Internacional

Construção naval da China cresce em 2026 e amplia liderança global com navios de energia limpa

A indústria de construção naval da China registrou forte expansão nos primeiros nove meses de 2026, com crescimento nas entregas de embarcações, na entrada de novos contratos e na carteira de pedidos. O avanço é impulsionado, entre outros fatores, pela demanda internacional por navios de grande porte e por embarcações movidas a combustíveis de baixa emissão.

Dados divulgados em 23 de outubro pelo Ministério da Indústria e Informatização da China (MIIT) mostram que os estaleiros do país entregaram 58,05 milhões de toneladas de porte bruto entre janeiro e setembro, alta de 50,7% em relação ao mesmo período de 2025.

No mesmo intervalo, os novos pedidos somaram 175,29 milhões de toneladas de porte bruto, crescimento de 163,2%. Já a carteira total de encomendas alcançou 399,13 milhões de toneladas, um avanço anual de 64,8%.

China concentra a maior parte dos pedidos mundiais de navios

Os indicadores reforçam a posição chinesa no mercado internacional de construção naval. Nos primeiros três trimestres de 2026, o país respondeu por 81,8% dos novos pedidos globais e por 63,6% das entregas mundiais.

Ao final de setembro, a participação da China na carteira global de encomendas chegou a 72,4%, segundo o MIIT.

Para Zhong Zhechao, fundador e CEO da Yi Shipping, a liderança chinesa é resultado de mais de uma década de desenvolvimento industrial, apoiado por uma cadeia de suprimentos abrangente e pela capacidade de produzir diferentes categorias de embarcações comerciais.

Além da disponibilidade de matérias-primas e equipamentos essenciais, os estaleiros chineses oferecem escala produtiva, previsibilidade nos prazos de entrega, soluções tecnológicas e alternativas de financiamento.

Essa combinação, segundo Zhong, permite reduzir os riscos enfrentados pelos armadores durante a aquisição de navios, desde a escolha da tecnologia até a conclusão dos projetos.

Demanda por renovação de frotas impulsiona novos contratos

O crescimento de 163,2% nos novos pedidos está relacionado à necessidade de renovação da frota marítima mundial e à procura por maior capacidade de transporte, conforme análise de Su Zewei, pesquisador especial do Banco Su Shang, publicada pelo China Business Journal.

Outro fator relevante é o avanço das regras internacionais de descarbonização do transporte marítimo, que estimula empresas de navegação a substituir embarcações antigas por modelos mais eficientes e menos poluentes.

A combinação entre a renovação natural das frotas e as exigências ambientais tem ampliado as oportunidades para os estaleiros chineses, especialmente no segmento de navios de grande porte.

Navios de energia limpa ganham espaço na construção naval chinesa

A procura por embarcações movidas a combustíveis alternativos tornou-se um dos principais vetores de crescimento do setor.

De janeiro a setembro de 2026, a China concentrou 74,1% dos novos pedidos mundiais de navios com propulsão de energia limpa, participação 5,7 pontos percentuais superior à registrada no primeiro semestre do ano.

Segundo Su Zewei, o endurecimento das normas ambientais para a navegação internacional vem estimulando a procura por tecnologias que reduzam as emissões de gases de efeito estufa.

Nesse cenário, os fabricantes chineses têm ampliado os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, conquistando contratos para construir embarcações que utilizam novas fontes de energia.

A competitividade nesse segmento está associada tanto à capacidade industrial instalada quanto ao desenvolvimento antecipado de soluções tecnológicas para atender às exigências ambientais do setor marítimo.

China estabelece metas para ampliar a produção de navios verdes

O avanço da construção naval sustentável também está relacionado à estratégia industrial do governo chinês.

No fim de 2023, o país apresentou um plano de seis anos para promover o desenvolvimento verde da indústria naval. A meta é estabelecer, até 2030, um sistema industrial voltado à produção sustentável de embarcações.

O planejamento prevê ampliar a variedade de navios verdes fabricados na China, avançar nas tecnologias de navegação de baixa emissão e manter a participação chinesa na liderança do mercado mundial.

Dados oficiais indicam que, entre 2023 e 2025, os estaleiros do país responderam por mais de 68% dos novos pedidos globais de embarcações classificadas como verdes.

A expectativa é que o desenvolvimento dessas tecnologias fortaleça a posição chinesa em um mercado cada vez mais influenciado pelas metas de redução das emissões do transporte marítimo.

Vale aposta em navios movidos a etanol, metanol e óleo combustível

A expansão da indústria naval chinesa também envolve empresas brasileiras. Em abril de 2026, a mineradora Vale anunciou um contrato de afretamento com a Shandong Shipping para utilizar navios do tipo Guaibamax equipados com sistema de propulsão tri-fuel.

As embarcações serão projetadas e construídas por empresas chinesas e poderão operar com três combustíveis: etanol, metanol e óleo combustível.

As entregas estão previstas para começar gradualmente a partir de 2029.

O projeto representa um exemplo da aplicação de novas tecnologias de propulsão no transporte marítimo de longo curso, segmento que busca alternativas para reduzir o impacto ambiental das operações.

Etanol pode reduzir emissões no transporte marítimo

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o uso de etanol como combustível naval tem potencial para reduzir em aproximadamente 90% as emissões de gases de efeito estufa, em comparação com o óleo combustível marítimo convencional.

A tecnologia também se destaca por sua aplicação prevista em embarcações de longo curso, nas quais o etanol será utilizado como uma das opções de abastecimento do sistema de propulsão.

O projeto dos navios Guaibamax da Vale e da Shandong Shipping acompanha o movimento de transformação do setor, que busca combinar capacidade de transporte, eficiência operacional e redução das emissões.

Construção naval sustentável deve ampliar oportunidades internacionais

Os resultados de 2026 mostram que a China mantém uma posição dominante na construção naval mundial e amplia sua atuação em um segmento estratégico: o de embarcações com tecnologias de menor impacto ambiental.

A combinação de uma cadeia produtiva consolidada, investimentos em inovação e demanda por renovação das frotas favorece o crescimento das encomendas.

Com a intensificação das exigências ambientais internacionais, os navios movidos a combustíveis alternativos devem ganhar importância nas estratégias de armadores e empresas de transporte marítimo, criando novas oportunidades para os estaleiros chineses e para parceiros comerciais de outros países.

FONTE: Portuguese Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Shi Jun/Xinhua

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