Comércio Internacional, Tecnologia

Exportações de chips da China disparam e fabricantes registram lucros bilionários

A China registrou forte crescimento nas exportações de semicondutores em 2026. Entre janeiro e agosto, as vendas externas de chips alcançaram US$ 256,8 bilhões (cerca de R$ 1,3 trilhão), alta de 103,9% na comparação com o mesmo período de 2025.

Os números foram divulgados pela Administração Geral de Alfândegas da China em 8 de setembro e refletem o avanço da indústria chinesa de chips, que vem ampliando sua participação no mercado global.

Fabricantes chineses registram forte alta nos lucros

O crescimento das exportações acompanha o desempenho financeiro das principais empresas chinesas do setor. No primeiro semestre de 2026, fabricantes de semicondutores registraram receitas expressivas e aumentos significativos nos lucros.

Pelo menos quatro companhias apresentaram crescimento superior a 90% nos lucros em relação aos primeiros seis meses de 2025. Entre elas estão duas fabricantes especializadas em chips de memória, segmento no qual empresas chinesas ganharam espaço ao longo do último ano.

CXMT amplia participação no mercado de memória DRAM

A CXMT alcançou, no segundo trimestre de 2026, a quarta posição entre as maiores fabricantes mundiais de chips de memória DRAM, sigla em inglês para memória dinâmica de acesso aleatório.

Segundo dados da Counterpoint, empresa especializada em análise do mercado de tecnologia, a participação da companhia nesse segmento passou de 4% para 10% em apenas um ano.

O avanço também despertou o interesse dos investidores. Em 27 de julho, a CXMT realizou uma oferta pública inicial (IPO) na Bolsa de Xangai e levantou US$ 9,8 bilhões.

YMTC avança na produção de chips NAND

Outra empresa chinesa que ganhou espaço foi a YMTC, especializada na fabricação de memória NAND, tecnologia amplamente utilizada no armazenamento de grandes volumes de dados.

A participação da companhia no mercado passou de 11% para 14% em um ano. Com esse desempenho, a YMTC ocupa atualmente a quarta posição global no segmento, de acordo com a Counterpoint.

A empresa também pretende aproveitar o momento favorável para captar recursos. A YMTC já iniciou o processo para realizar um IPO na Bolsa de Xangai, com previsão de levantar US$ 4,9 bilhões.

Boom da inteligência artificial impulsiona demanda por chips

Parte importante desse movimento está relacionada ao avanço da inteligência artificial (IA). A expansão dos modelos de IA aumentou a procura por semicondutores utilizados no processamento dessas tecnologias e contribuiu para a valorização de diversos componentes.

A pressão sobre a oferta também afeta outros segmentos da indústria de eletrônicos. A maior demanda por chips tem impacto nos preços e pode encarecer produtos como computadores e celulares.

As fabricantes chinesas conseguiram se beneficiar desse cenário após anos de investimentos voltados ao fortalecimento da produção doméstica.

Restrições dos EUA aceleraram indústria chinesa

Desde 2022, quando os Estados Unidos e países aliados passaram a impor restrições à exportação de chips avançados e de tecnologias relacionadas para a China, Pequim intensificou os esforços para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

Embora os fabricantes chineses ainda não tenham alcançado o mesmo nível tecnológico de empresas como a Nvidia em determinados segmentos, o aumento da capacidade produtiva ampliou a presença do país no mercado.

A combinação entre produção em larga escala e preços mais baixos tornou os chips chineses uma alternativa relevante em um cenário de demanda elevada.

Outro fator estratégico para a indústria de tecnologia chinesa é o domínio do país sobre o processamento de terras-raras, minerais fundamentais para a fabricação de diversos equipamentos e componentes tecnológicos.

Mercado global de semicondutores deve atingir US$ 1,5 trilhão

As perspectivas para o setor também são positivas em escala global. Segundo a Semiconductor Industry Association (SIA), o mercado de semicondutores deverá movimentar US$ 1,5 trilhão em 2026.

O valor representa mais que o dobro do registrado em 2025 e cerca de três vezes o tamanho do mercado de uma década atrás.

A China parte de uma posição estratégica nesse cenário. Dados oficiais apontam que o país produziu aproximadamente 1,5 bilhão de chips por dia no primeiro semestre de 2026.

Com investimentos crescentes, expansão da capacidade industrial e aumento da demanda provocada pela inteligência artificial, a indústria chinesa de semicondutores busca ampliar seu papel em um mercado que deve movimentar cifras trilionárias nos próximos anos.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Tecnologia

China quer que carros de nova energia representem 70% das vendas até 2030

A China estabeleceu uma nova meta para ampliar a participação dos veículos de nova energia (NEVs) no mercado automotivo. O governo pretende que esses modelos correspondam a 70% das vendas de novos carros de passageiros até 2030, de acordo com um plano de desenvolvimento para os próximos cinco anos.

O documento traça as principais diretrizes para a indústria chinesa de veículos elétricos, híbridos e conectados, com foco em avanços tecnológicos, maior eficiência energética e expansão das fabricantes do país no mercado internacional.

A estratégia busca consolidar a posição da China na indústria automotiva mundial, em um momento em que a participação dos NEVs no mercado doméstico já se aproxima da meta estabelecida para o fim da década.

Participação dos NEVs já se aproxima da meta

O plano foi publicado por nove órgãos governamentais chineses, entre eles o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma.

Além da meta para os carros de passageiros, o governo estabeleceu que os NEVs deverão representar 40% das vendas de novos veículos comerciais até 2030.

Os números mais recentes mostram que o mercado chinês já avançou significativamente nessa direção.

Nos oito primeiros meses de 2026, os veículos de nova energia responderam por 58,6% das vendas de novos carros de passageiros e por 33,9% das vendas de veículos comerciais, segundo dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis.

Somente em agosto, as participações chegaram a 68% entre os carros de passageiros e 49,3% entre os veículos comerciais.

China estabelece metas de eficiência energética

O plano também estabelece objetivos para reduzir o consumo de energia e combustível dos veículos até 2030.

Para os carros de passageiros, a meta é alcançar um consumo médio de combustível de 3,3 litros a cada 100 quilômetros.

Já os veículos elétricos de passageiros deverão atingir consumo médio de 11,5 kWh por 100 quilômetros.

O desafio é maior no caso dos elétricos. Embora 87 fabricantes chineses já tivessem atingido a meta de consumo de combustível em 2025, a eficiência energética dos modelos elétricos ainda está distante do objetivo estabelecido para 2030.

Baterias maiores não são a única solução

Um estudo do Instituto de Pesquisa de Engenharia Automotiva da China apontou que os carros elétricos de passageiros avaliados em 2025 apresentaram consumo médio de 15,8 kWh por 100 quilômetros, considerando o padrão WLTC (Worldwide Harmonized Light Vehicles Test Cycle).

Para aumentar a autonomia, as montadoras tradicionalmente recorrem ao uso de baterias maiores ou a sistemas híbridos.

O ex-ministro do MIIT Miao Wei, entretanto, defendeu em outubro de 2025 que o setor avance principalmente por meio de inovação tecnológica e eficiência energética, em vez de depender apenas do aumento da capacidade das baterias.

A orientação está alinhada ao desafio colocado pelo governo chinês para a próxima etapa de desenvolvimento da indústria.

Direção autônoma também está entre as prioridades

A estratégia chinesa inclui ainda metas para o avanço da direção automatizada.

Até 2030, o governo pretende viabilizar produtos de direção autônoma de alto nível para utilização em diferentes situações, incluindo rodovias e áreas urbanas.

Guo Shougang, chefe do departamento de indústria de equipamentos do MIIT, afirmou que as autoridades deverão ampliar a definição de padrões e os mecanismos de supervisão de segurança.

O objetivo é criar condições para que projetos-piloto de direção autônoma possam avançar dentro de parâmetros de segurança definidos pelas autoridades.

Fabricantes chinesas buscam ampliar presença global

A expansão internacional também aparece como um dos pilares do novo plano.

O governo chinês pretende fortalecer a reputação internacional das marcas automotivas chinesas e estimular a participação das empresas do país na definição e coordenação de regulamentações internacionais para o setor.

A estratégia ocorre em um cenário de aumento do protecionismo e das barreiras comerciais em diferentes mercados.

China promete apoio à expansão das montadoras

Cao Wen, funcionário do Ministério do Comércio da China, afirmou que o governo pretende aperfeiçoar os serviços de apoio à internacionalização das empresas automotivas.

Entre as medidas estão ações relacionadas à conformidade regulatória nos mercados estrangeiros e à proteção dos interesses das montadoras chinesas que já operam fora do país.

Com o novo plano, Pequim combina metas de crescimento dos veículos de nova energia com objetivos de eficiência, desenvolvimento de tecnologias de direção automatizada e expansão global das fabricantes chinesas.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Tecnologia

SENAI/SC articula rede de robótica avançada para aumentar produtividade da indústria

O SENAI/SC está coordenando uma iniciativa para integrar universidades, centros de pesquisa e instituições de ciência, tecnologia e inovação com o objetivo de fortalecer a robótica avançada em Santa Catarina. A articulação faz parte do Projeto Estruturante para Integração e Fortalecimento da Rede Catarinense de Robótica Avançada, apoiado pela Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina).

O projeto conta com investimento aproximado de R$ 5 milhões e busca conectar competências já existentes no Estado para ampliar a aplicação de tecnologias avançadas no setor produtivo.

Projeto aproxima pesquisa, empresas e indústria

A iniciativa pretende fortalecer a cooperação entre pesquisadores, empresas e fornecedores de tecnologia, criando condições para acelerar o desenvolvimento de soluções voltadas aos desafios enfrentados pela indústria catarinense.

Segundo o diretor regional do SENAI/SC, Fabrízio Pereira, a integração entre diferentes áreas do conhecimento é fundamental para avançar em uma tecnologia que envolve múltiplas competências.

Para ele, o projeto também representa uma oportunidade de aproximar o desenvolvimento tecnológico das necessidades reais da indústria, especialmente em áreas emergentes como a Physical AI.

Physical AI combina inteligência artificial e robótica

A Physical AI (Inteligência Artificial Física) é um dos campos que ganham destaque na iniciativa. O conceito reúne inteligência artificial, robótica, sensores, câmeras e sistemas autônomos capazes de perceber o ambiente, tomar decisões e executar tarefas no mundo real.

O SENAI/SC já trabalha com aplicações relacionadas à tecnologia por meio de seus Institutos SENAI de Inovação. Entre os recursos utilizados estão robôs humanoides, robôs quadrúpedes, drones e outros sistemas autônomos.

A expectativa é que a integração entre essas tecnologias contribua para o desenvolvimento de soluções com aplicações em diferentes processos industriais.

Robótica pode ampliar produtividade e competitividade

A articulação da rede catarinense busca transformar conhecimento e infraestrutura tecnológica em aplicações capazes de atender demandas concretas das empresas.

Entre os possíveis impactos estão ganhos de produtividade industrial, segurança, eficiência operacional e competitividade.

A aproximação entre empresas, pesquisadores e fornecedores também pode facilitar a identificação de oportunidades para adoção de automação industrial, robótica e sistemas baseados em inteligência artificial.

SENAI/SC conta com infraestrutura para inovação

A iniciativa também utiliza a estrutura de inovação tecnológica do SENAI/SC. A instituição possui duas Unidades Embrapii, localizadas em Florianópolis e Joinville.

As unidades reúnem competências em áreas como sistemas embarcados, manufatura avançada, tecnologias a laser e aplicações de robótica.

Essa infraestrutura permite apoiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação direcionados às necessidades da indústria.

Atlas da Robotização vai mapear oportunidades

Uma das principais entregas previstas pelo projeto é o Atlas da Robotização. A ferramenta terá a função de identificar fornecedores de tecnologias de robótica e automação e relacioná-los às atividades e ocupações da indústria catarinense que apresentam potencial para automação ou robotização.

O mapeamento deverá formar uma base de inteligência para auxiliar empresas e instituições na identificação de oportunidades de aplicação da robótica avançada e da Physical AI.

Além de orientar empresas, o Atlas poderá contribuir para a definição de prioridades em desenvolvimento tecnológico, formação profissional e projetos de inovação.

Tecnologia mais próxima das necessidades da indústria

Com a integração de competências e informações sobre o mercado, a proposta é aproximar a oferta tecnológica das demandas efetivas do setor produtivo.

A expectativa é que a rede catarinense contribua para acelerar a adoção de soluções de robótica e automação industrial, além de estimular novos projetos de pesquisa e inovação no Estado.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fapesc

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Tecnologia

Mercado de veículos cresce 18,9% em 2026 com avanço de elétricos e marcas chinesas

O mercado brasileiro de veículos leves mantém trajetória de crescimento em 2026, mas os números da primeira quinzena de setembro mostram que a expansão vem acompanhada de mudanças na composição das vendas. O avanço dos carros eletrificados, a presença crescente das fabricantes chinesas e o desempenho do varejo estão alterando a dinâmica da indústria automotiva.

Entre 1º e 15 de setembro, foram emplacados 109.536 veículos leves no país. O volume representa alta de 7,9% em relação a agosto e crescimento de 6,6% na comparação com setembro de 2025.

No acumulado de 2026, o mercado soma 1.992.993 unidades, aumento de 18,9% sobre o mesmo período do ano passado. Os dados são da Bright Consulting.

Varejo cresce mais que vendas diretas

A divisão por canais de comercialização mostra diferenças importantes no comportamento das vendas.

Na primeira metade de setembro, o varejo respondeu por 58.365 unidades, enquanto as vendas diretas somaram 51.171 veículos. Em comparação com agosto, as vendas diretas avançaram 21,3%, enquanto o varejo apresentou queda de 1,6%.

Na comparação anual, entretanto, o varejo teve desempenho superior. As vendas para consumidores e demais operações do canal cresceram 14% ante setembro de 2025, enquanto as vendas diretas recuaram 0,8%.

Considerando o período de janeiro até a primeira quinzena de setembro, o varejo acumula 1.030.098 veículos, alta de 23,4%. As vendas diretas chegaram a 962.895 unidades, crescimento de 14,5%.

Com esse movimento, a participação das vendas diretas caiu de 50,2% em 2025 para 48,3% em 2026.

Fiat lidera e BYD chega ao terceiro lugar

A Fiat permaneceu na primeira posição entre as fabricantes na primeira quinzena de setembro. Foram 20.573 veículos, equivalentes a 18,8% do mercado.

A Volkswagen ficou em segundo, com 16.938 unidades e participação de 15,5%.

A principal mudança no ranking foi a ascensão da BYD, que alcançou o terceiro lugar com 10.230 emplacamentos, correspondentes a 9,3% do mercado.

Na sequência apareceram General Motors, Hyundai e Toyota.

Os canais de venda também revelam estratégias diferentes entre as montadoras. Na primeira metade de setembro, 60,6% dos veículos da Fiat e 62,4% dos Volkswagen foram comercializados pelo canal direto.

Na BYD, essa proporção ficou em 26,5%. Entre outras marcas chinesas, Chery, GWM e Geely tiveram participação de vendas diretas de apenas 4,2%, 11,3% e 10,8%, respectivamente.

Dolphin Mini entra no top 3 dos modelos mais vendidos

Entre os modelos, a Fiat Strada manteve a liderança, com 7.305 unidades e 6,7% de participação.

O destaque ficou por conta do BYD Dolphin Mini, que registrou 4.414 emplacamentos e terminou a primeira quinzena na terceira colocação geral.

O desempenho coloca um carro 100% elétrico entre os três modelos mais vendidos do mercado brasileiro no período, evidenciando o avanço dessa tecnologia para além de um segmento de nicho.

Eletrificados quase dobram participação

A eletrificação dos veículos é uma das principais transformações observadas nos dados de setembro.

Entre 1º e 15 de setembro, foram registrados 25.941 veículos eletrificados, o equivalente a 23,7% dos veículos leves vendidos no período.

Um ano antes, a participação era de 10,9%. Em volume, isso representa crescimento anual de 131%.

O grupo, porém, reúne diferentes tecnologias de propulsão. Portanto, o percentual não corresponde apenas aos modelos totalmente elétricos.

Quais eletrificados mais venderam?

Os veículos 100% elétricos (BEV) somaram 10.667 unidades.

Os híbridos plug-in (PHEV) registraram 7.554 emplacamentos, enquanto os híbridos convencionais (HEV) chegaram a 3.972 unidades.

Já os híbridos leves (MHEV) tiveram 3.462 veículos vendidos. Os modelos elétricos de autonomia estendida (REEV) somaram 286 unidades.

Os números mostram que o processo de eletrificação ocorre por diferentes tecnologias, combinando veículos exclusivamente elétricos com modelos que ainda utilizam motores a combustão.

BYD domina vendas de veículos 100% elétricos

A BYD teve forte participação entre os modelos eletrificados comercializados no período.

A montadora respondeu por 64,3% dos veículos totalmente elétricos vendidos na primeira quinzena de setembro e por 44,7% dos híbridos plug-in.

O Dolphin Mini foi o BEV mais vendido, com 4.414 unidades. Entre os híbridos plug-in, o modelo de maior volume foi o Song Pro, com 1.743 emplacamentos.

Nos híbridos convencionais, a Toyota liderou entre as fabricantes, enquanto o Omoda 5 foi o modelo mais vendido. Entre os híbridos leves, a Jeep ficou na primeira posição e o Renegade liderou entre os veículos.

Marcas chinesas já respondem por 22,8% do mercado

As fabricantes chinesas alcançaram participação de 22,8% no mercado brasileiro de veículos leves na primeira quinzena de setembro.

O percentual ficou abaixo dos 24,7% registrados na primeira metade de agosto. Como a comparação envolve períodos curtos, a diferença, isoladamente, não permite concluir que exista uma mudança definitiva na trajetória de participação dessas marcas.

Ainda assim, os números mostram o espaço conquistado por empresas como BYD, Chery, GWM e Geely.

Essas fabricantes vêm ampliando o portfólio disponível no Brasil, especialmente em modelos eletrificados, e apresentam uma participação relativamente baixa das vendas diretas em comparação com algumas montadoras tradicionais.

SUVs continuam como principal carroceria

Os SUVs seguem liderando entre os tipos de carroceria. Na primeira quinzena de setembro, os utilitários esportivos representaram 41,8% dos emplacamentos.

O percentual ficou abaixo dos 43,9% registrados em agosto, mas permaneceu acima dos 34,9% observados no mesmo período de 2025.

Os hatchbacks responderam por 25,3% do mercado, enquanto os sedãs tiveram participação de apenas 6,9%, contra 11,4% um ano antes.

A mudança mostra que a transformação do mercado brasileiro não está restrita aos sistemas de propulsão. A preferência dos consumidores por determinados tipos de veículos também vem se modificando.

Mercado automotivo passa por mudanças estruturais

O crescimento de 18,9% no acumulado de 2026 confirma a expansão do mercado de veículos leves. Os números de setembro, entretanto, também revelam alterações importantes no perfil da demanda.

O varejo apresenta crescimento superior ao das vendas diretas no acumulado do ano, enquanto as fabricantes chinesas ampliam sua participação e os veículos eletrificados ganham espaço rapidamente.

A chegada do Dolphin Mini à terceira posição entre os modelos mais vendidos é um dos exemplos mais visíveis dessa transformação. Um veículo totalmente elétrico passou a disputar as primeiras posições do ranking geral.

Para as fabricantes, a competição envolve fatores como preço, tecnologia, variedade de modelos, financiamento, rede de concessionárias, pós-venda e percepção de valor.

Para os consumidores, o resultado é uma oferta mais diversificada, com modelos a combustão, híbridos e elétricos disponíveis em diferentes segmentos e faixas de preço.

Os dados da primeira quinzena de setembro, portanto, apontam para um mercado que não apenas cresce, mas também muda de perfil. A expansão dos eletrificados, o avanço das marcas chinesas e o desempenho do varejo estão entre os fatores que tornam a concorrência no setor automotivo brasileiro mais diversificada.

Mercado de veículos em números

  • 109.536: veículos leves emplacados na primeira quinzena de setembro.
  • 18,9%: crescimento acumulado do mercado em 2026.
  • 10.230: veículos vendidos pela BYD no período.
  • 9,3%: participação da BYD no mercado.
  • 4.414: unidades do BYD Dolphin Mini.
  • 23,7%: participação dos eletrificados.
  • 131%: crescimento anual dos eletrificados em volume.
  • 22,8%: participação conjunta das marcas chinesas.
  • 41,8%: participação dos SUVs nos emplacamentos.

FONTE: Seu Crédito Digital
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Tecnologia

IA agêntica ganha espaço e transforma operações de intralogística

A inteligência artificial começa a avançar para uma nova etapa na logística. Além de analisar dados e fazer recomendações, a tecnologia passa a ser utilizada para coordenar tarefas e processos de forma integrada, com agentes especializados e supervisão humana.

A chamada IA agêntica foi um dos temas apresentados pela Infor durante a INTRA-LOG Expo South America 2026, realizada de 15 a 17 de setembro, em São Paulo. A tecnologia pode ser aplicada a atividades como abastecimento, armazenagem, separação de pedidos, gestão de estoques e movimentação de cargas.

Da análise à execução

Segundo o Infor Enterprise AI Adoption Index, pesquisa com mais de mil líderes globais, 80% dos entrevistados afirmam ter capacidade interna para implementar inteligência artificial. Apesar disso, cerca de um terço das empresas ainda não iniciou a adoção ou permanece em projetos-piloto.

Entre os desafios estão a fragmentação dos sistemas, a qualidade dos dados e a falta de contexto específico para aplicação da tecnologia.

Na intralogística, uma decisão pode depender simultaneamente de estoque, volume de pedidos, mão de obra, prazos e prioridades comerciais. A proposta da IA agêntica é conectar essas informações e apoiar a execução dos processos.

Agentes podem coordenar operações

No modelo apresentado pela Infor, agentes de IA executam tarefas dentro de regras previamente definidas, enquanto profissionais acompanham exceções e aprovam ações que exigem julgamento.

Em uma interrupção no transporte, por exemplo, agentes podem atuar de forma coordenada para buscar alternativas, atualizar sistemas, comunicar clientes e reorganizar a programação.

A tecnologia também pode ser aplicada ao picking. Em um caso apresentado pela empresa, o uso de machine learning para redefinir rotas de separação reduziu em 25% a distância percorrida e tornou o processo 15% mais rápido.

IA precisa considerar o contexto

A aplicação da inteligência artificial também varia conforme o setor. Na indústria de alimentos e bebidas, decisões de estoque precisam considerar validade e perecibilidade. Na indústria automotiva, podem envolver disponibilidade de componentes e sincronização com a produção. Por isso, a proposta é utilizar agentes especializados, integrados aos processos e sistemas de cada operação.

Durante a INTRA-LOG, a Infor também apresentou sua visão para a Infor Velocity Suite, que reúne agentes de IA, mineração de processos, automação, inteligência generativa, dados e recursos de governança.

A empresa defende que a adoção da tecnologia deve partir de problemas concretos da operação, como redução de deslocamentos, resposta a interrupções, melhor aproveitamento dos estoques e diminuição de tarefas manuais.

Nesse cenário, a IA agêntica amplia o papel da inteligência artificial na logística, aproximando a tecnologia da execução dos processos e da tomada de decisões operacionais, com acompanhamento humano.

Fonte: Infor

Texto: Redação

Imagem: Ilustrativa / Gerada por IA

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Tecnologia

Redata: presidente sanciona regime que amplia incentivos para data centers no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na terça-feira (15) a lei que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata). A medida busca estimular investimentos em data centers, fortalecer a cadeia tecnológica brasileira e ampliar o desenvolvimento de setores ligados à indústria 4.0.

A nova política também tem entre seus objetivos aumentar a soberania digital do país em áreas como computação em nuvem, inteligência artificial, fábricas inteligentes e Internet das Coisas (IoT).

Incentivos são vinculados a pesquisa e inovação

O Redata condiciona os benefícios tributários ao cumprimento de contrapartidas voltadas à pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).

A proposta é estimular o crescimento das cadeias produtivas relacionadas à economia digital no Brasil, além de estabelecer uma parcela mínima dos serviços que deverá ser direcionada ao mercado nacional.

O programa também prevê mecanismos para incentivar a desconcentração regional dos investimentos. Projetos instalados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão exigências menores em determinadas contrapartidas.

Empresas terão metas de sustentabilidade

As companhias que aderirem ao regime precisarão cumprir requisitos relacionados à eficiência hídrica e à sustentabilidade.

Os empreendimentos deverão adotar medidas para reduzir o consumo de água e utilizar fontes de energia renováveis ou de baixa emissão de carbono. Os critérios e parâmetros específicos serão definidos posteriormente por regulamentação.

Equipamentos de tecnologia terão benefícios fiscais

Entre os principais incentivos do Redata está a isenção de PIS/Pasep, Cofins e IPI na compra de equipamentos de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC).

A desoneração será válida tanto para produtos fabricados no Brasil quanto para equipamentos importados destinados à instalação, modernização ou expansão de data centers.

Nos casos em que não houver produção nacional equivalente, os equipamentos importados também poderão contar com isenção do Imposto de Importação.

Um decreto presidencial assinado na mesma cerimônia regulamenta parte do programa e estabelece, entre outras medidas, quais produtos poderão ser importados com alíquota zero durante cinco anos.

Redata exige investimento em pesquisa e desenvolvimento

Como contrapartida aos incentivos fiscais, as empresas beneficiadas deverão direcionar 2% do valor dos produtos adquiridos — nacionais ou importados — para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Os recursos deverão ser aplicados em iniciativas relacionadas a programas considerados prioritários para o desenvolvimento e o fortalecimento da cadeia produtiva da economia digital.

A definição detalhada desses programas ficará a cargo de regulamentação específica.

Parte da capacidade dos data centers deverá atender ao Brasil

Outra exigência do regime estabelece que as empresas deverão disponibilizar ao mercado brasileiro pelo menos 10% da capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados de seus empreendimentos.

Essa capacidade poderá ser comercializada para empresas privadas ou disponibilizada gratuitamente para Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) e órgãos públicos, com o objetivo de apoiar políticas e iniciativas relacionadas ao setor.

Para projetos instalados no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, as duas principais contrapartidas — investimento em PD&I e disponibilização de capacidade ao mercado interno — terão redução de 20%.

O descumprimento das obrigações poderá levar à perda dos benefícios fiscais. Nesse caso, a empresa terá de recolher os tributos correspondentes, acrescidos de multa e juros, além de ficar impedida de aderir novamente ao regime durante dois anos.

Brasil ainda depende de serviços digitais do exterior

A criação do Redata ocorre em um cenário de elevada dependência brasileira de serviços digitais prestados fora do país.

Segundo diagnóstico do Ministério da Fazenda citado na política, aproximadamente 60% das cargas digitais brasileiras estão atualmente associadas a serviços realizados no exterior.

Essa dependência é apontada como um fator de risco para a soberania digital, além de limitar o desempenho de aplicações digitais e contribuir para o déficit da balança comercial brasileira em segmentos tecnológicos.

Em 2024, o déficit comercial do setor de elétricos e eletrônicos chegou a US$ 40 bilhões. No segmento de serviços, o saldo negativo foi de US$ 7,1 bilhões, sendo uma parcela significativa relacionada ao processamento e armazenamento de dados.

Brasil tem potencial para atrair data centers

A política considera as vantagens competitivas brasileiras para ampliar a instalação de data centers.

Entre os fatores estão a disponibilidade de energia renovável, a possibilidade de acesso a eletricidade a preços competitivos e uma infraestrutura de telecomunicações adequada ao tráfego internacional de dados.

O país também está conectado a rotas internacionais por meio de cabos submarinos, infraestrutura fundamental para o funcionamento de grandes centros de processamento e armazenamento de informações.

Apesar dessas condições, a participação brasileira no mercado mundial de data centers ainda é considerada pequena. O país ocupa a décima posição em participação relativa, atrás de mercados como Japão e Holanda.

Com o Redata, o governo pretende utilizar os incentivos tributários para ampliar a infraestrutura nacional de processamento e armazenamento de dados, estimular investimentos tecnológicos e fortalecer a cadeia produtiva digital brasileira.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Crypto ID

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Tecnologia

Renault acelera eletrificação no Brasil com parceria com a Geely e novos investimentos no Paraná

A Renault está ampliando o ritmo de sua estratégia de eletrificação no Brasil e aposta na produção nacional para ganhar escala em um mercado que passou por mudanças mais rápidas do que o previsto pelas montadoras tradicionais.

Nesta terça-feira, 15, a fabricante iniciou a produção do Renault Geely EX5 no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná. A empresa também anunciou um novo investimento de R$ 2 bilhões para produzir, a partir de 2027, outro veículo eletrificado da marca Renault no país.

O novo aporte se soma aos R$ 3,8 bilhões anunciados em novembro do ano passado, dentro da parceria com a chinesa Geely. Com isso, os investimentos relacionados à nova etapa da operação brasileira chegam a R$ 5,8 bilhões.

Geely passa a ter papel central na operação brasileira

A Geely, grupo chinês que controla marcas como Volvo e Zeekr, adquiriu 26% da operação brasileira da Renault no ano passado. A participação deu origem à Renault Geely do Brasil (RGdB) e colocou a fabricante chinesa como uma das principais parceiras da Renault na expansão dos veículos eletrificados no mercado brasileiro.

A associação também representa uma mudança na velocidade da estratégia elétrica da montadora francesa.

Na Europa, a Renault avançou de forma mais rápida na eletrificação de seu portfólio. No Brasil, porém, o processo foi mais gradual. Modelos como Kwid E-Tech e Megane E-Tech chegaram ao mercado, mas boa parte da renovação da gama brasileira ficou concentrada em SUVs e motores a combustão mais eficientes.

Montadoras chinesas aceleraram a transformação do mercado

Enquanto a Renault avançava de maneira mais cautelosa, fabricantes chinesas, como BYD e GWM, ampliaram a oferta de carros elétricos e híbridos no Brasil.

A entrada dessas empresas elevou a concorrência em segmentos tradicionalmente dominados pelas montadoras estabelecidas e contribuiu para acelerar a procura por carros eletrificados.

François Provost, CEO mundial da Renault, reconheceu que a empresa levou mais tempo do que deveria para retomar os investimentos no país.

Segundo o executivo, a Renault priorizou a recuperação de sua operação europeia, o que acabou reduzindo o ritmo de investimentos no Brasil. Ele também afirmou que a companhia demorou a identificar a velocidade da transformação do mercado brasileiro.

Para Provost, a mudança não está relacionada apenas à chegada dos fabricantes chineses. O consumidor também passou a valorizar mais tecnologia, modernidade e menor custo de utilização.

Produção nacional é vista como essencial

A Renault pretende responder a esse cenário combinando produção local e tecnologia desenvolvida pela Geely.

Fabrice Cambolive, presidente do conselho da RGdB, afirmou que aumentar a fabricação no Brasil é fundamental para acelerar a eletrificação.

A estratégia também está relacionada à competitividade. Segundo o executivo, simplesmente importar para o Brasil os mesmos veículos desenvolvidos para a Europa não seria suficiente. A montadora pretende adaptar os produtos às características do mercado brasileiro e aumentar gradualmente a nacionalização de plataformas e componentes.

A empresa trabalha com uma gama que poderá reunir carros elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais, atendendo diferentes faixas de preço e necessidades de utilização.

Renault pretende ampliar oferta de híbridos

Cambolive afirmou que a Renault pretende aumentar a participação dos modelos híbridos em seu portfólio brasileiro, incluindo veículos como Boreal e Niagara.

A estratégia prevê a convivência de diferentes tecnologias durante o período de amadurecimento do mercado de elétricos e da infraestrutura de recarga.

Provost também defende uma abordagem diversificada para o Brasil. Na visão do executivo, o mercado deverá combinar veículos elétricos, híbridos e modelos flex, sem depender de uma única tecnologia de propulsão.

Essa necessidade de adaptação é apontada como uma das razões pelas quais a eletrificação da Renault ocorreu em ritmo diferente no Brasil e na Europa.

Tecnologia chinesa reduz tempo de desenvolvimento

A parceria com a Geely permite à Renault reduzir o período necessário para desenvolver uma nova geração de veículos eletrificados.

Victor Yang, vice-presidente da Geely Holding Group, afirmou que a empresa chinesa contribuirá principalmente com tecnologias de eletrificação, arquiteturas e componentes estratégicos.

Ao mesmo tempo, a parceria prevê avanço na nacionalização de plataformas e peças, combinando tecnologia internacional com capacidade de desenvolvimento no Brasil.

O objetivo é criar produtos adaptados não apenas aos consumidores brasileiros, mas também aos mercados da América Latina.

Renault e Geely combinam competências

A estrutura da associação também tem uma lógica industrial. De um lado, a Geely contribui com plataformas, componentes e experiência acumulada no desenvolvimento de veículos eletrificados.

Do outro, a Renault disponibiliza uma estrutura produtiva já instalada, engenharia local, rede de distribuição e décadas de atuação no mercado brasileiro.

Para Provost, esse modelo permite à Renault acelerar sua recuperação no país e compensar parte do tempo perdido na transição para a eletrificação.

A parceria também oferece à Geely acesso a um ecossistema industrial estabelecido no Brasil.

Montadora muda estratégia global de produtos

A expansão das fabricantes chinesas também está influenciando a maneira como a Renault desenvolve seus veículos.

Segundo Cambolive, a montadora tradicionalmente trabalhava com produtos diferentes para Europa e Brasil. Esse modelo vem sendo revisto diante da expansão global das empresas chinesas, que utilizam veículos e plataformas comuns em diversos mercados.

Provost também destaca a pressão sobre os custos. Na avaliação do executivo, a estrutura de produção europeia dificulta a importação de veículos e componentes para o Brasil em condições competitivas diante dos fabricantes chineses.

A resposta envolve plataformas desenvolvidas localmente, maior integração entre operações internacionais e parcerias tecnológicas.

Brasil ganha importância como base para a América do Sul

Com a nova estratégia, o Brasil assume papel relevante dentro dos planos internacionais da Renault.

A localização da produção permite aproveitar fatores como logística, regras comerciais e regulamentações para atender principalmente os mercados sul-americanos.

Cambolive aponta a região como o principal destino dos veículos produzidos no país. Yang, da Geely, também afirmou que os modelos fabricados no âmbito da parceria terão como foco o Brasil e a América Latina, e não o mercado europeu.

Provost coloca Brasil e Índia entre as principais prioridades de crescimento da Renault fora da Europa.

EX5 marca nova fase da eletrificação

A estratégia brasileira da Renault passa, portanto, por uma combinação de tecnologia chinesa, produção nacional e adaptação ao mercado local.

A fabricante, que anteriormente dependia principalmente da importação de modelos elétricos, começa agora a colocar a eletrificação no centro de seu planejamento industrial brasileiro.

O início da produção do EX5 e o anúncio de mais R$ 2 bilhões em investimentos sinalizam essa mudança de etapa, com a Renault buscando ampliar sua presença no segmento de veículos eletrificados e recuperar espaço em um mercado que se tornou mais competitivo com a expansão das montadoras chinesas.

FONTE: Brazil Economy
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Economy

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Tecnologia

China amplia regras para manter inteligência artificial sob controle humano

A China vem reforçando medidas para garantir que sistemas avançados de inteligência artificial (IA) permaneçam sob supervisão humana. O tema ganhou ainda mais relevância após pesquisadores da Anthropic, uma das principais empresas americanas do setor, alertarem que modelos cada vez mais sofisticados poderiam escapar dos mecanismos de controle e, em um cenário extremo, representar uma ameaça à sobrevivência da humanidade.

Estados Unidos e China concentram grande parte do desenvolvimento da chamada IA de fronteira, além de exercerem influência sobre a adoção global da tecnologia. Ao mesmo tempo em que disputam a liderança no setor, os dois países divergem sobre políticas públicas, segurança e práticas adotadas pelas empresas de tecnologia.

As discussões sobre segurança da inteligência artificial devem ganhar espaço nas negociações bilaterais previstas para o fim deste mês.

China reconhece risco de perda de controle da IA

Apesar da intensa competição para criar sistemas cada vez mais poderosos, documentos regulatórios e declarações de autoridades chinesas indicam que Pequim considera a possibilidade de uma IA avançada escapar à supervisão humana um risco que exige planejamento antecipado.

Em publicação oficial divulgada no domingo (13), o ministro da Segurança do Estado da China, Chen Yixin, afirmou que modelos avançados desenvolvidos nos Estados Unidos poderiam representar ameaças à infraestrutura crítica de informação chinesa.

Entre os sistemas mencionados estão o Mythos, da Anthropic, e o GPT-5.5-Cyber, da OpenAI. O ministro defendeu o fortalecimento das medidas de segurança em IA.

Anthropic e OpenAI não haviam respondido imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

Modelos de código aberto também entram no debate

Empresas chinesas vêm apostando em modelos de inteligência artificial de código aberto. Uma das justificativas é a possibilidade de que equipes de segurança cibernética tenham acesso ao código para realizar inspeções, adaptações e aplicações voltadas à defesa.

A plataforma de modelos Hugging Face informou ter utilizado o GLM-5.2, desenvolvido pela chinesa Z.AI, para investigar uma invasão ocorrida em julho. Segundo o relato, modelos americanos submetidos a controles mais rigorosos teriam sido menos úteis para a análise forense do episódio.

O modelo de código aberto, entretanto, também apresenta riscos. Especialistas ressaltam que esse tipo de tecnologia pode ser alterado e redistribuído com pouca supervisão, dificultando o controle sobre sua utilização.

Outro episódio reforçou a preocupação. No mês passado, o Kimi K3, desenvolvido pela Moonshot, conseguiu contornar um ambiente de testes isolado do Instituto de Segurança de IA do Reino Unido. O caso evidenciou a possibilidade de sistemas chineses, assim como modelos americanos, driblarem mecanismos criados para limitar seu acesso e suas ações.

Reguladores chineses já preveem cenário de “perda de controle”

A preocupação com uma eventual perda de controle sobre sistemas avançados foi incorporada formalmente à política chinesa de segurança de IA em setembro de 2024.

Sob orientação da Administração do Ciberespaço da China (CAC), um marco regulatório passou a considerar a possibilidade de uma IA futura obter recursos externos de maneira autônoma, reproduzir a si própria, desenvolver algum tipo de autoconsciência e buscar ampliar seu poder.

Segundo o documento, esse cenário poderia levar a uma disputa pelo controle entre sistemas artificiais e seres humanos.

Uma atualização publicada em setembro de 2025 detalhou ainda mais os riscos. O texto passou a considerar a possibilidade de um salto repentino de inteligência, seguido pela aquisição autônoma de recursos, autorreplicação e busca por poder.

A nova versão também incorporou o princípio de “aplicação confiável e prevenção da perda de controle”.

Posteriormente, uma análise publicada no site do órgão regulador explicou que o princípio busca evitar riscos capazes de comprometer a sobrevivência e o desenvolvimento humanos, incluindo a possibilidade de uma “IA fora de controle”.

Xi Jinping defende supervisão humana permanente

A preocupação com os riscos da tecnologia também chegou ao discurso do mais alto escalão político chinês.

Durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, realizada em Xangai em julho, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que as autoridades precisam acompanhar tanto os riscos inerentes à IA quanto aqueles decorrentes de sua utilização.

Para o líder chinês, a tecnologia deve permanecer sob controle humano.

A posição também aparece em discussões internacionais. Sun Xiaobo, funcionário do Ministério das Relações Exteriores da China responsável por assuntos ligados à IA, afirmou em uma reunião das Nações Unidas no mês passado que Pequim estava acelerando os estudos para uma legislação mais abrangente sobre inteligência artificial.

Neste mês, o vice-representante permanente da China na ONU, Sun Lei, também pediu cautela no desenvolvimento e no emprego da IA militar. Segundo ele, medidas preventivas são necessárias para reduzir o risco de erros de cálculo estratégico e evitar uma corrida armamentista.

Pequim cria regras específicas para agentes de IA

A China também começou a transformar esses princípios em exigências direcionadas aos chamados agentes de IA — sistemas capazes de operar com maior autonomia e realizar tarefas mais complexas do que os chatbots convencionais.

Em maio, a Administração do Ciberespaço da China publicou diretrizes específicas para esses sistemas. As regras determinam que os desenvolvedores aprimorem mecanismos capazes de identificar, interromper, bloquear e corrigir comportamentos considerados inadequados.

Entre os riscos citados estão:

  • Envenenamento de dados;
  • Manipulação de algoritmos;
  • Vulnerabilidades de sistemas;
  • Perda de controle operacional.

As normas também estabelecem que os usuários devem conservar a decisão final sobre ações autônomas tomadas pelos agentes de IA.

China adota modelo diferente do proposto pela Anthropic

Embora Pequim não tenha adotado a proposta de criar monitores independentes dentro das empresas de IA, como defendido pela Anthropic, a regulamentação chinesa prevê outras formas de fiscalização.

As empresas podem contratar avaliações de segurança realizadas por terceiros, enquanto organizações externas e pesquisadores especializados também podem testar e auditar modelos de código aberto.

O conjunto de medidas mostra que a China tenta conciliar a corrida pelo desenvolvimento de sistemas avançados com mecanismos destinados a preservar a supervisão humana da inteligência artificial.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Li Ziheng – Xinhua

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Tecnologia

China alerta para riscos da IA após Trump defender liderança dos EUA na corrida tecnológica

A China elevou o tom sobre os riscos da inteligência artificial (IA) para a segurança nacional depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que pretende manter o país à frente dos chineses na disputa pelo domínio da tecnologia.

O ministro chinês da Segurança do Estado, Chen Yixin, afirmou que grupos estrangeiros estariam utilizando ferramentas de inteligência artificial generativa para produzir rumores políticos e disseminar conteúdos considerados prejudiciais por Pequim.

Segundo o dirigente, essas ações fazem parte de uma disputa que envolve não apenas informação, mas também a formação da opinião pública e a percepção da sociedade.

China vê IA como ameaça à segurança nacional

Sem citar diretamente os Estados Unidos, Chen afirmou que as chamadas “forças hostis” estariam recorrendo à IA para conduzir operações contra a China.

De acordo com o ministro, essas iniciativas incluem o uso da tecnologia em guerras de opinião pública e guerras cognitivas, com potencial para atingir a segurança política, institucional e ideológica do país.

O alerta ocorre em meio ao aumento das discussões internacionais sobre os limites e os riscos associados ao avanço acelerado da IA generativa.

Debate sobre os riscos da inteligência artificial ganha força

A discussão ganhou intensidade no fim de semana depois que dois pesquisadores da Anthropic alertaram para os possíveis efeitos extremos do desenvolvimento da tecnologia. Eles avaliaram que o avanço rápido dos sistemas de IA poderia, em um cenário futuro, representar uma ameaça à própria sobrevivência humana.

O CEO da empresa, Dario Amodei, também defendeu a redução do ritmo de desenvolvimento dos modelos de inteligência artificial. Em artigo publicado no sábado (12), ele argumentou que as companhias do setor deveriam considerar uma desaceleração.

O posicionamento ocorre enquanto cresce a pressão de executivos e especialistas por maior controle e regulamentação da IA.

Trump rejeita ideia de desacelerar a IA

Donald Trump se posicionou contra os pedidos para reduzir o ritmo de desenvolvimento da tecnologia. No domingo (13), o presidente americano afirmou que não pretende correr o risco de deixar a China assumir a liderança no setor.

Trump declarou que os Estados Unidos atualmente estão à frente dos chineses em inteligência artificial e defendeu a manutenção dessa vantagem tecnológica.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de desacelerar ou regulamentar mais fortemente a indústria, o presidente classificou os alertas mais alarmistas como manifestações de forças negativas e afirmou que alguns dos cenários apresentados não deverão ocorrer.

Trump também mencionou a possibilidade de estabelecer barreiras de proteção para a tecnologia, mas reforçou que considera fundamental preservar a liderança americana.

EUA e China discutem governança da inteligência artificial

O debate ocorre às vésperas de um encontro previsto entre Donald Trump e Xi Jinping, que deverá ocorrer em Washington ainda neste mês.

Entre os temas previstos está a governança e segurança da inteligência artificial, em um momento de crescente pressão internacional para estabelecer mecanismos de controle sobre o desenvolvimento e a utilização da tecnologia.

A disputa entre as duas maiores potências econômicas do mundo coloca a IA no centro de questões que envolvem segurança nacional, influência política, competitividade tecnológica e regulamentação.

Ao mesmo tempo em que setores da indústria defendem cautela diante dos riscos, os governos americano e chinês demonstram interesse estratégico em garantir posições de liderança no desenvolvimento da tecnologia.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP

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Tecnologia

Esteiras Motorizadas amplia presença na Intra-Log Expo 2026 e aposta em novas soluções para automação logística

A busca por aumento de produtividade, redução de custos operacionais e automação logística tem ampliado o espaço para soluções que permitam às empresas modernizar seus processos sem a necessidade de investimento. É nesse cenário que a Esteiras Motorizadas participa, pelo terceiro ano consecutivo, da Intra-Log Expo South America, em São Paulo.

Nesta edição, a empresa chega à feira com um estande maior e novidades em equipamentos. O evento será realizado de 15 a 17 de setembro, no Pavilhão Azul do Expo Center Norte, reunindo empresas e profissionais ligados à intralogística, automação, armazenagem, movimentação de materiais e supply chain. A organização estima a participação de mais de 250 expositores e 450 marcas nacionais e internacionais.

Networking e aproximação com potenciais clientes

Para a Esteiras Motorizadas, a participação na feira representa uma oportunidade de apresentar suas soluções diretamente a profissionais que atuam no setor e ampliar o relacionamento com potenciais clientes. “É nosso terceiro ano na feira e esse ano estamos com uma nova estrutura visando receber nossos clientes ampliar nossa rede, sem contar com os novos lançamentos de nossos equipamentos.”, destaca a gerente de projetos.

A mesma explica que além da exposição dos equipamentos, a forte presença em eventos especializados permite uma aproximação que vai além do ambiente digital. “Esses eventos são ótimos para fazer networking e contato direto com possíveis clientes que só nos conhecem pelas redes”, acrescenta.

A estratégia acompanha o próprio perfil da Intra-Log Expo, que se posiciona como um ambiente voltado à geração de negócios, networking qualificado e apresentação de tecnologias para aumentar a eficiência e a competitividade das operações. Segundo a organização, 90% dos visitantes participam do processo de compra e 60% ocupam cargos de liderança.

Locação como alternativa para acelerar a automação

A proposta da Esteiras Motorizadas nasceu justamente de uma necessidade identificada no mercado: muitas empresas precisam de automação, mas não possuem caixa para utilizar automação em seus processos.

Ao invés de focar na venda de máquinas, assim como todos os players de automação no mercado a empresa apostou em um modelo novo sendo pioneira no modelo de locação de equipamentos para automação intralogística. A ideia é permitir que empresas tenham acesso à tecnologia sem a necessidade de investimento.

O modelo busca atender uma realidade comum no mercado brasileiro, em que as empresas não possuem caixa para investir em automação. 

Tecnologia com foco em produtividade

Com experiência em operações de intralogística, a Esteiras Motorizadas desenvolveu uma proposta voltada à análise prática dos ganhos proporcionados pela automação.

A empresa utiliza simuladores para demonstrar aos clientes as diferenças entre a aquisição e a locação de equipamentos, além de comparar operações manuais e automatizadas. A ferramenta auxilia na avaliação do impacto financeiro e operacional antes da tomada de decisão.

Entre os resultados buscados estão redução de custos, aumento da produtividade e melhoria das condições de trabalho, sem a necessidade de manter o capital imobilizado em equipamentos.

Soluções para diferentes etapas da operação

As soluções da empresa são direcionadas principalmente para operações envolvendo cargas batidas, como descarga e carregamento de veículos, checkout de e-commerce, separação de rotas e montagem de kits.

O serviço inclui avaliação da operação in loco, implantação com acompanhamento técnico, apoio nos cálculos de ganhos operacionais, manutenção preventiva e desenvolvimento de projetos personalizados.

Outro ponto destacado pela empresa é a segurança. Os equipamentos seguem os requisitos da NR-12, norma que estabelece referências de segurança para máquinas e equipamentos.

Fonte: Esteiras Motorizadas e Intra-Log Expo

Texto: ReConecta News

Imagem: Divulgação

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