Comércio Exterior

Acordo Mercosul-EFTA entra em vigor e amplia oportunidades para exportadores brasileiros

O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) começa a ser aplicado pelo Brasil a partir de outubro. A medida foi oficializada após a publicação, no Diário Oficial da União (DOU), do decreto que internaliza o acordo no país.

A aplicação das preferências comerciais terá início em 1º de outubro para Brasil e Islândia. Já a relação entre Brasil e Noruega passa a contar com as condições previstas no acordo em 1º de novembro. Para Suíça e Liechtenstein, a aplicação das tarifas preferenciais ainda depende da conclusão dos procedimentos internos de cada país.

Formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, a EFTA reúne um mercado de aproximadamente 15 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 1,4 trilhão.

O que muda com o Acordo Mercosul-EFTA

Assinado em setembro de 2025, o acordo faz parte da estratégia brasileira de ampliar e diversificar seus parceiros comerciais.

Entre as principais mudanças estão novas condições de acesso para produtos brasileiros aos mercados da EFTA, com redução ou eliminação de tarifas, cotas e outros mecanismos de tratamento preferencial.

Para produtos industriais e pesqueiros, os países da EFTA preveem a eliminação imediata das tarifas de importação com a entrada em vigor do acordo. Já os produtos agropecuários terão diferentes modalidades de abertura, de acordo com o produto e o mercado.

O tratado também estabelece regras em áreas como:

  • regras de origem;
  • facilitação de comércio;
  • comércio de serviços;
  • investimentos;
  • compras governamentais;
  • propriedade intelectual;
  • desenvolvimento sustentável.

A implementação do acordo ocorre de forma bilateral, conforme cada país conclui seus respectivos processos de internalização.

MDIC cria painel para identificar oportunidades

Para facilitar o acesso das empresas às novas condições comerciais, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) disponibilizou um Painel de Dados do Acordo Mercosul-EFTA.

A ferramenta reúne informações sobre o comércio brasileiro com os quatro integrantes da EFTA e permite consultar os impactos previstos com a implementação do acordo.

Os dados podem ser analisados de forma geral ou segmentados por produto, país e unidade da Federação, incluindo informações sobre tarifas atuais e as condições previstas no acordo.

O recurso também permite identificar a distribuição regional das exportações e importações brasileiras e pode auxiliar empresas na busca por novos mercados.

Suíça e Noruega concentram comércio com o Brasil

A Suíça e a Noruega são atualmente os principais parceiros comerciais brasileiros dentro da EFTA. Juntos, os dois países representam 94% das exportações brasileiras destinadas ao bloco e 99% das importações brasileiras provenientes da EFTA.

Entre os estados brasileiros, Pará e Minas Gerais aparecem com destaque nas exportações, enquanto São Paulo lidera as importações.

O painel disponibilizado pelo MDIC cruza os dados de comércio exterior com as informações tarifárias do novo acordo, permitindo identificar produtos que poderão ter melhores condições de acesso aos mercados europeus.

O setor agropecuário está entre os segmentos que podem encontrar novas oportunidades com a redução das barreiras comerciais.

Atualmente, determinados produtos brasileiros enfrentam tarifas elevadas nos mercados da EFTA. Com o acordo, alguns deles terão redução ou eliminação de tarifas, além de possibilidade de acesso por meio de cotas ou regimes agrícolas específicos.

Um dos exemplos apresentados pelo MDIC é o café torrado. Atualmente, o produto está sujeito a tarifas de 10% na Islândia e de 7% na Suíça e em Liechtenstein. Com o acordo, estão previstas reduções tarifárias imediatas para grande parte dos códigos NCM relacionados ao produto.

Outro ponto previsto no acordo envolve a proteção de 63 indicações geográficas brasileiras na Suíça e em Liechtenstein.

A lista contempla produtos de diferentes regiões e setores, incluindo cafés, vinhos, queijos, cachaça, artesanato, pedras, calçados e produtos têxteis.

A proteção das indicações geográficas amplia a segurança para produtos brasileiros que utilizam denominações reconhecidas e vinculadas à sua origem.

MDIC disponibiliza materiais para empresas

Além do painel de dados, o MDIC disponibilizou materiais de apoio para auxiliar empresas e profissionais de comércio exterior na compreensão das novas regras.

Entre os conteúdos estão manuais sobre desgravação tarifária, regras de origem e indicações geográficas.

Os documentos têm como objetivo facilitar a preparação de exportadores e importadores para utilizar as preferências comerciais previstas no acordo.

O Acordo Mercosul-EFTA foi negociado ao longo de 14 rodadas e assinado em 16 de setembro de 2025. Sua implementação ocorre gradualmente, de acordo com a conclusão dos procedimentos internos de cada país participante.

O Painel de Dados do Acordo Mercosul-EFTA permite consultar tarifas, fluxos comerciais e oportunidades por produto e mercado. O MDIC também disponibiliza manuais específicos sobre as regras do tratado e uma página com informações gerais sobre o acordo.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)

Texto: Redação

Imagem: Ilustrativa

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Comércio Internacional

Parlamento suíço aprova acordo comercial entre EFTA e Mercosul

A Câmara Baixa do Parlamento da Suíça aprovou o acordo comercial entre os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e o Mercosul. A decisão ocorreu poucos dias após o aval da Câmara Alta e foi acompanhada da inclusão de medidas de apoio financeiro aos agricultores suíços.

O texto, que havia sido rejeitado inicialmente em junho, avançou após a incorporação de recursos destinados a reduzir os possíveis impactos do tratado sobre o setor agrícola do país.

A aprovação foi viabilizada após os parlamentares incluírem um pacote de assistência de 517 milhões de francos suíços, equivalente a aproximadamente US$ 631 milhões, distribuídos ao longo de seis anos.

A medida busca amenizar os efeitos do acordo sobre os produtores rurais. A agricultura é considerada um tema politicamente sensível na Suíça, e a implementação do tratado poderá ser submetida a referendo, conforme o sistema de democracia direta do país.

Na Câmara Baixa, o acordo recebeu 118 votos a favor e 66 contrários. Outros dez parlamentares se abstiveram. O tratado envolve os Estados-membros da EFTA e os países do Mercosul: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

A Suíça é a maior economia da EFTA, associação que também reúne Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Próximos passos

Apesar da aprovação nas duas casas do Parlamento suíço, a possibilidade de realização de um referendo mantém a questão agrícola e os efeitos do acordo no centro do debate político nacional.

O avanço representa mais uma etapa no processo de aprovação do tratado comercial entre os países europeus da EFTA e o bloco sul-americano.

Fonte: Reuters, com informações de Dave Graham.

Texto: Redação

Imagem: Ilustrativa / Site Acrissul

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Comércio Internacional

Brasil e Índia ampliam diálogo para fortalecer comércio e investimentos

Brasil e Índia deram mais um passo para aprofundar a parceria econômica e comercial entre os dois países. O avanço ocorreu durante a 8ª Reunião do Mecanismo de Monitoramento de Comércio Bilateral Brasil–Índia (TMM), realizada na última sexta-feira (28/08), na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Entre os principais assuntos discutidos estiveram a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial (ACP) MERCOSUL–Índia, abertura de mercados, redução de barreiras comerciais, diversificação das exportações e estímulo a novos investimentos bilaterais.

A delegação brasileira foi liderada pela secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres. Pelo lado indiano, a representação ficou a cargo do secretário de Comércio da Índia, Rajesh Agrawal.

Cooperação entre empresas ganha força

A reunião ocorreu na sequência de uma série de iniciativas voltadas ao fortalecimento das relações entre Brasil e Índia. No início de agosto, o ministro Márcio Elias Rosa esteve em missão oficial na Índia.

Na quinta-feira (27/08), o ministro participou, na ApexBrasil, da assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) com a Confederação das Indústrias Indianas (CII). O acordo pretende ampliar a cooperação comercial e a atuação conjunta de empresas dos dois países.

A iniciativa também busca abrir espaço para a diversificação das exportações brasileiras, estimular a internacionalização de pequenas e médias empresas e favorecer a atração de capital indiano para o Brasil.

Acesso a mercados está entre as prioridades

Durante o encontro do TMM, Brasil e Índia analisaram medidas para melhorar o acesso a mercados e solucionar obstáculos comerciais em setores como produtos agrícolas e calçados.

Também foram avaliadas oportunidades de diversificação da pauta comercial, promoção de investimentos e formação de parcerias estratégicas. Nesse cenário, ganhou destaque a presença da ApexBrasil e da Embraer, que mantêm escritórios em Nova Delhi.

As delegações ainda registraram avanços na utilização dos Certificados Eletrônicos de Origem (eCoOs) e na implementação do Memorando de Entendimento voltado à cooperação em micro, pequenas e médias empresas, empreendedorismo e artesanato, sob coordenação do Ministério do Empreendedorismo.

No âmbito internacional, as conversas também envolveram temas relacionados ao BRICS, G20, Organização Mundial do Comércio (OMC) e à Organização Marítima Internacional (IMO).

Relação comercial ganha ritmo

Para a secretária Tatiana Prazeres, o encontro ocorre em um período de maior aproximação entre os governos e de participação crescente da iniciativa privada.

Segundo ela, desde a reunião anterior, realizada em outubro de 2025, a relação bilateral passou por uma intensificação da agenda de contatos e ampliou a participação empresarial.

A secretária destacou ainda o caráter operacional do mecanismo bilateral, especialmente na identificação de entraves e novas possibilidades para o comércio. Entre os pontos considerados prioritários estão barreiras regulatórias, acesso a mercados, diversificação das exportações, investimentos e a ampliação do acordo comercial entre o MERCOSUL e a Índia.

Prazeres também citou a agenda de alto nível desenvolvida ao longo de agosto. A participação do ministro Márcio Elias Rosa na reunião de ministros de Comércio do BRICS, em Jaipur, o encontro com o ministro indiano Piyush Goyal e o acordo firmado com a CII foram apontados como sinais do esforço para estreitar a relação econômica.

Comércio entre Brasil e Índia cresce

Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Índia movimentou US$ 15,2 bilhões, resultado 25,4% superior ao registrado no ano anterior.

As exportações brasileiras alcançaram US$ 6,86 bilhões, uma alta de 30,2%. Já nos primeiros sete meses de 2026, a corrente de comércio chegou a US$ 10,1 bilhões, crescimento de 32,9%.

No mesmo período, as exportações brasileiras somaram US$ 5,89 bilhões, avanço de 82,1% em comparação com os primeiros sete meses do ano anterior.

Petróleo e minério estão entre os principais produtos

A pauta de exportações do Brasil para a Índia tem participação relevante de petróleo, óleos vegetais, minério de ferro, açúcares e algodão.

Outros segmentos também vêm ampliando sua presença no mercado indiano. Em 2025, 33 produtos tiveram crescimento nas vendas brasileiras, com destaque para produtos hortícolas, matérias plásticas, bombas, centrífugas, compressores de ar, máquinas não elétricas e itens de perfumaria.

Do lado das importações, o Brasil compra da Índia principalmente compostos organo-inorgânicos, medicamentos, agroquímicos, defensivos agrícolas e peças para veículos automotores.

Acordos fortalecem ambiente para investimentos

O relacionamento econômico também conta com instrumentos destinados a dar mais segurança às empresas. O Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI), assinado em 2020, foi aprovado pelo Congresso brasileiro e promulgado em outubro de 2025.

Também foi concluída a etapa brasileira para a entrada em vigor do protocolo que modifica o acordo para evitar a dupla tributação entre os países. No Brasil, as novas regras passaram a ser aplicadas a partir de janeiro de 2026.

Na área de transporte aéreo, o Acordo de Serviços Aéreos (ASA), promulgado em fevereiro de 2025, ampliou a segurança jurídica para as operações entre os dois países e criou condições para o aumento da conectividade aérea entre Brasil e Índia.

Mecanismo bilateral existe desde 2008

Criado em 2008 e posteriormente reforçado pelo Plano de Ação da Parceria Estratégica Brasil–Índia, em 2020, o Mecanismo de Monitoramento de Comércio (TMM) é o principal fórum bilateral dedicado à discussão do comércio de bens e à identificação de oportunidades para ampliar as relações econômicas.

A 7ª reunião do mecanismo ocorreu em outubro de 2025, em Nova Delhi.

A representação brasileira nesta edição reuniu integrantes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), da Assessoria Internacional e da Secretaria de Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços (SDIC) do MDIC. Também participaram representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), do Ministério do Empreendedorismo e da ApexBrasil.

Pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), participaram o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros (SEAF), e integrantes da equipe do ministério.

A delegação indiana foi chefiada por Rajesh Agrawal e incluiu Vimal Anand, secretário adjunto; Monica Gaur, diretora; Samarth Nayar, associado do CTIL; além do embaixador Dinesh Bhatia, da Embaixada da Índia em Brasília, Sandip Kumar Kujur, Murugaraj Dhamodaran e Manoj Kumar.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Agro2

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Exportação

Acordo Mercosul-União Europeia abre novas oportunidades para exportações de Santa Catarina

O acordo entre Mercosul e União Europeia amplia as perspectivas para as exportações de Santa Catarina, que passa a contar com centenas de novas oportunidades de negócios no mercado europeu. Levantamento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) aponta a existência de 805 oportunidades de exportação para empresas catarinenses.

Embora o estado já tenha 761 empresas comercializando produtos com países da União Europeia, especialistas avaliam que os maiores benefícios iniciais devem ser aproveitados por companhias com maior experiência em comércio exterior, já preparadas para atender às exigências técnicas do bloco europeu.

Indústria e agronegócio lideram potencial de crescimento

Entre os setores com maior possibilidade de expansão estão os segmentos da indústria de transformação, especialmente fabricantes de motores elétricos, transformadores, compressores, móveis e produtos de madeira.

No agronegócio, as carnes de frango e suína seguem como os principais destaques da pauta exportadora catarinense.

A redução gradual das tarifas prevista no acordo tende a aumentar a competitividade desses produtos no mercado europeu, colocando as empresas brasileiras em condições semelhantes às de países que já mantinham acordos comerciais com a União Europeia.

Pequenas empresas enfrentam desafios para exportar

Apesar das novas oportunidades, especialistas alertam que o acesso ao mercado europeu pode ser mais complexo para pequenas e médias empresas.

Entre os principais obstáculos estão as rigorosas exigências relacionadas à certificação ambiental, rastreabilidade dos produtos e normas de rotulagem. Além disso, diversos segmentos exigem elevada capacidade produtiva e investimentos significativos para atender aos padrões internacionais.

Nesse cenário, uma alternativa para os pequenos negócios é atuar como fornecedores de insumos, componentes ou serviços para grandes indústrias exportadoras, integrando-se às cadeias produtivas já consolidadas.

Mercado interno também deve sentir os efeitos do acordo

Os impactos do tratado não se restringem às exportações. A abertura comercial também deve ampliar a presença de máquinas, equipamentos e tecnologias europeias no mercado brasileiro.

Com a redução das tarifas de importação, empresas catarinenses poderão encontrar fornecedores europeus mais competitivos, o que tende a reduzir custos de investimento e modernizar parte do parque industrial.

Ao mesmo tempo, fabricantes brasileiros de bens de capital deverão enfrentar uma concorrência mais intensa, exigindo ganhos de produtividade, inovação e eficiência para manter espaço no mercado.

Especialistas apontam desafios para o futuro

Economistas avaliam que o acordo também traz riscos de longo prazo para a economia brasileira caso não seja acompanhado por políticas voltadas ao fortalecimento da indústria.

Entre as principais preocupações está a possibilidade de o país ampliar sua dependência da exportação de produtos primários e de baixo valor agregado, como carnes e madeira, enquanto aumenta a importação de bens tecnológicos produzidos na Europa.

Outro ponto de atenção são as chamadas barreiras não tarifárias, que incluem critérios de sustentabilidade, requisitos ambientais e normas técnicas cada vez mais rigorosas.

Na avaliação de especialistas, ampliar investimentos em inovação, tecnologia e diversificação industrial será fundamental para que Santa Catarina aproveite plenamente as oportunidades criadas pelo acordo comercial e fortaleça sua competitividade internacional.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Comércio Exterior

União Europeia reage com cautela à nova tarifa dos EUA e cobra cumprimento de acordo comercial

A União Europeia recebeu com cautela a decisão dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas sobre importações de dezenas de parceiros comerciais. Para a Comissão Europeia, as medidas anunciadas nesta sexta-feira (24) permanecem em linha com o acordo comercial firmado entre os dois lados no ano passado, preservando compromissos considerados estratégicos para a relação bilateral.

As novas tarifas de 10% e 12,5% atingem produtos de 60 parceiros comerciais, entre eles a União Europeia e a China. Segundo o governo norte-americano, a medida busca pressionar países que, na avaliação de Washington, não adotam mecanismos suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Bloco europeu mantém benefícios tarifários

Apesar da nova política comercial dos Estados Unidos, a União Europeia integra um grupo restrito de parceiros cujas tarifas adicionais não serão acumuladas com as alíquotas alfandegárias já existentes para países classificados como “nação mais favorecida”.

Além disso, o governo norte-americano manteve ou restabeleceu isenções para diversos produtos europeus. Entre os itens beneficiados estão cortiça, diamantes, além de aeronaves, peças aeronáuticas, medicamentos genéricos e ingredientes farmacêuticos ativos.

Em nota, a Comissão Europeia afirmou que o resultado está alinhado aos compromissos assumidos pelos Estados Unidos na Declaração Conjunta firmada entre as duas partes, avaliando que a decisão cria um ambiente favorável para ampliar as negociações em busca de novas isenções tarifárias e maior cooperação comercial.

Bruxelas espera continuidade do acordo

O bloco europeu também reforçou a expectativa de que Washington cumpra integralmente os termos do entendimento firmado em julho do ano passado durante encontro realizado em Turnberry, na Escócia.

Pelo acordo, a União Europeia se comprometeu a eliminar tarifas de importação sobre produtos industriais norte-americanos, enquanto os Estados Unidos passaram a aplicar uma tarifa de 15% sobre a maior parte das mercadorias europeias.

Para a Comissão Europeia, a manutenção desse compromisso é considerada fundamental para garantir maior previsibilidade e estabilidade nas relações comerciais entre os dois mercados.

UE rejeita acusações sobre trabalho forçado

As autoridades europeias também voltaram a contestar a justificativa apresentada pelos Estados Unidos para endurecer as regras comerciais.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que as alegações de falhas no combate ao trabalho forçado não refletem a realidade do bloco.

Durante participação nas reuniões da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), em Manila, Kallas destacou que a legislação trabalhista europeia garante elevados padrões de proteção aos trabalhadores, incluindo férias remuneradas e condições de trabalho consideradas avançadas.

Segundo a diplomata, a justificativa utilizada por Washington não encontra respaldo nas normas adotadas pelos países que integram a União Europeia.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Yves Herman

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Comércio Internacional

EUA e México avançam em negociações comerciais enquanto Trump amplia tarifas contra o Canadá

Os governos dos Estados Unidos e do México iniciam nesta terça-feira (21) a terceira rodada de negociações bilaterais para revisar o USMCA, acordo que rege o comércio na América do Norte. As conversas acontecem em meio ao aumento das tensões comerciais após o presidente Donald Trump anunciar novas tarifas sobre produtos canadenses.

O encontro, que terá duração de três dias, ocorre sem a participação do Canadá e marca a primeira discussão formal sobre mudanças no tratado desde que o governo norte-americano decidiu não renovar automaticamente o acordo em 1º de julho.

Revisão do USMCA entra em fase decisiva

A decisão de Washington abriu o processo que pode levar ao encerramento do USMCA dentro de dez anos, caso Estados Unidos, México e Canadá não cheguem a um entendimento sobre a atualização do tratado.

Representantes de diversos setores econômicos defendem a manutenção da estrutura trilateral do acordo, considerada essencial para preservar um fluxo comercial anual de aproximadamente US$ 1,6 trilhão, sustentado por regras que reduzem barreiras tarifárias entre os três países.

México busca novo acordo até o fim do ano

O novo embaixador do México nos Estados Unidos, Roberto Lazzeri, afirmou que o governo mexicano trabalha para concluir um novo entendimento ainda este ano e acredita que Canadá e Estados Unidos compartilham do mesmo objetivo.

Segundo o diplomata, a demora nas negociações pode reduzir a competitividade da região, afetando investimentos e participação de mercado. Para ele, acelerar as tratativas interessa aos três parceiros comerciais.

Tarifas continuam sendo principal obstáculo

Entre as prioridades do governo mexicano está a redução das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos com base em argumentos de segurança nacional. Atualmente, produtos como automóveis fabricados no México enfrentam sobretaxas de 25%, enquanto aço e alumínio são taxados em 50% — medidas que também atingem exportações canadenses.

Ao mesmo tempo, o México afirma compartilhar da estratégia norte-americana de fortalecer a produção industrial na América do Norte, ampliando a capacidade manufatureira da região.

Novas tarifas ampliam tensão entre EUA e Canadá

As negociações entre Washington e Cidade do México acontecem um dia após o governo Trump anunciar novas tarifas sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos importados do Canadá.

A medida foi apresentada como resposta às tarifas retaliatórias impostas por Ottawa sobre automóveis, aço, alumínio, bebidas alcoólicas e às barreiras aplicadas ao setor de laticínios dos Estados Unidos.

O novo pacote aprofunda o distanciamento entre os governos norte-americano e canadense durante o processo de revisão do acordo comercial da América do Norte.

Canadá cobra solução para impasse

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, informou que seu governo apresentou propostas para solucionar os conflitos comerciais com Washington. Segundo ele, as tarifas adotadas anteriormente pelos Estados Unidos violam os compromissos previstos no USMCA.

Já o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que houve poucos avanços nas negociações com o Canadá, mas elogiou a postura do México por não adotar medidas retaliatórias.

Greer também destacou a cooperação mexicana em temas como o alinhamento de controles de exportação, a proteção da propriedade intelectual e ações para impedir a exportação de abacates produzidos em áreas desmatadas ilegalmente.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Secretaria de Economia do México/AFP

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Internacional

USMCA: governo Trump muda estratégia e prevê negociações anuais do acordo comercial

O governo do presidente Donald Trump decidiu alterar a forma de revisão do USMCA, acordo comercial que reúne Estados Unidos, México e Canadá. Em vez de seguir o modelo de renovação automática previsto no tratado, a Casa Branca pretende adotar negociações anuais, aumentando a pressão sobre seus principais parceiros comerciais.

O anúncio foi feito pelo representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e indica uma mudança na política comercial americana. Embora o acordo permaneça em vigor, a nova estratégia amplia a incerteza para empresas que dependem das cadeias produtivas integradas da América do Norte.

Nova política amplia poder de negociação dos Estados Unidos

O USMCA entrou em vigor em 2020 para substituir o antigo Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), após uma renegociação conduzida por Donald Trump durante seu primeiro mandato.

Na ocasião, o presidente classificou o tratado como um dos mais importantes já firmados pelos Estados Unidos. Agora, a administração americana pretende utilizar as revisões periódicas como instrumento permanente para renegociar regras comerciais e buscar novas concessões de México e Canadá.

Na prática, temas como tarifas, regras de origem, cadeias de suprimentos e exigências de conteúdo regional poderão ser discutidos todos os anos, afetando setores estratégicos como a indústria automobilística, agricultura e energia.

Empresas podem adiar investimentos

A mudança reduz a previsibilidade para empresas que organizaram sua produção de forma integrada entre os três países.

Especialistas avaliam que a possibilidade de alterações frequentes nas regras comerciais pode levar companhias a postergar investimentos até que haja maior clareza sobre tarifas, exigências regulatórias e acesso aos mercados.

A estabilidade proporcionada pelo tratado vinha sendo considerada um dos principais fatores para estimular novos projetos industriais na região.

Bloco comercial movimenta mais de US$ 1,6 trilhão

O impacto da decisão alcança um dos maiores blocos econômicos do mundo.

Juntos, Estados Unidos, México e Canadá respondem por cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) global. Em 2024, o comércio entre os três países superou US$ 1,6 trilhão, crescimento significativo em relação aos aproximadamente US$ 1 trilhão registrados em 2020.

A integração econômica consolidou cadeias produtivas compartilhadas, nas quais um mesmo produto é fabricado em diferentes etapas nos três países. Um veículo produzido nos Estados Unidos, por exemplo, pode utilizar motores fabricados no México e componentes eletrônicos desenvolvidos no Canadá.

Casa Branca endurece postura com parceiros comerciais

A adoção de negociações anuais reforça uma característica recorrente da política comercial de Donald Trump: utilizar possíveis mudanças tarifárias como ferramenta de negociação.

Segundo o governo americano, o atual formato do USMCA limita a capacidade dos Estados Unidos de aplicar tarifas e não foi suficiente para reduzir os déficits comerciais com seus vizinhos.

Enquanto mantém diálogo com o governo mexicano, Washington passou a adotar uma postura mais rígida em relação ao Canadá. Trump tem criticado a estratégia do primeiro-ministro Mark Carney de ampliar relações comerciais com outros mercados e reduzir a dependência da economia americana.

Neste ano, o presidente norte-americano chegou a ameaçar impor tarifas de até 100% sobre produtos canadenses caso Ottawa aprofundasse sua cooperação econômica com a China.

China ganha protagonismo nas negociações

Embora o tratado envolva apenas os três países norte-americanos, a China tornou-se um dos principais fatores que influenciam as discussões.

O crescimento dos investimentos chineses na região e a expansão de montadoras do país aumentaram as preocupações de Washington com o chamado transshipment, prática em que componentes produzidos na China entram nos Estados Unidos por meio de terceiros países para contornar restrições comerciais.

Diante desse cenário, o governo americano pretende endurecer as regras de origem dos veículos e ampliar a exigência de componentes fabricados na própria América do Norte.

Além disso, a Casa Branca busca maior alinhamento de México e Canadá em relação aos investimentos chineses considerados estratégicos para a segurança nacional.

Setor privado demonstra preocupação

Representantes da iniciativa privada receberam a mudança com cautela.

Entidades empresariais como a Câmara de Comércio dos Estados Unidos e a Business Roundtable defendem a preservação do acordo e alertam que alterações frequentes nas regras podem reduzir a confiança dos investidores.

A preocupação é que empresas deixem de anunciar novos projetos enquanto aguardam definições sobre o futuro das relações comerciais entre os três países.

Em maio, associações ligadas à indústria automobilística solicitaram ao governo americano a manutenção do tratado. No mês seguinte, dezenas de representantes do setor estiveram no Capitólio defendendo uma revisão rápida e previsível do acordo.

O que muda para o futuro do USMCA

Apesar da nova estratégia anunciada pela Casa Branca, o USMCA continua em vigor.

Pelas regras atuais, Estados Unidos, México e Canadá têm até 2036 para alcançar um entendimento durante o processo de revisão previsto pelo tratado. Caso não haja consenso até esse prazo, o acordo poderá perder sua validade.

Com a decisão do governo Trump, no entanto, o cenário passa a ser de negociações contínuas. A estratégia sinaliza que Washington pretende utilizar o acesso ao mercado americano como instrumento permanente de negociação, tanto nas relações com seus vizinhos quanto na disputa econômica global envolvendo a China.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: KENT NISHIMURA/AFP

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Internacional

União Europeia elimina tarifas sobre produtos industriais dos EUA e reforça acordo comercial

A União Europeia começou a eliminar, nesta quarta-feira (1º), as tarifas de importação incidentes sobre produtos industriais dos Estados Unidos, colocando em vigor uma das principais medidas previstas no acordo comercial firmado entre as duas economias.

O anúncio foi feito pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que destacou os impactos positivos da iniciativa para o comércio entre os dois lados do Atlântico. Segundo ela, a decisão amplia a previsibilidade para o mercado, aumenta as opções disponíveis aos consumidores e contribui para preços mais competitivos.

Em publicação nas redes sociais, Von der Leyen afirmou que a parceria entre Europa e Estados Unidos segue sendo uma das mais importantes do mundo e ressaltou o compromisso de fortalecer essa cooperação.

Medida faz parte de acordo comercial firmado em 2025

A retirada das tarifas integra o acordo comercial firmado em 2025 entre a União Europeia e o governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump. O entendimento foi fechado durante encontro realizado em Turnberry, na Escócia.

Pelo acordo, o bloco europeu se comprometeu a zerar as tarifas sobre produtos industriais norte-americanos e ampliar o acesso de produtos agrícolas dos EUA ao mercado europeu por meio de condições preferenciais.

Em contrapartida, o governo norte-americano manteve a cobrança de 15% de tarifa sobre a maior parte dos produtos exportados pela União Europeia. O objetivo declarado pelas duas partes é reduzir as tensões comerciais entre os maiores parceiros econômicos do planeta.

Parlamento Europeu aprovou implementação do acordo

Antes da entrada em vigor da medida, o Parlamento Europeu aprovou, em 16 de junho, a redução das tarifas sobre produtos norte-americanos. A votação representou uma etapa essencial para que o bloco cumprisse os compromissos assumidos no acordo bilateral.

A aprovação ocorreu em meio à pressão do governo dos Estados Unidos. Donald Trump havia sinalizado que poderia elevar significativamente as tarifas sobre produtos europeus caso a União Europeia não implementasse as medidas previstas até 4 de julho.

Principais pontos do acordo

  • A União Europeia elimina as tarifas sobre produtos industriais dos Estados Unidos;
  • Produtos agrícolas americanos passam a contar com acesso preferencial ao mercado europeu;
  • Os Estados Unidos mantêm tarifa de 15% sobre a maior parte dos produtos europeus;
  • A legislação europeia busca evitar uma nova disputa tarifária entre Bruxelas e Washington.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Internacional

Brasil e Panamá iniciam negociações para novo acordo comercial bilateral

Brasil e Panamá oficializaram o início das negociações para um novo acordo comercial bilateral, com o objetivo de fortalecer as relações econômicas, ampliar o fluxo de comércio exterior e estimular novos investimentos entre os dois países.

O anúncio foi feito por meio de uma declaração conjunta, na qual os governos reafirmam os históricos laços de amizade e cooperação, além do compromisso com o avanço da integração econômica regional.

Negociações serão conduzidas no âmbito do Acordo de Complementação Econômica

As tratativas ocorrerão com base no Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 76 MERCOSUL–Panamá, buscando a construção de um acordo amplo, equilibrado e alinhado às prioridades comerciais de ambas as nações.

A decisão dá continuidade aos entendimentos iniciados durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Panamá, em janeiro de 2026, quando foram assinados os termos de referência que estabeleceram as bases para o início das negociações.

Meta é concluir o acordo até a cúpula do MERCOSUL em 2027

Os dois governos manifestaram a intenção de conduzir as negociações de forma ágil e colaborativa, com a expectativa de finalizar o acordo durante a Cúpula de Chefes de Estado do MERCOSUL e Estados Associados, prevista para julho de 2027, na Argentina.

A proposta é consolidar um instrumento comercial que fortaleça a cooperação bilateral e amplie as oportunidades para empresas e investidores dos dois países.

Cooperação econômica e desenvolvimento sustentável estão entre os objetivos

Na declaração conjunta, Brasil e Panamá reforçam o compromisso de aprofundar os vínculos econômicos e comerciais, promovendo ações que favoreçam o desenvolvimento sustentável, a geração de oportunidades e a prosperidade das duas sociedades.

O documento também destaca a importância de manter um ambiente de negócios com regras claras, previsibilidade jurídica e benefícios mútuos, criando condições favoráveis para a expansão das relações comerciais.

FONTE: Ministério das Relações Exteriores
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Aduana News

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-União Europeia impulsiona empresas brasileiras de médio porte rumo às exportações

A entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia está acelerando os planos de internacionalização de empresas brasileiras de médio porte. Após o comércio entre Brasil e Europa atingir a marca histórica de US$ 100 bilhões em 2025, companhias de diversos segmentos intensificam investimentos para ampliar sua presença no mercado europeu.

Embora o tratado elimine tarifas para cerca de 92% das exportações do Mercosul, conquistar espaço na União Europeia exige adequação a rigorosos padrões regulatórios, sanitários, ambientais e de rastreabilidade.

Exigências técnicas continuam sendo o principal desafio

Apesar das vantagens comerciais proporcionadas pelo acordo, as empresas precisam atender às normas sanitárias e fitossanitárias da União Europeia, além das regras previstas pelo Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR).

Especialistas avaliam que cumprir esses requisitos deixou de representar um diferencial competitivo e passou a ser uma condição indispensável para acessar o mercado europeu.

Empresas investem em certificações para conquistar espaço na Europa

A catarinense Peach Up, fabricante de cosméticos, acaba de concluir o processo de certificação que permite comercializar seus produtos nos 27 países da União Europeia.

Segundo a fundadora da empresa, Lu Soares, a aprovação exigiu cerca de nove meses de trabalho e diversas adaptações técnicas, incluindo mudanças na formulação do principal produto, comprovação da segurança dos materiais utilizados nas embalagens e a contratação de um responsável técnico sediado na Europa.

Antes da autorização europeia, a empresa buscou a certificação da Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, considerada uma etapa importante para fortalecer a credibilidade internacional da marca.

Com a nova autorização, a Peach Up iniciou a busca por distribuidores no continente e prevê os primeiros embarques nos próximos meses. A expectativa é reduzir aproximadamente 30% dos custos tributários com o novo acordo comercial.

Setor de cosméticos aposta na redução da burocracia

Outra empresa que amplia sua atuação internacional é a cearense Labotrat, que já concluiu todo o processo regulatório necessário para operar na Europa.

Segundo a companhia, o maior benefício do acordo está na simplificação dos procedimentos de habilitação comercial, que atualmente podem levar de três meses a um ano.

Além da redução da burocracia, a empresa projeta queda de cerca de 10% no preço final de seus produtos para os consumidores europeus e menor custo de produção com a eliminação das tarifas sobre máquinas, equipamentos e insumos químicos importados da Europa.

Após embarcar seu primeiro contêiner para o continente, a Labotrat iniciou operações em Portugal e já prepara sua expansão para o mercado espanhol.

Cacau brasileiro também amplia presença internacional

No setor de alimentos, a baiana Amma Chocolate retomou as exportações de cacau orgânico para França, Espanha e Dinamarca, após a interrupção das vendas durante a pandemia.

A empresa possui certificação europeia de produto orgânico, que exige rastreabilidade completa da cadeia produtiva e produção em sistemas agroflorestais.

Além da expectativa de redução tributária entre 5% e 15%, a companhia acredita que o acordo facilitará a importação de equipamentos utilizados na produção industrial.

Rastreabilidade ganha importância nas exportações

Para a GS1 Brasil, entidade responsável pelos padrões globais de identificação de produtos, o acordo fortalece a necessidade de rastreabilidade, transparência e padronização em toda a cadeia produtiva.

A instituição destaca que empresas de médio porte tendem a enfrentar maiores desafios de adaptação, principalmente por possuírem estruturas menores para lidar com exigências regulatórias internacionais.

Entre os cerca de 61 mil associados da entidade, aproximadamente um quarto é formado por empresas de médio porte. Para apoiar esse público, a GS1 prepara materiais técnicos voltados às novas exigências do mercado europeu.

ESG passa a ser requisito para acesso ao mercado europeu

Na avaliação de especialistas, as normas relacionadas a ESG, sustentabilidade e origem dos produtos deixaram de representar apenas uma estratégia de marketing.

Segundo Camila Nicolau, advogada especializada no agronegócio, o cumprimento das exigências ambientais passou a funcionar como uma verdadeira barreira comercial para empresas que desejam exportar.

Ela observa que pequenos e médios negócios também enfrentam desafios financeiros para realizar as adaptações necessárias, cenário que pode aumentar a pressão sobre o setor.

Além das adequações ambientais, especialistas recomendam investimentos em certificações sanitárias, revisão de contratos internacionais, rotulagem adequada e registro de marcas em todos os países da União Europeia.

Indústria brasileira amplia investimentos para crescer na Europa

A fabricante de equipamentos para o setor alimentício Prática também reforçou sua estratégia internacional.

Após inaugurar um escritório em Colônia, na Alemanha, a empresa pretende abrir capital na Bolsa de Madri até o fim de 2026.

Para atender às exigências europeias, a companhia investiu aproximadamente 150 mil euros na certificação de uma linha de fornos rápidos, incluindo testes de compatibilidade eletromagnética e desenvolvimento de novos fornecedores.

Com faturamento de R$ 460 milhões no último ano, a empresa destaca que as operações internacionais já representam entre 25% e 30% da receita total, enquanto as vendas para o mercado europeu cresceram 73% no período.

A expectativa do setor é que a implementação gradual do acordo Mercosul-União Europeia fortaleça ainda mais as exportações brasileiras, reduzindo custos, ampliando a competitividade e estimulando novos investimentos em inovação, qualidade e sustentabilidade.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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