Agronegócio

Sebrae/SC consolida protagonismo no desenvolvimento econômico de Santa Catarina em 2025

O ano de 2025 marcou a consolidação do Sebrae/SC como um dos principais agentes de transformação econômica e social de Santa Catarina. Com atuação estratégica em todas as regiões do estado, a instituição impulsionou a diversidade produtiva, fortaleceu o empreendedorismo e ampliou o acesso à inovação, sempre alinhando crescimento econômico e inclusão social.

Ao longo do período, o Sebrae/SC promoveu uma ampla agenda de ações voltadas à transformação digital, ao fortalecimento das vocações regionais e à criação de um ambiente mais favorável aos pequenos negócios. No cenário nacional, a entidade encerrou o ano como uma das marcas mais valiosas do país, com valor estimado em R$ 33,9 bilhões, resultado que reflete sua relevância institucional e impacto econômico.

Atuação recorde e impacto em todo o estado

Somente em 2025, o Sebrae/SC realizou mais de 1,3 milhão de atendimentos, somou 311 mil horas de consultorias e promoveu mais de 3,6 mil eventos em Santa Catarina. Entre os destaques estão o Startup Summit, reconhecido como o maior evento de inovação e startups da América Latina, e o Delas Summit, que reuniu milhares de mulheres empreendedoras em Florianópolis.

Inovação como estratégia para o desenvolvimento regional

A inovação foi tratada como eixo estruturante das ações. O Programa Cidade Empreendedora ampliou sua presença e alcançou 167 municípios catarinenses, fortalecendo a gestão pública e os ambientes de negócios locais.

Na Grande Florianópolis, iniciativas ligadas à economia azul, gastronomia, turismo e tecnologia impulsionaram o ecossistema empreendedor. Programas de inclusão digital e capacitação em inteligência artificial alcançaram mais de 8,3 mil empreendedores, posicionando Santa Catarina como referência nacional em inovação aplicada.

Além disso, o Sebrae/SC promoveu conexões internacionais com missões empresariais para Argentina, Chile, China e Portugal, ampliando oportunidades de negócios e cooperação global.

Segundo Renato Campos Carvalho, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/SC, “as ações tiveram impacto social relevante e contribuíram para o desenvolvimento territorial, sempre pautadas por valores como ética, cooperação e inovação”.

Inclusão social como pilar do desenvolvimento

A inclusão social esteve no centro das iniciativas. Um levantamento inédito mapeou 143 cooperativas e associações de catadores, o maior já realizado em Santa Catarina. A partir desse diagnóstico, 62 organizações receberam apoio direto para gestão e profissionalização, com destaque para Joinville, onde seis cooperativas passaram a integrar oficialmente a coleta seletiva.

Projetos como a Padaria Artesanal, em Balneário Camboriú, capacitaram pessoas em situação de vulnerabilidade, enquanto o programa Guru para Guri, em Blumenau, levou educação empreendedora a jovens e ao público 60+.

Para o diretor administrativo e financeiro do Sebrae/SC, Anacleto Angelo Ortigara, a presença da instituição é capilar: “Onde há um empreendedor, o Sebrae está presente, oferecendo apoio e soluções”.

Agronegócio ganha eficiência e competitividade

O agronegócio catarinense também recebeu atenção estratégica. No Extremo Oeste, o programa de Encadeamento Produtivo, em parceria com a Cooperoeste, elevou a produtividade e a qualidade na cadeia do leite. Na pecuária de corte, produtores receberam orientação em manejo, nutrição e genética.

Em conjunto com a Epagri, teve início o diagnóstico da ovinocultura regional, enquanto no Oeste o programa Conexões Corporativas, em parceria com a Aurora, atendeu mais de 3 mil propriedades, gerando ganhos expressivos de produtividade e redução de perdas. Já no Meio Oeste, projetos de economia verde avançaram com foco em descarbonização.

Grandes eventos fortalecem inovação e empreendedorismo feminino

O Startup Summit 2025 consolidou Santa Catarina como polo de inovação ao gerar R$ 350 milhões em intenção de investimentos e movimentar cerca de R$ 25 milhões na economia local. O evento reuniu 10 mil participantes presenciais e 24 mil online, com programação intensa e forte compromisso com sustentabilidade.

O Delas Summit, voltado ao empreendedorismo feminino, bateu recorde ao reunir 7,5 mil mulheres presencialmente e outras 10 mil online. O evento reforçou debates sobre acesso ao crédito, tema central do programa Acredita Delas, diante das desigualdades enfrentadas por mulheres empreendedoras.

Inteligência de dados e apoio à tomada de decisão

O Observatório de Negócios ampliou sua atuação com mais de 80 estudos publicados ao longo do ano, oferecendo dados estratégicos para empresários e gestores públicos. Pesquisas como o Retrato do Consumidor auxiliaram empreendedores na identificação de oportunidades e tendências de mercado.

Programas fortalecem startups e microempresas

Iniciativas como o Inova Startups, o Startup Weekend, o Programa Nascer e a Semana do MEI impulsionaram negócios em diferentes estágios. Destaque também para o Programa Lucra Mais, voltado à rentabilidade de micro e pequenas empresas, e para o Startup SC, que registrou aumento médio de 31,9% no faturamento das participantes.

“O empreendedorismo é um caminho concreto para reduzir desigualdades”, destaca Carlos Henrique Ramos Fonseca, diretor-superintendente do Sebrae/SC.

Expansão institucional, reconhecimento e inovação em dados

O Sebrae/SC ampliou sua presença territorial com novas regionais em Caçador e São Miguel do Oeste, fortalecendo o atendimento local. Também promoveu a etapa estadual do Prêmio Sebrae de Jornalismo, que bateu recorde de inscrições e consolidou-se como a maior premiação do segmento no país.

A instituição também foi reconhecida nacionalmente com o Prêmio ABEMD, graças ao projeto Data Persona – EPP, voltado à inteligência de dados e relacionamento com pequenas empresas. Além disso, recebeu destaque no programa Brasil Mais Produtivo pela otimização de processos industriais.

Economia criativa, moda e biodiversidade ganham protagonismo

A economia criativa avançou com o lançamento do Polo de Referência em Moda, em Florianópolis, fortalecendo a competitividade do setor. Já a exposição “Sinta o Sul – Bioma Mata Atlântica” movimentou o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro, no Rio de Janeiro, com destaque para o desempenho de Santa Catarina em vendas e visibilidade.

Gestão de pessoas fortalece resultados

Em 2025, o Sebrae/SC conquistou o selo “Lugares Incríveis para Trabalhar”, reconhecimento da FIA que reforça o compromisso da instituição com um ambiente organizacional saudável, inclusivo e orientado ao desenvolvimento humano.

Para o diretor técnico Fábio Búrigo Zanuzzi, os resultados refletem a integração entre equipes e regionais: “Avançamos na eficiência, na redução de burocracias e no apoio às vocações regionais”.

FONTE: ND+
TEXTO: Redação
IMAGEM: SEBRAE-SC/ND

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Portos

Moegão da Portos do Paraná atinge 80% de execução e avança para a fase de conclusão

Maior obra pública portuária em andamento no Brasil vai concentrar a descarga ferroviária e interligar 11 terminais no Porto de Paranaguá

As obras do Moegão alcançaram 80,29% de execução, de acordo com as medições técnicas realizadas na primeira quinzena de dezembro. O projeto vai centralizar a recepção de trens carregados com granéis vegetais sólidos nos portos paranaenses e fará a distribuição das cargas para 11 terminais que estarão interligados ao sistema.

O Governo do Estado do Paraná, por meio da Portos do Paraná, está investindo mais de R$ 650 milhões na construção do complexo, utilizando recursos próprios e de financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

Até o momento, foram concluídos 87% da parte civil (estrutura física), 85,24% da mecânica e 57,81% da parte elétrica. Conforme o cronograma, a conclusão está prevista para o começo de fevereiro de 2026.

As equipes também atuam na finalização da instalação dos sistemas de Prevenção e Combate a Incêndio (SPCI) e do Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA). Entre as próximas ações estão a execução da automação do complexo, a realização dos testes de segurança em todos os sistemas e a construção da subestação de energia, que será dedicada ao Moegão.

“O Moegão vai revolucionar a logística ferroviária do Paraná e beneficiar a comunidade. É um financiamento que está sendo custeado 100% pela Portos do Paraná e temos certeza, que trará importantes resultados”, afirma o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Quando entrar em operação, o projeto terá capacidade para receber 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano, atendendo aos terminais do Corredor de Exportação Leste (Corex). Atualmente, cerca de 550 vagões são descarregados diariamente nos terminais de exportação. 

Com a conclusão da obra, esse processo será padronizado em um único ponto de descarga com a movimentação de 900 vagões por dia. Os granéis vegetais seguirão por correias transportadoras até 11 terminais interligados ao sistema e, de lá, para os navios.

“Isso aqui vai ser fenomenal, o Moegão terá condições de movimentar por dia até 68 mil toneladas. É uma grande recepção de produtos. A Portos do Paraná está subindo a régua em termos de movimentação de granéis no modal ferroviário”, enfatizou Diego Weber Rafaeli, gerente de contratos da Tucumann, uma das quatro empresas de engenharia que executam o projeto. As outras três são a TMSA, Zortea e Engeluz.

Além da alta na produtividade, também existirão vantagens no trânsito local. As composições férreas não precisarão mais entrar nos armazéns para descarregar e as manobras deixarão de existir. O número de cruzamentos com interrupções nas vias de acesso à área portuária cairá de 16 para cinco.

Amplo planejamento de expansão 

O Moegão não é uma estrutura isolada. O projeto integra um conjunto de obras e investimentos que estão transformando o Porto de Paranaguá, referência mundial em eficiência operacional.
Em abril deste ano, a Portos do Paraná concluiu a regularização de todas as áreas arrendáveis, por meio de leilões, garantindo segurança jurídica às parcerias público-privadas e viabilizando investimentos expressivos para a modernização e ampliação da infraestrutura portuária. No total, nove leilões já resultaram em R$ 5,7 bilhões em investimentos e mais R$ 1,1 bilhão em outorgas.

Píer em “T”

Os leilões dos PARs 14, 15 e 25 garantirão a construção do Píer em “T”. Do total de R$ 2,2 bilhões que as arrendatárias investirão, R$ 1,2 bilhão será destinado à obra, que contará com quatro novos berços de atracação. Além disso, o Governo do Estado fará um aporte adicional de R$ 1 bilhão.

O novo píer contará com um sistema ultramoderno de esteiras transportadoras, que levarão os produtos dos terminais até os porões dos navios em alta velocidade. O sistema atual movimenta cerca de 3 mil toneladas de soja por hora; com a nova estrutura, esse volume subirá para 8 mil toneladas por hora.

As embarcações também serão maiores que as atuais, permitindo ampliar a movimentação de cargas, reduzir custos operacionais e aumentar a competitividade do Porto.

Canal de acesso

A recepção de navios maiores só será possível graças à concessão do canal de acesso, realizada em 22 de outubro, por meio de leilão na B3, em São Paulo. O consórcio vencedor deverá ampliar a profundidade do canal, possibilitando o aumento do calado — a distância entre o ponto mais profundo do navio e a superfície da água — dos atuais 13,3 metros para 15,5 metros em até cinco anos.
Atualmente, os navios carregam até 78 mil toneladas de grãos ou farelos. Com o novo calado, cada embarcação poderá sair do Paraná levando até 125 mil toneladas. “É um ganho expressivo na competitividade do Porto de Paranaguá”, destaca Garcia.


Com a concessão, o acesso marítimo ao Porto também contará com o VTMIS (Vessel Traffic Management and Information System) — Sistema de Gerenciamento e Informação do Tráfego de Embarcações —, que garante mais segurança à navegação, à vida humana e ao meio ambiente.


A instalação do VTMIS também trará ganhos importantes ao trabalho dos práticos, profissionais responsáveis por conduzir os navios desde a entrada do canal até a atracação, tornando o processo ainda mais ágil e seguro.

FONTE: Portos do Paraná
IMAGEM: Reprodução/Portos do Paraná

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Exportação

Exportações brasileiras de grãos crescem em 2025 e devem superar 177 milhões de toneladas

As exportações brasileiras de grãos devem encerrar 2025 em forte alta, impulsionadas principalmente pela soja e pelo milho. De acordo com dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), elaborados em parceria com a Cargonave, o Brasil deve embarcar entre 176,3 milhões e 177,1 milhões de toneladas somando soja, farelo de soja, milho e trigo. O volume representa um crescimento de aproximadamente 10% em relação a 2024, quando o total foi de 160,6 milhões de toneladas.

Soja lidera crescimento nas exportações

A soja em grão segue como principal destaque da pauta exportadora. A projeção para 2025 é de 109,2 milhões de toneladas, acima das 97,3 milhões registradas no ano anterior. O farelo de soja também apresenta avanço, ainda que mais moderado, passando de 22,84 milhões para 23,30 milhões de toneladas.

O milho ganha força sobretudo no segundo semestre. As exportações devem alcançar entre 41,46 milhões e 42,30 milhões de toneladas, superando as 37,83 milhões de 2024. Já o trigo é o único produto com retração, com estimativa de queda de 2,58 milhões para 2,32 milhões de toneladas.

Milho assume protagonismo no fim do ano

O relatório mais recente da ANEC aponta mudança no ritmo dos embarques na segunda quinzena de dezembro, com maior protagonismo do milho. Para a penúltima semana do ano, a previsão é de 1,66 milhão de toneladas do cereal, acima das 1,23 milhão registradas na semana anterior.

No mesmo período, os embarques de soja recuam de 777,1 mil para 647,7 mil toneladas, enquanto o farelo avança de 358 mil para 484,7 mil toneladas. O trigo, por sua vez, apresenta queda expressiva, passando de 219,3 mil para 90,6 mil toneladas.

Portos do Arco Norte ganham destaque

A distribuição das cargas reforça o papel estratégico dos portos brasileiros. Santos lidera os embarques na semana, com 801,5 mil toneladas de milho e 339,6 mil toneladas de soja. Paranaguá mantém relevância, com 239,7 mil toneladas de soja, 129,5 mil de farelo e 69,8 mil de milho.

No Arco Norte, os volumes de milho chamam atenção: Barcarena concentra 322,5 mil toneladas, Santarém soma 168,3 mil toneladas e São Luís/Itaqui responde por 126,5 mil toneladas.

Dezembro ainda pode ter ajustes nos volumes

Apesar do desempenho positivo, a ANEC destaca que o volume final de milho em dezembro ainda pode sofrer ajustes. A projeção atual indica 6,73 milhões de toneladas, mas o fechamento pode variar entre 5,9 milhões e 6,7 milhões, considerando a média operacional estimada em 6,31 milhões.

Acumulado do ano confirma avanço das exportações

No acumulado de janeiro a novembro, os dados reforçam o crescimento das exportações brasileiras de grãos. A soja sobe de 95,83 milhões para 105,71 milhões de toneladas, enquanto o milho passa de 34,21 milhões para 35,56 milhões. O farelo de soja avança levemente, de 21,04 milhões para 21,41 milhões, e o trigo recua de 2,28 milhões para 1,81 milhão de toneladas.

FONTE: Agro Notícia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agro Notícia

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Agronegócio

Carne premium brasileira ganha espaço no mercado global e fortalece exportações

Maior produtor mundial de carne bovina, o Brasil também vem consolidando sua presença no mercado de carnes premium, impulsionado pela valorização da qualidade, da genética e da padronização produtiva. Em 2025, o segmento operou em um cenário favorável, inclusive no mercado externo, o que sustentou o crescimento das exportações. Para 2026, o principal desafio será manter a oferta de animais diante do aumento recente do abate de fêmeas.

Ainda assim, as perspectivas seguem positivas. A redução do rebanho nos Estados Unidos — outro grande fornecedor global de carne de alta qualidade — abre espaço para que o produto brasileiro avance em mercados estratégicos.

Demanda internacional impulsiona carne premium brasileira

De acordo com Maychel Borges, gerente do programa Certified Angus Beef no Brasil, a escassez global de carne de qualidade favorece diretamente o país. “Os consumidores de carne premium ficaram desabastecidos, e o Brasil é o único país capaz de atender essa demanda com volume e qualidade”, afirma.

Em 2025, cerca de 550 mil animais passaram pelo programa, um crescimento entre 18% e 20% em relação a 2024. Aproximadamente 70% eram fêmeas. Entre os principais destinos estão China, México, Chile, Arábia Saudita, Líbano e Israel. A expectativa é de fortalecimento desse movimento em 2026, já que a recomposição do rebanho norte-americano deve ocorrer apenas a partir de 2027.

Oferta de gado é o principal desafio para 2026

A meta do programa Certified Angus Beef é, no mínimo, repetir o volume de abates de 2025. O maior obstáculo, porém, é a disponibilidade de animais. A queda na venda de sêmen e a redução dos investimentos em tecnologia, motivadas pela pressão sobre o preço da arroba, resultaram em maior envio de fêmeas ao abate.

“Projetamos uma oferta mais restrita de animais em 2026, o que limita um pouco nossas metas”, explica Borges.

Hereford cresce e amplia presença internacional

O Programa Carne Certificada Hereford também registrou avanços. Segundo Felipe Azambuja, gerente do programa, o crescimento está ligado ao trabalho contínuo de comunicação com o consumidor.

O ágio da carne certificada sobre a convencional varia entre 10% e 50%, dependendo do corte. “O consumidor sabe que não terá surpresas: encontra marmoreio, suculência e maciez garantidas pelo processo de certificação”, afirma. Para os pecuaristas, os bônus podem chegar a 10%.

As exportações da carne Hereford atingiram 263 toneladas, alta de 54% em relação ao ano anterior, com destinos como Maldivas, Portugal, México e Itália. Segundo Azambuja, tarifas impostas pelos Estados Unidos a outros países favoreceram o produto brasileiro. “Alguns mercados reduziram compras dos EUA e buscaram alternativas”, explica. Novas aberturas de mercado são esperadas para 2026.

Copa do Mundo e consumo de carne premium

Outro fator que pode estimular a demanda em 2026 é a Copa do Mundo, marcada para ocorrer entre junho e julho. A expectativa é de aumento no consumo de carnes nobres, especialmente para churrascos. “A tendência é de maior consumo de carne premium, especialmente se o Brasil avançar na competição”, destaca Azambuja.

Genética e qualidade transformam cortes bovinos

A evolução genética e o manejo mais eficiente transformaram o perfil da carne bovina brasileira. Hoje, cortes do dianteiro, antes destinados a cozidos, passaram a ganhar espaço nas grelhas.

István Wessel, da Carnes Wessel, lembra que, nos anos 1970, o churrasco se limitava a poucos cortes tradicionais. “Hoje, cortes do dianteiro se tornaram protagonistas graças à melhoria genética, ao abate mais jovem e à alimentação balanceada”, afirma.

Entre os destaques estão flat iron, denver steak e short ribs, que passaram a oferecer maciez e sabor comparáveis aos cortes nobres tradicionais. Em dezembro, as vendas da empresa cresceram cerca de 10% em relação ao mesmo mês de 2024.

O chef parrillero Chico Mancuso, do restaurante Rincon Escondido, confirma a mudança: “A evolução genética trouxe sabor e qualidade a cortes antes subvalorizados”. Já Henrique Freitas, consultor das casas Corrientes 348 e Assador, destaca que o consumidor aprendeu a reconhecer qualidade ao longo dos últimos 15 anos. “Quem experimenta carne premium dificilmente volta atrás”, afirma.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gabriel Reis/Valor

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Agronegócio

Brasil assume liderança global na produção de carne bovina em 2025

O Brasil alcançará um marco histórico em 2025 ao superar os Estados Unidos e assumir a liderança mundial na produção de carne bovina, segundo projeções do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Será a primeira vez, desde o início da série histórica do órgão, em 1960, que os norte-americanos deixam o topo do ranking global.

Produção brasileira supera marca dos EUA

De acordo com as estimativas mais recentes, a produção brasileira deve atingir 12,35 milhões de toneladas equivalentes em carcaça, superando em cerca de 4,5% o volume projetado para os Estados Unidos, que deve fechar o ano com 11,81 milhões de toneladas.

Na terceira posição aparece a China, com previsão de 7,79 milhões de toneladas produzidas em 2025.

Crescimento do Brasil impulsiona mudança histórica

A virada no ranking global está diretamente ligada à expansão da produção nacional. O setor pecuário brasileiro deve registrar crescimento de 4,2% em relação a 2024, quando foram produzidas aproximadamente 11,85 milhões de toneladas.

Enquanto isso, os Estados Unidos enfrentam um cenário oposto, com retração estimada de 3,9% na oferta de carne bovina, fator decisivo para a perda da liderança histórica.

Comparação com anos anteriores

Para efeito de comparação, em 2021 a produção norte-americana ainda superava a brasileira em 30,6%, evidenciando a velocidade da transformação do mercado global de proteína animal e o fortalecimento do agronegócio brasileiro.

Brasil consolida protagonismo no mercado global

O avanço reflete investimentos em produtividade, tecnologia e eficiência da cadeia pecuária, além da forte presença do país no comércio internacional de alimentos. O resultado consolida o Brasil como principal referência mundial na produção de carne bovina.

FONTE: Diário do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Hugo Harada/Gazeta do Povo/Arquivo

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Agronegócio

Safra recorde e caixa apertado: agro de Mato Grosso enfrenta incertezas para 2026

A safra 2024/2025 terminou com números expressivos no campo, mas deixou um cenário de preocupação entre os produtores rurais de Mato Grosso. Apesar das lavouras cheias e do clima favorável, a combinação de preços baixos, juros elevados e crédito restrito comprometeu a rentabilidade e acendeu um alerta para o próximo ciclo agrícola.

O resultado é um setor que produziu bem, mas fechou o ano com margens apertadas, dificuldades financeiras e pouca previsibilidade para 2026.

Boa produção, mas retorno financeiro limitado

Nas principais regiões produtoras, como Jaciara, o desempenho das lavouras de soja, milho e algodão foi positivo do ponto de vista produtivo. No entanto, a rentabilidade ficou abaixo do esperado. Até culturas alternativas, como o arroz, não corresponderam financeiramente.

Segundo o produtor rural Gilson Provenssi, o faturamento obtido mal foi suficiente para cobrir os custos financeiros da safra. A elevação dos juros, sem valorização equivalente das commodities, agravou a situação, especialmente para quem trabalha com áreas arrendadas.

“O que entrou praticamente foi para pagar juros. As commodities não reagiram e isso inviabiliza o fechamento das contas”, relata.

Para manter a atividade, ele precisou vender mais de mil cabeças de gado e reorganizar o planejamento agrícola. Mesmo após plantar 2,1 mil hectares de soja e prever 1,5 mil hectares de milho na segunda safra, ajustes foram inevitáveis.

Janela apertada e mudanças no planejamento

O atraso no plantio da soja reduziu a janela agrícola e comprometeu o calendário das culturas seguintes. A colheita, prevista apenas para fevereiro, forçou a desistência de áreas de algodão e a substituição por milho.

Além disso, parte das áreas antes destinadas ao arroz será convertida para o cultivo de amendoim, alternativa que começa a ganhar espaço no estado por apresentar boa adaptação a áreas mistas.

Cautela no investimento e redução de custos

No médio-norte do estado, em municípios como Nova Mutum, o cenário também é de contenção. A combinação entre seca no início do ciclo, replantios e custos elevados levou produtores a reduzir investimentos e até mesmo deixar áreas sem plantio.

De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, muitos produtores estão optando por diminuir despesas e enxugar estruturas.

“O produtor está sendo obrigado a segurar custos, reduzir mão de obra e investir menos. É uma postura de sobrevivência”, afirma.

Crédito travado e risco financeiro elevado

A situação se agrava com as dificuldades de renegociação de dívidas. O presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, relata que instituições financeiras têm descumprido acordos firmados anteriormente, aumentando a insegurança no campo.

Segundo ele, o produtor assume grande parte do risco, com custos elevados e pouca previsibilidade de retorno, o que torna o ambiente ainda mais frágil.

“A realidade hoje é sobreviver. O produtor está andando no limite, esperando que o mercado reaja para conseguir se reerguer”, destaca.

Incertezas fiscais ampliam preocupação no campo

Além das dificuldades econômicas, o setor acompanha com apreensão a indefinição da política fiscal e os impactos da reforma tributária, prevista para entrar em vigor nos próximos anos.

Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, a combinação de preços pressionados e possível aumento da carga tributária agrava um cenário já delicado.

“O mercado de commodities não sinaliza melhora, e a carga tributária preocupa. A agricultura está descapitalizada e isso exige cautela redobrada”, avalia.

Diante desse contexto, o agro mato-grossense entra em 2026 com produtividade elevada, mas com desafios financeiros que exigem planejamento rigoroso, controle de custos e atenção às mudanças econômicas e fiscais.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

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Portos

Porto de Santos projeta novo recorde anual na movimentação de cargas

O Porto de Santos manteve, em novembro, a trajetória de crescimento registrada ao longo de 2025 e voltou a atingir marcas históricas na movimentação de cargas. No mês, foram movimentadas 16,13 milhões de toneladas, o maior volume já registrado para um novembro. No acumulado do ano, o total chegou a 171,62 milhões de toneladas, outro recorde para o período.

Com esse resultado, faltam apenas 7,4 milhões de toneladas para que o complexo portuário supere o recorde anual de 2024, quando foram movimentadas 179,8 milhões de toneladas. O desempenho reforça a expectativa de que o Porto alcance um novo marco histórico até o encerramento do ano.

Crescimento na movimentação de contêineres

A movimentação de contêineres também apresentou avanço significativo em 2025. Entre janeiro e novembro, o volume acumulado chegou a 5,4 milhões de TEUs, crescimento de 8% na comparação com o ano anterior e novo recorde histórico. O TEU é a unidade padrão equivalente a um contêiner de 20 pés.

Segundo o presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, os números confirmam a necessidade de investimentos estruturais. Ele destaca a ampliação da Poligonal do Porto de Santos, com formalização prevista para janeiro, além da continuidade das melhorias na infraestrutura de acesso, como o aprofundamento do canal e as obras das avenidas perimetrais.

Desempenho de novembro

Na comparação com novembro de 2024, o crescimento total da movimentação foi de 13,9%. Os embarques avançaram de 10,01 milhões para 11,57 milhões de toneladas, alta de 15,6%. Já os desembarques passaram de 4,10 milhões para 4,56 milhões de toneladas, crescimento de 11,1%.

Entre as cargas embarcadas, açúcar, milho e soja superaram 2 milhões de toneladas cada, liderando o desempenho mensal. Nos desembarques, o principal destaque foi o adubo, com volume acima de 1 milhão de toneladas.

No segmento de contêineres, novembro também entrou para a história como o melhor mês já registrado no Porto de Santos, com 489,15 mil TEUs, aumento de 5,3% em relação ao mesmo período de 2024.

Resultado acumulado em 2025

De janeiro a novembro, o Porto de Santos movimentou mais de 171,2 milhões de toneladas, o que representa crescimento de 2,7% em comparação com igual período do ano passado. Os embarques somaram 126,68 milhões de toneladas, alta de 3%, enquanto os desembarques alcançaram 44,95 milhões de toneladas, avanço de 1,8%.

No acumulado do ano, o desempenho dos contêineres consolidou o ritmo de expansão, com 5,4 milhões de TEUs movimentados e crescimento de 8%, reforçando a posição do Porto como o principal hub logístico do país.

Agronegócio impulsiona os resultados

O agronegócio seguiu como o principal motor da movimentação portuária em 2025. As cargas com maior participação no período foram soja em grãos, com 33,83 milhões de toneladas, açúcar, com 22,45 milhões de toneladas, e milho, com 12,65 milhões de toneladas.

Outro destaque foi a celulose, que registrou crescimento de 20,3% no ano, totalizando 8,9 milhões de toneladas movimentadas pelo Porto de Santos.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/APS

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Comércio Internacional

Regras de salvaguarda da UE colocam em risco comércio do Mercosul com tarifas reduzidas

O Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira um conjunto de regras mais rígidas para a aplicação de salvaguardas comerciais contra produtos agropecuários do Mercosul, o que pode comprometer seriamente o acesso de itens do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai ao mercado da União Europeia com benefícios tarifários, caso o acordo entre os blocos entre em vigor.

A decisão ocorre em meio ao aumento da resistência política na Europa à assinatura do tratado, prevista para o próximo sábado, em Foz do Iguaçu (PR). Parlamentares europeus e produtores rurais intensificam a pressão contra o avanço do acordo.

Critérios mais duros para suspensão de preferências tarifárias

O texto aprovado endurece as condições para que a Comissão Europeia suspenda temporariamente as preferências tarifárias concedidas ao Mercosul. Pela nova regra, uma investigação poderá ser aberta se as importações agrícolas do bloco sul-americano crescerem, em média, 5% em volume ao longo de três anos — metade do percentual previsto na proposta original, que era de 10%.

O mesmo gatilho poderá ser acionado caso os preços desses produtos caiam no mercado europeu na mesma proporção. Assim, uma redução de 5% no preço do açúcar importado, por exemplo, já permitiria a abertura de um processo de salvaguarda para proteger produtores locais.

Prazos mais curtos aceleram aplicação das medidas

Além de critérios mais rigorosos, o Parlamento também reduziu os prazos para conclusão das investigações. O período máximo caiu de seis para três meses e, no caso de produtos considerados sensíveis, de quatro para dois meses. A mudança busca acelerar a adoção de restrições às importações.

Reciprocidade amplia exigências ao Mercosul

Outro ponto central das alterações é a inclusão de um mecanismo de reciprocidade regulatória. A medida autoriza a UE a investigar e impor salvaguardas caso os produtos importados do Mercosul não cumpram exigências equivalentes às europeias em áreas como meio ambiente, bem-estar animal, segurança alimentar, saúde pública e proteção trabalhista.

Para eurodeputados, as salvaguardas podem funcionar como uma obrigação para que os países do Mercosul adotem padrões produtivos semelhantes aos da União Europeia. Especialistas, no entanto, avaliam que o conceito de “padrões de produção de alimentos” é amplo e pode ser usado como instrumento para barrar importações por meio de exigências difíceis de cumprir, como limites máximos de resíduos praticamente inexequíveis.

Reação e riscos para o Brasil

Fontes que acompanham as negociações avaliam que as novas regras extrapolam o que está previsto no próprio capítulo de salvaguardas do acordo. Caso entrem em vigor, essas medidas poderão ser contestadas juridicamente pelos países sul-americanos.

Apesar de a iniciativa ser vista como uma tentativa de acomodar resistências internas e viabilizar a assinatura do acordo, o movimento é interpretado como um sinal de desconfiança por parte da Europa. Segundo analistas, é incomum discutir salvaguardas para um tratado que sequer foi ratificado.

Para o setor exportador brasileiro, a aplicação das salvaguardas — especialmente o princípio da reciprocidade — pode limitar significativamente os embarques com tarifas reduzidas. Por outro lado, segmentos sensíveis às importações europeias veem a regra como um possível instrumento de defesa comercial, já que produtores da UE também teriam dificuldade em cumprir normas brasileiras, como o Código Florestal.

Acordo Mercosul-UE sob nova ofensiva política

Além das mudanças nas salvaguardas, cresce no Parlamento Europeu uma articulação para submeter o acordo à análise da Corte de Justiça da União Europeia. Mais de 140 parlamentares defendem a revisão jurídica do tratado, o que pode atrasar sua implementação em até dois anos.

O grupo é formado majoritariamente por deputados de centro-esquerda e ainda não há definição se o pedido será levado a voto. Paralelamente, agricultores europeus convocaram manifestações em Bruxelas para esta quinta-feira, com a expectativa de levar mais de 10 mil tratores às ruas da capital belga, elevando a tensão política em torno do acordo.

FONTE: Brasil Agro
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gustavo Magalhães/MRE

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Exportação

Abertura de 500 mercados internacionais impulsiona exportações da agropecuária brasileira

A abertura de mercados internacionais para produtos agropecuários brasileiros alcançou um marco expressivo entre 2023 e 2025. Nesse período, mais de 500 novos mercados foram habilitados, resultado do trabalho integrado do governo federal, da diplomacia brasileira e da competitividade da produção nacional. A expansão já representa US$ 3,4 bilhões em exportações efetivadas.

O anúncio foi feito durante a inauguração da sede própria da ApexBrasil, em Brasília, evento que também simbolizou o avanço da promoção comercial brasileira no exterior e a ampliação do acesso do país a novos destinos comerciais.

Estratégia integrada de expansão comercial

A política de abertura de mercados para o agronegócio é coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com a ApexBrasil, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços, além de forte articulação com o setor privado.

O foco está na capacidade do Brasil de atender simultaneamente o mercado interno e o mercado externo, mantendo padrões elevados de qualidade, regularidade e escala produtiva. Essa combinação tem sido determinante para ampliar a presença brasileira no comércio global.

Potencial bilionário em mais de 80 países

Segundo estimativas do Mapa, os 500 mercados abertos em mais de 80 países têm potencial para gerar US$ 37,5 bilhões por ano em exportações. Cada país pode absorver diferentes tipos de produtos, o que amplia as oportunidades comerciais.

Entre os principais itens habilitados estão carnes, algodão, frutas e pescados, segmentos que concentram alta demanda internacional e forte competitividade brasileira.

Reconhecimento sanitário fortalece acesso externo

Para o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, a expansão é considerada um feito histórico, sustentado pela boa diplomacia comercial e pela evolução sanitária do país. Ele destacou que, em 2025, o Brasil obteve o reconhecimento internacional como país livre de febre aftosa, após mais de sete décadas de combate à doença.

Esse avanço elevou a confiança internacional nos produtos brasileiros e ampliou o alcance do trabalho dos adidos agrícolas, que passaram de 29 para 40 representantes no exterior, atuando diretamente na prospecção de novos negócios.

Novos mercados devem se converter em negócios contínuos

De acordo com o Mapa, a abertura de mercados é apenas o primeiro passo. A expectativa é que, gradualmente, esses acessos se transformem em relações comerciais duradouras, à medida que compradores internacionais testem e ampliem suas encomendas, consolidando o Brasil como fornecedor confiável e capaz de atender grandes demandas.

Promoção comercial e apoio às empresas brasileiras

Dados da ApexBrasil mostram que, entre 2023 e 2025, foram realizadas mais de 170 ações internacionais em 42 países, com US$ 18 bilhões em negócios projetados e atendimento a mais de três mil empresas brasileiras. No período, ocorreram 19 missões presidenciais e cinco vice-presidenciais.

A agência mantém 52 convênios com setores da economia, dividindo investimentos com entidades privadas para garantir a presença do Brasil em cerca de mil eventos internacionais por ano, estratégia considerada essencial para ampliar a visibilidade dos produtos nacionais.

Criada em 2003, a ApexBrasil registrou, até outubro de 2025, 20.754 empresas apoiadas no ano, sendo 66% micro, pequenas e médias, com prioridade para as regiões Norte e Nordeste, dentro de uma política de descentralização da promoção comercial.

Comércio exterior em ritmo recorde

O vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil deve alcançar recorde histórico de exportações, mesmo em um cenário global de crescimento mais moderado. A projeção é de US$ 345 bilhões em exportações e US$ 629 bilhões na corrente de comércio.

Segundo ele, a abertura ao comércio internacional é fator decisivo para um crescimento econômico sustentável e consistente.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Logística

Hidrovias do Arco Norte impulsionam logística do agronegócio brasileiro

As hidrovias do Arco Norte consolidaram-se como uma das principais rotas logísticas do país, deixando para trás o papel de corredor complementar. Dados da Conab mostram que, entre janeiro e outubro de 2025, foram movimentadas 49,7 milhões de toneladas de soja e milho pelos rios da região.

Conectando o Centro-Oeste aos portos da Amazônia, essa infraestrutura redesenhou o mapa logístico nacional. Segundo o Boletim Logístico (nov/2025), os terminais do Norte foram responsáveis por 37,2% das exportações de soja e 41,3% das exportações de milho realizadas no período.

Região deixa de ser apoio e vira rota estratégica

Os números confirmam a mudança de escala: o Norte se tornou a alternativa mais eficiente para o escoamento da safra, reduzindo distância e custos logísticos em comparação às rotas tradicionais do Sul e Sudeste.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, essa virada representa um avanço estrutural. Ele afirmou que o Arco Norte “deixou de ser promessa para se tornar realidade”, destacando que mais de 40% do milho e mais de um terço da soja do país já deixam o Brasil por esses corredores — resultado direto de maior competitividade, eficiência logística e acesso mais ágil aos mercados internacionais.

Integração multimodal fortalece o sistema de navegação

O Arco Norte opera a partir de uma estrutura multimodal, combinando transporte rodoviário e fluvial. As cargas chegam a polos como Miritituba/Itaituba (PA), Porto Velho (RO) e Caracaraí (RR), onde são transferidas para comboios de barcaças que seguem pelos rios Tapajós, Madeira e Amazonas até portos em Itacoatiara (AM), Santarém (PA) e Barcarena (PA).

Esse arranjo reduz trechos rodoviários longos, encurta o acesso a mercados da Europa e Ásia e eleva a eficiência operacional — o transporte por barcaças pode ser até 50% mais econômico do que o modal rodoviário em percursos extensos.

O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, ressaltou que a previsibilidade dos rios é essencial para manter o sistema funcionando. Segundo ele, contratos de manutenção contínua e de longo prazo substituem a lógica emergencial, garantindo segurança, regularidade e sustentabilidade ao transporte.

Governo investe em infraestrutura, manutenção e modernização da frota

A Secretaria Nacional de Hidrovias concentra esforços em três linhas: manutenção da navegabilidade, expansão da infraestrutura e renovação da frota fluvial.

Contratos plurianuais de dragagem e sinalização nos rios Amazonas e Solimões, já em execução, somam mais de R$ 370 milhões ao longo de cinco anos. Paralelamente, o Fundo da Marinha Mercante tem financiado a construção de centenas de barcaças e dezenas de empurradores. Muitos desses equipamentos estão sendo fabricados em estaleiros do Amazonas, impulsionando empregos e reforçando a indústria naval regional.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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