Comércio Exterior, Mercado Internacional

Possível abertura do Japão para carne brasileira valerá só para cinco Estados

Autoridades japonesas afirmaram que benefício será garantido para os Estados que já haviam conquistado o reconhecimento como zonas livres de febre aftosa sem vacinação antes de 2025

Técnicos do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão (MAFF) estiveram no Brasil na semana passada para uma auditoria no sistema de inspeção sanitária brasileiro. A visita é considerada um passo fundamental para uma possível abertura de mercado para a carne bovina brasileira.

Durante a agenda, os japoneses esclareceram que, caso haja aprovação do sistema sanitário brasileiro, a possível abertura de mercado ainda não valerá para o país todo, relatou uma fonte a par do assunto. Valeria apenas para os Estados que já haviam conquistado o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como zonas livres de febre aftosa sem vacinação antes de 2025: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Acre e Rondônia.

O Ministério da Agricultura pleiteia que a abertura contemple todo o país, reconhecido no fim de maio pela OMSA como livre de aftosa sem vacinação. A visita foi marcada para a segunda semana de junho para a Pasta poder apresentar o certificado entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 6. Porém, os documentos enviados inicialmente e analisados pelos japoneses eram dos cinco Estados.

Em caso de sinalização positiva dos japoneses, os demais Estados devem ser liberados mais à frente, o que vai demandar novas negociações à medida em que, com o passar do tempo, o rebanho dessas regiões seja composto apenas por gado que nunca foi vacinado.

A possível abertura limitada a cinco Estados é vista na indústria brasileira como estratégica para os japoneses em um cenário comercial e político que envolve os Estados Unidos, de onde o Japão já importa carne. O aval parcial ao Brasil pode reduzir a pressão americana sobre Tóquio, com a qual quer defender o seu market-share, ao mesmo tempo em que atende em parte aos anseios brasileiros e de importadores locais.

Os técnicos japoneses visitaram unidades do serviço de inspeção federal e os controles sanitários de alguns Estados. Não houve auditoria em frigoríficos.

Na agroindústria, a expectativa é que a abertura do mercado do Japão, para os cinco Estados, possa ser concluída ainda em 2025 ou no primeiro trimestre de 2026. Uma carta na manga do Brasil neste momento é o aumento dos preços internos das carnes no país asiático. Na parte técnica, ressalta uma fonte, o país atende às exigências japonesas.

Se a abertura parcial for concluída após a auditoria técnica do Japão no sistema sanitário brasileiro, o aval às demais regiões pode ser facilitado, disse uma fonte da indústria, ainda mais com o reconhecimento da OMSA. (RW)

Os japoneses devem emitir um relatório sobre a auditoria. Em caso de aprovação, serão iniciadas as discussões sobre os requisitos técnicos que deverão ser incluídos no protocolo para a exportação de carne do Brasil. A habilitação das plantas após a abertura deverá ser por pré-listing, a depender da análise de risco feita pelo Japão.

Fonte: Globo Rural

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Comércio, Internacional

Conflito entre Irã e Israel deixa mercado de fertilizantes do Brasil em alerta

Cerca de 17% das importações brasileiras de ureia vêm dos iranianos e a ofensiva no Oriente Médio gera risco para os custos de produção

O conflito que se desenrola no Oriente Médio, com ataques entre Irã e Israel, ligou um alerta para o mercado de fertilizantes e, principalmente, os produtores rurais do Brasil. Isso porque cerca de 17% das importações brasileiras de ureia vêm dos iranianos.

Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado da Agrinvest, ressalta que o Irã produz cerca de 9 milhões de toneladas e chega a exportar entre 4,5 milhões e 5,5 milhões de toneladas de ureia por ano. Ou seja, é considerado um gigante da região nas exportações.

“Para o Brasil, conflitos dessa natureza, que envolvem países tão importantes como o mencionado, sempre trazem algumas preocupações — sobretudo para o produtor rural”, afirmou o especialista em análise sobre o tema.

Em geral, os agricultores brasileiros dependem do mercado internacional para suprir mais de 80% de suas necessidades de fertilizantes. No caso da ureia, a dependência é ainda maior. No ano passado, 100% da ureia consumida internamente foi importada, segundo Souza.

“Portanto, qualquer desdobramento como esse (no Oriente Médio) pode impactar diretamente os custos de produção do produtor rural”, alertou.

Este é um período do ano em que os agricultores estão atentos às compras de insumos que serão utilizados no plantio da próxima safra de verão, que será plantada a partir de setembro, e em alguns casos há até quem antecipe as aquisições de adubos, defensivos e sementes para a safrinha de 2026.

Além disso, a recente disparada nos preços internacionais dos fertilizantes, sem reação correspondente nas cotações das commodities agrícolas, voltou a pressionar as margens dos produtores rurais brasileiros.

Segundo relatório mensal da consultoria agronegócios do Itaú BBA, a relação de troca — indicador que mede quantas sacas de grãos são necessárias para comprar uma tonelada de fertilizante — atingiu níveis próximos aos observados durante o auge da crise provocada pela guerra na Ucrânia, em 2022.

Fonte: Globo Rural

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Comércio Exterior, Exportação

As exportações da China para o Brasil atingiram 29,5 bilhões de dólares de janeiro a maio, um recorde

As exportações da China para o Brasil atingiram US$ 29,5 bilhões de janeiro a maio, um recorde na série histórica iniciada em 1997, em meio à guerra tarifária iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, segundo especialistas, no caso brasileiro, a expansão também está relacionada a fatores além da disputa comercial global.

Nos cinco primeiros meses de 2025, as importações brasileiras em geral cresceram 9,22% em relação ao mesmo período de 2024, para US$ 112,5 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A compra de produtos da China, porém, foi a que mais cresceu, com alta de 26,5%. As importações vindas de outros parceiros comerciais, como Estados Unidos (9,9%) e União Europeia (4%) cresceram bem menos, enquanto as de produtos do Mercosul caíram 1,8%.

O crescimento nas importações de produtos da China, à primeira vista, corrobora a expectativa de que o país asiático teria de inundar outros mercados com seus produtos para compensar a queda no volume exportado aos Estados Unidos, com quem trava uma guerra tarifária desde fevereiro.

Especialistas, porém, apontam que o efeito do redirecionamento da produção da China, embora já comece a ser visto, ainda não é tão grande, e vai ganhar força no decorrer do ano. Por enquanto, dizem, a expansão reflete principalmente fatores como a atividade econômica interna aquecida.

Além disso, houve a compra de uma plataforma de petróleo vinda da China em fevereiro, que custou cerca de US$ 2,7 bilhões e ajudou a inflar o número das transações comerciais entre os dois países no período.

O economista Matheus Pizzani, da corretora CM Capital, que acompanha os dados da balança comercial brasileira mensalmente, observa que, no início do ano, o crescimento das importações chinesas no Brasil foi impulsionado pelos chamados bens de capital – maquinários e equipamentos usados pelas empresas para produzir outros bens e serviços.

Os bens finais, como automóveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, só começaram uma tendência de aumento em abril. Esse movimento, segundo ele, pode refletir “em alguma medida” o efeito da guerra tarifária e o atrito entre China e Estados Unidos. A sobretaxa de aço e alumínio entrou em vigor em 12 de março; e a para automóveis, em 3 de abril.

Pizzani reforça que a continuidade do crescimento das importações dos bens finais dependerá do cenário da economia doméstica. “São bens que, no limite, não são essenciais. A demanda por eles depende diretamente no nível da atividade e da confiança das pessoas em adquiri-los”, reforça.

O aumento das importações de produtos da China pelo Brasil, que bateram recorde nos cinco primeiros meses do ano, deve ser creditado, além da atividade doméstica aquecida, ao bom momento do setor agropecuário. A supersafra demanda itens como adubos e fertilizantes, observa a economista Gabriela Faria, da Tendências Consultoria. “A safra de soja foi muito boa e com remuneração positiva aos produtores. Eles conseguiram se preparar para fazer novos investimentos”, diz ela.

O presidente da Associação da Câmara de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro, destaca que a queda no preço de commodities nos últimos meses diminuiu o custo de muitos dos bens fabricados pela China, o que favoreceu a produção e, consequentemente, a exportação para o Brasil. “Era um cenário anterior ao tarifaço promovido pelo presidente Donald Trump dos Estados Unidos. As medidas de Trump vieram apenas consolidar uma tendência que já era imaginada”, pontua.

Castro observa ainda que a China tem focado em produtos de alto valor agregado, o que ajuda a turbinar os valores envolvidos nas importações feitas pelo Brasil. “Invariavelmente, mais produtos que eles venderiam para os americanos vão chegar aqui. É claro que o Brasil não tem como substituir os Estados Unidos, afinal de contas nosso mercado é bem menor, mas devemos ficar com alguma coisa”, avalia.

Trump iniciou uma guerra comercial com a China, impondo tarifas para pressionar mudanças em práticas comerciais. A China retaliou afetando produtos americanos. O confronto abalou mercados globais e cadeias de suprimentos. O presidente da Associação Brasileira de Importadores (Abimp), Michel Platini, considera que parte dos produtos chineses que agora chegam ao Brasil só entrou no País devido ao fechamento do mercado americano em meio à escalada tarifária.

Platini explica que os custos estavam em baixa na China no início do ano, o que incrementou a produção, ao mesmo tempo que os Estados Unidos anunciaram tarifas acima de 100% ao país asiático. “O investimento nessa produção já havia sido feito, mas um mercado importante (os EUA) foi praticamente fechado, houve essa necessidade de redirecionamento”, diz.

O cenário, acrescenta Platini, “deu fôlego” a um movimento já bastante consolidado dos consumidores brasileiros, de comprar itens do segmento têxtil, utensílios domésticos e de bazar vindos da China a partir de plataformas de comércio online como Mercado Livre, Amazon e Temu.

Ele acrescenta que o aumento da entrada desses itens por aqui só não foi mais forte por conta do movimento grevista de servidores da Receita Federal em terminais alfandegários, que perdura desde novembro passado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: O Sul

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Logística

Apesar de problemas pontuais, SC tem a segunda melhor logística do Brasil

Apesar de apresentar deficiências pontuais, Santa Catarina ocupa a segunda colocação no ranking de competitividade logística dos estados brasileiros, atrás apenas de São Paulo. O dado é do Centro de Liderança Pública (CLP), e reflete o desempenho logístico do estado mesmo diante de desafios significativos — especialmente na malha rodoviária.

“Embora Santa Catarina possua restrições em todos os modais, considerando que o modal rodoviário é responsável por aproximadamente 70% da nossa matriz de transporte, a situação precária das rodovias, tanto federais quanto estaduais, é hoje o maior entrave. Ainda assim, temos a segunda melhor logística do país”, destaca Egídio Martorano, presidente da Câmara para Assuntos de Transporte e Logística da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).

Segundo Martorano, é urgente investir na conclusão de obras em andamento, bem como na restauração e manutenção preventiva de grande parte da malha existente. “A preservação do patrimônio rodoviário exige ações de curto, médio e longo prazo.”

Outro ponto crítico é o acesso terrestre aos portos, que ainda enfrenta gargalos importantes. “Também precisamos ampliar e diversificar a matriz de transporte, com investimentos consistentes na malha ferroviária. E é estratégico adequar nossos portos para receber navios de maior porte, que exigem calado mais profundo. A dragagem na Baía da Babitonga (em Itapoá e São Francisco do Sul), viabilizada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) do Governo do Estado, é um bom exemplo.”

Martorano cita ainda outros desafios, como a ampliação do canal de acesso e da bacia de evolução do rio Itajaí-Açu, que atende os portos de Itajaí e Navegantes, além de ajustes necessários no molhe do porto de Imbituba.

No modal aéreo, ele defende a implementação de uma política estadual de transporte de passageiros e cargas, especialmente para a aviação regional. “O Plano Aeroviário Estadual, recentemente atualizado pelo Governo Jorginho Mello, pode ser uma referência técnica importante para o setor”, pontua.

Para o especialista, o principal gargalo logístico do estado é a falta de investimentos sustentáveis e de um planejamento integrado e de longo prazo. “O Governo do Estado já iniciou esse processo com a contratação do Plano Estadual de Transporte e Logística (PELT), uma iniciativa essencial para consolidar uma visão estratégica.”

Espaço de discussões e fomento

Nesse cenário, a feira Logistique 2025, que será realizado em agosto no Expocentro BC, em Balneário Camboriú, surge como espaço relevante de debate e articulação. “A Logistique é um fórum importante para discutir os gargalos da infraestrutura logística catarinense e fomentar investimentos que agreguem competitividade à indústria e fortaleçam a imagem do estado nos cenários nacional e internacional”, afirma o diretor-geral do evento.

Além da feira, o evento — considerado um dos mais expressivos do setor no Brasil — conta com o Logistique Summit , um congresso técnico que promove discussões qualificadas sobre o futuro da logística em Santa Catarina. “Grandes nomes da economia, logística, comércio exterior e navegação farão parte dos painéis e debates do Summit”, informa a diretora executiva do evento, Karine Marmitt.

Egídio Martorano, da Fiesc, destaca ainda o papel estratégico da Logistique como ponto de encontro entre profissionais do setor público e privado. “Eventos como este são fundamentais para debater desafios, compartilhar soluções e se atualizar quanto às tendências, inovações tecnológicas e novidades do setor. A Logistique se consolida como referência, reforçando a vocação de Santa Catarina como um hub logístico essencial para o Sul do Brasil e para o país como um todo.”

Fonte: Informativo dos Portos

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Economia

IBC-Br: “prévia do PIB” sobe 0,2% em abril, mais do que o esperado

A expectativa em pesquisa da Reuters para o resultado de abril era de alta de 0,1%

A economia no Brasil iniciou o segundo trimestre com crescimento acima do esperado em abril, embora mostrando desaceleração ante o mês anterior, de acordo com dados do Banco Central nesta segunda-feira (16).

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve expansão de 0,2% em abril, em dado dessazonalizado, informou o BC.

O resultado mostrou enfraquecimento ante a alta de 0,7% de março, em dado revisado pelo BC de avanço de 0,8% informado anteriormente. Mas a leitura do mês ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,1%.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 2,5%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 4,0%, de acordo com números não dessazonalizados.

Em abril, o impulso foi dado pelo crescimento de 0,4% do setor de serviços, segundo a abertura dos dados do BC. Eles mostraram ainda que houve retrações no mês de 0,9% e 1,1% respectivamente em agropecuária e indústria

Dados do IBGE mostraram que em abril o setor de serviçosregistrou avanço pelo terceiro mês seguido, de 0,2%. Já as vendas no varejo interromperam três meses seguidos de ganhos com queda de 0,4%, enquanto a produção industrial cresceu menos do que o esperado, a 0,1%.

O PIB do Brasil teve no primeiro trimestre expansão de 1,4% sobre os três meses anteriores, sustentado pelo desempenho mais forte da agropecuária em dois anos.

Analistas preveem que, passado o impacto da agropecuária, a economia deverá sentir com mais força o peso da política monetária restritiva, levando a uma desaceleração econômica ao longo do ano. Por outro lado, o mercado de trabalho robusto tende a manter a resiliência da atividade econômica.

A taxa básica de juros Selic está atualmente em 14,75% e o BC volta a se reunir nesta semana para definir a política monetária, com expectativa de manutenção dos juros de acordo com 27 dos 39 economistas consultados em pesquisa da Reuters.

A mais recente pesquisa Focus realizada pelo Banco Central mostrou que a expectativa do mercado para a expansão do PIB em 2025 é de 2,20%, indo a 1,83% em 2026.

O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção.

Fonte: InfoMoney


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Agricultura, Notícias

Brasil será declarado livre da gripe aviária na próxima quarta, anuncia Fávaro

Segundo o ministro, o país está concluindo o período de vazio sanitário de 28 dias

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, anunciou neste sábado (14.06) que, na próxima quarta-feira (18), o Brasil será oficialmente declarado livre da gripe aviária. A declaração foi feita em entrevista à imprensa, durante a entrega de máquinas e implementos agrícolas para assentamentos rurais em Mato Grosso.

Segundo o ministro, o país está concluindo o período de vazio sanitário de 28 dias, adotado como medida de segurança sanitária. “Não é motivo para comemorar uma crise, mas sim para reconhecer a robustez do sistema sanitário brasileiro. O foco que surgiu no Rio Grande do Sul ficou restrito a uma única granja e não se espalhou”, destacou Fávaro.

O ministro informou que, desde o surgimento dos primeiros casos, foram registrados 172 episódios de gripe aviária em aves silvestres e em criações domésticas, o que, segundo ele, é considerado normal, dada a condição do país ser rota migratória de aves.

Entre os casos, está um registro em uma propriedade de Campinápolis, a 471 km de Cuiabá, confirmado no último sábado (07) após análise laboratorial. As aves infectadas eram de uma criação doméstica para subsistência.

“Isso é natural. O Brasil está na rota migratória de aves silvestres. Isso acontece, mas não fecha mercado e não oferece risco à cadeia produtiva”, explicou.

Fávaro também esclareceu que o risco de transmissão da gripe aviária para humanos é extremamente baixo.

“Não há risco ao consumir carne de frango ou ovos. A única possibilidade de contaminação é no manuseio direto de animais doentes. Por isso, em casos suspeitos, a orientação é acionar imediatamente os técnicos da Defesa Agropecuária, que estão preparados para realizar o manejo e dar a destinação correta”, reforçou.

O ministro destacou que o controle rápido e eficiente da gripe aviária demonstra a eficiência do sistema de defesa sanitária animal do Brasil, garantindo segurança tanto para a população quanto para os mercados internacionais.

Fonte: VGN Notícias

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Comércio, Exportação

Grande produtor, Brasil tem muito espaço para crescer como exportador de frutas

O Brasil é o líder mundial no comércio de commodities agropecuárias e o terceiro maior produtor de frutas, atrás apenas da China e Índia, mas está apenas ma 23ª posição entre os exportadores desse mercado de maior valor agregado. À frente estão países como Espanha, China, Países Baixos, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, África do Sul, Turquia, México e Guatemala, destaca a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas)

A fruticultura brasileira exportou US$ 1,3 bilhão no ano passado, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As vendas são lideradas pela manga, melão, uva e limão. O volume total, cerca de 1,1 milhão de toneladas, corresponde a menos de 1% da produção total do setor.

Uma série de fatores ajuda a explicar o quadro e mostra que há um longo caminho a ser percorrido para conquistar uma fatia maior do mercado internacional. Para o presidente da Abrafrutas, Guilherme Coelho, essa trilha passa por novos acordos bilaterais, projetos de irrigação, especialmente no Nordeste, melhores condições logísticas e uma organização maior de pequenos produtores em cooperativas.

“Muitos países, especialmente na América Latina, que exportam significativamente mais que o Brasil, o fazem por terem uma população muito pequena”, diz Coelho. “A produção desses países é suficiente para abastecer seu mercado interno reduzido, permitindo que o excedente seja exportado de forma robusta.” 

No Brasil, que tem uma população de mais de 210 milhões de habitantes, a dinâmica acaba sendo um pouco diferente, explica ele. “Mas essa diferença populacional não ameniza nem justifica que nosso número de exportação não seja o dobro ou o triplo do que é atualmente”, afirma.

Fruticultura brasileira se destaca de concorrentes

Na comparação com a concorrência internacional, o Brasil tem uma série de vantagens. Frutas como melão, melancia e uva são produzidas durante todo o ano, por meio de um cronograma de poda e colheita. “Se você observar o Chile ou a África do Sul, que exportam uva, eles têm apenas uma safra por ano. Um importador da Alemanha, por exemplo, não pode ter uva chilena o ano todo porque lá as videiras têm um período frio, de dormência. Aqui, a produção é contínua.”

Além disso, a variedade de biomas, climas e solos permite que o país tenha uma das maiores diversidades de frutas do mundo. Estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por exemplo, concentram a produção de maçã. Do Pará e do Amazonas vem o açaí. Em São Paulo, limão e abacate. Manga e a uva saem do Vale do São Francisco para todo o país. Melão e melancia da região do Rio Grande do Norte e Ceará. 

Em termos de certificação internacional, tanto de natureza ambiental quanto social, também não há restrições para exportação de frutas brasileiras.

Abertura de novos mercados tem aumentado exportações de frutas

“O que realmente impulsiona ou retém a exportação é a disposição mútua entre dois países: um querendo exportar e o outro querendo importar”, diz Coelho. Ele cita como exemplo a negociação para exportação de uvas e melões brasileiros para a China. A carta de intenções foi assinada em 2021, e a abertura do mercado foi anunciada em novembro de 2024. 

“Hoje, o Brasil pode exportar duas frutas para a China: melão e uva. Mas isso é muito recente. Estou otimista de que, até o final do ano, faremos o primeiro embarque”, afirma. 

Apesar de o mercado já estar aberto, até agora não havia um serviço de transporte marítimo viável, uma vez que o tempo médio de trânsito era de 46 dias, o que é inviável para frutas perecíveis. Há cerca de 15 dias, houve o anúncio de um novo serviço de transporte que reduzirá o tempo para cerca de 28, o que é perfeito para frutas. 

Para o presidente da Abrafrutas, o esforço feito pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério de Relações Exteriores (MRE) nesse sentido e a parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) nos últimos anos tem sido importante para impulsionar as vendas externas.

Em 2020, o Brasil exportava US$ 880 milhões em frutas, US$ 415 milhões a menos do que no ano passado. Em 2024, o avanço, em valor exportado foi de 4,6% em relação ao ano anterior, depois de um aumento de 26% entre 2022 e 2023. “Isso demonstra que não há limite para o crescimento; estamos avançando, mas para crescer, precisamos de outras ações”, diz Coelho.

Irrigação do semiárido, logística e cooperativismo podem impulsionar exportações

Uma das medidas defendidas pelo setor para impulsionar a produção e a exportação é um investimento maior em projetos públicos de irrigação, com foco especial no Nordeste. Parado há décadas, uma iniciativa que aumentaria a produção de frutas na região seria a do Canal do Sertão Pernambucano, que levaria água do rio São Francisco para áreas semiáridas de Pernambuco e da Bahia.

A ideia está no papel desde a década de 1990, quando a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) avaliou a viabilidade de implantação do canal, que atenderia 112 mil hectares de terras irrigáveis. Cerca de 60 mil a 80 mil hectares poderiam ser destinadas à fruticultura, diz Coelho.

A implantação do canal foi um dos compromissos do governo federal quando, em 2005, a administração pernambucana assinou o contrato de adesão à transposição do rio, mas desde então não houve avanços. “Estamos buscando apoio do governo federal ou de Pernambuco para o projeto executivo, que é o passo para a licitação e implantação de novas áreas para a fruticultura”, diz o presidente da Abrafrutas. 

“Nosso grande diferencial global é o semiárido nordestino. É uma região com 3 mil horas de sol por ano e uma abundância de água do rio São Francisco. Mesmo em áreas afastadas do rio, como no Rio Grande do Norte ou Ceará, há água de subsolo de excelente qualidade e quantidade.”

A questão logística também poderia ser melhor, na avaliação do setor. Ao contrário dos grãos, a perecibilidade dos produtos coloca cargas em risco quando há atrasos e exigindo o uso de câmaras frias.

Outra ação estratégica seria a adoção da cultura do cooperativismo e do associativismo entre pequenos produtores, que representam uma parcela significativa da fruticultura. Comum em estados como o Paraná e o Rio Grande do Sul, o modelo é pouco adotado no setor em regiões como o Nordeste, onde 70% das terras são de pequenos produtores. “Muitas vezes, o pequeno produtor vê a exportação como algo complexo e inacessível, preferindo vender para o mercado interno ou para intermediários”, explica Coelho. 

Fonte: Gazeta do Povo

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Comércio Exterior, Inovação, Logística

Navio movido a vela metálica é usado para transportar açúcar brasileiro; conheça projeto

transporte marítimo também tem sua parcela de contribuição em emissões de CO2 equivalente. Mas o comércio mundial depende desse tipo de transporte e, por isso, algumas soluções para minimizar o impacto de navios gigantes circulando pelos oceanos para abastecer o mundo têm sido pensadas, como navio a vela.

Essa foi a opção da Cargill para transportar 72 mil toneladas métricas de açúcar a partir do Terminal Açucareiro Copersucar (TAC), no Porto de Santos. A embarcação, de nome Pyxis Ocean, é um navio a vela que partiu na última semana com destino à China e vai cruzar o globo usando o vento como combustível auxiliar.

Segundo a Alvean, subsidiária da Copersucar responsável pelo transporte, a tecnologia permite uma redução de até 30% no consumo de combustível em condições ideais, diminuindo a pegada de carbono do transporte marítimo.

O Pyxis Ocean é equipado com duas WindWings (enormes velas metálicas) que medem 37,5 metros de altura, equivalente a um prédio de 12 andares. As asas são instaladas verticalmente para capturar o vento e impulsionar o navio para a frente, como a lógica de qualquer veleiro. Assim, o motor do navio é menos exigido e utiliza menos combustível. Com isso, o navio consegue manter a velocidade ideal, com menos emissões.

O Pyxis Ocean é um projeto de cooperação entre a Cargill, a BAR Technologies, a Mitsubishi Corporation e a Yara Marine Technologies, e é o primeiro navio cargueiro a ser adaptado com as velas propulsoras.

O projeto WindWing recebeu financiamento do programa de pesquisa e inovação Horizon 2020, da União Europeia. De acordo com a Cargill, as WindWings podem ajudar os proprietários de navios a cumprir metas de descarbonização no transporte marítimo. A empresa destaca que, em uma rota internacional média, as WindWings podem poupar 1,5 toneladas de combustível por vela ao dia, com a possibilidade de poupar mais em rotas transoceânicas.

Segundo a Copersucar, a única adaptação no terminal para o Pyxis Ocean é que ele teve que atracar de bombordo – ou à esquerda – por conta da presença das velas fixadas na lateral onde normalmente os rebocadores atuam. Essa foi a primeira viagem feita para o transporte de açúcar. Por enquanto, não há previsão de novas viagens, que dependem da disponibilidade da embarcação.

Em setembro de 2023, o mesmo navio fez o transporte de 63 mil toneladas de farelo de soja até a Polônia saindo do Porto de Paranaguá, no Paraná.

Fonte: Istoé Dinheiro

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Portos

China avança sobre os portos do Brasil: Estatal chinesa negocia compra participação em terminal estratégico de petróleo no Porto do Açu e acende alerta sobre soberania nacional

Brasil negocia venda de participação em empresa operadora do Porto de Açu para gigante chinesa. O que isso significa para a exportação de petróleo e a segurança estratégica do país?

Imagine o seguinte cenário: uma potência estrangeira passa a controlar parte de uma empresa ligada à infraestrutura estratégica de exportação de petróleo do seu país. Parece ficção, mas é o que está acontecendo no Brasil com a China. O gigante asiático vem expandindo agressivamente sua presença em portos da América do Sul, e agora adquiriu uma participação na Vast Infraestrutura, uma das empresas operadoras do Porto do Açu, no Rio de Janeiro.

Apesar de o movimento não significar a venda do Porto do Açu como um todo — um complexo que abriga 28 empresas e 11 terminais privados — a transação gerou preocupações em setores ligados à soberania nacional. Afinal, estamos falando de um terminal que lida com uma parcela importante das exportações brasileiras de petróleo.

O que está em jogo com a nova aquisição chinesa

A operação acontece por meio da China Merchants Port Holdings (CMPORT), braço do grupo estatal China Merchants Group (CMG). No final de fevereiro, a CMPORT anunciou a assinatura de um contrato para adquirir uma participação na Vast Infraestrutura, empresa controlada pela Prumo Logística, holding responsável pelo desenvolvimento do Porto do Açu.

A negociação ainda depende da aprovação de órgãos reguladores, mas já provoca repercussão. O motivo é simples: o terminal operado pela Vast é o único da América do Sul capaz de receber navios do tipo VLCC (Very Large Crude Carrier), essenciais para escoar grandes volumes de petróleo.

Atualmente, o Porto de Açu movimenta cerca de 560 mil barris por dia, com capacidade licenciada para até 1,2 milhão de barris diários. Embora a Vast seja apenas uma das empresas do complexo, ela desempenha um papel estratégico dentro da infraestrutura de exportação de petróleo nacional.

Prumo Logística esclareceu a operação em nota oficial:

“A Prumo Logística e a China Merchants Port concluíram os termos para uma potencial venda de participação societária na Vast Infraestrutura, subsidiária da Prumo, proprietária do terminal de petróleo do Porto do Açu. A conclusão da transação está sujeita a condições precedentes. A transação está em linha com a estratégia da Prumo de estabelecer parcerias com players globais para o desenvolvimento conjunto de negócios no Porto do Açu. Subsidiária do China Merchants Group, a China Merchants Port é uma desenvolvedora, investidora e operadora portuária líder mundial, que inclui os principais hubs ao longo da costa da China.”

Expansão sistemática da China nos portos da América do Sul

A compra de uma participação na Vast faz parte de uma estratégia mais ampla da China para consolidar presença em portos da região. Em 2018, a CMPORT já havia adquirido o Terminal de Contêineres de Paranaguá, o maior da América do Sul. Além disso, o grupo está envolvido em projetos no Porto de Santos e na construção de um novo terminal no Maranhão.

Segundo o professor Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, trata-se de um movimento coordenado:

“Os casos de Chancay [megaporto chinês recém-inaugurado no Peru], Paranaguá e agora a participação na Vast, no Açu, são exemplos da penetração das empresas chinesas em áreas portuárias e outras estruturas de manuseio de commodities na América do Sul”, afirmou em entrevista ao Diálogo.

Pedlowski alerta que tais investimentos criam riscos para a soberania nacional e dificultam o monitoramento do trânsito de mercadorias pelos países anfitriões.

Os temores por trás do avanço chinês: diplomacia da armadilha da dívida

A atuação do grupo CMG em portos globais já levantou suspeitas em outros países. O caso mais emblemático é o do porto de Hambantota, no Sri Lanka. Em um clássico exemplo de “diplomacia da armadilha da dívida”, o governo do país asiático, incapaz de pagar empréstimos chineses, entregou 80% do controle do porto à CMG, junto com um contrato de arrendamento de 99 anos.

Mesmo que o porto tenha sido concebido para fins civis, a China chegou a enviar um navio de pesquisa militar para Hambantota em 2022, evidenciando o potencial de uso estratégico das instalações.

Impactos para o Brasil: riscos de “sinicização” da infraestrutura portuária

Embora a aquisição não envolva o Porto do Açu como um todo, a presença de uma estatal chinesa em uma empresa responsável por um terminal tão sensível acende alertas. Segundo Pedlowski, o Porto de Açu já enfrenta dificuldades de fiscalização por parte das autoridades brasileiras. Com a entrada da CMPORT, existe o risco de que o acesso às informações e operações da Vast se torne ainda mais restrito.

“Não vejo por que a situação atual seria minimizada com o controle chinês. Ao contrário, a tendência é que o monitoramento se torne mais rigoroso”, alerta o professor.

Ele também aponta que a aquisição da Vast pode ser apenas um passo inicial em um processo maior de “sinicização” de partes da infraestrutura portuária brasileira — uma estratégia já observada em outros países da região.

O desafio para a soberania nacional

A entrada da China em setores críticos da infraestrutura brasileira reacende debates sobre os limites da participação estrangeira em áreas consideradas estratégicas. Embora o Brasil tenha se beneficiado dos investimentos externos, o caso da Vast Infraestrutura mostra que há riscos quando se permite que estatais estrangeiras controlem ativos sensíveis.

Como destaca Pedlowski:

“O controle de áreas estratégicas por empresas estatais chinesas em outro país cria uma série de dificuldades em relação à soberania nacional e ao exercício da autoridade nacional sobre a área adquirida.”

Cabe agora às autoridades brasileiras avaliar com cautela as implicações dessa operação. O debate não é apenas econômico: trata-se do futuro do controle nacional sobre setores-chave como a infraestrutura portuária e a exportação de petróleo.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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Industria

Indústria brasileira leva propostas para diálogo com a Alemanha

Pautas serão discutidas no Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), nos dias 16 e 17 de junho, na Bahia. Exportações para o mercado alemão caíram e indústria brasileira quer retomar vendas externas

Reposicionar o Brasil no ranking de principais fornecedores da Alemanha é estratégico para o desenvolvimento econômico nacional e está no centro das discussões do Encontro Empresarial Brasil-Alemanha, que acontece nos dias 16 e 17 de junho, no SENAI Cimatec, em Salvador. Para orientar esse esforço, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) elaborou um pacote de propostas prioritárias do setor produtivo brasileiro, com foco em inovação, sustentabilidade e investimentos.

O encontro é promovido em parceria com a Federação das Indústrias Alemãs (BDI) e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), como parte da agenda bilateral entre os países, que são parceiros históricos no comércio e na indústria. As propostas foram construídas com diferentes setores para transformar desafios em oportunidades para ambos os lados.

“Este momento é estratégico. Retomar o crescimento das exportações para a Alemanha não é somente uma questão comercial, é uma decisão essencial para o desenvolvimento do Brasil. As oportunidades nesse mercado representam emprego, renda e estímulo à inovação no nosso setor produtivo”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

1. Ratificação do Acordo Mercosul – União Europeia

A indústria entende que o Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia marca um avanço estratégico na integração entre os blocos, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 20% da economia global e um mercado de mais de 720 milhões de pessoas. Em um cenário de crescente protecionismo e tensões comerciais internacionais, o acordo garante ao Brasil e aos países do Mercosul acesso preferencial a importantes mercados, fortalecendo sua inserção no comércio internacional e ampliando oportunidades de comércio, investimentos e geração de empregos.

2. Novo acordo para evitar a dupla tributação

A ausência de um acordo vigente desde 2005 causa insegurança jurídica e desestimula investimentos bilaterais. Para a indústria, a retomada das negociações para um novo Acordo para Evitar a Dupla Tributação (ADT), adaptado aos padrões atuais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), vai estimular o ambiente de negócios e a cooperação tecnológica entre os dois países.

3. Cooperação sobre regras ambientais da União Europeia (EUDR e CBAM)

Empresários brasileiros querem debater com a Alemanha o Regulamento Antidesmatamento (EUDR) e o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) – que fazem parte do Pacto Ecológico Europeu (Green Deal). A preocupação é que a aplicação unilateral desses pacotes de regras crie barreiras comerciais e prejudique exportadores brasileiros.

4. Integração energética regional com apoio europeu

A proposta é mobilizar recursos do Global Gateway, do Banco Europeu de Investimento e de outras fontes para financiar projetos de interconexão elétrica entre o Brasil e países da América Latina. A medida transformaria o Brasil em uma referência de energia renovável, com benefícios também para empresas alemãs interessadas em infraestrutura verde.

5. Parceria em energia

A indústria defende uma plataforma de cooperação bilateral para projetos de energia renovável e hidrogênio verde. O objetivo é tornar o Brasil fornecedor confiável desses insumos à Alemanha, em um modelo baseado em inovação, certificação ambiental e promoção de valor local.

6. Cooperação em saúde e insumos farmacêuticos

A pandemia expôs a vulnerabilidade das cadeias globais de suprimento na área da saúde, por isso o setor industrial propõe a criação de uma plataforma de inovação para ampliar a produção nacional de vacinas, medicamentos e dispositivos médicos, com transferência de tecnologia e harmonização regulatória com a União Europeia.

7. Digitalização e rastreabilidade de cadeias produtivas

Para garantir acesso aos mercados europeus, a indústria também propõe uma parceria para promover a digitalização, rastreabilidade e sustentabilidade das cadeias produtivas brasileiras, com apoio técnico e financeiro da Alemanha.

8. Cooperação em hidrogênio verde

Outra proposta é a criação de uma plataforma bilateral para desenvolver tecnologias, certificações e rotas de exportação de hidrogênio verde, com projetos-piloto e marcos regulatórios comuns. A CNI considera a medida essencial para a transição energética brasileira e para o cumprimento das metas climáticas alemãs.

9. Agregação de valor nos minerais críticos

O Brasil quer deixar de ser apenas fornecedor de matérias-primas e passar a industrializar seus minerais estratégicos com apoio da tecnologia alemã. A proposta inclui um roteiro de cooperação para agregar valor local, atrair investimentos e garantir certificação ambiental dos processos.

10. Fomento aos biocombustíveis e bioprodutos

A indústria brasileira aposta no uso da biomassa para produzir combustíveis sustentáveis, como o SAF (usado na aviação), e defende a ampliação da cooperação com centros de pesquisa alemães. A meta é tornar o país líder na produção de biocombustíveis de baixo carbono.

11. Capacitação para a indústria verde

Para viabilizar a transição energética e aumentar a produtividade industrial, a CNI propõe criar programas conjuntos de qualificação técnica voltados à economia verde. A iniciativa pretende ampliar a cooperação entre instituições como o SENAI e organizações alemãs, com foco em pequenas e médias empresas.

Parceria para o Encontro Empresarial Brasil-Alemanha

O encontro tem o apoio da Volkswagen Caminhões-Ônibus, Basf, Deutsch-Brasilianische Industrie – und Hendelskammer (Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha), Banco do Nordeste, Governo Federal do Brasil, Governo do Estado da Bahia, BDI – The voice of German Industry, FIEB e CNI.

Evento terá rodada de negócios com compradores internacionais

Em uma parceria dos realizadores do EEBA com a ApexBrasil, acontecerá também nos dias 16 e 17 a Rodada Internacional de Negócios – evento híbrido que já conta com 60 empresas brasileiras inscritas. Os empresários, que participarão presencialmente e virtualmente, integram setores como alimentos e bebidas, cosméticos, energia, farmacêutico, moda e acessórios, construção civil e mineração. Além disso, potenciais compradores internacionais da Alemanha estarão nas agendas de negócios, ampliando as oportunidades de parcerias estratégicas e investimentos bilaterais.

Fonte: Portal da Indústria

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