Agronegócio

Doença de Newcastle: Brasil enfrenta restrições à exportação de produtos avícolas

A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja de perus nos arredores de Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, levou parceiros comerciais do Brasil a estabelecer restrições à importação de produtos avícolas. A maior parte dos países deve limitar as medidas à área afetada, conforme os protocolos sanitários firmados com o governo brasileiro.

As exceções incluem China e Malásia, cujos acordos preveem restrições de alcance nacional. A China, porém, decidiu restringir o embargo às unidades produtoras catarinenses, decisão considerada positiva pelas autoridades brasileiras. A Malásia ainda nãoinformou como aplicará as medidas. Já o México suspendeu as importações de produtos avícolas de todo o território brasileiro na última segunda-feira (19).

Ministério da Agricultura orienta certificação das exportações

As diretrizes para a continuidade das exportações foram detalhadas em um ofício circular do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), vinculado à Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O documento orienta os auditores fiscais agropecuários sobre os procedimentos de certificação dos produtos destinados ao mercado internacional, respeitando as exigências sanitárias estabelecidas individualmente por cada parceiro comercial.

Como referência para a aplicação das restrições, o ministério definiu 21 de setembro de 2026, data em que foram coletadas as primeiras amostras de aves sem sintomas aparentes na propriedade investigada. As análises levaram à confirmação do foco da doença.

O ofício também determina que certificados internacionais emitidos antes das restrições sejam avaliados conforme as regras de cada país importador, considerando fatores como datas de produção, abate, obtenção da matéria-prima e emissão da certificação.

Inspeção sanitária exige atenção redobrada

Além das medidas relacionadas ao comércio exterior, o Ministério da Agricultura reforçou os procedimentos de vigilância sanitária nos estabelecimentos de abate. Os auditores devem verificar cuidadosamente os registros de mortalidade das aves nas granjas e observar possíveis sinais clínicos durante as inspeções realizadas antes e depois do abate.

Na presença de suspeitas de síndromes respiratórias e nervosas das aves (SRN), o serviço veterinário estadual deverá ser acionado para avaliação. A inspeção post mortem também deve priorizar a identificação de lesões características dessas enfermidades.

Segundo o documento, aves transportadas com a Guia de Trânsito Animal (GTA) estão aptas ao abate, desde que atendam às condições sanitárias exigidas. Caso exista suspeita da doença ainda na propriedade, o trânsito dos animais deve ser interditado.

Quais países restringiram as importações brasileiras?

As medidas variam conforme os acordos sanitários e os tipos de produtos exportados. As restrições foram organizadas em diferentes categorias.

Embargo nacional: China e Malásia possuem protocolos que preveem restrições para todo o território brasileiro. A China, entretanto, limitou sua decisão às unidades catarinenses. O México também suspendeu as compras nacionais, conforme anunciado em 19 de outubro.

Restrições para Santa Catarina: Cazaquistão, Chile, Peru (para produtos processados), Tadjiquistão, Ucrânia, União Europeia, União Aduaneira Euroasiática e Uzbequistão possuem protocolos que estabelecem limitações para o estado, com diferenças conforme o produto.

Restrições à área afetada: África do Sul, Argentina, Arábia Saudita, Canadá, Coreia do Sul, Egito, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Índia, Israel, Japão, Reino Unido, Taiwan, Tailândia, Turquia, Vietnã e outros mercados adotam medidas delimitadas à região afetada ou a um raio específico, conforme as regras bilaterais.

Há também condições particulares para determinados produtos. O Chile, por exemplo, aplica restrições específicas às vísceras comestíveis, enquanto o Peru diferencia as regras para produtos processados e carnes e miúdos in natura, congelados ou resfriados. União Europeia e União Aduaneira Euroasiática também estabelecem exigências específicas para determinadas categorias de derivados e subprodutos.

Butão, Irã e Ilhas Maurício estão entre os países que aplicam restrições aos animais provenientes do foco da doença.

Tratamento térmico pode permitir exportações

Alguns mercados admitem a entrada de determinados produtos avícolas brasileiros desde que sejam submetidos a tratamento térmico, conforme as condições sanitárias estabelecidas nos respectivos protocolos.

Entre os países que preveem essa possibilidade estão África do Sul, Argentina, Reino Unido e Vietnã.

O Ministério da Agricultura informou que as certificações já estavam seguindo as regras aplicáveis desde segunda-feira (19). A publicação da relação oficial dos países que adotaram medidas específicas estava prevista para terça-feira (20).

A abrangência das restrições e as condições de certificação variam de acordo com o destino e a categoria do produto, tornando necessária a verificação individual dos requisitos sanitários antes do embarque.

O que é a doença de Newcastle

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta principalmente aves domésticas e silvestres, podendo provocar problemas respiratórios, alterações neurológicas, queda na produção de ovos e mortalidade elevada nos plantéis.

O risco para a população humana é considerado baixo: em situações raras, pessoas expostas diretamente a aves infectadas podem desenvolver conjuntivite leve e temporária. Não há evidências de que o consumo de carne de aves ou ovos devidamente inspecionados e cozidos represente risco de transmissão da doença. Ainda assim, é fundamental seguir as orientações das autoridades sanitárias, reforçar a vigilância nas granjas e evitar o contato com aves doentes ou mortas.

Fonte: Globo Rural / Embrapa / OMSA

Texto: Redação

Imagem: Ilustrativa feita com IA

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Exportação

União Europeia deve decidir até novembro sobre exportação de aves e mel do Brasil

O Brasil aguarda até novembro uma decisão da União Europeia (UE) sobre a retomada das exportações de carne de frango e mel para o bloco. As compras de produtos de origem animal brasileiros foram suspensas em 3 de setembro, após autoridades europeias apontarem falta de comprovação sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção agropecuária.

A liberação depende da aprovação do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da União Europeia (Scopaff), que tem reuniões previstas para os dias 20 e 21 de outubro e também em novembro.

Brasil avança nas negociações para retomar as exportações

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Augusto Billi, esteve em Bruxelas, na Bélgica, para discutir a situação com representantes europeus. Segundo ele, as conversas apresentam sinais positivos e aumentam a expectativa de uma solução para os setores de aves e mel.

O Brasil já recebeu um parecer técnico favorável após uma missão europeia visitar, em agosto, unidades produtivas e avaliar o sistema sanitário nacional. A inspeção concluiu que os segmentos brasileiros de carne de aves e mel demonstraram capacidade de assegurar a não utilização de antimicrobianos, conforme as exigências avaliadas.

Agora, o documento precisa ser validado pelo Scopaff para que o país volte a integrar a lista de fornecedores autorizados a exportar esses produtos ao mercado europeu.

Durante a abertura do espaço brasileiro na Sial Paris, feira internacional de alimentos realizada na capital francesa, Billi afirmou que o relatório favorável será apresentado às autoridades do bloco na reunião de novembro.

O secretário acrescentou que ainda não há uma data definida para a publicação da decisão, mas a expectativa do governo brasileiro é que o resultado seja divulgado até dezembro, permitindo a retomada dos embarques.

Setor avícola espera liberação imediata dos embarques

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, avalia que o impasse tem caráter burocrático e acredita que a situação possa ser resolvida sem comprometer a parceria comercial entre Brasil e União Europeia.

Em declarações durante a Sial Paris, Santin afirmou que espera uma decisão baseada nos critérios técnicos apresentados pelo Brasil. Segundo ele, o setor confia nos procedimentos europeus, mas poderá solicitar uma resposta do governo brasileiro caso a decisão não siga os fundamentos técnicos discutidos.

A indústria brasileira de carne de frango também afirma estar preparada para retomar os embarques assim que houver autorização. De acordo com o dirigente da ABPA, a produção destinada ao mercado europeu não foi interrompida durante o período de restrição.

A possibilidade de uma retomada rápida é relevante para o setor exportador, que aguarda a conclusão da análise europeia para voltar a atender os compradores do bloco.

Exportação de carne bovina enfrenta cenário mais incerto

A situação é diferente para a carne bovina brasileira, cuja volta ao mercado europeu pode levar mais tempo. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, destacou que a União Europeia responde por aproximadamente 5% do volume de carne bovina exportado pelo Brasil.

Apesar da participação relativamente pequena no total embarcado, o mercado europeu tem importância estratégica por sua influência na formação dos preços internacionais da proteína bovina.

Perosa informou que representantes dos governos brasileiro e europeu, assim como integrantes da iniciativa privada, mantêm conversas para buscar uma solução e retirar as restrições comerciais.

O objetivo, segundo o dirigente, é restabelecer o fluxo de negócios o mais rapidamente possível. Até que haja avanços nas negociações, porém, a retomada das vendas de carne bovina permanece menos previsível do que a expectativa para aves e mel.

Decisão europeia é aguardada pelo agronegócio brasileiro

A análise do Scopaff será determinante para definir os próximos passos das exportações brasileiras de produtos de origem animal à União Europeia. Enquanto os setores de aves e mel contam com um parecer técnico favorável, a cadeia da carne bovina segue em busca de avanços nas tratativas diplomáticas e comerciais.

A eventual liberação poderá permitir a retomada dos embarques de frango e mel, enquanto o setor bovino continua negociando a retirada das restrições impostas pelo bloco.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Raphael Salomão/Ed. Globo

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Exportação

Exportações do Paraná crescem 5,5% e chegam a US$ 18,7 bilhões até setembro

As exportações do Paraná totalizaram US$ 18,7 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, resultado 5,5% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando as vendas externas somaram US$ 17,7 bilhões. Em setembro, o estado movimentou US$ 2,11 bilhões com os embarques para o mercado internacional.

Os números são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), e evidenciam o desempenho positivo do comércio exterior paranaense nos nove primeiros meses do ano.

Soja e carne de frango lideram as exportações paranaenses

A soja permaneceu na primeira posição entre os produtos exportados pelo Paraná, com receita de US$ 3,9 bilhões no acumulado de janeiro a setembro. A carne de frango in natura ocupou o segundo lugar, com US$ 3,3 bilhões, seguida pelo farelo de soja, que alcançou US$ 1,1 bilhão.

Na comparação com o mesmo intervalo de 2025, os embarques de soja avançaram 6%. Já as vendas externas de carne de frango cresceram 25,8%, enquanto o farelo de soja apresentou aumento de 13,3%.

O avanço da proteína animal também ampliou sua relevância na pauta exportadora estadual. A participação da carne de frango no total vendido pelo Paraná ao exterior passou de 14,7% para 17,5% no período analisado.

Óleo de soja bruto registra alta de 78,9%

Entre os principais produtos da pauta exportadora do Paraná, o óleo de soja bruto apresentou o crescimento mais expressivo em valor.

As receitas com os embarques do produto saltaram de US$ 419,5 milhões nos nove primeiros meses de 2025 para US$ 750,5 milhões no mesmo período de 2026, uma expansão de 78,9%.

O resultado destaca o avanço das vendas externas de derivados da soja, que se somam aos grãos e ao farelo entre os produtos relevantes para o comércio exterior do estado.

China concentra 23,1% das vendas externas do Paraná

A China foi o principal destino das exportações paranaenses entre janeiro e setembro. As compras chinesas atingiram US$ 4,3 bilhões, o equivalente a 23,1% de toda a receita obtida pelo estado com as vendas internacionais.

Ao longo dos nove meses, o Paraná comercializou produtos com 208 mercados internacionais, demonstrando a abrangência de sua presença no comércio global.

A participação chinesa reforça a importância do mercado asiático para os produtos agrícolas paranaenses, especialmente em um cenário no qual a soja e seus derivados têm peso significativo nas exportações estaduais.

Importações do Paraná aumentam 10,4%

Enquanto as exportações avançaram 5,5%, as importações do Paraná cresceram em ritmo mais acelerado no acumulado de 2026.

Entre janeiro e setembro, as compras externas passaram de US$ 15,3 bilhões, em 2025, para US$ 16,9 bilhões neste ano, alta de 10,4%.

Na categoria de adubos e fertilizantes, porém, houve redução de 10,1% no valor importado, que ficou em US$ 2,1 bilhões no período.

Comércio exterior mantém resultado positivo em 2026

Os dados compilados pelo Ipardes mostram que o Paraná ampliou suas vendas ao mercado internacional nos três primeiros trimestres de 2026. O desempenho foi sustentado principalmente pela soja, pela carne de frango, pelo farelo de soja e pelo óleo de soja bruto.

Apesar do crescimento das importações, a evolução das exportações confirma a relevância do agronegócio paranaense para a economia estadual e para a inserção do estado no comércio internacional.

FONTE: Estadão Conteúdo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Comércio Exterior

Paraguai realiza primeira exportação de carne de frango para Taiwan

O Paraguai iniciou as exportações de carne de frango para Taiwan com o envio do primeiro contêiner ao mercado asiático. A operação foi viabilizada após a autorização sanitária de Taiwan para a entrada de produtos avícolas paraguaios e marca um novo avanço para o setor agropecuário do país.

O carregamento inaugural soma 150 toneladas de carne de frango, enquanto as estimativas do setor apontam para a possibilidade de alcançar um volume de até 500 toneladas mensais.

Abertura do mercado de Taiwan contou com apoio diplomático e técnico

A concretização do negócio envolveu esforços diplomáticos e negociações sanitárias. Entre os destaques do processo está a participação de José Han, ex-embaixador de Taiwan no Paraguai, que contribuiu para estreitar os laços entre os dois países e fortalecer as relações bilaterais.

O Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa) também desempenhou um papel decisivo nas tratativas. O órgão participou das negociações e dos procedimentos técnicos necessários para obter a habilitação sanitária, requisito essencial para viabilizar as exportações de produtos avícolas paraguaios.

Exportação amplia oportunidades para a avicultura paraguaia

A inclusão de Taiwan entre os destinos da carne de frango do Paraguai abre novas perspectivas para o comércio exterior do país sul-americano. A iniciativa permite diversificar os mercados compradores, ampliar as oportunidades de negócios e fortalecer a cadeia produtiva da avicultura nacional.

Com a abertura desse novo mercado, o Paraguai passa a contar com mais uma alternativa para expandir a presença de seus produtos no cenário internacional. A expectativa de crescimento dos embarques também representa uma oportunidade para impulsionar a produção avícola e ampliar o alcance comercial do setor.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Agronegócio

Produção de carne bovina do Brasil deve cair 3,6% em 2027, prevê Conab

A produção de carne bovina no Brasil deve recuar novamente em 2027, segundo projeção divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa aponta queda de 3,6% em relação a 2026, para aproximadamente 11,4 milhões de toneladas.

A redução deve ocorrer em meio à retomada gradual do ciclo pecuário, com expectativa de aumento na retenção de fêmeas para recomposição do rebanho bovino. Com menos vacas destinadas ao abate, a disponibilidade de animais para a produção de carne tende a diminuir.

Produção deve registrar segundo ano consecutivo de queda

Caso a previsão se confirme, 2027 será o segundo ano seguido de redução na produção brasileira de carne bovina.

De acordo com os dados da Conab, o país produziu 11,9 milhões de toneladas em 2025 e deve encerrar 2026 com aproximadamente 11,84 milhões de toneladas.

Apesar da perspectiva de retração, a companhia avalia que a reversão do ciclo pecuário está acontecendo de maneira mais lenta do que o inicialmente esperado.

No primeiro semestre de 2026, os abates de bovinos permaneceram acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Entre os fatores que sustentaram o resultado estão a disponibilidade de fêmeas, o aumento do peso médio das carcaças e a maior utilização de sistemas de confinamento.

Retenção de fêmeas pode reduzir oferta de animais

A valorização dos bezerros e dos animais destinados à reposição do rebanho é apontada pela Conab como um sinal de menor disponibilidade nessas categorias.

Esse movimento tende a estimular os pecuaristas a preservar matrizes, reduzindo a oferta de animais para abate e contribuindo para a queda projetada na produção de carne em 2027.

O Brasil segue como um dos principais protagonistas do mercado internacional de carne bovina. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país liderou a produção mundial em 2025/26, com cerca de 20% do total, enquanto os Estados Unidos enfrentam uma redução no tamanho do rebanho.

Exportações de carne bovina devem crescer

Mesmo com a previsão de queda na produção, as exportações brasileiras de carne bovina devem avançar em 2027.

A Conab estima embarques de 4,8 milhões de toneladas, alta de 2,2% em relação ao volume projetado para 2026.

A expectativa é que o Brasil encerre 2026 com exportações de aproximadamente 4,7 milhões de toneladas, acima dos 4,5 milhões de toneladas registrados em 2025.

O desempenho positivo observado no primeiro semestre foi sustentado principalmente pela demanda da China, pelos preços internacionais elevados e pela abertura de novos mercados.

Para a segunda metade do ano, entretanto, a Conab prevê uma desaceleração dos embarques, em razão do preenchimento de uma cota chinesa que possui tarifas de importação mais baixas.

Consumo interno enfrenta concorrência de frango e suíno

No mercado doméstico, o consumo de carne bovina permanece moderado e concentrado principalmente nos cortes de menor preço.

A Conab aponta perda de competitividade da carne bovina diante das carnes de frango e suína, especialmente entre consumidores de menor renda.

Esse cenário também dificulta o repasse integral da valorização da arroba do boi para os preços pagos pelos consumidores no varejo.

Produção de carne de frango deve atingir novo recorde

Enquanto a produção bovina deve recuar, a produção brasileira de carne de frango deve continuar crescendo.

A Conab projeta um novo recorde em 2027, com produção estimada em 16,7 milhões de toneladas. Para comparação, a previsão é de 16,3 milhões de toneladas em 2026, contra 15,8 milhões em 2025.

O Brasil também ocupa a liderança mundial nas exportações de carne de frango. Para 2027, a expectativa da Conab é de crescimento de 0,8% nas exportações do produto.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

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Exportação

Exportação de carne bovina recua 27% em agosto, enquanto frango cresce 23%

As exportações brasileiras de carne bovina registraram forte retração em agosto de 2026, enquanto os embarques de carne de frango e suína apresentaram crescimento. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram comportamentos distintos entre as principais proteínas exportadas pelo Brasil.

A carne bovina teve queda de 27,09% no volume embarcado em relação a agosto de 2025. Já as exportações de carne de frango cresceram 22,59%, enquanto a carne suína avançou 6,61%.

Os números consideram 21 dias úteis tanto em agosto de 2026 quanto no mesmo mês do ano anterior.

Exportação de carne bovina cai em agosto

O Brasil exportou 195.715 toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada em agosto. No mesmo mês de 2025, foram embarcadas 268.425 toneladas.

Apesar da redução no volume, a receita caiu em ritmo menor. O faturamento com as vendas externas somou US$ 1,207 bilhão, ante US$ 1,503 bilhão um ano antes, queda de 19,73%.

O preço médio da carne bovina exportada subiu 10,09%, passando de US$ 5.603 para US$ 6.166 por tonelada.

Carne de frango amplia volume e receita

Em sentido oposto ao mercado bovino, as exportações de carne de frango tiveram crescimento expressivo em agosto.

Os embarques de carnes de aves e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, alcançaram 457.989 toneladas, alta de 22,59% sobre as 373.589 toneladas registradas em agosto de 2025.

A receita avançou ainda mais: foram US$ 919,7 milhões, aumento de 40,51% na comparação anual, contra US$ 654,5 milhões no mesmo mês do ano passado.

O preço médio também apresentou valorização. O valor passou de US$ 1.752 para US$ 2.008 por tonelada, alta de 14,62%.

Carne suína cresce em volume, mas receita recua

As exportações de carne suína também aumentaram em agosto, embora o desempenho financeiro tenha sido negativo.

O Brasil embarcou 114.617 toneladas de carne suína fresca, refrigerada ou congelada no mês, crescimento de 6,61% ante as 107.512 toneladas exportadas em agosto de 2025.

A receita, porém, recuou 3,48%, de US$ 277,4 milhões para US$ 267,7 milhões.

O resultado foi influenciado pela queda no preço médio da proteína. O valor passou de US$ 2.580 para US$ 2.336 por tonelada, retração de 9,46%.

Carne bovina mantém alta no acumulado do ano

Apesar da queda registrada em agosto, o desempenho das exportações de carne bovina em 2026 permanece positivo no acumulado do ano.

Entre janeiro e agosto, o Brasil embarcou 2,125 milhões de toneladas, alta de 3,01% sobre as 2,063 milhões de toneladas exportadas no mesmo período de 2025.

A receita acumulada apresentou crescimento mais expressivo. As vendas externas movimentaram US$ 12,546 bilhões, avanço de 19,96% ante os US$ 10,459 bilhões registrados nos primeiros oito meses do ano passado.

A diferença entre o crescimento do volume e da receita reflete a valorização do preço médio da carne bovina no mercado internacional.

Exportações de frango avançam mais de 16% no ano

O setor de carne de frango brasileira apresenta desempenho ainda mais forte no acumulado de 2026.

De janeiro a agosto, os embarques totalizaram 3,821 milhões de toneladas, aumento de 16,34% em relação às 3,285 milhões de toneladas exportadas no mesmo intervalo de 2025.

O faturamento chegou a US$ 7,485 bilhões, alta de 21,81% na comparação anual. Entre janeiro e agosto de 2025, a receita havia alcançado US$ 6,144 bilhões.

Carne suína acumula alta de 7,8%

As vendas externas de carne suína brasileira também mantiveram trajetória positiva no acumulado do ano.

Entre janeiro e agosto, o país exportou 1,017 milhão de toneladas, volume 7,80% superior às 943,2 mil toneladas embarcadas no mesmo período de 2025.

A receita acumulada chegou a US$ 2,402 bilhões, crescimento de 4,26% ante os US$ 2,304 bilhões registrados nos oito primeiros meses do ano passado.

Os resultados mostram um cenário heterogêneo para as proteínas brasileiras no comércio exterior. Enquanto a carne bovina enfrentou uma queda expressiva nos embarques de agosto, o frango apresentou forte expansão tanto em volume quanto em receita. A carne suína, por sua vez, cresceu em quantidade, mas teve redução no faturamento devido à queda do preço médio.

FONTE: Broadcast
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Comércio Exterior

China pode ampliar exportações de frango e disputar mercado com o Brasil, diz Rabobank

A China deve ampliar as exportações de carne de frango nos próximos anos e poderá se tornar uma concorrente mais forte do Brasil no mercado internacional da proteína. A avaliação é de Chenjun Pan, especialista em carnes do Rabobank, que vê possibilidade de maior disputa entre os dois países em mercados como Oriente Médio, Ásia e África ao longo da próxima década.

A mudança ocorre em um cenário no qual a China, atualmente o principal destino da carne de frango brasileira, passou a ser exportadora líquida da proteína em 2025. O movimento está relacionado principalmente ao aumento da oferta de cortes menos consumidos pelos chineses, como o peito de frango.

China começa a ganhar espaço nas exportações de frango

Segundo Pan, ainda não há uma concorrência direta em grande escala com o Brasil, mas o cenário pode mudar nos próximos anos.

A especialista considera que as exportações chinesas de carne de frango in natura apresentam potencial de crescimento, especialmente porque o país passou a vender maiores volumes de cortes como peito de frango no mercado externo.

A China já exportava produtos avícolas há anos, mas historicamente sua presença internacional estava mais concentrada em carne de frango processada. O avanço recente dos embarques de produtos in natura representa uma mudança importante na estratégia do setor.

Brasil ainda lidera mercado global

A China é atualmente o segundo maior produtor mundial de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos. Mesmo com o crescimento recente, sua participação nas exportações ainda está muito abaixo da brasileira.

Em 2025, a China exportou pouco mais de 1 milhão de toneladas de carne de frango, segundo relatório anual da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

No mesmo ano, o Brasil manteve a liderança mundial e atingiu o recorde de 5,3 milhões de toneladas exportadas.

A diferença mostra a distância que ainda separa os dois países, embora o avanço da produção chinesa possa alterar a dinâmica do comércio internacional nos próximos anos.

Hábitos de consumo geram excedentes exportáveis

Um dos fatores que ajudam a explicar o crescimento das exportações chinesas é o perfil de consumo doméstico.

Segundo Pan, os consumidores chineses demonstram maior preferência por asas e pés de frango, enquanto o peito tem menor procura no mercado interno. Com o aumento da produção, esse desequilíbrio gera excedentes de determinados cortes que podem ser direcionados para outros países.

A produção chinesa vem crescendo em ritmo próximo de 10%, enquanto a demanda doméstica avança mais lentamente.

Entre os destinos das exportações chinesas estão Rússia, Hong Kong, Coreia do Norte e países do Oriente Médio.

União Europeia, Japão e Coreia do Sul seguem fora da disputa

Apesar da expansão, a China ainda encontra restrições importantes em alguns dos principais mercados consumidores de frango.

A União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul não aceitam carne proveniente de aves vacinadas contra a gripe aviária. A China utiliza a vacinação como parte de sua estratégia para reduzir os impactos da doença, o que limita o acesso de seus produtos a esses mercados.

Por isso, a competição com o Brasil tende a ser mais relevante em regiões que aceitam a carne chinesa, como partes da Ásia, África e Oriente Médio.

Produção chinesa cresce mais de 9% no primeiro semestre

A expansão da oferta continua acelerada. No primeiro semestre de 2026, a produção chinesa de carne de frango aumentou mais de 9% na comparação anual, depois de crescer cerca de 7% em 2025.

Para Pan, o ritmo de expansão da produção supera o crescimento da demanda doméstica.

Esse cenário aumenta a disponibilidade de proteína para o mercado externo e reforça a possibilidade de crescimento das exportações chinesas.

Estratégia busca reduzir dependência da carne suína

O aumento da produção de frango também está relacionado à política chinesa de diversificação das fontes de proteína animal.

O governo busca reduzir a dependência da carne suína, que ocupa posição central na alimentação do país e tem a China como maior mercado consumidor mundial.

Durante a crise provocada pela peste suína africana, entre 2019 e 2021, a redução da oferta de carne suína provocou forte alta nos preços. A valorização da proteína também beneficiou o mercado de frango e estimulou novos investimentos na avicultura chinesa.

Com a expansão da produção, a participação do frango no mercado chinês de carnes chegou a aproximadamente 28%.

Frango também é estratégico para reduzir uso de ração

Outro fator considerado pelo governo chinês é a eficiência da produção de frango em relação à suinocultura.

A criação de aves demanda menos milho e farelo de soja para produzir uma determinada quantidade de proteína. A característica ganha importância diante do esforço de Pequim para diminuir a dependência das importações de grãos destinados à alimentação animal.

Na avaliação do Rabobank, uma eventual migração do consumo para proteínas que utilizam menos ração, combinada à expectativa de redução da produção de carne suína, pode limitar o crescimento futuro da demanda chinesa por soja.

Carne bovina pode ganhar espaço no mercado chinês

Enquanto o mercado de frango enfrenta forte expansão da oferta, a carne bovina apresenta perspectivas diferentes.

Pan considera que o consumo chinês de carne bovina ainda tem espaço para crescer no futuro. Atualmente, porém, o mercado enfrenta restrições relacionadas à oferta e às condições de importação.

Entre os fatores que afetam o Brasil estão as tarifas de importação extracota aplicadas à carne bovina brasileira e de outros países.

Brasil pode encontrar novas oportunidades após 2028

Segundo a especialista, as tarifas mais elevadas devem permanecer até 2028. Depois desse período, o cenário poderá oferecer novas oportunidades aos exportadores brasileiros.

A perspectiva está relacionada também à mudança no perfil do consumidor chinês, que tende a buscar produtos com maior processamento e valor agregado.

Nesse contexto, embora a China possa aumentar sua presença como exportadora de frango, o mercado chinês continuará sendo estratégico para o agronegócio brasileiro, especialmente se o Brasil conseguir avançar na oferta de proteínas e produtos de maior valor agregado.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Keiny Andrade/Folhapress

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Exportação

Abate de frangos cresce no Brasil e exportações de carne batem recorde em 2026

A avicultura brasileira iniciou 2026 em ritmo de expansão, com aumento no abate de aves e um novo recorde nas exportações de carne de frango. Os resultados reforçam a dimensão da cadeia produtiva e a importância crescente da tecnologia na produção avícola.

No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou o abate de 1,71 bilhão de frangos, volume 3,6% superior ao contabilizado no mesmo período de 2025.

O desempenho também foi positivo no comércio exterior. No primeiro semestre, as exportações brasileiras de carne de frango alcançaram 2,936 milhões de toneladas, alta de 12,9% na comparação anual, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Produção de ovos também avança

A cadeia avícola apresenta crescimento em diferentes segmentos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção brasileira chegou a 1,21 bilhão de dúzias de ovos no primeiro trimestre de 2026.

O volume corresponde a aproximadamente 14,6 bilhões de ovos, evidenciando a dimensão da produção nacional.

Com o aumento da escala e da tecnificação da avicultura, os cuidados relacionados à sanidade das aves passam a ter papel ainda mais estratégico para o setor.

Sanidade ganha importância com avanço da tecnologia

Para Beatriz Santos, assistente técnica de avicultura da Zoetis Brasil, o crescimento da atividade exige uma abordagem cada vez mais integrada sobre os processos sanitários.

Segundo ela, a adoção de novas tecnologias precisa estar acompanhada do monitoramento das operações, da análise dos resultados e da geração de informações capazes de apoiar decisões mais precisas.

Esse acompanhamento ganha relevância em uma cadeia que trabalha com volumes cada vez maiores e precisa manter padrões elevados de biossegurança e prevenção de doenças.

Vacinação in ovo amplia precisão nos incubatórios

Entre as tecnologias utilizadas na produção avícola está a vacinação in ovo, método que permite imunizar os embriões ainda durante o período de incubação.

A técnica já é empregada globalmente na vacinação de aproximadamente 20 bilhões de frangos por ano. Em sistemas automatizados, a aplicação pode atingir uma capacidade de cerca de 40 mil ovos por hora.

Além de aumentar a escala do processo, a automação permite maior padronização e precisão na aplicação das vacinas.

Ferramenta digital monitora processo de vacinação

Para acompanhar a qualidade das operações nos incubatórios, a Zoetis utiliza o Poultry View 360, uma ferramenta digital voltada ao monitoramento de diferentes etapas da vacinação.

O sistema avalia aspectos como preparação da vacina, assepsia, funcionamento dos equipamentos, procedimentos de limpeza e condições de armazenamento.

A plataforma também permite identificar oportunidades de melhoria e comparar indicadores entre diferentes operações, contribuindo para uma gestão mais orientada por dados.

Escala e precisão são desafios para a avicultura brasileira

Com bilhões de aves produzidas e uma presença consolidada tanto no mercado brasileiro quanto no comércio internacional, a avicultura precisa combinar expansão produtiva com eficiência e controle sanitário.

Nesse cenário, a integração entre escala, tecnologia, prevenção e monitoramento de processos tende a ganhar ainda mais relevância para preservar a produtividade e a competitividade da cadeia brasileira de proteína animal.

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Zoetis

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Comércio Exterior

Missão da União Europeia avalia controles sanitários da avicultura e do mel no Brasil

Uma missão da União Europeia (UE) permanecerá no Brasil pelas próximas duas semanas para avaliar os sistemas de produção, processamento e fiscalização de carne de frango e mel. O objetivo é verificar se os controles brasileiros atendem às exigências europeias, especialmente em relação ao uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas.

A avaliação ocorre às vésperas de uma possível suspensão das exportações brasileiras de carne de aves, bovinos, mel e pescado para o mercado europeu, prevista para entrar em vigor em 3 de setembro.

UE avalia uso de antimicrobianos

Em maio, a União Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco. Segundo as autoridades europeias, o país não teria demonstrado controles considerados suficientes sobre o emprego de antimicrobianos na produção animal.

No setor de avicultura, porém, a expectativa é de que a inspeção apresente resultados positivos. Fontes familiarizadas com o processo afirmam que os técnicos devem encontrar procedimentos já adotados há anos pelas empresas brasileiras, como a separação de aves destinadas ao mercado europeu e a proibição do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento.

Ainda assim, a eventual retomada do Brasil à lista de exportadores autorizados dependerá exclusivamente das autoridades europeias após a conclusão da missão.

Exportações de frango podem ser afetadas

Mesmo com uma avaliação favorável, existe a possibilidade de uma interrupção temporária nas vendas ao bloco europeu. Equipes oficiais de inspeção em frigoríficos brasileiros já receberam orientação para não certificar, a partir de 3 de setembro, produtos que estejam em desacordo com as normas europeias sobre antimicrobianos.

A decisão sobre a permanência ou o retorno do Brasil à lista de países autorizados será analisada pelo Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia (Scopaff). Reuniões extraordinárias podem ser convocadas, embora a próxima reunião ordinária esteja prevista para novembro.

Brasil exportou US$ 680 milhões em frango para a UE

Em 2026, o Brasil embarcou 226,2 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia, com receita próxima de US$ 680 milhões. Somente em julho, foram exportadas 36,8 mil toneladas, movimentando US$ 104,2 milhões, segundo dados do Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do Ministério da Agricultura.

O mercado europeu é, portanto, relevante para a indústria avícola brasileira, e qualquer restrição às exportações pode gerar impactos sobre frigoríficos habilitados e sobre a cadeia produtiva.

Inspeções serão realizadas em quatro empresas

A delegação europeia iniciou reuniões com o Ministério da Agricultura, em Brasília, nesta segunda-feira (24). Na sequência, os técnicos visitarão quatro empresas avícolas localizadas no Paraná e em Mato Grosso do Sul que possuem autorização para exportar ao mercado europeu.

A programação também inclui inspeções em apiários no Paraná, em uma unidade de processamento de mel no interior de São Paulo e em órgãos estaduais responsáveis pela fiscalização agropecuária.

A missão permanecerá no Brasil até 4 de setembro, quando está prevista uma reunião final em Brasília. A partir dos resultados da avaliação, caberá às autoridades da União Europeia decidir sobre a continuidade ou eventual retomada das exportações brasileiras de produtos de origem animal para o bloco.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor International

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Exportação

Exportação de carne bovina recua após China preencher cota de importação

A exportação de carne bovina brasileira perdeu ritmo depois que a China completou a cota de 1,1 milhão de toneladas para importações sem a cobrança da tarifa adicional de 55%. Com a mudança, o Brasil começa a registrar redução no volume embarcado para o mercado internacional.

Na segunda semana de agosto, o país exportou, em média, 8,4 mil toneladas de carne bovina por dia útil, abaixo das 10,5 mil toneladas registradas na primeira semana do mês.

Considerando os dez primeiros dias úteis de agosto, a média ficou em 9.442 toneladas diárias. O resultado representa uma queda de 26% em relação a agosto de 2025 e corresponde ao menor nível desde janeiro do ano passado.

China antecipou compras antes da nova tarifa

A expectativa de aumento da tributação levou o mercado chinês a antecipar parte das compras de carne bovina do Brasil. Enquanto a alíquota permanecia em 12%, os importadores elevaram os volumes adquiridos.

O movimento ajudou a impulsionar as exportações brasileiras. Em novembro de 2025, os embarques chegaram a uma média de 16,8 mil toneladas por dia útil, período em que a demanda chinesa teve papel importante no desempenho.

Desde janeiro, passou a valer uma cota de 1,1 milhão de toneladas. Após esse limite ser atingido, as importações brasileiras ficam sujeitas a uma tarifa adicional de 55%. Na prática, a carne bovina brasileira passa a enfrentar uma tributação total de 67%.

Preço da carne bovina continua sustentado

Apesar da retração no volume embarcado, os preços da carne bovina brasileira no mercado internacional permanecem em patamar elevado.

Dados acompanhados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que a tonelada de carne bovina in natura é negociada, em média, por US$ 6.140.

O valor está abaixo do registrado em julho, mas ainda representa uma alta de aproximadamente 10% sobre agosto do ano passado.

Carne de frango e carne suína têm desempenhos diferentes

O comportamento das exportações de outras proteínas animais é diferente do observado na carne bovina.

Os embarques de carne de frango alcançaram 22,6 mil toneladas por dia útil em agosto, alta de 27% na comparação com o mesmo período de 2025. O preço médio também avançou, com aumento de 17%.

No mercado de carne suína, as exportações diárias estão 10,5% acima das registradas em agosto do ano passado. O desempenho dos preços, porém, é negativo, com queda de 8%, segundo dados da Secex.

China responde por quase metade da receita da carne bovina

A China continua sendo o principal destino da carne bovina exportada pelo Brasil.

De acordo com a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), o setor acumulou US$ 11,4 bilhões em receitas entre janeiro e julho. Desse total, 47% tiveram origem nas vendas para o mercado chinês.

Em volume, a participação da China também foi significativa: 45% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil no período teve o país asiático como destino.

Preços no campo têm movimentos distintos

No mercado pecuário paulista, a arroba do boi gordo está cotada a R$ 345. O preço acumula queda de 0,43% no mês, segundo o Cepea.

No mesmo período, a cotação do suíno recuou 2,6%, enquanto o preço do frango registrou alta de 0,42%.

Exportações de arroz avançam em agosto

As vendas externas de arroz brasileiro apresentaram forte crescimento nas duas primeiras semanas de agosto.

Segundo a Secex, os embarques de arroz em casca chegaram a 10,8 mil toneladas por dia útil. O volume representa uma alta de 250% em relação ao mesmo período de 2025.

Pecuaristas de Mato Grosso ampliam intenção de confinamento

A pesquisa de intenção de confinamento realizada pelo Imea em julho aponta que os pecuaristas de Mato Grosso pretendem colocar 1,33 milhão de cabeças de gado em confinamento.

O número é 43% maior que o registrado na mesma pesquisa de 2025. Em relação à sondagem realizada em abril deste ano, porém, houve uma redução de 8%.

O levantamento estima ainda um custo diário médio de R$ 13,62 por animal no sistema de confinamento.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Joel Silva/Reuters

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