Logística

Brasil avança em corredor marítimo sustentável com Noruega e Países Baixos

O Brasil deu mais um passo na construção de um corredor marítimo sustentável entre a América do Sul e a Europa. A iniciativa foi debatida nesta segunda-feira (25), durante o workshop “Corredores verdes descarbonizados: traçando um caminho”, realizado na embaixada da Noruega, em Brasília.

O encontro reuniu representantes do Ministério de Portos e Aeroportos, autoridades da Noruega e dos Países Baixos, além de integrantes do setor produtivo e especialistas em logística e energia limpa. O objetivo é acelerar a criação de rotas marítimas com baixa emissão de carbono, utilizando tecnologias avançadas e combustíveis sustentáveis no transporte internacional.

Cooperação internacional mira descarbonização marítima

Durante a abertura do evento, o diretor de Programa de Políticas Setoriais, Planejamento e Inovação do Ministério de Portos e Aeroportos, Tetsu Koike, destacou que o Brasil já possui mecanismos regulatórios e financeiros capazes de apoiar projetos voltados à transição energética no setor marítimo.

Segundo ele, o desafio atual está na articulação entre governos, instituições e agentes econômicos para priorizar investimentos em embarcações, portos e terminais alinhados ao conceito de corredores verdes.

O embaixador da Noruega no Brasil, Kjetil Elsebutangen, reforçou a importância da cooperação internacional para reduzir as emissões no transporte marítimo global. De acordo com ele, estudos conjuntos já estão em andamento para identificar obstáculos técnicos e oportunidades estratégicas para o projeto.

Estudo aponta uso de combustíveis alternativos

Os participantes do workshop tiveram acesso a um estudo de viabilidade técnica que identifica rotas prioritárias entre Brasil e Europa. O levantamento também avalia a aplicação de combustíveis alternativos como biodiesel, amônia e metanol, considerados essenciais para a redução das emissões de gases de efeito estufa no setor naval.

A proposta prevê implementação gradual das soluções, considerando curto, médio e longo prazo para adaptação da infraestrutura portuária e das embarcações.

Brasil quer liderar produção de biocombustíveis

Na mesa-redonda sobre sustentabilidade, a coordenadora-geral de Sustentabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos, Rafaela Gomes, afirmou que o Brasil reúne condições para assumir protagonismo global na produção e distribuição de biocombustíveis.

Segundo ela, os portos brasileiros estão sendo preparados para facilitar operações ligadas aos corredores sustentáveis e ampliar a integração logística com mercados internacionais.

A diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Cristina Castro, também destacou os impactos econômicos e ambientais da redução das emissões de carbono. Para ela, diminuir a emissão de poluentes significa preservar recursos naturais e evitar perdas financeiras para a sociedade.

Porto de Santos receberá visita técnica internacional

A programação do encontro continua até quarta-feira (27), incluindo uma visita técnica ao Porto de Santos, em São Paulo.

A comitiva internacional irá conhecer projetos ligados à descarbonização portuária, combustíveis sustentáveis e iniciativas de transição energética desenvolvidas no complexo portuário. Estão previstas visitas a terminais e ao canal de navegação.

Parceria entre os países começou em 2025

A cooperação entre Brasil e Noruega teve início em 2025, após a assinatura de um memorando de entendimento no Ministério de Portos e Aeroportos. Desde então, equipes técnicas realizam reuniões periódicas para definir rotas e analisar estudos de viabilidade.

Recentemente, os Países Baixos passaram a integrar as discussões, consolidando uma parceria trilateral voltada ao desenvolvimento de um corredor marítimo descarbonizado entre o Brasil e a Europa.

Além dos governos envolvidos, representantes dos ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores, da Petrobras e empresas do setor produtivo participaram das discussões.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Sergio Frances/MPor

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Exportação

Exportações de etanol de EUA e Brasil devem crescer com demanda global por biocombustíveis

Os Estados Unidos e o Brasil, líderes mundiais na produção de etanol, projetam um forte avanço nas exportações do biocombustível em 2026. O movimento ocorre em meio à busca de diversos países por alternativas energéticas mais seguras, diante das incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz.

Segundo representantes do setor de biocombustíveis, o aumento da demanda internacional já impacta diretamente os embarques norte-americanos e brasileiros, impulsionando também a produção agrícola de milho e cana-de-açúcar.

Exportações de etanol avançam nos EUA

Nos Estados Unidos, as exportações de etanol combustível cresceram cerca de 20% nos primeiros meses deste ano, mantendo o ritmo recorde registrado anteriormente. Dados da Renewable Fuels Association (RFA) apontam que o país exportou 638 milhões de galões no primeiro trimestre, volume superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

O presidente-executivo da entidade, Geoff Cooper, afirmou que o cenário internacional favorece o produto norte-americano, especialmente devido à competitividade dos preços frente à gasolina.

“Diversos países estão buscando novas fontes de combustível líquido para reforçar a segurança energética”, destacou o executivo.

Brasil pode dobrar vendas externas de biocombustível

No Brasil, a expectativa também é positiva. A consultoria Datagro projeta que as exportações brasileiras de etanol alcancem 2,2 bilhões de litros na safra 2026/27, iniciada em abril. O volume representa mais que o dobro da temporada anterior, quando o país embarcou aproximadamente 1 bilhão de litros.

Além das exportações, a produção nacional deve atingir um novo recorde. A previsão é de 41,4 bilhões de litros de etanol brasileiro, crescimento de cerca de 4 bilhões de litros em relação ao ciclo anterior.

Ásia amplia mistura de etanol na gasolina

Especialistas apontam que países asiáticos estão acelerando programas de mistura de etanol na gasolina, ampliando a necessidade de importação do combustível renovável.

O analista-chefe da Datagro, Plinio Nastari, explicou que algumas nações possuem produção local, mas não suficiente para atender à nova demanda energética.

Esse cenário fortalece um antigo objetivo defendido por Brasil e Estados Unidos: a criação de um mercado global de biocombustíveis, proposta discutida ainda em 2007 pelos então presidentes George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva.

Segurança energética impulsiona mercado global

Mesmo diante da possibilidade de um acordo entre Irã e Estados Unidos sobre o Estreito de Ormuz, investidores do setor acreditam que a procura por energia renovável continuará elevada.

Shameek Konar, executivo da Ara Partners — empresa que investe em projetos de energia limpa nos EUA — afirmou que a segurança energética passou a ser prioridade nas políticas globais.

Segundo ele, países buscam reduzir a dependência de regiões historicamente instáveis, como o Oriente Médio, fortalecendo mercados alternativos de combustíveis renováveis.

Além disso, a RFA informou que os EUA deverão ampliar sua capacidade produtiva em aproximadamente 1 bilhão de galões de etanol nos próximos 12 a 18 meses.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Investing

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Agronegócio

Agronegócio: Mapa e Câmara de Comércio dos EUA discutem expansão do comércio Brasil–Estados Unidos

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recebeu nesta terça-feira (28) representantes da Câmara de Comércio dos Estados Unidos e do Conselho Empresarial Brasil–Estados Unidos para debater oportunidades no agronegócio entre os dois países. A reunião ocorreu em Brasília (DF), na sede da Pasta.

Autoridades participam da abertura do encontro

A abertura contou com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e do secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares. O encontro reforçou o diálogo sobre o fortalecimento das relações comerciais no setor agropecuário.

Comércio agrícola e oportunidades estratégicas

Durante a reunião, foram discutidos temas como o fluxo comercial agropecuário, interesses bilaterais no setor agrícola e oportunidades relacionadas à ciência e tecnologia no agronegócio, além de biocombustíveis e outras áreas estratégicas.

O secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi, destacou o potencial de ampliação da pauta exportadora brasileira e as negociações em andamento para ampliar o acesso de produtos nacionais ao mercado norte-americano.

EUA são principal parceiro do agro brasileiro

Os Estados Unidos figuram entre os principais destinos das exportações do agronegócio do Brasil. Em 2025, o país exportou cerca de US$ 11,4 bilhões em produtos agropecuários para o mercado norte-americano. No mesmo período, as importações somaram aproximadamente US$ 1,05 bilhão.

Entre os principais produtos exportados estão café, carnes, itens do complexo sucroalcooleiro e cacau.

Papel da Câmara de Comércio dos EUA

A Câmara de Comércio dos Estados Unidos (US Chamber of Commerce) é considerada a maior entidade empresarial do mundo, representando companhias norte-americanas e atuando na defesa de políticas voltadas ao crescimento econômico e ao comércio internacional.

O Conselho Empresarial Brasil–Estados Unidos, ligado à Câmara, é responsável por fortalecer a parceria econômica entre os dois países e ampliar as relações comerciais bilaterais.

FONTE: Ministério de Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Carlos Silva/Mapa

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Informação

Alcooduto de R$ 22 bilhões em Mato Grosso deve ligar Sinop a Paulínia para escoar etanol

O setor de biocombustíveis em Mato Grosso avançou no planejamento de um ambicioso projeto logístico: a construção de um alcooduto de aproximadamente 2,1 mil quilômetros, com investimento estimado em R$ 22 bilhões. A estrutura deverá conectar Sinop, no médio-norte do estado, ao polo industrial de Paulínia (SP).

A proposta foi apresentada durante a 3ª Conferência Internacional UNEM Datagro, realizada em Cuiabá, e é tratada como peça-chave para sustentar o crescimento da produção de etanol de milho no estado.

Mato Grosso lidera produção nacional de etanol de milho

Atualmente, Mato Grosso ocupa a liderança absoluta na produção brasileira do segmento. Na safra 2024/2025, o estado produziu cerca de 5,6 bilhões de litros, o equivalente a 70% de todo o etanol de milho no Brasil.

Com 17 usinas em operação, o desafio do setor passa a ser a logística de escoamento, diante do aumento expressivo da produção. A expectativa é de que a demanda futura alcance 26,8 milhões de toneladas de milho processadas na safra 2026/2027, ampliando ainda mais a pressão sobre o sistema de transporte.

O projeto do alcooduto teria capacidade para movimentar até 13 milhões de metros cúbicos, funcionando como solução estruturante para o fluxo até os grandes centros consumidores.

Projeto atrai interesse público e capital privado

Segundo o ex-senador e CEO do Grupo MC, Cidinho Santos, a iniciativa já desperta interesse do governo federal para inclusão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além de atrair investidores privados.

Ele afirma que o empreendimento pode nascer com cerca de 70% de ocupação garantida, considerando a produção atual estimada em 8 milhões de metros cúbicos na região.

Integração logística é vista como estratégica

Especialistas apontam que o alcooduto faz parte de um conjunto mais amplo de investimentos em infraestrutura, que inclui a duplicação da BR-163 e a expansão da malha ferroviária.

A avaliação do setor é que a integração entre diferentes modais é essencial para garantir competitividade ao milho processado e seus derivados, como o próprio etanol e o DDGS, coproduto utilizado na nutrição animal.

“Esse projeto ainda será amplamente discutido, mas já sinaliza um novo patamar de competitividade para Mato Grosso quando somado às rodovias duplicadas e às ferrovias em construção”, afirmou Cidinho Santos.

Arco Norte e hidrovias ampliam alternativas de escoamento

Além da rota para o Sudeste, cresce a defesa pela utilização do Arco Norte como alternativa logística para abastecer as regiões Norte e Nordeste.

O diretor-executivo da ADECON, Edeon Vaz, destaca que o escoamento por Miritituba e Barcarena não compete com o alcooduto, mas atua de forma complementar na distribuição do etanol.

“Essas rotas ampliam as possibilidades e ajudam a levar o produto para regiões com déficit de abastecimento”, explicou.

Já no campo hidroviário, o ex-presidente do DNIT, Luiz Antonio Pagot, defende a integração entre Santarém e o Porto do Itaqui como forma de reduzir custos logísticos.

Segundo ele, o uso de balsas para distribuição a partir de um hub fluvial pode tornar o transporte mais eficiente e econômico.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Reprodução
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural

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Informação

Produção de etanol de milho deve alcançar 16 bilhões de litros até 2033

O Brasil segue ampliando sua capacidade de produção de etanol de milho, com previsão de atingir cerca de 9,97 bilhões de litros na safra atual. O volume já corresponde a quase 60% da meta estimada para a próxima década, indicando um crescimento acelerado do setor.

Atualmente, o país conta com 27 biorrefinarias em operação e outras 16 em fase de construção. A expectativa da indústria é alcançar 16,63 bilhões de litros até 2033, impulsionada pelo fortalecimento da infraestrutura e pela ampliação dos investimentos em biocombustíveis.

Coprodutos impulsionam cadeia de alimentos

Além da produção de combustível, o avanço do setor também impacta diretamente a cadeia de alimentos. Um dos principais destaques é o DDG (grãos de destilaria), coproduto rico em proteína utilizado na nutrição animal.

As usinas têm priorizado o melhor aproveitamento do milho, apostando na eficiência produtiva e na geração de valor agregado. Esse movimento contribui para integrar diferentes segmentos do agronegócio, ampliando as oportunidades econômicas.

Diversificação energética e mercado global

A produção de etanol de milho no Brasil também está ligada à diversificação da matriz energética, historicamente concentrada na cana-de-açúcar. O setor agora busca atender demandas internacionais, como o combustível sustentável de aviação (SAF).

Esse cenário tem atraído investimentos voltados à redução da intensidade de carbono, fator essencial para a competitividade no mercado externo e para atender exigências ambientais globais.

Integração com pecuária fortalece competitividade

O modelo de biorrefinaria adotado no país permite transformar o milho em combustível e, ao mesmo tempo, destinar resíduos para a produção de ração. Essa integração com a pecuária cria um ciclo eficiente de aproveitamento e reforça a competitividade do Brasil no cenário internacional.

Especialistas apontam que a viabilidade econômica dos novos projetos depende justamente dessa sinergia entre energia e proteína, garantindo sustentabilidade financeira e operacional.

Sustentabilidade e regulação em debate

O crescimento do setor também envolve discussões sobre marcos regulatórios e financiamento de novas tecnologias. O objetivo é aumentar a eficiência ambiental e assegurar que o etanol brasileiro atenda às metas globais de descarbonização.

A evolução da indústria reforça o papel estratégico do Brasil tanto na produção de biocombustíveis quanto no fornecimento de insumos para a cadeia alimentar.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

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Informação

Etanol ganha força no Brasil com aumento da mistura e demanda aquecida

A produção de etanol no Brasil deve avançar na safra 2026/27, impulsionada pelo aumento da mistura obrigatória na gasolina e pelo aquecimento da demanda interna por biocombustíveis. A estimativa é que o volume total, somando etanol hidratado e anidro, se aproxime de 43 bilhões de litros.

O crescimento será sustentado tanto pelo etanol de cana-de-açúcar quanto pelo etanol de milho, refletindo a diversificação da matriz produtiva nacional.

Aumento da mistura impulsiona consumo

A elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passou para E30 em 2025, já vem impactando positivamente o consumo. A expectativa de avanço para E35 ao longo de 2026 deve intensificar ainda mais essa demanda.

Segundo projeções do mercado, cada ponto percentual adicional na mistura pode gerar um aumento de cerca de 920 milhões de litros no consumo anual. Com isso, uma elevação de cinco pontos percentuais pode acrescentar aproximadamente 4,6 bilhões de litros à demanda em um ano.

Inicialmente, a mudança de E27 para E30 previa crescimento de 1,65 bilhão de litros, mas o maior consumo de gasolina elevou essa projeção para cerca de 2,76 bilhões de litros.

Usinas priorizam etanol e reduzem produção de açúcar

Diante da maior atratividade do mercado de etanol, as usinas brasileiras devem ajustar seu mix produtivo, priorizando o biocombustível em detrimento do açúcar.

Como consequência, as exportações de açúcar tendem a cair na safra 2026/27. A previsão é de recuo de quase 15%, com os embarques passando de 33,8 milhões para cerca de 29 milhões de toneladas.

Essa mudança estratégica reflete a maior competitividade do etanol no mercado interno, além de reforçar o papel do Brasil como referência global na produção de energia renovável.

Safra de cana cresce, com destaque para o Centro-Sul

A produção de cana-de-açúcar também deve avançar. A estimativa é de 677,7 milhões de toneladas na safra 2026/27, alta de 3,15% em relação ao ciclo anterior.

A região Centro-Sul continuará como principal polo produtor, com moagem prevista de 620 milhões de toneladas, crescimento de 3,7%.

Por outro lado, as regiões Norte e Nordeste devem registrar retração de 2,2%, com produção estimada em 57,7 milhões de toneladas.

Produção de açúcar deve recuar

Mesmo com o aumento da moagem, a produção de açúcar no Brasil deve cair cerca de 7,36%, totalizando 40,3 milhões de toneladas.

A redução está diretamente ligada à priorização do etanol pelas usinas, que respondem aos sinais de mercado mais favoráveis ao biocombustível.

Brasil reforça protagonismo em biocombustíveis

O cenário projetado indica uma reconfiguração do setor sucroenergético, com maior foco na produção de etanol. Esse movimento fortalece a posição do Brasil como líder global em biocombustíveis, ao mesmo tempo em que ajusta sua participação no mercado internacional de açúcar.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agronegócio

Gargalos marítimos globais: riscos crescentes para o agronegócio brasileiro

A dinâmica do comércio internacional continua sendo fortemente influenciada por rotas estratégicas marítimas. Desde as grandes navegações, o controle de passagens estreitas determina fluxos econômicos e relações de poder. Em 2026, a escalada de tensões no Golfo Pérsico voltou a evidenciar como esses pontos críticos — conhecidos como chokepoints — permanecem essenciais para o funcionamento da economia global.

Atualmente, cerca de 80% do comércio mundial em volume é transportado por via marítima. Esse fluxo depende diretamente de corredores específicos, cuja interrupção pode gerar efeitos em cadeia sobre energia, alimentos e insumos agrícolas.

O papel estratégico dos gargalos marítimos

Os principais gargalos marítimos do mundo incluem rotas como Ormuz, Bab el-Mandeb, Suez e Malaca, além de passagens como Gibraltar, Bósforo e o Canal do Panamá. Esses pontos concentram grande parte da circulação de commodities agrícolas, energia e insumos industriais.

Mais do que rotas de petróleo, esses corredores são fundamentais para o transporte de grãos, proteínas animais, fertilizantes, celulose e açúcar. Para o Brasil — uma potência exportadora do agronegócio — compreender essas rotas é uma questão estratégica.

Dependência externa expõe fragilidade estrutural

Apesar de ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo, o Brasil ainda depende significativamente da importação de derivados como diesel. Esse combustível é essencial para toda a cadeia do agronegócio, desde o plantio até o transporte.

  • O país importa cerca de 25% do diesel consumido
  • O GLP também tem dependência semelhante
  • Já o querosene de aviação possui dependência menor, mas relevante

Essa vulnerabilidade impacta diretamente os custos logísticos e a competitividade do setor agrícola, especialmente em cenários de crise internacional.

Fertilizantes: o maior risco para a produção agrícola

Se a dependência de combustíveis preocupa, a dos fertilizantes é ainda mais crítica. O Brasil importa aproximadamente 85% dos insumos agrícolas utilizados no campo.

Com a tensão no Golfo Pérsico e o fechamento do Estreito de Ormuz em 2026:

  • Os preços da ureia dispararam
  • Houve suspensão de ofertas no mercado internacional
  • Cresceu o risco de desabastecimento

Além disso, restrições de exportação por grandes fornecedores globais e danos à infraestrutura no Oriente Médio agravam o cenário.

Entre os insumos mais críticos estão:

  • Ureia
  • Enxofre
  • Fosfatos

A escassez desses produtos pode comprometer diretamente a safra 2026/2027.

Impactos diretos no agronegócio brasileiro

A crise logística internacional afeta o Brasil em duas frentes principais:

Custos mais altos

O aumento nos preços de frete e seguros marítimos eleva o custo final das exportações e insumos.

Risco à produção

A dificuldade de acesso a fertilizantes pode reduzir a produtividade agrícola e pressionar margens.

Além disso, o Oriente Médio é um mercado relevante para o Brasil, especialmente na compra de milho e outros produtos agrícolas.

Biocombustíveis ganham protagonismo

Em meio à crise, os biocombustíveis surgem como alternativa estratégica. O Brasil possui vantagens competitivas nesse setor:

  • Mistura de etanol na gasolina
  • Uso crescente de biodiesel
  • Frota de veículos flex

Esses fatores ajudam a reduzir a dependência externa e amortecer os impactos das oscilações no mercado global de النفط e derivados.

Os principais gargalos marítimos do mundo

1. Estreito de Ormuz — risco crítico

Principal rota de petróleo e fertilizantes, concentra grande volume de energia global.

2. Bab el-Mandeb — risco crítico

Conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é essencial para o acesso ao Canal de Suez.

3. Estreito de Malaca — risco médio

Um dos corredores mais movimentados do mundo, vital para o comércio asiático.

4. Bósforo e Dardanelos — risco alto

Fundamentais para o escoamento de trigo, milho e fertilizantes do Mar Negro.

5. Canal de Suez — risco alto

Principal ligação entre Ásia e Europa, responsável por grande parte do transporte global.

6. Canal do Panamá — risco moderado

Importante para cargas entre Atlântico e Pacífico, com destaque para grãos.

7. Estreito de Gibraltar — risco baixo

Rota estratégica para fertilizantes e comércio entre Europa e África.

Um novo cenário global exige estratégia

A crise de 2026 reforça uma tendência: eventos geopolíticos deixaram de ser exceção e passaram a ser recorrentes. Para o Brasil, isso exige mudanças estruturais.

Entre os principais desafios:

  • Reduzir a dependência de fertilizantes importados
  • Diversificar fornecedores internacionais
  • Investir na produção nacional de insumos
  • Criar estoques estratégicos

Em um cenário global instável, fortalecer a segurança de abastecimento é fundamental para manter a competitividade do agronegócio brasileiro.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Importação

Brasil busca ampliar importação de gás da Bolívia e reforçar parceria energética

A cooperação energética entre Brasil e Bolívia ganhou novo impulso com a sinalização de aumento na produção e no fornecimento de gás natural ao mercado brasileiro. A iniciativa ocorre em meio a um cenário internacional de incertezas no abastecimento de combustíveis, o que reforça a importância de parcerias regionais estratégicas.

Parceria energética ganha força

Durante encontro oficial em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o interesse brasileiro em ampliar tanto a produção quanto a importação de gás natural boliviano, considerado um recurso essencial para a segurança energética do país.

Segundo o presidente, a Bolívia segue como um fornecedor confiável, mesmo diante de crises globais que afetam o setor. Ele também mencionou a possibilidade de novos investimentos para expandir a oferta do insumo ao Brasil.

A atuação da Petrobras ao longo das últimas décadas foi apontada como fundamental para a integração energética entre os dois países. Atualmente, a estatal responde por cerca de 25% da produção de gás na Bolívia — número inferior aos 60% registrados anteriormente, mas ainda relevante.

Gasoduto e integração regional

O Gasoduto Brasil–Bolívia continua sendo uma peça-chave para o desenvolvimento industrial brasileiro e para o setor de hidrocarbonetos boliviano. A expectativa é que a estrutura seja utilizada de forma mais ampla, promovendo a integração dos mercados de gás no Cone Sul.

Além disso, há potencial de uso do gasoduto para abastecer projetos industriais, como uma possível fábrica de fertilizantes na região de Puerto Quijaro.

Interligação elétrica e energia renovável

Outro avanço importante foi o acordo para interconexão dos sistemas elétricos entre os dois países. O projeto prevê a construção de uma linha de transmissão entre a província de Germán Busch, na Bolívia, e o município de Corumbá (MS).

A proposta busca otimizar o uso de recursos energéticos e ampliar o acesso à eletricidade em áreas ainda dependentes de diesel. O Brasil também demonstrou interesse em colaborar com a Bolívia no desenvolvimento de biocombustíveis e outras fontes renováveis, fortalecendo a diversificação da matriz energética e contribuindo para a descarbonização.

Mineração e cooperação ampliada

O presidente boliviano, Rodrigo Paz, ressaltou o potencial de cooperação no setor de mineração, destacando a diversidade e abundância de recursos minerais no país.

Além da energia, os dois governos discutiram temas como integração física, combate a crimes transnacionais, comércio, investimentos e questões migratórias. Também foram firmados acordos nas áreas de turismo e segurança, com foco no enfrentamento ao crime organizado.

Comércio bilateral e novos investimentos

Apesar de o Brasil ser o segundo maior parceiro comercial da Bolívia, o volume de trocas entre os países vem diminuindo. Em 2013, a balança comercial atingiu US$ 5,5 bilhões, enquanto em 2025 caiu para US$ 2,6 bilhões.

Ainda assim, há expectativa de retomada, com oportunidades em setores como agronegócio, alimentos, sementes, frutas, algodão, cana-de-açúcar e soja, além de avanços em biotecnologia com apoio da Embrapa.

Infraestrutura e integração logística

A construção de uma nova ponte sobre o Rio Mamoré, ligando Guajará-Mirim (RO) a Guayarámerin, deve facilitar o fluxo comercial entre os países. A obra integra as Rotas de Integração Sul-Americana e tem início previsto para 2027.

O projeto permitirá melhor acesso aos portos do Chile e do Peru, ampliando a conexão com mercados asiáticos por meio do Oceano Pacífico.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Agência Petrobras/Divulgação)

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Internacional

Biocombustíveis ganham importância estratégica para o Brasil em meio à guerra no Oriente Médio

A escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, colocou novamente a segurança energética no centro das discussões globais. Nesse cenário, os biocombustíveis brasileiros passaram a assumir um papel mais amplo do que apenas o de alternativa sustentável.

Tradicionalmente associados à descarbonização e à agenda ambiental, etanol e biodiesel começam a ser vistos também como instrumentos estratégicos capazes de reduzir a vulnerabilidade do país a oscilações no mercado internacional de petróleo.

A mudança ocorre em um momento de forte instabilidade no setor energético global, impulsionada pela alta do petróleo Brent e pelos riscos de interrupção no fluxo de petróleo em áreas estratégicas, como o Estreito de Ormuz.

Dependência de combustíveis fósseis aumenta vulnerabilidade global

A elevação do preço do petróleo reacendeu um debate antigo: a dependência excessiva de combustíveis fósseis importados pode deixar economias mais expostas a crises internacionais.

Quando conflitos armados atingem regiões produtoras ou rotas logísticas relevantes, como ocorre atualmente no Oriente Médio, o impacto rapidamente se espalha pelo mercado global de energia, pressionando preços de combustíveis, fretes marítimos e cadeias de abastecimento.

Nesse contexto, países que possuem fontes internas de energia renovável conseguem reduzir parte dessa exposição.

Mistura obrigatória fortalece a matriz energética brasileira

O Brasil ocupa uma posição diferenciada nesse cenário por conta de sua política de mistura obrigatória de biocombustíveis nos combustíveis fósseis.

Desde agosto de 2025, a gasolina comum e aditivada passou a conter 30% de etanol anidro, enquanto o diesel é comercializado com 15% de biodiesel.

Essa estrutura regulatória não elimina os impactos de uma crise internacional, mas cria uma espécie de proteção parcial. Com maior participação de energia renovável produzida internamente, o país reduz a necessidade de importação de derivados de petróleo.

Etanol se destaca como amortecedor de preços

Entre os biocombustíveis, o etanol é o que mais aparece diretamente para o consumidor.

Dados recentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam preços médios próximos de R$ 6,30 por litro para a gasolina, R$ 4,60 para o etanol hidratado e cerca de R$ 6,15 para o diesel S10.

Esses valores mostram que o etanol entra no atual cenário internacional em uma posição relativamente competitiva. Caso a pressão sobre o petróleo continue, o biocombustível pode ganhar ainda mais espaço, principalmente entre os veículos flex, funcionando como um mecanismo de amortecimento de preços.

Mistura na gasolina reforça autonomia energética

Além do preço nas bombas, o etanol possui um papel estrutural dentro da matriz energética brasileira.

A presença obrigatória do combustível na gasolina faz com que parte do consumo nacional seja automaticamente atendida por produção renovável doméstica.

Em períodos de estabilidade econômica, essa política é vista sobretudo como instrumento ambiental. Em momentos de crise internacional, porém, ela também passa a ser considerada uma ferramenta de resiliência econômica.

Quanto maior a proporção de etanol anidro na gasolina, menor é a necessidade de gasolina de origem fóssil para abastecer o mercado interno.

Biodiesel também tem papel estratégico na logística

No caso do biodiesel, o impacto é menos perceptível para o consumidor final, mas igualmente relevante para a economia.

O diesel é o principal combustível da logística brasileira, utilizado no transporte rodoviário de cargas, no agronegócio e em diversos setores produtivos.

Por isso, em um cenário de aumento dos preços internacionais do petróleo, cada ponto percentual de mistura obrigatória de biodiesel ajuda a reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.

Biocombustíveis passam a integrar estratégia econômica

A atual crise energética global também altera a forma como os biocombustíveis são discutidos no debate político e econômico.

Em condições normais, etanol e biodiesel costumam aparecer ligados à transição energética e à redução de emissões de carbono. No contexto de tensões geopolíticas, porém, passam a ser vistos também como instrumentos de soberania energética.

Isso não significa que o Brasil esteja imune aos efeitos da volatilidade internacional. O país continua exposto às oscilações do preço do petróleo, do diesel e do frete global.

A diferença é que a presença consolidada dos biocombustíveis na matriz energética oferece mecanismos capazes de amenizar parte desses impactos.

Nova centralidade dos biocombustíveis na política energética

A crise atual tende a reorganizar as prioridades do debate energético no Brasil. A pauta ambiental continua relevante, mas deixa de ser o único fator de análise.

Com a instabilidade no mercado internacional de energia, etanol e biodiesel passam a ocupar um papel mais amplo: reduzir vulnerabilidades externas e fortalecer a autonomia energética brasileira.

Em um cenário global em que o petróleo voltou a carregar forte peso geopolítico, os biocombustíveis ganham status de componente estratégico da infraestrutura energética do país.

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Informação

Índia acelera etanol automotivo e coloca Brasil como parceiro estratégico

A Índia praticamente antecipou sua meta de 20% de mistura de etanol na gasolina (E20) e transformou o programa em um eixo central de sua política energética e agrícola. O avanço redesenha a matriz de combustíveis do país e reposiciona o setor sucroenergético, com reflexos que ultrapassam fronteiras e abrem espaço para cooperação com o Brasil.

O que começou como iniciativa de diversificação energética evoluiu para uma estratégia de substituição de importações, redução da vulnerabilidade cambial e fortalecimento da renda no campo.

Meta E20 muda lógica do setor energético

O programa Ethanol Blended Petrol (EBP), acelerado a partir de 2020, elevou a mistura média de etanol de menos de 5% para cerca de 20% em poucos anos.

Para um país que importa mais de 80% do petróleo que consome, cada ponto percentual adicional de etanol na gasolina reduz a exposição a oscilações externas, melhora o déficit energético e cria demanda interna previsível para o agronegócio.

A política deixou de ser apenas ambiental e passou a integrar a estratégia macroeconômica do governo indiano.

Cana lidera, mas milho ganha espaço

A base da produção de etanol indiano continua sendo a cana-de-açúcar. No entanto, eventos recentes de restrição hídrica e preocupações com a oferta de açúcar levaram o governo a incentivar também o etanol produzido a partir de grãos, especialmente o milho.

A diversificação funciona como mecanismo de equilíbrio: reduz a dependência exclusiva da cana e oferece flexibilidade em anos de safra menor ou quando os preços internacionais do açúcar sobem.

Atualmente, a capacidade instalada de produção se aproxima de 20 bilhões de litros por ano, impulsionada por investimentos em destilarias anexas a usinas e em plantas dedicadas ao processamento de grãos.

Política industrial com preços administrados

Diferentemente de modelos baseados em livre mercado, o sistema indiano opera com forte coordenação estatal. O governo define preços diferenciados de compra do etanol conforme a matéria-prima utilizada — melaço, caldo de cana ou milho.

Essa política garante margem mínima aos produtores e previsibilidade às distribuidoras, consolidando o programa como instrumento de política industrial.

Os impactos macroeconômicos são claros: menor gasto com importação de combustíveis fósseis, melhora no balanço externo e redução da exposição a choques geopolíticos. Ao mesmo tempo, há transferência de renda para regiões agrícolas e maior estabilidade financeira no setor sucroenergético.

Brasil entra como parceiro tecnológico

É nesse cenário que o Brasil surge como parceiro estratégico. A Índia não pretende depender estruturalmente de importações de etanol, mas pode aproveitar a experiência brasileira acumulada em décadas de mistura elevada e motores flex.

O país domina tecnologias de produção integrada de etanol de cana, cogeração de bioeletricidade e desenvolvimento de etanol de segunda geração. Essa expertise pode ser compartilhada por meio de engenharia industrial, fornecimento de equipamentos, certificações de sustentabilidade e apoio regulatório.

Desafios estruturais e equilíbrio alimentar

O avanço do E20, contudo, não está livre de tensões. Monções irregulares e ondas de calor têm afetado a produtividade da cana, elevando custos. Em períodos de preços elevados do açúcar no mercado internacional, cresce o incentivo às exportações, o que pode reduzir a oferta para produção de etanol.

Há também questionamentos de parte dos consumidores sobre eficiência e autonomia dos veículos adaptados ao E20, apesar da adequação promovida pelas montadoras.

Além disso, permanece o debate clássico dos biocombustíveis: como equilibrar segurança energética e segurança alimentar.

Consolidação como padrão estrutural

A tendência é de consolidação do E20 como novo padrão estrutural do mercado indiano, com ajustes graduais na participação do milho e aprimoramentos no sistema de preços administrados.

A Índia constrói um modelo próprio, distinto dos sistemas brasileiro e americano, com forte coordenação estatal e foco na redução de vulnerabilidades externas. Nesse contexto, o papel do Brasil não é substituir a produção local, mas agregar eficiência e tecnologia ao sistema.

O etanol na Índia deixou de ser apenas política ambiental. Tornou-se ferramenta de gestão macroeconômica e oportunidade estratégica para um Brasil que detém uma das tecnologias mais maduras do mundo em biocombustíveis.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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