Importação

Brasil importa mais fertilizantes da Argélia

Entre janeiro e abril deste ano, foram comprados US$ 54,6 milhões em adubos do país do Norte da África, em expansão de 44,2% sobre o mesmo período do ano passado.

O Brasil ampliou as importações de fertilizantes da Argélia entre janeiro e abril deste ano, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) organizados pelo departamento de Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

Nos quatro primeiros meses do ano, foram importados US$ 54,6 milhões em adubos e fertilizantes do país árabe, em alta de 44,2% sobre o mesmo período do ano passado. Este é o segundo principal produto do país árabe importado pelo Brasil, atrás de petróleo.

Também cresceram as importações de sal, enxofre, pedras cimento e cal, para US$ 10,6 milhões, valor 175,8% maior do que entre janeiro e abril do ano passado. Produtos químicos inorgânicos, vidros e cortiças foram outros produtos vendidos pela Argélia ao Brasil com aumento das vendas em um período em que tanto importações como exportações estão em queda.

De janeiro a abril, as importações de petróleo argelino ao Brasil atingiram US$ 340,02 milhões, uma retração de 29,9% na comparação ano a ano sobre 2024. Neste produto, a queda se verifica também em volumes: -24,9%.

No total, as importações somaram US$ 413,8 milhões entre janeiro e abril, em queda de 21,98% sobre janeiro a abril do ano passado. No sentido contrário, as exportações brasileiras para a Argélia foram de US$ 802,5 milhões, em retração de 3,9% em comparação com os quatro primeiros meses do ano passado. Nesta troca comercial, o Brasil registra superávit de US$ 388,7 milhões no ano.

Os principais produtos exportados pelo Brasil entre janeiro e abril foram açúcares, que somaram US$ 246,3 milhões, em queda de 18% em relação ao mesmo período do ano passado, sementes e frutos oleaginosos, carnes e miudezas, cereais, minérios e animais vivos.

Fonte: ANBA – Agência de Notícias Brasil-Árabe

Ler Mais
Agronegócio, Exportação, Exportadores agrícolas

Abertura de dez novos mercados para a exportação agropecuária brasileira

Com os anúncios, o agronegócio brasileiro atinge 381 desde o início de 2023

O governo brasileiro concluiu, nesta semana, dez negociações na área agrícola com seis parceiros comerciais: Bahamas, Cameroun, Coreia do Sul, Costa Rica, Japão e Peru. As novas autorizações contemplam uma variedade de produtos, como carne bovina, carne suína, carne de aves e seus derivados, material genético bovino, material genético avícola, óleo de peixe e produtos do etanol de milho.

Nas Bahamas, as autoridades locais aprovaram o certificado sanitário para que o Brasil exporte carne bovina, carne suína, carne de aves e seus produtos. Essa abertura reflete o elevado grau de confiança no sistema de controle sanitário brasileiro e poderá contribuir para a segurança alimentar da população bahamense.

No Cameroun, as autoridades locais aprovaram a exportação de bovinos vivos para reprodução e material genético bovino pelo Brasil, o que permitirá o fortalecimento da pecuária local, além de oferecer aos produtores brasileiros oportunidades futuras para ampliação de negócios na África.

Na Coreia do Sul, as autoridades locais autorizaram a exportação de material genético avícola (ovos férteis e pintos de um dia), reforçando a liderança do Brasil nessa área e o reconhecimento internacional sobre a qualidade, a sanidade e a rastreabilidade do plantel brasileiro.

Na Costa Rica, as autoridades locais autorizaram as exportações brasileiras de “grãos secos de destilaria” (DDG e DDGS, na sigla em inglês). Trata-se de um subproduto do etanol de milho que constitui fonte valiosa de proteína para alimentação animal e que, pelas características produtivas, reflete as credenciais de sustentabilidade da produção bioenergética brasileira.

No Japão, as autoridades sanitárias autorizaram a exportação de óleo de peixe produzido no Brasil, o que corrobora o elevado nível de confiança depositado por aquele país nos padrões sanitários brasileiros.

No Peru, as autoridades sanitárias aprovaram a exportação de filé de tilápia refrigerada ou congelada do Brasil. Essa abertura poderá ampliar as oportunidades de negócio para a piscicultura nacional, uma vez que o país andino é grande importador de pescados.

Com os anúncios, o agronegócio brasileiro atinge 381 desde o início de 2023.

Esses resultados são fruto do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Fonte: Notícias Agrícolas


Ler Mais
Comércio Exterior, Exportação

Alta oferta e exportações fracas pressionam preços do arroz no Brasil, aponta relatório do Itaú BBA

Cotações seguem pressionadas com estabilidade nos preços

O aumento no volume da safra 2024/25 tem mantido pressão sobre os preços do arroz no Brasil. Segundo o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o valor médio da saca de 50 kg ficou em R$ 76 ao longo de abril, com leve queda para R$ 75 até o dia 20 de maio. A baixa nas exportações tem dificultado o escoamento da produção, limitando a recuperação das cotações.

Mercado lento e produtores resistentes à venda

Durante abril, os preços ficaram praticamente estáveis, com média de R$ 76,27/sc. No final do mês e início de maio, recuaram para R$ 75,02/sc. A comercialização seguiu em ritmo lento, concentrada principalmente na reposição de estoques pelas indústrias. Muitos produtores optaram por vender apenas em casos de necessidade financeira, devido à percepção de que os preços não cobrem os custos operacionais.

Colheita próxima do fim e produção cresce quase 15%

A colheita da safra 2024/25 está praticamente concluída, com 95,1% das áreas já colhidas até 17 de maio, conforme dados da Conab. Mesmo com chuvas em abril, que causaram acamamento e maior porcentagem de grãos quebrados, os resultados foram positivos. A produtividade média nacional é de 7 toneladas por hectare, aumento de 7,4% em relação à safra anterior. Com o crescimento de 6,9% na área plantada, a produção total deve alcançar 12,1 milhões de toneladas, avanço de 14,8% frente a 2023/24.

Exportações em queda e concorrência internacional pressionam o mercado

As exportações brasileiras de arroz seguem enfraquecidas. Em abril, o volume embarcado caiu 28% em comparação com março. Apesar da alta oferta interna, a concorrência com países como Paraguai e Uruguai tem dificultado a colocação do produto brasileiro no mercado externo. A perda de competitividade mantém o arroz no mercado doméstico, o que impede uma recuperação dos preços.

Projeção de produção global recorde também impacta preços futuros

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou projeções indicando uma produção global recorde de arroz para a safra 2025/26, o que contribuiu para a queda dos contratos futuros em Chicago. A média parcial dos preços caiu para US$ 277 por tonelada em maio, frente aos US$ 292 registrados em abril. A estimativa do USDA aponta produção e consumo globais em equilíbrio (538,7 e 538,8 milhões de toneladas, respectivamente), com estoques finais mantidos.

Baixo ritmo de exportações acende alerta no mercado brasileiro

O ritmo lento das exportações brasileiras preocupa o setor. Sem aceleração no escoamento, os preços podem continuar em queda. A janela para exportações deve se estreitar a partir de agosto, com o aumento da oferta dos Estados Unidos. De janeiro a abril, o Brasil exportou 6,6% mais que no mesmo período de 2024, mas os volumes ainda são 29% menores em comparação com 2023. A queda nos preços praticados por concorrentes do Mercosul também compromete a competitividade do arroz nacional.

Margens apertadas exigem atenção à gestão e estratégias comerciais

O cenário atual exige cautela por parte dos produtores. Segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), o custo variável de produção no Rio Grande do Sul gira em torno de R$ 76 por saca. Com preços médios no mesmo patamar, muitos produtores operam com margens apertadas ou até negativas, dependendo da produtividade alcançada. O relatório do Itaú BBA destaca a importância da gestão eficiente e de estratégias comerciais bem planejadas para enfrentar os desafios do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Ler Mais
Economia

PIB cresce 1,4% no 1º trimestre ante 4º trimestre de 2024 e 2,9% frente a igual período do ano passado

O primeiro trimestre de 2025 foi de aceleração no ritmo de crescimento da economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 1,4%, ante o quarto trimestre, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou nesta sexta-feira (30) as Contas Nacionais Trimestrais.

O resultado veio abaixo da mediana das estimativas de 71 consultorias e bancos ouvidos pela reportagem do Valor, que apontava para alta de 1,5% no primeiro trimestre, frente ao quarto trimestre. As projeções iam de 0,3% a alta de 1,8%.Apenas cinco casas esperavam crescimento inferior a 1% no período.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2024, o PIB teve expansão de 2,9%, ante expectativa compilada pelo Valor de crescimento de 3,2%. O intervalo das estimativas era de alta entre 0,7% a 4,6%.

O IBGE também revisou o PIB do quarto trimestre de 2024, que cresceu 0,1% frente ao terceiro trimestre, ante alta de 0,2% divulgada anteriormente.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revisou a taxa de variação do Produto Interno Bruto (PIB) do país para o quarto trimestre de 2024.

Assim, o PIB do período de setembro a dezembro, frente ao terceiro trimestre, foi revisto de alta de 0,2% para aumento de 0,1%.

O IBGE atualizou também as taxas de variação da série com ajuste sazonal, que compara com o trimestre imediatamente anterior, para o terceiro trimestre de 2024 (de alta de 0,7% para 0,8%); e para o segundo trimestre (de alta de 1,3% para 1,5%).

A taxa de expansão no primeiro trimestre de 2024, no entanto, foi mantida em 1%.

As revisões foram apresentadas junto com as Contas Nacionais Trimestrais referentes ao primeiro trimestre de 2025.

Fonte: Valor Econômico

Ler Mais
Comércio Exterior, Internacional, Tributação

Na guerra de tarifas, Brasil ainda bate os EUA em vendas à China

Em estudo, Insper Agro Global avaliou os seis itens agrícolas que chineses mais compram

A guerra comercial entre Estados Unidos e China confere ao Brasil uma vantagem competitiva temporária. Mas o governo e o setor produtivo devem ficar atentos porque essa vantagem pode ser usada nas próximas semanas como moeda de troca para por fim à disputa de tarifas entre os dois países. O alerta é do professor Marcos Jank, do Insper Agro Global.

Um estudo realizado por Jank e pelos pesquisadores Leandro Gilio e Victor Cardoso, do Insper Agro Global, mostra que as tarifas impostas pela China a produtos americanos reduzem a competitividade dos EUA em relação a outros fornecedores, como o Brasil. A pesquisa considerou os seis produtos agropecuários que a China mais importa dos dois países: soja em grão (92% é comprada de EUA e Brasil), milho (66%), algodão (76%), carne bovina (55%), carne suína (31%) e carne de aves (64%).

Em abril, os Estados Unidos e a China intensificaram a escalada tarifária, com o governo americano anunciando tarifas de até 145% e a China respondendo com tarifas de até 125% sobre produtos americanos. Em 12 de maio, os países anunciaram uma trégua de 90 dias, com redução de 115 pontos percentuais sobre as tarifas de abril, o que deveria resultar em tarifas finais de 30% (cobrado da China pelos EUA) e 10% (sobre produtos americanos que vão para a China).

Na prática, no entanto, as tarifas impostas pela China aos produtos americanos continuam acima desse patamar de 10% e acima das tarifas impostas aos produtos brasileiros, aponta Jank. As tarifas chinesas sobre a soja em grão americana são de 23%, contra 3% para o Brasil. Para milho e algodão, as tarifas são de 26% para EUA e 1% para o Brasil. Para a carne bovina, a China cobra 12% do Brasil e 32% dos EUA. O caso mais extremo é da carne suína. Os EUA são taxados em 57%, e o Brasil é tarifado em 12%.

Embora o cenário pareça favorável para o Brasil no curto prazo, é preciso ter cautela, na visão do especialista. “Entendo que essas tarifas que estão sendo praticadas hoje vão ser usadas como instrumento de negociação para pressionar os Estados Unidos a reduzir a tarifa média de 30% que querem aplicar sobre os produtos chineses”, afirma Jank.

Medidas pontuais

O professor observa que a China tem adotado medidas pontuais, atingindo segmentos que são importantes politicamente para o presidente Donald Trump, como os produtores de grãos do meio oeste americano. “A China também tem feito um negócio perigoso, que é escolher a empresa que terá direito de enviar produtos ao país”, diz Jank.

No caso do milho, por exemplo, a China tem uma cota de importação de 7,7 milhões de toneladas dos EUA ao ano e concedeu o direito para a chinesa Cofco embarcar 4,4 milhões de toneladas. “Não duvido que, no futuro, o país possa retaliar o embarque de empresas americanas, como Bunge e Cargill”, pondera o professor.

Para o Brasil, a situação no momento é favorável, mas Jank considera relevante tanto o governo quanto o setor produtivo acompanharem as mudanças de perto. “O que é hoje um benefício para o Brasil pode virar moeda de negociação. A China busca negociar tarifas mais baixas para exportar aos EUA. E os Estados Unidos, que têm um déficit comercial de US$ 300 bilhões com a China, também vão tentar construir um acordo para exportar mais ao país”, diz Jank.

Fonte: Globo Rural

Ler Mais
Economia

PIB do Brasil cresce 1,4% no primeiro trimestre impulsionado por agropecuária

Resultado foi divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE e mostrou alta em atividades como venda de soja, milho e arroz

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2025, em relação aos três últimos meses do ano passado. Os números foram divulgados na manhã desta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As informações são do portal g1.

O crescimento do PIB no primeiro trimestre foi puxado pela agropecuária, que teve alta de 12,2%. O setor de serviços também apresentou alta, de 0,3%, enquanto a indústria teve pequena variação negativa (-0,1%).

A economia brasileira produziu, em valores, R$ 3 trilhões nos meses de janeiro a março. Nos últimos quatro trimestres, o crescimento foi de 3,5%. Na comparação com os três primeiros meses de 2024, a alta brasileira foi de 2,9%. Na ocasião, foi o comércio quem puxou o resultado.

O desempenho do setor agropecuário foi puxado pela soja (13,3%), milho (11,8%), arroz (12,2%) e fumo (25,2%).

Na série histórica, o país repetiu o melhor desempenho para o primeiro trimestre desde 2015 – entre janeiro e março de 2023, o PIB também teve crescimento de 1,4% em relação ao último trimestre do ano anterior.

Desempenho por setor

Na indústria, os setores de transformação e construção tiveram queda, de -1% e -0,8%, respectivamente, enquanto a Eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos registraram alta de 1,5%. O setor de Indústrias Extrativas também cresceram 2,1%.

No caso do setor de serviços, o destaque foi para a área de informação e comunicação, que teve alta de 3%.

Fonte: NSC Total

Ler Mais
Investimento, Tecnologia

Brasil está entre os últimos do G20 em investimento no setor espacial, alerta CNI

Orçamento brasileiro fica atrás de nações com menor PIB, território e população como Austrália, África do Sul, Argentina e Arábia Saudita

O Brasil tem o segundo menor investimento no setor espacial do G20, mostra um levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Estratégico para soberania, desenvolvimento e exploração de novas tecnologias, o setor espacial brasileiro recebeu US$ 47 milhões em recursos públicos em 2023, o equivalente a 0,002% do PIB do Brasil. O montante posiciona o país à frente apenas do México – entre os países e blocos que compõem as 20 maiores economias do mundo – e é cerca de 30 vezes menor do que a média do grupo.

O levantamento da CNI revela todo o ranking, que tem como líder os Estados Unidos. Em 2023, os norte-americanos tiveram um PIB de US$ 27,7 trilhões e investiram US$ 73,2 bilhões no setor, o equivalente a 0,264% do PIB. Em segundo lugar, a Rússia investiu 0,169% do PIB de US$ 2,02 trilhões. A França foi a terceira nação que mais investiu no setor espacial: 0,114% do PIB de US$ 3,05 trilhões.

Usados em áreas estratégicas como comunicação, observação da terra, geolocalização, previsão do tempo, defesa, exploração espacial e voo tripulado, os satélites são ferramentas cada vez mais essenciais em nosso dia a dia. Apenas em 2023, a indústria espacial movimentou cerca de US$ 400 bilhões em todo o globo. Desse total, 71% do faturamento vem da indústria de satélites. Segundo estimativas do Morgan Stanley, o setor deve criar receitas de mais de US$ 1 trilhão até 2040.

O Brasil investe menos no setor espacial do que nações do G20 com menores níveis de PIB, de população e de território, como Austrália, África do Sul, Argentina, Arábia Saudita e Turquia. Como comparação, a África do Sul teve, em 2023, o PIB de US$ 380,7 bilhões (5,7 vezes menor que o brasileiro). Mesmo assim, o orçamento espacial sul-africano foi de US$ 128 milhões (2,7 vezes maior que o brasileiro).

Os governos têm papel essencial na expansão do setor espacial, sendo responsáveis pela maior parte do financiamento global. Segundo dados da Euroconsult, em 2023, o aporte governamental mundial em programas espaciais foi de US$ 117 bilhões. Dois países (Estados Unidos e China) foram responsáveis por 74,7% desse montante. O Brasil representa apenas 0,04% do orçamento mundial. No mesmo ano, segundo a Space Capital, o investimento privado foi de US$ 18,4 bilhões.

“O grande problema de o país investir pouco em engenharia aeroespacial nacionalmente é que, quando você tem a necessidade de comprar serviços desenvolvidos por satélites estrangeiros, você está financiando o desenvolvimento espacial de outras nações e, ao mesmo, deixando de aproveitar e desenvolver a indústria nacional do setor”, destaca o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira.

Alta dependência de satélites estrangeiros

O estudo da CNI traz recortes que demonstram a alta dependência mundial do serviço de navegação conhecido como GPS, usado diariamente em serviços de transporte por aplicativo, de entregas e de geolocalização, desenvolvido e mantido pelos Estados Unidos.

Segundo dados da London Economics, uma suspensão no acesso ao sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS da sigla em inglês) por cinco dias traria perdas econômicas da ordem de R$ 32 bilhões. Outro estudo e O’Connor et. al estima perdas econômicas, apenas nos Estados Unidos, de R$ 153,3 bilhões por uma interrupção de 30 dias no sinal do GPS, podendo chegar a R$ 230 bilhões em períodos críticos para a agricultura – de R$ 5,1 bilhões a R$ 7,7 bilhões por dia.

Atualmente, o Brasil opera apenas 24 satélites, entre mais de 13 mil satélites em órbita, e por isso é dependente da infraestrutura estrangeira. Um levantamento do Programa Espacial Brasileiro (PEB) mostra que apenas o Poder Executivo demanda, anualmente, R$ 860 milhões em serviços espaciais. O histórico de baixo investimento no setor impede a redução da dependência por satélites estrangeiros. Entre 2013 e 2023, o orçamento destinado à Agência Espacial Brasileira (AEB) caiu 68%.

De acordo com o Competitividade Brasil 2023-2024, elaborado pela CNI, o Brasil ocupa a 12ª posição no ranking no fator de infraestrutura digital e urbana, em relação a 18 países, que leva em consideração, entre os principais requisitos, satélites em órbita. Os Estados Unidos lideram o ranking enquanto Peru, Índia e Colômbia aparecem atrás do Brasil.

Uma eventual perda de acesso ao GPS causaria interrupções nos serviços de telecomunicações, transporte, no sistema financeiro, na agricultura de precisão, entre outras atividades militares, governamentais e comerciais, provocando um verdadeiro “apagão nacional”.

Atentos a esses possíveis riscos, países como Índia e Japão desenvolveram sistemas de posicionamento próprios. Outros, como Turquia e Emirados Árabes Unidos, estão criando seus próprios sistemas de geolocalização.

Investir no setor espacial significa depender menos dos satélites estrangeiros. Em 2019, por exemplo, o Brasil poderia ter identificado com mais rapidez o derramamento de petróleo na costa do Nordeste e do Sudeste e, consequentemente, atuado com mais rapidez para conter as manchas. Naquela ocasião, o governo brasileiro dependeu de apoio internacional para investigar o caso, o que acabou afetando por mais tempo o meio-ambiente e as atividades pesqueira e turística da região.

“É importante reduzir a dependência do Brasil por infraestrutura espacial estrangeira. Para isso, é fundamental aumentar o investimento no setor. A experiência internacional mostra que o investimento governamental reduz o risco dos projetos e mobiliza o capital privado ao gerar demanda no setor. Instrumentos como as missões espaciais, os editais de financiamento e subvenção e as encomendas tecnológicas podem ser usados para aumentar o engajamento no setor”, sugere Silveira.

Novos investimentos e previsão de recuperação do setor nos próximos 10 anos

O Brasil tem oportunidades no setor aeroespacial. Segundo a Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), o país poderia mudar o cenário de poucos investimentos em um horizonte de 10 anos. “A indústria espacial brasileira pode ser protagonista global, assim como a respeitada indústria aeronáutica. Atualmente dependemos de satélites estrangeiros para atender a necessidades básicas da sociedade brasileira. Temos que mitigar essa vulnerabilidade que ameaça nossa soberania”, avalia o presidente da AIAB, Julio Shidara.

Projetos recentes demonstram que o país tem capacidade de desenvolver o setor espacial. Em 2022, foi lançado o Amazonia-1, o primeiro satélite 100% brasileiro. O satélite foi o primeiro completamente projetado, integrado, testado e operado pelo país.

Em abril de 2023, o primeiro satélite privado de alto desempenho desenvolvido pela indústria brasileira foi lançado. O VCUB1 foi desenvolvido pela Visiona em uma rede de parceiros que inclui o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados e será usado para observação da Terra e coleta de dados. Essa parceria continua com o desenvolvimento do SatVHR, um satélite brasileiro de pequeno porte e alta resolução que poderá ser usado para monitorar florestas, rios e mares, ajudar no planejamento de cidades e auxiliar no processo de digitalização da agricultura.

Outro importante projeto em desenvolvimento é o Constelação Catarina. Serão construídos 12 nanossatélites para realizar o sensoriamento remoto do território e atmosfera. O projeto é uma parceria entre o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Entre 2022 e 2023, a Finep lançou três editais para incentivar a inovação no setor aeroespacial. Os investimentos somam R$ 991 milhões em recursos para subvenção e investimento privado. Os recursos serão destinados para desenvolvimento de plataformas demonstradoras de novas tecnologias aeronáuticas; desenvolvimento de satélite de pequeno porte de observação da Terra de alta resolução; e desenvolvimento e lançamento de veículos de pequeno porte para lançamento de nano e/ou microssatélites.

No início de 2024, foi firmado um Acordo de Parceria entre o SENAI-CIMATEC, o Governo Federal e o Governo da Bahia para a criação do Parque Tecnológico Aeroespacial da Bahia. O parque vai integrar atividades de ensino, pesquisas avançadas e inovação no campo aeroespacial.

Nova Indústria Brasil (NIB) – R$ 113 bilhões para a indústria de defesa

O setor aeroespacial também é contemplado na Nova Indústria Brasil (NIB) – política industrial orientada por missões proposta pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI). A missão 6 da NIB visa aumentar a autonomia e a soberania do país no setor aeroespacial.

Ao todo, serão aportados cerca de R$113 bilhões na missão, que busca ampliar o domínio brasileiro em áreas como radares, satélites e foguetes. Os investimentos públicos incluem o PAC Defesa, com mais de R$ 31 bilhões, para projetos como o caça Gripen, o avião cargueiro KC-390, viaturas blindadas, fragatas e submarinos.

A prioridade será para ações voltadas ao desenvolvimento de energia nuclear, sistemas de comunicação e monitoramento climático, tecnologia de propulsão, além de veículos autônomos e controlados de forma remota.  

A missão tem a meta de alcançar, até 2026, até 55% de domínio das tecnologias críticas para a defesa, e até 2033, cerca de 75% de domínio. Para se ter uma ideia, atualmente a indústria de defesa brasileira possui 42,7% de domínio dessas tecnologias críticas para o setor.  

O tema também está presente no Mapa Estratégico da Indústria da CNI (2023 – 2032) e no Plano de Retomada da Indústria, que recomendou, entre outras prioridades, o investimento em tecnologias e inovações de uso dual, que têm aplicação tanto no meio civil como militar, o que fortalece a indústria de defesa e segurança nacional.

Fonte: FIESC

Ler Mais
Agronegócio, Comércio Exterior, Exportação

Abertura de dez novos mercados para a exportação agropecuária brasileira

Com os anúncios, o agronegócio brasileiro atinge 381 desde o início de 2023

O governo brasileiro concluiu, nesta semana, dez negociações na área agrícola com seis parceiros comerciais: Bahamas, Cameroun, Coreia do Sul, Costa Rica, Japão e Peru. As novas autorizações contemplam uma variedade de produtos, como carne bovina, carne suína, carne de aves e seus derivados, material genético bovino, material genético avícola, óleo de peixe e produtos do etanol de milho.

Nas Bahamas, as autoridades locais aprovaram o certificado sanitário para que o Brasil exporte carne bovina, carne suína, carne de aves e seus produtos. Essa abertura reflete o elevado grau de confiança no sistema de controle sanitário brasileiro e poderá contribuir para a segurança alimentar da população bahamense.

No Cameroun, as autoridades locais aprovaram a exportação de bovinos vivos para reprodução e material genético bovino pelo Brasil, o que permitirá o fortalecimento da pecuária local, além de oferecer aos produtores brasileiros oportunidades futuras para ampliação de negócios na África.

Na Coreia do Sul, as autoridades locais autorizaram a exportação de material genético avícola (ovos férteis e pintos de um dia), reforçando a liderança do Brasil nessa área e o reconhecimento internacional sobre a qualidade, a sanidade e a rastreabilidade do plantel brasileiro.

Na Costa Rica, as autoridades locais autorizaram as exportações brasileiras de “grãos secos de destilaria” (DDG e DDGS, na sigla em inglês). Trata-se de um subproduto do etanol de milho que constitui fonte valiosa de proteína para alimentação animal e que, pelas características produtivas, reflete as credenciais de sustentabilidade da produção bioenergética brasileira.

No Japão, as autoridades sanitárias autorizaram a exportação de óleo de peixe produzido no Brasil, o que corrobora o elevado nível de confiança depositado por aquele país nos padrões sanitários brasileiros.

No Peru, as autoridades sanitárias aprovaram a exportação de filé de tilápia refrigerada ou congelada do Brasil. Essa abertura poderá ampliar as oportunidades de negócio para a piscicultura nacional, uma vez que o país andino é grande importador de pescados.

Com os anúncios, o agronegócio brasileiro atinge 381 desde o início de 2023.

Esses resultados são fruto do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Fonte: Governo Federal – Ministério da Agricultura e Pecuária

Ler Mais
Exportação, Mercado Internacional

Livre da febre aftosa, Brasil deve iniciar exportações de carne bovina para o Japão

A produção brasileira de carne bovina está cada vez mais próxima do Japão. Nesta quinta-feira (29), o Brasil vai receber o certificado de reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), como área livre de febre aftosa sem vacinação. A medida viabiliza o acesso em mercados mais exigentes, como o japonês, com abertura da exportações no segundo semestre deste ano.

No início do mês, uma autoridade do governo do Japão esteve no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília, com retorno previsto na segunda quinzena de junho, para uma inspeção geral do sistema sanitário brasileiro.

A comitiva japonesa deve elaborar um relatório técnico e liberar a etapa de habilitação, com base no modelo de pre-listing, que inclui os fornecedores que se enquadram nos critérios estabelecidos.

“O processo pode levar cerca de 60 dias após a visita. Estamos otimistas e trabalhando para que a liberação aconteça ainda em 2025, preferencialmente no segundo semestre”, afirma Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Governo Lula não envia representante para certificado internacional

governo Lula (PT) não vai enviar autoridades do primeiro escalão à cerimônia da OMSA, em Paris, para a entrega da certificação de país livre de aftosa. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, desistiu da viagem e acompanhará o presidente petista na agenda internacional na França na semana seguinte.

O governo também cancelou as viagens do secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, e de seu adjunto, Allan Alvarenga, conforme informações publicadas no Diário Oficial da União. O ministério designou uma fiscal agropecuária para representar o país.

Com a ausência da alta cúpula do governo federal, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro, deve assumir o protagonismo no evento para destacar a importância dos estados brasileiros na produção de carne bovina. Ela viaja a Paris pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e deve discursar em nome do setor.

São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Piauí, Pernambuco, Amazonas, Tocantins e outros estados participam da assembleia da OMSA, com delegações enviadas para o evento que começou no último domingo (25).

Pecuária aposta em tecnologia para qualidade de carne no Brasil

O mercado japonês de carne bovina depende fortemente da importação, o que é motivo de interesse para os produtores brasileiros. “O Japão importa 65% da carne que consome e o Brasil produz carne de qualidade, com um trato sanitário reconhecido no mundo todo. Temos uma das carnes mais baratas do mundo e em grande volume. A expectativa é muito boa. Nossa possibilidade de exportação é muito grande”, aponta o presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Marcelo El Kadri.

Novas tecnologias e a mecanização tem garantido mais eficiência e padronização na produção, o que respalda a exportação brasileira. Os produtores entendem que as práticas de manejo de excelência são essenciais para atender aos padrões rigorosos do Japão.

 “Hoje existe uma pulverização por drone, via satélite, onde você só pulveriza onde é necessário e isso gera economia e precisão na aplicação. Atualmente utilizamos um chip que possibilita a pesagem do animal em confinamento, sem que ele sofra estresse. A alimentação fica em lado oposto à água e no deslocamento entre os dois, o animal é pesado até duas vezes por dia. O Brasil está muito avançado e com novas expectativas, isso agrada o mercado japonês”, explica El Kadri.

Fonte: Gazeta do Povo

Ler Mais
Informação, Tecnologia

Demanda de energia vai explodir no Brasil. Culpa de carros elétricos, data centers e hidrogênio verde

Projeção da consultoria Aurora Energy Research indica que essas três tecnologias vão ampliar fatia do consumo nacional de energia de 2% para 16% até 2060, impactando todo o sistema

Um estudo da consultoria internacional Aurora Energy Research, apresentado nesta terça-feira, 27 de maio, traz uma projeção sobre a demanda de energia elétrica no País nas próximas décadas, indicando que ela será impulsionada não mais por setores tradicionais – como o industrial, o comercial e o residencial – e sim por novas tecnologias em rápida expansão.

A consultoria prevê a ascensão de três tecnologias emergentes – veículos elétricos (VEs), data centers e eletrolisadores de hidrogênio – como grandes consumidores de energia do País até 2060, pulando dos atuais 2% para 16%.

“Historicamente, o consumo de eletricidade no Brasil tem acompanhado tendências macroeconômicas e populacionais, mas a ascensão de veículos elétricos, data centers e eletrolisadores de hidrogênio pode interromper esse padrão”, afirma ao NeoFeed Matheus Dias, pesquisador sênior associado da Aurora Energy Research e responsável pelo estudo.

Segundo ele, a eletrificação de setores da indústria – como de ferro e aço – também deve impactar na demanda de consumo, mas numa escala menor em relação às três tecnologias analisadas.

De qualquer forma, prossegue Dias, essa mudança deve exigir aumento de capacidade térmica e renovável do sistema elétrico, além de desenvolvimento regulatório e das condições de mercado para atender a demanda. Já a demanda básica de consumidores industriais, comerciais e residenciais deve crescer apenas moderadamente.

O estudo prevê que os veículos elétricos, sozinhos, representem 3% da demanda por eletricidade até 2060 se atingirem 20% de penetração na frota. Caso os VEs cheguem a 100% da frota, a demanda por energia desse segmento tende a aumentar para 16%. “O avanço da frota de VEs no Brasil tende a ser menor porque temos uma vocação de produzir biocombustíveis, que devem prevalecer”, observa Dias.

Já os data centers devem contribuir com 4% da demanda total de energia até 2060 de forma inflexível, devido à necessidade de alta disponibilidade e de carga base constante.

O estudo lembra que já foram submetidos cerca de 15 gigawatts (GW) em pedidos de conexão para data centers até 2035. Mesmo assim, a consultoria projetou apenas 4,75 GW de nova capacidade de data centers no Brasil para aquele ano, considerando as limitações atuais do setor elétrico.

“Uma pesquisa recente da Aurora indicou que 58% dos entrevistados identificaram os data centers como o segmento de demanda com grande crescimento, mas também apontaram a infraestrutura da rede elétrica como o principal obstáculo para a concretização desse crescimento”, afirma Dias.

Chamou a atenção no estudo a previsão de que os eletrolisadores de hidrogênio, usados no processo para criar o hidrogênio verde, apresentem o crescimento mais rápido entre as tecnologias estudadas. Isso se deve à demanda europeia de importação de hidrogênio verde e ao crescimento do mercado interno.

Neste sentido, a Aurora prevê que os eletrolisadores no Brasil representem 8% da demanda total de eletricidade até 2060, apoiados por um pipeline robusto de projetos de grande escala.

Dois cenários

Parte do estudo foi dedicada para avaliar como essas novas tecnologias vão impactar a capacidade estrutural do sistema elétrico.

Seu potencial em larga escala afetará o planejamento de capacidade de longo prazo, enquanto a flexibilidade de carga, dependendo de como se desenvolver, poderá remodelar a dinâmica dos preços intradiários e impactar a eficiência do sistema.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por exemplo, rejeitou este ano os primeiros grandes projetos de hidrogênio verde e de data centers no complexo do Pecém – um hub de energia verde que está sendo montado próximo a Fortaleza -, alegando risco de sobrecarga no Sistema Interconectado Nacional (SIN).

Por essa razão, a Aurora desenvolveu dois cenários alternativos para tentar casar as previsões de demanda de energia com o eventual aumento de capacidade do sistema elétrico para atender esse aumento de consumo.

O primeiro deles – “Cenário de Crescimento Ambicioso” – prevê que a expansão mais rápida desses três setores vai exigir um aumento de 20% de capacidade renovável – o equivalente a 36 gigawatts (GW) adicionais à capacidade atual, de 175,6 GW.

A ampliação da capacidade térmica deverá ser bem maior, de 45%. Ou seja, aos atuais 30,6 GW serão necessários mais 14GW de capacidade térmica até 2060.

Já o “Cenário de Maior Flexibilidade” considera uma maior flexibilidade no consumo de veículos elétricos e de eletrolisadores de hidrogênio. De acordo com o estudo, essa flexibilidade levaria a um aumento nos preços capturado pela energia solar e um efeito positivo, a redução de 55% dos cortes de geração para não sobrecarregar a rede – o chamado curtailment – até 2060.

O pesquisador da Aurora afirma que a possível inclusão de térmicas a gás e carvão previstos nos jabutis da Lei de Eólica Offshore – cujos vetos podem cair no Congresso Nacional – não entrou no cálculo. “Mas esses jabutis, se confirmados, certamente vão afetar o despacho térmico”, afirma.

Dias acredita que o estudo suscita algumas reflexões importantes. Uma delas é que o Brasil é um agente competitivo para alocar essas demandas.

“O gargalo atual é a transmissão, isso impacta tanto para data center como para hidrogênio verde”, acrescenta. Essa “trava” tem um motivo: o sistema não é resiliente o suficiente para suportar tanta transmissão. “Melhorando esse gargalo, novas cargas podem vir para o Brasil, mas o perfil dessas cargas é essencial”, adverte.

Os data centers, explica Dias, têm um perfil de carga flat, que roda o tempo todo, sem impactar de forma relevante no curtailment ou na volatilidade intradiária.

“Isso se aplica aos data centers de IA, que não têm uma latência importante, são menos dependentes de linhas de transmissão; já os data centers de nuvem, com exigência de latência alta, precisam estar perto da demanda, o que explica a maioria estar localizada no Sudeste, região bem servida de linhões”, explica.

A outra conclusão é que a demanda de energia por essas novas tecnologias ainda é incerta. “Vai depender do potencial de crescimento no Brasil e, principalmente, do aumento de demanda de energia de data centers”, afirma Dias. “Além disso é preciso averiguar a expansão global de outras tecnologias, como de inteligência artificial, isso pode alterar todo o quadro no longo prazo.”

Fonte: NeoFeed

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook