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Porto de Paranaguá apresenta Plano de Descarbonização e reforça meta de emissões zero até 2050

A administração do Porto de Paranaguá deu mais um passo na agenda ambiental ao apresentar o Plano de Descarbonização da Portos do Paraná à comunidade portuária. O documento foi divulgado no Palácio Taguaré, sede administrativa da empresa pública.

O plano reúne estratégias voltadas à redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) nas atividades portuárias e foi desenvolvido pela Fundación Valenciaport, centro espanhol de inovação ligado ao Porto de Valência e especializado em transição energética, tecnologias limpas e combustíveis renováveis.

Segundo o diretor de Meio Ambiente da Portos do Paraná, João Paulo Santana, o objetivo está alinhado às metas internacionais do setor marítimo. “A principal meta é alcançar emissões zero até 2050, em consonância com o compromisso da Organização Marítima Internacional (IMO)”, destacou.

Inventário de emissões foi a base do plano

A elaboração do Plano de Descarbonização começou com a construção do Inventário de Gases de Efeito Estufa, concluído no primeiro semestre de 2025. O levantamento também contou com apoio da Fundación Valenciaport.

De acordo com o gerente de Meio Ambiente da Portos do Paraná, Thales Trevisan, a coleta de dados exigiu uma articulação direta com empresas instaladas no complexo portuário.

O objetivo foi identificar o nível de maturidade das companhias em relação ao monitoramento de emissões e aos próprios inventários ambientais, etapa considerada uma das mais complexas do processo.

Durante o evento de lançamento, especialistas apresentaram as propostas que integram a estratégia rumo à meta Net Zero 2050, incluindo melhorias na coleta de dados ambientais, estudos sobre a demanda energética de navios atracados e projetos de eletrificação do cais.

Entre as medidas sugeridas está a substituição gradual de equipamentos movidos a combustíveis fósseis por versões eletrificadas.

Porto busca engajamento de toda a comunidade portuária

A próxima fase do projeto prevê a criação de grupos de trabalho com operadores portuários e empresas do setor para colocar as medidas em prática.

O coordenador de Monitoramento e Qualidade da Diretoria de Meio Ambiente da Portos do Paraná, Vader Zuliane Braga, explica que o plano poderá evoluir ao longo do tempo.

Segundo ele, o documento foi concebido como um instrumento dinâmico, que pode receber atualizações conforme novas tecnologias e estratégias surjam no processo de descarbonização portuária.

Entre as iniciativas previstas estão a eletrificação de equipamentos, ajustes nos processos operacionais e novos padrões de gestão voltados à redução das emissões de GEE.

Empresas que atuam no porto também já iniciaram suas próprias ações ambientais. A Catallini Terminais, por exemplo, começou em 2021 a elaborar seu inventário de gases de efeito estufa e trabalha para implementar seu plano de descarbonização ainda este ano.

Já a Cotriguaçu iniciou em 2024 seu levantamento de emissões, que servirá de base para metas futuras alinhadas às iniciativas do setor portuário e às diretrizes da Aliança Brasileira para Descarbonização dos Portos.

Evento reuniu soluções sustentáveis para o setor

Além da participação presencial, mais de 100 pessoas acompanharam o lançamento do plano de forma on-line.

A programação incluiu pitches de inovação e exposições de empresas com soluções sustentáveis voltadas à logística e às operações portuárias.

Entre as iniciativas apresentadas esteve o projeto do Grupo Borelli, que utiliza caminhões movidos a Gás Natural Veicular (GNV) no transporte de cargas entre o interior do Paraná e o litoral.

A empresa Linck Máquinas, distribuidora oficial da Volvo, também exibiu equipamentos eletrificados, como a pá carregadeira elétrica, desenvolvida para reduzir emissões em operações portuárias.

Especialistas destacaram que a transição energética no setor portuário representa não apenas desafios ambientais, mas também novas oportunidades econômicas e ganhos de competitividade.

Maioria das emissões vem dos navios

O inventário ambiental do complexo portuário foi elaborado com base no GHG Protocol, metodologia internacional para mensuração e gestão de emissões de gases de efeito estufa, além do guia técnico de cálculo de pegada de carbono em portos publicado pela Puertos del Estado.

Os dados mostram que, no período analisado, as atividades ligadas aos portos do Paraná emitiram cerca de 678 mil toneladas de CO₂ equivalente.

As emissões foram divididas em três escopos:

  • Escopo 1: emissões diretas da Autoridade Portuária (2,7% do total)
  • Escopo 2: emissões indiretas relacionadas ao consumo de energia elétrica (0,1%)
  • Escopo 3: emissões indiretas de operações ligadas ao porto, como terminais, transporte terrestre e navios (97,1%)

O levantamento também revelou que 89,2% das emissões registradas em 2023 foram geradas pelos navios, e não pelas operações diretas do porto.

Incentivo a “navios verdes” no Porto de Paranaguá

Como forma de estimular práticas ambientais mais eficientes, a Autoridade Portuária adota políticas de incentivo aos chamados “navios verdes”.

Essas embarcações, que apresentam melhor desempenho ambiental ou utilizam matrizes energéticas de menor emissão, recebem prioridade de atracação no Porto de Paranaguá.

A medida está prevista no Regulamento de Programação, Operações e Atracações de Navios, atualizado em 2023.

Outras iniciativas ambientais da Portos do Paraná

A agenda ambiental da Portos do Paraná inclui ainda participação ativa na COP (Conferência das Partes da ONU sobre mudanças climáticas) desde 2019, quando a empresa passou a apresentar projetos socioambientais realizados nas comunidades próximas aos portos paranaenses.

Outro destaque é a parceria firmada em 2023 com o Porto de Rotterdam, na Holanda. O acordo prevê o desenvolvimento de projetos de energias renováveis nos portos de Paranaguá e Antonina dentro do programa internacional Green Ports Partnership.

Além disso, a Portos do Paraná é atualmente o único porto público do Brasil com certificação EcoPorts, reconhecimento internacional voltado à gestão ambiental sustentável em complexos portuários.

FONTE: Portos do Paraná
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Porto de Santos prorroga desconto para “navios verdes” e reforça estratégia de descarbonização

A Autoridade Portuária de Santos (APS) decidiu estender por mais 90 dias o programa de desconto tarifário para “navios verdes” que operam no Porto de Santos. A política, adotada desde 2023, oferece redução nas tarifas portuárias para embarcações com menor nível de emissão de poluentes.

O benefício pode chegar a 15% de desconto nas taxas relacionadas ao uso da infraestrutura de acesso aquaviário, calculadas com base na tonelagem de porte bruto das embarcações.

Para se qualificar, os navios precisam estar registrados no Environmental Ship Index (ESI), um sistema internacional que avalia o desempenho ambiental das embarcações. Quanto maior a pontuação obtida no índice, maior a possibilidade de receber o incentivo.

Iniciativa integra estratégia de combate às emissões

O estímulo à operação de navios mais eficientes ambientalmente faz parte da estratégia da APS para reduzir impactos climáticos no setor portuário.

Segundo dados da Organização Marítima Internacional (IMO), o transporte marítimo responde por cerca de 80% do comércio mundial e aproximadamente 3% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE).

Diante desse cenário, a transformação ambiental dos portos é considerada fundamental para o cumprimento das metas estabelecidas pelo Acordo de Paris, tratado internacional voltado à redução das emissões e ao controle do aquecimento global.

Com a política de incentivos, o Porto de Santos busca se posicionar como um dos protagonistas da transição energética no setor portuário brasileiro.

Mais de R$ 40 milhões já foram concedidos em incentivos

Desde o início do programa, em 2023, a APS já concedeu mais de R$ 40,6 milhões em descontos tarifários para navios e terminais que adotam práticas sustentáveis.

Somente em 2025, o valor concedido ultrapassou R$ 16,8 milhões.

Na prática, trata-se de uma renúncia de receita utilizada como instrumento de estímulo para que empresas do setor marítimo se adaptem às exigências ambientais globais.

Porto investe em plano de descarbonização

A redução das emissões no complexo portuário da Baixada Santista também está sendo planejada por meio de estudos estruturais.

Em outubro do ano passado, a APS firmou parceria com a Fundação Valenciaport para desenvolver um Plano de Descarbonização e um Plano Diretor Energético (PDE) voltados ao Porto de Santos.

Os estudos, com prazo de conclusão de 22 meses, deverão definir metas e diretrizes para reduzir as emissões de carbono em todas as atividades do complexo.

O planejamento inclui operações da própria autoridade portuária, atividades dos terminais portuários, a movimentação de navios, além dos modais rodoviário e ferroviário que atendem o porto.

Transição energética e eletrificação do cais

Outra iniciativa importante é o projeto de eletrificação do cais, implementado pelo Porto de Santos desde 2024.

A energia utilizada no sistema é proveniente da Usina Hidrelétrica de Itatinga, fonte renovável que já abastece cerca de 20 rebocadores que operam no porto.

Há negociações em andamento para ampliar esse fornecimento de energia limpa. Estudos também analisam a repotencialização da usina, com aumento da capacidade de geração e possibilidade futura de produção de hidrogênio verde.

Atualmente, a usina já atende quase toda a demanda energética da Autoridade Portuária, e a ampliação da produção poderá suprir uma parcela ainda maior das operações portuárias.

Tecnologia e logística ajudam a reduzir emissões

Além da transição energética, a eficiência logística é outro pilar da estratégia de sustentabilidade do porto.

Em parceria com o Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos (PIT), estão sendo desenvolvidas soluções digitais para melhorar o sequenciamento de caminhões e navios.

Essas ferramentas ajudam a reduzir filas e tempos de espera, diminuindo o consumo de combustível e, consequentemente, as emissões de gases poluentes.

Monitoramento das emissões segue padrão científico

Desde 2021, a Autoridade Portuária de Santos também mantém um sistema estruturado de monitoramento ambiental.

A instituição elabora anualmente seu inventário de gases de efeito estufa, utilizando a metodologia do Programa Brasileiro GHG Protocol, referência nacional para contabilização de emissões corporativas.

O processo segue diretrizes reconhecidas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), garantindo maior rigor técnico na gestão ambiental do porto.

Com essas iniciativas, o Porto de Santos busca consolidar um modelo de porto sustentável, alinhado às metas internacionais de redução de emissões e à modernização da logística marítima.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/APS

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