Transporte

Marcopolo entrega seis ônibus Viaggio G8 1050 ao Paraguai com foco em segurança estrutural

A Marcopolo entregou à empresa paraguaia Guaireña seis unidades do Viaggio G8 1050 equipadas com motor dianteiro. Os ônibus foram desenvolvidos considerando os requisitos da UN R66.02, regulamentação internacional que estabelece critérios para a resistência da superestrutura de veículos em situações de tombamento e capotamento.

A entrega ocorreu em setembro de 2026, por meio da CIPAR, representante da fabricante brasileira no Paraguai. Segundo a Marcopolo, trata-se dos primeiros ônibus rodoviários de motor dianteiro destinados ao mercado paraguaio desenvolvidos de acordo com os requisitos da norma.

Motor dianteiro atende operações de curta e média distância

A configuração escolhida pela Guaireña combina uma carroceria rodoviária com chassi de motor dianteiro, solução que encontra aplicações principalmente em viagens de curta e média distância, fretamento e turismo.

Nessas operações, fatores como preço de aquisição, peso do veículo e custos de manutenção podem ter influência significativa na escolha do modelo.

Por outro lado, a localização do conjunto motriz na parte dianteira exige cuidados específicos no projeto da carroceria, principalmente para controlar calor, ruído e vibrações na região do motorista e dos primeiros passageiros.

A Marcopolo posiciona o Viaggio G8 1050 de motor dianteiro justamente para esse perfil de utilização. O modelo pode ser configurado sobre chassi 4×2.

O que estabelece a norma UN R66.02?

A UN R66.02 é uma regulamentação técnica das Nações Unidas, elaborada no âmbito da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (UNECE). O regulamento, denominado tecnicamente UN Regulation No. 66 — Strength of Superstructure, estabelece requisitos relacionados à resistência da estrutura de ônibus.

A norma não é específica para veículos com motor dianteiro. Seu foco está no comportamento da superestrutura do ônibus como um todo.

Na prática, a regulamentação busca garantir que, em um eventual tombamento, a deformação da carroceria não comprometa de maneira incompatível o espaço destinado à sobrevivência dos ocupantes.

A identificação “02” corresponde à segunda série de alterações do Regulamento nº 66 e não representa um nível adicional de segurança.

Espaço de sobrevivência deve ser preservado

Um dos conceitos centrais da R66.02 é o chamado espaço residual, área que deve permanecer preservada nos compartimentos destinados aos passageiros, motorista e tripulação.

A regulamentação não exige que o ônibus permaneça sem danos após um acidente. A estrutura pode sofrer deformações. O requisito é que essas deformações não invadam de forma incompatível a área de proteção definida para os ocupantes.

Dessa forma, a norma não procura impedir o capotamento de ônibus, mas estabelecer critérios para o comportamento estrutural do veículo quando esse tipo de acidente ocorre.

R66.02 EM UMA TABELA

ItemO que significa
NomeUN Regulation nº 66
R66.02Série 02 de alterações do Regulamento nº 66
Quem elaborouONU/UNECE, dentro do sistema internacional de regulamentações veiculares
Tema principalResistência da superestrutura de ônibus em tombamentos
ObjetivoPreservar um espaço de sobrevivência para motorista e passageiros
O que é avaliadoComportamento e deformação da estrutura durante e após o tombamento
Espaço residualVolume interno que deve permanecer protegido contra a invasão da estrutura
Teste básicoTombamento de um veículo completo em condições estabelecidas pela norma
Há outros métodos?Sim. Podem ser utilizados testes de seções da carroceria, ensaios quase-estáticos, cálculos baseados em componentes ou simulação computacional, conforme as regras da norma
Abrangência principalÔnibus de um piso, rígidos ou articulados, M2 ou M3, Classes II, III ou B, com mais de 16 passageiros
Vale apenas para motor dianteiro?Não. O regulamento trata da resistência estrutural, independentemente da localização do motor
É norma de prevenção de capotamento?Não. O foco é a proteção estrutural caso o tombamento ocorra
Aprova freios ou estabilidade?Não. Esses sistemas são tratados por outras regulamentações
“Desenvolvido de acordo” significa necessariamente homologação R66?Não obrigatoriamente. É preciso distinguir desenvolvimento conforme os requisitos de uma homologação formal emitida segundo o sistema da ONU

Como funciona o teste de resistência ao capotamento

Entre os métodos previstos está o ensaio de tombamento do veículo completo. Nesse procedimento, o ônibus é colocado em uma plataforma inclinável e submetido às condições determinadas pela regulamentação até atingir o ponto de desequilíbrio e tombar sobre uma área de impacto.

Durante e após o evento, a estrutura é analisada para verificar se o espaço residual dos ocupantes foi preservado.

A regulamentação também admite métodos equivalentes, como ensaios de tombamento de seções representativas da carroceria, testes de carga quase-estática, cálculos estruturais baseados em ensaios de componentes e simulações computacionais do tombamento.

Segurança estrutural não depende apenas da posição do motor

A presença do motor na dianteira não determina, por si só, um nível maior ou menor de segurança. O comportamento do veículo depende de um conjunto de fatores que inclui chassi, carroceria, estrutura, distribuição de massas, sistemas de retenção, freios e estabilidade.

A localização e o peso dos componentes também interferem no centro de gravidade e nas características do tombamento. Por isso, esses elementos são considerados na avaliação estrutural prevista pelo regulamento.

No caso das unidades destinadas ao Paraguai, o destaque está na aplicação dos requisitos da R66.02 a um ônibus rodoviário com motor dianteiro.

Marcopolo utiliza anéis passantes na carroceria

De acordo com a fabricante, os seis Viaggio G8 1050 destinados à Guaireña contam com “anéis passantes de segurança” nas colunas da carroceria.

Segundo a Marcopolo, a solução contribui para aumentar a resistência estrutural do ônibus em situações de impacto e capotamento.

É importante destacar, porém, que a R66.02 estabelece requisitos de desempenho e métodos de verificação, mas não determina que todos os fabricantes utilizem uma tecnologia específica. Diferentes soluções de engenharia podem ser empregadas para alcançar os critérios exigidos.

A informação divulgada pela Marcopolo também afirma que os veículos foram “desenvolvidos de acordo” com a norma. O material não apresenta detalhes sobre eventual processo formal de homologação, autoridade responsável, método específico de ensaio ou certificado de aprovação. Por isso, a informação é apresentada conforme os dados divulgados pela própria fabricante.

Viaggio G8 1050 já possui histórico com motor dianteiro

O Viaggio 1050 não é um modelo novo na configuração de motor dianteiro. A carroceria já recebeu esse tipo de motorização em gerações anteriores.

Na Geração 8, a Marcopolo ampliou posteriormente a oferta do Viaggio G8 1050 com motor dianteiro para aplicações como fretamento, turismo e transporte rodoviário de curta e média distância.

Em dezembro de 2025, a fabricante realizou um roadshow nacional apresentando os modelos Viaggio G8 900 e G8 1050 com motor dianteiro para esses segmentos.

Atualmente, a configuração de motor dianteiro do G8 1050 pode utilizar chassi 4×2 e atingir até 13,6 metros de comprimento, conforme a configuração escolhida. A Marcopolo, entretanto, não divulgou a marca e o modelo dos chassis utilizados especificamente nas seis unidades entregues à Guaireña.

Ônibus têm 44 poltronas semileito

Cada um dos seis veículos entregues ao mercado paraguaio possui 44 poltronas semileito, segundo a Marcopolo.

A lista de equipamentos inclui:

  • Portas USB A e C;
  • ar-condicionado com aquecimento e renovação de ar;
  • sanitário;
  • geladeira e recipientes térmicos;
  • Wi-Fi;
  • sistema de áudio e vídeo com monitores;
  • reaproveitamento da água gerada pela condensação do ar-condicionado.

A Guaireña mantém uma relação comercial com a Marcopolo há mais de 40 anos, conforme informações da fabricante.

A empresa opera linhas que conectam diferentes cidades paraguaias, entre elas Villarrica, Assunção, Caazapá, Ciudad del Este, Yuty e San Juan Nepomuceno.

Com a nova entrega, o mercado paraguaio passa a contar com seis ônibus rodoviários Viaggio G8 1050 de motor dianteiro cujo projeto estrutural foi desenvolvido, segundo a Marcopolo, considerando os requisitos da UN R66.02 para resistência ao capotamento.

FONTE: Diário do Transporte
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Diário do Transporte

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Transporte

Hidrovias: como rios, portos, rodovias e ferrovias formam uma rede logística

O transporte de cargas pelas hidrovias brasileiras não começa nem termina nos rios. Antes de chegar às embarcações, os produtos precisam percorrer rodovias ou ferrovias até os terminais. Depois da navegação, a carga pode voltar aos trilhos ou às estradas, ser encaminhada a centros consumidores ou seguir para navios com destino a outras regiões.

Essa dinâmica evidencia que o transporte hidroviário depende de uma rede integrada, formada por portos, terminais, rodovias e ferrovias. Problemas em qualquer uma dessas etapas podem comprometer o desempenho de todo o corredor logístico.

Essa lógica está presente no Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050), que considera o percurso completo das cargas para identificar gargalos e orientar investimentos em infraestrutura. O documento trata os eixos logísticos como conjuntos de projetos que, de forma coordenada, atendem fluxos estratégicos de cargas e passageiros.

Como funciona o transporte de cargas pelas hidrovias

A viagem pode começar em uma fazenda, indústria, área de mineração ou centro de distribuição. A partir desses pontos, a carga é transportada por caminhões ou trens até terminais instalados próximos aos rios.

Nesses locais ocorre uma etapa fundamental da operação: recebimento, armazenamento e transferência dos produtos para as embarcações. Após o trecho navegável, a carga pode novamente ser colocada em caminhões ou vagões, encaminhada a centros de consumo ou transferida para navios.

Por isso, as condições dos terminais têm impacto direto sobre a eficiência do corredor de transporte. Capacidade insuficiente, limitações operacionais ou acessos terrestres inadequados podem gerar gargalos mesmo quando o rio oferece boas condições para a navegação.

Arco Norte reúne hidrovias, ferrovias e rodovias

No Arco Norte, o PNL 2050 adota justamente essa perspectiva integrada. O planejamento associa hidrovias, ferrovias, rodovias, terminais e portos para conectar as diferentes fases do deslocamento das mercadorias.

No eixo de conexão ferroviária e hidroviária, estão previstas melhorias na Hidrovia do Tapajós, entre Itaituba e Santarém, além de intervenções em trechos dos rios Amazonas e no Estreito de Breves.

Esses projetos são considerados em conjunto com a implantação da Ferrogrão e a expansão de complexos portuários no Pará, no Amapá e no Amazonas.

Já no eixo de integração rodoviária e hidroviária, as rotas fluviais são relacionadas a melhorias e ampliações das BRs 163 e 230, além dos terminais portuários existentes na região.

A vantagem desse modelo de planejamento é permitir a análise de toda a cadeia logística: a carga chega por estrada ou ferrovia, é transferida para uma embarcação, percorre os rios e, posteriormente, chega aos portos responsáveis pela continuidade da viagem.

Hidrovias têm papel estratégico na Amazônia

A integração dos diferentes modais também aparece no eixo de Integração Amazônica. O PNL 2050 contempla intervenções nas hidrovias dos rios Amazonas, Madeira, Juruá, Solimões, Negro, Branco, Mamoré e Guaporé, além do Estreito de Breves.

Essas vias navegáveis estão conectadas a importantes rodovias, entre elas as BRs 319, 364, 174, 429 e 156, além de complexos portuários e terminais espalhados pela Região Norte.

Na Amazônia, entretanto, a importância das hidrovias vai além do transporte de mercadorias. A navegação fluvial é essencial para o abastecimento de municípios, a movimentação de passageiros e o acesso da população a produtos e serviços.

O próprio PNL 2050 destaca que, em diferentes áreas da Região Norte, hidrovias e aeródromos constituem a principal — e, em alguns casos, a única — infraestrutura disponível para transporte e mobilidade.

Transporte marítimo também depende da integração logística

A conexão entre diferentes modais se estende ao transporte marítimo. Um exemplo é a rota de cabotagem entre a Região Sul e Manaus, que envolve instalações portuárias distribuídas pela costa, ligações terrestres e trechos fluviais necessários para alcançar a capital do Amazonas.

Nesse modelo, o deslocamento pelo mar é apenas uma parte da jornada. Antes do embarque, as mercadorias precisam chegar aos portos. Após o desembarque, é necessário garantir a distribuição até os destinos finais.

O exemplo reforça que a eficiência logística depende da articulação entre todas as etapas da operação.

Integração dos modais é desafio para a logística brasileira

O potencial das hidrovias não depende apenas das condições de navegabilidade dos rios. Para que o transporte fluvial seja eficiente, é necessário que portos, terminais, rodovias e ferrovias estejam conectados e tenham capacidade compatível com os volumes movimentados.

A estratégia prevista no PNL 2050 busca justamente superar a lógica de investimentos isolados e considerar os corredores como redes completas.

Com essa integração, o país pode ampliar o uso do transporte hidroviário, melhorar o abastecimento, diversificar as opções de deslocamento de cargas e aproveitar de forma mais eficiente sua extensa rede de rios navegáveis.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Sedecti Amazonas

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Transporte

Transporte hidroviário: o que faz um rio ser uma boa rota para cargas

Um rio pode oferecer condições naturais para a navegação, mas isso não significa que esteja automaticamente preparado para funcionar como uma rota regular de transporte de cargas. Para transformar um curso d’água em uma hidrovia, é necessário analisar uma série de características e garantir que as embarcações possam operar com segurança e previsibilidade.

Entre os principais aspectos avaliados estão a profundidade e largura do canal, velocidade da correnteza, características do leito, presença de pedras e outros obstáculos, além das variações provocadas pelos períodos de cheia e estiagem.

Rio e hidrovia não são a mesma coisa

Enquanto o rio é um curso natural de água, a hidrovia corresponde ao trecho que apresenta condições adequadas e, quando necessário, recebe intervenções e infraestrutura para permitir a navegação regular de embarcações.

Essa diferença é importante principalmente para o transporte de grandes volumes de mercadorias. No Brasil, as vias interiores movimentaram 145 milhões de toneladas de cargas em 2025, reforçando a importância do modal hidroviário para a logística nacional.

As condições de navegação, porém, podem variar durante o ano. Em períodos de seca, a redução do nível da água pode limitar o tamanho ou a capacidade das embarcações. Já a movimentação natural do rio pode provocar o acúmulo de lama, areia e outros materiais no fundo, diminuindo a profundidade do canal.

Dragagem ajuda a manter a profundidade

Para garantir a navegabilidade, diferentes intervenções podem ser necessárias. Uma das mais importantes é a dragagem, processo utilizado para retirar sedimentos acumulados no fundo do rio e manter a profundidade necessária para a passagem das embarcações.

Em determinados pontos, também pode ser realizado o derrocamento, que consiste na remoção de pedras e formações rochosas que representam obstáculos à navegação.

Essas ações permitem que o canal permaneça dentro dos parâmetros necessários para a operação de diferentes tipos de embarcações e cargas.

Sinalização orienta a navegação

Outro elemento essencial para uma hidrovia é o sistema de sinalização. Boias, balizas, faróis e faroletes ajudam a indicar o caminho e alertar sobre áreas que exigem maior atenção.

O balizamento estabelece os limites do canal navegável e auxilia os comandantes durante a operação, especialmente em curvas, passagens estreitas e regiões com obstáculos.

Além da via navegável, a infraestrutura logística também é fundamental. Terminais e instalações portuárias permitem o embarque e desembarque de mercadorias, além da transferência das cargas para caminhões, trens ou outros meios de transporte.

Tecnologia aumenta a segurança e a eficiência

O uso de tecnologia também contribui para o funcionamento das hidrovias. O monitoramento das condições de navegação permite acompanhar alterações no nível dos rios, identificar pontos críticos e antecipar a necessidade de intervenções.

Com informações atualizadas sobre a via navegável, operadores e autoridades conseguem planejar melhor as rotas, adequar as operações às condições do rio e reduzir riscos e imprevistos.

Assim, para que um rio se torne uma rota eficiente para o transporte de cargas, não basta ter água em quantidade suficiente. Navegabilidade depende da combinação entre condições naturais, manutenção, sinalização, infraestrutura e monitoramento constante.

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos.

Texto: Redação

Imagem: Divulgação/Alesp

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Transporte

ANTAQ e ABANI firmam acordo de cooperação para fortalecer a navegação interior

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (ABANI) formalizaram, na quarta-feira (9), um Protocolo de Intenções voltado à cooperação institucional em assuntos relacionados à navegação interior brasileira.

A assinatura ocorreu na sede da ANTAQ, em Brasília (DF), e estabelece uma estrutura de colaboração entre as entidades para ampliar o intercâmbio de informações e conhecimentos técnicos sobre o setor.

Acordo prevê troca de dados e estudos sobre navegação

O documento estabelece mecanismos para o compartilhamento de informações, dados, estudos e conhecimentos técnicos de interesse comum.

Entre as iniciativas previstas estão a realização de reuniões técnicas. Nesses encontros, a ANTAQ poderá fornecer dados e informações públicas relacionados à navegação interior, enquanto a ABANI deverá contribuir com estudos, análises e avaliações técnicas sobre o segmento.

A proposta é facilitar a circulação de conhecimento entre as instituições e contribuir para o desenvolvimento de discussões relacionadas ao transporte aquaviário no país.

Parceria mantém autonomia das instituições

O Protocolo de Intenções também prevê regras destinadas a assegurar a independência e a imparcialidade institucional das duas entidades.

O acordo não envolve repasse de recursos financeiros nem transferência ou doação de bens entre as partes. A vigência inicial será de um ano, a partir da data de assinatura, com possibilidade de prorrogação por meio de termo aditivo.

Cooperação foi construída ao longo dos anos

A formalização do acordo é resultado de uma série de reuniões realizadas entre a ANTAQ e a ABANI ao longo dos últimos anos. Os encontros trataram de diferentes questões relacionadas à navegação interior no Brasil e abriram espaço para a discussão de uma agenda conjunta.

A partir desse diálogo, as instituições avaliaram a possibilidade de organizar uma agenda de trabalho com prioridades e temas de interesse comum, sempre respeitando as atribuições e competências de cada uma.

Intercâmbio considera diferentes regiões do Brasil

A cooperação deverá levar em conta as particularidades da navegação fluvial nas diferentes regiões brasileiras. O objetivo é estruturar o intercâmbio de informações e conhecimento técnico sem interferir nas competências legais da ANTAQ.

A iniciativa busca, assim, criar um canal institucional permanente para a troca de dados e análises que possam contribuir para o debate e o aprimoramento do setor de navegação interior brasileira.

FONTE: ANTAQ
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ANTAQ

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Transporte

PNL 2050: veja os principais caminhos prioritários para a navegação brasileira

O Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050) estabelece diretrizes para o desenvolvimento da infraestrutura de transportes do Brasil nas próximas décadas. No setor aquaviário, o planejamento considera não apenas as hidrovias, mas toda a estrutura necessária para conectar áreas produtoras, terminais, portos, ferrovias e rodovias aos destinos das cargas e dos passageiros.

Entre os caminhos classificados diretamente como eixos aquaviários prioritários, estão as hidrovias do Tocantins, Paraguai e Parnaíba, além da rota de cabotagem entre a Região Sul e Manaus.

A lista, porém, não representa todas as vias navegáveis consideradas estratégicas pelo planejamento. Os rios Amazonas, Madeira e Tapajós, por exemplo, aparecem em corredores intermodais, que combinam a navegação com outros modais de transporte.

Hidrovias também fazem parte dos corredores intermodais

O Rio Tapajós e o Rio Amazonas estão inseridos em corredores que conectam ferrovias e rodovias ao transporte hidroviário no Arco Norte. Já o Rio Madeira integra o eixo de Integração Amazônica.

Com isso, a navegação brasileira está presente tanto nos quatro eixos classificados especificamente como aquaviários quanto em parte dos sete corredores intermodais considerados no planejamento.

A definição dessas rotas como prioritárias indica que elas terão papel relevante nas próximas fases do planejamento nacional. Estudos de viabilidade, custos, benefícios e impactos deverão orientar a seleção dos projetos e definir possíveis investimentos, prazos e modelos de execução.

Além dos corredores priorizados, outros 11 eixos permanecem registrados em um banco de alternativas que poderá ser utilizado em estudos futuros.

Hidrovia do Tocantins terá conexão entre Goiás e Pará

A Hidrovia do Tocantins está planejada em dois principais trechos. O primeiro vai de Uruaçu, em Goiás, até Marabá, no Pará. O segundo liga Marabá a Belém e inclui a região do Pedral do Lourenço.

A estrutura necessária para o transporte, no entanto, vai além do leito navegável. A movimentação eficiente de cargas depende de pontos para embarque, desembarque e integração com outros modais.

Por isso, o PNL 2050 prevê o aumento da capacidade do Complexo Portuário de Belém/Vila do Conde e aponta a implantação de terminais em Aguiarnópolis, Miracema do Tocantins e Peixe, no Tocantins; Imperatriz, no Maranhão; e Marabá, no Pará.

Hidrovia do Paraguai concentra investimentos no Tramo Sul

Na Hidrovia do Paraguai, as ações previstas no planejamento estão concentradas no Tramo Sul, em Mato Grosso do Sul, região que já possui transporte comercial de cargas.

Entre as medidas apontadas estão melhorias na infraestrutura de navegação e o aumento da capacidade dos complexos portuários de Corumbá e Porto Murtinho.

A intenção é melhorar as condições de transporte e ampliar a integração entre a hidrovia e os terminais existentes na região.

A classificação como eixo prioritário, contudo, não significa que as obras estejam automaticamente autorizadas ou que os investimentos já estejam garantidos. As propostas ainda dependem do aprofundamento dos estudos previstos no planejamento.

Hidrovia do Parnaíba terá administração do Piauí

No Piauí, o planejamento prevê a consolidação da Hidrovia do Parnaíba e a implantação de terminais em Guadalupe, Teresina e Luís Correia.

A infraestrutura foi delegada pela União ao Governo do Piauí, que passou a administrar a hidrovia e a conduzir a estruturação das intervenções previstas.

A proposta busca aproximar as regiões produtoras do interior do estado do litoral, além de integrar o transporte hidroviário aos terminais e aos demais modais.

Os futuros terminais poderão atender diferentes tipos de cargas, incluindo produtos agrícolas e minerais, combustíveis, contêineres e carga geral.

Antes da definição dos projetos, ainda serão necessários estudos técnicos, ambientais e de viabilidade, que deverão indicar quais intervenções serão realizadas, os investimentos necessários e os respectivos cronogramas.

Cabotagem conecta a Região Sul a Manaus

O quarto eixo diretamente classificado como aquaviário é a rota de cabotagem entre a Região Sul e Manaus.

A cabotagem consiste no transporte de cargas entre portos de um mesmo país, principalmente pela costa. Dependendo da rota, o percurso também pode incluir trechos fluviais.

Nesse caso, não se trata de uma única hidrovia. O corredor atravessa diferentes regiões brasileiras e utiliza uma rede de portos e terminais ao longo do trajeto.

A operação combina o deslocamento marítimo entre o Sul e o Norte com o trecho fluvial necessário para alcançar Manaus. Durante o percurso, as cargas podem passar por diferentes instalações portuárias.

A presença dessa ligação entre as prioridades do PNL 2050 reforça a importância da cabotagem para integrar diferentes regiões brasileiras e movimentar cargas em longas distâncias.

Próximos passos do planejamento logístico

Os quatro corredores — Tocantins, Paraguai, Parnaíba e a rota de cabotagem Sul-Manaus — formam a categoria de eixos aquaviários do cenário-meta considerado pelo estudo.

Isso não retira a importância de outros corredores de navegação. Rios como Amazonas, Madeira e Tapajós continuam incluídos nas prioridades nacionais por meio dos eixos intermodais.

A próxima etapa envolve a realização de análises sobre viabilidade, custos, benefícios e impactos. A partir desses estudos, será possível definir quais projetos têm condições de avançar, os valores necessários, as alternativas de financiamento e os prazos para eventual execução.

Assim, o PNL 2050 funciona como uma referência de longo prazo para orientar a expansão e a integração da infraestrutura logística brasileira, incluindo o papel estratégico do transporte aquaviário na movimentação de cargas pelo país.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Transporte

DNV prevê que frota mundial de navios de abastecimento de GNL terá de mais que dobrar até 2030

A expansão do uso do GNL (gás natural liquefeito) no transporte marítimo deve exigir um forte crescimento da infraestrutura de abastecimento nos próximos anos. Um novo estudo da DNV estima que a frota mundial de navios de abastecimento de GNL precisará mais que dobrar até 2030 para acompanhar o avanço da demanda.

De acordo com o relatório “Gas Bunkering Vessels: Enabling the Transition to Alternative Fuels”, serão necessários entre 165 e 208 navios de abastecimento de GNL em operação no mundo até o fim da década.

O cenário evidencia um possível descompasso entre a expansão da frota marítima movida a GNL e a capacidade disponível para realizar o abastecimento de combustíveis marítimos.

Infraestrutura será decisiva para a transição energética

Para Cristina Saenz de Santa Maria, CEO da DNV Maritime, a transformação energética do setor não depende apenas da substituição dos combustíveis utilizados pelos navios.

A executiva destaca que a transição também exige investimentos em infraestrutura de abastecimento, cadeias de suprimentos e capacidade operacional, garantindo que os combustíveis alternativos possam ser disponibilizados de maneira segura e em escala.

Nesse contexto, a criação de uma rede de bunkering flexível, confiável e preparada para diferentes combustíveis deverá ganhar importância à medida que o mercado marítimo avance em direção à descarbonização.

Relatório analisa mercado e operação dos navios

O estudo da DNV aborda diferentes aspectos relacionados ao desenvolvimento do mercado de abastecimento de GNL, incluindo exigências regulatórias, características de projeto das embarcações e requisitos técnicos específicos para navios de fornecimento de gás.

O documento também reúne orientações sobre boas práticas operacionais e avalia o papel dessas embarcações no atendimento da demanda atual por GNL e na futura adoção de outros combustíveis alternativos.

Para a DNV, o crescimento das operações exigirá não apenas mais embarcações, mas também maior preparação das equipes e estruturas responsáveis pelo abastecimento.

Conversão de pequenos metaneiros pode acelerar oferta

Uma das alternativas apontadas pelo relatório para ampliar a capacidade de abastecimento é a conversão de pequenos navios metaneiros que apresentem características adequadas para atuar como embarcações de fornecimento de gás.

O aproveitamento desses ativos pode contribuir para acelerar a expansão da infraestrutura e atender ao crescimento da demanda sem depender exclusivamente da construção de novas embarcações especializadas.

O relatório também chama atenção para a necessidade de fortalecer a gestão de segurança, a preparação operacional e a capacitação de profissionais. Isso se torna especialmente relevante à medida que as operações de abastecimento de gás aumentam em frequência e passam a ocorrer em um número maior de regiões.

Amônia surge como próximo combustível estratégico

Embora o GNL seja o principal foco da análise, a DNV também considera o avanço da amônia como combustível marítimo.

Segundo o relatório, a infraestrutura e os conhecimentos desenvolvidos atualmente para o abastecimento de GNL podem servir como base para a futura implantação de sistemas destinados à entrega de amônia.

A experiência acumulada em segurança operacional, infraestrutura de bunkering e procedimentos de abastecimento tende, portanto, a ter valor estratégico para a próxima etapa da transição energética marítima.

O avanço desses sistemas será fundamental para que o setor consiga acompanhar a introdução de novos combustíveis e, ao mesmo tempo, manter padrões adequados de segurança, confiabilidade e eficiência.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Transporte

Free Flow amplia desafios de cibersegurança no transporte de cargas

O pedágio Free Flow já faz parte da rotina de importantes corredores de transporte de cargas no Brasil. Ao substituir as tradicionais praças de pedágio por pórticos equipados com sensores e sistemas de identificação, o modelo permite que os veículos sigam viagem sem a necessidade de parar.

A mudança traz ganhos para a eficiência logística e para a fluidez do tráfego. Ao mesmo tempo, cria uma nova frente de atenção para empresas de transporte e embarcadores: a proteção das informações geradas a cada passagem.

Um levantamento citado da ANTT/ABCR aponta que 3% das rodovias concedidas no país já utilizam o modelo ou têm cronograma estabelecido para adotar o Free Flow até 2027.

Pórticos também são pontos de coleta de dados

Mais do que estruturas destinadas à cobrança automática, os pórticos funcionam como importantes pontos de coleta e processamento de dados.

Cada passagem pode gerar registros relacionados à localização, horário e características do veículo. Quando essas informações são analisadas em conjunto, também podem revelar aspectos da operação logística, como rotas, horários de entrega e padrões de deslocamento.

Em uma operação que envolve milhares de veículos e viagens, o conjunto desses registros pode formar um retrato detalhado e praticamente em tempo real da movimentação de cargas.

É justamente nesse ponto que a cibersegurança no transporte ganha importância. Tratar essas informações apenas como um problema de tecnologia da informação, solucionável com firewall, backup e outras ferramentas tradicionais, pode deixar de lado uma dimensão fundamental do risco.

Vazamento de dados pode chegar ao crime físico

Informações sobre o deslocamento de uma carga de alto valor têm potencial para ultrapassar o campo digital. Se indicarem onde determinado carregamento estará, em qual horário e por qual caminho, tornam-se também informações relevantes para a segurança física da operação.

A conexão entre uma vulnerabilidade cibernética e um incidente no mundo real pode ser direta. O acesso indevido a rotas e horários pode facilitar roubos de carga. Já a indisponibilidade de plataformas de monitoramento pode prejudicar o acompanhamento da frota.

Outro risco está na manipulação de informações. Um dado de telemetria adulterado, por exemplo, pode fazer com que uma equipe interprete de maneira equivocada uma situação envolvendo o veículo ou a carga.

O 2025 Global Cargo Theft Report, produzido pela BSI Consulting em parceria com o TT Club, aponta justamente para essa aproximação entre tecnologia e criminalidade. Segundo o levantamento citado, ocorrências de roubo de carga associadas ao vazamento de informações e ao envolvimento interno representam 22% dos casos globais.

Segurança precisa estar na arquitetura

A evolução do transporte conectado exige que a segurança cibernética seja considerada desde a concepção das soluções, e não apenas depois que os sistemas entram em funcionamento.

Medidas como criptografia, autenticação, controle de acesso e monitoramento precisam fazer parte da arquitetura tecnológica. Além dos servidores, a proteção deve considerar toda a superfície conectada à operação.

Isso inclui veículos, sensores, câmeras, APIs e fornecedores terceirizados, que podem representar portas de entrada para ataques ou pontos de exposição de informações.

Nesse cenário, proteger a infraestrutura digital significa também reduzir riscos que podem atingir diretamente cargas, motoristas e processos logísticos.

Compartilhar dados continua sendo necessário

A resposta ao risco não está em restringir indiscriminadamente o compartilhamento de informações. A logística moderna depende justamente da circulação de dados para aumentar a produtividade, antecipar problemas e melhorar a tomada de decisões.

O desafio está em estabelecer critérios para determinar qual informação deve ser compartilhada, com quem e para qual finalidade.

Uma das alternativas é o processamento na borda, ou edge computing. Nesse modelo, parte da análise acontece próxima ao local em que os dados são gerados, enquanto somente eventos ou informações considerados relevantes são enviados para a nuvem.

A estratégia pode diminuir a exposição de dados e, ao mesmo tempo, preservar recursos de inteligência operacional.

Inteligência artificial exige dados confiáveis

A expansão da inteligência artificial na gestão de frotas acrescenta outra dimensão ao problema: a integridade dos dados.

Não basta impedir que informações sejam roubadas. Sistemas capazes de apoiar decisões de maneira cada vez mais automatizada precisam receber dados íntegros e confiáveis. Caso informações de telemetria sejam alteradas, modelos e ferramentas de decisão podem produzir respostas equivocadas.

Ao mesmo tempo, dados sensíveis dos motoristas, incluindo CNH e informações pessoais, precisam permanecer protegidos contra acessos indevidos.

Quanto maior a conectividade da cadeia de transporte, menor é a distância entre uma falha digital e uma consequência física. Nesse contexto, proteger dados deixa de ser apenas uma questão de privacidade ou de infraestrutura de TI e passa a integrar a própria estratégia de segurança de cargas, motoristas e operações logísticas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação / Ecovias

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Transporte

Neoliner Origin, maior navio cargueiro a velas do mundo, transporta 1.000 toneladas de café ao Canadá

O Neoliner Origin, considerado o maior navio cargueiro movido a velas do mundo, chegou ao Porto de Montreal, no Canadá, transportando cerca de 1.000 toneladas de café colombiano e hondurenho.

A embarcação, que integra a frota da CMA CGM e iniciou suas operações no segundo trimestre deste ano, foi utilizada pela empresa canadense Café William como parte de uma estratégia para reduzir as emissões de carbono no transporte marítimo.

A carga poderá resultar na produção de mais de 8,5 milhões de xícaras de café. Depois de desembarcados em Montreal, os grãos seguirão para a unidade da Café William em Sherbrooke, onde serão torrados.

Café chega ao Canadá após viagem de 20 dias

O transporte levou aproximadamente 20 dias até Montreal. A operação é uma iniciativa da Café William para diminuir o impacto ambiental associado à logística de seus produtos.

A empresa, sediada em Sherbrooke, mantém parcerias com cooperativas produtoras de café orgânico e de comércio justo. Desde 2018, sob o comando de Rémi Tremblay, a companhia ampliou suas ações voltadas à sustentabilidade.

A intenção é repetir o transporte por propulsão eólica pelo menos uma vez por ano. Com isso, a empresa estima que aproximadamente 40% de seu volume anual de café possa ser movimentado utilizando a força dos ventos.

Café William aposta em produção de baixo impacto ambiental

O uso do transporte marítimo à vela faz parte de um conjunto mais amplo de medidas ambientais adotadas pela Café William.

A empresa também opera uma fábrica inaugurada em 2023 e certificada com o selo LEED Silver. Segundo a companhia, a unidade é a primeira do mundo a utilizar sistemas de torrefação elétrica em larga escala.

A combinação entre produção e logística busca reduzir a pegada de carbono do café desde o processamento até a distribuição.

Como funciona o Neoliner Origin

Construído pela francesa Neoline, o Neoliner Origin entrou em operação em 2025. O navio tem 136 metros de comprimento e foi projetado para utilizar predominantemente a energia eólica na movimentação de cargas.

A embarcação possui dois mastros de carbono autossustentáveis, cada um com 76 metros de altura.

De acordo com a Neoline, o navio consegue navegar utilizando exclusivamente a força do vento durante até 70% do tempo. Quando é necessária propulsão auxiliar, entram em funcionamento motores diesel-elétricos.

A configuração foi desenvolvida para reduzir em até 80% as emissões de gases de efeito estufa em relação a um navio convencional de dimensões semelhantes.

Projeto resgata conceito de grandes veleiros comerciais

A utilização de grandes embarcações à vela para o transporte comercial de cargas ganhou força novamente há cerca de 15 anos.

Foi nesse período que oficiais da Marinha Mercante francesa criaram a Neoline com a proposta de desenvolver uma frota de cargueiros que utilizasse principalmente a energia dos ventos.

O Neoliner Origin representa a aplicação comercial desse conceito em uma embarcação de grande porte.

Café ganha edição especial transportada pelo vento

A chegada da carga ao Canadá também será marcada pelo lançamento de uma edição limitada do café Alizé, da Café William.

A mistura será produzida com grãos que fizeram o percurso entre a América Latina e o Canadá a bordo do Neoliner Origin.

A iniciativa associa o produto à experiência de um transporte marítimo baseado em energia eólica, reforçando a estratégia de sustentabilidade da empresa.

Navio segue viagem para a França

Depois da escala em Montreal, o Neoliner Origin deixou o Canadá e seguiu para o território francês de Saint-Pierre e Miquelon.

Na sequência, a embarcação deverá continuar sua rota até o Porto de Montoir, próximo a Saint-Nazaire, na França continental.

Com bandeira francesa, o navio integra uma nova geração de embarcações que buscam combinar transporte marítimo comercial e propulsão eólica para reduzir o consumo de combustíveis fósseis e as emissões do setor.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Transporte

Ferrovia Tereza Cristina movimenta R$ 5 bilhões e conecta gerações em Santa Catarina

Há mais de um século, os trilhos da Ferrovia Tereza Cristina (FTC) fazem parte da economia e da história do Sul de Santa Catarina. Atualmente, a cadeia produtiva associada à ferrovia movimenta aproximadamente R$ 5 bilhões por ano e sustenta, direta ou indiretamente, cerca de 25 mil pessoas na região.

Desse total, cerca de R$ 1 bilhão é movimentado diretamente pela operação ferroviária. A malha também exerce papel estratégico no setor energético catarinense: é pelos trilhos da FTC que passa o carvão utilizado pelo Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, responsável por aproximadamente 25% da energia consumida no estado.

Mas a importância da ferrovia vai além dos números. Em famílias de ferroviários, a profissão atravessou gerações e ajudou a preservar uma história que já soma 142 anos.

Tradição ferroviária passa de pai para filho

A relação de Juliano Correia Pires com a ferrovia começou antes mesmo de ele trabalhar na empresa. Quando criança, ele acompanhava de perto a rotina do pai, Vanderlei Pires, que construiu sua carreira ferroviária na antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA).

Em 2001, depois de concluir um curso técnico em eletromecânica, Juliano entrou na FTC como estagiário. Quase 25 anos depois, trabalha como mecânico de locomotivas.

A tradição também alcançou outras pessoas da família. O irmão de Juliano atua como supervisor de estação, enquanto a filha trabalha no Museu Ferroviário de Tubarão.

“Já está no sangue ferroviário. Isso foi o que me motivou, por ser uma empresa familiar. Na verdade, é como se fosse uma tradição passada de pai pra filho”, afirma Juliano.

A história se repete com Ramon Joaquim Delfino. Atual supervisor de tração da FTC, ele passou 13 anos como maquinista e seguiu os passos do pai, João Delfino.

João começou como manobrador, tornou-se agente de estação e chegou à supervisão. Foi também uma referência para o filho voltar a estudar e concluir uma formação em gestão de pessoas.

“Meu pai foi uma pessoa que me deu muito desejo de ser como ele, uma pessoa e um ferroviário exemplar”, relata Ramon.

João, entretanto, não chegou a acompanhar a promoção do filho à supervisão. Já aposentado e trabalhando para uma empresa cliente da ferrovia, morreu após sofrer um acidente.

“Estamos tentando fazer o nosso melhor para que ele se orgulhe lá em cima”, diz Ramon.

Nem toda herança familiar termina nos trilhos

A influência ferroviária também marcou a trajetória de Maurício Claudino. O pai trabalhava com freios de vagões na Oficina Henrique Lage, enquanto um tio atuava na oficina central, ainda durante o período da RFFSA.

Maurício chegou a ser aprovado em um concurso da FTC, mas optou por seguir carreira na polícia. Anos depois, porém, voltou a se aproximar da ferrovia.

Dessa vez, a ligação veio pelo Museu Ferroviário, onde passou a atuar como voluntário. O trabalho começou com a limpeza de locomotivas.

Para Juliano, a transmissão da profissão entre gerações ficou mais difícil diante das transformações tecnológicas e do surgimento de novas opções de carreira.

“O jovem hoje está procurando outras áreas”, avalia o mecânico, que também aponta a dificuldade crescente para encontrar mão de obra especializada no setor ferroviário.

Carvão transportado pela FTC abastece parte da energia de SC

O transporte ferroviário de carvão continua sendo uma das principais atividades da FTC. O material destinado ao Complexo Termelétrico Jorge Lacerda chega a aproximadamente 200 mil toneladas por mês, ou 2,4 milhões de toneladas por ano.

Segundo a empresa, a estrutura existente teria capacidade para transportar até 280 mil toneladas mensais sem necessidade de novos investimentos.

Se o mesmo volume fosse levado pelas rodovias, seriam necessários cerca de 300 caminhões por dia circulando pela região.

Para Benony Schmitz Filho, diretor-presidente da Ferrovia Tereza Cristina, a operação ferroviária evita uma pressão ainda maior sobre as estradas do Sul catarinense.

“A ferrovia alivia a sobrecarga do transporte rodoviário. Eles ficam mais concentrados nas pontas, e a ferrovia faz essa espinha dorsal”, explica.

Transporte de contêineres ganha espaço

A FTC também ampliou sua atuação no transporte de cargas conteinerizadas. O serviço entre Criciúma e Imbituba começou em 2015 e vem registrando crescimento.

Atualmente, são transportados aproximadamente 2 mil contêineres carregados por mês, além de outros 2 mil vazios. Entre os produtos movimentados estão arroz, cerâmica, mel e materiais de construção.

De acordo com Abel Passagnolo Sergio, gerente de transportes da FTC, clientes demonstram interesse em ampliar os volumes.

Para acompanhar essa demanda, porém, seria necessário aumentar a quantidade de vagões, locomotivas e profissionais.

O crescimento desse segmento é considerado um indicativo positivo para a ferrovia.

Cadeia ferroviária movimenta R$ 5 bilhões no Sul catarinense

Somadas as atividades diretamente relacionadas à ferrovia e os impactos sobre outros setores, a cadeia produtiva alcança cerca de R$ 5 bilhões anuais.

O efeito econômico envolve mineradoras, a usina termelétrica e empresas que prestam serviços para a operação ferroviária.

O impacto é especialmente relevante para o Sul de Santa Catarina. A retirada desse montante da economia regional, segundo a direção da FTC, afetaria não apenas as empresas diretamente envolvidas com o carvão, mas também uma ampla rede de fornecedores e prestadores de serviços.

Transição energética coloca carvão em debate

A discussão sobre o futuro do carvão ganhou força com as políticas de transição energética e descarbonização.

Em 2026, o Governo Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia, iniciou oficialmente o Plano Nacional de Transição Energética (Plante), com diretrizes voltadas à descarbonização e ao desenvolvimento sustentável da matriz energética até 2055.

Para representantes da FTC, entretanto, o carvão ainda exerce uma função relevante na segurança do sistema elétrico brasileiro.

Segundo Abel Passagnolo, a geração termelétrica pode atuar como fonte contínua e contribuir para a estabilidade do fornecimento de eletricidade.

Ele argumenta que a participação do carvão na matriz energética brasileira é inferior a 0,5%, enquanto outros países ainda apresentam uma dependência muito maior do combustível.

Em 2025, por exemplo, o carvão respondeu por cerca de 55% da eletricidade produzida na China e 22,6% na Alemanha.

Na avaliação do gerente, a alternativa para o setor seria concentrar esforços no desenvolvimento de tecnologias capazes de reduzir as emissões provocadas pela utilização do carvão.

Reservas de carvão ainda são consideradas extensas

Outro ponto levantado pelo setor é a disponibilidade das reservas de carvão em Santa Catarina.

Benony Schmitz Filho afirma que, diferentemente de outras fontes não renováveis, como o petróleo, o carvão catarinense ainda teria reservas para muitas décadas.

“Temos ainda bastante tempo”, afirma o diretor-presidente da FTC ao defender investimentos em tecnologias que permitam reduzir os impactos ambientais da atividade.

Tecnologia transformou manutenção das locomotivas

A evolução da ferrovia também pode ser percebida dentro das oficinas. Para Juliano, que trabalha há quase 25 anos na manutenção de locomotivas, os procedimentos atuais são muito mais estruturados do que no início de sua carreira.

Segundo ele, a manutenção ferroviária passou a seguir padrões e processos definidos, aumentando a segurança dos equipamentos.

A frota da FTC conta atualmente com 14 locomotivas diesel-elétricas. De acordo com Ramon Delfino, as máquinas passaram por mudanças que incluem sistemas de ar-condicionado, modernização dos freios e utilização do freio dinâmico, que aproveita o próprio motor para ajudar na redução da velocidade.

As mudanças têm como objetivos ampliar a segurança e proporcionar melhores condições de trabalho aos maquinistas.

Segurança depende também do comportamento nas passagens

Mesmo com a modernização dos equipamentos, acidentes envolvendo trens e veículos continuam sendo uma preocupação.

Ramon relata já ter presenciado descarrilhamentos e colisões, muitas vezes associados à distração ou à tentativa de motoristas de atravessar os trilhos antes da passagem do trem.

À noite, segundo ele, a distância aparente do farol da locomotiva pode levar motoristas a uma avaliação equivocada.

O uso de celulares e a falta de atenção também aumentam os riscos nas passagens em nível.

Calor e frio também afetam os trilhos

As condições climáticas representam outro desafio para a operação ferroviária. Temperaturas elevadas podem provocar a dilatação dos trilhos e causar a chamada flambagem, quando a linha sofre deslocamento e perde o alinhamento.

Em períodos de frio intenso, o fenômeno inverso pode provocar a ruptura dos trilhos.

Por isso, a equipe responsável pela via permanente acompanha as condições de temperatura e pode recomendar a redução da velocidade dos trens em situações consideradas críticas.

Ferrovia de Santa Catarina começou com o transporte de carvão

A história da ferrovia catarinense está diretamente ligada à exploração de carvão mineral no Sul do estado.

A Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina começou a ser construída em 1880 com a finalidade de transportar o carvão das minas até o Porto de Imbituba. A operação teve início em 1884.

De acordo com Silvania Silva de Souza, museóloga do Museu Ferroviário de Tubarão, trata-se da primeira ferrovia implantada em Santa Catarina.

A atual FTC assumiu a concessão da malha em 1997, mas a história ferroviária da região já alcança 142 anos.

Ferrovia foi construída por imigrantes, não por escravizados

A construção da ferrovia ocorreu durante o período imperial, mas não utilizou mão de obra escravizada, segundo a museóloga.

O projeto foi conduzido por engenheiros ingleses, que recorreram principalmente à mão de obra de comunidades de imigrantes estabelecidas no Sul do Brasil.

A construção dos primeiros 116 quilômetros de trilhos contou com trabalhadores de origem alemã e italiana, entre outros grupos que chegaram à região durante o processo de colonização.

Além de transportar carvão, a ferrovia contribuiu para introduzir novas tecnologias no Sul catarinense, como o telégrafo e o telefone.

Locomotivas marcaram diferentes períodos da história

Ao longo de sua trajetória, diferentes modelos de locomotivas passaram pelos trilhos catarinenses.

Entre os principais estão:

  • Santa Fé: locomotiva a vapor de grande porte que marcou a transição para o período das máquinas diesel-elétricas.
  • Texas: considerada a maior locomotiva a operar no Sul catarinense, utilizada principalmente no transporte de carvão mineral.
  • Malé: responsável pelo trecho até Lauro Müller até 1974.
  • Pacific: utilizada no transporte de passageiros.

Para Silvania, não existe apenas uma locomotiva que possa representar toda a história da ferrovia, já que cada modelo corresponde a uma etapa diferente dessa trajetória.

Museu Ferroviário preserva memória dos trilhos

Enquanto a ferrovia atual mantém o transporte de cargas, o Museu Ferroviário de Tubarão preserva parte da memória desse passado.

A instituição surgiu em 1997, justamente quando a antiga RFFSA foi extinta e havia o risco de que equipamentos e documentos ferroviários fossem sucateados.

O médico anestesista José Warmuth Teixeira liderou, ao lado de ferroviários, o esforço para preservar esse patrimônio. Atualmente, o museu reúne mais de 40 mil itens, incluindo locomotivas históricas.

A instituição também mantém uma relação direta com trabalhadores da ferrovia em atividade.

Ramon Delfino, por exemplo, tornou-se auxiliar voluntário de maquinista nos passeios com locomotivas a vapor. O convite ocorreu em 2022, depois que ele visitou o museu e ficou intrigado com o funcionamento das antigas máquinas.

Maquete reproduz cadeia ferroviária do Sul de SC

Outro projeto de preservação envolve uma maquete de aproximadamente 4 metros por 4 metros.

A peça, que estava abandonada e havia sido danificada por cupins, representa em escala reduzida diferentes pontos da cadeia ferroviária regional, incluindo as minas de carvão de Criciúma e Siderópolis, a oficina central de Tubarão, o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda e o Porto de Imbituba.

Maurício Claudino participa do trabalho de restauração, realizado em parceria com outro voluntário. O processo já dura três anos e a previsão é de conclusão ainda em 2026.

Passeios turísticos atraem visitantes de todo o país

O museu também mantém passeios turísticos em locomotivas históricas.

Em 2025, foram realizados 41 passeios. Para 2026, a meta é chegar a 46 viagens e receber mais de 10 mil passageiros.

Além de visitantes de diferentes estados brasileiros, a expectativa inclui turistas estrangeiros.

Para a museóloga Silvania, a instituição vai além da preservação de objetos e locomotivas. O museu trabalha com a memória dos territórios e das comunidades que se desenvolveram ao longo dos trilhos.

Expansão ferroviária depende de novos investimentos

O futuro da Ferrovia Tereza Cristina passa também pela capacidade de ampliar sua infraestrutura.

Benony Schmitz Filho defende maior integração entre investimentos públicos e privados e critica a diferença de tratamento entre rodovias e ferrovias.

Segundo ele, enquanto parte dos custos das estradas é absorvida pelo poder público, as ferrovias precisam manter sua operação com recursos próprios, inclusive em trechos de menor demanda.

Estudos já foram apresentados aos governos federal e estadual para avaliar possíveis expansões da malha em direção a Chapecó, Xanxerê e ao Planalto catarinense.

Para a direção da FTC, a implantação dessas novas conexões dependerá de uma decisão estratégica do poder público.

Transporte de passageiros ainda enfrenta obstáculos

A possibilidade de utilizar a ferrovia também para transporte de passageiros é considerada tecnicamente possível pelos representantes da empresa.

No entanto, seriam necessários investimentos significativos em infraestrutura, segurança, estações, velocidade e manutenção dos equipamentos.

Abel Passagnolo destaca que os padrões de segurança exigidos para o transporte de pessoas são elevados e que, nas condições atuais, não enxerga viabilidade econômica para a operação.

Conhecimento sobre locomotivas a vapor corre risco de desaparecer

Além da infraestrutura, existe uma preocupação relacionada à preservação do conhecimento técnico.

Grande parte dos profissionais especializados na manutenção e operação de locomotivas a vapor já está aposentada ou próxima da aposentadoria.

Maurício Claudino alerta que, sem a transmissão desse conhecimento para novas gerações, o museu poderá manter as máquinas em seu acervo, mas perder profissionais capazes de colocá-las em funcionamento.

Para a direção da FTC, os projetos de expansão e modernização precisam ser pensados para as próximas décadas. A perspectiva apresentada é de planejamento até 2040 ou 2050, período em que a ferrovia deverá continuar desempenhando um papel central na economia do Sul catarinense.

FONTE: 4oito
TEXTO: Redação
IMAGEM: José Demathé/4oito

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Transporte

Corredores verdes: Brasil amplia participação na descarbonização do transporte marítimo

O Brasil reforçou sua presença na agenda internacional de descarbonização do transporte marítimo ao assinar, em agosto, um Memorando de Entendimento com Singapura para desenvolver um Corredor Verde e Digital de Navegação entre os dois países. A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que também mantém acordos e estudos com outros parceiros internacionais.

A movimentação acompanha a expansão dos chamados corredores marítimos verdes, projetos que buscam preparar determinadas rotas para a operação de navios abastecidos por combustíveis de baixa ou zero emissão.

O que são os corredores verdes

Os corredores verdes têm como proposta criar condições técnicas, econômicas e regulatórias para que embarcações com menor impacto climático possam operar em rotas específicas.

Para viabilizar esses projetos, diferentes setores precisam atuar de maneira integrada. Governos, portos, armadores, produtores de combustíveis, empresas de tecnologia e instituições de pesquisa participam de discussões sobre infraestrutura portuária, disponibilidade de combustíveis, novas tecnologias, regulamentação, financiamento e qualificação profissional.

O conceito ganhou projeção internacional com a Declaração de Clydebank, apresentada durante a COP26, em 2021. Desde então, os corredores verdes passaram a ser considerados uma ferramenta para testar tecnologias, modelos de negócio e soluções capazes de acelerar a transição energética do transporte marítimo.

De acordo com o Annual Progress Report on Green Shipping Corridors 2025, relatório anual sobre o avanço dessas iniciativas, havia 84 projetos ativos no mundo até outubro de 2025 — 25 a mais que no levantamento anterior.

Iniciativas avançam em diferentes regiões

A expansão dos projetos mostra que a agenda deixou de estar concentrada em poucos mercados. O levantamento identificou novas iniciativas na Ásia, América Latina e África, incluindo quatro projetos na Índia, quatro na China, três no Brasil e dois no Chile. Gana e Quênia também aparecem entre os países com iniciativas.

Mais de 300 organizações estavam envolvidas nos projetos analisados.

Apesar do crescimento, a maior parte dos corredores ainda está em fases preliminares. Das 84 iniciativas, 24 estavam na etapa de iniciação, 44 em exploração e 12 em preparação. Apenas quatro haviam alcançado a fase de realização, na qual começam a ser construídos navios, instalações e infraestrutura ou tem início a operação de transporte marítimo com emissão zero.

Europa e Ásia-Pacífico concentram projetos mais maduros

Algumas das iniciativas mais avançadas estão na Europa e na região Ásia-Pacífico.

Nas rotas entre Estocolmo e Turku e entre Vaasa e Umeå, entre Suécia e Finlândia, o biometano já era utilizado em operações de transporte de passageiros. Na ligação entre Austrália e Ásia, empresas avançaram na contratação de embarcações preparadas para utilizar amônia.

Já o corredor entre Oslo, na Noruega, e Roterdã, nos Países Baixos, reúne projetos de navios movidos a hidrogênio, além de estudos para a criação da infraestrutura necessária ao abastecimento.

Os diferentes modelos mostram que a implantação de um corredor verde não segue uma fórmula única. Cada rota demanda soluções específicas, que podem envolver incentivos regulatórios, recursos públicos, compromissos empresariais e mecanismos financeiros destinados a reduzir os custos da transição.

Custo e infraestrutura são obstáculos

Transformar um acordo ou estudo em uma operação efetiva continua sendo um dos principais desafios dos corredores verdes. Entre as dificuldades apontadas pelo relatório está a diferença de preço entre os combustíveis tradicionais e as alternativas de baixa ou zero emissão.

Outro entrave é a disposição dos proprietários das cargas em absorver custos adicionais relacionados à transição energética.

A implementação também depende de investimentos em novos navios e infraestrutura, além da existência de instalações adequadas para armazenar e abastecer embarcações com combustíveis alternativos. As incertezas relacionadas à regulamentação também podem dificultar decisões de longo prazo.

Mesmo em fases iniciais, porém, os projetos já geram efeitos importantes. As iniciativas têm ampliado a cooperação entre empresas e governos, estimulado a produção e o compartilhamento de conhecimento e aumentado a percepção sobre a importância dos portos na formação de cadeias de abastecimento de combustíveis sustentáveis.

Brasil amplia acordos internacionais

Nesse contexto, o Brasil vem ampliando sua atuação. O acordo firmado com Singapura prevê cooperação para analisar as condições necessárias à formação de uma cadeia de suprimento de combustíveis com emissões de gases de efeito estufa nulas ou próximas de zero na rota entre os dois países.

O memorando também inclui pesquisa e desenvolvimento, estudos para diminuir riscos de investimentos, mecanismos financeiros e digitais, intercâmbio de informações, capacitação profissional e realização de workshops.

A parceria também abre espaço para maior cooperação com um dos principais centros do comércio marítimo global. Durante missão internacional em agosto, o ministro Tomé Franca visitou o Porto de Tuas, onde conheceu soluções de automação portuária, digitalização e sustentabilidade.

A programação incluiu ainda uma reunião com a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura e a formalização do memorando de entendimento.

“O Brasil tem muito a contribuir para essa transição. Somos um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo e temos condições favoráveis para desenvolver combustíveis de baixa emissão. A criação de corredores verdes aproxima países, empresas e instituições para transformar esse potencial em soluções para o transporte marítimo”, afirmou Tomé Franca.

Parceria com Noruega e Países Baixos

O acordo com Singapura integra uma rede maior de cooperação internacional conduzida pelo MPor.

Com Noruega e Países Baixos, o Ministério participa das discussões para estruturar um corredor marítimo sustentável ligando o Brasil à Europa. Em junho, representantes dos três países estiveram em Brasília para um workshop sobre a implementação da iniciativa.

Durante o encontro, foi apresentado um estudo de viabilidade técnica que apontou rotas prioritárias e analisou diferentes possibilidades de combustíveis, entre elas biodiesel, amônia e metanol.

As conversas também avançaram para medidas capazes de levar os projetos à fase de implementação. Entre as propostas estão uma maior articulação entre governos, empresas e centros de pesquisa e a criação ou direcionamento de instrumentos de financiamento para navios, portos e terminais envolvidos nos corredores verdes.

Brasil também coopera com a França

A França é outro parceiro do Brasil na agenda de transporte marítimo sustentável.

Uma Declaração de Intenções estabelece cooperação para desenvolver projetos voltados à redução de emissões, incentivar tecnologias de baixa ou quase zero emissão, ampliar o uso de ferramentas digitais, promover pesquisas conjuntas e capacitar profissionais.

O acordo prevê ainda que o lado brasileiro seja coordenado pelo MPor, por meio das Secretarias Nacionais de Portos e de Hidrovias e Navegação.

Potencial brasileiro na transição energética

O avanço das parcerias internacionais ocorre em meio ao crescimento dos corredores verdes em diversas partes do mundo. O Global Maritime Forum aponta que países como Brasil, China e Índia já estabeleceram estratégias e metas relacionadas à transição energética, mas ainda enfrentam o desafio de transformar essas diretrizes em projetos concretos.

Segundo o levantamento, a cooperação entre países, a integração de políticas públicas e o envolvimento antecipado do setor privado podem ajudar a acelerar essa transformação.

Para o Brasil, a agenda combina desafios de infraestrutura e financiamento com oportunidades econômicas. Além de contribuir para a redução das emissões do transporte marítimo, o país reúne condições para ampliar sua participação na produção e no fornecimento de combustíveis de menor impacto climático.

Entre as alternativas com potencial estão biometano, hidrogênio verde, amônia verde e metanol verde, que podem ganhar espaço à medida que os corredores marítimos sustentáveis avançarem.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rafael Medeiros

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