Tecnologia

SIM Móbile debate inovação e futuro da indústria moveleira em Florianópolis

Evento reuniu empresários e fornecedores para discutir tecnologia, novos hábitos de consumo, sustentabilidade e estratégias de gestão para aumentar a competitividade do setor

Encontro reúne indústria moveleira e fornecedores

As mudanças que estão transformando a indústria moveleira estiveram no centro da segunda edição do SIM Móbile, encontro promovido pelo Sindicato do Mobiliário da Grande Florianópolis (SIM), entidade vinculada à Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

Realizado na sede da FIESC, em Florianópolis, o evento reuniu empresários, industriais e fornecedores em uma programação voltada à troca de conhecimentos, geração de negócios e networking.

Na abertura, o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, destacou a participação do setor de móveis na economia catarinense e a importância da atuação conjunta entre empresas.

Segundo Seleme, a cooperação entre os diferentes segmentos da indústria contribui para ampliar a competitividade, gerar desenvolvimento e fortalecer a economia de Santa Catarina.

Tecnologia e sustentabilidade mudam o setor moveleiro

A programação técnica contou com a participação de Sandra Furst, coordenadora do Instituto SENAI de Tecnologia em Madeira e Mobiliário. Ela apresentou um panorama das transformações que estão alterando os critérios de competitividade da indústria de móveis.

A especialista estruturou a apresentação em três eixos: sustentabilidade, mudanças no comportamento do consumidor e tecnologia.

Nesse cenário, práticas relacionadas à agenda ESG, como a rastreabilidade da madeira, o desenvolvimento de matérias-primas alternativas e soluções voltadas à eficiência das embalagens utilizadas no comércio eletrônico global, passaram a ser consideradas requisitos importantes para as empresas.

Entre os exemplos apresentados está o Projeto Banana Têxtil, que trabalha com matéria-prima alternativa.

Sandra também chamou atenção para a mudança na forma como os consumidores tomam decisões de compra. Ferramentas de inteligência artificial e realidade aumentada já são utilizadas para comparar experiências, reputação e propósito das marcas, além dos preços.

Para a especialista, as decisões tomadas atualmente pela indústria terão impacto direto no futuro do setor.

Gestão, inovação e novos negócios entram na programação

Além da apresentação sobre as tendências do mercado, o SIM Móbile trouxe diferentes conteúdos voltados à gestão empresarial e ao desenvolvimento de negócios.

A programação incluiu o Case Casttini, apresentado por Vitor Agostini, além de palestras sobre gestão financeira, com Vivian Sesto, da XP Investimentos, e inteligência comercial, conduzida por Luiz Bagattini, da KLA.

O empresário Morongo, da Mormaii, também participou do encontro com uma apresentação sobre cultura de liderança.

No período da tarde, os participantes tiveram acesso a uma feira de exposição de negócios, ampliando as oportunidades de contato entre empresas, fornecedores e profissionais do setor.

Associativismo aproxima empresas das soluções da FIESC

Para Bruno Pauli, presidente do Sindicato do Mobiliário da Grande Florianópolis, o evento tem entre seus objetivos aproximar as empresas associadas das ferramentas disponíveis no ecossistema da FIESC.

A estrutura reúne instituições como SESI, SENAI e IEL, que oferecem soluções relacionadas à inovação, tecnologia, capacitação e desenvolvimento empresarial.

Pauli destacou que a realização da segunda edição demonstra a construção de um espaço permanente de aproximação entre as empresas do setor.

A vice-presidente regional da FIESC, Micheli Poli, também ressaltou a importância da atuação sindical para representar os interesses da indústria e estimular a troca de experiências entre empresários.

Segundo ela, a colaboração e o networking podem contribuir para que as empresas enfrentem os desafios do mercado e encontrem caminhos para manter o crescimento dos negócios.

Evento entrega Mérito Associativo

A programação também contou com uma homenagem às empresas que participam do desenvolvimento da indústria moveleira na Grande Florianópolis.

O Mérito Associativo foi concedido à J Móveis e Artefatos de Madeira Ltda., em reconhecimento aos 15 anos de atuação, dedicação e parceria com o Sindicato do Mobiliário da Grande Florianópolis.

A homenagem encerrou uma programação que combinou conteúdo técnico, relacionamento empresarial e discussão sobre os caminhos para ampliar a competitividade do setor moveleiro catarinense.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

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Tecnologia

IA: disputa entre Estados Unidos e China ganha força por modelos abertos

A disputa entre Estados Unidos e China pela liderança em inteligência artificial (IA) ganhou uma nova dimensão. Enquanto Washington busca preservar sua vantagem tecnológica e ampliar alianças para reduzir a dependência de fornecedores chineses, Pequim aposta em modelos mais acessíveis e de código aberto para ampliar sua presença internacional.

Os avanços registrados pela IA chinesa no último ano aumentaram a percepção de que a distância tecnológica em relação aos Estados Unidos pode estar diminuindo. O presidente Donald Trump afirmou recentemente que os EUA estão à frente da China no setor e defendeu a manutenção dessa vantagem.

A competição, que envolve tecnologia, economia e segurança nacional, passou a ser tratada pelos dois países como uma questão estratégica de longo prazo.

EUA apostam em alianças para conter avanço chinês

Os Estados Unidos ainda contam com vantagens importantes, como empresas líderes em desenvolvimento de IA, acesso aos chips mais avançados e um mercado de capitais capaz de financiar grandes projetos tecnológicos.

Washington também vem buscando ampliar sua influência sobre as cadeias globais de suprimentos de IA, incentivando outros países a se aproximarem de seu ecossistema tecnológico.

A China, entretanto, apresenta uma estratégia diferente. Embora seus modelos mais avançados ainda sejam considerados inferiores a alguns sistemas americanos, empresas chinesas têm reduzido essa diferença e apostado em alternativas de menor custo e maior acessibilidade.

China amplia coalizão em torno da IA aberta

Em julho, o presidente chinês Xi Jinping lançou a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, iniciativa apresentada como alternativa à Pax Silica, aliança criada por Trump para reduzir a dependência da China nas cadeias de fornecimento relacionadas à IA.

Enquanto mais de 20 países e a União Europeia aderiram à Pax Silica, a iniciativa chinesa reuniu 29 países, entre eles Rússia, Indonésia e Paquistão.

Um dos principais diferenciais da estratégia chinesa é a defesa de modelos de IA abertos, que podem ser baixados, adaptados e executados pelos usuários sem a necessidade de contratar serviços caros de empresas estrangeiras.

Para desenvolvedores de países do Sul Global, essa característica pode ser especialmente relevante. Modelos como os da DeepSeek e da Moonshot podem oferecer custos menores e maior flexibilidade em comparação com sistemas proprietários que exigem assinaturas e infraestrutura de provedores estrangeiros.

Modelos chineses ganham espaço no mercado global

Dados do ranking de modelos da OpenRouter indicam uma forte expansão do uso de modelos chineses de inteligência artificial. Segundo os dados citados na análise, a participação dessas ferramentas no uso global passou de menos de 15% para mais de 54% em aproximadamente um ano.

A adoção também alcançou empresas americanas. Companhias como Airbnb, DoorDash e Shopify passaram a utilizar modelos chineses, atraídas principalmente por fatores como custo e possibilidade de personalização.

Eric Olander, editor-chefe do The China-Global South Project, avalia que empresas podem preferir diversificar fornecedores em vez de escolher exclusivamente entre tecnologia americana ou chinesa.

A infraestrutura chinesa já presente em mercados emergentes, especialmente nos setores de telecomunicações, computação em nuvem e hardware, também pode facilitar a expansão desses modelos.

O que significa vencer a corrida da IA?

A própria definição de liderança em inteligência artificial ainda não é consensual. Diferentes critérios — como capacidade técnica, número de usuários, participação de mercado ou geração de lucro — podem produzir resultados distintos.

Uma empresa pode ter menos usuários e, ainda assim, concentrar uma parcela maior dos lucros de determinado mercado. O mesmo poderia ocorrer com a IA, caso empresas americanas mantenham a liderança financeira enquanto sistemas chineses conquistem uma base maior de usuários.

Além disso, à medida que os modelos evoluem, as diferenças de desempenho entre as principais plataformas podem se tornar menos relevantes para consumidores e empresas que não necessitam dos sistemas mais avançados.

Nesse cenário, usuários e companhias podem ter de escolher entre modelos mais sofisticados e caros ou alternativas de menor custo que ofereçam desempenho suficiente para suas necessidades.

Abertura dos modelos chineses pode ter limites

A estratégia chinesa baseada em IA de código aberto também enfrenta limitações. Especialistas avaliam que Pequim pode restringir o acesso aos modelos mais avançados à medida que eles adquiram capacidades consideradas sensíveis.

Na conferência de IA realizada na China em julho, Xi Jinping defendeu maior abertura e cooperação tecnológica, mas também ressaltou a necessidade de regulamentação e controle humano.

Para Alex Colville, analista do Instituto Australiano de Política Estratégica, a segurança nacional continuará sendo um fator determinante para o governo chinês.

Uma possibilidade seria a adoção de regras de licenciamento que limitem os locais e as situações em que determinados modelos podem ser utilizados, em vez de uma proibição generalizada.

Assim, a tendência pode ser a coexistência de modelos abertos e fechados de IA na China, com diferentes níveis de acesso conforme a aplicação e o grau de sensibilidade tecnológica.

Países buscam IA soberana

O avanço dos modelos abertos chineses também despertou interesse de desenvolvedores e governos que buscam ampliar sua soberania tecnológica e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

Essa estratégia permite que países e empresas utilizem modelos existentes como ponto de partida para desenvolver soluções próprias, sem necessariamente se alinhar integralmente aos Estados Unidos ou à China.

O futuro dessa abordagem, porém, dependerá de quanto tempo os modelos chineses mais avançados permanecerão disponíveis de forma aberta.

Especialistas também avaliam que Pequim poderá estabelecer limitações para impedir usos considerados capazes de gerar riscos à segurança cibernética ou aos interesses nacionais.

EUA acusam empresas chinesas de usar tecnologia americana

A redução da distância tecnológica entre os dois países ocorre em meio ao aumento da desconfiança entre Washington e Pequim.

Autoridades e empresas americanas acusam laboratórios chineses de utilizar informações provenientes de sistemas dos Estados Unidos para aperfeiçoar seus próprios modelos, em um processo conhecido como destilação.

Anthropic e OpenAI divulgaram relatórios com acusações desse tipo. Em um documento publicado recentemente, a Anthropic afirmou que DeepSeek e Moonshot teriam encaminhado algumas solicitações de usuários ao Claude para utilizar essas informações no treinamento e aprimoramento de seus próprios modelos.

O governo chinês rejeitou repetidamente as acusações. DeepSeek e Moonshot não responderam aos pedidos de comentário mencionados na análise.

Empresas americanas divergem sobre restrições

Washington também avalia medidas que poderiam impor sanções ou restrições aos modelos chineses de código aberto.

A possibilidade, contudo, encontra resistência dentro do próprio setor tecnológico americano. Nvidia, Meta, Microsoft e outras empresas assinaram, em julho, uma carta contra restrições amplas aos modelos de código aberto.

O posicionamento evidencia uma diferença entre parte da indústria de tecnologia dos Estados Unidos e a estratégia defendida pelo governo americano para lidar com a competição chinesa.

Cúpula Trump-Xi teve poucos avanços na área de IA

Apesar da crescente preocupação internacional com os riscos e impactos da inteligência artificial, a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping produziu poucos resultados concretos relacionados à tecnologia.

Os dois governos discutiram a criação de um canal de comunicação e a continuidade do diálogo sobre riscos, benefícios e uso responsável da IA.

A cooperação, porém, permanece limitada pela desconfiança existente entre as duas potências. Para especialistas, Pequim continua interpretando as políticas americanas de controle de exportações e restrição tecnológica como parte de uma estratégia para conter o desenvolvimento chinês.

A disputa pela liderança em IA, portanto, não se resume à capacidade de criar modelos mais avançados. Envolve também custos, acesso, infraestrutura, segurança, usuários, alianças internacionais e controle sobre as tecnologias consideradas estratégicas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jason Lee/Illustration/Reuters

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Tecnologia

Inteligência artificial pode dificultar controle da inflação nos Estados Unidos

A expansão acelerada da inteligência artificial (IA) pode criar um novo desafio para a economia dos Estados Unidos: conter a inflação em um cenário de forte atividade econômica.

O aumento dos preços e das taxas de juros ocorre em meio a uma combinação de fatores que pressiona a economia americana. Entre eles estão o choque nos preços de energia provocado pelos conflitos no Irã e na Ucrânia, o agravamento das disputas comerciais e o crescimento expressivo dos investimentos corporativos em IA.

Enquanto guerras e tarifas concentram boa parte da atenção dos mercados, economistas também passaram a observar o volume de recursos direcionados pelas grandes empresas de tecnologia à construção de centros de dados, servidores e infraestrutura necessária para ampliar a capacidade de processamento de inteligência artificial.

Gastos com IA alcançam cifras trilionárias

O investimento em infraestrutura de inteligência artificial ganhou escala rapidamente. Segundo o JPMorgan, os gastos com centros de dados, chips e servidores devem chegar a aproximadamente US$ 1 trilhão em 2026.

A projeção para os próximos anos é ainda mais expressiva. De acordo com Stijn Van Nieuwerburgh, economista da Universidade de Columbia, os investimentos podem alcançar US$ 10,3 trilhões até 2032.

Para efeito de comparação, esse montante supera amplamente os valores envolvidos em grandes programas de infraestrutura do governo americano.

O Goldman Sachs estima que os investimentos em infraestrutura de IA representem cerca de 1,9% da atividade econômica dos Estados Unidos neste ano. A previsão de Van Nieuwerburgh é de que essa participação ultrapasse, em média, 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) americano por ano até 2032.

A dimensão projetada coloca o atual ciclo de investimentos entre os maiores períodos de expansão da infraestrutura econômica dos Estados Unidos.

Demanda por tecnologia pressiona preços

O aumento dos investimentos não representa, necessariamente, um problema inflacionário. Caso a oferta de produtos e serviços acompanhe a demanda, o crescimento poderia ocorrer sem gerar pressão significativa sobre os preços.

O desafio está no intervalo entre o investimento atual e os ganhos de produtividade esperados para o futuro. Enquanto empresas constroem a infraestrutura necessária para a expansão da IA, a economia precisa lidar imediatamente com a forte demanda por equipamentos, energia e trabalhadores.

Segundo Daniel Yue, professor da Georgia Tech que pesquisa os efeitos econômicos da IA, esse movimento já produz um choque de demanda com impacto sobre a inflação.

A construção de centros de dados, por exemplo, aumenta a procura por chips de memória e armazenamento, materiais de construção e eletricidade. Também eleva a demanda por profissionais como trabalhadores da construção civil, encanadores e eletricistas.

Falta de oferta aumenta pressão sobre custos

A oferta nem sempre consegue acompanhar a velocidade dessa demanda. Restrições de produção, regulamentações, dificuldades de licenciamento e limitações no mercado de trabalho estão entre os fatores que dificultam o equilíbrio entre oferta e procura.

O efeito pode ultrapassar o setor de tecnologia e atingir outros segmentos da economia, principalmente por meio da escassez de mão de obra e do aumento dos preços de materiais de construção.

A situação também entrou no radar do Federal Reserve. Austan Goolsbee, presidente do Federal Reserve Bank de Chicago, afirmou recentemente que acompanha os efeitos da construção de centros de dados de IA sobre a capacidade de absorção da economia.

Caso os investimentos estejam gerando uma demanda superior à capacidade disponível, o movimento poderia indicar um processo de superaquecimento econômico. Nesse cenário, a resposta do Federal Reserve (Fed) poderia envolver juros mais elevados para conter a inflação.

Economia americana continua aquecida

O avanço dos investimentos em IA ocorre em uma economia que já apresenta sinais de atividade elevada.

A produção industrial dos Estados Unidos em agosto atingiu o maior nível desde julho de 2021, segundo o Índice de Gerentes de Compras (PMI) da S&P Global. A taxa de desemprego estava em 4,1%, patamar associado por economistas ao pleno emprego.

As vendas no varejo também avançaram. Em agosto, o indicador registrou crescimento de 1,2%.

Esse conjunto de dados mostra uma economia com demanda ainda resistente, em vez de um quadro de forte desaceleração.

Valorização das ações de IA sustenta consumo

Outro componente importante é o desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial no mercado financeiro.

As oito companhias de maior valor no índice S&P 500 são, em grande medida, empresas diretamente relacionadas à IA. Juntas, elas correspondem a 38,8% do valor total do mercado acionário americano.

A valorização dessas ações ampliou o patrimônio de investidores de maior renda. Esse efeito contribuiu para sustentar o consumo mesmo diante das preocupações com o custo de vida.

Dados do Federal Reserve Bank de Nova York indicam que os 40% da população americana com maior renda respondem por aproximadamente 70% dos gastos de consumo.

Com consumidores de maior renda mantendo o ritmo das compras, empresas encontram espaço para repassar parte do aumento de custos aos preços finais.

Energia, tarifas e inflação complicam cenário

Além dos investimentos em IA, empresas americanas enfrentam custos elevados de diesel, transporte e tarifas comerciais.

Esse ambiente ajuda a explicar por que a inflação permanece acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed, mesmo depois de anos desde o pico de crescimento registrado após a pandemia.

Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union, observa que o avanço da IA tem beneficiado investimentos em tecnologia, construção de centros de dados e fabricação de componentes, enquanto uma parcela da população enfrenta principalmente o aumento dos custos.

A elevação das taxas de juros acrescenta outra dificuldade. Rendimentos mais altos dos títulos públicos e uma política monetária mais restritiva encarecem o crédito para empresas e consumidores, mecanismo que normalmente contribui para desacelerar a demanda.

Investimentos em IA podem resistir aos juros altos

A eficácia desse mecanismo, porém, pode ser limitada pela natureza dos atuais investimentos em IA.

Mesmo com o aumento do custo de financiamento, empresas podem manter projetos considerados estratégicos para ampliar sua capacidade tecnológica.

O economista Oren Klachkin, da Nationwide, avalia que juros mais altos podem levar empresas a rever ou cancelar alguns investimentos. No entanto, segundo ele, os projetos relacionados à infraestrutura de IA tendem a apresentar menor sensibilidade às taxas de juros e podem continuar avançando.

Esse cenário cria um desafio adicional para a política monetária americana: controlar a demanda e a inflação enquanto um dos maiores ciclos de investimento tecnológico da história continua em expansão.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Tecnologia

Drones ampliam fiscalização do transporte aquaviário e monitoramento de portos

A utilização de drones na fiscalização do transporte aquaviário vem ampliando os recursos disponíveis para o acompanhamento de operações, estruturas e áreas portuárias de grande extensão ou difícil acesso. Desde 2019, a tecnologia integra oficialmente as ferramentas empregadas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) para reunir informações e apoiar ações de fiscalização e monitoramento da infraestrutura portuária.

O uso de Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPAs) na Agência, porém, começou antes da adoção oficial. Os primeiros testes ocorreram em 2016, na Unidade Regional de Porto Velho (UREPV), por iniciativa do especialista em Regulação Wescley Sousa.

Tecnologia começou a ser testada em 2016

Na época, Sousa utilizou um drone particular para avaliar a aplicação da tecnologia nas atividades de fiscalização. A experiência demonstrou o potencial das imagens aéreas e contribuiu para que as RPAs passassem a fazer parte das ferramentas utilizadas pela ANTAQ.

A adoção foi formalizada em 2019, quando a Agência promoveu um curso para capacitar servidores na operação dos equipamentos e estabelecer procedimentos para o uso adequado dos drones.

Segundo Sousa, os registros obtidos por meio das aeronaves representaram um avanço significativo para o trabalho de fiscalização. As imagens permitem observar locais que apresentam dificuldades de acesso, como coberturas de armazéns e partes superiores de equipamentos portuários, sem a necessidade de exposição física dos fiscais.

Imagens aéreas apoiam análises e fiscalização

Além da inspeção visual, os dados coletados pelos drones podem ser utilizados em diferentes atividades técnicas. Entre as aplicações estão a medição de áreas, o cálculo de volumes e a produção de modelos tridimensionais de instalações.

As aeronaves também ajudam no acompanhamento da movimentação nos complexos portuários. Os voos podem registrar o fluxo de veículos nas vias de acesso aos portos, a ocupação dos pátios e as operações realizadas nos terminais.

Posteriormente, as imagens obtidas são incorporadas aos documentos produzidos pelos servidores e utilizadas como suporte para relatórios, análises e atividades de fiscalização.

Drones também monitoram obras de infraestrutura

O uso das aeronaves remotamente pilotadas não está limitado às ações de fiscalização. A ANTAQ também emprega a tecnologia no acompanhamento de obras de infraestrutura, inclusive para verificar e validar o avanço físico dos projetos previstos.

Com os registros aéreos, os técnicos podem obter informações sobre a evolução das intervenções e utilizar os dados como apoio ao monitoramento das estruturas.

Capacitação amplia integração entre órgãos públicos

A operação dos drones também tem contribuído para a cooperação técnica entre órgãos públicos. Os cursos promovidos pela ANTAQ reservam vagas para profissionais de instituições parceiras.

Entre os órgãos que participam dessas capacitações estão a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Marinha do Brasil e autoridades portuárias.

A colaboração ocorre ainda em outras áreas relacionadas ao uso das imagens aéreas e ao tratamento dos dados. A Polícia Federal, por exemplo, oferece eventualmente treinamentos a servidores da ANTAQ em fotogrametria, mapeamento aéreo e processamento de dados geoespaciais.

A expansão dessas ferramentas fortalece o uso de informações visuais e georreferenciadas no acompanhamento da infraestrutura e das operações do transporte aquaviário brasileiro.

FONTE: Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ)
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ANTAQ

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Tecnologia

Carros eletrificados atingem 1 milhão de unidades no Brasil

O mercado brasileiro alcançou a marca de 1 milhão de veículos eletrificados emplacados desde o início da série histórica, em janeiro de 2012. O número reúne diferentes tecnologias de propulsão elétrica comercializadas no país.

A categoria inclui modelos 100% elétricos (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e híbridos convencionais com tração elétrica (HEV e HEV Flex). Os micro-híbridos (MHEV), no entanto, não fazem parte desse levantamento.

A marca de 1 milhão de unidades já era esperada pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), que havia projetado o alcance do número para setembro.

Mercado de eletrificados acelera em 2026

Entre janeiro e agosto de 2026, foram emplacados 328.477 veículos eletrificados no Brasil. O resultado representa crescimento de 160,5% em comparação com o mesmo período de 2025.

O volume registrado nos oito primeiros meses deste ano corresponde a 34,6% de todos os veículos eletrificados comercializados no país desde o início da série histórica.

Para o presidente da ABVE, Ricardo Bastos, o resultado representa uma mudança no cenário da indústria automotiva brasileira.

“É mais um recorde histórico e a prova definitiva de que já ingressamos numa nova etapa da evolução do mercado automotivo brasileiro”, afirmou.

Carros elétricos lideram vendas em 2026

Considerando somente os emplacamentos realizados em 2026, os carros elétricos representam 44% das vendas de veículos eletrificados.

Os híbridos plug-in (PHEV) aparecem na sequência, com participação de 36% no mercado.

O desempenho mostra a expansão das diferentes tecnologias de eletrificação automotiva no Brasil, em um mercado que reúne veículos totalmente elétricos e modelos híbridos com diferentes sistemas de propulsão.

BYD lidera entre elétricos e híbridos plug-in

Entre os modelos comercializados em 2026, o BYD Dolphin Mini ocupa a primeira posição entre os veículos totalmente elétricos mais vendidos no país.

Já no segmento de híbridos plug-in, o destaque é o BYD Song, que registra o maior número de emplacamentos na categoria neste ano.

A chegada da frota eletrificada à marca de 1 milhão de unidades reforça a expansão dos carros elétricos e híbridos no Brasil e o avanço da eletrificação no mercado automotivo nacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rodrigo Barros/CNN

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Tecnologia

Aviação brasileira se prepara para nova fase com reforma tributária e novas tecnologias

A aviação brasileira está entrando em uma nova fase, marcada pela implementação da reforma tributária, pelo avanço de novas tecnologias e pela necessidade de reforçar a segurança das operações. As mudanças estão entre as prioridades do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que apresentou medidas e projetos em andamento durante o Aviation Infra Summit, realizado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Na abertura do evento, o secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Longo, detalhou propostas que estão sendo discutidas para regulamentar a nova estrutura tributária e reduzir possíveis impactos sobre o setor aéreo.

Reforma tributária pode considerar eficiência ambiental

Uma das propostas apresentadas pelo MPor envolve a regulamentação do Imposto Seletivo, com a possibilidade de utilizar critérios ambientais para definir a incidência do tributo sobre aeronaves.

A ideia é estabelecer tratamento diferenciado para modelos mais eficientes, que atendam aos padrões mais recentes de certificação, utilizem integralmente combustível sustentável de aviação (SAF) ou apresentem níveis significativamente menores de emissão de CO₂.

Segundo Daniel Longo, a proposta busca evitar que aeronaves com melhor desempenho ambiental sejam submetidas ao imposto da mesma forma que modelos menos eficientes.

O Ministério também encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta para retirar a tributação sobre o transporte aéreo internacional em situações nas quais seja aplicado o princípio da reciprocidade, considerando entendimentos do Supremo Tribunal Federal relacionados a atividades regidas por tratados internacionais.

Aviação regional terá benefício tributário

Outro ponto em análise é a regulamentação do benefício fiscal destinado à aviação regional.

A Lei Complementar nº 214/2025 estabeleceu uma redução de 40% nas alíquotas do IBS e da CBS para o segmento. O MPor defende que a aplicação do benefício considere a característica da operação das companhias, e não apenas rotas específicas.

A proposta em discussão prevê que empresas cuja atuação seja predominantemente regional possam ter toda a sua malha considerada para fins de aplicação da redução tributária.

As regras fazem parte da preparação do setor para a implementação da nova estrutura de impostos. Segundo Longo, a regulamentação da reforma tributária é atualmente uma das principais prioridades da Secretaria Nacional de Aviação Civil.

Brasil prepara estrutura para mobilidade aérea avançada

A transformação do setor também envolve o desenvolvimento de novos modelos de transporte. Entre eles estão as aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, conhecidas como eVTOLs, além dos drones.

Durante o evento, a diretora de Planejamento e Fomento da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), Julia Lopes, apresentou iniciativas do governo para preparar o país para a mobilidade aérea avançada.

A estruturação desse novo mercado exige integração entre diferentes áreas, incluindo espaço aéreo, vertiportos, telecomunicações, energia, segurança operacional, combate a incêndios, controle de ruído, saúde e proteção de dados.

A SAC também trabalha na elaboração de uma Política Nacional de Mobilidade Aérea Avançada, que deverá estabelecer diretrizes para o desenvolvimento do segmento e oferecer maior previsibilidade para empresas e investidores.

Novos veículos podem ampliar conexões regionais

A expectativa do governo é que a mobilidade aérea avançada complemente a infraestrutura existente e ajude a conectar cidades e regiões menores a aeroportos regionais e grandes centros.

A integração entre diferentes modais e novas tecnologias poderá ampliar a capilaridade do transporte aéreo e criar alternativas de deslocamento para passageiros.

Para isso, o planejamento precisa considerar desde as características do espaço aéreo e dos locais de operação até questões relacionadas ao impacto ambiental, segurança, ruído e infraestrutura energética.

Governo propõe novas regras para risco de fauna

A segurança operacional também esteve entre os temas discutidos no evento. A SAC apresentou uma proposta para aprimorar o gerenciamento do risco da fauna, questão relacionada à possibilidade de colisões entre aeronaves e animais.

A coordenadora de Segurança Operacional e Carga da SAC, Raquel Rocha, detalhou a proposta de decreto que regulamenta a Lei nº 12.725/2012. A legislação estabelece a Área de Segurança Aeroportuária (ASA), que corresponde a um raio de 20 quilômetros a partir do centro geométrico da maior pista de cada aeroporto.

Programa nacional terá atuação integrada

A proposta cria o Programa Nacional de Gerenciamento do Risco da Fauna e define atribuições para diferentes agentes envolvidos na prevenção de ocorrências.

Entre eles estão órgãos federais, prefeituras, operadores aeroportuários e responsáveis por atividades capazes de atrair animais para áreas próximas aos aeroportos.

O texto também prevê ações de fiscalização, monitoramento e integração entre órgãos públicos. A minuta foi elaborada conjuntamente pelo Ministério de Portos e Aeroportos, Ministério da Defesa e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

O documento está em análise na Casa Civil.

A proposta prevê ainda a criação do Comitê Nacional de Gerenciamento do Risco da Fauna, que será coordenado pela SAC e terá representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Ministério da Defesa e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Segurança depende também do entorno dos aeroportos

A estratégia pretende ampliar o gerenciamento do risco para além dos limites físicos dos aeroportos.

Isso ocorre porque a possibilidade de colisões com animais está relacionada também ao uso e à ocupação do solo no entorno dos aeródromos. Atividades que favorecem a presença de fauna nas proximidades podem aumentar os riscos para as operações.

A integração entre segurança aeroportuária, planejamento urbano, fiscalização e gestão ambiental será, portanto, um dos pontos centrais para reduzir ocorrências e garantir maior segurança à aviação brasileira.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vosmar Rosa

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Tecnologia

Carros elétricos avançam 63% na União Europeia em agosto de 2026

As novas matrículas de carros elétricos na União Europeia cresceram 62,7% em agosto de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O avanço ocorreu em meio à alta dos preços dos combustíveis e à continuidade dos incentivos para a compra de veículos eletrificados.

Segundo dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), os veículos elétricos a bateria passaram a representar 27,7% das novas matrículas na UE em agosto, contra 17,8% um ano antes.

O crescimento dos elétricos também contribuiu para a expansão do mercado automóvel europeu. As vendas de veículos novos aumentaram 4,5% em agosto e acumulam alta de 5,3% nos primeiros oito meses de 2026.

Subsídios impulsionam mercado de veículos elétricos

Uma análise da EY aponta que os subsídios para carros elétricos e a existência de um dia útil adicional em vários países ajudaram a explicar o desempenho de agosto.

Constantin M. Gall, responsável global pela área de indústria aeroespacial, defesa e mobilidade da EY, afirmou que o crescimento não deve ser interpretado necessariamente como uma recuperação estrutural do mercado. Segundo ele, a evolução das vendas está fortemente relacionada aos incentivos concedidos à mobilidade elétrica.

Gall também alertou que uma eventual retirada dos subsídios pode provocar uma queda significativa nas vendas de veículos elétricos.

Entre os demais tipos de motorização, as matrículas de híbridos plug-in cresceram quase 11% em agosto, enquanto os híbridos elétricos avançaram pouco mais de 2%.

Os híbridos convencionais continuaram como a motorização mais procurada, com aproximadamente um terço das novas matrículas em agosto e participação de 36,6% no acumulado do ano.

Nos primeiros oito meses de 2026, os carros elétricos a bateria e os modelos a gasolina tiveram participação de 21,7% cada no mercado europeu.

Alemanha lidera vendas de carros elétricos

A Alemanha foi o país que mais registrou novos carros elétricos em agosto, com quase 69 mil unidades. A França apareceu na sequência, com mais de 36 mil veículos.

Dinamarca, Bélgica e Países Baixos completaram os principais mercados em volume de matrículas elétricas.

Em termos de crescimento percentual, Estônia e Eslovênia tiveram as maiores altas. As matrículas aumentaram 278% na Estônia e 266% na Eslovênia. Como as bases eram menores, esses percentuais representaram, respectivamente, 174 e 1.651 veículos.

Preços dos combustíveis atingem recordes

O avanço dos veículos eletrificados ocorre em um cenário de forte pressão sobre os preços dos combustíveis na Europa.

Dados da Comissão Europeia indicam que, na semana iniciada em 21 de setembro, o preço médio da gasolina chegou a 2,092 euros por litro. O gasóleo atingiu 2,226 euros por litro.

Os dois valores foram os maiores desde o início da série histórica da Comissão Europeia, em 2005.

Especialistas do Banco Central Europeu (BCE) projetam que as margens de refinação do gasóleo atinjam o pico em outubro. A estimativa, no entanto, foi elaborada antes de os Estados Unidos iniciarem uma análise sobre uma possível restrição total ou parcial às exportações do combustível.

Marcas chinesas ampliam participação no mercado europeu

Enquanto os carros elétricos ganham espaço, fabricantes de origem chinesa também avançam no mercado automóvel da União Europeia.

As vendas dos cinco grupos controlados por capital chinês listados pela ACEA cresceram cerca de 71% em agosto, na comparação anual. A participação conjunta dessas empresas no mercado de veículos novos passou de 6,6% para 10,8%.

Entre os fabricantes que mais cresceram estão Leapmotor, com alta de 211%, Chery, com 201%, BYD, com 129%, e o grupo Geely, que avançou 24%. A Tesla, dos Estados Unidos, registrou crescimento de 53%.

Os números consideram todos os veículos comercializados por cada fabricante, e não apenas os modelos elétricos.

A classificação da ACEA inclui marcas de origem europeia pertencentes a grupos chineses. É o caso da Volvo Cars, contabilizada no grupo Geely.

Montadoras alemãs perdem participação

O avanço dos fabricantes chineses ocorre paralelamente à perda de participação dos principais grupos automóveis alemães.

As vendas somadas de Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz recuaram 1,1% em agosto. No mesmo período, a participação conjunta dessas empresas no mercado da UE caiu de 41,3% para 39,1%.

Para Constantin M. Gall, os atuais programas de incentivo adotados pelos países europeus favorecem especialmente fabricantes chineses e a Tesla, que oferecem modelos competitivos, principalmente nas faixas de preços baixa e média.

O especialista também avalia que as empresas chinesas podem continuar ampliando sua participação no mercado europeu, sobretudo nos segmentos de menor preço e nos países do sul da Europa.

Fabricantes europeus enfrentam pressão sobre custos

A EY avalia que o ritmo de crescimento observado em agosto pode perder força caso os incentivos à compra de veículos elétricos sejam reduzidos ou eliminados.

Além da possível retirada dos subsídios, o cenário envolve baixo crescimento econômico, preços elevados do petróleo e incertezas geopolíticas, fatores que podem levar consumidores a adiar a compra de veículos novos.

Outro ponto de atenção está nos custos de produção das baterias. Um relatório citado pela Euronews estima que propostas de regras para ampliar a fabricação de baterias na Europa poderiam acrescentar cerca de 2.100 euros ao preço de um carro elétrico.

O aumento dos custos pode dificultar a oferta de veículos elétricos mais baratos pelas montadoras europeias, justamente em um momento de maior concorrência de fabricantes chineses e de transformação acelerada do mercado automóvel.

FONTE: Euro News
TEXTO: Redação
IMAGEM: AP Photo/Jens Meyer

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Tecnologia

Toyota retoma produção no Brasil enquanto reconstrói fábrica destruída em Porto Feliz

A Toyota encontrou uma solução temporária para manter a produção de motores no Brasil enquanto reconstrói sua fábrica de Porto Feliz, no interior de São Paulo, destruída por um forte fenômeno climático em setembro de 2025. A estratégia permitiu à montadora retomar gradualmente a fabricação de veículos e, ao mesmo tempo, iniciar a reconstrução completa da unidade.

A convite da empresa, o UOL Carros visitou a nova fábrica provisória de motores, instalada também em Porto Feliz, a cerca de 11 quilômetros da planta original.

Vendaval interrompeu produção de veículos

O episódio ocorreu por volta das 13h de 22 de setembro de 2025. Um forte vendaval atingiu a região e arrancou praticamente todo o teto da fábrica de motores da Toyota, que até então produzia os propulsores utilizados nos modelos Corolla e Corolla Cross.

Segundo o Corpo de Bombeiros, dez pessoas sofreram ferimentos leves. A Defesa Civil de São Paulo registrou rajadas de vento de até 90 km/h.

O impacto obrigou a Toyota a suspender completamente a produção de veículos no país durante 42 dias. A retomada ocorreu de maneira gradual a partir de 3 de novembro de 2025, nas fábricas de Indaiatuba e Sorocaba.

Com isso, voltaram à linha de produção os modelos Corolla, Corolla Cross e Yaris, este último destinado à exportação. O cronograma também afetou o lançamento do Yaris Cross, inicialmente programado para outubro e adiado para novembro.

Nova fábrica começou a produzir em janeiro

Para reduzir os impactos da paralisação, a Toyota colocou em operação uma fábrica provisória de motores em Porto Feliz. A unidade iniciou as atividades em 26 de janeiro, com 373 funcionários.

Desde então, já foram produzidos cerca de 42 mil motores, em um ritmo de aproximadamente 400 unidades por dia.

Inicialmente, a unidade temporária realizava somente a usinagem e a montagem do motor 1.5 utilizado no Yaris Cross. Agora, a planta também passa a executar a etapa de fundição, que anteriormente era realizada fora do Brasil.

Os motores 2.0 utilizados pelo Corolla e pelo Corolla Cross continuam sendo enviados ao país já completamente montados no exterior.

A Toyota não informou o valor dos prejuízos provocados pelo desastre nem o investimento específico destinado à construção da unidade provisória.

Reconstrução da fábrica deve terminar em 2028

Enquanto a produção segue na estrutura temporária, a antiga fábrica de Porto Feliz está sendo reconstruída praticamente do zero.

A nova unidade terá uma fundição reforçada, com estruturas projetadas para suportar 45% mais resistência em comparação com as instalações anteriores, segundo a montadora.

Do prédio destruído, somente o piso original foi aproveitado. Mesmo assim, a área será ampliada para atender ao novo projeto. A Toyota não divulgou qual será o aumento da área construída.

A previsão é que a fábrica reconstruída volte a operar em 2028. A intenção é que os equipamentos necessários para a fabricação dos motores 2.0 sejam reinstalados primeiro. Posteriormente, a produção do motor 1.5 deverá retornar gradualmente para a unidade.

Os investimentos na reconstrução de Porto Feliz fazem parte do plano de R$ 11,5 bilhões em investimentos no Brasil até 2030 anunciado pela Toyota.

Mais de 600 máquinas foram recuperadas

Apesar da dimensão dos danos, grande parte dos equipamentos da fábrica pôde ser preservada.

Segundo Gilberto Paulino, diretor industrial da Toyota do Brasil, a equipe conseguiu colocar os funcionários em segurança poucos minutos após o início do temporal e, posteriormente, concentrou esforços na recuperação dos equipamentos.

Dos mais de 800 equipamentos existentes na unidade, 622 máquinas foram recuperadas. Os principais danos atingiram os fornos de fundição, que, de acordo com a empresa, não seriam utilizados no novo projeto.

Fenômeno foi classificado como microexplosão atmosférica

Dias depois do episódio, análises realizadas pela Defesa Civil de São Paulo com auxílio de imagens de satélite apontaram que a destruição foi provocada por uma microexplosão atmosférica.

O fenômeno ocorre dentro de nuvens de tempestade. Conforme explica o meteorologista Franco Vilela, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), uma camada de ar sofre resfriamento intenso e rápido em grandes altitudes e desce em direção ao solo, provocando ventos de elevada intensidade.

A ocorrência transformou a reconstrução da fábrica em uma das principais etapas da estratégia da Toyota para normalizar sua produção de motores no Brasil, enquanto a nova estrutura temporária garante a continuidade das operações até a conclusão da planta definitiva.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

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Tecnologia

O paradoxo de US$ 7 trilhões: por que a indústria de IA não pode parar

O mercado de inteligência artificial (IA) vive uma contradição curiosa em Wall Street. Enquanto líderes do setor defendem publicamente a desaceleração no desenvolvimento de modelos avançados em nome da segurança, a corrida por investimentos, valorizações recordes e novos produtos continua em ritmo acelerado.

Esse cenário contraditório expõe o maior dilema das empresas de tecnologia: as mesmas organizações que pedem cautela são aquelas que precisam avançar rapidamente para justificar os bilhões captados junto a fundos e investidores.

IPOs trilionários e a pressão por resultados

A divergência entre discurso e prática fica evidente no movimento das principais companhias do setor. A OpenAI decidiu adiar sua abertura de capital para focar em segurança, contando com o fôlego de uma rodada recente de US$ 122 bilhões que garantiu caixa confortável à criadora do ChatGPT.

Por outro lado, a concorrente Anthropic seguiu o caminho inverso. A empresa protocolou seu pedido de IPO na SEC e se prepara para estrear na Nasdaq, com uma avaliação estimada de até US$ 2 trilhões. Esse otimismo é sustentado pelo salto expressivo em sua receita anualizada, impulsionado pela alta demanda corporativa.

Para sustentar avaliações tão elevadas, as gigantes tecnológicas não podem se dar ao luxo de desacelerar. Empresas como a Alphabet (controladora do Google) seguem elevando os investimentos em data centers e chips de IA para dar suporte ao crescimento massivo de plataformas como o Gemini.

O custo bilionário da corrida tecnológica

Projeções do Goldman Sachs indicam que mais de US$ 7 trilhões serão injetados na expansão da inteligência artificial nos próximos anos. Com uma vantagem competitiva que frequentemente dura poucos meses, o retorno financeiro depende diretamente de quem lança primeiro o modelo de linguagem mais capaz do mercado.

Decidir frear o passo voluntariamente abre espaço para concorrentes ou para o avanço de modelos abertos, que possuem custos menores de operação. Como nenhuma companhia deseja perder liderança de mercado, o incentivo para acelerar continua inabalável.

Riscos de segurança e os desafios da fiscalização

À medida que os sistemas se tornam mais complexos e ganham autonomia por meio de agentes de IA, a auditoria em tempo real se torna um desafio quase intransponível. Incidentes recentes — como falhas em ambientes de teste que permitiram a incursão de modelos em redes externas — demonstraram que a capacidade tecnológica já supera alguns dos mecanismos tradicionais de contenção.

Enquanto especialistas em ética em IA alertam para riscos existenciais e defendem maior rigor regulatório — chegando a comparar o monitoramento de chips avançados ao controle de material físsil —, defensores da aceleração argumentam que a velocidade é uma vantagem estratégica indispensável para o avanço econômico global.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images /AFP

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Tecnologia

Cúpula do BID une líderes latino-americanos e gigantes da tecnologia para acelerar expansão da Inteligência Artificial

O Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID) promoveu um encontro estratégico histórico paralelamente à Assembleia Geral da ONU. O evento reuniu chefes de Estado sul-americanos e caribenhos com executivos de peso de multinacionais como Google, Microsoft, Anthropic e Nvidia. O objetivo central foi estruturar uma agenda compartilhada para a adoção da Inteligência Artificial (IA), visando destravar novos patamares de desenvolvimento e eficiência econômica na América Latina e no Caribe.

Mecanismo regional e estratégia conjunta de investimentos

Durante as discussões, autoridades de países como Brasil, Chile, Colômbia e Uruguai enfatizaram a urgência de criar um mecanismo regional unificado. A proposta consiste em alinhar diretrizes de investimento e estabelecer regras comuns para que a tecnologia seja implementada de forma ética, segura e capilarizada em toda a região.

Os debates destacaram que o sucesso da transformação digital depende de pilares fundamentais, tais como:

  • Marcos regulatórios sólidos e instituições preparadas;
  • Capacitação de talentos e novas competências profissionais;
  • Fortalecimento da infraestrutura digital e ecossistemas de dados;
  • Difusão tecnológica eficiente entre governos, corporações e classe trabalhadora.

O impacto da IA no PIB da América Latina

A urgência do encontro foi impulsionada por dados preliminares do principal relatório institucional do BID, entitulado “From Digitalization to Artificial Intelligence: Turning Promises into Productivity”, com lançamento oficial previsto para novembro de 2026.

Os números revelam cenários decisivos para o futuro econômico do continente:

  • Cenário otimista: Com uma integração ampla da Inteligência Artificial na economia, o PIB regional pode registrar um salto de até 5,1% em dez anos.
  • Cenário limitado: Caso a absorção tecnológica seja restrita, o crescimento econômico estimado não passará de 0,3% no mesmo período.

O estudo também alerta para os reflexos no mercado de trabalho. A mobilidade profissional será determinante: salários podem subir até 5,3% caso haja migração para setores em alta, mas correm o risco de recuar drasticamente se faltarem políticas públicas de requalificação profissional e transição de carreira.

Diálogo multissetorial de alto nível

A cúpula contou com a presença marcante de presidentes e ministros latino-americanos, além de lideranças globais do ecossistema de inovação, incluindo representantes da Alphabet, Google, Meta, Microsoft e Nvidia. A iniciativa ocorreu em parceria com a Americas Society/Council of the Americas e a Bicycle Capital, reforçando o compromisso conjunto entre o setor público e privado para consolidar uma inovação tecnológica responsável na região.

FONTE: IADB
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/IADB

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