Transporte

Biocombustível marítimo fica mais barato que combustível fóssil após crise em Ormuz

A crise energética provocada pela guerra no Oriente Médio alterou temporariamente a competitividade dos combustíveis utilizados no transporte marítimo. Em abril, o biodiesel marítimo tornou-se mais barato que o óleo combustível convencional no porto de Roterdã, na Holanda, quando foram considerados os custos relacionados às emissões de carbono e às possíveis penalidades ambientais da União Europeia.

A conclusão faz parte de um estudo elaborado pela General Index, empresa especializada em preços de energia, em parceria com o London Stock Exchange Group (LSEG). O levantamento mostra que a combinação entre a alta dos combustíveis fósseis e as regras europeias de descarbonização pode favorecer economicamente o uso de combustíveis renováveis no transporte marítimo.

Biodiesel registra vantagem de US$ 74,61 por tonelada

De acordo com o relatório, a mistura B30, composta por 30% de éster metílico de óleo de cozinha usado (UCOME) e 70% de óleo combustível marítimo com teor muito baixo de enxofre (VLSFO), apresentou uma vantagem de US$ 74,61 por tonelada em relação ao combustível convencional em abril.

O cálculo levou em conta as permissões de emissão do Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS) e possíveis penalidades previstas no regulamento FuelEU Maritime.

Nos três meses anteriores, a mesma mistura ainda apresentava um custo adicional de US$ 11 a US$ 27 por tonelada em comparação com o VLSFO, considerando os mesmos encargos ambientais.

O estudo também identificou uma mudança no mercado do biodiesel puro. O B100 UCOME, produzido integralmente a partir de óleo de cozinha usado, ficou mais barato que o óleo diesel marítimo (marine gasoil) durante oito semanas entre março e maio, após a inclusão dos custos de carbono.

Fechamento do Estreito de Ormuz pressiona combustíveis fósseis

A mudança de competitividade ocorreu durante a disparada dos preços internacionais de energia associada ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo e derivados.

Entre fevereiro e março, o preço médio do gasóleo na Europa subiu US$ 476 por tonelada. No mesmo intervalo, o UCOME teve uma alta bem mais moderada, de US$ 65 por tonelada.

Essa diferença ajudou a reduzir a desvantagem de preço dos biocombustíveis em relação às alternativas fósseis, contribuindo para a inversão observada em Roterdã.

No documento Lessons From Hormuz: Disruptions For Renewable Fuel Cost Competitiveness, os pesquisadores avaliam que a precificação das emissões de carbono começa a demonstrar sua capacidade de tornar os combustíveis renováveis mais competitivos comercialmente.

Vantagem econômica ainda depende das regras ambientais

Apesar dos resultados, os autores alertam que o episódio não deve ser interpretado como uma mudança definitiva no mercado de combustíveis marítimos.

Sem a inclusão dos custos de carbono, os biocombustíveis ainda costumam ser mais caros do que as opções convencionais utilizadas pelos navios.

Além disso, as comparações realizadas em Roterdã consideram possíveis penalidades regulatórias, que não necessariamente se aplicam a todas as embarcações da mesma maneira. Por isso, a vantagem econômica identificada depende tanto das condições do mercado energético quanto das exigências ambientais aplicáveis.

O estudo foi elaborado por David Elward, analista-chefe da General Index, e Tim Deehan, analista sênior do LSEG. A pesquisa compara o comportamento de diferentes combustíveis renováveis diante das oscilações provocadas pela crise energética.

Combustíveis renováveis apresentam comportamentos distintos

O levantamento aponta que os biodieseis tradicionais demonstraram maior resistência à alta dos preços durante o período analisado. Outros combustíveis renováveis, entretanto, acompanharam a valorização de seus equivalentes fósseis.

Foi o caso do óleo vegetal hidrotratado (HVO) e do combustível sustentável de aviação (SAF), cujas cotações registraram aumentos expressivos.

O SAF subiu US$ 636 por tonelada entre fevereiro e março, mesmo com cadeias de abastecimento consideradas amplamente independentes do Estreito de Ormuz.

O resultado evidencia que os diferentes segmentos de combustíveis renováveis não respondem da mesma forma às crises internacionais. Enquanto determinados biocombustíveis marítimos conseguiram ampliar sua competitividade, outras alternativas continuaram expostas a fortes pressões de preço.

Aviação precisa de carbono muito mais caro para competir com combustível convencional

A análise também destaca uma diferença importante entre os setores marítimo e aéreo no processo de transição energética.

No transporte marítimo, os mecanismos europeus de precificação de carbono contribuíram temporariamente para tornar o biodiesel uma alternativa mais barata, quando considerados os custos regulatórios.

Na aviação, porém, a distância de preços entre o combustível sustentável e o querosene convencional continua maior. Segundo os pesquisadores, seria necessário um preço de carbono próximo de US$ 445 por tonelada de CO₂ equivalente para eliminar essa diferença.

Esse valor corresponde a aproximadamente cinco vezes os níveis de referência vigentes no período analisado pelo estudo.

Os resultados indicam que a combinação entre oscilações nos mercados de energia e políticas de precificação de carbono pode alterar a competitividade dos combustíveis de baixo carbono. No entanto, o impacto varia conforme a tecnologia, os custos de produção e as regras ambientais de cada setor.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: BHP

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Informação

CBS e IBS: Fazenda define metodologia para calcular alíquotas sobre combustíveis

O Ministério da Fazenda e o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) estabeleceram a metodologia que será utilizada para calcular a carga tributária de referência dos combustíveis na definição das futuras alíquotas da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).

A regra servirá de base para a definição das alíquotas da CBS, que entrarão em vigor a partir de 2027, e do IBS, com aplicação prevista a partir de 2029.

A portaria conjunta foi publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira (5 de outubro de 2026). O texto define os critérios de cálculo, mas não estabelece os valores finais das alíquotas.

Como será calculada a carga da CBS

Para a CBS, a metodologia considera uma parcela de tributação direta e outra de tributação indireta.

A carga direta corresponde aos valores atualmente recolhidos por meio de PIS/Pasep, PIS/Pasep-Importação, Cofins e Cofins-Importação nas etapas de produção, importação e comercialização dos combustíveis.

Já a carga indireta leva em conta esses mesmos tributos, além do IPI e do IOF incidente sobre seguros, quando esses impostos recaem sobre insumos, serviços e bens de capital utilizados na cadeia produtiva e não podem ser recuperados posteriormente como crédito.

IBS terá limites progressivos durante a transição

A regulamentação também estabelece limites para a participação do IBS na carga tributária de referência durante o período de transição.

Em 2029, o IBS não poderá superar 10% da soma das cargas direta e indireta de referência. O limite sobe gradualmente para 20% em 2030, 30% em 2031 e 40% em 2032.

A partir de 2033, o percentual máximo passa a ser de 100% da carga tributária de referência.

É importante destacar que esses percentuais representam limites sobre a carga tributária de referência e não significam que os combustíveis serão submetidos a alíquotas nominais de 10%, 20%, 30% ou 40%.

Biocombustíveis terão tributação menor

A portaria prevê um tratamento tributário diferenciado para biocombustíveis e para o hidrogênio de baixa emissão de carbono.

A regra determina que a tributação desses produtos seja inferior à aplicada aos combustíveis fósseis utilizados como referência.

No caso dos biocombustíveis, as alíquotas deverão corresponder a uma faixa entre 40% e 90% da alíquota definida para o combustível fóssil equivalente.

Etanol e biodiesel terão regra específica

Para o etanol anidro e o biodiesel puro destinados à mistura obrigatória aos combustíveis fósseis, a regulamentação estabelece um percentual específico.

Nessas situações, a alíquota do IBS será equivalente a 90% daquela aplicada, respectivamente, à gasolina A e ao diesel A.

A metodologia faz parte do processo de transição para o novo sistema de tributação sobre o consumo, que substituirá gradualmente tributos atuais e estabelecerá a CBS e o IBS como componentes centrais do novo modelo.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Importação

Importações de óleo de soja pela Índia podem atingir recorde em 2025/26

As importações de óleo de soja da Índia devem alcançar um novo recorde na temporada 2025/26. A maior competitividade de preços em relação aos óleos de palma e de girassol deve estimular as compras do produto por consumidores indianos, considerados sensíveis às variações de preços.

Segundo representantes do setor ouvidos pela Reuters, o movimento deve compensar parcialmente a redução nas compras de óleo de girassol, afetadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Ao mesmo tempo, a maior oferta de óleo de soja tende a limitar o avanço das importações de óleo de palma, tradicionalmente o principal produto da pauta indiana de óleos comestíveis.

Índia deve importar 5,7 milhões de toneladas de óleo de soja

As compras indianas de óleo de soja devem crescer 4,2% em relação ao recorde registrado na temporada anterior, chegando a aproximadamente 5,7 milhões de toneladas até o fim do ciclo, em 31 de outubro.

A estimativa é de Aashish Acharya, vice-presidente da Patanjali Foods Ltd., uma das principais empresas importadoras de óleos comestíveis da Índia.

De acordo com Acharya, o óleo de soja permaneceu competitivo durante o ano diante dos preços praticados pelos principais concorrentes.

Óleo de palma e girassol têm comportamentos diferentes

Enquanto as importações de soja avançam, o mercado indiano deve registrar movimentos distintos para outros tipos de óleo vegetal.

As compras de óleo de palma devem aumentar 5,5%, para cerca de 8 milhões de toneladas, após terem atingido no ano passado o menor nível em cinco anos.

Já as importações de óleo de girassol devem recuar 3%, para aproximadamente 2,85 milhões de toneladas. A queda está relacionada principalmente aos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre a oferta do produto.

Preços favorecem óleo de soja

A maior procura pelo óleo de soja também está relacionada ao cenário internacional de oferta e preços. O aumento do consumo de biodiesel na Indonésia reduziu a disponibilidade de óleo de palma no mercado e contribuiu para a elevação de seus preços.

Com oferta mais abundante, o óleo de soja passou a apresentar uma relação de preços mais favorável aos compradores indianos, segundo B.V. Mehta, diretor executivo da Associação de Extratores por Solvente da Índia.

Esse cenário deve contribuir para o aumento das compras externas de óleo vegetal pelo país.

Importações de óleo comestível devem bater recorde

A Índia depende das importações para atender aproximadamente dois terços de sua demanda por óleos vegetais. Entre os principais produtos adquiridos no exterior estão os óleos de palma, soja e girassol, provenientes de países como Malásia, Indonésia, Argentina, Rússia e Ucrânia.

Para 2025/26, as importações totais de óleo comestível da Índia devem crescer 3,6%, atingindo o recorde de 16,55 milhões de toneladas, segundo Mehta.

O avanço ocorre em um contexto de aumento da renda per capita e, consequentemente, da demanda por óleos comestíveis, enquanto a produção doméstica permanece praticamente estagnada.

Óleo de palma perde participação nas compras indianas

Mesmo com a recuperação prevista nas importações de óleo de palma, sua participação no mercado externo indiano deve continuar diminuindo.

Segundo corretores ligados a tradings globais, o óleo de palma deve representar menos de 50% das importações totais de óleos comestíveis da Índia pelo segundo ano consecutivo na temporada 2025/26.

O cenário reforça a crescente importância do óleo de soja no mercado indiano e mostra como as diferenças de preços entre os principais óleos vegetais podem alterar a composição das importações do país.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Compre Rural

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Agronegócio

Coamo investirá R$ 500 milhões para ampliar produção de óleo de soja no Paraná

A Coamo Agroindustrial, maior cooperativa agrícola do Brasil, planeja investir R$ 500 milhões para dobrar a capacidade de produção de óleo de soja de sua unidade em Paranaguá, no Paraná. Com a expansão, a fábrica poderá processar até 5 mil toneladas de soja por dia.

O projeto faz parte de um amplo ciclo de investimentos da Coamo, que inclui novos empreendimentos industriais, logísticos e portuários. Entre os maiores está a construção de um terminal portuário em Itapoá, em Santa Catarina, com investimento previsto de R$ 3 bilhões.

Fábrica de óleo terá expansão em duas etapas

Os investimentos na unidade de Paranaguá já começaram. Cerca de R$ 200 milhões serão aplicados ainda neste ano para elevar a capacidade diária da fábrica de 2 mil para 2,5 mil toneladas.

A segunda etapa prevê mais R$ 300 milhões e levará a capacidade total para 5 mil toneladas por dia. A proposta deverá ser submetida à assembleia anual da cooperativa, prevista para fevereiro de 2027.

O presidente executivo da Coamo, Airton Galinari, demonstra expectativa de aprovação do projeto. Por isso, segundo ele, as obras atualmente em andamento já consideram a possibilidade de uma futura duplicação da capacidade industrial.

A expansão efetiva da fábrica deverá começar no fim de 2027, após a conclusão da nova usina de biodiesel da cooperativa em Paranaguá. O empreendimento terá investimento estimado em R$ 400 milhões e ficará no terminal privado da Coamo.

Coamo também prepara novos investimentos no porto

O aumento da produção de óleo e derivados de soja exigirá melhorias na estrutura logística. A cooperativa pretende construir duas linhas para exportação de farelo de soja no Porto de Paranaguá, além de ampliar a capacidade de armazenagem.

Ainda não há um orçamento definido para essas obras. A expectativa de Galinari é que os investimentos previstos para a estrutura portuária e industrial estejam em operação até o fim de 2029.

Em paralelo, a Coamo renovou por mais 25 anos o arrendamento de uma área pertencente à União no porto paranaense. O acordo prevê R$ 100 milhões em investimentos, com aplicação dos recursos estimada para os próximos dois anos.

Estratégia busca aumentar a industrialização da soja

Os projetos integram a estratégia da Coamo de ampliar a verticalização da produção agrícola e agregar mais valor aos produtos entregues pelos cooperados.

Segundo Galinari, atualmente a cooperativa industrializa aproximadamente metade da soja recebida dos produtores. O cenário, portanto, abre espaço para ampliar a participação da agroindústria dentro das operações da companhia.

A expansão também acompanha o crescimento territorial da cooperativa. Neste ano, a Coamo avançou em três unidades de Mato Grosso do Sul e, no ano passado, ampliou sua presença em uma unidade no Paraná.

Desde janeiro, a cooperativa também adquiriu outras 15 unidades no chamado Norte Velho, incluindo a região de Londrina, onde ainda não atuava, além dos Campos Gerais. A expectativa é que essas operações aumentem o volume de grãos recebido pela empresa.

Compra de armazéns amplia capacidade de armazenagem

Entre os negócios recentes da Coamo está a aquisição de quatro instalações do fundo Pátria que eram utilizadas pela Belagrícola. O acordo, avaliado em R$ 136 milhões, foi anunciado no início de 2026.

Os ativos incluem armazéns para grãos em Sabáudia, Assaí, Bela Vista do Paraíso e Cambé, no Paraná, além de estruturas destinadas ao armazenamento de insumos agrícolas.

A Belagrícola, distribuidora de insumos controlada pelo grupo chinês Pengdu, colocou parte de suas unidades à venda dentro de um processo de recuperação extrajudicial. A empresa possui dívidas estimadas em R$ 3,2 bilhões.

Juros altos aumentam oportunidades de aquisição

De acordo com Galinari, a Coamo recebe praticamente todos os dias propostas relacionadas à aquisição ou investimento em estruturas de outras empresas, principalmente companhias que enfrentam dificuldades financeiras.

O executivo atribui parte desse movimento ao cenário de juros elevados, que aumentou a pressão financeira sobre diferentes empresas. Segundo ele, a cooperativa continuará avaliando oportunidades que tenham aderência à sua estratégia.

Apesar do interesse em ampliar a presença no mercado, existem limitações para a expansão, entre elas a disponibilidade de mão de obra necessária para operar eventuais novas unidades.

Faturamento deve superar R$ 30 bilhões

Depois de uma safra considerada positiva e diante da recuperação dos preços das commodities agrícolas, a Coamo estima crescimento de aproximadamente 10% no faturamento deste ano.

Com o avanço, a receita deve superar R$ 30 bilhões, estabelecendo um novo recorde para a cooperativa.

Para a safra 2026/27, as perspectivas também são consideradas positivas pela direção da Coamo. Segundo Galinari, em períodos marcados pelo fenômeno climático El Niño, as regiões onde a cooperativa atua costumam apresentar boas condições para a produção de grãos.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Globo Rural

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Notícias

ANP quer usar notas fiscais eletrônicas para fiscalizar mistura de biodiesel

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pretende ampliar e tornar mais rápida a fiscalização da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel. A diretoria da agência aprovou nesta sexta-feira (21) a realização de consulta e audiência públicas para alterar as regras do setor.

A proposta permitirá que a ANP tenha acesso diário às notas fiscais eletrônicas referentes às operações com biodiesel e diesel. A medida busca dar à autarquia uma visão mais atualizada das movimentações do mercado e facilitar a identificação de possíveis irregularidades.

Fiscalização da mistura de biodiesel será mais ágil

De acordo com a ANP, os arquivos eletrônicos das notas fiscais de biodiesel, diesel A e diesel B possibilitarão o acompanhamento contínuo das operações realizadas no mercado.

Com informações disponíveis em intervalos menores, a agência poderá detectar com maior rapidez eventuais casos de descumprimento da mistura obrigatória de biodiesel pelas distribuidoras.

Modelo atual depende de informações mensais

Atualmente, a fiscalização da mistura é baseada principalmente em dados informados mensalmente pelos agentes do mercado por meio do Sistema de Informações de Movimentação de Produtos (i-SIMP).

Segundo a ANP, como essas informações são encaminhadas somente no mês seguinte às operações, o formato atual limita a capacidade de resposta imediata da agência diante de possíveis irregularidades.

A mudança proposta pretende adequar o sistema de controle às novas exigências previstas na legislação, permitindo que a fiscalização seja realizada de maneira mais próxima ao momento em que as operações acontecem.

Consulta pública terá duração de 45 dias

A consulta pública da ANP ficará disponível por 45 dias. Durante esse período, agentes do setor e demais interessados poderão apresentar contribuições à proposta de alteração das regras.

O aprimoramento da fiscalização ocorre em um cenário de preocupação do governo e do mercado com possíveis fraudes na mistura de biodiesel. Além de reduzir a demanda pelo biocombustível, essas práticas podem provocar distorções competitivas e favorecer a concorrência desleal entre distribuidoras.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Investing News

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Importação

Indústria de biodiesel celebra veto à importação e destaca fortalecimento da produção nacional

A decisão do governo federal de impedir a importação de biodiesel destinado à mistura obrigatória com o diesel comercializado no país foi recebida com entusiasmo pelo setor. Para representantes da indústria, a medida demonstra confiança na capacidade da produção nacional e fortalece a cadeia de biocombustíveis.

A resolução foi aprovada nesta terça-feira (14) pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Com a nova regra, apenas o biodiesel fabricado por usinas autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) poderá ser utilizado na composição obrigatória do combustível vendido no mercado brasileiro.

Setor vê medida como avanço para a política de biocombustíveis

Na avaliação da AliançaBiodiesel, a decisão representa um passo importante para consolidar a política nacional de biocombustíveis. A entidade afirma que o veto reconhece a capacidade da indústria instalada no país e proporciona maior previsibilidade para toda a cadeia produtiva.

Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que o parque industrial brasileiro opera atualmente com cerca de 40% da capacidade instalada, o que demonstra potencial para ampliar a produção e atender plenamente à demanda interna.

Entidades afirmam que país tem estrutura para suprir o mercado

O presidente da Aprobio e integrante da AliançaBiodiesel, Jerônimo Goergen, afirmou que o Brasil possui infraestrutura, tecnologia e disponibilidade de matéria-prima suficientes para abastecer o mercado nacional sem depender de importações.

Segundo ele, a decisão também contribui para proteger investimentos, incentivar a expansão da produção e reforçar a segurança energética do país. Goergen ressaltou ainda que substituir a produção nacional por combustível importado enfraqueceria uma cadeia produtiva construída ao longo dos últimos anos e reconhecida internacionalmente pela qualidade e sustentabilidade.

Decisão pode estimular investimentos e inovação

Para o presidente da Abiove, André Nassar, também integrante da AliançaBiodiesel, a resolução do CNPE sinaliza que o governo considera a produção brasileira de biodiesel estratégica para a política energética nacional.

De acordo com o executivo, a medida cria um ambiente mais favorável para novos investimentos, expansão da capacidade produtiva e desenvolvimento de tecnologias voltadas ao setor. Na avaliação de Nassar, esse cenário fortalece a agroindústria brasileira e amplia o protagonismo do país na transição energética global.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Agricultura

Esmagamento de soja em Mato Grosso bate recorde histórico em maio

O setor de esmagamento de soja em Mato Grosso atingiu um novo marco em maio de 2026. As indústrias do estado processaram 1,28 milhão de toneladas da oleaginosa, estabelecendo o maior volume mensal da série histórica.

O resultado representa um avanço de 6,98% em relação a abril e um crescimento de 3,22% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impulsionado pelo aumento da utilização da capacidade das plantas industriais e pelo aquecimento da demanda por derivados da soja.

Exportações de óleo de soja ajudam a impulsionar o setor

De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), um dos principais fatores para o recorde foi a forte procura internacional por óleo de soja.

Somente em maio, Mato Grosso exportou 21,69 mil toneladas do produto, volume 41,80% superior ao registrado em abril. O crescimento das vendas externas contribuiu diretamente para elevar o ritmo de processamento da matéria-prima no estado.

Além disso, a expansão do mercado de biodiesel no Brasil também teve papel importante no aumento da demanda pelos derivados da soja, fortalecendo a atividade industrial.

Margens da indústria recuam mesmo com desempenho recorde

Apesar do volume histórico processado, a rentabilidade das indústrias enfrentou pressão ao longo do mês.

Segundo o Imea, a valorização de 1,18% no preço da soja em grão em maio, somada à queda nas cotações dos coprodutos gerados durante o esmagamento, reduziu as margens operacionais do setor.

Com esse cenário, a margem bruta de esmagamento registrou retração de 7,82% em relação ao mês anterior, encerrando maio com média de R$ 639,84 por tonelada processada.

Perspectivas para o mercado

O avanço das exportações de óleo de soja e o crescimento contínuo da indústria de biodiesel seguem como fatores que podem sustentar níveis elevados de processamento nos próximos meses. No entanto, a evolução dos preços da matéria-prima e dos coprodutos continuará sendo determinante para a rentabilidade das indústrias mato-grossenses.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Exportação

Exportações de Mato Grosso em maio: soja perde ritmo, enquanto milho e algodão batem recordes

As exportações de Mato Grosso apresentaram movimentos distintos em maio de 2026. Enquanto a soja registrou desaceleração nos embarques, impulsionada pela menor demanda chinesa, o milho e o algodão alcançaram resultados expressivos e renovaram marcas históricas. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e foram analisados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O cenário reforça a relevância do estado no comércio exterior brasileiro, especialmente no escoamento de commodities agrícolas.

Menor demanda da China reduz embarques de soja

Mato Grosso exportou 4,55 milhões de toneladas de soja em maio, volume 14,95% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. O principal fator para a retração foi a redução das compras pela China, principal destino da oleaginosa produzida no estado.

No quinto mês de 2026, os chineses adquiriram 2,79 milhões de toneladas, uma queda de 22,74% na comparação anual.

Além do enfraquecimento da demanda externa, parte da produção permaneceu no mercado interno. O aumento do processamento da soja para obtenção de óleo, utilizado na fabricação de biodiesel, contribuiu para absorver uma parcela maior da oferta disponível.

Apesar da redução pontual em maio, o desempenho acumulado entre janeiro e maio segue robusto. No período, Mato Grosso embarcou 19,85 milhões de toneladas, o maior volume exportado para os cinco primeiros meses do ano nos últimos cinco anos.

Segundo o Imea, oscilações no fluxo de exportação são comuns durante o intervalo entre safras. Para 2026, a estimativa é de que o estado exporte 32,11 milhões de toneladas de soja, número que representa crescimento de 0,31% em relação ao volume registrado em 2025.

Exportações de milho superam resultado da safra anterior

O milho também teve participação relevante no comércio exterior brasileiro em maio. O Brasil exportou 249,31 mil toneladas do cereal, volume inferior ao registrado em abril, mas significativamente superior ao observado no mesmo mês do ano passado.

Mato Grosso respondeu por quase metade dos embarques nacionais ao exportar 121,03 mil toneladas. O resultado corresponde ao quinto maior volume já registrado para meses de maio na série histórica estadual.

Na comparação com a divulgação anterior, os embarques cresceram 207,36%. Já no acumulado da safra 2024/25, o estado alcançou 24,03 milhões de toneladas exportadas, superando em 1,68% todo o volume embarcado durante a safra 2023/24.

Com os números atuais, a temporada ocupa a terceira posição entre os maiores volumes de exportação de milho já registrados em Mato Grosso.

Algodão alcança melhor resultado da história para maio

O destaque do mês ficou com o algodão, que atingiu um novo recorde para o período. Mato Grosso embarcou 194,42 mil toneladas da pluma, respondendo por 66,77% de todas as exportações brasileiras do produto em maio.

Entre os principais compradores, Bangladesh liderou as aquisições com 45 mil toneladas, seguido pelo Paquistão, que importou 35,83 mil toneladas.

A China, embora tenha reduzido o ritmo de compras nos últimos meses e perdido a liderança mensal, continua sendo o principal destino do algodão mato-grossense na temporada atual. Entre agosto de 2025 e maio de 2026, o país asiático recebeu 381,15 mil toneladas, enquanto Bangladesh acumulou 326,31 mil toneladas.

Temporada do algodão caminha para novo recorde

No acumulado da temporada, Mato Grosso já exportou 1,82 milhão de toneladas de algodão, renovando o recorde do período pelo segundo ano consecutivo.

As projeções do Imea indicam que os embarques entre agosto de 2025 e julho de 2026 deverão alcançar 2,08 milhões de toneladas, consolidando mais uma safra histórica para a cadeia produtiva da fibra no estado.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

COFCO investe mais de R$ 2 bilhões para ampliar complexo de soja em Rondonópolis

A multinacional chinesa COFCO anunciou um investimento superior a R$ 2 bilhões para expandir sua unidade industrial em Rondonópolis, um dos principais polos do agronegócio brasileiro. O objetivo é transformar a planta no maior complexo de esmagamento de soja do Brasil.

A confirmação do projeto foi feita pela prefeitura do município, e a previsão é que as obras sejam concluídas no início de 2028.

Capacidade de processamento será ampliada

Atualmente, a unidade possui capacidade para processar cerca de 4,5 mil toneladas de soja por dia. Com a expansão, esse volume deve mais que dobrar, alcançando aproximadamente 10 mil toneladas diárias.

A planta é responsável pela produção de farelo de soja, óleo de soja e biodiesel, itens estratégicos tanto para o mercado interno quanto para exportação.

Logística integrada fortalece operação

A ampliação será realizada em uma área já pertencente à empresa, próxima a um terminal ferroviário. A localização é considerada estratégica para otimizar o escoamento da produção agrícola, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade no mercado global.

Rondonópolis reforça posição no agronegócio

Conhecida como “Capital do Agro”, Rondonópolis se destaca como um dos principais centros de produção e industrialização de soja no país. O município possui a segunda maior economia do estado de Mato Grosso e desempenha papel relevante na cadeia logística do setor.

Apesar do protagonismo, o título oficial de “Capital Nacional do Agronegócio” é atribuído a Sorriso, reconhecida como a maior produtora de soja do Brasil.

Investimento reforça protagonismo do Brasil

O aporte da COFCO evidencia a importância do Brasil no cenário global de produção de soja e reforça o interesse de grandes players internacionais no desenvolvimento da cadeia agroindustrial do país.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cofco

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Internacional

Guerra no Oriente Médio impulsiona preços da soja e do açúcar no Brasil

O conflito no Oriente Médio foi o principal fator por trás da alta de diversas commodities agrícolas em março. O aumento do preço do petróleo elevou o valor do óleo de soja em mais de 13% na Bolsa de Chicago, puxando junto os preços da soja. O aumento do petróleo também impactou o açúcar e o algodão na Bolsa de Nova York.

Quando o preço do petróleo sobe, a demanda por óleo de soja cresce, já que ele é usado na produção de biodiesel, uma alternativa renovável ao diesel fóssil. Segundo dados do Valor Data, a soja encerrou março em alta de 4,2%, com o contrato mais líquido atingindo US$ 11,85 por bushel.

Marcela Marini, analista sênior de grãos do Rabobank, explica que, sem o impacto geopolítico, os preços da soja poderiam ter caído, já que o Brasil colhe uma safra recorde e a demanda chinesa não cresce na mesma proporção.

Trigo registra maior valorização

O trigo foi a commodity que mais subiu em Chicago, com alta de 8,5% e preço médio de US$ 6,02 por bushel. Segundo Élcio Bento, analista da Safras & Mercado, a expectativa de redução da área plantada nos EUA foi determinante para o aumento.

Os produtores americanos devem plantar 17,6 milhões de hectares na safra 2026-27, a menor desde 1919. Em 2025, a área total foi de 18,33 milhões de hectares.

O conflito no Oriente Médio também afetou o trigo, após o grupo Houthi, do Iêmen, declarar apoio ao Irã e ameaçar interromper fluxos pelo Canal de Suez. “Isso aumenta os custos logísticos para trigo vindo da Europa, Rússia e Ucrânia, beneficiando outros produtores como Argentina, Austrália e EUA”, destacou Bento.

Milho e algodão também registram alta

O milho subiu 5,7% em Chicago, alcançando US$ 4,64 por bushel, impulsionado pela forte demanda americana e pelo uso crescente em biocombustíveis, conforme explica Marcela Marini.

O algodão acompanhou a tendência do petróleo, com alta de 6% em março, para 68,29 cents por libra-peso. O aumento no preço do petróleo eleva o custo de tecidos sintéticos, fortalecendo a demanda por fibras naturais, como o algodão.

Açúcar se beneficia de bioenergia

Em Nova York, o açúcar teve alta de 8,1%, cotado a 14,93 cents por libra. A valorização do petróleo aumenta a competitividade do etanol em relação à gasolina, incentivando usinas brasileiras a direcionarem mais cana para bioenergia, reduzindo a oferta global de açúcar.

Segundo Marcelo Filho, analista de mercado da StoneX, a consolidação do preço do petróleo acima de US$ 100 torna o etanol mais atrativo e pressiona o açúcar no mercado internacional.

Outras commodities

O suco de laranja congelado subiu 3,4%, para US$ 1,82 por libra, e o café arábica registrou alta de 1,2%, a US$ 2,94 por libra. Entre as commodities suaves, apenas o cacau caiu, recuando 9,9% para US$ 3,26 por tonelada, pressionado por oferta abundante e baixa demanda.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Be8

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