Comércio Exterior

Como a empresa mais valiosa do mundo ficou no meio da briga China-EUA

Em acordo histórico com governo Trump, gigantes da tecnologia concordam em compartilhar receitas de vendas para o mercado chinês em troca de licenças de exportação

Empresa mais valiosa do mundo, a Nvidia se vê no meio da histórica guerra comercial de Donald Trump com a China. O resultado: uma concessão extraordinária de uma corporação de US$ 4,5 trilhões que dará aos Estados Unidos uma porcentagem de cada chip de inteligência artificial de alta performance vendido aos chineses.

O acordo, que a AMD também assinou para alguns de seus chips, pode equilibrar dois objetivos concorrentes da administração Trump: manter a dominância norte-americana em IA enquanto assegura um acordo comercial com a China.

A tratativa ainda pode garantir à Casa Branca bilhões de dólares para gastar como desejar.

Do que trata o acordo?

A Nvidia e a AMD concordaram em pagar ao governo norte-americano 15% de suas receitas provenientes das vendas de semicondutores para a China em troca de licenças para exportar sua tecnologia para lá.

A Casa Branca bloqueou em abril a exportação de certos chips de IA para a China, incluindo os chips H20 da Nvidia e MI308 da AMD.

O acordo com a administração Trump permite que as empresas obtenham licenças de exportação para retomar as vendas desses chips na China, disse um funcionário norte-americano à CNN Internacional. O Financial Times foi o primeiro a reportar a história no domingo (10).

A Nvidia antecipou o acordo no mês passado, quando disse que retomaria as vendas do chip H20 para a China após o governo demonstrar abertura para permitir novamente a exportação de certos chips de IA.

Mas o pagamento de 15% foi uma surpresa. Trump disse que inicialmente foi solicitado à Nvidia pagar 20%, mas eles negociaram a taxa para 15%.

O acordo foi fechado após o CEO da companhia, Jensen Huang, se reunir com o presidente dos Estados Unidos na quarta-feira (6), disse o funcionário. Embora as licenças de exportação tenham sido concedidas na sexta-feira (8), nenhum envio foi feito ainda.

“Seguimos as regras que o governo dos EUA estabelece para nossa participação nos mercados mundiais”, disse um porta-voz da Nvidia em comunicado.

“Embora não tenhamos enviado H20 para a China por meses, esperamos que as regras de controle de exportação permitam que a América compita na China e mundialmente.”

Quão extraordinário é isto?

Governos, incluindo os Estados Unidos, já assumiram o controle de empresas no passado quando eram consideradas de importância estratégica para a segurança nacional.

Durante a crise financeira em 2009, os Estados Unidos assumiram o controle da General Motors e Chrysler, e os rendimentos dessas participações foram diretamente para o Tesouro norte-americano depois que o governo as vendeu com lucro.

Mas não está claro se o governo dos EUA já exigiu uma porcentagem dos negócios de uma empresa sem assumir participação acionária – ou se isso é sequer legal.

A Constituição dos EUA proíbe impostos sobre exportações. Para contornar isso, os termos do acordo foram estruturados como um acordo voluntário, para que não seja considerado um imposto ou tarifa, disse um funcionário.

Em vez disso, Nvidia e AMD enviarão voluntariamente fundos ao governo norte-americano. As empresas não terão nenhuma influência sobre como o governo utilizará esse dinheiro após o envio.

“É difícil identificar qualquer precedente histórico para esse tipo de acordo”, disse Sarah Kreps, professora de direito e diretora do Instituto de Política Tecnológica da Escola Brooks de Política Pública da Universidade Cornell.

E a segurança nacional?

Nos últimos anos, o governo norte-americano tem buscado restringir o acesso da China à tecnologia avançada dos EUA em um esforço para desacelerar seu progresso em IA e permitir que os Estados Unidos se mantenham no topo.

Mas a reversão da Casa Branca nos controles de exportação pode ser um reconhecimento de que a China está avançando em IA de qualquer maneira, então as empresas norte-americanas podem muito bem ser autorizadas a se beneficiar.

Isso também pode dar aos EUA outra forma de aumentar a receita para o governo, junto com as tarifas.

“Parece que houve alguma vacilação dentro da administração sobre e em relação à China, e acho que isso reflete a divisão interna dentro da administração entre os falcões da China e os pragmáticos econômicos”, disse Kreps. “Parece que, cada vez mais, os pragmáticos econômicos estão prevalecendo.”

Essa abordagem se alinharia com os argumentos de Huang, da Nvidia, que tem dito que restringir as vendas de chips de IA é ruim para a segurança nacional dos EUA.

Os desenvolvedores chineses poderiam simplesmente minar a liderança norte-americana criando suas próprias alternativas se não puderem comprar tecnologia do país, segundo Huang, que se reuniu com Trump repetidamente nos últimos meses.

A Casa Branca concorda com o CEO, acreditando que é melhor ter a China vinculada a um chip fabricado nos EUA vendido por canais legítimos do que forçá-la ao mercado negro, disse um funcionário do governo. Os chineses têm conseguido subverter os canais existentes para obter chips restritos de qualquer maneira.

Por que Trump está cobrando 15%?

Grandes questões permanecem sobre onde surgiu a ideia da comissão de 15% e o que isso poderia significar para a segurança nacional.

Um funcionário do governo disse que o pagamento permite que a administração mantenha o controle do processo de exportação e gere receita para a Casa Branca no processo.

Ainda assim, não está claro se a penalidade para Nvidia e AMD efetivamente limitará o fluxo dos chips ou eliminará quaisquer possíveis questões de segurança nacional.

“Se existe uma preocupação legítima de segurança nacional sobre a exportação desses chips para a China, então não vejo como os pagamentos ao governo dos EUA resolvem esses riscos. Na verdade, não resolvem de forma alguma”, disse Scott Kennedy, consultor sênior e presidente do conselho em negócios e economia chinesa no CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais).

“E se não houver risco suficiente à segurança nacional ou se eles puderem ser adequadamente mitigados […] então o governo dos EUA deveria simplesmente sair do caminho e não esperar nada em troca.”

O que isso significa para a Nvidia?

A Nvidia lançou o chip H20 no ano passado como uma forma de manter acesso ao mercado chinês — que representou 13% das vendas da empresa em 2024 — diante dos controles de exportação impostos pela administração Biden.

Mas acredita-se que os chips tenham contribuído para o DeepSeek, um modelo avançado de IA chinês que abalou o Vale do Silício após seu lançamento no início deste ano, levantando preocupações de que a China estaria mais à frente em IA do que se pensava anteriormente.

Depois que a administração Trump proibiu as vendas do H20 para a China em abril, a Nvidia disse que teve bilhões de dólares em encargos e perda de receita devido aos controles de exportação no primeiro trimestre e projetou um resultado semelhante no segundo trimestre.

Assim, mesmo que tenha que repassar 15% dessas vendas para a Casa Branca, retomar os envios do H20 para a China poderia significar bilhões de dólares a mais em receita para a Nvidia — que se tornou a primeira empresa de capital aberto a ultrapassar US$ 4 trilhões em valor de mercado no mês passado.

As ações da Nvidia subiram até 0,5% na segunda-feira (11).

Qual a importância desses chips?

Na segunda-feira (11), Trump chamou o chip H20 da Nvidia de “obsoleto”, dizendo que a China “já o possui em uma forma diferente.”

“Esses H20s ainda são estado da arte”, disse Kennedy do CSIS. Embora sejam menos avançados, em alguns aspectos, do que outros chips da Nvidia, “eles também vêm com elementos que os tornam extremamente sofisticados e valiosos”, incluindo suas capacidades de memória.

“Acho que sugestões de que eles são obsoletos subestimam o valor para o usuário”, disse ele.

A Nvidia provavelmente considerou que há demanda chinesa suficiente pelos chips para tornar a comissão de 15% para a Casa Branca uma compensação válida para seus negócios, segundo Kreps.

“Você tem que fazer um cálculo baseado no que foi perdido com os controles de exportação”, disse ela.

Trump aprovará chips mais avançados?

Na segunda, Trump deixou em aberto a possibilidade de a Nvidia exportar seus chips Blackwell de altíssimo desempenho por um preço mais alto.

A administração do republicano havia fechado as portas para a exportação dessa tecnologia para a China — mesmo após reverter o curso sobre o H20.

No entanto, Trump disse que consideraria permitir que a Nvidia vendesse o chip Blackwell.

“O Blackwell é superultraavançado. Eu não faria um acordo com isso, embora seja possível”, disse Trump. “Eu faria um acordo um pouco aprimorado de forma negativa. Blackwell, em outras palavras, tirar 30% a 50% dele, mas esse é o último e o melhor do mundo. Ninguém tem isso. Eles não terão por cinco anos.”

Trump disse que Huang voltará à Casa Branca no futuro para discutir a venda de uma versão “não aprimorada” do Blackwell.

“Acho que ele virá me ver novamente sobre isso, mas será uma versão não aprimorada do grande”, disse Trump. “Sabe, às vezes vendemos aviões de caça para um país e damos a eles 20% menos do que temos.”

O que a China quer?

Questionamentos de Pequim sobre a segurança dos chips de IA americanos também levantam incertezas sobre quão bem-sucedida a política de comissão de Trump poderia ser.

A China pode optar por não comprar os chips H20 da empresa americana Nvidia, disse no domingo (10) a conta de mídia social Yuyuan Tantian, que é afiliada à emissora estatal CCTV.

Ela alegou que os chips poderiam ter “backdoors” que afetam sua função e segurança, seguindo alegações similares anteriores da administração de cibersegurança da China.

A Nvidia tem negado repetidamente que seus produtos possuam backdoors.

No entanto, essa declaração pode ser menos uma indicação de que a China não comprará chips americanos e mais um sinal para as empresas de tecnologia chinesas continuarem inovando em semicondutores, mesmo se os envios dos EUA forem retomados, disse Kennedy.

O que isso significa para um acordo comercial mais amplo?

Para a administração Trump, a análise de custo-benefício indica que isso abre o fluxo de chips de médio porte para a China, ao mesmo tempo em que fornece à administração uma importante moeda de troca nas negociações comerciais em andamento, disse um funcionário dos EUA.

O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, classificou os controles de exportação da Nvidia como uma “moeda de negociação” nas discussões comerciais mais amplas entre EUA e China.

Mas a China está ciente disso, e seu posicionamento sobre supostas preocupações de segurança com o chip H20 neste fim de semana sugere que não será convencida tão facilmente — mesmo que deseje os chips para seu mercado.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Em meio às tarifas dos EUA, Lula conversa por telefone com Xi Jinping sobre ‘defesa do multilateralismo’

O governo informou que os dois países ‘concordaram sobre o papel do G20 e do BRICS na defesa do multilateralismo’. Segundo fontes do governo, a ligação, feita a pedido de Lula, também tratou das relações bilaterais entre os países e a conjuntura geopolítica internacional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o líder chinês Xi Jinping nesta segunda-feira (11) em meio ao tarifaço dos Estados Unidos imposto pelo presidente americano Donald Trump. A realização da ligação foi confirmada pelo Planalto.

De acordo com fontes do governo, a conversa, feita a pedido de Lula, também tratou das relações bilaterais entre os países e a conjuntura geopolítica internacional.

Em nota, o governo informou que a ligação durou cerca de uma hora e que os dois países “concordaram sobre o papel do G20 e do BRICS na defesa do multilateralismo”. Quando o governo americano aumentou tarifas de importação de mercadorias brasileiras para 50%, o Planalto classificou a medida como unilateral.

“Os chefes de Estado também conversaram sobre a parceria estratégica bilateral. Nesse contexto, saudaram os avanços já alcançados no âmbito das sinergias entre os programas nacionais de desenvolvimento dos dois países e comprometeram-se a ampliar o escopo da cooperação para setores como saúde, petróleo e gás, economia digital e satélites”, afirmou o documento.

Segundo a mídia estatal chinesa, Xi disse a Lula que os dois países poderiam dar um exemplo de “autossuficiência”. Ele também declarou que “todos os países devem se unir e se opor firmemente ao unilateralismo e ao protecionismo”, relatou a Xinhua.

Mais tarde, o presidente brasileiro foi às redes sociais para comentar a ligação.

“Reiterei a importância que a China terá para o sucesso da COP 30 e no combate à mudança do clima. O presidente Xi indicou que a China estará representada em Belém por delegação de alto nível e que vai trabalhar com o Brasil para o êxito da conferência”, diz a postagem.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), entre janeiro e julho deste ano as exportações para a China superaram os US$ 57,6 bilhões — cerca de R$ 313 bilhões. Já as importações somaram US$ 41,7 bilhões — cerca de R$ 227 bilhões.

Também nesta segunda, Lula afirmou que o Brasil precisa manter sua soberania e sonhar grande diante de um cenário internacional cada vez mais hostil. As declarações foram feitas durante a entrega de um prêmio da área de educação, no Palácio do Planalto.

“Este país está precisando de todos nós, porque o mundo está ficando mais perverso. O mundo está ficando mais nervoso, e nós precisamos de um país soberano, democrático, e que o povo brasileiro seja o único dono deste país”, disse Lula.

Medidas de reciprocidade

Assim que lançar o plano de ajuda econômica em resposta ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros, o governo quer iniciar o debate sobre medidas de reciprocidade. A informação foi publicada pela jornalista Ana Flor, da GloboNews.

O tema é considerado polêmico porque empresários brasileiros temem que a aplicação da Lei de Reciprocidade possa encarecer produtos importados dos EUA ou gerar outros impactos negativos na economia. Além disso, integrantes de setores econômicos avaliam que o uso da lei poderia sinalizar uma saída da mesa de negociação para tentar reverter as tarifas impostas nos últimos meses.

Segundo fontes do governo, Lula pediu aos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Fazenda a análise de medidas pontuais de reciprocidade. A orientação, segundo integrantes dessas pastas, não é adotar ações amplas, mas medidas específicas.

Fonte: G1

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Exportação

Leapmotor estreia navio próprio para exportar mais de 2.500 elétricos

Marca chinesa que chega ao Brasil em 2025 reforça logística global e prepara lançamento do SUV elétrico B10

A Leapmotor acaba de dar mais um passo importante em sua estratégia de internacionalização. A fabricante chinesa de veículos elétricos, que terá operação no Brasil a partir de 2025 por meio da Stellantis, realizou a viagem inaugural de seu primeiro navio dedicado à exportação de carros, o “Grande Tianjin”, com mais de 2.500 veículos elétricos a bordo.

Fretado junto ao Grupo Grimaldi, especializado em transporte marítimo de veículos e cargas, o navio teve sua cerimônia de batismo e entrega realizada em Xangai. A embarcação faz parte do esforço logístico da Leapmotor para garantir capacidade própria de exportação e acompanhar o crescimento da demanda internacional por seus modelos.

Desde 2022, a parceria com o Grupo Grimaldi já permite à Leapmotor acesso a uma capacidade mensal de transporte de até 22.500 veículos da Ásia para outros mercados. Agora, com o uso do navio fretado, a marca dá um passo adicional na consolidação de sua presença global — movimento semelhante ao feito pela BYD, que também conta com navios próprios para facilitar a distribuição de seus elétricos ao redor do mundo.

Atualmente, a Leapmotor está presente em mais de 30 países e regiões, com uma rede global de 1.500 pontos de vendas e serviços. A empresa acumula mais de 800 mil unidades entregues desde sua fundação e passou a atuar diretamente fora da China em 2024, com destaque para os modelos elétricos T03 (subcompacto) e C10 (SUV médio, disponível em versões BEV e EREV).

Importante para o mercado brasileiro: as primeiras unidades do SUV C10 já chegaram ao Brasil pelo sistema de “importação sobre águas”, o que permite acelerar o desembarque no Porto de Santos e agilizar o processo de chegada às concessionárias — com vendas previstas ainda em 2025. 

O próximo passo da marca será o lançamento internacional do SUV elétrico compacto B10, previsto para setembro. O modelo é o primeiro da Série B voltado ao mercado global e foi desenvolvido seguindo padrões internacionais desde sua concepção. Lançado na China em abril deste ano, o B10 tem preço inicial de RMB 99.800, o equivalente a cerca de R$ 75.848 pela cotação atual, e também será lançado no Brasil com o início de operações da marca.

A chegada ao Brasil ocorre em um momento de forte crescimento da Leapmotor na China: no primeiro semestre de 2025, foram vendidas mais de 220 mil unidades no país, além de um recorde de 50.129 veículos entregues em julho, incremento de 126% em relação ao mesmo mês do ano anterior. 

A Leapmotor é uma das marcas chinesas que mais se destacam na atual fase de consolidação do mercado global de elétricos. Desde maio de 2024, opera uma joint venture com a Stellantis, chamada Leapmotor International, sediada em Amsterdã, com divisão acionária de 51% para a montadora chinesa e 49% para a gigante franco-italiana.

Fonte: Inside EVs



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Exportação

Mercados reagem a dados chineses e Fed; tarifas pressionam exportações brasileiras

As principais bolsas da Ásia e da Europa registraram alta, desafiando o ambiente de incerteza provocado pela nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos. O índice de Xangai atingiu seu maior patamar desde 2021, impulsionado por números de importação e exportação da China em julho que superaram as expectativas dos analistas. O bom desempenho dos dados chineses renovou o apetite por risco dos investidores e compensou, em parte, as preocupações comerciais globais.

Segundo fontes do Departamento de Comércio dos EUA, oito dos principais parceiros comerciais do país – responsáveis por cerca de 40% dos fluxos comerciais americanos – firmaram acordos para limitar as tarifas a 15% ou menos. No entanto, países como Brasil, Índia, Suíça e Canadá enfrentam agora tarifas significativamente mais elevadas, entre 35% e 50%, o que deve impactar diretamente setores exportadores estratégicos, como o de alimentos e commodities agrícolas.

Apesar da tensão tarifária, Taiwan e Coreia do Sul comemoraram isenções totais sobre as taxas de importação de semicondutores, um alívio importante para cadeias produtivas de alta tecnologia.

Outro fator que ajudou a sustentar o otimismo dos mercados foi a sinalização de que o Federal Reserve pode iniciar uma nova rodada de cortes de juros ainda este ano. Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, e Mary Daly, do Fed de São Francisco, indicaram que a instituição ainda vê espaço para flexibilizar a política monetária nos próximos meses, diante de dados econômicos que sugerem desaceleração da atividade.

Em meio às especulações, o presidente Donald Trump afirmou que deve indicar nos próximos dias uma substituta temporária para o lugar de Adriana Kugler no conselho do Fed. Também circulam os nomes cotados para substituir Jerome Powell na presidência do banco central em 2026, com destaque para Kevin Warsh, ex-governador do Fed, e Kevin Hassett, conselheiro da Casa Branca.

Mercado de cacau mantém viés altista

No mercado de cacau, o contrato com vencimento em dezembro registrou nova valorização, encerrando o dia em US$ 7.837 por tonelada, com alta de US$ 87. Durante o pregão, oscilou entre US$ 7.657 e US$ 7.849, com um volume expressivo de 30.048 contratos negociados. O interesse em aberto subiu levemente, alcançando 96.534 contratos, sinalizando continuidade da pressão compradora.

Os estoques certificados nos portos dos EUA, monitorados pela ICE, apresentaram mais uma queda – desta vez de 8.333 sacas – totalizando 2.298.448 sacas, reforçando a percepção de aperto na oferta física da amêndoa nos mercados de entrega.

O contrato futuro de Real x Dólar com vencimento em 30 de agosto está estável, cotado a R$ 5,50, refletindo um momento de compasso de espera antes da divulgação de indicadores econômicos importantes nos EUA nesta quinta-feira.

Fonte: mercadodocacau

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Mercado Internacional

China: Superávit comercial atinge US$ 98,2 bilhões em julho/2025

O superávit comercial da China caiu para US$ 98,2 bilhões em julho, ante US$ 114,8 bilhões em junho, abaixo do esperado, informou a Administração Geral de Alfândegas do país em seu relatório publicado na quinta-feira.

As exportações aumentaram 7,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, em dólares, acima do esperado. Já as importações aumentaram 4,1% na comparação anual.

Em moeda local, o superávit comercial foi de 705,1 bilhões de yuans. As exportações registraram um aumento anual de 8%, enquanto as importações subiram 4,8%.

Fonte: ADVFN Brasil

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Internacional

China prorroga investigação sobre importação de carne bovina e dá alívio ao setor no Brasil

A China decidiu estender por três meses a investigação sobre a importação de carne bovina que pode resultar na aplicação de medidas de salvaguardas contra o Brasil, maior exportador da proteína para lá, e outros países. A decisão, que seria tomada em agosto, agora será divulgada em novembro.

De acordo com o Ministério do Comércio da China, a prorrogação da investigação devido à “complexidade do caso”. O novo prazo para decisão do governo chinês é 26 de novembro.

O processo foi aberto em dezembro do ano passado a pedido dos pecuaristas e da indústria local, que alegam danos à produção chinesa por conta do aumento das importações da proteína nos últimos cinco anos.

Em meio à tensão comercial com os Estados Unidos, que decidiram taxar as exportações de carne bovina brasileira e outros produtos em 50%, a extensão do prazo da investigação chinesa foi bem recebida por representantes do setor produtivo. Uma liderança disse que a prorrogação tira essa “pressão” sobre o Brasil em um momento complicado.

“O adiamento da decisão vem em boa hora, no contexto atual das exportações de carne bovina. Continuaremos trabalhando para esclarecer a situação da melhor forma possível junto à contraparte chinesa”, afirmou ao Valor o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua.

A investigação chinesa não é focada no Brasil, mas pode resultar na aplicação de tarifas e cotas sobre suas importações de carne bovina caso consiga provar que houve dano ao seu mercado interno pelo aumento do volume importado nos últimos anos. O processo examina os embarques entre 2019 e 2024.

A China consome cerca de 12 milhões de toneladas de carne bovina por ano, das quais 2,5 milhões de toneladas são importadas de diversas origens. O Brasil é o maior fornecedor.

Exportações Brasileiras de Carne Bovina para a China – Jan 2022 a Maio 2025 – TEU

Foram embarcadas 1,3 milhão de toneladas em 2024 (cerca de 10% do consumo geral dos chineses). No primeiro semestre de 2025, os frigoríficos brasileiros venderam 641,1 mil toneladas ao país asiático, alta de 13,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

O faturamento dos embarques nos seis primeiros meses deste ano foi de US$ 3,2 bilhões, incremento de 28,2% em relação ao resultado acumulado de janeiro a junho de 2024.

A estratégia brasileira, que apresentou defesa no processo chinês, foi demonstrar que os produtos que o país exporta complementam a indústria chinesa. A maior parte da carne do Brasil segue para processamento nas empresas chinesas. O objetivo da argumentação é mostrar que a carne nacional não tira mercado dos chineses.

Procurada, a Abiec, que representa o setor exportador do Brasil, ainda não se manifestou.

Medida é prevista na OMC
O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral afirmou que a prorrogação da investigação da China sobre a importação de carne bovina é uma medida prevista no acordo de salvaguardas da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo ele, que atua no processo na defesa jurídica dos exportadores do Brasil, já havia indícios de extensão do prazo por conta da complexidade do caso.

“De fato, o processo é muito complexo. Apesar de o Brasil ser responsável por metade das exportações de carne bovina para a China, a investigação envolve outros países importantes, como Estados Unidos, Europa e Argentina. Envolveu uma carga grande de trabalho”, disse. Barral é sócio-fundador da BMJ Consultores Associados.

A investigação, no limite, pode resultar na aplicação de cotas ou tarifas sobre a importação de carne bovina caso a China comprove que houve dano à indústria local devido ao aumento da presença da proteína estrangeira no país.

Uma fonte a par do assunto avaliou que a prorrogação é um “alívio” para o Brasil em momento que o país tenta incluir a carne bovina na lista de exceções do tarifaço dos Estados Unidos. “Se tivesse uma tarifa adicional da China, criaria uma pressão sobre exportações, em dois grandes mercados. A prorrogação mantém o mercado chinês sem qualquer tipo de turbulência”, disse, sob anonimato.

A aplicação de salvaguardas é defendida pelos pecuaristas e a indústria chinesa. O processo interessa diretamente ao Ministério da Agricultura do país, mas há resistências do Ministério do Comércio, que lidera a investigação, disse uma fonte. As negociações entre China e EUA também influencia nisso.

Fonte: Globo Rural

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Importação, Industria

China reforça parceria com o Brasil e destaca importação do açaí

Em meio ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a China voltou a demonstrar, publicamente, seu interesse em importar produtos brasileiros. O destaque mais recente foi uma postagem feita nesta quarta-feira (7) pela embaixada chinesa no Brasil, que promoveu o açaí como um dos produtos mais populares entre os consumidores chineses e símbolo do comércio entre os dois países.

A informação foi publicada pelo jornal O Globo, que destacou a iniciativa como parte da estratégia chinesa de estreitar os laços com o Brasil em um momento de tensões entre Brasília e Washington. Na publicação, feita na plataforma X (antigo Twitter), a embaixada chinesa afirma: “O Brasil é o maior exportador de açaí do mundo. O sabor único e os benefícios à saúde fazem dele um dos produtos mais populares entre os consumidores chineses”. A postagem foi acompanhada por imagens do fruto e emojis de corações.

O gesto é interpretado como um aceno diplomático e comercial diante das recentes medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos, que elevaram tarifas sobre diversas exportações brasileiras, incluindo carne, café e suco de laranja. A atitude de Pequim reforça a disposição da China em ampliar sua presença no mercado brasileiro e fortalecer o fluxo bilateral de comércio.

A sinalização é clara: enquanto os Estados Unidos fecham portas, a China amplia oportunidades. A recente aprovação de 183 empresas brasileiras para exportar café ao mercado chinês, válida por cinco anos, e a promoção de itens como o açaí, fazem parte de um conjunto de iniciativas que visam consolidar o Brasil como fornecedor estratégico em tempos de reconfiguração do comércio global.

Fonte: Brasil247

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Exportação

Mato Grosso responde por 1/3 das exportações de gergelim para a China

Estado lidera produção nacional e concentra 32,7% das empresas brasileiras habilitadas para atender o maior mercado consumidor do mundo

Mato Grosso consolidou sua posição de protagonismo no mercado internacional de gergelim. O estado responde por 1/3 da demanda nacional de exportação da oleaginosa para a China, de acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O número de empresas mato-grossenses habilitadas a exportar gergelim para o país asiático saltou de 8 para 20, uma alta de 150%. A nova lista, divulgada recentemente pela Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC), ampliou de 31 para 61 o total de estabelecimentos brasileiros autorizados. Com isso, Mato Grosso representa 32,7% das empresas aptas a atender o maior mercado importador do mundo.

A China lidera o consumo global de gergelim, com 38,4% de participação. O avanço nas habilitações brasileiras é um passo importante na consolidação do país como fornecedor estratégico da semente.

No campo, os números também reforçam a liderança de Mato Grosso. O estado é o maior produtor de gergelim do Brasil, com estimativa de 276,3 mil toneladas para a safra 2024/25. O volume representa um crescimento de 12,3% em relação ao ciclo anterior, conforme projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A produção nacional está estimada em 396,7 mil toneladas, alta de 9,8%.

O cultivo da oleaginosa vem ganhando espaço especialmente em áreas de segunda safra, como alternativa de renda e estratégia de diversificação da agricultura. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, César Miranda, o resultado alcançado é reflexo da organização do setor produtivo e da articulação entre os setores público e privado.

“Esse avanço expressivo é resultado direto do dinamismo dos nossos produtores e da atuação estratégica do Governo de Mato Grosso, que tem buscado abrir novos mercados e fortalecer a imagem do nosso agronegócio no exterior”, afirma.

Como parte dessa estratégia, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) criou a Câmara Técnica do Gergelim. O grupo reúne produtores, exportadores e órgãos públicos com o objetivo de alinhar estratégias, garantir qualidade e ampliar a presença do produto mato-grossense no mercado internacional.

Hoje, o Brasil ocupa atualmente a sétima posição entre os maiores exportadores mundiais de gergelim, com 5,31% de participação no comércio global. Goiás, Pará e Tocantins também figuram entre os principais estados produtores, enquanto Bahia, Minas Gerais, Maranhão e Rondônia apresentam forte potencial de crescimento.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Comércio Exterior

Nem a China vai tomar o café que os EUA nos compram e nem o México supera os americanos na compra da carne brasileira

Veja a coluna de Valdir Barbosa desta segunda-feira (04)

Duas notícias nesse final de semana movimentaram debates e pessoas que por algum motivo não compreenderam bem o que alguns orgãos de comunicação informaram.

A primeira vem da China que credenciou 183 empresas brasileiras para exportação de café para aquele país.

Outra que chegou a virar manchete em várias páginas foi sobre o México que disparou na compra da carne bovina brasileira, ultrapassando os Estados Unidos e já ocupando o segundo lugar nesse mercado.

O México realmente teve uma boa escalada na compra da carne bovina do Brasil subindo de 3 mil para 16 mil toneladas. É um grande e pequeno salto de janeiro a junho desse ano. Os Estados Unidos compraram 156 mil toneladas, 140 mil a mais que o México. E antes do tarifaço era previsto um embarque de mais 200 mil toneladas até dezembro.

Algumas pessoas já dão como certo a China comprar todo o café que vai para os Estados Unidos, um volume de 8 milhões de sacas, por causa do credenciamento de 183 empresas exportadoras de café no Brasil.

Vamos aos números: os americanos são os maiores consumidores de café no mundo e nos compram 8 milhoes de sacas.

A China está em fase inicial de consumo de café, com a maioria de jovens no consumo, através de variados drinks, não cafezinho como bebemos aqui.

Ano passado a China importou 530 mil sacas de café contra 8 milhões dos Estados Unidos. A distancia ainda é muito grande!

Muitos exageros saem de palanques políticos do governo que buscam transformar tudo em voto e que as vezes dá certo, porque a maioria das pessoas ouve e não sabe traduzir para a prática.

Quantas vezes já se falou que o governo conseguiu nos ultimos 3 anos mais de 370 novos mercados para exportar seus produtos. Ter uma carteira recheada de clientes é sempre bom, mas esse números não significam que serão transformados em grandes negócios. E nem o Brasil teria tantos produtos para atender a tantos mercados.

A prova foi o bloqueio da importação da carne de frango durante a gripe aviária. China e União Europeia não retornaram as compras até hoje. Vamos com calma!

Itatiaia Agro, Valdir Barbosa…

Fonte: Itatiaia Colunas

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Economia, Exportação, Investimento

China libera 183 empresas do Brasil para exportar café após tarifaço dos EUA

O interesse de investidores chineses pelo Brasil está em expansão e ganha novos contornos, o país asiático vem ampliando sua presença tanto em grandes projetos de infraestrutura quanto em setores voltados ao mercado interno, como consumo e serviços, ao mesmo tempo em que enfrenta tensões com os Estados Unidos, presididos por Donald Trump, em seu segundo mandato.

Segundo dados do Banco Central, apenas no primeiro semestre de 2025 os investimentos diretos chineses em participação de capital no Brasil somaram US$ 379 milhões, superando qualquer resultado anual desde 2018. Embora os números oficiais coloquem a China como a décima maior investidora, especialistas alertam que parte relevante do capital chega por meio de países intermediários, como Holanda e Luxemburgo. “Não necessariamente os números oficiais refletem o volume de atividade que vemos de empresas chinesas, porque, muitas vezes, o investimento não vem diretamente da China”, explica Stephen O’Sullivan, especialista em Societário e M&A do escritório Mattos Filho. Ele destaca o crescimento da procura de grupos chineses e cita operações recentes em mineração e petróleo.

A diversificação é visível. No setor de infraestrutura, projetos de peso estão em curso: a CRRC, fabricante de trens, abrirá fábrica em Araraquara (SP) e assinou contrato para fornecer 44 trens ao Metrô de São Paulo. A CCCC (China Communications Construction Company) é apontada como interessada no leilão do túnel Santos-Guarujá, enquanto a State Grid lidera obras de transmissão elétrica de R$ 18 bilhões e a Cofco instala terminal de grãos no Porto de Santos. Além disso, chineses miram portos e ferrovias estratégicas, com atenção especial ao megaterminal Tecon 10.

O movimento também atinge o mercado interno. Empresas como a Shein, Meituan e a rede de bebidas Mixue indicam o avanço chinês em consumo, delivery e serviços, áreas menos dependentes de licenciamento e regulação. “Temos uma população cada vez mais de classe média e consumidora, com interesse em tecnologia. É um mercado interessante para empresas chinesas”, afirma O’Sullivan. Fabiana D’Atri, economista da Bradesco Asset Management e diretora do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), acrescenta que o fluxo cresce à medida que os chineses conhecem melhor os riscos e oportunidades do país.

O fortalecimento dos laços bilaterais também tem dimensão geopolítica. O Brasil, membro fundador do Brics, discute adesão à Iniciativa Cinturão e Rota e firmou recentemente um megaprojeto ferroviário ligando o Atlântico ao Pacífico. Para analistas do Deutsche Bank, a aproximação com Pequim pode ter influenciado a decisão de Trump de aplicar tarifas de 50% a produtos brasileiros, em meio à estratégia dos EUA de conter a expansão chinesa.

Especialistas ressaltam, contudo, que o investidor chinês mantém cautela diante de volatilidade cambial, juros elevados e complexidade regulatória no Brasil. Ainda assim, a conjunção de crescimento econômico, abundância de recursos naturais — incluindo as “terras raras”, essenciais para alta tecnologia — e mercado consumidor em expansão reforça a atratividade brasileira para o capital da China.

Fonte: G1

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