Comércio, Saúde

Brasil declara estar livre de gripe aviária e espera que comércio de frango normalize

O primeiro surto no Brasil atingiu uma granja de matrizes no sul do país no mês passado, desencadeando proibições comerciais que agora podem ser revertidas com a recuperação do status de livre da doença

O Brasil se declarou livre do vírus da gripe aviária nesta quarta-feira (18), após nenhum novo surto da doença ter sido detectado em granjas comerciais de aves desde o primeiro caso, em maio, de acordo com um comunicado do Ministério da Agricultura.

Em nota, a pasta afirmou que informou oficialmente nesta quarta-feira à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o fim do chamado vazio sanitário, conforme previsto nos protocolos internacionais.

O primeiro surto no Brasil atingiu uma granja de matrizes no sul do país no mês passado, desencadeando proibições comerciais que agora podem ser revertidas com a recuperação do status de livre da doença.

“Seguimos todos os protocolos, contivemos o foco e agora avançamos com responsabilidade para uma retomada gradativa do comércio exterior, mostrando a força do serviço sanitário brasileiro”, afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em nota.
A recuperação do status do Brasil como livre do vírus da gripe aviária de alta patogenicidade não é automática e precisa ser confirmada pela OMSA, de acordo com as diretrizes do órgão.

O ministério também afirmou estar notificando os países que impuseram restrições temporárias às exportações brasileiras de produtos avícolas, com o objetivo de restabelecer o comércio internacional.

“Chegamos hoje ao fim do vazio sanitário… Isso não apenas fortalece a credibilidade do nosso sistema sanitário, como também representa um passo fundamental para a reabertura de mercados e a normalização das exportações”, disse o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart.

Dezenas de importadores colocaram proibições totais ou parciais à carne de frango do Brasil, o maior exportador global de carne de frango. A suspensão dos embargos depende de cada país.

A exportação de carne de frango in natura do Brasil teve uma queda de cerca de 25% em volume pela média diária nas duas primeiras semanas de junho, na comparação com o dado do mesmo mês do ano passado, de acordo com números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), publicados na última segunda-feira.

A contagem regressiva de 28 dias para a autodeclaração do status de livre da doença começou em 22 de maio, após as autoridades locais informarem que a granja onde o único surto no Brasil foi detectado havia sido totalmente desinfetada.

De acordo com os protocolos comerciais existentes, a China, a União Europeia e outros importadores proibiram as exportações de carne de frango de todo o Brasil após a confirmação do primeiro surto em granja comercial.

Mas alguns países impuseram embargos restritos ao local do foco, o município de Montenegro (RS), como é o caso dos Emirados Árabes Unidos e do Japão.

Mais cedo, o governo do Rio Grande do Sul havia afirmado ter cumprido os protocolos, e que o país já poderia se autodeclarar livre da doença.

Fonte: InfoMoney

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Comércio

Brasil avança e é 58º em competitividade global, mas precisa de mudanças estruturais

Desempenho brasileiro é moldado pelas commodities, e não pela exportação de tecnologia e conhecimento.

O Brasil avançou quatro posições no Ranking Mundial de Competitividade 2025, saindo do 62º para o 58º lugar entre 69 países analisados. Embora este seja o melhor desempenho desde 2021, a análise aponta que a melhora não representa um avanço estrutural e que ainda há muito a ser feito – afinal, o país ainda está entre as nações com desempenho inferior à média.

Os dados da 37ª edição do ranking foram divulgados nesta segunda-feira (16) pelo International Institute for Management Development (IMD) em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC). Eles mostram que o desempenho brasileiro é moldado pelas commodities, e não pela exportação de tecnologia e conhecimento. 

O ranking é liderado por Suíça (1º), Singapura (2º), Hong Kong (3º), Dinamarca (4ª), e Emirados Árabes Unidos (5º). Na sequência, vem Taiwan (6º), Irlanda (7º), Suécia (8º), Qatar (9º) e Países Baixos (10º). 

Abaixo do Brasil (58º) estão Botswana (59º), Peru (60º), Gana (61º), Argentina (62º), Eslováquia (63º) e África do Sul (64º). Fecham o ranking Mongólia (65º), Turquia (66º), Nigéria (67º), Namíbia (68º) e Venezuela (69º).

Brasil avança, mas se mantém atrás

Os dados apontam que o Brasil melhorou em áreas como desempenho econômico e eficiência empresarial, mas ainda encontra dificuldades em exportar serviços, distribuir riqueza (PIB per capita), controlar a inflação, diminuir o custo do capital, melhorar o marco regulatório e qualificar a mão-de-obra, entre outros pontos.

Na análise por setores, o Brasil saiu da 38ª e agora está na 30ª posição no ranking geral de performance econômica. Dentro dos subitens analisados neste setor, o país é o 5º em fluxo de investimento direto estrangeiro, o 7º em crescimento de longo prazo de emprego, e o 11º em formação bruta de capital fixo (crescimento real). O desempenho do país é puxado para baixo em exportações de serviços comerciais, em que ocupa a 67ª posição, seguido por receitas de turismo (66ª) e proporção comércio-PIB (65º).

Nos demais setores, o Brasil também está entre os países com piores desempenhos. Embora tenha saído da 61ª posição, ainda é o 56º em eficiência empresarial, com pontos positivos em total de atividade empreendedora em estágio inicial (8º), salário mínimo (13º), níveis de compensação (14º) e remuneração de gestão (14º). Ainda neste subitem, o país vai mal em dívida corporativa (68º), mão de obra qualificada (68º) e sistema de valores (68º).

Pelo indicador de infraestrutura, o Brasil é o 58º do ranking de competitividade, mesma posição do ano anterior. Puxam o indicador para cima os subitens de energias renováveis (5º), taxa de dependência (13º), custo de telefonia móvel (15º). Mas está na última posição em habilidades linguísticas (69º), educação primária e secundária (68º) e educação em gestão (67º).

Na leitura de Eficiência Governamental, o país é o 68º do ranking, atrás apenas da Venezuela. Na edição anterior, o Brasil ocupava a 65ª posição. Dentro deste subitem, o país está em 5º lugar em subsídios governamentais, 16º em viés de mídia (conversão de notícias em prol do governo) e 21º em renda disponível para consumo. Os pontos fracos do indicador são custo de capital (69º), protecionismo (68º) e finanças públicas (67º).

Custo de capital e dívida

Entre os principais pontos de atenção sobre os dados do Ranking Mundial de Competitividade estão o custo do capital e da dívida corporativa. O Brasil está na lanterninha da dívida corporativa e do crédito, ocupando a 68ª posição nos dois indicadores, o que aponta para a dificuldade em obter recursos para investimentos, expansão e inovação.

Para melhorar e avançar, o Brasil precisaria reduzir a taxa de juros, que está em 14,75%, desburocratizar o acesso ao crédito e fortalecer o mercado de capitais, segundo o relatório.

“O dinheiro está indo embora, o governo está gastando muito, e as empresas estão pagando por seus projetos em uma taxa de financiamento cada vez maior. Isso afugenta nosso potencial de crescimento”, avalia Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação e Tecnologias Digitais da FDC, responsável pela divulgação dos dados no Brasil.

Melhora virá com políticas de longo prazo

Na avaliação de Tadeu, os países mais competitivos são os mais abertos para o avanço tecnológico e o comércio internacional. Já o desempenho brasileiro é moldado pelas commodities, e não pela exportação de tecnologia e conhecimento. 

Ele afirma que a divulgação dos dados em meio às discussões sobre novas tributações, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), aponta que estamos escolhendo caminhos contrários ao necessário, que seria o de simplificar a estrutura brasileira para investimentos.

“O Brasil continua no mesmo patamar de 10 anos atrás, no bloco final da competitividade. [Isso ocorre] Porque a gente insiste em uma agenda que não é de reforma, abertura comercial, investimento direto estrangeiro, simplificação tributária do ambiente de negócios, livre comércio, inovação e tecnologia e, consequentemente, que não é uma agenda de formação de mão-de-obra”, analisa Tadeu.]

Para ele, competitividade não é “agenda de curtíssimo prazo”, e precisa ser vista como estratégia permanente. “Não adianta as lideranças públicas continuarem a insistir na agenda de riqueza por commodities. Precisamos pensar seriamente em plano de estado e em que país queremos para daqui 10 a 15 anos”, afirma.

Fonte: InfoMoney

 

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Comércio, Portos

Porto de Santos registra a maior movimentação de cargas da história em maio de 2025

Resultado se deve à performance em segmentos-chave como soja, celulose e contêineres

O Porto de Santos registrou a maior movimentação mensal de sua história em maio de 2025, com 16,6 milhões de toneladas de cargas processadas, um aumento de 5,1% em relação ao mesmo período de 2024, impulsionado pelo aumento nos embarques de soja. Os números foram divulgados nesta terça-feira (17).

Aproximadamente 30% das trocas comerciais brasileiras passam pelo Porto de Santos, que é o maior da América Latina, com 53 terminais.

Em maio de 2025, o embarque de granéis sólidos aumentou 5,3% na comparação anual, alimentado pela alta de 12,6% no embarque de soja em grãos e de 6,9% no farelo de soja.

Já a carga geral conteinerizada alcançou 477 mil TEU (medida padrão de contêiner), a melhor marca para o mês de maio (aumento de 7,5% ano contra ano).

No acumulado do ano, a movimentação de contêineres também registra números recordes, chegando a 2,29 milhões de TEU (+6%). Já os granéis líquidos apresentaram aumento de 2,3% sobre maio de 2024, com 1,6 milhão de toneladas e destaque para o crescimento do embarque de óleo combustível (+51,3%) e sucos cítricos (+11,8%).

“Este recorde histórico em maio reflete a excelência da gestão portuária e a robustez da nossa logística. Cada tonelada movimentada é fruto de planejamento estratégico, investimentos em eficiência operacional e parcerias sólidas com o setor privado”, comenta Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos.

Carga geral

Outro setor que bateu recorde mensal e de acumulado no ano é o de Carga Geral Solta, que registrou 1,1 milhão de toneladas em maio, (+36,7%), impulsionado pela marca histórica da celulose: 919,2 mil toneladas, representando uma alta de 45,5% em relação a maio passado.

Os destaques positivos ainda incluem o crescimento nos desembarques de enxofre (141,8 mil toneladas, +29,9%), soda cáustica (129,7 mil toneladas, +65,3%) e trigo (126,1 mil toneladas, +12,8%). O fluxo de navios também reflete a dinâmica de expansão portuária, com 495 atracações em maio (+4,9% ante 2024).

No acumulado do ano (janeiro a maio), o porto aumentou sua relevância na logística nacional, respondendo por 29,8% da corrente comercial brasileira — alta frente aos 29,3% de 2024. A China, com 29,3% das transações com o exterior em 2025, mantém-se como o maior parceiro comercial do Porto.

Apesar do cenário positivo, alguns segmentos apresentaram quedas pontuais, como açúcar (–7,2%) e café (–21,4%), reflexo de ajustes sazonais e de mercado.

O Porto de Santos é administrado pela Autoridade Portuária de Santos (APS), empresa pública vinculada ao Ministério dos Portos e Aeroportos, responsável pelo planejamento logístico e pela administração da infraestrutura.

Fonte: InfoMoney

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Comércio, Logística

Portos de SC movimentam 1 em cada 5 contêineres no país

Dados da Antaq divulgados pela Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias indicam que portos de SC cresceram acima da média nacional no primeiro quadrimestre de 2025

Os portos de SC movimentam 20% do mercado nacional de contêineres, ou seja: a cada cinco contêineres, um passa pelo estado. Com este número, Santa Catarina lidera a movimentação no Sul do país, na frente do Paraná (com 10,1%) e Rio Grande do Sul (com 6,21%).

Na movimentação total de cargas, o crescimento catarinense no primeiro quadrimestre de 2025 foi o maior, com 7,93% a mais do que o mesmo período de 2024, superando o índice nacional (que teve queda de 1,1%).

Os dados foram apurados pela Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias, conforme informações da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

Quais portos de SC se destacaram

Na movimentação total de contêineres, passaram pelos portos catarinenses até o mês de abril 949,1 mil TEUs, que significam 10,2 milhões de toneladas e crescimento de 16% e 19,2%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2024. Veja o ranking:

  • Porto Itapoá – lidera a movimentação com 489,8 mil TEUs e terceiro maior movimento do Brasil;
  • Portonave – 348,1 TEUs (quarto maior movimento do país);
  • Porto de Itajaí  – 73,6 mil TEUs;
  • Porto de Imbituba – 37,4 mil TEUs.

O primeiro quadrimestre de 2025 também registrou uma movimentação total de cargas nos portos de SC de 21,8 milhões de toneladas. Veja quanto cada porto catarinense movimentou no total:

  1. Porto de São Francisco do Sul  – 5,7 milhões de toneladas
  2. Porto Itapoá  – 5,4 milhões de toneladas
  3. Terminal Aquaviário de São Francisco do Sul – 3,4 milhões de toneladas
  4. Portonave  – 3,3 milhões de toneladas
  5. Imbituba – 2,3 milhões de toneladas
  6. Porto de Itajaí  – 858,3 mil toneladas
  7. Demais Terminais Portuários Privados (TUPs) – 178,6 mil toneladas

Fonte: ND +

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Comércio, Negócios

Secretário do MDIC destaca importância de parcerias para fortalecer cadeias produtivas

No Encontro Econômico Brasil-Alemanha, que acontece em Salvador, Uallace Moreira destacou papel estratégico da indústria naval

Parcerias estratégicas são fundamentais para o fortalecimento de cadeias produtivas setoriais, segundo afirmou o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do (SDIC), Uallace Moreira, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), durante Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA) que acontece nesta segunda-feira (16) em Salvador, Bahia.

“Nenhum país no mundo tem possibilidade de ter soberania em toda a cadeia produtiva. Neste sentido, busca-se parcerias estratégicas”, disse.

Ao participar de um painel sobre a cooperação em matéria de segurança, o secretário destacou a importância da indústria naval, que tem um papel estratégico na Missão 6 da Nova Indústria Brasil (NIB), focada na promoção do uso de tecnologias para a soberania e defesa nacional. Com investimentos públicos e privados de R$112,9 bilhões, a missão busca ampliar o domínio brasileiro em áreas como radares, satélites e foguetes.

“Ao desenvolver a indústria de base de defesa, ao desenvolver a indústria naval, a gente fortalece a cadeia produtiva, por exemplo, da perfuração, da exploração de petróleo… isso é muito importante”, disse.

Esse segmento da indústria, segundo ele, também nas missões 3 (infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade) e 5 (transição energética) da NIB, por sua dualidade tecnológica.

Neste contexto, ele lembrou que muitas ideias aplicadas em celulares, por exemplo, são resultado de tecnologias desenvolvidas a partir de investimentos na base industrial de defesa ou mesmo a naval.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Combate às barreiras não tarifárias ganha novo impulso

Com o comércio internacional se tornando cada vez mais complexo, o governo brasileiro intensifica esforços para coordenar órgãos públicos e dialogar com o setor privado

O Comitê Gestor do Sistema Eletrônico de Monitoramento de Barreiras às Exportações (CGS/SEM Barreiras) aprovou, nesta terça-feira (17/06), o Plano de Ação 2025-2026. A reunião, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), contou com representantes dos ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e das Relações Exteriores (MRE).

A aprovação do plano reforça o compromisso com a governança desse sistema, define as prioridades para os próximos dois anos e estabelece objetivos gerais e específicos. Além disso, prevê ações e metas em cinco eixos de trabalho: governança, sistemas, capacitações, transparência e comunicação, e a identificação, análise, monitoramento e superação das barreiras comerciais.

A reunião também resultou na inclusão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) como convidados permanentes do Grupo Executivo do CGS e consolidou o processo de modernização tecnológica do SEM Barreiras. Em 2024, foi lançada a versão 3.0 da plataforma, mais estável, segura e com melhorias de usabilidade. Foi elaborado um novo manual para usuários do setor privado que pode ser acessado por meio deste link.

O que são Barreiras Não Tarifárias?

Barreiras não tarifárias são medidas que restringem o acesso de bens e serviços estrangeiros a um mercado, sem envolver a aplicação de tarifas. Elas integram o conjunto das chamadas barreiras comerciais, que se dividem, em geral, em duas categorias:

a)      Barreiras tarifárias: como impostos de importação/exportação e cotas tarifárias;

b)     Barreiras não tarifárias: como exigências técnicas, sanitárias e fitossanitárias, subsídios, regras de origem, padrões privados, restrições quantitativas e exigências em compras governamentais, entre outras.

As barreiras não tarifárias têm um peso importante no comércio internacional. Sua identificação é mais complexa e exige análise detalhada, dado seu caráter técnico. O monitoramento dessas barreiras é cada vez mais importante, especialmente porque seu número tem crescido de forma acelerada nos últimos anos, com impacto direto sobre as exportações brasileiras.

Conquistas

Desde sua criação, o sistema já contribuiu para conquistas expressivas. Dentre os  resultados concretos do enfrentamento de barreiras não tarifárias, estão:

a)      Peru (2023): aperfeiçoamento das regras de tratamento de rotulagem nutricional, beneficiando US$ 34 milhões em exportações;

b)     Argentina (2024): revogação da exigência de Declaração Jurada de Composição de Produto (DJCP) para têxteis e calçados, facilitando cerca de US$ 400 milhões em vendas externas;

c)      Argentina (2024): eliminação da exigência de certificação obrigatória para placas cerâmicas, evitando prejuízos estimados em US$ 37,6 milhões.

Conheça o SEM Barreiras

Instituído pelo Decreto nº 10.098/2019, o Sistema SEM Barreiras é uma plataforma online do Governo Federal criada para identificar, acompanhar e apoiar a superação de barreiras comerciais impostas a exportações brasileiras de bens, serviços e investimentos.

A ferramenta permite que empresas e entidades informem medidas adotadas por outros países que estejam restringindo o acesso de produtos brasileiros a mercados externos. Essas informações são analisadas tecnicamente pelos órgãos competentes, considerando seu impacto comercial e a compatibilidade com acordos internacionais firmados pelo Brasil.

Além de facilitar a articulação governamental para enfrentar barreiras tarifárias e não tarifárias, o SEM Barreiras promove maior transparência e aproximação com o setor privado, que pode acompanhar o andamento de cada caso.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Comércio

Multilateralismo é o caminho para enfrentar distorções comerciais, defende MDIC

Em reunião da Comissão Mista Brasil- Alemanha, Márcio Elias Rosa ressalta a importância da OMC e um comércio livre de barreiras

O fortalecimento do sistema de multilateralismo é caminho indispensável para enfrentar o recrudescimento das tensões geopolíticas que tem gerado distorções nas relações comerciais globais. A avaliação foi feita pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, nesta terça-feira (17/6), na reunião da 51ª edição da Comissão Mista de Cooperação Econômica (Comista) entre Brasil e Alemanha, realizada em Salvador (BA).

“Vivemos um momento, de reafirmação, da absoluta indispensabilidade do nosso compromisso com o multilateralismo, sobretudo na área do comércio, que seja livre de barreiras unilaterais ou de barreiras artificiais”, afirmou. 

É fundamental que os países, segundo Márcio Elias Rosa, se posicionem com ponderação, focados no propósito de contribuir para uma resolução dessa questão de barreiras e tarifas. “Um cenário que, infelizmente, recrudesceu, que distorce as relações comerciais e, longe de aproximar, distancia as pessoas ou cria entraves para a realização de investimentos”, analisou.

OMC

O secretário reafirmou o compromisso do atual governo com a defesa do pleno funcionamento da Organização Mundial do Comércio (OMC) como instituição multilateral com capacidade para liderar as discussões do comércio internacional e atuar como mecanismo de solução de controvérsias, fundamental para garantir a previsibilidade e a segurança jurídica do sistema multilateral de comércio.

Com base neste posicionamento, o Brasil, segundo Márcio Elias Rosa, busca conquistar parceiros que, tradicionalmente, já estão afinados com essa defesa – como a Alemanha – de um comércio mais livre, sem barreiras unilaterais, artificiais ou desnecessárias. “É uma defesa comercial que visa proteger o capital que realiza investimentos e desenvolvimento econômico e social”, disse.

Participaram também do encontro da Comista os secretários do Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do (SDIC), Uallace Moreira, e de Competitividade e Política Regulatória (SCPR), Andrea Macera.

Ainda nesta terça-feira, o secretário Márcio Elias Rosa participou de uma reunião bilateral com a secretária de Estado Parlamentar do Ministério Federal de Assuntos Econômicos e Energia da Alemanha (BMWE), Gitta Connemann e representantes do governo alemão.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Internacional, Mercado Internacional

A China está desencadeando um novo choque de exportações no mundo

Com as tarifas do presidente Trump fechando o mercado dos EUA, os produtos chineses estão inundando países do Sudeste Asiático à Europa e à América Latina

Há duas décadas, a China surpreendeu os Estados Unidos com sua capacidade de produzir e exportar rapidamente, em grande escala e a baixo custo — algo nunca visto antes. O consequente aumento nas exportações remodelou a economia e a política dos EUA.

Hoje, um novo “choque da China” está se espalhando pelo mundo, de países como Indonésia à Alemanha e ao Brasil.

À medida que as tarifas impostas pelo presidente Trump começam a excluir a China dos Estados Unidos — seu maior mercado — as fábricas chinesas estão enviando brinquedos, carros e sapatos para outros países em um ritmo que está transformando economias e a geopolítica global.

Neste ano, até agora, o superávit comercial da China com o mundo já chega a quase 500 bilhões de dólares — um aumento de mais de 40% em relação ao mesmo período do ano passado.

Enquanto as duas superpotências travam uma disputa comercial, o restante do mundo se prepara para um choque ainda maior vindo da China.

“A China tem uma enorme quantidade de produtos que precisa exportar, e independentemente de os EUA aplicarem tarifas ou não, é praticamente impossível impedir essas mudanças nos fluxos comerciais”, disse Leah Fahy, economista especializada em China na Capital Economics.

A worker wearing a short-sleeve button-up shirt and glasses fixing a car. There is a of China Communist Party symbol on the wall behind him.

A enxurrada de exportações da China é consequência de políticas governamentais e de uma economia doméstica em desaceleração. Para amenizar os impactos de uma crise imobiliária que reduziu a riqueza de milhões de famílias, Pequim tem, há vários anos, injetado dinheiro em seus setores manufatureiros — que agora produzem muito mais do que a demanda interna comporta.

Segundo uma análise de Leah Fahy, a participação da China no mercado global em todas as categorias de bens aumentou significativamente. Essa tendência deve continuar apesar das tarifas, pois é improvável que Pequim mude o rumo de suas políticas voltadas para a exportação.

Ao redirecionar o fluxo de seus produtos para o Sudeste Asiático, América Latina e Europa, a China já conseguiu suavizar os efeitos econômicos da queda na demanda dos Estados Unidos. No entanto, isso a coloca em potencial conflito com parceiros comerciais que também estão sob pressão de Washington.

O presidente Trump está ameaçando impor tarifas pesadas justamente aos países que estão sendo inundados com mais produtos chineses, como Vietnã, Camboja e Indonésia. Essas tarifas, por enquanto, foram suspensas para permitir negociações. Alguns desses países têm se beneficiado com o aumento de investimentos por parte de empresas estrangeiras que estão tentando transferir sua produção da China o mais rápido possível.

Outros países também conseguiram reexportar alguns produtos chineses para os Estados Unidos. Mas, se não conseguirem negociar tarifas significativamente mais baixas, empresas locais em países do Sudeste Asiático e de outras regiões que enfrentam tarifas severas dos EUA podem ser esmagadas pela concorrência das companhias chinesas.

Embora Trump tenha causado grandes rupturas no comércio com níveis de tarifas não vistos em um século, a mudança drástica nas exportações da China já estava em curso muito antes de ele assumir o cargo em janeiro.

A crise imobiliária da China — com excesso de oferta de moradias, queda acentuada nos preços e falências generalizadas — começou a repercutir na economia em 2021. Os formuladores de políticas em Pequim não perderam tempo: desviaram rapidamente empréstimos baratos dos incorporadores imobiliários para os setores de exportação e manufatura. Essa estratégia acabou compensando o colapso no setor de construção civil, que em seu auge chegou a representar um terço do crescimento econômico do país.

Para Pequim, foi uma estratégia já conhecida: jogar dinheiro no problema.

“Eles costumam investir demais para atingir escala primeiro, e depois o processo é impulsionado por políticas governamentais”, disse Tommy Wu, economista do Commerzbank. “Isso ajuda a explicar por que estamos enfrentando esse problema hoje.”

A China já havia iniciado uma política industrial interna em 2015, conhecida como Made in China 2025, com o objetivo de produzir bens mais qualificados e de maior valor agregado, como chips de computador sofisticados e veículos elétricos. Essa iniciativa levou os Estados Unidos e a Europa a aumentarem tarifas sobre carros elétricos, painéis solares e outros produtos de alta tecnologia.

Mas o esforço da China para impulsionar a manufatura desde o colapso do mercado imobiliário foi muito além disso. Mesmo com a produção de produtos mais avançados, os fabricantes chineses reforçaram a fabricação de tchotchkes — aquelas bugigangas e itens baratos nos quais a China se destacou há duas décadas. A China reescreveu o manual, deixando os economistas perplexos.

“A China não está se desenvolvendo da forma como a teoria econômica sugere, e agora estamos diante de um novo modelo”, disse Priyanka Kishore, economista em Cingapura, referindo-se à trajetória tradicional das economias, que costumam se afastar da manufatura de baixo valor à medida que amadurecem e se desenvolvem.

“Isso é um desafio porque agrava as pressões sobre o restante do mundo”, afirmou Kishore.

Com as tarifas começando a realinhar os fluxos comerciais e as cadeias de suprimentos, os efeitos econômicos já começam a aparecer.

Na Alemanha, onde as importações de produtos chineses aumentaram 20% no mês passado em comparação com o mesmo período do ano anterior, empresas têm manifestado preocupação a Tommy Wu, economista do Commerzbank. As montadoras de automóveis sentem isso de forma especialmente intensa.

A China produziu 45% mais veículos elétricos este ano, mesmo com as empresas enfrentando uma guerra de preços brutal no mercado interno devido à queda no apetite dos consumidores. As exportações de veículos elétricos dispararam 64,6% neste ano, segundo a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis.

Países que sofreram os maiores impactos com o aumento das importações chinesas também registraram quedas acentuadas na própria produção industrial, resultando em perdas de empregos e falências.

Na Indonésia, fábricas de vestuário estão fechando, alegando não conseguir competir com as roupas mais baratas vindas da China. Cerca de 250 mil pessoas perderam seus empregos na indústria têxtil entre 2023 e 2024, segundo Redma Gita Wirawasta, presidente da Associação Indonésia de Produtores de Fios e Fibras de Filamento. Fabricantes de autopeças na Tailândia fecharam por causa da concorrência com veículos elétricos chineses. Montadoras brasileiras pediram ao governo que iniciasse uma investigação antidumping contra os carros chineses vendidos no país.

Para a maioria dos países, há duas opções. A primeira é não fazer nada e assistir à desindustrialização, segundo Sonal Varma, economista-chefe para a Ásia (com exceção do Japão) no banco japonês Nomura.

A outra opção é aumentar tarifas e adotar medidas protecionistas em setores específicos, como os Estados Unidos fizeram com a China. Isso, no entanto, corre o risco de provocar a ira da própria China — que usa o comércio e os investimentos como instrumentos de influência diplomática — ou dos Estados Unidos.

“As cadeias de suprimentos estão se dividindo ao longo de linhas geopolíticas”, disse Varma. “Está muito mais difícil para os países decidirem: com quem você vai se alinhar?”

Fonte: The New York Times

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Comércio Exterior, Turismo

Crise cambial ameaça o comércio exterior e o turismo

A economia boliviana enfrenta uma grave crise cambial. Desde 2023, vêm se intensificando as restrições para transações em dólares. Segundo dados oficiais, as reservas internacionais líquidas (RIN) caíram para 3,148 bilhões de dólares — muito distante do recorde de 15,122 bilhões registrado em 2014.

Essa queda provocou uma escassez generalizada de dólares. O sistema financeiro impôs limites às operações com cartões e contas em moeda estrangeira, afetando tanto empresas quanto cidadãos. A taxa de câmbio oficial está fixada desde 2011: 6,96 bolivianos por dólar na venda e 6,86 na compra.

No entanto, no mercado paralelo, a cotação chegou a 20 bolivianos em maio e atualmente gira entre 15 e 16 bolivianos por dólar.

Exportações em queda, importações em alta
Oswaldo Barriga, presidente da Câmara Nacional de Exportadores da Bolívia (Caneb), explicou que a queda das exportações de gás natural foi decisiva. Em 2013, as vendas de gás geraram 6,113 bilhões de dólares; em 2024, mal chegaram a 1,672 bilhão.

A essa queda somou-se uma forte fuga de capitais após a intervenção do Banco Fassil em 2023. Também influenciaram as medidas contra operações ligadas ao narcotráfico. Segundo Barriga, o país deixou de arrecadar entre 5 e 8 bilhões de dólares por esses fatores.

Gary Rodríguez, gerente do Instituto Boliviano de Comércio Exterior (IBCE), destacou que o setor público importa mais combustíveis e exporta menos hidrocarbonetos. Isso agrava a escassez de divisas e se soma à falta de financiamento externo, dificultada por entraves legislativos.

Efeitos no turismo e no comércio
Luis Ampuero, presidente da Câmara Boliviana de Turismo (Cabotur), alertou sobre as consequências no setor. As empresas não conseguem efetuar pagamentos ao exterior nem importar insumos com liberdade, o que desacelera a atividade.

Barriga criticou a taxa de câmbio fixa e as faixas de preços, que obrigam os exportadores formais a vender no mercado interno a valores subsidiados.

Reivindicam medidas urgentes
Representantes do setor produtivo propõem reduzir o gasto público, liberar as exportações e ativar o financiamento externo. Também pedem a formalização das cooperativas de mineração e melhores condições para investir no setor de hidrocarbonetos.

“Estamos ficando sem oxigênio produtivo”, alertou Barriga. “Sem sangue nas veias, a economia não pode sobreviver.”

Fonte: Todo Logística News

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Comércio Exterior, Logística

Reativam ligação ferroviária com o Brasil

A recuperação da ligação ferroviária entre Argentina e Brasil entra em uma nova etapa, com o avanço das obras na Linha Urquiza.

Esse projeto, liderado pela Trenes Argentinos Cargas (TAC), tem como objetivo consolidar um corredor estratégico para o comércio internacional do Mercosul, com ênfase na melhoria da eficiência logística entre os dois países.

O plano prevê a melhoria de 210 quilômetros de trilhos distribuídos em três trechos principais: Basavilbaso–Concordia (Entre Ríos), Virasoro–Posadas (Corrientes–Misiones) e Paso de los Libres–Ponte Internacional (Corrientes), sendo este último essencial para restabelecer a conexão com a cidade brasileira de Uruguaiana. Trata-se de um investimento total de mais de 44 milhões de dólares, financiado em parte pelo Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM) e por aportes da empresa estatal argentina.

O impacto regional do projeto é significativo. O traçado da Linha Urquiza atravessa províncias-chave do litoral argentino, facilitando o escoamento de produtos agroindustriais, florestais e manufaturados para o Brasil, Uruguai e Paraguai. Além disso, ao reativar os pontos de fronteira ferroviários, reduz-se a pressão sobre os corredores rodoviários e avança-se em direção a modos de transporte mais sustentáveis e competitivos.

O trecho Paso de los Libres–Uruguaiana representa uma oportunidade concreta para retomar o fluxo ferroviário binacional. Essa reativação permitirá não apenas o transporte de cargas industriais e agrícolas, mas também uma maior integração das cadeias logísticas entre os dois países, em um contexto onde a diversificação do transporte é crucial.

A aposta no trem como ferramenta de conexão com o Brasil responde a uma visão estratégica: reduzir custos, melhorar os tempos de trânsito e aumentar a previsibilidade do comércio exterior. O desafio será manter o ritmo de execução das obras e garantir seu impacto real na cadeia logística regional.

Fonte: Todo Logística News

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