Portos

Porto de Santos inicia abastecimento regular de navios com etanol e amplia mercado para biocombustível brasileiro

O Porto de Santos iniciou as operações regulares de abastecimento de navios com etanol, abrindo uma nova frente para o uso de combustíveis renováveis no transporte marítimo internacional. A iniciativa reúne a companhia de navegação CMA CGM, a comercializadora de açúcar e etanol Copersucar, a fornecedora de combustíveis marítimos Bunker One e a Autoridade Portuária de Santos (APS).

A primeira operação dessa nova etapa ocorreu em 19 de outubro, com o abastecimento do navio porta-contêineres CMA CGM IRON, com capacidade para 13 mil TEUs — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.

A embarcação utiliza o primeiro motor tricombustível do mundo certificado para operar com etanol, o modelo Everllence-B&W G95ME-C10.5-LGIM.

Com a iniciativa, o porto paulista avança da fase experimental para um sistema de fornecimento comercial recorrente, reforçando o posicionamento do Brasil no mercado de combustíveis marítimos de baixo carbono. Novas operações com navios da CMA CGM e etanol fornecido pela Copersucar estão previstas até o fim do ano.

Etanol ganha espaço na transição energética do transporte marítimo

A adoção do biocombustível integra os esforços do setor de navegação para reduzir as emissões de carbono e diversificar as fontes de energia utilizadas pelas embarcações.

Segundo Giovani Grassi, CEO da CMA CGM no Brasil, a iniciativa representa um avanço na utilização comercial do etanol em operações marítimas.

Após a primeira experiência, realizada em julho, a companhia pretende demonstrar que o combustível pode ser empregado de maneira segura, confiável e em escala comercial. A estratégia também busca estimular a formação de uma cadeia de fornecimento voltada à descarbonização do transporte marítimo.

A movimentação ocorre em um mercado de grande dimensão. A demanda mundial por combustíveis para navios supera 270 bilhões de litros por ano. Considerando as diferenças de conteúdo energético entre os combustíveis, a substituição de 10% desse consumo poderia abrir um mercado potencial adicional de aproximadamente 50 bilhões de litros anuais de etanol.

Para a Copersucar, a operação representa uma oportunidade de ampliar os destinos comerciais do combustível brasileiro e conectar a capacidade produtiva nacional à demanda internacional por soluções energéticas renováveis.

O presidente da companhia, Tomás Manzano, destaca que a iniciativa estabelece um corredor de abastecimento marítimo com etanol e cria perspectivas para o crescimento do setor. Segundo ele, o Brasil já dispõe de produção, logística e escala para contribuir com a transformação energética da navegação.

Produção sustentável fortalece o etanol brasileiro

O combustível utilizado nas operações é fornecido pela Copersucar e conta com uma cadeia produtiva consolidada e certificada.

De acordo com as informações divulgadas pelas empresas, a expansão da cultura da cana-de-açúcar ocorre predominantemente sobre áreas de pastagens degradadas. A produção também está sujeita aos critérios de sustentabilidade do RenovaBio, programa brasileiro que estabelece parâmetros para a redução das emissões de gases de efeito estufa na cadeia dos biocombustíveis.

Essas características contribuem para posicionar o etanol brasileiro como uma alternativa renovável para setores que buscam reduzir a intensidade de carbono de suas operações.

A ampliação do uso do combustível na navegação depende, porém, de uma estrutura logística capaz de garantir o fornecimento contínuo, o armazenamento adequado e o abastecimento seguro das embarcações.

Cadeia logística conecta usinas ao Porto de Santos

A operação envolve diferentes empresas responsáveis por etapas complementares, desde a produção até a transferência do combustível para os navios.

O etanol produzido pelas usinas associadas à Copersucar é fornecido e transportado até o Porto de Santos pela Evolua Etanol, empresa integrante do ecossistema da companhia. No complexo portuário, o produto fica armazenado nos terminais da AGEO antes de seguir para o abastecimento das embarcações.

A etapa final ocorre no terminal da Santos Brasil, onde a Bunker One desenvolveu um protocolo específico para esse tipo de operação.

O procedimento foi elaborado após meses de estudos e treinamento das equipes, levando em conta características técnicas do etanol, especialmente seu baixo ponto de fulgor, que exige cuidados específicos no manuseio e na prevenção de incêndios.

Para Antônio Carlos Sepúlveda, diretor-presidente da Santos Brasil, receber esse tipo de abastecimento no Tecon Santos reforça o compromisso da empresa com a sustentabilidade logística e a redução da pegada de carbono de suas operações e das atividades de seus clientes.

Porto de Santos busca atrair operações marítimas de menor emissão

A participação na iniciativa também fortalece a posição do complexo portuário paulista como possível referência internacional no fornecimento de combustíveis alternativos.

Flavio Ribeiro, CEO da Bunker One LatAm, afirma que a experiência brasileira com etanol pode ser aproveitada para atender à demanda global por alternativas aos combustíveis marítimos convencionais. Na avaliação do executivo, o Porto de Santos tem condições de atrair armadores interessados em reduzir suas emissões enquanto outros mercados ainda avançam na regulamentação desse tipo de abastecimento.

O presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, também destacou a importância da iniciativa para o comércio marítimo internacional e para o desenvolvimento sustentável do setor.

O transporte marítimo responde por mais de 90% das transações comerciais globais, segundo a declaração de Pomini. Nesse contexto, a ampliação de alternativas energéticas pode contribuir para a redução das emissões associadas à circulação internacional de mercadorias.

Frota preparada para combustíveis alternativos pode ampliar demanda

As perspectivas para o mercado de etanol como combustível marítimo também estão relacionadas à evolução da frota mundial.

Dados da sociedade classificadora Det Norske Veritas (DNV) indicam que 159 embarcações já operam com motores preparados para metanol, tecnologia que pode permitir o uso de etanol. Além disso, mais de 450 novos navios equipados com esse tipo de motor têm entrega prevista até 2030.

A expansão dessa frota pode aumentar a demanda potencial por combustíveis alternativos e estimular investimentos em infraestrutura de abastecimento, armazenamento e distribuição.

Com operações regulares no Porto de Santos, o Brasil passa a explorar uma nova possibilidade de aplicação comercial para o etanol, aproveitando sua capacidade de produção e sua estrutura logística para atender às necessidades de descarbonização do transporte marítimo.

FONTE: Comunique-se Portal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Comunique-se Portal

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Negócios

WEG defende novas fontes de receita para impulsionar mercado de baterias no Brasil

A WEG defende mudanças regulatórias para ampliar as oportunidades de negócio dos sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos como BESS (Battery Energy Storage Systems), no Brasil. Para Manfred Peter Johann, vice-presidente de Automação e Sistemas da companhia, permitir que essas soluções sejam remuneradas por diferentes serviços prestados ao setor elétrico é essencial para consolidar o mercado e estimular novos investimentos.

Em entrevista à CNN, o executivo ressaltou que o primeiro leilão de armazenamento de energia, previsto para dezembro, será importante para impulsionar a escala do setor. No entanto, ele avalia que o desenvolvimento do mercado não deve depender exclusivamente desse mecanismo de contratação.

A proposta é diversificar as fontes de receita dos sistemas de baterias, incluindo serviços como disponibilidade de potência, arbitragem de energia, controle de frequência e tensão e suporte à rede elétrica.

Segundo Johann, a combinação dessas possibilidades pode tornar os projetos economicamente mais atrativos e ampliar sua presença em empreendimentos de geração, transmissão e distribuição, além de instalações industriais.

Armazenamento de energia depende de novas regras de remuneração

A ampliação das receitas é apontada pela WEG como um fator importante para viabilizar o investimento em sistemas de armazenamento de energia. Além de armazenar eletricidade para uso posterior, as baterias podem contribuir para a estabilidade e a flexibilidade do sistema elétrico.

Entre as aplicações estão o equilíbrio entre oferta e demanda, a prestação de serviços ancilares e o auxílio na manutenção dos níveis adequados de frequência e tensão da rede.

A expectativa da companhia é que a regulamentação avance para reconhecer o valor econômico desses diferentes serviços. Com mais possibilidades de remuneração, os sistemas BESS poderão atender a diferentes necessidades do setor, reduzindo a dependência de um único modelo de contratação.

Leilão de baterias prevê contratos de 15 anos

Para os empreendimentos que participarão do leilão previsto para dezembro, as diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME) estabelecem um modelo de remuneração por disponibilidade de potência.

Os contratos terão duração de 15 anos, com início do suprimento programado para 1º de agosto de 2028.

De acordo com a Portaria Normativa MME nº 136, a receita fixa deverá remunerar integralmente os usos dos empreendimentos vencedores pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), respeitando os compromissos contratados. Nesse formato, não estão previstas receitas adicionais fora do Contrato de Potência de Reserva de Capacidade.

A regulamentação também determina que a energia consumida durante a recarga das baterias e aquela posteriormente injetada no sistema sejam liquidadas no mercado de curto prazo. Os resultados positivos ou negativos dessas operações serão destinados à Conta de Potência para Reserva de Capacidade, observados os limites estabelecidos na portaria.

WEG prevê armazenamento como parte dos investimentos até 2030

Manfred Peter Johann avalia que o armazenamento de energia no Brasil deverá se tornar uma solução habitual nos investimentos do setor elétrico até 2030.

Essa perspectiva está relacionada à expansão das fontes renováveis, especialmente solar e eólica, cuja geração depende das condições climáticas e pode exigir recursos adicionais para equilibrar o fornecimento de eletricidade.

O executivo também destaca as limitações da infraestrutura de transmissão e a crescente demanda por confiabilidade e qualidade no abastecimento de energia.

Nesse cenário, as baterias podem ajudar a aumentar a flexibilidade operacional do sistema, armazenando eletricidade em determinados períodos e disponibilizando-a conforme a necessidade.

Baterias abrem oportunidades em data centers e na indústria

Além dos leilões, a WEG identifica oportunidades comerciais em diferentes segmentos, como instalações industriais, empreendimentos comerciais, data centers, microrredes e prestação de serviços à rede elétrica.

Essas aplicações podem utilizar sistemas de armazenamento para melhorar a gestão do consumo, reforçar a continuidade do fornecimento e atender a demandas específicas de energia.

A empresa também enxerga possibilidades de expansão no mercado internacional, acompanhando o avanço das soluções de armazenamento em diferentes sistemas elétricos.

A diversificação dos segmentos atendidos é considerada uma oportunidade para ampliar a adoção da tecnologia e fortalecer o mercado para além dos contratos firmados em leilões públicos.

Fábrica de baterias em Itajaí receberá R$ 330 milhões

Como parte de sua estratégia de longo prazo, a WEG ampliou, em setembro, o projeto de sua fábrica de sistemas de armazenamento de energia em Itajaí, Santa Catarina.

O investimento total estimado é de R$ 330 milhões, e a unidade deverá alcançar capacidade produtiva de 4 GWh por ano. O início das operações está previsto para o segundo semestre de 2027.

O projeto reforça a aposta da companhia no crescimento da demanda por soluções de armazenamento e na expansão desse segmento no mercado brasileiro.

Segundo Johann, o investimento considera a importância crescente das baterias para o funcionamento do sistema elétrico. A expectativa é que, com a evolução regulatória, o aumento da geração renovável e a diversificação das aplicações, o armazenamento conquiste espaço cada vez maior nos projetos de energia.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Informação

Armazenamento de energia: Brasil amplia alternativas além das baterias de lítio

Muito antes da popularização das baterias de lítio, o Brasil já utilizava uma forma de armazenamento de energia em grande escala. Durante décadas, os reservatórios das hidrelétricas funcionaram como verdadeiras “baterias de água”, permitindo guardar recursos hídricos nos períodos de maior chuva e utilizá-los durante as estiagens.

Esse mecanismo deu ao sistema elétrico brasileiro uma importante capacidade de adaptação às oscilações sazonais da demanda e se tornou uma característica estratégica de uma matriz predominantemente renovável.

O cenário, porém, mudou. A expansão das fontes renováveis, especialmente solar e eólica, aumentou a complexidade da operação e passou a exigir novas alternativas para equilibrar geração e consumo.

Crescimento de solar e eólica aumenta demanda por flexibilidade

A expansão hidrelétrica das últimas décadas ocorreu com maior participação de usinas a fio d’água, que possuem menor capacidade de regularização dos reservatórios. Ao mesmo tempo, a energia solar e eólica avançou de forma acelerada.

Segundo dados da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), as fontes renováveis representaram 86,8% da oferta interna de eletricidade em 2025. No mesmo período, eólica e solar, somadas, alcançaram 26,4% de participação, ante 10,9% em 2020.

Com esse crescimento, aumenta a necessidade de recursos capazes de fornecer flexibilidade, potência, controle e deslocamento temporal da energia.

A geração solar varia ao longo do dia, enquanto a produção eólica depende das condições dos ventos. Em determinadas situações, limitações da rede ou da operação do sistema obrigam a reduzir a produção de fontes renováveis.

Esse fenômeno, conhecido como curtailment, ganhou força em 2025. De acordo com a Volt Robotics, os cortes de geração solar e eólica chegaram a 20,6%, mais que o dobro do registrado em 2024, com perdas estimadas em mais de R$ 6 bilhões.

Baterias ganham espaço no armazenamento de energia

Uma das alternativas para lidar com o excedente de geração é armazenar eletricidade nos momentos de menor valor e disponibilizá-la posteriormente, quando houver maior necessidade do sistema.

Nesse contexto, entram diferentes soluções de armazenamento de energia, como baterias, reservatórios hidrelétricos, usinas reversíveis, sistemas de transmissão, resposta da demanda e mecanismos de gerenciamento da geração distribuída.

As baterias vêm ganhando espaço principalmente pela rapidez de implantação, velocidade de resposta e redução dos custos.

Segundo a Agência Internacional de Energia, o mundo adicionou 108 GW de novos sistemas de armazenamento em baterias em 2025, crescimento de 40% em relação ao ano anterior.

A tecnologia deixou de ser considerada experimental em diversos mercados. No Brasil, o desafio passa por estabelecer condições econômicas e regulatórias que direcionem esses equipamentos para os locais e serviços em que possam proporcionar maior benefício ao sistema elétrico.

Leilão de baterias coloca modelo regulatório à prova

Os primeiros leilões de armazenamento de energia em baterias previstos no Brasil para dezembro representam uma mudança de escala em relação aos projetos-piloto.

A proposta estabelece contratos de 15 anos, início do fornecimento em 2028 e disponibilidade de energia durante pelo menos quatro horas.

O interesse do mercado foi significativo. A EPE recebeu 6.091 projetos, que juntos somam 296.807 MW. O volume de propostas, entretanto, não significa que todos os projetos estejam habilitados ou que serão efetivamente contratados.

Antes da contratação, os empreendimentos ainda precisam passar por avaliações técnicas, análise da capacidade de conexão e definição da quantidade de armazenamento necessária ao sistema.

Regras precisam considerar desempenho e vida útil

A diferença entre o número de projetos apresentados e os empreendimentos que efetivamente poderão ser executados torna o desenho regulatório um ponto central para o setor.

Para estimular investimentos de longo prazo, o mercado precisará ter regras claras sobre remuneração, divisão de riscos, medição de desempenho e limitações da rede elétrica.

Outro ponto de atenção é evitar que a disputa pelo menor preço resulte em equipamentos incapazes de manter o desempenho esperado durante os 15 anos de contrato.

A avaliação econômica de uma bateria precisa considerar fatores como degradação da capacidade, conexão à rede, softwares, manutenção e destinação ao fim da vida útil.

Usinas reversíveis podem complementar as baterias

Embora as baterias tenham vantagens em aplicações de resposta rápida e armazenamento de curta duração, outras tecnologias podem desempenhar funções diferentes.

As usinas hidrelétricas reversíveis são uma dessas alternativas. O sistema utiliza eletricidade para bombear água até um reservatório superior e, posteriormente, libera esse volume para gerar energia quando o sistema necessita.

Esse modelo permite combinar armazenamento de longa duração, potência e flexibilidade, aproveitando parte da experiência acumulada pelo Brasil na operação de grandes empreendimentos hidrelétricos.

A adoção dessas usinas, porém, dependerá de fatores como inventários de potenciais projetos, licenciamento ambiental, conexão à rede e mecanismos de remuneração adequados aos serviços prestados.

Diversificação será importante para atender ao sistema

As tecnologias de armazenamento não devem ser avaliadas apenas pela capacidade de guardar energia. Características como tempo de resposta, duração, localização, disponibilidade, prazo de implantação, conexão, impacto ambiental e custo total também precisam entrar na análise.

Dependendo da necessidade, a solução poderá envolver baterias, usinas reversíveis, expansão da transmissão, resposta da demanda ou uma combinação de diferentes recursos.

O primeiro leilão brasileiro, com foco em baterias capazes de operar por quatro horas, poderá contribuir principalmente para o deslocamento intradiário de energia, o gerenciamento de rampas de geração e a resposta rápida a necessidades operacionais.

Projetos-piloto ajudam a testar novas tecnologias

A experiência prática também terá papel importante na expansão do armazenamento de energia no Brasil.

Em janeiro, a CTG Brasil inaugurou na Usina Hidrelétrica Ilha Solteira, em São Paulo, o FlexBess, laboratório que reúne geração solar e baterias para avaliar desempenho, segurança e diferentes modelos de operação.

Projetos desse tipo permitem transformar hipóteses em dados e experiências concretas, além de contribuir para a formação técnica e a redução de incertezas antes da adoção das tecnologias em maior escala.

Brasil entra em nova fase do armazenamento de energia

A experiência brasileira com os reservatórios hidrelétricos criou, ao longo de décadas, uma forma própria de administrar a disponibilidade de energia no tempo. Agora, a expansão das fontes renováveis exige ampliar essa capacidade por meio de novas tecnologias de armazenamento e recursos de flexibilidade.

O avanço das baterias representa uma etapa desse processo, mas a evolução do sistema dependerá da combinação de diferentes soluções. O desafio será estabelecer uma estratégia de longo prazo, com neutralidade tecnológica, integração entre planejamento e operação e contratação baseada nos serviços efetivamente necessários ao sistema elétrico.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: @leandroarrudafoto

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Sustentabilidade

Energia renovável no Brasil: sobreoferta faz setor frear novos investimentos

O setor elétrico brasileiro vive uma mudança importante de cenário. Após anos de expansão acelerada da capacidade de geração, especialistas, órgãos reguladores, empresas, investidores e consumidores começam a questionar a necessidade de manter o mesmo ritmo de investimentos em energia renovável.

O motivo é o aumento da sobreoferta de energia, principalmente nos segmentos solar e eólico. A expansão da geração avançou em velocidade superior ao crescimento da demanda, enquanto incentivos e subsídios contribuíram para manter atrativos projetos que, diante das condições atuais do mercado, passaram a enfrentar maior dificuldade para encontrar espaço no sistema.

Sobreoferta de energia aumenta cortes na geração

O excesso de oferta já tem reflexos na operação do sistema elétrico. Em determinados períodos, usinas existentes não conseguem produzir toda a energia que poderiam fornecer.

Essa redução compulsória da geração é conhecida no setor como curtailment. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) determina cortes principalmente quando não há demanda suficiente para absorver toda a eletricidade disponível.

O fenômeno ganhou relevância justamente porque evidencia uma mudança na principal preocupação do setor: se antes o desafio era ampliar a oferta para garantir a segurança energética, agora também é necessário encontrar formas de aproveitar a capacidade de geração que já existe.

Aneel alerta para distorções provocadas por subsídios

O diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Sandoval Feitosa, está entre os primeiros representantes do setor a defender publicamente uma revisão do ritmo de expansão.

Segundo ele, os incentivos concedidos à geração renovável alteraram os sinais econômicos que deveriam orientar as decisões de investimento.

“As empresas não respondem ao estímulo natural do mercado, mas, sim, aos subsídios que recebem”, afirmou à CNN.

A avaliação coloca em evidência uma contradição do modelo atual. Enquanto a sobreoferta de energia e o avanço do curtailment indicam a necessidade de reduzir o ritmo de novos projetos, diferentes segmentos continuam buscando preservar mecanismos de incentivo capazes de estimular a expansão.

Incentivos continuam mesmo diante dos alertas

Apesar das críticas, medidas adotadas pelo governo e pelo Congresso nos últimos anos mantiveram parte dos estímulos à expansão da geração.

Em 2024, a MP 1.212 permitiu que projetos elegíveis prorrogassem por 36 meses o prazo para entrada em operação sem perder os descontos aplicados às tarifas de uso das redes.

No mesmo ano, o governo regulamentou o acesso da minigeração distribuída ao Reidi, regime voltado a incentivos tributários para projetos de infraestrutura.

Já em 2025, a Lei 15.269 permitiu que parte desses empreendimentos adiasse, sem custos pela postergação, o início dos contratos de uso da transmissão.

Na avaliação de críticos do modelo, essas medidas mantiveram sinais favoráveis à expansão justamente quando o sistema começava a demonstrar excesso de oferta.

ONS vê pouco espaço para nova geração durante o dia

A discussão ganhou força com o posicionamento de Alexandre Zucarato, diretor de planejamento do ONS.

Em entrevista à CNN, Zucarato concordou que novos investimentos em geração de energia precisam considerar a atual capacidade excedente do sistema.

O problema, segundo ele, já não se resume à infraestrutura de transmissão. Em determinadas horas do dia, especialmente durante o período de maior geração solar, não existe consumo suficiente para absorver toda a eletricidade produzida.

“Não faz mais sentido injetar potência na rede no período diurno porque basicamente vamos colocar um megawatt novo e vai ter que deslocar um megawatt existente”, afirmou ao programa Alta Voltagem, da CNN.

Uma das alternativas apontadas pelo diretor é justamente postergar investimentos que não tenham outra justificativa operacional.

Excesso de investimento preocupa infraestrutura

O presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), Venilton Tadini, avalia que o problema mudou de natureza.

Na visão dele, o Brasil passou de uma fase de insuficiência de investimentos privados em infraestrutura elétrica para um momento em que parte do capital está sendo direcionada para segmentos que já apresentam excesso de capacidade.

“O que estamos vivendo hoje no setor elétrico é o excesso do investimento privado mal direcionado justamente pelos sinais negativos de excesso de subsídios em segmentos que não necessitam mais, como energia solar e eólica”, afirmou ao programa Conexão Infra, da CNN.

A consequência não é apenas operacional. Os cortes na produção também começam a afetar a situação financeira dos empreendimentos.

Curtailment aumenta risco financeiro de usinas

A redução forçada da geração representa perda de receita para empresas que possuem projetos expostos ao problema. Com isso, aumenta a percepção de risco sobre ativos de energia solar e eólica.

Já existem casos de quebra de covenants, cláusulas previstas em contratos de financiamento que estabelecem determinadas condições para os devedores.

Também surgiram situações de standstill, mecanismo pelo qual algumas obrigações relacionadas a dívidas são temporariamente suspensas.

O cenário amplia a preocupação entre bancos e investidores, que precisam considerar não apenas a capacidade de geração de um empreendimento, mas também o risco de ele não conseguir produzir e vender toda a energia prevista.

Consumidores pedem revisão da expansão renovável

Os grandes consumidores também passaram a defender uma mudança no ritmo de crescimento da geração renovável.

Luiz Eduardo Barata, presidente da FNCE (Frente Nacional dos Consumidores de Energia), afirma que novos projetos solares e eólicos podem exigir investimentos adicionais em transmissão para transportar uma energia que, em determinados momentos, não encontra demanda suficiente.

O custo dessas estruturas, segundo ele, acaba sendo repassado aos consumidores.

“O processo de expansão de renováveis tem que ser feito considerando o consumo de energia que temos hoje e não apenas a vontade do investidor, que é o que está acontecendo”, disse. “Continuar do jeito que está é suicídio”.

Bancos mudam prioridade e olham para transmissão e armazenamento

A mudança de percepção também chegou às instituições financeiras.

Segundo informações da MegaWhat, o BNB (Banco do Nordeste), tradicional financiador de projetos de energia renovável, alterou temporariamente suas prioridades diante do avanço do curtailment sobre grandes empreendimentos no Nordeste.

A análise de documentos feita pelo portal especializado apontou que o banco passou a priorizar investimentos em transmissão de energia, armazenamento e instalação de grandes cargas na região, em vez de concentrar recursos na construção de novas usinas.

A mudança representa uma inversão relevante na estratégia de financiamento. O foco deixa de ser simplesmente aumentar a oferta e passa a incluir soluções capazes de aproveitar a energia que já está disponível no sistema.

Mercado de capitais reduz apetite por novos projetos

O mesmo movimento pode ser observado na avaliação dos ativos no mercado financeiro.

Anderson Brito, chefe de banco de investimento do UBS BB, afirmou que a combinação de sobreoferta, cortes de geração e incerteza sobre receitas futuras prejudica o valor de mercado das empresas e dificulta a captação de recursos.

“Neste momento, o mercado não vê racionalidade econômica em adicionar nova capacidade de geração sem que haja crescimento correspondente da demanda. O curtailment já afeta receitas, reduz o valor dos ativos e encarece o acesso a capital. Antes de construir mais, é preciso criar condições para absorver melhor a energia que já está disponível”, disse.

Importação de módulos solares recua em 2026

Os primeiros sinais concretos de desaceleração já aparecem nos dados do mercado.

Levantamento da consultoria Greener aponta que as importações de módulos solares recuaram 48% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Entre os grandes projetos de geração, a queda foi ainda mais expressiva: o volume destinado às grandes usinas diminuiu 82%.

O movimento indica uma possível redução do ritmo de expansão da energia solar no Brasil, em um momento de maior cautela por parte de desenvolvedores, bancos e investidores.

Projetos solares e eólicos perdem atratividade

Além da menor entrada de equipamentos, ativos já existentes enfrentam dificuldades para encontrar compradores.

A cautela dos investidores aumentou diante da exposição dos empreendimentos ao curtailment, à redução das receitas e à incerteza sobre o desempenho financeiro futuro.

Outro reflexo é a desistência de projetos. A Aneel vem aprovando pedidos de revogação de outorgas para empreendimentos eólicos e solares de empresas como Enel, Engie, EDF e Rio Energy, entre outras.

O conjunto desses movimentos aponta para uma possível mudança de ciclo no setor elétrico brasileiro: depois de anos de forte estímulo à expansão das fontes renováveis, o desafio passa a ser equilibrar oferta e demanda de energia, ampliar a capacidade de armazenamento e transmissão e evitar que novos investimentos agravem a ociosidade existente.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Stringer

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Informação

Baterias: empresas chinesas fazem parcerias no Brasil para disputar leilão de dezembro

Fabricantes chinesas de sistemas de armazenamento de energia, como Jinko ESS e CATL, estão firmando acordos com empresas brasileiras para ampliar a produção local e disputar o primeiro leilão de baterias do Brasil.

A estratégia busca atender às exigências de conteúdo local previstas em uma das duas licitações programadas para dezembro. O primeiro certame, marcado para 2 de dezembro, será destinado exclusivamente a projetos classificados como nacionais.

Jinko ESS fecha acordo com a UCB Power

A Jinko ESS, empresa ligada ao grupo JinkoSolar Holding Co., anunciou um memorando de entendimento (MoU) com a brasileira UCB Power.

O acordo prevê a avaliação de alternativas para a nacionalização de sistemas de armazenamento de energia. A intenção é desenvolver projetos em conjunto que possam cumprir os critérios de conteúdo local estabelecidos para o leilão de 2 de dezembro.

A definição de um sistema como “nacional” não exige necessariamente que todas as suas peças sejam fabricadas no país. As células de bateria, por exemplo, poderão ser importadas, já que o Brasil ainda não dispõe de capacidade industrial para produzir esse componente em escala.

A nacionalização deve se concentrar nas demais partes do sistema, incluindo packs de baterias, softwares de gerenciamento, inversores e outras estruturas necessárias ao funcionamento dos equipamentos.

Produção local pode facilitar acesso a financiamento

Para Vinicius Berná, diretor-executivo comercial e de novos negócios da UCB Power, a fabricação local também pode abrir caminho para opções de financiamento disponíveis no país.

Entre as alternativas está o apoio de linhas de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), segundo o executivo.

A estratégia de nacionalização, portanto, não está relacionada apenas ao atendimento das regras do leilão, mas também à possibilidade de ampliar o acesso a recursos destinados a projetos com participação industrial brasileira.

CATL também busca parceiro brasileiro

A movimentação não se limita à Jinko ESS. A chinesa CATL, uma das principais fabricantes globais de baterias, anunciou recentemente uma parceria estratégica com a Moura, tradicional fabricante brasileira do setor.

O acordo prevê a atuação conjunta na disputa pelo leilão de dezembro e combina a tecnologia de armazenamento de energia da CATL com a experiência da Moura no mercado nacional.

As empresas também informaram que contam com o apoio de um segundo parceiro estratégico, especializado na fabricação de inversores de energia, com o objetivo de viabilizar uma produção local capaz de atender aos critérios de conteúdo nacional.

Até o momento, os anúncios das parcerias entre Jinko ESS e UCB Power e entre CATL e Moura não detalham eventuais investimentos na industrialização de baterias no Brasil.

Leilão recebeu projetos que somam 296 GW

O primeiro leilão de sistemas de armazenamento de energia do país despertou forte interesse do mercado. O cadastramento recebeu projetos que, somados, ultrapassam 296 GW (gigawatts) de potência.

Além da disputa exclusiva para empreendimentos considerados nacionais, haverá um segundo leilão, previsto para 4 de dezembro. Nesse caso, poderão participar projetos de diferentes origens, sem a exigência de conteúdo local.

A realização dos dois certames é acompanhada de perto pelo setor elétrico brasileiro, principalmente diante do avanço da geração renovável.

Baterias ganham importância para a segurança energética

Os sistemas de armazenamento são considerados uma ferramenta importante para ampliar a flexibilidade e a segurança energética do país.

A tecnologia permite armazenar eletricidade e disponibilizá-la em momentos de maior necessidade, ajudando a lidar com características da geração de fontes como energia solar e eólica, cuja produção pode variar ao longo do dia e conforme as condições climáticas.

Apesar da expectativa do mercado, o leilão enfrenta uma possível disputa judicial. O principal ponto de controvérsia envolve a definição de quem deverá arcar com os custos da contratação dos sistemas de armazenamento.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

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Investimento

CZPE aprova R$ 206 bilhões em investimentos para ZPEs do Ceará, Maranhão e Piauí

O Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportações (CZPE) aprovou, nesta terça-feira (25), cinco novos projetos industriais e de serviços para as ZPEs de Pecém, no Ceará, Bacabeira, no Maranhão, e Parnaíba, no Piauí. Juntos, os empreendimentos representam R$ 206 bilhões em investimentos.

Os projetos estão concentrados em segmentos considerados estratégicos, como economia digital, energias renováveis e siderurgia verde. A expectativa é de que os empreendimentos acrescentem cerca de R$ 40 bilhões por ano em novas exportações a partir de 2029.

Datacenter concentra maior investimento

Na ZPE de Pecém (CE), o CZPE autorizou a implantação de um novo datacenter, vinculado à Voltalia Energia do Brasil. O empreendimento prevê investimentos de R$ 181,7 bilhões.

A fase de implantação deve gerar aproximadamente 2.300 empregos diretos, enquanto a operação permanente deverá contar com cerca de 400 postos de trabalho.

O projeto também contempla a ampliação da capacidade de geração de energia eólica e solar para atender à demanda do centro de processamento de dados.

Outra medida prevista é o uso de água de reuso no sistema de refrigeração dos equipamentos, buscando reduzir o consumo de recursos hídricos.

Maranhão recebe projetos de energia e siderurgia verde

Para a ZPE de Bacabeira (MA), foram aprovados três empreendimentos ligados à geração de energia renovável e à siderurgia sustentável.

A 4Wood Biotech pretende aplicar R$ 2,7 bilhões na instalação de uma biorrefinaria voltada ao processamento de biomassa de bambu. A unidade deverá produzir e exportar etanol de segunda geração, além de outros bioprodutos.

Outro projeto é da H2X, que prevê investimentos de R$ 2 bilhões para produzir e exportar hidrogênio verde incorporado a e-metanol.

Já a Hydeas planeja investir R$ 18,5 bilhões na produção de HBI Verde (ferro-esponja), utilizando fontes renováveis de energia.

Somados, os três empreendimentos projetam a criação de 10 mil empregos diretos durante a implantação e outros 550 postos na fase operacional.

Piauí terá produção de ferro-gusa verde

Na ZPE de Parnaíba (PI), o investimento aprovado é de R$ 1,1 bilhão, da empresa Hymetalx.

O projeto prevê a instalação de uma unidade para produção de ferro-gusa verde, utilizando hidrogênio verde obtido a partir de eletricidade gerada por fontes renováveis.

A expectativa é de geração de 605 empregos diretos ao longo das diferentes etapas do empreendimento.

Projetos ampliam presença do Brasil na transição energética

Em conjunto, os novos investimentos reforçam o papel das Zonas de Processamento de Exportações como instrumentos de atração de projetos industriais de maior conteúdo tecnológico e ambiental.

A expectativa é ampliar a agregação de valor dentro do país e fortalecer a participação brasileira em cadeias produtivas ligadas à transição energética e à descarbonização.

Os empreendimentos também devem contribuir para o aproveitamento de recursos disponíveis nas próprias regiões, recuperação de áreas degradadas, redução de emissões e criação de oportunidades de emprego, renda e integração produtiva.

Com a aprovação dos projetos, Ceará, Maranhão e Piauí ampliam a carteira de investimentos voltados a setores estratégicos da nova economia e ao mercado internacional.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Governo do Ceará

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Portos

Porto de Suape estuda eletrificação de navios com energia renovável

O Porto de Suape, em Pernambuco, avalia a implantação de um sistema para fornecer energia renovável a navios atracados no complexo portuário. A proposta é reduzir o consumo de combustíveis fósseis pelas embarcações enquanto elas permanecem nos berços durante as operações de carga e descarga.

A tecnologia em análise é conhecida como OPS (Onshore Power Supply), ou fornecimento de energia em terra. O sistema permite conectar o navio à rede elétrica do porto, possibilitando que embarcações preparadas para a tecnologia desliguem seus geradores auxiliares.

Mesmo com os motores principais desligados, os navios precisam manter diversos equipamentos funcionando. Iluminação, refrigeração, ventilação, sistemas de comunicação e outros serviços de bordo continuam demandando eletricidade durante a permanência no porto.

Atualmente, essa energia é produzida, em grande parte, por geradores alimentados com combustíveis fósseis. Com o OPS, a geração seria transferida para a infraestrutura em terra. A intenção de Suape é utilizar fontes de energia renovável, embora o modelo de rastreamento e comprovação da origem dessa eletricidade ainda esteja em definição.

Suape vai avaliar consumo dos navios

A implantação do sistema depende de uma etapa inicial de estudos. A administração do porto deverá levantar o perfil de consumo de energia das embarcações, o tempo médio de permanência nos berços e a quantidade de navios que frequentam Suape e possuem compatibilidade com a tecnologia.

Os dados serão utilizados para determinar o tamanho da infraestrutura necessária. A avaliação deverá incluir possíveis intervenções na rede elétrica portuária e nos próprios berços de atracação.

Entre os equipamentos que poderão ser necessários estão subestações, transformadores, sistemas de controle, conexões elétricas e cabos de alta capacidade.

O planejamento também levará em conta os custos de implantação e operação, além de alternativas de financiamento, modelos de negócio e possíveis parcerias. A ideia é avaliar uma implementação progressiva, acompanhando a demanda das empresas de navegação.

Eletrificação de navios avança no exterior

O fornecimento de energia elétrica em terra para navios já é utilizado ou está em expansão em importantes portos internacionais. No Brasil, porém, a tecnologia ainda possui aplicação restrita, especialmente para embarcações de grande porte.

Um diagnóstico divulgado pela ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) em 2025 apontou que a expansão do OPS no país exige investimentos na infraestrutura elétrica e adequações físicas nos terminais.

Na Europa, a tecnologia já faz parte dos planos de modernização de grandes complexos portuários. Hamburgo, na Alemanha, e Roterdã, nos Países Baixos, estão entre os portos que adotam iniciativas relacionadas ao fornecimento de eletricidade para embarcações atracadas.

Roterdã, por exemplo, trabalha na expansão da infraestrutura de energia em terra para atender também navios de longo curso e terminais de contêineres.

Projeto pode reduzir emissões no Porto de Suape

Ao substituir os geradores auxiliares dos navios por eletricidade fornecida diretamente pelo porto, o OPS pode contribuir para diminuir o consumo de combustíveis fósseis durante a atracação e, consequentemente, reduzir emissões atmosféricas e poluentes locais.

Em Suape, os estudos deverão apontar quais berços apresentam melhores condições para receber a tecnologia inicialmente. Também será necessário calcular os investimentos para adequar a infraestrutura e definir um modelo para a futura operação.

A iniciativa faz parte de uma tendência de transição energética no setor portuário, que busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis e ampliar o uso de fontes renováveis nas operações marítimas.

FONTE: Canal Solar
TEXTO: Redação
IMAGEM: Suape

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Sustentabilidade

China amplia energia solar térmica e alcança segunda maior capacidade de CSP do mundo

A China consolidou sua posição como uma das principais potências em energia solar térmica concentrada (CSP), alcançando 2,1 gigawatts (GW) de capacidade instalada em operação até o fim de junho de 2026. Com o resultado, o país ocupa o segundo lugar no ranking mundial, atrás apenas da Espanha.

Os dados foram divulgados pelo Conselho de Eletricidade da China durante um fórum sobre energia limpa realizado na província de Qinghai, no noroeste chinês.

País já conta com dezenas de projetos de energia solar concentrada

Segundo as informações apresentadas no evento, a China possui atualmente 24 projetos de energia solar concentrada (CSP) em funcionamento.

Além disso, outros 26 empreendimentos estão em fase de construção, com uma capacidade combinada estimada em 3,2 GW. A expansão faz parte da estratégia chinesa para ampliar a participação das fontes renováveis de energia na matriz elétrica nacional.

Tecnologia ajuda a estabilizar geração de eletricidade

As usinas de energia solar térmica concentrada funcionam por meio de espelhos que direcionam a luz do sol para produzir calor. Esse calor pode ser armazenado e utilizado posteriormente na geração de eletricidade, inclusive em períodos de menor incidência solar.

A capacidade de armazenamento torna a tecnologia uma alternativa importante para complementar fontes como energia eólica e energia solar fotovoltaica, ajudando os sistemas elétricos a reduzir impactos causados pela variação na geração.

China amplia produção nacional e reduz custos da tecnologia

O país também avançou na fabricação de equipamentos utilizados em usinas CSP. Atualmente, mais de 95% dos componentes da cadeia produtiva são fabricados internamente.

Nos últimos dez anos, os custos médios de construção dessas instalações foram reduzidos pela metade, chegando a aproximadamente 15 mil yuans (cerca de US$ 2.200) por quilowatt instalado.

Meta chinesa é chegar a 15 GW de capacidade até 2030

A China estabeleceu como objetivo ampliar sua capacidade instalada de energia solar concentrada para 15 GW até 2030.

O plano reforça a estratégia do país de acelerar a transição energética, ampliar o uso de energias renováveis e fortalecer tecnologias capazes de oferecer geração elétrica mais estável e flexível.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Diário do Povo

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Indústria

China fortalece ecossistema industrial e amplia liderança global em energia e tecnologia

A transformação econômica da China deixou para trás explicações baseadas apenas em mão de obra barata, câmbio desvalorizado ou reprodução de tecnologias estrangeiras. Hoje, o avanço industrial do país é sustentado por um modelo integrado que combina energia elétrica, processamento de minerais estratégicos e fabricação de tecnologias voltadas à transição energética.

Um relatório divulgado pelo Rhodium Group, em março de 2026, aponta que Pequim consolidou um sistema conhecido como “Estado elétrico” (“electro-state”), capaz de criar um ciclo de produção altamente eficiente e difícil de ser reproduzido por outras economias.

Modelo integra energia, mineração e indústria

Segundo o estudo, o diferencial chinês está na conexão entre três setores considerados essenciais para a indústria moderna: geração de energia de baixo custo, refino de metais industriais e produção de equipamentos ligados à energia limpa.

Nesse modelo, a oferta abundante de eletricidade reduz os custos para processar materiais como lítio, alumínio e cobre. Com insumos mais baratos, a fabricação de baterias, painéis solares e turbinas eólicas também se torna mais competitiva.

Ao mesmo tempo, a expansão das fontes renováveis amplia a disponibilidade de energia, criando um ciclo contínuo de redução de custos e aumento da capacidade produtiva.

Escala da infraestrutura impressiona analistas

Os números apresentados pelo Rhodium Group evidenciam a dimensão da estratégia chinesa.

Em 2025, a geração combinada de energia solar e eólica da China superou todo o consumo industrial dos Estados Unidos. A projeção do relatório indica que, em 2026, essa produção também ultrapassará a soma do consumo residencial e industrial norte-americano.

Outro indicador destacado é o crescimento da mobilidade elétrica. A frota de veículos elétricos em circulação no país já reduz o consumo equivalente a cerca de 1,76 milhão de barris de petróleo por dia, diminuindo a dependência chinesa dos combustíveis fósseis e aumentando sua segurança energética.

Desde o início dos anos 2000, a China respondeu por aproximadamente 60% do crescimento mundial no consumo de eletricidade, mantendo expansão da demanda energética mesmo durante a desaceleração provocada pela crise do setor imobiliário.

Carvão continua sendo peça-chave da estratégia chinesa

Apesar da liderança em energia renovável, o relatório ressalta que o sistema industrial chinês continua apoiado em uma ampla estrutura de geração baseada em carvão mineral.

A utilização desse recurso garante fornecimento constante de energia para setores intensivos, como siderurgia e metalurgia, que exigem estabilidade para operar continuamente.

Além disso, o carvão oferece vantagens estratégicas para o país por ser amplamente disponível em território nacional, reduzindo a dependência de importações de petróleo e gás natural.

Em 2024, a China adicionou cerca de 88 gigawatts de capacidade instalada em usinas termelétricas a carvão. Embora as fontes renováveis tenham liderado o crescimento da geração elétrica, o carvão permanece como elemento fundamental para assegurar o funcionamento da indústria pesada.

Ocidente enfrenta dificuldades para replicar modelo

O estudo afirma que a integração entre infraestrutura energética, processamento de minerais e manufatura avançada foi construída ao longo de décadas, com forte participação do Estado, financiamento subsidiado e planejamento de longo prazo.

Na avaliação do Rhodium Group, reproduzir esse ecossistema em outros países representa um desafio significativo, especialmente para economias que buscam desenvolver cadeias próprias de minerais críticos e reduzir a dependência da indústria chinesa.

Segundo a análise, iniciativas de reorganização das cadeias globais poderão exigir políticas industriais robustas e medidas de proteção comercial, o que tende a elevar os custos para consumidores e empresas.

Brasil possui potencial, mas enfrenta desafios industriais

Embora o relatório não trate especificamente do Brasil, o cenário apresentado reforça um debate recorrente sobre o papel do país na cadeia global de valor.

O Brasil reúne importantes reservas de minério de ferro, lítio, alumínio e nióbio, além de contar com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo e elevado potencial para geração de energia solar e eólica.

Entretanto, grande parte desses recursos ainda é exportada como matéria-prima, enquanto produtos industrializados de maior valor agregado continuam sendo importados.

Nesse contexto, especialistas apontam que ampliar a industrialização exigiria políticas de longo prazo, incentivos ao investimento, financiamento e fortalecimento das cadeias produtivas nacionais.

Planejamento de longo prazo explica avanço chinês

O relatório conclui que o chamado “Estado elétrico” não surgiu de forma espontânea, mas é resultado de décadas de planejamento estratégico, investimentos públicos, coordenação industrial e expansão da infraestrutura energética.

A combinação desses fatores permitiu à China consolidar uma posição de liderança em setores considerados fundamentais para a economia do futuro, como energia limpa, baterias, veículos elétricos e minerais críticos, tornando seu modelo uma referência para o debate sobre competitividade industrial global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Maxim Shemetov

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Informação

Baterias de sódio podem revolucionar o setor energético e desafiar o domínio do lítio

As baterias de sódio estão surgindo como uma das principais apostas para transformar o futuro da energia global. De acordo com uma análise divulgada pelo Morgan Stanley, a tecnologia tem potencial para remodelar cadeias produtivas, impulsionar a eletrificação em larga escala e reduzir a dependência de matérias-primas estratégicas utilizadas atualmente na fabricação de baterias.

No relatório intitulado “Sal: o novo petróleo”, o banco destaca que o sódio, abundante e de baixo custo, pode assumir um papel semelhante ao que o petróleo desempenhou durante décadas na economia mundial, abrindo caminho para uma nova fase de desenvolvimento industrial e energético.

Mercado pode alcançar trilhões de watts-hora até 2035

Embora ainda esteja em estágio inicial de expansão, o mercado de armazenamento de energia com baterias de sódio apresenta perspectivas expressivas de crescimento.

As projeções do Morgan Stanley apontam para uma capacidade global de cerca de 830 gigawatts-hora (GWh) até 2030. Em 2035, esse volume poderá alcançar 2,4 terawatts-hora (TWh), com possibilidade de chegar a 3,7 TWh em cenários mais otimistas.

O avanço da tecnologia deve movimentar aproximadamente US$ 800 bilhões em investimentos ao longo da próxima década, abrangendo desde a produção de insumos até a expansão da infraestrutura elétrica e da indústria de armazenamento energético.

Menor custo e maior segurança energética impulsionam adoção

Um dos principais diferenciais das baterias de sódio é o custo competitivo. Segundo o relatório, a tecnologia pode ser entre 30% e 40% mais barata que as baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP), atualmente amplamente utilizadas em veículos elétricos e sistemas de armazenamento.

Além da vantagem econômica, o sódio oferece maior disponibilidade global, reduzindo a dependência de minerais concentrados em poucos países, como lítio, cobre e grafite. Esse fator ganha relevância diante do crescimento da demanda energética impulsionada pela inteligência artificial, centros de dados e expansão da mobilidade elétrica.

Outro ponto destacado é o desempenho superior em baixas temperaturas, característica que amplia o potencial de utilização em regiões de clima frio.

Três setores devem liderar a transformação

A análise identifica três segmentos com maior potencial de adoção da nova tecnologia nos próximos anos:

Armazenamento de energia

O setor de energy storage systems (ESS) aparece como principal motor de crescimento. O menor custo das baterias pode tornar economicamente viáveis projetos de armazenamento em larga escala, fortalecendo a estabilidade das redes elétricas.

Frotas comerciais

Empresas de transporte e logística podem acelerar a substituição de veículos movidos a diesel por alternativas elétricas, aproveitando os ganhos de eficiência e redução de custos operacionais.

Veículos compactos

No mercado automotivo, a tecnologia tende a ganhar espaço em carros de menor porte e custo reduzido, onde a autonomia máxima não é o principal critério de compra.

Avanço do sódio pode pressionar mercado de lítio

A expansão das baterias de sódio também representa um desafio para a indústria tradicional de baterias. O Morgan Stanley estima que a tecnologia poderá responder por cerca de 20% do mercado global até 2030 e alcançar até 37% em 2035.

Com isso, a demanda por compostos de lítio pode sofrer desaceleração, especialmente em aplicações relacionadas ao armazenamento de energia e veículos de entrada.

Embora o banco ainda projete forte consumo de lítio no curto prazo, uma mudança estrutural pode começar a ganhar força a partir de 2027, com reflexos sobre preços e investimentos no setor.

Além do lítio, fabricantes ligados às cadeias de cobre e grafite também poderão sentir os impactos, já que as baterias de sódio utilizam materiais alternativos, como alumínio e novas soluções à base de carbono.

China lidera corrida tecnológica

O relatório aponta a China como principal protagonista no desenvolvimento e na adoção comercial das baterias de sódio. O país já concentra investimentos relevantes e possui vantagem competitiva na produção em larga escala.

Enquanto isso, Estados Unidos e Europa avançam de forma mais gradual, buscando ampliar sua participação em uma tecnologia considerada estratégica para a segurança energética e a competitividade industrial.

Nova era energética pode redefinir mercados globais

Para os analistas do Morgan Stanley, o impacto das baterias de sódio vai além do setor elétrico. A combinação entre baixo custo, abundância de matéria-prima e menor dependência geopolítica pode acelerar a transição energética e criar novas oportunidades econômicas em escala global.

A expectativa é que a tecnologia deixe de ser vista apenas como alternativa ao lítio e passe a ocupar posição central na próxima geração de soluções energéticas, influenciando decisões de governos, investidores e grandes indústrias ao redor do mundo.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP

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