Internacional, Investimento

Líderes de gigantes chineses vêm conhecer projetos da Via Mar, ferrovias e data center

Um dos principais resultados da missão de SC à Ásia é a confirmação da visita de executivos de grandes grupos empresariais chineses em julho para avaliar investimentos em SC

Um dos resultados da missão de Santa Catarina à China é a confirmação da visita de líderes de grupos empresariais gigantes chineses para conhecer projetos potenciais para investimentos no estado. Eles confirmaram à comitiva de SC, que tem à frente o governador Jorginho Mello, que virão em cerca de 30 dias, o que significa visita na segunda quinzena de julho. O foco serão os projetos da Via Mar, instalação de um data center potente para facilitar o uso de inteligência artificial, investimentos em ferrovias e aeronaves para a aviação estadual e regional.

De acordo com o secretário de Articulação Internacional e Projetos Estratégicos, Paulo Bornhausen, virão executivos dos grupos PowerChina, Inspur e CRRC. Quem virá pela PowerChina será o diretor e gerente geral Tang Yuhua. A empresa tem potencial para assumir a concessão da futura Via Mar, rodovia de 145 quilômetros para ligar de Joinville ao Contorno Viário da Grande Florianópolis.

Fonte: NSC

Ler Mais
Comércio Exterior, Importação, Mercado Internacional

A grande mudança na alimentação da China para reduzir importações de soja pressiona pequenos agricultores

A iniciativa da China de reduzir o uso de farelo de soja na alimentação animal para diminuir a dependência de importações é viável, mas será cara e tecnicamente desafiadora para os pequenos agricultores, que respondem por um terço da produção de carne suína do país, segundo especialistas do setor.

Em abril, a China anunciou um plano para reduzir o teor de farelo de soja nas rações animais para 10% até 2030, abaixo dos 13% registrados em 2023, à medida que a guerra comercial contínua com os EUA aumenta a urgência de Pequim em reforçar a segurança alimentar. Em 2017, o farelo de soja representava 17,9% da alimentação animal na China, segundo o Ministério da Agricultura do país.

Se for bem-sucedida, a China poderá reduzir as importações anuais de soja em cerca de 10 milhões de toneladas métricas — o equivalente à metade dos US$ 12 bilhões em compras de soja dos EUA realizadas pelo país em 2024 — segundo cálculos da Reuters e estimativas de dois analistas, o que deve diminuir a demanda dos agricultores nos EUA e do principal fornecedor, o Brasil.

Embora os principais criadores de suínos da China já tenham reduzido o uso de farelo de soja e possam fazer cortes adicionais utilizando fontes alternativas de proteína, os pequenos produtores provavelmente enfrentarão dificuldades devido a restrições de custo e maior sensibilidade a impactos no crescimento dos animais, afirmaram agricultores, nutricionistas e analistas.

A China abriga metade dos porcos do mundo.

“Existe uma preferência habitual significativa entre os pequenos produtores por formulações tradicionais à base de farelo de soja, em grande parte devido à familiaridade, confiança e percepção de confiabilidade”, disse Matthew Nicol, analista sênior da empresa de pesquisa China Policy.

“As grandes empresas vão se adaptar rapidamente, enquanto os pequenos produtores podem ficar para trás ou até enfrentar retrocessos”, afirmou ele.

Na China, os grãos de soja são processados para produzir óleo de cozinha e farelo — um ingrediente relativamente barato e rico em proteínas, usado para engordar porcos, aves e bovinos. O farelo de soja é valorizado na alimentação animal por seu perfil ideal de aminoácidos e pela compatibilidade com grãos ricos em energia, como milho e trigo.

A China, de longe o maior importador mundial de soja, reduziu sua dependência dos suprimentos dos EUA desde o início da guerra comercial durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump. Atualmente, a China compra cerca de 20% da sua soja dos EUA, uma queda em relação aos 41% registrados em 2016, mas ainda representa quase metade das exportações americanas da oleaginosa.

REDUÇÕES NO USO DE FARELO DE SOJA

Atualmente, o uso de farelo de soja na China já é menor do que em algumas outras regiões.

As rações para suínos nos Estados Unidos contêm, em média, entre 15% e 25% de farelo de soja, estimam especialistas, já que fontes alternativas de proteína — como o subproduto da produção de etanol de milho (distillers grain) e aminoácidos sintéticos — têm substituído o farelo de soja em certos períodos, segundo Hans Stein, nutricionista de suínos da Universidade de Illinois.

No Sudeste Asiático, a inclusão média é de cerca de 25% para aves e 20% para suínos, afirmou Basilisa Reas, diretora técnica regional com sede em Manila do U.S. Soybean Export Council.

Em comparação, a maior produtora de suínos da China, a Muyuan Foods (002714.SZ), reduziu o uso de farelo de soja para 5,7% da composição da ração em 2023, ante 7,3% em 2022. Já a Wens Foodstuff (300498.SZ) relatou uma média de 7,4% de inclusão de farelo de soja em sua ração composta em 2021, de acordo com comunicados da empresa e documentos do governo.

NO ENTANTO, PEQUENOS PRODUTORES ENFRENTAM DIFICULDADES

Pequenos produtores chineses, que criam 32% dos porcos, 63% do gado de corte e 12% dos frangos de corte do país, geralmente não têm capital, conhecimento técnico ou acesso a ferramentas de formulação de ração de precisão para reduzir o uso de farelo de soja, segundo analistas e nutricionistas.

Dados da plataforma de criação de suínos Zhue.com.cn mostram que fazendas familiares chinesas normalmente utilizam entre 15% e 20% de farelo de soja nas rações.

Um criador veterano, de sobrenome Wang, que cria de 200 a 300 porcos na província de Shanxi, no norte da China, utiliza 18% de farelo de soja na alimentação das porcas matrizes e acredita que uma dieta com menos farelo de soja desaceleraria o ganho de peso e prolongaria o ciclo de produção.

“Com dietas ricas em farelo de soja, posso alimentar menos,” disse ele. “Com rações com pouco farelo, preciso alimentar mais — ou os porcos ficam muito magros.”

ALTERNATIVAS CARAS E AINDA EM DESENVOLVIMENTO

As substituições do farelo de soja geralmente envolvem uma mistura de fontes alternativas de proteína, como farelo de colza, farelo de palmiste, farelo de arroz, farinha de peixe, além de suplementos de aminoácidos sintéticos, segundo Basilisa Reas.

No anúncio de abril, o Ministério da Agricultura da China incentivou o uso de alternativas como aminoácidos sintéticos, palha fermentada, milho de alto teor proteico e proteínas não derivadas de grãos, como proteína microbiana, proteína de insetos e resíduos alimentares. A meta é alcançar mais de 10 milhões de toneladas de produção de proteína não derivada de grãos até 2030.

Desde a guerra comercial iniciada no governo Trump, a China também vem promovendo a chamada “tecnologia de ração com baixo teor de proteína”, que reduz a dependência de farelo de soja ao complementar a dieta animal com aminoácidos sintéticos, especialmente entre grandes empresas do setor.

A Muyuan, por exemplo, está colaborando com a Universidade de Westlake, em Hangzhou, em pesquisas de biologia sintética voltadas para uma produção suína “zero-soja”.

No entanto, especialistas da indústria alertam que os aminoácidos sintéticos só conseguem substituir parcialmente as proteínas naturais e não atendem totalmente às exigências digestivas dos animais.

Pequim também apoia o cultivo de milho com alto teor de proteína — cerca de 667 mil hectares já foram plantados. Essa variedade contém mais de 10% de proteína, em comparação com os 8% do milho convencional.

A proteína de inseto também está ganhando espaço: fazendas de mosca soldado negra nas províncias de Shandong e Guangdong produzem 100 mil toneladas de ração por ano, atualmente em fase de testes para alimentação de aves, suínos e aquicultura, segundo a Guide to Chinese Poultry, uma revista apoiada pelo ministério da agricultura.

Contudo, a maioria dessas alternativas ainda é mais cara ou está em estágios iniciais de desenvolvimento.

No fim de maio, o farelo de soja no leste da China custava 66 yuans (US$ 9,19) por unidade de proteína — mais barato que a lisina (um aminoácido sintético), a 79 yuans por unidade, e que a proteína de milho, a 69 yuans, segundo um trader de Xangai.

“As operações agrícolas chinesas, no fim das contas, vão priorizar a lucratividade,” disse Even Rogers Pay, analista agrícola da Trivium China.
“Enquanto o farelo de soja continuar sendo a melhor opção em termos de custo e desempenho dos animais, continuará mantendo participação no mercado.”

Fonte: Reuters

Ler Mais
Internacional, Mercado Internacional

Produção de algodão na China pode superar 7 mi/t pelo segundo ano consecutivo

Consumo da fibra segue incerto diante das altas taxas de juros, tensões geopolíticas, tarifas e demanda fraca por fios

As previsões para a produção de algodão no Brasil e na Austrália seguem elevadas, assim como para a China, onde espera-se uma safra superior a sete milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo.

Ao mesmo tempo, as incertezas em torno do consumo permanecem diante das altas taxas de juros, tensões geopolíticas, conflitos armados, incerteza sobre tarifas e demanda fraca por fios.

As informações constam no Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa desta sexta-feira (20).

Confira os destaques trazidos pelo Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa:

Algodão em NY – O contrato Jul/25 fechou nesta quarta-feira, 18/jun, cotado a 64,84 U$c/lp (-0,5% vs. 12/jun). O contrato Dez/25 fechou em 66,67 U$c/lp (-1,2% vs. 12/jun).

Basis Ásia – Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 991 pts para embarque Jun/Jul-25 (Middling 1-1/8″ (31-3-36), fonte Cotlook 18/jun/25).

Baixistas 1 – O contrato Dez/25 atingiu o menor patamar desde abril, pressionado por oferta abundante e demanda fraca.

Baixistas 2 – A produção no Brasil e Austrália permanece elevada. Na China, espera-se safra maior que 7 milhões de tons pelo segundo ano consecutivo.

Baixistas 3 – O consumo segue incerto diante de altas taxas de juros, tensões geopolíticas, conflitos armados, incerteza sobre tarifas e demanda fraca por fios.

Altistas 1 – Embora o USDA esteja projetando produção de 14 milhões de fardos este ano nos EUA, muitos analistas acreditam que essa previsão ainda está superestimada, especialmente diante das condições atuais de área e clima.

Missão Ásia 1 – A Abrapa encerrou com sucesso a missão na Ásia. Na segunda (16), o seminário Cotton Brazil Outlook reuniu os principais industriais têxteis da Coreia do Sul em Seul. O evento foi realizado em parceria com a SWAK, principal entidade do setor têxtil Coreano.

Missão Ásia 2 – governador de MT, Mauro Mendes, prestigiou o evento com sua comitiva, assim como a embaixadora do Brasil na Coreia do Sul, Márcia Donner.

Missão Ásia 3 – A missão faz parte do programa Cotton Brazil, realizado pela Abrapa em parceria com a ApexBrasil e apoio da Anea. Antes de Seul, a comitiva brasileira composta por produtores e traders brasileiros esteve no Congresso Chinês de Algodão em Guangzhou (China), e em Taipei (Taiwan).

Better Cotton Conference 1 – A Abrapa destacou durante a Better Cotton Conference a contribuição do cotonicultor brasileiro para o desenvolvimento sustentável do Brasil.

Better Cotton Conference 2 – O tema foi abordado pelo diretor da Abrapa, Marcelo Duarte, durante sua palestra no evento, que ocorreu nesta semana em Izmir, Turquia.

Better Cotton Conference 3 – diretor da SLC Roberto Acauan participou de importante painel na plenária principal do evento. Roberto apresentou as ações do grupo para mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Better Cotton Conference 4 – delegação brasileira que participou do evento, com representantes da Abrapa e da Anea, ainda realizou importantes reuniões para nosso setor durante o evento na Turquia.

Better Cotton Conference 5 – A Better Cotton anunciou que se tornará um padrão regenerativo nos próximos 12 meses, atualizando seus Princípios e Critérios, implementando uma estrutura de relatórios baseada em resultados socioambientais.

Better Cotton Conference 6 – Nick Weatherill foi apresentado como novo CEO da Better Cotton, substituindo Alan McClay após 10 anos. Ex-diretor executivo da International Cocoa Initiative, Weatherill traz ampla experiência em sustentabilidade.

Better Cotton Conference 7 – O primeiro compromisso internacional de Nick como CEO será uma viagem ao Brasil em Julho, em parceria com Abrapa e Anea.

EUA – O plantio nos EUA está chegando ao fim. O trabalho está quase concluído em seis dos 15 principais estados produtores e 85% da área estimada foi plantada até 15/jun (5 p.p. a menos que a média de cinco anos).

China 1 – As importações de algodão pela China em maio somaram cerca de 40 mil tons. Desde Out/16 os números não eram menores que 50 mil tons. O volume acumulado em 2024/25 é de 1,05 milhão de tons (contra 2,9 milhões tons da temporada passada).

China 2 – Importações de fios de algodão pela China atingiram 100 mil tons em maio (-7% X abr/25 e abaixo também de mai/2024). No acumulado da temporada, o total é de 1,06 milhão tons (contra 1,3 milhão em 2023/24).

China 3 – Observadores locais continuam prevendo um aumento na produção chinesa de algodão este ano, mesmo com o clima mais quente em Xinjiang.

Paquistão 1 – plantio já foi concluído em muitos distritos paquistaneses.

Paquistão 2 – Entra em vigor em 1º de julho o imposto de 18% sobre fios importados. Fiações paquistanesas já preveem aumento de preços no mercado interno.

Brasil – Exportações – As exportações brasileiras de algodão somaram 71,9 mil tons na primeira semana de maio. A média diária de embarque é 10,3% menor que no mesmo mês em 2024.

Brasil – Colheita 2024/25 – Até ontem (19/06), foram colhidos no estado da BA (6%), GO (30,55%), MG (25%), MS (2,25%), PI (9%), PR (75%) e SP (76,5%). Total Brasil: 2,42%.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

Ler Mais
Internacional, Mercado Internacional, Negócios

Rússia espera que Brasil ocupe lacunas de mercado em complemento à China após saída de empresas ocidentais

As empresas brasileiras podem preencher algumas das lacunas nos mercados russos deixadas pela saída de empresas ocidentais e apenas parcialmente ocupadas pelas companhias chinesas, disse nesta quarta-feira o vice-ministro da Economia da Rússia, Vladimir Ilyichev.

A saída abrupta de dezenas de empresas ocidentais da Rússia devido ao conflito na Ucrânia levou à fuga de capitais e à desaceleração econômica. Moscou agora se concentra na produção local e na cooperação com os chamados países “amigos” que não impuseram sanções, particularmente os membros do Brics: Brasil, Índia, China e África do Sul.

Qualquer empresa ocidental que tente retornar para a Rússia enfrenta barreiras, e alguns setores, como o de telecomunicações, parecem estar totalmente fora dos limites.

Empresas locais preencheram alguns nichos deixados pelas companhias ocidentais, enquanto outros setores, particularmente a indústria automobilística, agora são dominados pelos chineses.

Ilyichev, falando no painel Brasil-Rússia no fórum econômico russo em São Petersburgo, sugeriu que empresas brasileiras poderiam estabelecer operações na Rússia para fornecer produtos de engenharia e bens relacionados às indústrias de consumo.

“Acreditamos que as empresas brasileiras podem ocupar alguns dos nichos que ficaram vagos em nosso mercado, após a saída de empresas ocidentais, e que ainda não foram totalmente preenchidos por nossos colegas chineses”, disse Ilyichev.

O comércio bilateral de bens como fertilizantes, derivados de petróleo, alimentos e metais entre a Rússia e o Brasil atingiu o recorde de US$12,4 bilhões em 2024, embora as exportações brasileiras estejam bem abaixo das russas.

Ilyichev disse estar esperançoso com uma cooperação mais ampla, inclusive em termos de energia nuclear.

Em um painel separado, o presidente-executivo da Rostelecom, Mikhail Oseevskiy, disse: “(Empresas) europeias, empresas americanas, desenvolvedores de software e hardware não devem ser autorizados a entrar. A estrada deve ser fechada. Eles saíram, batendo a porta, abandonando tudo: não há confiança.”

Os comentários ecoaram os do presidente-executivo do conglomerado industrial Rostec, uma peça crucial da indústria de defesa da Rússia.

“Os vários parceiros ocidentais que tínhamos antes de 2022 falharam conosco”, disse o chefe da Rostec, Sergei Chemezov, em uma entrevista na semana passada à Razvedchik, uma revista publicada pelo SVR, o serviço de inteligência estrangeira da Rússia.

Fonte: Investing

Ler Mais
Internacional, Mercado Internacional

A China está desencadeando um novo choque de exportações no mundo

Com as tarifas do presidente Trump fechando o mercado dos EUA, os produtos chineses estão inundando países do Sudeste Asiático à Europa e à América Latina

Há duas décadas, a China surpreendeu os Estados Unidos com sua capacidade de produzir e exportar rapidamente, em grande escala e a baixo custo — algo nunca visto antes. O consequente aumento nas exportações remodelou a economia e a política dos EUA.

Hoje, um novo “choque da China” está se espalhando pelo mundo, de países como Indonésia à Alemanha e ao Brasil.

À medida que as tarifas impostas pelo presidente Trump começam a excluir a China dos Estados Unidos — seu maior mercado — as fábricas chinesas estão enviando brinquedos, carros e sapatos para outros países em um ritmo que está transformando economias e a geopolítica global.

Neste ano, até agora, o superávit comercial da China com o mundo já chega a quase 500 bilhões de dólares — um aumento de mais de 40% em relação ao mesmo período do ano passado.

Enquanto as duas superpotências travam uma disputa comercial, o restante do mundo se prepara para um choque ainda maior vindo da China.

“A China tem uma enorme quantidade de produtos que precisa exportar, e independentemente de os EUA aplicarem tarifas ou não, é praticamente impossível impedir essas mudanças nos fluxos comerciais”, disse Leah Fahy, economista especializada em China na Capital Economics.

A worker wearing a short-sleeve button-up shirt and glasses fixing a car. There is a of China Communist Party symbol on the wall behind him.

A enxurrada de exportações da China é consequência de políticas governamentais e de uma economia doméstica em desaceleração. Para amenizar os impactos de uma crise imobiliária que reduziu a riqueza de milhões de famílias, Pequim tem, há vários anos, injetado dinheiro em seus setores manufatureiros — que agora produzem muito mais do que a demanda interna comporta.

Segundo uma análise de Leah Fahy, a participação da China no mercado global em todas as categorias de bens aumentou significativamente. Essa tendência deve continuar apesar das tarifas, pois é improvável que Pequim mude o rumo de suas políticas voltadas para a exportação.

Ao redirecionar o fluxo de seus produtos para o Sudeste Asiático, América Latina e Europa, a China já conseguiu suavizar os efeitos econômicos da queda na demanda dos Estados Unidos. No entanto, isso a coloca em potencial conflito com parceiros comerciais que também estão sob pressão de Washington.

O presidente Trump está ameaçando impor tarifas pesadas justamente aos países que estão sendo inundados com mais produtos chineses, como Vietnã, Camboja e Indonésia. Essas tarifas, por enquanto, foram suspensas para permitir negociações. Alguns desses países têm se beneficiado com o aumento de investimentos por parte de empresas estrangeiras que estão tentando transferir sua produção da China o mais rápido possível.

Outros países também conseguiram reexportar alguns produtos chineses para os Estados Unidos. Mas, se não conseguirem negociar tarifas significativamente mais baixas, empresas locais em países do Sudeste Asiático e de outras regiões que enfrentam tarifas severas dos EUA podem ser esmagadas pela concorrência das companhias chinesas.

Embora Trump tenha causado grandes rupturas no comércio com níveis de tarifas não vistos em um século, a mudança drástica nas exportações da China já estava em curso muito antes de ele assumir o cargo em janeiro.

A crise imobiliária da China — com excesso de oferta de moradias, queda acentuada nos preços e falências generalizadas — começou a repercutir na economia em 2021. Os formuladores de políticas em Pequim não perderam tempo: desviaram rapidamente empréstimos baratos dos incorporadores imobiliários para os setores de exportação e manufatura. Essa estratégia acabou compensando o colapso no setor de construção civil, que em seu auge chegou a representar um terço do crescimento econômico do país.

Para Pequim, foi uma estratégia já conhecida: jogar dinheiro no problema.

“Eles costumam investir demais para atingir escala primeiro, e depois o processo é impulsionado por políticas governamentais”, disse Tommy Wu, economista do Commerzbank. “Isso ajuda a explicar por que estamos enfrentando esse problema hoje.”

A China já havia iniciado uma política industrial interna em 2015, conhecida como Made in China 2025, com o objetivo de produzir bens mais qualificados e de maior valor agregado, como chips de computador sofisticados e veículos elétricos. Essa iniciativa levou os Estados Unidos e a Europa a aumentarem tarifas sobre carros elétricos, painéis solares e outros produtos de alta tecnologia.

Mas o esforço da China para impulsionar a manufatura desde o colapso do mercado imobiliário foi muito além disso. Mesmo com a produção de produtos mais avançados, os fabricantes chineses reforçaram a fabricação de tchotchkes — aquelas bugigangas e itens baratos nos quais a China se destacou há duas décadas. A China reescreveu o manual, deixando os economistas perplexos.

“A China não está se desenvolvendo da forma como a teoria econômica sugere, e agora estamos diante de um novo modelo”, disse Priyanka Kishore, economista em Cingapura, referindo-se à trajetória tradicional das economias, que costumam se afastar da manufatura de baixo valor à medida que amadurecem e se desenvolvem.

“Isso é um desafio porque agrava as pressões sobre o restante do mundo”, afirmou Kishore.

Com as tarifas começando a realinhar os fluxos comerciais e as cadeias de suprimentos, os efeitos econômicos já começam a aparecer.

Na Alemanha, onde as importações de produtos chineses aumentaram 20% no mês passado em comparação com o mesmo período do ano anterior, empresas têm manifestado preocupação a Tommy Wu, economista do Commerzbank. As montadoras de automóveis sentem isso de forma especialmente intensa.

A China produziu 45% mais veículos elétricos este ano, mesmo com as empresas enfrentando uma guerra de preços brutal no mercado interno devido à queda no apetite dos consumidores. As exportações de veículos elétricos dispararam 64,6% neste ano, segundo a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis.

Países que sofreram os maiores impactos com o aumento das importações chinesas também registraram quedas acentuadas na própria produção industrial, resultando em perdas de empregos e falências.

Na Indonésia, fábricas de vestuário estão fechando, alegando não conseguir competir com as roupas mais baratas vindas da China. Cerca de 250 mil pessoas perderam seus empregos na indústria têxtil entre 2023 e 2024, segundo Redma Gita Wirawasta, presidente da Associação Indonésia de Produtores de Fios e Fibras de Filamento. Fabricantes de autopeças na Tailândia fecharam por causa da concorrência com veículos elétricos chineses. Montadoras brasileiras pediram ao governo que iniciasse uma investigação antidumping contra os carros chineses vendidos no país.

Para a maioria dos países, há duas opções. A primeira é não fazer nada e assistir à desindustrialização, segundo Sonal Varma, economista-chefe para a Ásia (com exceção do Japão) no banco japonês Nomura.

A outra opção é aumentar tarifas e adotar medidas protecionistas em setores específicos, como os Estados Unidos fizeram com a China. Isso, no entanto, corre o risco de provocar a ira da própria China — que usa o comércio e os investimentos como instrumentos de influência diplomática — ou dos Estados Unidos.

“As cadeias de suprimentos estão se dividindo ao longo de linhas geopolíticas”, disse Varma. “Está muito mais difícil para os países decidirem: com quem você vai se alinhar?”

Fonte: The New York Times

Ler Mais
Exportação, Tecnologia

Exportações de veículos batem recorde, mas produção despenca com avanço chinês

Maio teve o melhor resultado desde agosto de 2018

Mais de um milhão de unidades foram vendidas nos cinco primeiros meses de 2025 no Brasil, e as exportações registraram em maio o melhor resultado desde agosto de 2018.

Ainda assim, esses números não se refletiram na produção do mês, que caiu 5,9% em relação a abril, encerrando com 214,7 mil veículos produzidos, considerando carros de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus.

Houve bons resultados de exportações, impulsionados pelo aquecimento do mercado argentino. O recuo na produção, porém, indica perda de participação de vendas para os importados.

Há um saudável aumento do fluxo comercial com a Argentina, mas, no caso dos modelos vindos da China, há uma entrada atípica.

“Ela é beneficiada por uma taxação bem inferior à que vemos em outros países produtores, gerando uma perigosa distorção no mercado”, avaliou Igor Calvet, novo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Fonte: Gazeta SP

Ler Mais
Comércio Exterior, Exportação

As exportações da China para o Brasil atingiram 29,5 bilhões de dólares de janeiro a maio, um recorde

As exportações da China para o Brasil atingiram US$ 29,5 bilhões de janeiro a maio, um recorde na série histórica iniciada em 1997, em meio à guerra tarifária iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, segundo especialistas, no caso brasileiro, a expansão também está relacionada a fatores além da disputa comercial global.

Nos cinco primeiros meses de 2025, as importações brasileiras em geral cresceram 9,22% em relação ao mesmo período de 2024, para US$ 112,5 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A compra de produtos da China, porém, foi a que mais cresceu, com alta de 26,5%. As importações vindas de outros parceiros comerciais, como Estados Unidos (9,9%) e União Europeia (4%) cresceram bem menos, enquanto as de produtos do Mercosul caíram 1,8%.

O crescimento nas importações de produtos da China, à primeira vista, corrobora a expectativa de que o país asiático teria de inundar outros mercados com seus produtos para compensar a queda no volume exportado aos Estados Unidos, com quem trava uma guerra tarifária desde fevereiro.

Especialistas, porém, apontam que o efeito do redirecionamento da produção da China, embora já comece a ser visto, ainda não é tão grande, e vai ganhar força no decorrer do ano. Por enquanto, dizem, a expansão reflete principalmente fatores como a atividade econômica interna aquecida.

Além disso, houve a compra de uma plataforma de petróleo vinda da China em fevereiro, que custou cerca de US$ 2,7 bilhões e ajudou a inflar o número das transações comerciais entre os dois países no período.

O economista Matheus Pizzani, da corretora CM Capital, que acompanha os dados da balança comercial brasileira mensalmente, observa que, no início do ano, o crescimento das importações chinesas no Brasil foi impulsionado pelos chamados bens de capital – maquinários e equipamentos usados pelas empresas para produzir outros bens e serviços.

Os bens finais, como automóveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, só começaram uma tendência de aumento em abril. Esse movimento, segundo ele, pode refletir “em alguma medida” o efeito da guerra tarifária e o atrito entre China e Estados Unidos. A sobretaxa de aço e alumínio entrou em vigor em 12 de março; e a para automóveis, em 3 de abril.

Pizzani reforça que a continuidade do crescimento das importações dos bens finais dependerá do cenário da economia doméstica. “São bens que, no limite, não são essenciais. A demanda por eles depende diretamente no nível da atividade e da confiança das pessoas em adquiri-los”, reforça.

O aumento das importações de produtos da China pelo Brasil, que bateram recorde nos cinco primeiros meses do ano, deve ser creditado, além da atividade doméstica aquecida, ao bom momento do setor agropecuário. A supersafra demanda itens como adubos e fertilizantes, observa a economista Gabriela Faria, da Tendências Consultoria. “A safra de soja foi muito boa e com remuneração positiva aos produtores. Eles conseguiram se preparar para fazer novos investimentos”, diz ela.

O presidente da Associação da Câmara de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro, destaca que a queda no preço de commodities nos últimos meses diminuiu o custo de muitos dos bens fabricados pela China, o que favoreceu a produção e, consequentemente, a exportação para o Brasil. “Era um cenário anterior ao tarifaço promovido pelo presidente Donald Trump dos Estados Unidos. As medidas de Trump vieram apenas consolidar uma tendência que já era imaginada”, pontua.

Castro observa ainda que a China tem focado em produtos de alto valor agregado, o que ajuda a turbinar os valores envolvidos nas importações feitas pelo Brasil. “Invariavelmente, mais produtos que eles venderiam para os americanos vão chegar aqui. É claro que o Brasil não tem como substituir os Estados Unidos, afinal de contas nosso mercado é bem menor, mas devemos ficar com alguma coisa”, avalia.

Trump iniciou uma guerra comercial com a China, impondo tarifas para pressionar mudanças em práticas comerciais. A China retaliou afetando produtos americanos. O confronto abalou mercados globais e cadeias de suprimentos. O presidente da Associação Brasileira de Importadores (Abimp), Michel Platini, considera que parte dos produtos chineses que agora chegam ao Brasil só entrou no País devido ao fechamento do mercado americano em meio à escalada tarifária.

Platini explica que os custos estavam em baixa na China no início do ano, o que incrementou a produção, ao mesmo tempo que os Estados Unidos anunciaram tarifas acima de 100% ao país asiático. “O investimento nessa produção já havia sido feito, mas um mercado importante (os EUA) foi praticamente fechado, houve essa necessidade de redirecionamento”, diz.

O cenário, acrescenta Platini, “deu fôlego” a um movimento já bastante consolidado dos consumidores brasileiros, de comprar itens do segmento têxtil, utensílios domésticos e de bazar vindos da China a partir de plataformas de comércio online como Mercado Livre, Amazon e Temu.

Ele acrescenta que o aumento da entrada desses itens por aqui só não foi mais forte por conta do movimento grevista de servidores da Receita Federal em terminais alfandegários, que perdura desde novembro passado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: O Sul

Ler Mais
Comércio, Mercado Internacional, Negócios

Fábrica chinesa produz 1,7 mi de células de placas solares por dia

Unidade da Chint em Wenzhou opera 24 horas por dia e é quase toda automatizada; Chint abrirá duas fábricas no Brasil

Localizada na cidade de Wenzhou, a fábrica da Astronergy –braço da gigante Chint na produção de painéis solares– é capaz de produzir 1,7 milhão de células de placas fotovoltaicas por dia. A instalação é quase completamente automatizada e os robôs que trabalham na linha de produção funcionam 24 horas por dia.

Executivos da Chint informaram ao Poder360, durante visita ao empreendimento, que a empresa estuda a instalação de duas fábricas no Brasil, mas não de produção de painéis solares. Uma unidade será inaugurada em Manaus em julho e produzirá medidores elétricos, enquanto a outra será voltada para a fabricação de quadros de distribuição de média e alta tensão. 

A Chint planeja a instalação dessa 2ª unidade que produzirá um equipamento considerado mais complexo para até 2029. O local ainda não está definido, mas até o momento o Estado favorito para a instalação do empreendimento é Minas Gerais.

Além da quantidade de células solares –dispositivos que vão compor os painéis solares a partir da quantidade determinada pelo cliente–, a companhia chinesa também alcançou um padrão de qualidade elevado.

Cerca de 98,5% das células produzidas são classificadas como de qualidade A, a mais alta; 1,4%é considerada de qualidade B, enquanto apenas 0,1% são classificadas como C. As de qualidade inferior também podem ser comercializadas.

O número de placas que são perdidas durante o processo de fabricação –quebradas ou danificadas– representam apenas 0,01% das células.

O número total de trabalhadores humanos na fábrica é de aproximadamente 300 pessoas. Esses trabalhadores se dedicam à manutenção das máquinas e não interferem no processo de fabricação das células solares. Os robôs fazem todo o trabalho.

Ao Poder360, o gerente de uma das etapas de fabricação do produto informou que antes da automação, cerca de 1.000 pessoas trabalhavam apenas na verificação de danos nas células. O processo consistia em olhar as células prontas e avaliar se estavam em boas condições. Hoje esse processo é feito em cerca de 1 segundo por um sensor.

Em 2024, a Chint alcançou uma receita de US$ 25 bilhões, um valor 15% superior ao do ano anterior. O lucro total no período foi de US$ 2 bilhões.

A companhia, que atua em diversos segmentos do setor elétrico, está presente em mais de 140 países e é a maior exportadora de painéis solares do mundo. Também é a empresa com mais equipamentos fotovoltaicos instalados em casas e edifícios residenciais do planeta.

Fonte: Poder 360

Ler Mais
Portos

China avança sobre os portos do Brasil: Estatal chinesa negocia compra participação em terminal estratégico de petróleo no Porto do Açu e acende alerta sobre soberania nacional

Brasil negocia venda de participação em empresa operadora do Porto de Açu para gigante chinesa. O que isso significa para a exportação de petróleo e a segurança estratégica do país?

Imagine o seguinte cenário: uma potência estrangeira passa a controlar parte de uma empresa ligada à infraestrutura estratégica de exportação de petróleo do seu país. Parece ficção, mas é o que está acontecendo no Brasil com a China. O gigante asiático vem expandindo agressivamente sua presença em portos da América do Sul, e agora adquiriu uma participação na Vast Infraestrutura, uma das empresas operadoras do Porto do Açu, no Rio de Janeiro.

Apesar de o movimento não significar a venda do Porto do Açu como um todo — um complexo que abriga 28 empresas e 11 terminais privados — a transação gerou preocupações em setores ligados à soberania nacional. Afinal, estamos falando de um terminal que lida com uma parcela importante das exportações brasileiras de petróleo.

O que está em jogo com a nova aquisição chinesa

A operação acontece por meio da China Merchants Port Holdings (CMPORT), braço do grupo estatal China Merchants Group (CMG). No final de fevereiro, a CMPORT anunciou a assinatura de um contrato para adquirir uma participação na Vast Infraestrutura, empresa controlada pela Prumo Logística, holding responsável pelo desenvolvimento do Porto do Açu.

A negociação ainda depende da aprovação de órgãos reguladores, mas já provoca repercussão. O motivo é simples: o terminal operado pela Vast é o único da América do Sul capaz de receber navios do tipo VLCC (Very Large Crude Carrier), essenciais para escoar grandes volumes de petróleo.

Atualmente, o Porto de Açu movimenta cerca de 560 mil barris por dia, com capacidade licenciada para até 1,2 milhão de barris diários. Embora a Vast seja apenas uma das empresas do complexo, ela desempenha um papel estratégico dentro da infraestrutura de exportação de petróleo nacional.

Prumo Logística esclareceu a operação em nota oficial:

“A Prumo Logística e a China Merchants Port concluíram os termos para uma potencial venda de participação societária na Vast Infraestrutura, subsidiária da Prumo, proprietária do terminal de petróleo do Porto do Açu. A conclusão da transação está sujeita a condições precedentes. A transação está em linha com a estratégia da Prumo de estabelecer parcerias com players globais para o desenvolvimento conjunto de negócios no Porto do Açu. Subsidiária do China Merchants Group, a China Merchants Port é uma desenvolvedora, investidora e operadora portuária líder mundial, que inclui os principais hubs ao longo da costa da China.”

Expansão sistemática da China nos portos da América do Sul

A compra de uma participação na Vast faz parte de uma estratégia mais ampla da China para consolidar presença em portos da região. Em 2018, a CMPORT já havia adquirido o Terminal de Contêineres de Paranaguá, o maior da América do Sul. Além disso, o grupo está envolvido em projetos no Porto de Santos e na construção de um novo terminal no Maranhão.

Segundo o professor Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, trata-se de um movimento coordenado:

“Os casos de Chancay [megaporto chinês recém-inaugurado no Peru], Paranaguá e agora a participação na Vast, no Açu, são exemplos da penetração das empresas chinesas em áreas portuárias e outras estruturas de manuseio de commodities na América do Sul”, afirmou em entrevista ao Diálogo.

Pedlowski alerta que tais investimentos criam riscos para a soberania nacional e dificultam o monitoramento do trânsito de mercadorias pelos países anfitriões.

Os temores por trás do avanço chinês: diplomacia da armadilha da dívida

A atuação do grupo CMG em portos globais já levantou suspeitas em outros países. O caso mais emblemático é o do porto de Hambantota, no Sri Lanka. Em um clássico exemplo de “diplomacia da armadilha da dívida”, o governo do país asiático, incapaz de pagar empréstimos chineses, entregou 80% do controle do porto à CMG, junto com um contrato de arrendamento de 99 anos.

Mesmo que o porto tenha sido concebido para fins civis, a China chegou a enviar um navio de pesquisa militar para Hambantota em 2022, evidenciando o potencial de uso estratégico das instalações.

Impactos para o Brasil: riscos de “sinicização” da infraestrutura portuária

Embora a aquisição não envolva o Porto do Açu como um todo, a presença de uma estatal chinesa em uma empresa responsável por um terminal tão sensível acende alertas. Segundo Pedlowski, o Porto de Açu já enfrenta dificuldades de fiscalização por parte das autoridades brasileiras. Com a entrada da CMPORT, existe o risco de que o acesso às informações e operações da Vast se torne ainda mais restrito.

“Não vejo por que a situação atual seria minimizada com o controle chinês. Ao contrário, a tendência é que o monitoramento se torne mais rigoroso”, alerta o professor.

Ele também aponta que a aquisição da Vast pode ser apenas um passo inicial em um processo maior de “sinicização” de partes da infraestrutura portuária brasileira — uma estratégia já observada em outros países da região.

O desafio para a soberania nacional

A entrada da China em setores críticos da infraestrutura brasileira reacende debates sobre os limites da participação estrangeira em áreas consideradas estratégicas. Embora o Brasil tenha se beneficiado dos investimentos externos, o caso da Vast Infraestrutura mostra que há riscos quando se permite que estatais estrangeiras controlem ativos sensíveis.

Como destaca Pedlowski:

“O controle de áreas estratégicas por empresas estatais chinesas em outro país cria uma série de dificuldades em relação à soberania nacional e ao exercício da autoridade nacional sobre a área adquirida.”

Cabe agora às autoridades brasileiras avaliar com cautela as implicações dessa operação. O debate não é apenas econômico: trata-se do futuro do controle nacional sobre setores-chave como a infraestrutura portuária e a exportação de petróleo.

Fonte: Click Petróleo e Gás

Ler Mais
Internacional, Mercado Internacional

Tensões entre EUA e China continuam altas e impactam previsões de crescimento global

Contratos para julho e dezembro para o algodão encerraram a semana em queda em Nova York

As tensões entre os Estados Unidos e a China seguem causando preocupações. Diante das incertezas e tarifas, o Banco Mundial reduziu a previsão de crescimento global para 2,3%.

As informações constam no Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa desta sexta-feira (13).

Confira os destaques trazidos pelo Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa:

Algodão em NY – O contrato Jul/25 fechou nesta quinta 12/jun cotado a 65,14 U$c/lp (-0,3% vs. 05/jun). O contrato Dez/25 fechou em 67,47 U$c/lp (-0,8% vs. 05/jun).

Basis Ásia – Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 1.028 pts para embarque Jun/Jul-25 (Middling 1-1/8″ (31-3-36), fonte Cotlook 12/jun/25).

Altistas 1 – De acordo com o relatório do USDA (WASDE) de junho, a produção de algodão nos EUA em 2025/26 será de 14 milhões de fardos (3 milhões tons), abaixo do estimado em mai/25 (14,5 milhões de fardos) e do realizado em 2024/25 (14,4 milhões de fardos). É a segunda menor produção dos últimos 10 anos.

Altistas 2 – Os estoques finais nos EUA para 2025/26 estão projetados em 4,3 milhões de fardos (936 mil tons), uma redução acentuada em relação à estimativa de mai/25 (5,2 milhões de fardos).

Altistas 3 – A produção mundial foi estimada em 25,47 milhões tons (-178,5 mil tons em relação a mai/25). Com o consumo levemente menor, a projeção para os estoques finais caiu -344 mil tons, ficando em 16,7 milhões tons.

Baixistas 1 – Tensões EUA-China continuam altas. O novo acordo preliminar anunciado pelo presidente Trump (com 55% de tarifas sobre exportações chinesas e 10% no sentido inverso) foi recebido com ceticismo. O mercado acredita que os chineses não vão aceitar.

Baixistas 2 – O Banco Mundial reduziu sua previsão de crescimento global para 2,3% devido às tarifas e às incertezas. A projeção para os EUA caiu para 1,4%, para a Zona do Euro para 0,7%. No entanto, a China manteve-se com 4,5%, devido a estímulos internos.

Baixistas 3 – demanda por algodão das fiações continuou muito fraca na última semana, impactada pelos feriados muçulmanos e pela incerteza em relação à economia e comércio mundial.

Missão Ásia 1 – Em missão à Ásia, delegação da Abrapa e Anea participou da 2025 China International Cotton Conference em Guangzhou (China) nesta semana. Durante o evento, foi promovido um coquetel Cotton Brazil, entre outras interações com clientes.

Missão Ásia 2 – Na plenária principal do evento, Marcelo Duarte, diretor da Abrapa e responsável pelo Cotton Brazil, fez uma palestra sobre avanços e principais diferenciais do algodão brasileiro.

Missão Ásia 3 – As percepções de mercado colhidas durante o evento foram via de regra baixistas, com pouco ânimo para negócios, margens ruins e cenário incerto.

Missão Ásia 4 – Os poucos negócios relatados foram com algodão do Brasil, que está muito em evidência no momento. Abaixo alguns pontos de destaque:

  • O clima entre os chineses é de muita insatisfação com os EUA. A apresentação do representante dos EUA no evento sequer foi aplaudida.
  • O ano de 2025/26 tende a ser de excesso de oferta no mercado global de algodão.
  • Mesmo com preços baixos, grandes produtores como Brasil, China e Austrália seguem incentivados a plantar, mantendo o volume elevado de produção.
  • Grandes safras na Austrália e Brasil (mais de 5 milhões tons juntos) devem limitar altas nos preços neste ciclo.
  • A China aumentou muito a produtividade e reduziu a necessidade de importar. Além disso, o país não emitiu cotas adicionais este ano ainda.
  • Neste ano, a safra na China está se desenvolvendo muito bem e pode ser maior que as 7 milhões tons do último ciclo.
  • Produtores dos EUA reclamam de altos custos e margens negativas. O ponto de equilíbrio seria acima de USc80/lp.
  • A safra dos EUA ainda está incerta, dependente do clima e furacões (ago/nov).
  • A demanda global continua incerta e fraca, impactada por tarifas, tensões geopolíticas e falta de confiança na cadeia de consumo.
  • A China seguirá como fator decisivo, tanto pela produção interna quanto pela política de importação. Um eventual acordo comercial com os EUA poderia estimular compras chinesas.
  • Sem acordos comerciais específicos com os EUA, a projeção do USDA de 12,5 milhões de fardos a serem exportados pelos americanos parece exagerada diante da concorrência da Austrália e do Brasil.
  • Podem ser necessários programas governamentais para apoiar o produtor dos EUA caso as exportações não se realizem como previsto.
  • O Brasil foi muito citado pelo enorme potencial de produção e crescimento contínuo da produção tanto em termos de quantidade quanto qualidade.
  • O crescimento da demanda global depende de reconquistar mercado perdido para fibras sintéticas, principalmente o poliéster.
  • O grande desafio do setor será encontrar um equilíbrio entre preços e rentabilidade ao longo da cadeia (do produtor ao varejo), garantindo viabilidade econômica sem perder competitividade.

Missão Ásia 5 – A comitiva visitou também o Haid Group, empresa especializada em alimentação animal. Em pauta, o investimento em uma planta de esmagamento de caroço de algodão no Brasil.

Missão Ásia 6 – A comitiva da Abrapa e da Anea foi acompanhada na China pelo adido agrícola brasileiro em Pequim, Leandro Feijó, que juntamente com o adido Jean Gouhie e equipe do MAPA, têm atuado em prol do setor na China.

Missão Ásia 7 – A agenda prossegue hoje em Taipei (Taiwan) e nesta segunda (16) em Seul (Coreia do Sul), com a realização do seminário Cotton Brazil Outlook, em parceria com a Spinners & Weavers Association of Korea (SWAK).

Missão Ásia 8 – A missão integra as ações do Cotton Brazil, programa da Abrapa em parceria com ApexBrasil e Anea para promover o algodão brasileiro em escala mundial.

Brasil – Safra 2024/25 – No 9º levantamento da safra 2024/25 divulgado ontem (12), a Conab manteve a projeção de produção de 3,91 milhões tons (+5,7% acima da safra passada).

Brasil – Exportações – As exportações brasileiras de algodão somaram 35,5 mil tons na primeira semana de junho. A média diária de embarque é 11,5% menor que no mesmo mês em 2024.

Brasil – Colheita 2024/25 – Até ontem (12) foram colhidos no estado da BA (4,5%), GO (1,84%), MG (22%), MS (1,7%), PI (8,13%), PR (70%) e SP (63%). Total Brasil: 1,94%.

Preços do Algodão – Consulte tabela abaixo:

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook