Economia

Brasil lidera adoção de criptomoedas no mundo, aponta Chainalysis

O Brasil ocupa a primeira posição no ranking global de adoção de criptomoedas, de acordo com o Geography of Cryptocurrency Report 2026, elaborado pela Chainalysis. O levantamento considera a atividade registrada no mercado de criptoativos nos 12 meses encerrados em junho de 2026.

Nesse intervalo, o país movimentou US$ 252,5 bilhões em transações relacionadas a criptomoedas, superando mercados como Estados Unidos, Nigéria, Japão e Coreia do Sul. O volume brasileiro corresponde a 2,7% dos US$ 9,4 trilhões movimentados globalmente no período.

Brasil ganha espaço no mercado de criptoativos

Segundo a análise da Chainalysis, o desempenho brasileiro está relacionado à combinação de uma atividade elevada e relativamente distribuída entre diferentes usos dos ativos digitais.

O setor corporativo aparece como um dos principais componentes desse movimento. Empresas brasileiras vêm recorrendo às stablecoins, criptomoedas com valor vinculado a outros ativos, como o dólar, para operações de liquidez e transferências internacionais.

O relatório também aponta possíveis fatores que ajudam a explicar a expansão do mercado brasileiro, entre eles o avanço da regulamentação, a entrada de investimentos e o fortalecimento das plataformas e serviços locais.

Novas regras ampliam exigências para empresas

O estudo destaca as normas recentes estabelecidas pelo Banco Central para os prestadores de serviços de ativos virtuais. As regras abrangem áreas como governança, gerenciamento de riscos, segurança, compliance e exigências de capital mínimo.

Na avaliação apresentada pelo relatório, o aumento das exigências pode elevar as barreiras de entrada e pressionar empresas menores, favorecendo um processo de consolidação do mercado.

“Quando as regras chegam, a confiança vem junto”, afirmou Julia Rosin, presidente da ABCripto (Associação Brasileira de Criptoeconomia), em posicionamento citado no documento.

Exchanges brasileiras ampliam participação

Uma das mudanças estruturais identificadas pela pesquisa envolve as exchanges de criptomoedas sediadas no Brasil.

Essas plataformas respondiam por apenas 1,5% dos fluxos anteriormente e passaram a concentrar 12,5% da movimentação. O avanço contrasta com o cenário de outros países da América Latina, onde as plataformas locais perderam espaço para concorrentes internacionais.

América Latina registra crescimento de 9,8%

Enquanto a atividade da economia cripto global caiu 1,6% no período analisado, a América Latina apresentou expansão de 9,8%.

De acordo com a Chainalysis, o resultado regional foi impulsionado principalmente pelo aumento do uso de stablecoins e pela procura por criptomoedas como alternativa de proteção diante da volatilidade das moedas locais.

“Aqui na América Latina, toda essa adoção vem da necessidade. Não é adoção simplesmente pela adoção”, afirmou Carlos Peralta, especialista sênior em políticas públicas da Bitso, segundo o relatório.

Ben Reid, chefe global de stablecoins do aplicativo de investimentos, também classificou os criptoativos, especialmente as stablecoins, como uma parte relevante do sistema financeiro latino-americano.

Na região, o Brasil ampliou sua participação de 31,6% em 2022 para 43,7% em 2026. Argentina e México aparecem na sequência, com movimentações de US$ 88,5 bilhões e US$ 77,6 bilhões, respectivamente.

Mercado global mostra maior participação do varejo

Entre 2025 e 2026, a atividade econômica on-chain estimada pela Chainalysis recuou 1,6%. Para a empresa, o dado pode indicar uma redução da dependência do mercado em relação à especulação de preços.

Mesmo com a queda do bitcoin no período considerado, a circulação de criptoativos permaneceu elevada. As operações de menor valor foram as que apresentaram maior crescimento.

As transferências inferiores a US$ 100 aumentaram 78,4%, enquanto as transações entre US$ 100 e US$ 1.000 avançaram 58,6%.

A Chainalysis interpreta esses números como um indicativo de que os pequenos investidores continuaram participando do mercado mesmo durante o chamado bear market.

Stablecoins ganham importância nas transações internacionais

Outro ponto de destaque do estudo é o avanço das stablecoins na economia global de criptoativos.

Os fluxos internacionais envolvendo esse tipo de ativo cresceram 77,5%, passando de US$ 124,2 bilhões para US$ 220,3 bilhões. A movimentação mensal estimada também mais que dobrou: saiu de aproximadamente US$ 11 bilhões em janeiro de 2025 para US$ 24 bilhões em junho de 2026.

Segundo a Chainalysis, o crescimento não está concentrado apenas em grandes operações realizadas por participantes institucionais do mercado.

O levantamento identifica também usos ligados ao cotidiano, como pagamentos, remessas internacionais, transações com fornecedores e proteção de poupança, indicando uma presença cada vez maior das stablecoins em diferentes atividades financeiras.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wirestock/Magnific

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Comércio Exterior

EUA rejeitam pedido da China para participar de consulta da OMC sobre tarifaço contra o Brasil

Os Estados Unidos recusaram o pedido da China para participar das consultas realizadas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as tarifas aplicadas a produtos brasileiros. As medidas americanas elevam a carga tarifária sobre determinados itens exportados pelo Brasil para até 37,5%.

A decisão foi formalizada em documento divulgado na terça-feira. Segundo o governo americano, a alegação chinesa de que possui um “interesse comercial substancial” no caso não estaria suficientemente fundamentada.

EUA contestam interesse comercial da China

Na justificativa apresentada à OMC, os Estados Unidos afirmaram que a disputa iniciada pelo Brasil não envolve medidas, políticas ou práticas adotadas pela China.

O documento também destaca que a reclamação brasileira não trata de tarifas americanas incidentes sobre produtos de origem chinesa.

Pelas regras da OMC, a entrada de um terceiro país nas consultas depende da concordância dos dois integrantes diretamente envolvidos na disputa. Com a negativa americana, a China fica de fora dessa etapa das negociações entre Brasil e Estados Unidos.

China havia solicitado participação em agosto

A China apresentou o pedido para integrar as consultas pouco mais de um mês antes da decisão americana. Em 6 de agosto, Pequim argumentou que possui interesse comercial relevante na discussão tarifária entre brasileiros e americanos.

Segundo a manifestação chinesa, as medidas adotadas pelos Estados Unidos poderiam atingir também exportações da China. O argumento é que eventuais mudanças nas condições de concorrência no mercado americano poderiam afetar a posição dos produtos chineses.

As consultas na OMC representam a primeira etapa do mecanismo utilizado pela organização para tratar de disputas comerciais e questões relacionadas a tarifas entre seus países-membros.

Brasil questiona tarifas aplicadas pelos EUA

O Brasil levou a questão à OMC em 27 de julho, ao apresentar uma reclamação contra o chamado tarifaço americano.

A contestação brasileira envolve duas sobretaxas anunciadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), ambas fundamentadas na Seção 301 da legislação comercial americana.

A primeira acrescentou uma tarifa de 25% associada a uma investigação sobre supostas práticas comerciais brasileiras. A segunda estabeleceu uma cobrança adicional de 12,5%, relacionada a uma apuração sobre alegadas deficiências do Brasil no combate à entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.

As duas medidas, quando consideradas em conjunto, aumentam a tributação sobre determinados produtos brasileiros vendidos no mercado americano.

Brasil cita regras do comércio internacional

Na reclamação apresentada à OMC, o governo brasileiro argumenta que os Estados Unidos violaram o princípio da nação mais favorecida, considerado um dos fundamentos do sistema multilateral de comércio.

Segundo a posição brasileira, Washington estabeleceu tarifas específicas para produtos do Brasil sem aplicar tratamento equivalente aos demais integrantes da organização.

O Brasil também sustenta que os Estados Unidos passaram a cobrar tarifas acima dos limites consolidados junto à OMC.

Outro questionamento apresentado pelo país diz respeito ao uso de medidas unilaterais para responder a supostas irregularidades comerciais. Na avaliação brasileira, os EUA deveriam recorrer ao sistema de solução de controvérsias da OMC em vez de adotar medidas unilaterais.

Consultas entre Brasil e EUA têm prazo de 60 dias

Os Estados Unidos concordaram em iniciar as consultas com o Brasil em 10 de agosto.

Pelas regras da organização, essa primeira fase tem prazo de 60 dias para ser concluída. Durante esse período, os dois países podem buscar uma solução negociada para a controvérsia antes que o caso avance para uma nova etapa.

O que acontece se não houver acordo

Caso as consultas terminem sem entendimento, o Brasil poderá solicitar a criação de um painel da OMC para analisar a disputa.

Nessa fase, três especialistas independentes são designados para examinar o caso. O painel considera os argumentos apresentados pelo país que abriu a reclamação, a manifestação do país questionado e as contribuições de outros integrantes da organização que tenham interesse na controvérsia.

A previsão é de que um painel leve cerca de seis meses para concluir sua análise.

Se ainda houver divergência após essa etapa e os Estados Unidos decidirem recorrer, o processo poderia chegar ao Órgão de Apelação da OMC, que funciona como instância recursal do sistema de solução de controvérsias.

Órgão de Apelação da OMC continua paralisado

O problema é que o Órgão de Apelação permanece sem funcionamento pleno.

A paralisação teve origem em um bloqueio promovido pelos Estados Unidos durante o primeiro mandato de Donald Trump, quando o governo americano deixou de indicar novos integrantes para a instância.

A política foi mantida durante a administração do democrata Joe Biden, impedindo a recomposição necessária para o funcionamento regular do órgão.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Dado Galdieri / Bloomberg

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Comércio Internacional

Importação de soja pela China cai e aumenta pressão sobre custos da suinocultura

A redução das importações de soja pela China deve levar as compras do país ao menor nível em mais de dois anos. O movimento restringe a disponibilidade de farelo de soja no mercado asiático e eleva os custos das fábricas de ração destinadas à produção de suínos.

Como maior comprador mundial de oleaginosas, qualquer mudança no ritmo de aquisição chinês pode provocar impactos em toda a cadeia de proteína animal e influenciar a demanda futura pelo complexo soja brasileiro.

Menor oferta de farelo eleva custo da ração

A diminuição das compras de soja pela China reduz a disponibilidade de matéria-prima para a fabricação de farelo, um dos principais componentes utilizados na alimentação de animais.

Com a oferta mais restrita, as indústrias de nutrição animal chinesas passam a enfrentar maior pressão sobre suas margens. Parte desse aumento de custos tende a chegar aos produtores de suínos, elevando o preço da ração e, consequentemente, o custo de produção da carne suína.

O cenário pode afetar a competitividade da suinocultura chinesa, especialmente se os custos permanecerem elevados por um período prolongado.

Carne suína importada pode ganhar espaço

O encarecimento da produção doméstica também pode alterar a dinâmica do mercado chinês de carnes. Com custos maiores para os produtores locais, a importação de proteína animal processada pode se tornar uma alternativa mais competitiva em determinados segmentos.

Essa possibilidade abre espaço para fornecedores internacionais, incluindo produtores da América do Sul, que podem encontrar novas oportunidades no mercado chinês no médio e longo prazo.

A evolução das compras chinesas de soja, portanto, não afeta apenas o mercado de grãos. O movimento também pode influenciar os fluxos internacionais de carnes e modificar a demanda por produtos de maior valor agregado.

Brasil se prepara para ampliar produção de carnes

O cenário externo ganha importância diante da expectativa de aumento da produção brasileira de proteínas animais.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta crescimento da produção nacional de carne de frango nos anos de 2026 e 2027. As estimativas também são acompanhadas pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).

A expansão da avicultura brasileira aumenta a necessidade de mercados externos capazes de absorver parte da produção adicional. Para os produtores, a manutenção de uma demanda internacional aquecida é importante para evitar excesso de oferta e pressão negativa sobre os preços no mercado interno.

Produção brasileira de carnes deve superar 34 milhões de toneladas

As projeções da Conab indicam que a produção total de carnes no Brasil deverá ultrapassar 34 milhões de toneladas no biênio 2026/2027.

O avanço reforça a trajetória de crescimento da pecuária brasileira e amplia a importância das exportações para o equilíbrio entre oferta e demanda.

Nesse contexto, o comportamento do mercado chinês será um dos fatores acompanhados pelo setor. A China é um importante participante do comércio internacional de commodities agrícolas e proteínas animais, e alterações em suas compras podem provocar reflexos nos preços e nos fluxos comerciais.

China pode mudar perfil das importações de proteína

Caso a China mantenha um ritmo reduzido de aquisição de soja em grão, a menor disponibilidade do insumo poderá continuar pressionando os custos da alimentação animal no país.

Em um cenário de produção doméstica de carnes mais cara, a necessidade de complementar a oferta interna por meio de importações pode ganhar relevância.

Para o Brasil, essa dinâmica representa uma possível mudança no perfil das exportações. Em vez de concentrar parte da demanda externa na comercialização de soja, o país pode ampliar a participação de produtos de proteína animal e itens com maior valor agregado na pauta destinada ao mercado chinês.

A evolução desse cenário dependerá, entre outros fatores, do comportamento das compras chinesas de soja, dos custos de produção asiáticos e da capacidade brasileira de manter competitividade no mercado internacional de carnes.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

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Agronegócio

Produção de carne bovina do Brasil deve cair 3,6% em 2027, prevê Conab

A produção de carne bovina no Brasil deve recuar novamente em 2027, segundo projeção divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa aponta queda de 3,6% em relação a 2026, para aproximadamente 11,4 milhões de toneladas.

A redução deve ocorrer em meio à retomada gradual do ciclo pecuário, com expectativa de aumento na retenção de fêmeas para recomposição do rebanho bovino. Com menos vacas destinadas ao abate, a disponibilidade de animais para a produção de carne tende a diminuir.

Produção deve registrar segundo ano consecutivo de queda

Caso a previsão se confirme, 2027 será o segundo ano seguido de redução na produção brasileira de carne bovina.

De acordo com os dados da Conab, o país produziu 11,9 milhões de toneladas em 2025 e deve encerrar 2026 com aproximadamente 11,84 milhões de toneladas.

Apesar da perspectiva de retração, a companhia avalia que a reversão do ciclo pecuário está acontecendo de maneira mais lenta do que o inicialmente esperado.

No primeiro semestre de 2026, os abates de bovinos permaneceram acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Entre os fatores que sustentaram o resultado estão a disponibilidade de fêmeas, o aumento do peso médio das carcaças e a maior utilização de sistemas de confinamento.

Retenção de fêmeas pode reduzir oferta de animais

A valorização dos bezerros e dos animais destinados à reposição do rebanho é apontada pela Conab como um sinal de menor disponibilidade nessas categorias.

Esse movimento tende a estimular os pecuaristas a preservar matrizes, reduzindo a oferta de animais para abate e contribuindo para a queda projetada na produção de carne em 2027.

O Brasil segue como um dos principais protagonistas do mercado internacional de carne bovina. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país liderou a produção mundial em 2025/26, com cerca de 20% do total, enquanto os Estados Unidos enfrentam uma redução no tamanho do rebanho.

Exportações de carne bovina devem crescer

Mesmo com a previsão de queda na produção, as exportações brasileiras de carne bovina devem avançar em 2027.

A Conab estima embarques de 4,8 milhões de toneladas, alta de 2,2% em relação ao volume projetado para 2026.

A expectativa é que o Brasil encerre 2026 com exportações de aproximadamente 4,7 milhões de toneladas, acima dos 4,5 milhões de toneladas registrados em 2025.

O desempenho positivo observado no primeiro semestre foi sustentado principalmente pela demanda da China, pelos preços internacionais elevados e pela abertura de novos mercados.

Para a segunda metade do ano, entretanto, a Conab prevê uma desaceleração dos embarques, em razão do preenchimento de uma cota chinesa que possui tarifas de importação mais baixas.

Consumo interno enfrenta concorrência de frango e suíno

No mercado doméstico, o consumo de carne bovina permanece moderado e concentrado principalmente nos cortes de menor preço.

A Conab aponta perda de competitividade da carne bovina diante das carnes de frango e suína, especialmente entre consumidores de menor renda.

Esse cenário também dificulta o repasse integral da valorização da arroba do boi para os preços pagos pelos consumidores no varejo.

Produção de carne de frango deve atingir novo recorde

Enquanto a produção bovina deve recuar, a produção brasileira de carne de frango deve continuar crescendo.

A Conab projeta um novo recorde em 2027, com produção estimada em 16,7 milhões de toneladas. Para comparação, a previsão é de 16,3 milhões de toneladas em 2026, contra 15,8 milhões em 2025.

O Brasil também ocupa a liderança mundial nas exportações de carne de frango. Para 2027, a expectativa da Conab é de crescimento de 0,8% nas exportações do produto.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

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Informação

Coalizão Aberta aprova plano de trabalho para mercados regulados de carbono até 2030

A Coalizão Aberta para Mercados Regulados de Carbono (OCCCM) aprovou nesta segunda-feira (14/9), em Wuhan, na China, um plano de trabalho com validade até 2030 e definiu uma estrutura provisória para o funcionamento de seu Secretariado.

As decisões foram tomadas durante a 2ª Reunião de Alto Nível da Coalizão e representam um avanço na organização da governança do grupo. O encontro também marcou a formalização da entrada de novos integrantes e observadores na iniciativa, além de reforçar a articulação entre Brasil, China e União Europeia.

Brasil lidera coalizão até 2027

O Brasil ocupa a presidência da Coalizão Aberta até 2027, enquanto China e União Europeia exercem a copresidência. Atualmente, o grupo reúne dez países e a União Europeia, que, juntos, representam cerca de US$ 49 trilhões do PIB mundial e respondem por 42,2% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Além de Brasil, China e União Europeia, participam da iniciativa Alemanha, Canadá, França, Nova Zelândia, Noruega, Singapura, Reino Unido e Turquia. A expectativa é de que outros países também ingressem no grupo.

A proposta é inédita por reunir diferentes países interessados em promover maior alinhamento entre mercados regulados de carbono e criar condições para que esses sistemas possam operar de maneira interoperável.

Coalizão busca aproximar mercados de carbono

Os mercados regulados de carbono estabelecem limites para as emissões de gases de efeito estufa e utilizam mecanismos de precificação do carbono como instrumento para estimular a redução gradual da poluição.

A OCCCM pretende aproximar as metodologias utilizadas pelos diferentes países para mensuração das emissões e estabelecer critérios comuns para a utilização de compensações de carbono, conhecidas como offsets.

A iniciativa também busca alinhar essas regras às disposições do Artigo 6 do Acordo de Paris, criando bases para uma futura integração entre os mercados nacionais.

Por ser aberta a países que já possuem um mercado regulado ou que estejam desenvolvendo um sistema próprio, a coalizão pretende ampliar a cooperação internacional e fortalecer o multilateralismo climático.

Brasil busca fortalecer o mercado brasileiro de carbono

Para o Brasil, a presidência da primeira gestão da coalizão representa uma oportunidade de aproximar a China e a União Europeia, que possuem dois dos principais mercados regulados de carbono do mundo.

A participação brasileira também coloca o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) nas discussões internacionais sobre as regras que deverão orientar esses mercados.

A estratégia busca garantir que metodologias e ativos nacionais de mitigação possam obter reconhecimento internacional, além de proporcionar maior segurança para investimentos relacionados à transição ecológica.

Outro objetivo é preservar a competitividade das exportações brasileiras, especialmente nos setores industrial e agropecuário, diante da crescente adoção de mecanismos de precificação de carbono no comércio internacional.

Plano de trabalho define cinco áreas prioritárias

O documento aprovado em Wuhan organiza as atividades técnicas da Coalizão Aberta em cinco principais frentes.

  • Gestão e estrutura: prevê a organização da operação virtual, a distribuição de equipes nas áreas administrativa, de suporte técnico e coordenação externa, além da definição do modelo orçamentário a partir de 2027.
  • Instrumentos de precificação: estabelece a criação de uma matriz comparativa para ampliar o entendimento entre os diferentes mecanismos de precificação de carbono, considerando princípios como equidade, transparência e eficiência.
  • Mensuração, Relato e Verificação (MRV): concentra esforços no mapeamento dos sistemas de MRV utilizados pelos integrantes, com o objetivo de facilitar a conversão e a comparação de dados de carbono entre diferentes países.
  • Compensações de carbono: trabalha na elaboração de diretrizes para o uso de offsets de alta integridade em sistemas de conformidade e na aproximação das normas nacionais às regras do Artigo 6 do Acordo de Paris.
  • Cooperação técnica: coordena o apoio técnico com entidades observadoras e integra uma plataforma de conhecimento relacionada aos compromissos da COP31, prevista para novembro de 2026, na Turquia.

Coalizão foi lançada pelo Brasil na COP30

A Coalizão Aberta para Mercados Regulados de Carbono foi lançada pelo Brasil durante a COP30, realizada em Belém, no Pará.

Os Termos de Referência da iniciativa foram consolidados posteriormente, em maio de 2026, durante reunião realizada em Florença, na Itália.

A delegação brasileira permanece na China até 19 de setembro, cumprindo uma agenda relacionada às atividades da coalizão e às discussões sobre mercado de carbono, descarbonização e transição ecológica.

FONTE: Ministério da Fazenda
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ministério da Fazenda

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Turismo

Turismo internacional: Brasil supera 4 milhões de chegadas em voos até julho

O Brasil registrou mais de 4 milhões de chegadas de turistas internacionais por via aérea entre janeiro e julho de 2026. O volume representa aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas cerca de 3,5 milhões de chegadas.

Os números fazem parte do Painel da Embratur, elaborado a partir de informações da Polícia Federal e do Ministério do Turismo. O levantamento considera exclusivamente visitantes que residem fora do Brasil.

O desempenho reforça a importância da aviação internacional para a conexão do país com diferentes mercados. O avanço foi mais expressivo no início do ano, período marcado pelo verão brasileiro e por uma maior demanda de turistas estrangeiros.

Chegadas aéreas crescem principalmente no início do ano

Janeiro apresentou o maior ritmo de crescimento entre os primeiros meses de 2026. As chegadas internacionais por avião aumentaram 22,1% na comparação com janeiro de 2025.

Em fevereiro, a alta chegou a 15,4%, enquanto março registrou crescimento de 21,3%. O movimento permaneceu elevado durante o período do Carnaval.

A partir de abril, o avanço perdeu intensidade, mas continuou positivo. As variações foram de 2,13% em abril, 6,51% em maio, 1,01% em junho e 2,72% em julho.

Argentina lidera origem dos turistas que chegam de avião

A Argentina foi o principal mercado de origem dos turistas que chegaram ao Brasil por via aérea nos sete primeiros meses do ano. Foram aproximadamente 1,12 milhão de chegadas.

O número argentino ficou próximo do dobro do registrado pelo segundo colocado, o Chile, responsável por cerca de 506 mil chegadas.

Na sequência aparecem os Estados Unidos, com 430 mil visitantes, Portugal, com 177 mil, e França, com 140 mil.

A presença de outros países da América do Sul entre os principais mercados evidencia a relevância das conexões aéreas internacionais para a integração regional. Mesmo com a proximidade geográfica, o transporte aéreo continua desempenhando papel importante na ligação do Brasil com seus vizinhos.

São Paulo e Rio concentram chegadas internacionais

Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro concentraram a maior parcela dos turistas estrangeiros que desembarcaram no país em voos internacionais.

São Paulo recebeu cerca de 1,64 milhão de chegadas, enquanto o Rio de Janeiro contabilizou 1,47 milhão no período.

A concentração está diretamente relacionada à presença dos dois principais hubs aeroportuários internacionais do Brasil: o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e o Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Os terminais concentram grande parte das conexões entre o país e o exterior.

Santa Catarina aparece na sequência, com 384,5 mil chegadas, seguida pela Bahia, com 122,1 mil, e Pernambuco, com 90,6 mil.

Aviação cresce enquanto fluxo internacional total recua

O resultado do transporte aéreo ganha destaque quando comparado ao fluxo total de turistas internacionais que chegaram ao Brasil.

Somando os acessos por avião, estrada, mar e rios, o país contabilizou 5,87 milhões de chegadas internacionais entre janeiro e julho de 2026. O resultado representa uma queda de 1,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na aviação, entretanto, o cenário foi diferente. Considerando apenas as chegadas por via aérea, houve crescimento de 12% nos sete primeiros meses de 2026.

Os dados indicam que o transporte aéreo foi um dos principais vetores de sustentação do fluxo de visitantes estrangeiros no período.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Exportação

Exportações da Argentina para o Brasil crescem 6,9% em agosto de 2026

As exportações da Argentina para o Brasil avançaram 6,9% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Câmara Argentina de Comércio e Serviços (CAC). O resultado representa o sexto mês consecutivo de crescimento das vendas argentinas ao mercado brasileiro.

O comércio bilateral entre Argentina e Brasil movimentou US$ 2,578 bilhões em agosto. O valor ficou 3,2% abaixo dos US$ 2,663 bilhões registrados em agosto de 2025. Em relação a julho deste ano, porém, houve alta de 0,3%.

Argentina aumenta vendas ao mercado brasileiro

As exportações argentinas somaram US$ 1,099 bilhão em agosto, enquanto as compras de produtos brasileiros chegaram a US$ 1,479 bilhão.

Com isso, a Argentina registrou déficit comercial de US$ 380 milhões no intercâmbio com o Brasil durante o mês.

O crescimento das vendas argentinas foi impulsionado principalmente por produtos como polímeros de etileno em formas primárias, veículos destinados ao transporte de mercadorias e a usos especiais, leite, creme de leite e outros produtos lácteos, além de óleo combustível derivado de petróleo.

Na direção contrária, a queda de 9,6% nas importações argentinas provenientes do Brasil esteve relacionada principalmente à redução das compras de veículos rodoviários, peças e acessórios para automóveis e veículos destinados ao transporte de passageiros.

Déficit comercial argentino diminui em 2026

Considerando os oito primeiros meses de 2026, o comércio bilateral gerou um saldo negativo de US$ 1,635 bilhão para a Argentina.

Apesar de permanecer deficitário, o resultado representa uma melhora expressiva em relação ao mesmo período de 2025. Entre janeiro e agosto do ano passado, o déficit argentino havia alcançado US$ 4,103 bilhões.

Ainda assim, agosto manteve a trajetória negativa iniciada em janeiro de 2026. Segundo o levantamento da CAC, o resultado também se deteriorou em relação aos quatro meses anteriores.

Argentina ganha espaço entre fornecedores do Brasil

A Argentina ficou na quarta posição entre os principais fornecedores do Brasil em agosto, considerando o valor das importações brasileiras.

A liderança ficou com China, Hong Kong e Macau, com US$ 6,609 bilhões, seguidos pelos Estados Unidos, com US$ 4,014 bilhões, e pela Alemanha, com US$ 1,411 bilhão.

Do lado das exportações brasileiras, a Argentina ocupou a terceira colocação entre os principais mercados compradores no mês.

China, Hong Kong e Macau lideraram, com US$ 8,340 bilhões em compras, enquanto os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com US$ 3,190 bilhões.

Exportações brasileiras também crescem

O desempenho do comércio exterior do Brasil apresentou expansão em agosto. As exportações brasileiras para o mercado internacional passaram de US$ 29,559 bilhões em agosto de 2025 para US$ 33,158 bilhões no mesmo mês de 2026, uma alta de 12,2%.

As importações também aumentaram. O valor subiu 9,3%, de US$ 23,578 bilhões para US$ 25,763 bilhões na comparação anual.

Com exportações superiores às importações, o Brasil encerrou agosto com superávit comercial de US$ 7,395 bilhões. Foi o 18º mês consecutivo em que a balança comercial brasileira apresentou resultado positivo.

FONTE: Cámara Argentina de Comercio y Servicios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CAC

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Exportação

Milho argentino ganha competitividade e desafia exportações brasileiras em setembro

A Argentina vem ampliando sua presença no mercado internacional de milho justamente quando o Brasil enfrenta dificuldades para manter o ritmo de exportações observado em 2025. Com oferta elevada e preços competitivos, os argentinos caminham para um volume recorde de embarques, enquanto as primeiras estimativas para setembro indicam exportações brasileiras de milho inferiores às registradas no mesmo mês do ano passado.

A expectativa é que a Argentina embarque cerca de 10 milhões de toneladas de milho entre agosto e setembro, segundo informações divulgadas pela Reuters nesta semana.

O desempenho é favorecido pela perspectiva de uma safra 2025/26 recorde, estimada em 71,7 milhões de toneladas, além da demanda internacional provocada por problemas na oferta de milho da Ucrânia e perdas relacionadas ao calor em algumas regiões europeias.

Argentina amplia vantagem no mercado internacional

Gustavo Idigoras, presidente da CIARA-CEC, entidade que reúne exportadores e processadores argentinos, afirma que o milho do país ganhou força tanto em preço quanto em disponibilidade.

Essa combinação coloca a Argentina em posição favorável na disputa por compradores internacionais, principalmente em um momento de maior necessidade de reposição de estoques e de incertezas sobre a oferta de outros grandes produtores.

Para o Brasil, o avanço argentino representa uma pressão adicional sobre o programa de exportação de milho em 2026.

Brasil deve exportar menos milho em setembro

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta embarques brasileiros de aproximadamente 5,2 milhões de toneladas de milho em setembro.

Se a estimativa se confirmar, o resultado ficará abaixo das quase 7 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil no mesmo mês de 2025.

Além da concorrência argentina, o milho brasileiro enfrenta neste ano a disputa com a oferta dos Estados Unidos e com uma demanda interna mais forte. O setor de etanol, por exemplo, tem ampliado a utilização do cereal no mercado doméstico.

Os dados iniciais de setembro reforçam o cenário de desaceleração. Nos quatro primeiros dias úteis do mês, foram embarcadas 1,13 milhão de toneladas, com média diária de 281,6 mil toneladas.

O ritmo representa uma queda de 18,1% em relação à média diária de 343,8 mil toneladas registrada em setembro de 2025.

Ritmo melhora em relação a agosto

Apesar da comparação negativa com o ano passado, os embarques brasileiros mostram recuperação quando comparados a agosto.

No mês anterior, o país exportou, em média, 221,7 mil toneladas por dia. Assim, a média registrada nos primeiros dias de setembro é aproximadamente 27% maior.

A questão agora é saber se essa aceleração será suficiente para aproximar o desempenho brasileiro dos níveis registrados em 2025 ou se o volume projetado pela Anec acabará se confirmando.

Argentina é apontada como risco para exportações brasileiras

A maior oferta argentina já vinha sendo considerada um fator de atenção para o mercado brasileiro de milho.

Em entrevista recente ao Notícias Agrícolas, Luiz Fernando Gutierrez, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, afirmou que o ritmo dos embarques brasileiros estava abaixo das expectativas e apontou a Argentina como uma das principais ameaças ao desempenho nacional.

Segundo o analista, a combinação entre disponibilidade elevada e preços competitivos aumenta a disputa entre Brasil e Argentina por compradores internacionais.

A Hedgepoint estima que o Brasil poderá exportar aproximadamente 41 milhões de toneladas de milho em 2026, volume próximo ao registrado em 2025. No entanto, Gutierrez avalia que essa projeção pode ser revisada para baixo caso o ritmo dos embarques continue abaixo do esperado.

Milho dos EUA perde parte da competitividade

A concorrência internacional também envolve os Estados Unidos, outro importante fornecedor de milho.

Eduardo Vanin, analista e estrategista sênior da Marex e da Agrinvest, avaliou em entrevista ao Notícias Agrícolas que a recente valorização do milho na Bolsa de Chicago reduziu a vantagem competitiva que o produto americano vinha apresentando nos últimos dois anos.

Na avaliação do especialista, o aumento das cotações está relacionado, em parte, às incertezas sobre os fluxos de grãos pelo Mar Negro.

Com preços mais elevados, o milho americano pode perder parte do espaço que vinha ocupando na disputa com o produto brasileiro no mercado internacional.

Próximas semanas serão decisivas para o milho brasileiro

Ainda não é possível afirmar que o avanço das exportações argentinas esteja retirando diretamente compradores do Brasil. O cenário observado até agora é de maior oferta argentina e preços competitivos em um período no qual os embarques brasileiros seguem abaixo do ritmo registrado em 2025.

As próximas semanas serão importantes para determinar se a recuperação das exportações brasileiras em setembro ganhará força.

Caso o desempenho permaneça inferior ao do ano passado, aumentará a pressão sobre as projeções de exportação de milho do Brasil em 2026, além de crescer a importância do mercado doméstico para absorver a produção disponível.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Itália defende diálogo após suspensão da carne brasileira pela União Europeia

A Itália pretende trabalhar pela redução de barreiras comerciais e pela facilitação das relações com o Brasil após a suspensão das importações de carne brasileira pela União Europeia. A posição foi apresentada nesta quarta-feira (9) pelo ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani.

Segundo o chanceler, eventuais divergências entre os dois lados devem ser tratadas por meio de diálogo diplomático e técnico, sem aumento das tensões políticas.

A União Europeia suspendeu as compras de carne e de outros produtos de origem animal do Brasil. O bloqueio entrou em vigor na quarta-feira (3) e está relacionado a critérios sanitários, incluindo normas europeias de controle e questões envolvendo o uso de antimicrobianos na produção pecuária.

Itália quer facilitar comércio com o Brasil

Ao comentar a suspensão, Tajani afirmou que o governo italiano está disposto a conversar com as autoridades brasileiras em busca de uma solução para o impasse.

Na avaliação do ministro, problemas relacionados a regras sanitárias podem criar obstáculos às relações comerciais, mas as diferenças podem ser enfrentadas por meio de negociações.

A Itália, segundo ele, pretende contribuir para superar as dificuldades, desde que sejam mantidas as exigências estabelecidas pelo bloco europeu.

“Se pudermos dar uma mão ao Brasil, o faremos sempre respeitando as regras europeias”, afirmou Tajani durante conversa com jornalistas antes do início de um encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Bloqueio europeu afeta produtos de origem animal

A suspensão das compras europeias envolve a carne brasileira e outros produtos de origem animal. A medida está em vigor desde 3 de setembro e tem como base exigências sanitárias adotadas pela União Europeia.

O cenário cria um novo ponto de atenção para o comércio exterior brasileiro, especialmente para os setores ligados à produção e exportação de proteína animal.

Apesar do bloqueio, a manifestação do governo italiano indica disposição para buscar uma saída negociada, conciliando a manutenção das normas sanitárias europeias com a tentativa de reduzir obstáculos ao comércio.

Missão italiana reúne 100 empresas no Brasil

Tajani está no Brasil acompanhado de uma delegação formada por aproximadamente 100 empresas italianas. A missão empresarial chegou ao país nesta quarta-feira (9), depois de passar pela Argentina.

A visita ocorre em meio ao debate sobre o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu. Nesse contexto, a defesa do diálogo feita pelo chanceler italiano ganha relevância para as relações comerciais entre Brasil e Itália.

A posição de Roma combina o interesse em ampliar e facilitar as relações comerciais com o Brasil com a necessidade de seguir as regras sanitárias e regulatórias estabelecidas pela União Europeia.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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Importação

Brasil pode ficar com até 40% da nova cota de importação de carne bovina dos EUA

O Brasil pode conquistar uma fatia de até 40% da nova cota de importação de carne bovina dos Estados Unidos. A medida anunciada pelo presidente americano Donald Trump prevê a entrada adicional de até 300 mil toneladas do produto no mercado dos EUA durante um período de 90 dias.

Pelas estimativas do setor, os frigoríficos brasileiros podem responder por algo entre 90 mil e 120 mil toneladas desse volume. Se a projeção se confirmar, o país terá participação relevante na ampliação das importações americanas.

A iniciativa do governo Trump busca aumentar a oferta de carne bovina nos Estados Unidos e, consequentemente, contribuir para a redução dos preços ao consumidor. Um dos focos é a carne moída utilizada na preparação de hambúrgueres.

Redução do rebanho americano favorece importações

Os Estados Unidos atravessam um período de redução do rebanho bovino, cenário que restringiu a disponibilidade de carne e contribuiu para a alta dos preços.

Para estimular a recomposição da pecuária doméstica, o governo americano também adotou medidas de incentivo aos produtores. No entanto, a recuperação do rebanho exige tempo. Enquanto isso, as importações de carne bovina aparecem como alternativa para ampliar a oferta no curto prazo.

A avaliação é de Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado. Para ele, o Brasil parte de uma posição competitiva devido à dimensão de sua indústria frigorífica e ao número de estabelecimentos autorizados a vender carne para o mercado americano.

Nova cota é diferente do limite já utilizado pelo Brasil

A nova medida não deve ser confundida com a cota que atualmente regula parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Hoje, o Brasil dispõe de uma cota compartilhada de 52,4 mil toneladas que permite a entrada de carne no mercado americano sem a tarifa adicional. De acordo com Iglesias, esse limite foi completamente utilizado em apenas 15 dias.

Depois que a cota é esgotada, os frigoríficos brasileiros ainda podem exportar para os EUA, mas o produto passa a sofrer uma tarifa adicional de 26,4%.

Entre janeiro e agosto, os Estados Unidos importaram 269,1 mil toneladas de carne bovina brasileira, movimentando US$ 1,74 bilhão. O resultado representa crescimento de 28,7% em relação ao mesmo período de 2025.

A nova cota de até 300 mil toneladas, válida por 90 dias, cria uma oportunidade adicional para os exportadores que conseguirem ocupar esse espaço sem a cobrança da tarifa extra.

Brasil aparece entre os principais candidatos

Nem todos os grandes fornecedores de carne dos Estados Unidos disputarão diretamente a nova cota. A Argentina, por exemplo, possui mecanismos próprios de acesso ao mercado americano.

Entre os principais países fornecedores de carne bovina aos EUA estão:

  • Brasil;
  • Austrália;
  • Canadá;
  • México;
  • Nova Zelândia.

Na avaliação de Iglesias, Paraguai e países da América Central estão entre os concorrentes que podem disputar mais diretamente o novo volume com o Brasil.

O país, entretanto, possui vantagens competitivas importantes, principalmente pela capacidade de sua indústria frigorífica e pela quantidade de unidades habilitadas a exportar para os Estados Unidos.

Isso não significa que as 300 mil toneladas serão distribuídas proporcionalmente entre os países. Na prática, os exportadores terão de disputar espaço com base na capacidade de atender à demanda e, principalmente, nos preços oferecidos aos compradores americanos.

Preço dos trimmings pode ser decisivo

Apesar da oportunidade, existe uma questão importante para os frigoríficos brasileiros: o tipo de carne que os Estados Unidos estão buscando.

A demanda está concentrada nos chamados trimmings, cortes e aparas retirados durante o processamento das carcaças e utilizados, entre outras aplicações, na produção de carne moída.

Como esse produto possui menor valor agregado e representa apenas uma parcela da carcaça, os frigoríficos precisam avaliar se a exportação para os EUA é financeiramente vantajosa.

O cálculo envolve o preço oferecido pelos compradores americanos, os custos de exportação e o retorno que o frigorífico poderia obter ao direcionar o mesmo animal para outros mercados.

Segundo Iglesias, as empresas ainda analisam esses fatores antes de definir o quanto poderão destinar aos Estados Unidos.

Alta dos preços pode limitar a operação

Outro ponto de atenção é o equilíbrio entre oferta e preço. Se os valores da carne subirem demais, a operação pode perder atratividade para os compradores americanos.

Nesse cenário, a própria finalidade da nova cota pode ser prejudicada. O objetivo do governo dos Estados Unidos é justamente ampliar a disponibilidade de carne e ajudar a reduzir os preços no mercado interno.

Para o Brasil, portanto, a nova cota representa uma oportunidade de ampliar as exportações, mas a efetiva participação no volume adicional dependerá da competitividade dos frigoríficos e das condições comerciais oferecidas aos importadores americanos.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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