Portos

Porto de Itapoá abre escritório em Xangai para ampliar negócios com a China

O Porto de Itapoá, em Santa Catarina, vai inaugurar, em 26 de agosto, um escritório de representação comercial em Xangai, na China. A nova estrutura tem como objetivo aproximar o terminal de exportadores e importadores, facilitar operações já realizadas pelo porto e prospectar novos clientes, cargas e serviços.

O investimento para instalar o escritório foi de US$ 100 mil, valor próximo de R$ 530 mil na cotação atual. Para Ricardo Arten, CEO do Porto de Itapoá, o custo é relativamente baixo diante do potencial de geração de negócios proporcionado pela presença no principal centro financeiro e logístico chinês.

“Tomamos a decisão de estar na China por uma oportunidade comercial, de facilitar esse comércio. É um fluxo bastante intenso e queremos mostrar a capacidade que o terminal tem criado para importadores e exportadores”, afirma.

China tem peso nas operações do Porto de Itapoá

A relevância do mercado chinês para o terminal catarinense já é expressiva. No primeiro semestre de 2026, a China respondeu por 49,4% das importações que chegaram ao Brasil pelo Porto de Itapoá. No sentido contrário, o país asiático foi destino de 17,9% das exportações embarcadas pelo terminal.

Localizada na costa leste da China, Xangai é um dos principais centros logísticos do país e abriga o maior porto de contêineres do mundo, o que torna a cidade estratégica para a expansão internacional do terminal catarinense.

Nas exportações destinadas à China por meio de Itapoá, o agronegócio concentra mais de 90% das cargas em 2026. O principal produto é papel e celulose, com 50,13% de participação. Na sequência aparecem carne refrigerada e congelada (43,97%), algodão (2,72%) e madeira (2,12%).

Outros segmentos têm participação menor, como alimentos secos, com 0,9%; commodities agrícolas, excluindo o algodão, com 0,09%; e outros alimentos refrigerados, com 0,07%.

Terminal busca ampliar participação no agronegócio

Segundo Arten, o Porto de Itapoá vem ganhando espaço entre empresas do setor agropecuário de diferentes regiões brasileiras. Parte do algodão e da celulose movimentados pelo terminal, por exemplo, tem origem no Centro-Oeste.

Empresas exportadoras de açúcar e café também começaram a testar operações pelo porto catarinense. Para o executivo, o movimento reforça a necessidade de continuar ampliando a infraestrutura voltada ao agronegócio.

“Isso nos alerta para continuar investindo no agro. E tem o sentido inverso também. Insumos que também vêm pelo Porto de Itapoá. Isso passa pela China. É bastante feliz o momento em que estamos colocando esse escritório de pé”, avalia.

A instalação da representação comercial contou com apoio do governo de Santa Catarina e da diplomacia brasileira. A expectativa é que a presença em Xangai também contribua para viabilizar novos investimentos no mercado chinês.

Neste primeiro momento, a unidade terá função comercial, aproximando o terminal de empresas e potenciais parceiros. Entre as possibilidades futuras está a criação de armazéns logísticos em Xangai.

Porto de Itapoá investe R$ 500 milhões em expansão

A abertura do escritório na China ocorre paralelamente à quarta etapa de expansão da capacidade operacional do Porto de Itapoá. O projeto prevê R$ 500 milhões em investimentos e acrescentará 120 mil metros quadrados ao pátio.

Com a ampliação, a área total do pátio chegará a 575 mil metros quadrados. O cais também será ampliado, alcançando 1,2 mil metros de extensão.

Outro foco dos investimentos é o aumento da infraestrutura para contêineres refrigerados (reefer), especialmente para atender à demanda da indústria de carnes. A quantidade de tomadas, que era de 3,8 mil no ano passado, deve alcançar 4,4 mil em 2026 e chegar a 5,3 mil em 2027.

“Nossa intenção é ser um hub de proteína animal para os exportadores brasileiros”, afirma Arten.

O terminal também planeja expandir sua estrutura de cross docking, utilizada para retirar a carga dos caminhões e realizar o carregamento dos contêineres. A operação é importante sobretudo para commodities mais pesadas, que precisam permanecer no terminal por períodos maiores antes do embarque.

“São poucas as empresas que fazem esse tipo de operação. Normalmente, é na retroárea; e o porto faz. Queremos aumentar essa capacidade”, explica o CEO.

Meta é alcançar 3 milhões de TEUs até 2040

A estratégia de longo prazo do Porto de Itapoá é se tornar o maior terminal de contêineres da América do Sul em capacidade de movimentação.

Atualmente, o terminal possui capacidade de 2 milhões de TEUs — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. A meta é atingir pelo menos 3 milhões de TEUs até 2040, por meio de novas etapas de expansão.

Para sustentar esse crescimento, porém, o terminal depende também da melhoria dos acessos terrestres. O aumento da capacidade portuária exige investimentos nas rodovias de acesso ao Porto de Itapoá, de modo a garantir maior fluidez no trânsito de caminhões.

Arten afirma que está próxima a assinatura da ordem de serviço para obras em uma das duas rodovias estaduais que levam ao terminal. Segundo ele, a Prefeitura de Itapoá também informou que possui orçamento para duplicar uma estrada municipal utilizada no acesso ao porto.

“O terminal tem que crescer em cais, pátio e gates. Mas se não houver condições de escoar essa carga, fragiliza todo o investimento privado”, afirma.

Dragagem da Baía da Babitonga amplia capacidade marítima

A expansão da operação marítima também está ligada à dragagem da Baía da Babitonga, área compartilhada pelo Porto de Itapoá e pelo Porto de São Francisco do Sul. O projeto está orçado em aproximadamente R$ 300 milhões e é financiado por meio de uma estrutura que reúne recursos públicos e privados.

O Porto de Itapoá assumiu o compromisso de bancar a dragagem, enquanto a execução está sob responsabilidade da autoridade portuária. O pagamento será realizado ao longo de 12 anos, utilizando recursos provenientes das tarifas de utilização do canal, com correção anual de 4%.

De acordo com Arten, cerca de 89% da dragagem já foi concluída. A previsão é finalizar os trabalhos nos próximos dois meses e elevar o calado do canal para 16 metros.

Após a conclusão, a expectativa é obter ainda em 2026 a homologação do novo canal de acesso pela Marinha do Brasil.

Atualmente, o Porto de Itapoá recebe navios de contêineres de até 336 metros de comprimento, mas essas embarcações não conseguem operar com carga máxima. Com o aprofundamento do canal, será possível receber navios de até 366 metros totalmente carregados e embarcações de até 400 metros com carregamento parcial.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Globo Rural

Ler Mais
Logística

Randon entrega primeiros 40 vagões de contrato com a Arauco

Randon inicia fornecimento de 721 vagões ferroviários que serão usados no transporte de celulose da futura fábrica da Arauco, em Mato Grosso do Sul, até o Porto de Santos

A Randon, empresa da Randoncorp, iniciou a entrega de um contrato de 721 vagões ferroviários firmado com a Arauco Brasil. O primeiro lote, composto por 40 unidades, será destinado à operação logística do Projeto Sucuriú, que prevê o transporte da celulose produzida na futura fábrica da companhia, em Inocência (MS), até o Porto de Santos (SP).

Os vagões são fabricados pela Randon na unidade de Araraquara, no interior de São Paulo, e foram desenvolvidos especificamente para atender às necessidades do transporte ferroviário de celulose.

Vagões têm capacidade para 98 toneladas de carga

O modelo escolhido pela Arauco é o Sider FLT, que conta com abertura lateral completa. A configuração permite realizar as operações de carga e descarga pelos dois lados da composição, facilitando a movimentação das mercadorias.

Entre os recursos incorporados ao projeto estão lonas com trama de aço antivandalismo, sistema reforçado de tensionamento, divisórias internas e barrotes desenvolvidos para reduzir a absorção de umidade.

Cada unidade apresenta capacidade bruta de 130 toneladas e pode transportar até 98 toneladas de carga líquida. Segundo a Randon, isso corresponde a mais de 390 fardos de celulose por vagão.

As dimensões são de 23 metros de comprimento, 3,3 metros de largura e 4,28 metros de altura.

Entregas serão feitas até novembro de 2027

O cronograma prevê o fornecimento de 40 vagões por mês até novembro de 2027. À medida que forem concluídas, as unidades serão transportadas diretamente para o canteiro de obras da nova fábrica da Arauco, em Inocência.

Para Ricardo Escoboza, vice-presidente executivo (EVP) da Randoncorp para a América do Sul nas verticais de Autopeças e Montadora, o projeto amplia a atuação da empresa nos segmentos ferroviário e rodoviário de cargas.

O executivo destaca ainda a experiência acumulada pela companhia no desenvolvimento de equipamentos ferroviários e a capacidade de adaptar os projetos às demandas específicas dos clientes.

Vagões foram projetados para preservar a celulose

De acordo com Alberto Pagano, diretor de Logística e Suprimentos da Arauco Celulose, as características dos vagões foram definidas para contribuir com a preservação da qualidade da celulose durante o transporte.

A especificação dos equipamentos também acompanha o cronograma de implantação da infraestrutura logística associada à nova fábrica. A proposta é garantir que o produto chegue aos clientes em condições adequadas após o percurso ferroviário até Santos.

Randon já produziu mais de 13 mil vagões

Com 77 anos de trajetória, a Randon informa que já fabricou mais de 13 mil vagões ferroviários destinados a operadores do Brasil e de outros países.

O novo contrato com a Arauco integra a estrutura logística planejada para o Projeto Sucuriú e prevê a incorporação gradual dos 721 equipamentos à operação de transporte da produção de celulose.

FONTE: Tecnologística
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tiago Aguiar

Ler Mais
Indústria

Papel sulfite chinês ganha espaço no Brasil e indústria nacional pede aumento da tarifa de importação

A indústria brasileira de papel enfrenta uma nova pressão com o aumento das importações de papel sulfite asiático, especialmente da China e da Indonésia. O movimento ocorre após a adoção de barreiras comerciais pelos Estados Unidos, que reduziram o acesso desses países ao mercado norte-americano e levaram parte da produção excedente para outros destinos, incluindo o Brasil.

Com preços mais baixos que os praticados pela indústria nacional, o avanço do papel sulfite importado tem preocupado fabricantes brasileiros, que solicitaram ao governo federal medidas para conter o aumento das compras externas.

A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), entidade que representa cerca de 50 grandes empresas dos setores de papel e celulose, pediu à Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a elevação da tarifa de importação do chamado papel “cutsize”, utilizado principalmente em folhas A3 e A4.

Setor pede aumento do imposto sobre papel importado

Atualmente, a tarifa aplicada ao produto é de 16%. A proposta da Ibá é elevar a alíquota para 30%, percentual máximo permitido pela Tarifa Externa Comum do Mercosul.

Segundo a entidade, o fechamento de mercados internacionais para fornecedores asiáticos provocou uma mudança no fluxo comercial, direcionando volumes excedentes para países com maior abertura às importações.

A associação argumenta que o aumento das compras externas ocorreu em um ritmo acelerado e com preços considerados agressivos, afetando a competitividade das empresas brasileiras.

Importações de papel sulfite aumentam mais de 160%

Dados reunidos pela Ibá mostram que as importações de papel cutsize cresceram 160% entre janeiro e maio deste ano na comparação com o mesmo período anterior.

O volume adquirido no exterior passou de 3,3 milhões de quilos para 8,5 milhões de quilos. Em valores financeiros, as compras aumentaram 123%, saindo de US$ 2,9 milhões para US$ 6,3 milhões.

Um dos fatores que impulsionaram esse avanço foi a queda no preço médio do produto estrangeiro, que recuou de US$ 0,90 para US$ 0,77 por quilo, redução de aproximadamente 14%.

De acordo com a Ibá, em alguns casos o papel importado da Ásia chega ao consumidor entre R$ 7 e R$ 35 mais barato que marcas fabricadas no Brasil.

Indústria brasileira tem capacidade, mas enfrenta perda de mercado

O Brasil possui uma indústria consolidada de celulose e papel, sendo um dos principais produtores mundiais do setor. Historicamente, o consumo interno de papel sulfite é abastecido majoritariamente pela produção nacional.

A capacidade instalada das fábricas brasileiras representa 143% do consumo doméstico, o que significa que o país poderia produzir cerca de 43% a mais do que o mercado interno atualmente demanda.

Para a Ibá, o avanço das importações pode provocar redução de investimentos e afetar a sustentabilidade econômica das empresas nacionais.

A entidade afirma que a combinação entre aumento das compras externas e preços reduzidos justifica a adoção de medidas emergenciais para proteger a produção brasileira.

Exportações brasileiras de papel também registram queda

Enquanto as importações avançam, as exportações brasileiras de papel apresentam retração. Entre janeiro e maio de 2025, o país enviou ao exterior cerca de 150 milhões de quilos do produto. No mesmo intervalo deste ano, o volume caiu para 129 milhões de quilos.

Segundo a Ibá, o setor enfrenta uma dupla dificuldade: a redução da participação no mercado internacional e a perda de espaço dentro do próprio mercado brasileiro.

O diretor internacional da entidade, José Carlos da Fonseca Júnior, afirmou que a reorganização do comércio global após as restrições impostas pelos Estados Unidos criou novos desafios para produtores de diferentes países.

Ele destacou que parte dos produtos fabricados com celulose brasileira exportada para a China acaba retornando ao Brasil em forma de papel industrializado, com preços inferiores aos produtos nacionais.

Setor também busca proteção para papel-cartão

Além do papel sulfite, a indústria brasileira também apresentou pedido relacionado ao papel-cartão, utilizado em embalagens de medicamentos, alimentos e produtos de higiene.

Em 2024, a Ibá solicitou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) a elevação da tarifa de importação desse produto de 12,5% para 25%. O governo autorizou aumento para 16%, com validade temporária.

Agora, a entidade afirma que o cenário piorou e defende uma nova elevação, desta vez para 35%, alegando que os produtos chegam ao país com preços que não refletem uma concorrência equilibrada.

China enfrenta barreiras comerciais nos Estados Unidos

Os Estados Unidos já aplicam medidas antidumping e compensatórias contra determinados tipos de papel produzidos na China e na Indonésia, além de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos chineses.

O governo norte-americano também abriu investigações sobre o excesso de capacidade industrial da China e possíveis práticas comerciais consideradas prejudiciais ao mercado.

A indústria brasileira de papel se junta a outros setores que têm solicitado aumento de tarifas de importação diante do crescimento das vendas de produtos chineses no país.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Araquém Alcântara/Divulgação

Ler Mais
Exportação

Exportações de Mato Grosso do Sul crescem 6,26% e superávit supera US$ 2,7 bilhões

As exportações de Mato Grosso do Sul mantiveram trajetória de crescimento em 2026 e impulsionaram o desempenho da balança comercial estadual no primeiro quadrimestre do ano. Dados divulgados na Carta de Conjuntura do Setor Externo de maio, elaborada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), mostram avanço tanto em valor quanto em volume exportado.

Entre janeiro e abril, o estado somou US$ 3,61 bilhões em vendas internacionais, resultado 6,26% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Superávit comercial avança quase 8%

As importações sul-mato-grossenses totalizaram US$ 893,11 milhões nos quatro primeiros meses do ano, crescimento de 1,51% na comparação anual.

Com isso, o saldo positivo da balança comercial chegou a US$ 2,72 bilhões, alta de 7,91% frente ao mesmo intervalo do ano passado.

Além do aumento financeiro, o estado também registrou expansão significativa no volume embarcado. Mato Grosso do Sul exportou 9,67 milhões de toneladas no período, avanço de 16,61% em relação a 2025.

Soja, celulose e carne bovina lideram exportações

O desempenho das exportações continua sendo puxado pelo agronegócio e pela indústria de transformação.

A soja permanece como principal produto da pauta exportadora, representando 32,01% das vendas externas do estado. Em seguida aparecem a celulose, com participação de 26,02%, e a carne bovina, responsável por 19,02% das exportações.

China segue como principal destino das vendas externas

A China continua liderando entre os mercados compradores dos produtos sul-mato-grossenses, concentrando 48,29% das exportações estaduais.

Na sequência aparecem os Estados Unidos, com 8% de participação, e os Países Baixos, responsáveis por 4,23% das vendas internacionais.

Três Lagoas lidera ranking dos municípios exportadores

Entre as cidades de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas aparece na liderança das exportações, respondendo por 17,84% do total comercializado.

Na sequência estão Ribas do Rio Pardo, com 11,62%, Dourados, com 10,65%, e Campo Grande, com 7,59%.

Agropecuária e indústria mantêm desempenho positivo

O levantamento aponta crescimento expressivo da agropecuária, com alta de 28,59% nos preços e avanço de 25,16% no volume exportado.

Já a indústria de transformação registrou aumento de 1,15% nos preços e crescimento de 0,68% no volume comercializado no mercado externo.

Portos de Paranaguá e Santos concentram embarques

Na logística de exportação, o Porto de Paranaguá concentrou 40,36% das mercadorias exportadas pelo estado.

O Porto de Santos aparece em seguida, respondendo por 37,62% da movimentação de cargas internacionais de Mato Grosso do Sul.

Governo destaca ambiente favorável aos investimentos

O secretário da Semadesc, Artur Falcette, afirmou que os resultados refletem os investimentos realizados nos últimos anos em infraestrutura, logística e competitividade econômica.

Segundo ele, o estado vem ampliando sua capacidade industrial, agregando valor à produção e diversificando mercados internacionais, fatores que têm fortalecido a agroindústria e impulsionado novas oportunidades econômicas em diferentes regiões.

FONTE: Agência de Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência de Notícias

Ler Mais
Portos

Arauco no Porto de Santos: empresa recebe aval e prevê investimento de R$ 2 bilhões

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários autorizou a chilena Arauco a assumir o controle da Alempor e operar um Terminal de Uso Privado na região da Alemoa, no Porto de Santos. O projeto será estratégico para o escoamento da produção de celulose de eucalipto da nova fábrica em construção no Mato Grosso do Sul.

Projeto logístico prevê ampliação da infraestrutura portuária

Para viabilizar a operação, a empresa estima investir cerca de R$ 2 bilhões em infraestrutura portuária. O plano inclui:

  • obras de dragagem
  • construção de berço de atracação
  • implantação de armazéns logísticos
  • criação de acesso rodoferroviário

As licenças ambientais ainda serão solicitadas, e a conclusão da negociação depende da aprovação final do Ministério de Portos e Aeroportos, prevista para os próximos meses.

Terminal terá capacidade para milhões de toneladas de celulose

De acordo com o diretor de logística da Arauco, Alberto Pagano, a escolha do terminal foi resultado de análises iniciadas em 2022.

A área possui cerca de 200 mil metros quadrados e capacidade estimada de 3,55 milhões de toneladas por ano, volume alinhado à produção prevista da fábrica em Inocência (MS).

As obras no terminal devem começar no segundo semestre deste ano, com prazo de execução entre 14 e 18 meses.

Investimentos incluem ferrovia e integração logística

O projeto faz parte de um pacote logístico mais amplo, que contempla R$ 2,4 bilhões adicionais na construção de uma ferrovia para conexão com a malha da Rumo.

A estrutura inclui:

  • 45 km de ferrovia até a Malha Norte
  • 9 km de trilhos internos
  • operação com 26 locomotivas e 721 vagões
  • capacidade de até 9.600 toneladas por composição

As obras ferroviárias começaram no fim de 2025 e devem ser concluídas em 2027, junto com o início das operações da fábrica.

Mega fábrica de celulose será uma das maiores do mundo

O chamado Projeto Sucuriú prevê investimento total de US$ 4,6 bilhões e capacidade anual de 3,5 milhões de toneladas de celulose branqueada de eucalipto, o que deve tornar a unidade a maior do mundo nesse segmento.

Atualmente, as obras estão cerca de 42% concluídas, com previsão de entrega em 2027.

Setor de celulose vive nova onda de expansão na América Latina

A iniciativa da Arauco integra um movimento mais amplo de expansão da indústria de celulose na região, com investimentos relevantes de empresas como CMPC, Bracell, Eldorado Brasil e Paracel.

Com a nova unidade no Brasil, a Arauco deve igualar sua produção nacional ao volume atualmente produzido no Chile, consolidando sua presença no mercado global de celulose.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Sustentabilidade

IDB Invest financia Paracel para criar primeiro polo industrial de florestas sustentáveis no Paraguai

O IDB Invest aprovou um financiamento de até US$ 165 milhões para a Paracel S.A., destinado ao desenvolvimento do primeiro polo industrial de florestas sustentáveis do Paraguai. O projeto deve gerar cerca de 7.000 empregos diretos e indiretos, impulsionando a economia regional.

O aporte financeiro viabilizará a construção de infraestrutura essencial e é um passo fundamental para consolidar a cadeia de valor florestal do país, além de apoiar a instalação da futura fábrica de celulose da Paracel e o desenvolvimento de novas indústrias ligadas ao setor madeireiro.

Compromisso com o crescimento e o setor privado

Anunciada em Assunção, a operação reforça o compromisso do IDB Invest com o crescimento do Paraguai e com o fortalecimento do setor privado como motor do desenvolvimento econômico na América Latina e no Caribe. O financiamento combina recursos próprios do IDB Invest com capital de terceiros, mostrando o interesse de investidores internacionais no projeto.

Segundo Ilan Goldfajn, presidente do Grupo BID:
“Projetos como o da Paracel mostram o potencial do setor privado para gerar crescimento, emprego e desenvolvimento regional no Paraguai. O IDB Invest contribui criando condições e apoiando investimentos que fortalecem a base produtiva e abrem novas oportunidades de desenvolvimento.”

James Scriven, CEO do IDB Invest, acrescentou:
“Nosso financiamento apoiará a construção da infraestrutura essencial para este polo industrial florestal e ajudará a mobilizar capital privado em um dos investimentos mais significativos da história do país.”

Desenvolvimento sustentável e cadeia florestal consolidada

Para o presidente da Paracel, Per Olofsson:
“A aprovação deste financiamento é um passo decisivo para o avanço da fábrica de celulose e do polo industrial no Paraguai. Com mais de 90 milhões de árvores plantadas e uma base florestal competitiva certificada por padrões internacionais, o apoio do IDB Invest garante os recursos necessários para consolidar a cadeia de valor florestal, gerar empregos, atrair novos investimentos e promover o desenvolvimento sustentável no norte do país.”

O projeto será implementado de forma faseada, com a construção de ativos estratégicos como porto e terminal fluvial, linhas de transmissão elétrica, vias de acesso e infraestrutura logística. Essas iniciativas melhorarão a conectividade regional, reduzirão custos logísticos e facilitarão a instalação de novas atividades industriais ligadas ao setor florestal.

Potencial regional e sustentabilidade

Localizado no departamento de Concepción, região com alto potencial produtivo e recursos florestais abundantes, o polo industrial aproveitará as vantagens competitivas do Paraguai, como acesso à energia, logística eficiente e regime de Zona de Livre Comércio. O projeto visa fortalecer a competitividade do setor florestal e ampliar sua integração em mercados regionais e globais.

A operação segue rigorosos padrões ambientais, sociais e de governança (ESG), alinhados às melhores práticas internacionais. O IDB Invest apoiará o projeto por meio de um Plano de Ação Ambiental e Social, além de iniciativas voltadas ao fortalecimento institucional, eficiência energética e resiliência, promovendo sustentabilidade integrada desde o início.

Modelo “Originate-to-Share”

O financiamento da Paracel exemplifica o modelo de negócios “Originate-to-Share” do IDB Invest, que mobiliza capital privado para projetos que fomentam crescimento econômico, geram empregos formais e fortalecem a integração do Paraguai em cadeias de valor regionais e globais por meio do setor privado.

FONTE: IDB Invest
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/IDB Invest

Ler Mais
Comércio

Petróleo pressiona exportações de commodities do Brasil enquanto minério de ferro e celulose seguem trajetórias distintas

As principais commodities exportadas pelo Brasilpetróleo, minério de ferro e celulose — encerraram 2025 em ritmos diferentes, cenário que deve se estender ao longo de 2026. Enquanto o petróleo acumulou forte queda de preços e pesou sobre a balança comercial, o minério manteve relativa estabilidade e a celulose entrou em um ciclo de recuperação moderada.

Petróleo perde força e limita desempenho das exportações

O petróleo, que até novembro ocupava a segunda posição entre os itens mais exportados pelo Brasil, atrás apenas da soja, fechou 2025 com desvalorização expressiva. O barril do Brent, referência internacional, encerrou o ano cotado a US$ 60,49, queda de 18,52% em relação ao fim de 2024.

A média anual do Brent em 2025 foi de US$ 67,54 por barril, recuo de 14,78% frente ao valor médio de 2024. Para 2026, bancos e analistas projetam preços entre US$ 59 e US$ 62, com algumas estimativas mais pessimistas apontando cotações próximas de US$ 55.

Entre os fatores que explicam esse cenário estão as incertezas geopolíticas — como a guerra entre Rússia e Ucrânia, a pressão dos Estados Unidos sobre a Venezuela e as decisões da Opep — além da desaceleração da economia global.

Minério de ferro mantém estabilidade sustentada pela China

Diferentemente do petróleo, o minério de ferro teve um desempenho mais equilibrado em 2025 e deve repetir esse comportamento em 2026. O preço do minério com teor de 62% de ferro, principal referência do mercado, permaneceu próximo de US$ 100 por tonelada ao longo do ano.

Em 30 de dezembro de 2025, a commodity era negociada a US$ 107,13 por tonelada, alta anual de 3,4%. Ainda assim, o preço médio do ano ficou em US$ 101,97, queda de 7,57% frente à média de 2024.

Especialistas atribuem essa estabilidade às condições do mercado chinês. A redução dos estoques nos portos da China ao longo de 2025, segundo a UBS, ajudou a sustentar os preços. Além disso, a produção de aço chinesa, que demanda grandes volumes de minério, segue como um dos principais vetores de sustentação da commodity.

Celulose se recupera após ajustes de oferta e tarifas

A celulose de fibra curta iniciou 2025 acima das expectativas, mas perdeu força ao longo do ano com a entrada de nova oferta no mercado global e o impacto de tarifas impostas pelos Estados Unidos. A partir de agosto, no entanto, os preços passaram a se recuperar.

A tendência é que esse movimento continue em 2026, embora com revisões para baixo nas projeções. A estimativa inicial, no primeiro semestre de 2025, era de preço médio de US$ 620 por tonelada. Após ajustes, a previsão foi reduzida para cerca de US$ 570 por tonelada em 2026, ante US$ 540 no fim de 2025.

Mesmo sem novos grandes projetos na América Latina, o aumento da produção de celulose no Brasil e na China deve continuar exercendo pressão sobre os preços.

Crescimento global mais fraco influencia commodities

Outro fator relevante para o desempenho das commodities é o enfraquecimento da economia mundial. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta crescimento global de 3,1% em 2026, ligeiramente abaixo dos 3,2% estimados para 2025.

Para a China, maior produtora e consumidora de commodities, a expectativa é de desaceleração mais acentuada: crescimento de 4,2% em 2026, após 4,8% em 2025. Já para o Brasil, o FMI estima redução do ritmo econômico de 2,4% para 1,9%, o que pode afetar investimentos e produção.

Peso das commodities na pauta exportadora

Até novembro de 2025, o petróleo respondeu por 12,9% da receita de exportações brasileiras, enquanto o minério de ferro representou 8,2% e a celulose, cerca de 3%. A combinação de petróleo mais fraco, minério estável e celulose em recuperação deve seguir moldando o desempenho do comércio exterior brasileiro em 2026.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Leo Pinheiro/Valor

Ler Mais
Economia

Celulose lidera exportações e consolida Mato Grosso do Sul como 2º maior produtor do Brasil

A celulose assumiu a liderança das exportações de Mato Grosso do Sul em 2025, ultrapassando commodities tradicionais como soja e carne bovina. O avanço reflete a expansão de grandes indústrias instaladas no estado, especialmente em áreas antes dedicadas à agricultura e à pecuária.

Exportações de celulose ultrapassam 5,8 milhões de toneladas

De janeiro a outubro, Mato Grosso do Sul enviou 5,8 milhões de toneladas de celulose ao mercado externo, volume que representa pouco mais de 29% de tudo o que o estado exportou no período. O desempenho coloca o MS não só como o segundo maior produtor de celulose do país, mas também como líder nacional em exportações do setor.

Expansão do eucalipto e distribuição da produção

Segundo a Famasul, o estado soma 1,79 milhão de hectares de eucalipto plantados, distribuídos em 74 dos 79 municípios sul-mato-grossenses, com forte concentração na região leste.
Entre os principais polos produtivos, Ribas do Rio Pardo responde por 26,8% da produção, seguido por Três Lagoas e Água Clara, reforçando o protagonismo do chamado “corredor da celulose”.

Novas fábricas impulsionam o crescimento do setor

Atualmente, o Mato Grosso do Sul conta com quatro fábricas de celulose em operação no leste do estado. Uma quinta unidade está em construção, enquanto outras duas fábricas estão em fase de negociação para instalação — movimento que deve ampliar ainda mais a capacidade industrial nos próximos anos.

Diversificação produtiva e fortalecimento da cadeia florestal

Representantes do setor destacam que a expansão do cultivo de eucalipto trouxe maior diversificação econômica ao estado. A ampliação das áreas de floresta plantada impulsionou atividades complementares, como a produção de mudas.
Um dos destaques é um viveiro instalado há cerca de um ano e meio na região de Campo Grande, com capacidade para produzir até 500 mil mudas por mês, reforçando a cadeia florestal sul-mato-grossense.

Com informações de fontes oficiais do setor.
texto: Redação

Ler Mais
Logística

Fábrica de celulose da Arauco terá logística com 60 mil caminhões

A construção da nova fábrica da Arauco em Inocência (MS) deve movimentar uma logística inédita no país, com o transporte de materiais e equipamentos em cerca de 60 mil caminhões. A operação cruza diversos países e integra equipamentos fornecidos pela empresa finlandesa Valmet, responsável pela tecnologia e pelo maquinário da unidade.

O empreendimento, apontado como a maior fábrica de celulose do mundo, soma investimentos estimados em R$ 25 bilhões e tem início de operação previsto para o final de 2027.

Equipamentos chegam de 18 países

Segundo o coordenador de logística da Valmet na América Latina, Cesar Augusto Hein, o contrato firmado para o projeto é o maior da história da companhia. A entrega inclui digestores, caldeiras de recuperação, evaporadores, forno de cal, sistemas de automação e outros equipamentos vindos de 18 países, como China, Alemanha, Estados Unidos, Taiwan e nações europeias.

Na região leste de Mato Grosso do Sul, a movimentação já é perceptível com a passagem de cargas de grandes dimensões. Algumas delas exigem autorizações especiais e escolta. O trajeto marítimo até o Brasil leva, em média, 50 dias.

Cargas ultrapassam 500 toneladas

Os materiais chegam pelos portos de Santos e Paranaguá. Entre os itens mais pesados está o balão da caldeira, cujo conjunto atinge 507 toneladas. Por causa do peso e das dimensões, o deslocamento terrestre ocorre a velocidade reduzida, em torno de 20 km/h.

A obra também envolve 20 mil toneladas de estruturas metálicas – 25% já entregues –, além de 6 mil toneladas de tanques (metade já recebida) e 6 mil toneladas de tubulações, das quais mil toneladas já estão no canteiro de obras.

O forno de cal reúne 22 peças produzidas no Brasil e oito importadas. A logística inclui ainda cerca de 3 mil contêineres e 1.100 cargas break-bulk.

Pico da logística será em 2026

A fase mais intensa do transporte deve ocorrer entre janeiro e maio de 2026, quando a expectativa é de aproximadamente 400 entregas por mês. Hein explica que a Valmet mobilizou 100 profissionais para coordenar toda a operação, batizada de Projeto Sucuriu, em referência ao rio que corta a região.

Capacidade produtiva e geração de empregos

A nova unidade será a quinta fábrica de celulose de Mato Grosso do Sul e terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas por ano. No auge da obra, cerca de 14 mil trabalhadores devem estar envolvidos na construção. Após a inauguração, aproximadamente 6 mil empregos devem ser mantidos entre a planta industrial, a logística e a produção de eucalipto.

O projeto começou com a terraplanagem em meados do ano passado, e a construção foi oficialmente lançada em abril deste ano.

FONTE: Campo Grande News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução Perfilnews

Ler Mais
Exportação

Tarifaço dos EUA impacta 73,8% das exportações brasileiras, alerta CNI

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos afeta 73,8% das exportações do Brasil, atingindo setores estratégicos como aço, alumínio, celulose e calçados. A entidade articula ações diplomáticas e técnicas para restabelecer a competitividade do país no comércio exterior.

Impacto direto sobre a indústria nacional

Segundo levantamento da CNI, o chamado “tarifaço” atinge 6.033 produtos brasileiros atualmente sujeitos a tarifas adicionais. Apesar da recente ampliação da lista de exceções, com 39 novos produtos isentos — entre eles minerais críticos, metais preciosos e químicos industriais — o impacto sobre a indústria ainda é expressivo.

Alban reforça que a estratégia da CNI é manter o diálogo e evitar medidas de retaliação, preservando o ambiente de confiança entre os países. “Nosso objetivo é restabelecer previsibilidade e competitividade às exportações brasileiras, corrigindo distorções que afetam a indústria e o emprego”, explicou.

Missão a Washington e novas oportunidades

Durante missão liderada pela CNI em Washington, Alban destacou avanços no diálogo com interlocutores estratégicos e a abertura de oportunidades de cooperação em áreas como data centers, combustível sustentável de aviação (SAF) e minerais críticos. “Esses segmentos têm potencial real de gerar negócios de interesse mútuo e contribuir para a redução das tarifas”, pontuou.

O dirigente avalia que a retomada do diálogo direto entre os presidentes Lula e Donald Trump pode marcar uma nova fase nas relações bilaterais, baseada em cooperação, pragmatismo e resultados concretos.

Perspectivas e desafios internos

Além das questões comerciais, Alban destacou a necessidade de o Brasil enfrentar entraves internos que prejudicam a competitividade industrial, como a alta carga tributária e o custo da energia elétrica.
Ele criticou propostas de aumento de impostos, como a elevação do IOF, e elogiou a decisão do Congresso Nacional de barrar a Medida Provisória 1.303/2025, que, segundo ele, elevaria preços e prejudicaria o setor produtivo.

“O setor não pode ser penalizado com novas taxações. É urgente avançar na Reforma Tributária, criando um sistema simplificado e previsível, como o IVA, que trará mais racionalidade fiscal”, afirmou.

Energia e competitividade

A CNI também propõe mudanças estruturais para conter os custos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que deve ultrapassar R$ 49 bilhões em 2025 e pode chegar a R$ 60 bilhões em 2026.
Para Alban, o Brasil precisa “trazer disciplina de gastos à CDE” e limitar despesas para reduzir o preço da energia, considerada uma das mais caras do mundo.

“Temos uma matriz energética limpa e barata, mas pagamos uma das tarifas mais altas. É hora de corrigir essa distorção estrutural”, concluiu.

FONTE: Tribuna da Bahia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook