Inovação

Empresa Lança Café “Mastigável” para Consumidores em Movimento

Conheça o Dry Brew, o café feito sem água para ser consumido em uma mordida, como um pedaço de barra de chocolate

Na feira Fancy Food Show, um dos maiores eventos de alimentos e bebidas gourmet e especiais dos Estados Unidos, realizada em Nova York no final de junho, um cartaz no estande da Dry Brew dizia “Café sem água”. John Schade, presidente e cofundador da empresa, afirma que a Dry Brew possui uma patente da “única versão mastigável de uma xícara de café no mundo”. Como uma barra, o conjunto da obra pode ser todo consumido, mastigado, como se fosse um pedaço de chocolate, sem precisar de nenhum preparo. Por exemplo, em um parque, no carro ou no transporte público.

Pablito De La Rosa foi o fundador da Dry Brew, um café mastigável em tamanho reduzido, e era um homem sempre com pressa, explica Schade. Por ser engenheiro mecânico e inventor, desenvolveu o produto sozinho, em sua garagem. O objetivo de De La Rosa ao criar a Dry Brew em 2018 era “tomar seu café e ter o efeito da cafeína enquanto dirigia, sem precisar parar e enfrentar fila em uma cafeteria”, diz Schade. Nada de esperar na fila do Starbucks ou Dunkin’. De La Rosa queria café instantaneamente. Mas a ideia é que tivesse o sabor clássico do café, diferente de balas e afins que já existem no mercado.

Hoje, os três filhos de De La Rosa são sócios da Dry Brew ao lado de Schade e dos parceiros Dan e Maddy Wyner, que estão trabalhando para escalar o negócio. A empresa também levantou recursos de forma privada, conta com um investidor-anjo, e os sócios detêm a maior parte do negócio, ainda que Schade prefira não entrar em detalhes sobre os percentuais.

Embora De La Rosa tenha recebido a patente de utilidade em 2018, ele começou a produzir o protótipo, mas o processo foi interrompido e demorou seis anos até ser concluído. O produto só chegou ao mercado há cerca de um ano.

Café mastigável para quem está com pressa

Schade descreve a Dry Brew como “feita com café de verdade. Pense nela como um Tootsie Roll, mas com a mesma cafeína e ingredientes de uma xícara de café”. A Tootsie Roll é uma marca clássica de bala mastigável com textura semelhante ao caramelo dos EUA.

A ideia não é substituir o hábito da maioria das pessoas de preparar seu próprio café fresco, diz Schade; porque mesmo ele aprecia preparar seu próprio café.

“Este produto é para os momentos em que as pessoas estão em movimento, como durante os preparativos para uma maratona. É uma forma nova de consumir energia do café”, afirma Schade.

Por enquanto, apenas um blend

A fórmula atual combina uma mistura de café com um creme não lácteo e um adoçante sem açúcar. Atualmente, oferece uma torra média, mas está em desenvolvimento uma linha com origens e torras únicas, todas em formato mastigável. Até o fim do ano, a empresa espera lançar novos sabores, como baunilha, caramelo salgado e mocha.

Atualmente, um pacotinho mono dose da Dry Brew custa US$ 2,50 (R$ 13,90 na cotação atual), e o site da empresa oferece pacotes com 15 unidades por US$ 37 (R$ 205,72). O produto tem validade de 14 meses. Cada porção contém 35 calorias. A produção é feita em Cumberland, no estado de Rhode Island, próximo a Providence, e a sede da empresa está localizada em Scituate, também em Rhode Island.

Clientes relatam a Schade que o sabor lembra seus cold brews preferidos, porque “não é amargo nem agressivo”. Ele reconhece: “Não estamos tentando substituir seu café coado perfeito”. O objetivo é oferecer “um pouco de sabor e energia enquanto você está em movimento”, diz. O produto facilita a vida do consumidor porque envolve “sem preparo, sem sujeira, sem espera. Basta colocar um na boca e seguir em frente, seja se você está atrasado ou no meio de uma escalada”, acrescenta.

A Dry Brew é vendida de várias maneiras: pela internet, em lojas selecionadas, lojas de equipamentos para atividades ao ar livre, academias, aeroportos e cafés. A maior parte da receita vem do atacado, mas Schade destaca que a empresa está ampliando as vendas diretas ao consumidor. A produção está sendo expandida para atender à demanda, caso consiga entrar em grandes redes de supermercados.

Até agora, a divulgação tem ocorrido principalmente por meio do boca a boca. No entanto, ele acrescenta que a empresa está se tornando mais ativa no TikTok e Instagram, além de participar de diversos eventos presenciais. A feira Fancy Food Show, por exemplo, permitiu que a Dry Brew entrasse em contato com várias redes nacionais de supermercados com mais de 1.000 lojas, embora nenhum contrato tenha sido fechado até o momento, além de distribuidores que podem gerar novos negócios.

Público-alvo: quem está sempre em movimento

Segundo Schade, o produto atrai principalmente “pessoas que precisam de energia enquanto estão em movimento, como atletas, estudantes, pais, militares, aventureiros e quem vive na correria”.

Daqui a um ano, ele espera que a Dry Brew seja uma marca conhecida nacionalmente, vendida em grandes redes de supermercados e com forte presença nas redes sociais.

Questionado sobre os três fatores-chave para o sucesso futuro da empresa, Schade aponta: a originalidade do produto; um produto com bom sabor e textura cremosa; e a melhoria do processo de distribuição e formação da equipe certa para alcançar grandes redes varejistas.

Fonte: Forbes

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Comércio, Logística

TESC cresce 20% em movimentação de cargas no 1º semestre de 2025

Terminal Portuário SC registrou aumento em diversos segmentos de cargas, com destaque para a operação de grãos na exportação, consolidando sua vocação para alavancar o agronegócio brasileiro, com crescimento de 30% no período

No 1º semestre de 2025, o TESC (Terminal Portuário Santa Catarina) movimentou 3,3 milhões de toneladas de cargas, um crescimento de 20% em relação ao volume de 2024. Este aumento foi registrado em todos os segmentos de cargas – soja e milho em grãos, produtos siderúrgicos, granéis sólidos de importação, produtos florestais renováveis e cargas gerais – com destaque para produtos de origem vegetal, que cresceu 30%.  

O TESC iniciou a operação dos silos e berço dedicado de grãos para exportação em 2023, depois de realizar investimentos superiores a R$ 250 milhões com a implantação do projeto para atender às necessidades específicas do setor agrícola. Deste então, já registrou em dois anos de operações da planta de grãos, cerca de 5 milhões de toneladas embarcadas e existe espaço para crescer ainda mais, com uma capacidade instalada para operar 4 milhões de toneladas de grãos ao ano na maturação do projeto, afirma o diretor de operações e comercial do terminal, o COO Randal Couceiro.

Mesmo atuando em uma área compacta, de 68 mil m², localizada no Complexo Portuário de São Francisco do Sul, o TESC tem demonstrado capacidade técnica e planejamento estratégico para sustentar um modelo operacional de alta performance. O terminal portuário, cuja missão é fornecer serviços e infraestrutura portuária eficientes e sustentáveis para a promoção do comércio marítimo do Brasil, movimenta cargas vindas de 3 regiões do país, com uma área de influência de superior a mil quilômetros.

De acordo com o CEO Fabio Mota, o TESC tem se consolidado como uma das operações portuárias mais eficientes do Brasil. “Nosso diferencial multipropósito, alinhado aos excelentes indicadores de desempenho, tem despertado o interesse de outros terminais portuários em conhecer de perto o uso inteligente da infraestrutura para o atendimento a diferentes segmentos de cargas e segmentos econômicos, com qualidade, competitividade e segurança”, destaca Mota.

Sobre o TESC

Com 29 anos de atuação, o TESC é um terminal portuário multipropósito estrategicamente localizado no complexo portuário de São Francisco do Sul (SC), em uma área de 68 mil m2.

A proximidade das rodovias BR-280 e BR-101 permite rápido acesso aos grandes centros industriais e econômicos das regiões Sul e Sudeste, conferindo agilidade no fluxo de cargas de importação e exportação.

Com mais de 58 milhões de toneladas movimentadas ao longo de sua história, o Terminal é reconhecido pela versatilidade e eficiência em embarque de grãos vegetais, produtos siderúrgicos, granéis sólidos de importação, carga geral e carga de projeto, por esta razão é um terminal multipropósito. 

Com informações da assessoria de imprensa do TESC.

Fonte: FIESC

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Comércio

Montadoras avisam Lula que vão demitir se vier pacote pró-China

Volkswagen, Toyota, General Motors e Stellantis enviaram carta ao presidente em 15 de junho e até agora não receberam resposta; empresas reclamam do incentivo para sistema SKD, quando peças vêm do exterior e nada é fabricado no país

Os presidentes das 4 principais montadoras que atuam no Brasil escreveram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 15 de junho de 2025, falando sobre o forte impacto que uma medida pronta para ser adotada causará no setor. A mando do Palácio do Planalto e sob coordenação do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), a administração petista pretende baixar uma norma para incentivar a produção de carros cujas peças e componentes são 100% produzidos no exterior.

As empresas mais beneficiadas devem ser as montadoras chinesas. Por esse sistema conhecido como SKD (Semi Knocked Down), a empresa quase nunca contrata fornecedores no Brasil e a geração de empregos é muito pequena. 

Assinaram a carta:

  • Ciro Possobom, da Volkswagen;
  • Evandro Maggio, presidente da Toyota;
  • Emanuele Cappellano, da Stellantis;
  • Santiago Chamorro, da GM (General Motors).

IMPACTOS

As montadoras brasileiras haviam anunciado recentemente cerca de R$ 180 bilhões de investimentos no Brasil em 5 anos, dos quais R$ 130 bilhões para o desenvolvimento e produção de veículos e outros R$ 50 bilhões para o parque de autopeças. Essa cifra será cortada em pelo menos R$ 60 bilhões.

As empresas estimam ainda que deixarão de contratar 10.000 trabalhadores e que 5.000 empregados atuais poderão ser demitidos.

A carta ressalta que o impacto não se restringiria apenas às montadoras. Para cada trabalhador demitido nessas empresas, outros 10 empregos podem ser perdidos na rede de fornecedores, ampliando o efeito negativo sobre toda a cadeia produtiva automotiva.

Ou seja, o impacto nesse caso tende a ser multiplicado por 10 na cadeia de sistemistas, com um corte total de 50.000 postos de trabalho.

“Essa prática deletéria pode disseminar-se em toda a indústria, afetando diretamente a demanda de autopeças e de mão de obra”, diz trecho do documento.

Os executivos defendem que a política industrial brasileira privilegie a produção local, “vetando privilégios para a importação de veículos desmontados ou produzidos no exterior com subsídios”.

Sem resposta

Lula não responde à carta conjunta da Volkswagen, Toyota, General Motors e Stellantis. A correspondência também foi enviada para Rui Costa e para Geraldo Alckmin (PSB), que é vice-presidente da República e também ministro da Indústria e do Comércio.

Rui Costa é político que fez carreira na Bahia, onde foi governador por 2 mandatos. É na Bahia que está o grande investimento da chinesa BYD, que vai se beneficiar da medida que está para ser editada pelo governo Lula e incentivar a produção de carros no sistema SKD.

Medidas em análise no governo

O Gecex-Camex (Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior), colegiado formado por integrantes de 11 ministérios do governo Lula, realizará uma reunião extraordinária na 4ª feira (30.jul.2025) para deliberar sobre medidas que podem beneficiar a indústria chinesa de automóveis no Brasil. As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo no domingo (27.jul).

Segundo a publicação, os pleitos que serão analisados são da montadora chinesa BYD. Em fevereiro, a empresa pediu ao governo a redução de imposto de importação de kits SKD e CKD (Completely Knocked Down), de 5% no caso dos carros elétricos e 10% no caso dos híbridos. As taxas atuais são, respectivamente, de 18% e 20%.

AUTOPEÇAS

Nesta 2ª feira (28.jul.2025), a Abipeças (Associação Brasileira da Indústria de Autopeças) e o Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) também enviaram uma carta ao governo Lula para manifestar repúdio à possível redução das alíquotas de importação sobre veículos SKD e CKD.

As entidades afirmam que a medida criaria uma “concorrência inusitada” com os veículos produzidos no Brasil e configuraria uma “renúncia fiscal injustificada”, além de provocar efeitos em cadeia.

“A combinação nefasta desses fatores irá, inquestionavelmente, provocar queda de produção e perda de empregos para a indústria brasileira de autopeças, além de inevitável revisão dos “investimentos anunciados por montadoras e por nosso setor”, diz trecho da carta.

Fonte: Poder 360

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Exportação

“Impacto pode chegar a 78% nas exportações de cerâmica”, diz presidente da Anfacer sobre tarifas

O setor brasileiro de revestimentos cerâmicos projeta uma forte retração nas exportações em decorrência da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. A medida, que pode entrar em vigor já nesta sexta-feira (1º), é vista com preocupação por empresários do setor, que mobilizam entidades e governos para tentar mitigar os efeitos da política comercial norte-americana.

“Nós vamos ter esse impacto, dentro do ano de 2025, representando uma queda de 40%. Mas, anualizado, esse efeito chega a 78%”, afirmou Sérgio Wuaden, presidente do Conselho de Administração da Anfacer (Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmicas para Revestimentos).

Em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Wuaden detalhou os impactos estimados. Segundo ele, no segundo semestre de 2025 a redução será de cerca de 6 milhões de metros quadrados em volume exportado. Caso a tarifa se mantenha, o setor pode deixar de exportar 12 milhões de metros quadrados em um ano completo.

Os Estados Unidos são o principal destino das exportações de cerâmica brasileira. O tipo de produto mais demandado é composto por peças de menor dimensão, o que, de acordo com Wuaden, dificulta a adaptação para outros mercados. “Não existem mercados alternativos com a mesma relevância em volume e especificidade”, disse.

Confira abaixo as exportações Brasileiras de cerâmica aos Estados Unidos via contêineres de 2022 a 2025 e que serão diretamente impactados pelas tarifas impostas pelo governo americano:

Exportação de Cerâmica Brasileria aos Estados Unidos | Jan – Maio 2022 a Jan – Maio 2025 |TEU

Setor articula apoio
O setor cerâmico está em diálogo com o governo federal e governos estaduais. A intenção é viabilizar linhas de crédito emergenciais para os fabricantes. Wuaden explicou que a Anfacer está conduzindo tratativas para que os estados onde as fábricas estão localizadas ofereçam apoio financeiro. “Estamos procurando maneiras de sensibilizar o estado onde os fabricantes estão instalados para oferecer alguma forma de compensação”, afirmou.

Indagado sobre a possibilidade de reversão da medida por parte dos Estados Unidos, Wuaden foi cauteloso. Disse que ainda há esforço por parte da entidade para que haja, no mínimo, uma postergação. No entanto, reconheceu que essa possibilidade perdeu força nos últimos dias. “Temos trabalhado cada vez mais com a alternativa de que isso não vai ocorrer nesse momento.”

Viés político
O presidente da Anfacer considera que a medida norte-americana tem motivação política e não econômica. Segundo ele, os Estados Unidos mantêm superávit com o Brasil tanto na balança comercial quanto na balança de pagamentos. “Claramente o que resta é um viés político, uma aposta numa tentativa de demonstrar forças”, disse.

Wuaden comparou o caso brasileiro ao da China, que conseguiu postergar tarifas semelhantes. Para ele, o Brasil não conseguiu estabelecer um canal efetivo de negociação. “Outros países que encaminharam negociações acabam tendo resultados melhores do que aqueles que medem forças.”

Fonte: Times Brasil

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Comércio Exterior, Internacional

Venezuela volta a isentar produtos do Brasil após tarifa surpresa, dizem exportadores

Empresas de Roraima relataram que parceiros venezuelanos estavam sendo cobrados de uma taxa que até então era total ou parcialmente isenta, a depender do produto

A Venezuela deixou de cobrar uma taxa sobre importação de produtos brasileiros após aplicar a cobrança sem explicações durante mais de uma semana, de acordo com a Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima, que reúne empresas do Estado que vendem produtos para o país vizinho.

No dia 18 de julho, exportadores brasileiros foram surpreendidos pela cobrança de uma taxa de importação da Venezuela que até então era isenta para produtos do Brasil que entram no país. O imposto é cobrado de empresas venezuelanas.

Empresas de Roraima, Estado que destina 70% de suas exportações para o território com o qual faz fronteira, relataram que parceiros venezuelanos estavam sendo cobrados de uma taxa que até então era total ou parcialmente isenta, a depender do produto. Os empresários brasileiros temiam impactos em seus negócios.

O Brasil tem um acordo bilateral com a ditadura chavista que isenta a cobrança da taxa de importação ad valorem (cobrada sobre o valor do item) de produtos que entram no país com certificado de origem.

Cada produto tem um grau de isenção, que chega a ser total em alguns casos. Com o fim da isenção, houve cobrança de uma taxa de 40% para produtos como açúcar e margarina; a farinha de trigo foi taxada em 20%, segundo a instituição de exportadores.

Segundo o presidente da Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima, Eduardo Oestreicher, a instituição foi informada que o problema ocorreu em um sistema da Venezuela e foi resolvido, sem maiores explicações. Nesta segunda-feira, 28, segundo Oestreicher, os empresários venezuelanos relataram que a isenção estava sendo aplicada normalmente.

Não houve explicações oficiais do governo da Venezuela. A informação da volta da normalidade foi dada pela Câmara de Comércio e Indústria de Santa Elena de Uairén, que faz fronteira com o Brasil, e pelos despachantes aduaneiros do local aos empresários brasileiros, segundo Oestreicher.

“Tivemos a confirmação esta manhã que foi um problema de sistema e que hoje voltou a operar da forma como era antes”, disse ele ao Estadão. Empresários estavam com cargas e produtos parados à espera de uma solução, de acordo com a instituição. “Os empresários em Roraima estão mais aliviados, inclusive as cargas já estão sendo processadas dentro da aduana.”

Na última sexta-feira, 25, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse estar acompanhando, em coordenação com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), os relatos de dificuldades enfrentadas por exportadores brasileiros.

O comércio entre Brasil e Venezuela é regido pelo Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), que veda a cobrança de imposto de importação entre os dois países. Nesta segunda-feira, 28, o Itamaraty ainda não se pronunciou.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

Lula está disposto a ligar para Trump, desde que seja atendido, dizem interlocutores

Lula gostaria de conversar pessoalmente com Trump sobre o tarifaço, mas auxiliares do presidente brasileiro relatam dificuldades de contato com a Casa Branca.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está disposto a conversar diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o tarifaço anunciado contra produtos brasileiros. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, Lula não se opõe ao diálogo, mas avalia que a conversa só ocorrerá se Trump atender pessoalmente a ligação.

A disposição de Lula ocorre após uma proposta feita por senadores brasileiros para que os dois líderes conversem. No entanto, o clima no Planalto é de pessimismo. A avaliação é de que a Casa Branca só pretende abrir uma negociação após a entrada em vigor das tarifas, marcada para 1º de agosto, como forma de aumentar seu poder de barganha.

Fontes do governo afirmam que os canais com a Casa Branca estão fechados. Apesar das tentativas de contato com o Departamento de Comércio, o Tesouro e outras áreas da administração norte-americana, o Planalto relata dificuldade de estabelecer uma ponte direta com o núcleo político do governo Trump.

Um interlocutor direto de Lula afirmou que o Brasil seguirá aberto ao diálogo, mas frisou que há limites: “A soberania não é negociável”, disse. Segundo essa fonte, o governo brasileiro rejeita qualquer tentativa de interferência em decisões do Supremo Tribunal Federal ou em sistemas como o Pix.

Ainda de acordo com integrantes do Planalto, há no governo norte-americano um desconforto com o Pix por supostamente afetar a rentabilidade de empresas americanas, incluindo operadoras.

Tarifaço dos EUA

  • No dia 9 de julho, Trump publicou uma carta endereçada ao presidente Lula (PT) anunciando a aplicação de tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. Ele justificou a medida com argumentos políticos e comerciais.
  • No dia 23, o presidente dos EUA disse que aplicou tarifas de 50% a países com os quais o relacionamento “não tem sido bom”.
  • Embora não tenha sido citado diretamente, o Brasil está entre eles. Segundo ele, o objetivo é pressionar outros países a abrirem seus mercados.
  • Neste domingo (27), o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou que as tarifas impostas pelo país entrarão em vigor no dia 1º de agosto, “sem prorrogações”.

Chanceler brasileiro nos EUA

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou neste domingo nos EUA e poderá seguir para Washington, caso o governo americano demonstre interesse em discutir alternativas ao tarifaço.

Oficialmente, Vieira cumpre agenda na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, com foco na questão palestina.

Segundo apuração da TV Globo/GloboNews, o chanceler indicou que sua presença nos EUA demonstra disposição para o diálogo, mas que só irá a Washington se houver sinal verde do governo americano para retomar as negociações.

Impacto

De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), o aumento das tarifas de importação dos EUA sobre produtos brasileiros pode impactar cerca de 10 mil empresas brasileiras que exportam para o mercado norte-americano.

Essas empresas empregam, juntas, aproximadamente 3,2 milhões de pessoas no Brasil.

Neste mês, Geraldo Alckmin destacou que empresas norte-americanas com operações no Brasil — como General Motors, Johnson & Johnson e Caterpillar — também seriam prejudicadas pela tarifa anunciada por Trump.

“Nós queremos todo mundo unido para resolver essa questão. E as empresas têm um papel importante, tanto as brasileiras, que, aliás tem empresa brasileira que tem indústria nos Estados Unidos, quanto as empresas americanas. A General Motors comemorou esse ano, participei do seu centenário no Brasil. A Johnson & Johnson tem 90 anos, a Caterpillar tem 70 anos, muitas delas exportam para os Estados Unidos”, disse Alckmin na ocasião.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que a equipe econômica já está elaborando um plano de contingência para apoiar os setores que forem impactados pelo tarifaço.

“Não vamos deixar ao desalento os trabalhadores brasileiros, vamos tomar medidas necessárias”, declarou o ministro Haddad.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Em meio à negociação do tarifaço, senador de SC apela a Lula por contato com Trump

Esperidião Amin (PP), que participa de reuniões nos Estados Unidos para tentar reverter tarifaço, disse que contato seria “dever do presidente da República”

O senador catarinense Esperidião Amin defendeu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busque um contato com o presidente norte-americano Donald Trump para tentar negociar um recuo ou um adiamento no início do tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros, que tem entrada em vigor prevista para a sexta-feira (1º). A afirmação foi feita em um vídeo divulgado pelo senador após o primeiro dia de reuniões da missão de oito senadores que está nos Estados Unidos para tentar reverter a decisão do governo norte-americano de sobretaxar itens brasileiros.

Segundo Amin, a medida seria uma obrigação do presidente e respeitaria a confiança conquistada por empresas brasileiras no mercado norte-americano.

— Percebendo aqui as dificuldades criadas por este novelo de ideologia política, um pouco de radicalismo, é indispensável, é um dever do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, procurar um contato com o presidente Trump. É um dever. Pode não ser um prazer, mas é necessário, como homenagem aos trabalhadores, aos empresários que conquistaram confiança dos nossos compradores americanos, e agora, surpreendidos, podem ver comprometida essa confiança — afirmou.

Nos últimos dias, lideranças próximas a Lula afirmaram que o presidente teria descartado a possibilidade de uma ligação para Trump a fim de discutir o assunto, sob o entendimento de que o contato poderia ser um sinal de fraqueza. Apesar disso, o governo Lula deixou a porta aberta para negociar por meio do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que está em agenda nos Estados Unidos e aguarda uma sinalização do governo norte-americano para negociações. Na sexta-feira, Lula afirmou em um discurso que o dia em que Trump quiser conversar, o Brasil estaria “pronto e preparado para discutir”.

Amin participou das reuniões esta segunda-feira, primeiro dos três dias de missão da comissão de senadores nos Estados Unidos. A primeira reunião, com a Câmara Americana de Comércio, abordou os impactos da medida sobre a economia brasileira e também norte-americana, já que o perfil dos produtos exportados pelo Brasil rende historicamente superávits ao governo dos Estados Unidos. O grupo ainda tem agendas até a quarta-feira para tentar reverter ou pelo menos adiar a entrada em vigor do tarifaço.

Fonte: NSC Total

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Internacional, Mercado Internacional

Trump fecha acordos favoráveis aos EUA e evita retaliação por tarifaço

Europa, Japão, Indonésia e Vietnã fecharam pacto com Trump

Os acordos firmados desde o início da guerra comercial, iniciada em abril, abrem ainda mais os mercados para os produtos estadunidenses. Os países também se comprometeram a aumentar os investimentos e as compras dos EUA na casa das dezenas de bilhões de dólares.  

O professor de economia e de relações internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Nildo Ouriques, afirmou à Agência Brasil que esses acordos, em especial, com a Europa e o Japão, são importantes vitórias do presidente dos EUA, Donald Trump.

Para Ouriques, que é presidente do Instituto de Estudos Latino-americanos (IELA) da UFSC, os acordos demonstram que são falsas as teses de que Trump seria “louco” devido a sua política tarifária e a de que os EUA seriam uma potência decadente.

“Tudo isso é consequência da concorrência entre EUA e China e o imperialismo estadunidense tem mecanismos de pressão que não deixa de lançar mão. Há uma luta pelo excedente econômico. Essas tarifas permitem que os EUA, que não conseguem competir no chão da fábrica com a China, coloquem barreira para as próprias multinacionais voltarem a operar dentro dos EUA”, comentou Nildo.

União Europeia

Anunciado nesse domingo (27), o acordo fechado pelos EUA com a UE eleva as tarifas de importações dos países europeus para 15% na maioria dos produtos – valor inferior aos 30% inicialmente anunciados por Trump. A tarifa será zero apenas para alguns produtos considerados estratégicos, como aeronaves e peças de aeronaves, certos produtos químicos, semicondutores e alguns medicamentos genéricos.

Em contrapartida, a Europa não aplicará o princípio da reciprocidade. Ao contrário, deve zerar tarifas para produtos estadunidenses. Além disso, a UE se comprometeu a investir US$ 600 bilhões nos EUA, incluindo compra de equipamentos militares, e a comprar energia dos EUA no montante de US$ 750 bilhões. Nenhum recurso dos EUA para União Europeia foi anunciado.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comemorou o resultado, alegando que o acordo evita escalar a guerra comercial e traz previsibilidade para empresas europeias.

Por outro lado, o acordo foi criticado, principalmente, pela França. O primeiro-ministro francês, François Bayrou, disse que o acordo marca um “dia sombrio” para Europa.  

“É um dia sombrio quando uma aliança de povos livres, reunidos para afirmar seus valores e defender seus interesses, resolve se submeter”, disse o líder francês em uma rede social. 

Especialistas têm apontado que a Europa cedeu às pressões dos EUA. O analista de geopolítica Arnaud Bertrand destacou que, “nem remotamente”, o acordo se assemelha a algo firmado entre potências soberanas equivalentes.

“Parece, sim, o tipo de tratado desigual que as potências coloniais costumavam impor no século 19 — só que, desta vez, a Europa é a vítima”, disse em rede social.

O professor Nildo Ouriques destacou, por sua vez, que a Europa se submete as políticas dos EUA há décadas, não sendo isso uma novidade. “A Europa jamais se comportou como um contrapoder. A Europa é vassala [dos EUA] há muito tempo”, completou.

Ainda segundo Ouriques, as tarifas de Trump tendem ainda a reforçar a concentração de capital ao eliminar empresas que não poderão pagar os aumentos de custos.

“Trump está favorecendo a concentração e centralização de capital. Vão aumentar os monopólios dentro da Europa e dos EUA. Os capitais pequenos não sobrevivem se tiverem que pagar 15% a mais”, avalia.

China

Por outro lado, o especialista Nildo Ouriques comentou que a China tem margem de manobra para resistir ao cerco comercial estadunidense. “Esse movimento não afeta a China porque ela tem uma coisa fundamental, que é um chão de fábrica mais produtivo que os EUA”, finalizou.

Após elevar as tarifas contra a China a 145%, Trump recuou e fechou acordo temporário com o país, mantendo as tarifas em 30% enquanto negocia os termos de novo acordo. Pequim, que havia retaliado os EUA elevando as tarifas para 125%, aceitou reduzir as taxas para 10%. 

Na semana passada, os EUA afirmaram que a pausa nas tarifas pode se estender por mais 90 dias no caso da China para dar tempo das negociações avançarem.

No caso do Brasil, as tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos devem entrar em vigor na próxima sexta-feira (1º) e o governo brasileiro tenta, ainda sem resposta, costurar um acordo com a Casa Branca.

Japão

Na semana passada, foi fechado o acordo com o Japão de tarifas em 15% – inferior ao anunciado inicialmente, de 24%. A potência asiática não aplicará tarifas reciprocas e ainda abrirá seu mercado para carros e arroz estadunidenses. Trump disse ainda que o Japão investirá US$ 550 bilhões nos EUA. 

Como parte do acordo, o Japão deve ainda comprar 100 aviões da Boeing e aumentar os gastos em defesa com empresas dos EUA de US$ 14 bilhões para 17 bilhões anuais. A taxação do setor automotivo japonês, que representa mais de um quarto das exportações para os EUA, também ficará em 15%. Inicialmente, o setor seria taxado em 27,5%.

Indonésia e Filipinas

Junto com o acordo com o Japão, os EUA anunciaram ainda acordos comerciais com a Indonésia, uma das principais economias da Ásia, e as Filipinas. 

Em 22 de julho, Trump fechou acordo para tarifas de importação de 19% para Indonésia, abaixo dos 32% inicialmente anunciados. Além disso, a Indonésia se comprometeu a comprar aeronaves, produtos alimentícios e energéticos dos EUA estimados em US$ 22,7 bilhões.

Em troca, o país do sudeste Asiático se comprometeu a eliminar “aproximadamente 99% das barreiras tarifárias para uma gama completa de produtos industriais, alimentícios e agrícolas dos EUA”, informaram, em declaração conjunta, a Casa Branca e o governo indonésio. 

No caso das Filipinas, o acordo com os EUA também estabeleceu tarifa de importação de 19%, pouco abaixo dos 20% anunciados por Trump, mas acima dos 17% estabelecida em abril. Em contrapartida, o acordo estabeleceu tarifas zero para produtos estadunidenses entrarem nas Filipinas, segundo informou a Reuters.

Vietnã e Reino Unido

No caso do Vietnã, o acordo com os EUA estabeleceu as tarifas de exportação em 20% – menor que os 40% anunciados inicialmente – ao mesmo tempo que abriu o mercado do Vietnã com tarifas zero para produtos estadunidenses.

O primeiro acordo fechado pelos EUA em meio a guerra tarifária foi com o aliado Reino Unido ainda no dia 8 de maio. O acordo elevou as tarifas de importação em 10% para os produtos do país europeu.

Fonte: Agência Brasil

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Internacional

China se diz pronta para cooperar com Brasil na defesa do sistema multilateral de comércio

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, reiterou que guerras tarifárias não têm vencedores

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, declarou nesta segunda-feira (28) que o gigante asiático está pronto para trabalhar com o Brasil e outros países em defesa de um comércio justo multilateral, em meio as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros.

“A China está pronta para trabalhar com o Brasil, outros países da América Latina e do Caribe e os países do Brics para, em conjunto, defender o sistema multilateral de comércio centrado na OMC [Organização Mundial do Comércio] e a equidade e justiça internacionais”, disse, em coletiva de imprensa.

Além disso, Jiakun reafirmou que as guerras tarifárias “não têm vencedores”. “A China já deixou clara sua posição sobre os aumentos de tarifas dos EUA sobre o Brasil. Permitam-me enfatizar que as guerras tarifárias não têm vencedores e que práticas unilaterais não atendem aos interesses de ninguém”, afirmou.

Por diversas vezes, o Brasil já deu acenos aos países que compõe o Brics para fortalecer as relações. Membros do governo defendem uma política externa multilateral, baseada em diálogo, respeito à soberania e equilíbrio entre as nações.

Porém, especialistas alertam para possíveis consequências que de se acionar órgãos como Brics e OMC contra tarifaço, que pode se tornar um “erro estratégico”.

“A capacidade dos fóruns multilaterais de atuarem como escudos diplomáticos é limitada e depende do tipo de fórum”, explica Guilherme Frizzera, especialista em relações internacionais.

“O Brics e o G20 não oferecem instrumentos jurídicos ou coercitivos, mas podem ser utilizados como plataformas de pressão política e coordenação com outros países que compartilhem preocupações semelhantes”, afirma.

A resposta combativa do presidente Lula, que chegou a dar pessoalmente a ordem de acionar a OMC em telefonema ao chanceler Mauro Vieira, visa preservar a imagem do Brasil como ator global independente.

“O entorno de Lula começa a ver esse episódio como um trunfo inesperado, com o poder de projetar a popularidade do presidente a partir de um discurso de enfrentamento e autonomia, mas essa retórica pode ser fulminada rapidamente, com os efeitos econômicos da taxação atingindo diretamente o bolso e o emprego do cidadão comum.”

Diálogo

A crise também reabre o debate sobre a tradicional estratégia brasileira de manter uma posição de equilíbrio entre grandes potências.

Segundo o coordenador do curso de relações internacionais da Universidade Católica de Brasília, Gustavo Menon, o diálogo é a melhor iniciativa para um acordo.

O conselho dele é enfrentar o desafio, diante da melhor tradição diplomática brasileiro, e seguir com os diálogos universalistas.

“Dessa forma, não negociar de maneira construtiva tende a aprofundar impactos negativos sobre a economia e a reputação internacional do Brasil, como revelam os inúmeros precedentes de outros países que já enfrentaram a mesma encruzilhada diplomática”, aponta Menon.

Fonte: R7

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