer. É preciso dialogar com os demais governadores, encontrar um meio-termo. E esse meio-termo viria muito por meio de um projeto para o País.

Há chance de surgir um outsider dessa altura do campeonato ou está fora de cogitação?
Acho difícil. E também não acho conveniente. Acho que é melhor pegar quem tem uma certa experiência política ou governativa.

O tarifaço pode rachar o bolsonarismo, já que há correntes que defendem a ação dos EUA e outras mais ponderadas?
Confesso que não saberia dizer. Mas os bolsonaristas para valer são muito unidos. O Brasil viveu muito, num dado momento da história, o ‘nós contra eles’. O ‘nós’ era organizado, tinha militância. De repente, o ‘eles’ se organizou com militância. E daí divide os brasileiros. Não vale a pena. Por isso que eu sempre falo em programa, em projeto, porque o projeto pode unir pessoas. Isso que é importante para o País.

Ainda sobre o que está em discussão no campo político, o sr. acredita que houve uma trama golpista como tem apresentado a denúncia contra Bolsonaro?
Não saberia dizer. Depende dos autos. Porque ele está agora detido domiciliarmente. Depende do exame dos autos. Os autos é que vão dizer. As pessoas avaliam que abriu-se o inquérito contra fulano, pronto, já está pré-condenado. Não é assim. O inquérito vem de inquirir. Você tem que inquirir, investigar, portanto. Quando você termina a investigação, manda para o Ministério Público. O Ministério Público examina para ver se denuncia ou não. E quando denuncia, o Judiciário diz se recebe ou não recebe a denúncia. Então, o processo penal se formata em definitivo quando a o Judiciário acolhe a denúncia. Daí vem a prova, a contraprova, tem um bom caminho ainda pela frente. É o que está acontecendo no presente momento. Isso vai longe ainda.

Acredita que o julgamento não será neste ano ainda?
Não sei dizer.

O STF está um pouco acelerado, não?
As notícias dizem que é para julgar neste ano, mas o que não significa que não haverá prova e contraprova. Isso é fruto do processo penal democrático.

Como avalia o atual momento econômico do Brasil, com juros e inflação elevados
Acho péssimo. Porque a inflação, diferentemente do que se pensa, não afeta o rico. O rico, se o arroz passou de R$ 10 para R$ 20, continua comprando. A inflação atinge o pobre. Por isso que no meu governo eu fiz o possível… Peguei uma inflação de dois dígitos, entreguei com 2,75%. Porque a inflação, volto a dizer, ela prejudica precisamente os mais vulneráveis. Então é preciso ter uma política econômica que contenha os gastos públicos para poder reduzir os juros e reduzir a inflação.

Então a política do Banco Central com a Selic a 15% tem que arrefecer?
Acho que não dá, por enquanto. Eles mantêm os juros altos para impedir um volume extraordinário da inflação. Claro, porque, na verdade, os juros estão altos e a inflação também prossegue. Tem alguma coisa errada aí. Eu não sei detectar exatamente. Mas a ideia de juro alto é para combater a inflação e foi exata e precisamente o que ocorreu no meu governo.

As contas públicas um pouco descontroladas não ajuda nessa engrenagem desajustada?
Ajuda, especialmente os gastos públicos. Por isso que a ideia do teto para os gastos públicos é uma coisa importante.

A responsabilidade fiscal parece estar longe de ser o objetivo do governo, quem mantém os gastos ao mesmo tempo em que trabalha para aumentar a receita. Essa conta não está fechando…
É porque aumentar receita significa aumentar tributos. Sabe que essa história da carga tributária é sempre muito objetada. Há muita reclamação em relação a isso. Nós temos uma carga tributária razoavelmente alta. Toda vez que aumentar a carga tributária, faça um pequeno corte. Por que a volta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) foi contestada? Porque anunciou-se que seria para aumentar a arrecadação e não é. O Imposto de Operações Financeiras é regulatório, é para regular as relações cambiais etc. Então, toda vez que você quer aumentar tributo, você tem um protesto no País. O ideal é manter, ou melhor, segurar os gastos curtos. Esse é o ideal.

A volta do IOF, então, seria uma decisão acertada do governo Lula?
Não. O primeiro equívoco foi produzi-lo sem ter pré-conversado com o Congresso e com a sociedade. Eu digo isso porque eu dou um exemplo. Eu fiz a reforma trabalhista no meu governo. Mexer em direito do trabalho é mexer em vespeiro. Mas o que eu fiz? Levei uns cinco ou seis meses para mandar o projeto para o Congresso. Por quê? Porque nesse entretempo pedi ao ministro do Trabalho para percorrer as centrais sindicais, percorrer as federações de indústria, comércio, serviço, para formatar um projeto. Mandei o projeto, foi aprovado, não houve uma greve de trabalhadores do País. Houve diálogo. Com o IOF talvez tenha havido esse equívoco. Essas coisas têm que ser conversadas.

Como avalia a reforma tributária que vai entrar em vigor?
Precisa ser regulamentada ainda. A regulamentação é que vai revelar se ela é adequada ou não. Porque adequada, liminarmente, é. Porque ela acaba, em princípio, diminuindo a burocracia tributária. No passado, quando eu fazia palestras aqui e no exterior, o que as pessoas mais reclamavam era a questão trabalhista e a burocracia tributária. Eram dois temas. Aliás, eu praticamente comecei a reforma tributária no meu governo, que foram dois anos e meio. Mas a desburocratização tributária é uma coisa interessante para o desenvolvimento do País e naturalmente para os empresários.

Mas não teria de haver junto um corte de gastos?
Sim, sem dúvida alguma.

E onde dá para cortar?
Isso vem, para mim, da reforma administrativa. Não é fácil. A reforma administrativa tem sempre resistência no Congresso, porque o funcionalismo público, especialmente o mais elevado, legitimamente tem muita influência no Congresso Nacional. Quando fui para lá, com uma relativa grande experiência que eu tinha do Legislativo, percebi que se eu quisesse fazer a reforma administrativa tinha que fazê-la silenciosamente. E fiz. Pouco se sabe, mas o quando eu cheguei no governo, tinham 60.067 cargos desocupados. Quando eles estão desocupados, você pode eliminá-los por decreto. Eu eliminei por decreto. No meu caso, o Paulo Caffarelli era presidente do Banco do Brasil. Ele me disse que em cidades pequenas aqui do Brasil, muitas vezes existem duas agências e poderíamos eliminar uma. E seria aberto um plano de demissão voluntária, para reduzir sensivelmente o número de servidores do Banco do Brasil. Essa coisa mais silenciosa da reforma administrativa, que significa corte de gastos, teria que ser efetivada também no presente momento.

Atualmente, discute-se uma nova reforma da previdência, pouco tempo depois das mudanças efetivadas durante o governo do sr. Previdência é um buraco sem fim?
É preciso discutir novamente, eu reconheço. Porque em face da longevidade, a reforma da previdência vai estourando de tempos e tempos. É indispensável revisá-la. Naquele momento, fizemos a reforma possível. Mais adiante, em face de demonstração dos problemas que os gastos previdenciários acabam aparecendo, naturalmente as pessoas se convencem de que é preciso uma nova reforma.

O Brasil está prestes a receber a COP30, com uma série de polêmicas e uma série de desafios. O senhor acredita que o Brasil vai sair menor ou maior dessa COP?
Maior. A realização no Pará, simbolicamente, é muito importante que seja feita na Amazônia. O governador Helder Barbalho tem estado aqui comigo, tem feito um trabalho excepcional para também acolher aqueles que vão para COP. Está fazendo obras e mais obras para que cause uma boa impressão. Então, acho que será um exemplo para o mundo essa reunião ambiental na Amazônia.

O Brasil poderia ter mais protagonismo nessa transição energética que tanto se fala globalmente?
Eu acho que do tocante ao setor energético, o Brasil até vai bem, porque nós temos a tal da energia limpa. Energia das mais variadas, a fotovoltaica, eólica, biomassa… O Brasil tem sido um exemplo para isso. Começou lá atrás e continua, sou obrigado a reconhecer. É muito útil para o País e, portanto, também está muito ligado ao meio ambiente. Eu sempre digo que é preciso retirar a ideologia relativa ao meio ambiente. É interessante aqui no Brasil, sempre se fala que a chamada esquerda é pela preservação do meio ambiente. E os agricultores, o agronegócio, que poderia ser chamado de direita, é pela destruição do meio ambiente. Não é verdade. No meu governo reuniram-se permanentemente o Blairo Maggi, que foi ministro da Agricultura, e o José Sarney Filho, que era ministro do Meio Ambiente, para ver se tinha faísca. Porque todos tinham que trabalhar por essa área. O pessoal do agronegócio, da agricultura, também quer preservar o meio ambiente. Todos os brasileiros têm que trabalhar pela preservação do meio ambiente. Ampliei a Chapada dos Veadeiros de 60 mil hectares para 240 mil hectares protegidos. Nós fizemos a maior reserva marinha que o mundo conhece, equivale ao território da Alemanha e da França juntos. A reserva marinha é importante porque as algas produzem oxigênio e não consomem.

Falando em esquerda e direita, o sr. se considera um centrista?
Eu não tenho nenhum apreço pelos rótulos. O que interessa para o cidadão é o resultado. Dou sempre esse exemplo trivial. Vá ao sujeito que está passando fome, pergunta o que ele quer. Ele quer comer. Vá ao desempregado. Ele quer emprego. Vá ao empresário. Ele quer financiamento, menos tributo. Vale o resultado. Agora, se o sujeito quer se rotular de esquerda, de direita, de centro, é um problema dele. Eu não tenho nenhum apreço por esses rótulos. Se quiser rotular, eu poderia ser rotulado de centro, porque eu sou a favor da moderação, do equilíbrio. Eu sou a favor da temperança, a favor do diálogo, a favor da harmonia, a favor da pacificação de todos os setores. Sem embargo de nós termos divergência ideológica, divergência programática, divergência conceitual, que é útil para a democracia. O que não é útil é, digamos, a crueldade nas relações entre brasileiros ou entre instituições. Então, se quiser me rotular, pode me rotular de centro.

A polarização faz mal para o Brasil?
Sem dúvida alguma. Polarização de ideias, não. Essa é útil, porque é fruto da democracia. O que faz mal é radicalização, que é o que ocorre atualmente no Brasil.

Pintando o quadro como um todo, político, econômico… Como o sr. enxerga o País em 2030?
Eu quero enxergar com otimismo. Espero que se resolvam todas essas questões, que a nova eleição produza bons resultados também. Que em 2030 o Brasil continue a desenvolver-se como merece.

Fonte: Brazil Economy

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Comércio Exterior

Nem a China vai tomar o café que os EUA nos compram e nem o México supera os americanos na compra da carne brasileira

Veja a coluna de Valdir Barbosa desta segunda-feira (04)

Duas notícias nesse final de semana movimentaram debates e pessoas que por algum motivo não compreenderam bem o que alguns orgãos de comunicação informaram.

A primeira vem da China que credenciou 183 empresas brasileiras para exportação de café para aquele país.

Outra que chegou a virar manchete em várias páginas foi sobre o México que disparou na compra da carne bovina brasileira, ultrapassando os Estados Unidos e já ocupando o segundo lugar nesse mercado.

O México realmente teve uma boa escalada na compra da carne bovina do Brasil subindo de 3 mil para 16 mil toneladas. É um grande e pequeno salto de janeiro a junho desse ano. Os Estados Unidos compraram 156 mil toneladas, 140 mil a mais que o México. E antes do tarifaço era previsto um embarque de mais 200 mil toneladas até dezembro.

Algumas pessoas já dão como certo a China comprar todo o café que vai para os Estados Unidos, um volume de 8 milhões de sacas, por causa do credenciamento de 183 empresas exportadoras de café no Brasil.

Vamos aos números: os americanos são os maiores consumidores de café no mundo e nos compram 8 milhoes de sacas.

A China está em fase inicial de consumo de café, com a maioria de jovens no consumo, através de variados drinks, não cafezinho como bebemos aqui.

Ano passado a China importou 530 mil sacas de café contra 8 milhões dos Estados Unidos. A distancia ainda é muito grande!

Muitos exageros saem de palanques políticos do governo que buscam transformar tudo em voto e que as vezes dá certo, porque a maioria das pessoas ouve e não sabe traduzir para a prática.

Quantas vezes já se falou que o governo conseguiu nos ultimos 3 anos mais de 370 novos mercados para exportar seus produtos. Ter uma carteira recheada de clientes é sempre bom, mas esse números não significam que serão transformados em grandes negócios. E nem o Brasil teria tantos produtos para atender a tantos mercados.

A prova foi o bloqueio da importação da carne de frango durante a gripe aviária. China e União Europeia não retornaram as compras até hoje. Vamos com calma!

Itatiaia Agro, Valdir Barbosa…

Fonte: Itatiaia Colunas

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