Portos

MPor reabre consulta pública sobre cláusulas essenciais para contratos de transporte de longo prazo na cabotagem

Proposta define regras para garantir segurança jurídica e sustentabilidade em contratos previstos na Lei BR do Mar

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) reabriu, na segunda-feira (11), o prazo para envio de contribuições à consulta pública que trata da minuta de portaria sobre as cláusulas essenciais dos contratos de transporte de longo prazo na cabotagem. A medida está prevista no art. 7º da Lei nº 14.301/2022 (BR do Mar) e estabelece critérios para acordos firmados entre armadores e embarcadores de carga, com o objetivo de ampliar a previsibilidade, garantir segurança jurídica e promover a sustentabilidade nas operações.

A proposta foi construída com base em práticas internacionais e adaptada às especificidades do mercado brasileiro. Esse modelo é estratégico para o desenvolvimento da cabotagem, pois permite o uso contínuo e dedicado de embarcações para o transporte de grandes volumes de carga, sem a necessidade de o embarcador dispor de frota própria.

Segundo a Nota Técnica nº 3/2024, que embasou a minuta, a regulamentação é estratégica para o crescimento da cabotagem. O setor, que já registra expansão anual média de 3,7% desde 2010, ainda enfrenta desafios como elevada burocracia, custos tributários e necessidade de maior previsibilidade regulatória. Com regras claras e contratos mais estáveis, a expectativa é atrair novos operadores, aumentar a oferta de transporte marítimo, reduzir a dependência do modal rodoviário e melhorar a competitividade do país.

Prazo e participação
O novo prazo para contribuições é de 15 dias corridos, contados a partir da publicação da Portaria nº 483, de 6 de agosto de 2025, no Diário Oficial da União. A minuta está disponível na plataforma Participa + Brasil, onde também devem ser enviadas as sugestões fundamentadas e devidamente identificadas.

Fonte: Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

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Portos

Portos de SC registram aumento na movimentação de cargas

O resultado supera a média nacional

Os portos de Santa Catarina registraram aumento de 5,23% na movimentação de cargas no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. Entre janeiro e junho, eles movimentaram mais de 32,2 milhões de toneladas. O resultado supera a média nacional, de 1,02%, e representa o melhor desempenho entre os estados do Sul do país. A Gerência de Portos da Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias apurou os dados junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Conforme o secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF), Beto Martins os números são resultado de planejamento.

“Os portos de Santa Catarina seguem cumprindo o seu papel de importância dentro da logística estadual e nacional. Pelos nossos portos passam quase 20% do total de contêineres do país. Atendemos também setores do agronegócio e seguimos em constante crescimento nos últimos anos “, comentou.

No setor de contêineres, os portos de Santa Catarina registraram crescimento de 12,4% em relação a 2024, movimentando mais de 1,34 milhão de TEUs. A carga corresponde a mais de 15 milhões de toneladas e supera o crescimento nacional que é de 10,2%. Os portos catarinenses respondem por 19,25% de toda a movimentação de contêineres do Brasil.

Resultados

No primeiro semestre, o Porto Itapoá registrou o segundo maior movimento do país, com 8,1 milhões de toneladas em cargas conteinerizadas. A Portonave movimentou 4,8 milhões de toneladas, o Porto de Itajaí, 1,4 milhão, e o Porto de Imbituba, 656,3 mil toneladas.

Balanço total

Na movimentação total de cargas, o Porto de São Francisco do Sul liderou no primeiro semestre com 8,7 milhões de toneladas, seguido por Itapoá, com 8,1 milhões. O Terminal Aquaviário de São Francisco do Sul registrou 5,1 milhões, a Portonave, 4,8 milhões, Imbituba, 3,6 milhões, e Itajaí, 1,6 milhão de toneladas. Outros terminais do estado somaram 246 mil toneladas.

Fonte: Guararema News

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Portos

Projeto de requalificação do terminal do Porto do Recife recebe aval do TCU

Obra de R$ 10 milhões vai ampliar capacidade para 50 mil passageiros por ano e oferecer mais conforto

O Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou o projeto de modernização do Terminal Marítimo de Passageiros (TMP) do Porto do Recife, em Pernambuco, avaliado em R$ 10 milhões. A previsão é que o edital para o leilão seja lançado ainda no segundo semestre deste ano.

O anúncio foi feito pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, durante reunião com o ministro do TCU, Augusto Nardes, na última sexta-feira (8). A modernização tem como objetivo transformar o terminal em um espaço mais confortável, acessível e seguro para turistas e trabalhadores do setor portuário e turístico.

“O terminal de passageiros do Porto do Recife é uma das principais portas de entrada do Turismo internacional do nosso Estado. Com a requalificação, vamos potencializar a movimentação de cruzeiros, atraindo mais turistas estrangeiros e nacionais, fortalecendo a economia e a cadeia produtiva do Turismo”Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos

A intervenção deverá elevar a capacidade anual do terminal de 30 mil para 50 mil passageiros, um crescimento superior a 60%.

O ministro do TCU, Augusto Nardes, destacou a relevância da requalificação para o desenvolvimento regional. “Essa obra vai ter um impacto positivo para Recife e Pernambuco. Vejo nessa requalificação uma grande oportunidade para aumentar a movimentação de passageiros, dinamizar a economia e gerar emprego e renda para a região.”

O projeto prevê uma reforma ampla, com atualização do mobiliário e equipamentos. As melhorias incluem a renovação das áreas de espera e atendimento, criação de espaços administrativos adequados, atualização dos sistemas de segurança e reforço na climatização para maior conforto térmico.

A infraestrutura de embarque e desembarque será adaptada para acessibilidade universal, com ambientes mais funcionais. A intervenção abrangerá uma área total de 15.325,87 metros quadrados, incluindo o Armazém 7, a Sala Pernambuco e o estacionamento.

O contrato de arrendamento terá duração de 25 anos (2025–2049), definido pelo maior valor de outorga e remuneração 100% fixa, paga em seis parcelas. Além disso, o arrendatário será responsável por investimentos adicionais para manter e aprimorar a infraestrutura do terminal ao longo do período.

Movimentação e projeções

O Porto do Recife registrou pico histórico de 50.729 passageiros na temporada 2013/2014 e, entre 2015 e 2023, manteve uma média anual entre 25 mil e 30 mil visitantes. Para a temporada 2023/2024, a previsão é de 24 embarcações e 39.072 passageiros, sendo 75% em trânsito e 25% em embarque ou desembarque.

Com a conclusão da requalificação, é esperado que a movimentação anual alcance até 50 mil passageiros, retornando a níveis recordes e impulsionando o turismo e a economia local.

Fonte: Panrotas

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Portos

Porto de Navegantes investe em eficiência e formação para impulsionar talentos

Terminal privado movimentou 1,2 milhão de contêineres em 2024, quase metade da carga catarinense, e destina R$ 13 milhões à qualificação dos trabalhadores

Na margem esquerda do rio Itajaí-Açu, guindastes recortam o horizonte enquanto navios se revezam no cais. Com média de 118 contêineres movimentados por hora, o terminal portuário de Navegantes foi reconhecido pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) como o mais eficiente do Brasil. Em 2024, a estrutura operada pela Portonave alcançou a marca de 1,2 milhão de TEUs — volume próximo à sua capacidade instalada de 1,5 milhão e equivalente a quase metade de toda a movimentação de contêineres em Santa Catarina.

A engrenagem que sustenta o terminal, no entanto, vai além da eficiência logística. Desde 2008, a operadora do porto investiu mais de R$ 13 milhões em programas de educação, subsidiando até 80% das mensalidades de cursos técnicos e superiores para seus trabalhadores. Um dos exemplos mais representativos desse investimento é Roger Sílvio Ferreira, 36 anos, que iniciou em 2019 na operação elétrica como auxiliar e hoje atua como engenheiro eletricista de manutenção.

“Comecei como responsável pelos contêineres refrigerados, o menor cargo da área elétrica. Sempre quis construir uma carreira sólida na empresa e fui avançando passo a passo”, recorda. “Houve momentos em que pensei em desistir, enfrentei dificuldades, mas perseverei e fui sendo reconhecido com o tempo. Subi degrau por degrau — foram dez cargos até chegar aqui.”

O avanço na carreira ocorreu em paralelo aos estudos. “Fiz um curso técnico em eletrotécnica e, a partir daí, realizei pequenos cursos em automação, sempre voltados para as áreas de automação e elétrica. Depois ingressei na graduação em engenharia elétrica, que também concluí. É a formação que corresponde ao meu cargo atual como engenheiro eletricista de manutenção.”

A partir do setor elétrico, Roger coordena a manutenção de equipamentos responsáveis por manter guindastes e empilhadeiras em operação contínua. Se esses sistemas pararem, toda a engrenagem logística é afetada — e o fluxo de mercadorias, que vai de alimentos a eletrônicos, também é interrompido.

O esforço para reter talentos é sustentado por uma cultura interna de desenvolvimento, conduzida pelo setor de Recursos Humanos. “Temos centenas de histórias como a do Roger, de profissionais que cresceram na empresa por estarem atentos às oportunidades”, afirma Mariana Régis Vargas, supervisora de RH. “Mais do que isso, muitos criaram suas próprias oportunidades dentro do ambiente de trabalho, propondo melhorias e contribuindo ativamente para a evolução da operação.”

Para o diretor-superintendente Osmari de Castilho Ribas, investir em capital humano é fundamental para sustentar a expansão de R$ 1,5 bilhão prevista até 2026. O plano inclui a aquisição de guindastes sobre pneus e a eletrificação de 18 equipamentos, com redução estimada de 96,5% nas emissões de CO₂.

“Nossa visão é oferecer aos profissionais a possibilidade de construir uma carreira aqui dentro. Investimos fortemente em qualificação e criamos condições para que continuem se desenvolvendo”, afirma. “Contamos com esse time na nossa trajetória de crescimento. O comprometimento, a motivação e a qualidade técnica deles têm se refletido diretamente nos resultados da empresa.”

Parte essencial do ecossistema formativo é o SENAI de Santa Catarina. Reconhecida em 2024 como a melhor unidade do país, a instituição atingiu 195 pontos em avaliação nacional que mede desde a qualidade da gestão à capacidade de inovação.

Com metodologia “mão na massa” e estrutura próxima à realidade das indústrias, o SENAI/SC capacita anualmente mais de 200 mil estudantes, e mantém taxa de empregabilidade superior a 90% entre os formados em cursos técnicos, como o de eletrotécnica, que impulsionou a carreira de Roger.

“O curso técnico é uma das portas mais rápidas para o mercado de trabalho e também o início de uma trajetória sólida dentro da indústria”, afirma Rômulo Thales Azevedo Ramos, gerente de Educação Profissional do SENAI/SC.

“Em Santa Catarina, temos uma indústria diversificada e dinâmica, e por isso investimos tanto em laboratórios atualizados e currículos conectados às demandas reais das empresas. Casos como o do Roger mostram que quando há formação técnica de qualidade, há também mobilidade social e profissional.”

A formação técnica permitiu a Roger compreender, ainda jovem, o funcionamento de sistemas elétricos e automatizados que hoje mantém sob sua supervisão como engenheiro. “O curso técnico no SENAI foi um divisor de águas na minha trajetória”, conta ele. “Foi ali que comecei a enxergar um caminho possível dentro da empresa.”

Fonte: ND+

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Portos

Portos do Brasil têm melhor semestre da história, com Santos (SP) liderando

Recorde do semestre é resultado da expansão comercial brasileira e da política de investimentos do Governo

A movimentação de cargas nos portos brasileiros foi recorde no primeiro semestre deste ano, chegando a 653,7 milhões de toneladas transportadas, volume 1% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O porto público com maior movimentação foi o de Santos (67,9 milhões de toneladas), mas o que chama a atenção nos números levantados pela Antaq é o crescimento de 1.494,58% no Porto de Itajaí (SC), que retomou as operações após ficar praticamente parado no final de 2022. Por lá, foram movimentadas 1,7 milhão de toneladas.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, o recorde do semestre é resultado da expansão comercial brasileira e da política de investimentos do Governo Federal para o setor, que reflete, inclusive, na retomada das atividades do Porto de Itajaí.

“Encontramos em 2023 um porto praticamente abandonado em Itajaí, impactando fortemente na economia de Santa Catarina e do Sul do país. Sob orientação do presidente Lula reativamos as operações e retomamos a gestão do complexo, reestabelecendo a atividade econômica e emprego para a população do Estado”Sílvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos

Em maio, durante cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Silvio Costa Filho anunciou investimentos de R$ 844 milhões para modernização do porto de Itajaí até 2030. O pacote contempla dragagem do Rio Itajaí-Açu, readequação do molhe de Navegantes e construção de píer para navios de cruzeiro, entre outras obras estruturantes.

O próximo passo da transformação será a criação da Autoridade Portuária do Porto de Itajaí, medida que conferirá autonomia administrativa total ao complexo. Em junho, o MPor instituiu Grupo Técnico de Trabalho (GTT) para elaborar os aspectos da futura empresa pública federal, que substituirá a gestão transitória exercida pela Autoridade Portuária de Santos.

Contêineres

Também foi recorde o volume transportado no semestre em contêineres (78,1 milhões de toneladas) e em granéis sólidos (387,1 milhões de toneladas). “O crescimento tem sido constante em carga conteinerizada, o que mostra uma diversificação do tipo de mercadoria transportada”, explica o ministro, lembrando que, ainda este ano, o MPor vai promover o leilão do terminal de contêineres de Santos (Tecon Santos 10), que irá aumentar em 50% a capacidade do porto para este tipo de carga.

Responsável por 95% do comércio internacional brasileiro, os portos tiveram um crescimento de 2% na movimentação de carga de longo curso (importação e exportação). Entre os produtos mais transportados neste primeiro semestre estão o minério de ferro (190,5 milhões de toneladas e crescimento de 2,5% sobre o mesmo período do ano passado), óleo bruto de petróleo (104,1 milhões de toneladas e crescimento de 0,62%) e soja (93 milhões de toneladas e aumento de 5,2%).

Fonte: Panrotas

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Portos

Conselho de Autoridade Portuária do Porto de Itajaí empossa novo presidente e apresenta balanço do primeiro semestre de 2025

O Conselho de Autoridade Portuária (CAP) do Porto de Itajaí empossou, nesta terça-feira (12), seus novos membros para o mandato 2025-2027, em cerimônia realizada no auditório da Superintendência, em Itajaí. O encontro contou com a presença do superintendente do porto, João Paulo Tavares Bastos, e tratou de pautas estratégicas para a gestão e operação portuária.

O novo presidente do CAP é José Alfredo de Albuquerque e Silva, representante do Ministério dos Portos e Aeroportos. Também tomaram posse Paulo Rogério Silva, titular pela Vigilância Agropecuária Internacional (VIGIAGRO); Silvano Domingos e Rodrigo Antônio Steffen, suplentes indicados pela Federação Nacional dos Portuários (FNP); e Ricardo de Souza, diretor de Operações do Porto de Itajaí, como representante da autoridade portuária.

Em seu discurso, José Alfredo destacou o otimismo com o atual momento do porto:

“O balanço apresentado me deixou bastante satisfeito. Depois de todos esses anos, o Porto de Itajaí tem um projeto consistente e que sinaliza a retomada de uma fase de crescimento e expansão”, afirmou.

O superintendente João Paulo Tavares Bastos reforçou a relevância do Conselho e da parceria com o Governo Federal:

“Com a constituição da empresa pública federal, as ampliações, o adensamento de cargas, a entrega do Píer Turístico e demais ações previstas para a expansão do porto, tenho plena convicção de que Itajaí voltará ao mapa do comércio mundial”, declarou.

Balanço semestral
Durante a reunião, foi apresentado o balanço do primeiro semestre de 2025, que registrou crescimento no faturamento, aumento na arrecadação de ISS e na movimentação de cargas, além do avanço de ações estratégicas iniciadas após o processo de federalização.

Outro ponto de destaque foi a atualização sobre os serviços de dragagem, essenciais para garantir a competitividade e a capacidade operacional do porto.

O encontro reafirmou o compromisso do CAP com a transparência, o planejamento e o fortalecimento contínuo das operações portuárias de Itajaí.

Fonte: Porto de Itajaí

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Portos

APM Terminals Pecém consolida o Ceará como hub estratégico

O terminal registra movimentação histórica de 389.024 TEUs; crescimento de 38,75% no primeiro semestre

A APM Terminals Pecém, no Ceará, registrou um desempenho histórico no período de janeiro a julho de 2025, consolidando o terminal como um dos principais hubs logísticos do país. Nesse período foram movimentados 389.024 TEUs (unidades equivalentes a contêineres de 20 pés), um crescimento de 38,75% em comparação aos 280.368 TEUs registrados no mesmo período de 2024.

A marca de 389 mil TEUs alcançada nesses sete meses reflete um desempenho excepcional e já sinaliza para um resultado anual muito superior ao recorde de 500 mil TEUs de 2024.

Além de fortalecer a posição do Ceará no cenário portuário nacional, o resultado reforça o papel estratégico do terminal na cadeia produtiva local, especialmente no momento em que a indústria cearense lidera o crescimento no Brasil, com alta de 39% no primeiro trimestre de 2025, segundo dados Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE.

“Este marco não apenas demonstra o potencial da APM Terminals Pecém, como também reflete nossa estratégia contínua de investimentos em infraestrutura, ampliação de capacidade e adoção de novas tecnologias. Esses pilares são essenciais para atender à crescente demanda e fortalecer a logística da região Nordeste, conectando o Brasil ao mundo, pela nova rota marítima direta para a Ásia”, afirma Daniel Rose, diretor-presidente da APM Terminals Suape e Pecém. 

No mesmo período, a movimentação geral do Porto do Pecém também apresentou crescimento significativo: foram 11,3 milhões toneladas movimentadas de janeiro a julho, uma alta de 7% na comparação com 2024.

“O contêiner foi uma das estrelas do período e deve seguir crescendo acima de dois dígitos, impulsionado pelo e-commerce, pela safra de frutas e pela cabotagem, especialmente para atender à demanda da Black Friday e do Natal. Nosso serviço para a Ásia está ganhando força. Enquanto isso, avançamos no desenvolvimento de novos negócios como algodão, carne, minerais e granito, além de projetos estratégicos para a ZPE Ceará”, ressalta André Magalhães, diretor comercial do Complexo do Pecém.

Fonte: Modais em Foco

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Comércio Exterior, Informação, Portos

Túnel Santos-Guarujá recebe licença ambiental prévia e avança para leilão de concessão

Licença concedida pela Companhia Ambiental de São Paulo autoriza prosseguimento do projeto, aguardado há mais de 100 anos

O projeto do túnel Santos-Guarujá, uma das obras de infraestrutura mais aguardadas do país, avançou mais uma etapa com a concessão da Licença Ambiental Prévia pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A autorização é requisito fundamental para a realização do leilão de concessão, previsto para 2025, e assegura aos investidores a viabilidade ambiental e jurídica da obra, estimada em R$ 6,8 bilhões.

A licença confirma que o projeto atende às exigências ambientais, permitindo que avance para a próxima etapa. Apenas com essa autorização é possível iniciar as obras, que prometem transformar a mobilidade entre Santos e Guarujá e gerar ganhos para a logística e a economia da Baixada Santista.

“O túnel Santos-Guarujá é uma das obras mais importantes do Brasil e vai integrar de forma definitiva as duas cidades, melhorando a mobilidade, reduzindo o tempo de travessia e fortalecendo a economia da região”, afirmou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

Coordenada pelo Governo Federal, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), a intervenção integra o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, do Governo Federal) e prevê a ligação seca entre as duas cidades, separadas pelo estuário do Porto de Santos. O túnel terá 1,5 km de extensão, dos quais 870 metros serão imersos, com três faixas de rolamento por sentido, sendo uma exclusiva para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de acessos para pedestres e ciclistas.

O MPor tem atuado na articulação com órgãos ambientais e governos estadual e municipal para o andamento do projeto, além de apresentar a obra a investidores nacionais e internacionais. Em abril, o ministro Silvio Costa Filho esteve na Europa para conhecer projetos de referência e divulgar a iniciativa em agendas na Dinamarca, Holanda e Portugal.

O projeto, considerado a maior obra do Novo PAC, deve atrair grande interesse de investidores pela relevância logística e econômica que representa para o sistema portuário brasileiro e para a integração urbana da região.

Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

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Portos

A Cosco Shipping busca assegurar uma participação de até 30% em acordo portuário da CK Hutchison.

A Cosco Shipping, empresa estatal de navegação da China, busca garantir uma participação de pelo menos 20% a 30% no acordo portuário ligado à CK Hutchison, segundo informou a Reuters com base em um relatório do Financial Times.

O acordo envolve a venda de 43 terminais portuários localizados em 23 países por um valor de 22,8 bilhões de dólares, incluindo um terminal em cada extremidade do Canal do Panamá.

Inicialmente, houve negociações exclusivas com o consórcio liderado pela empresa de investimentos norte-americana BlackRock e a Mediterranean Shipping Company (MSC), do bilionário italiano Gianluigi Aponte. No entanto, o processo agora está aberto a novas ofertas.

Nesse contexto, Pequim está avançando para renegociar os termos de uma venda anteriormente elogiada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na época, Trump afirmou que o acordo permitiria que o Canal do Panamá voltasse ao controle dos EUA, retirando-o, segundo ele, das mãos da China.

Vale lembrar que a CMA CGM também demonstrou interesse em adquirir parte dos portos que a CK Hutchison está tentando vender, o que ocorreu após o fim das negociações exclusivas com o consórcio liderado pela BlackRock.

“Estamos presentes em 65 terminais ao redor do mundo, por isso estamos acompanhando essa operação de perto e, naturalmente, temos interesse em participar”, afirmou no final de julho o diretor financeiro da CMA CGM, Ramón Fernández.

Fonte: Portal Portuario

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Portos

PL-733: esboço de novo ciclo de reformas portuárias

Tramita na Câmara dos Deputados – CD o PL nº 733/25; agora sob uma Comissão Especial (tramitava, anteriormente, na Comissão do Trabalho; ainda a  primeira de um conjunto de 5 comissões). Essa mudança de encaminhamento certamente abreviará seu caminho até chegar ao Plenário da Casa.

Ele foi elaborado por uma “Comissão de Juristas” (por alguns referida como “comissão de notáveis”!). Esta foi criada quando as árvores do Natal de 2023 já piscavam; foi instalada em MAR/24 e, em OUT/24 aprovou seu relatório (416 páginas). Não sem “protestos dos trabalhadores… e anúncio de paralizações”, conforme release da CD.

Em sua Justificação formal o PL é apresentado como “oportunidade única para modernizar o setor”. Isso com a expectativa de torná-lo “mais competitivo, eficiente, justo e sustentável, além de oferecer maior segurança jurídica e oportunidades de inovação, atraindo novos investimentos e fomentando o crescimento econômico do Brasil”. Nela há, ainda, referências a “segurança e redução de riscos dos empreendimentos, aumento de confiança dos investidores e garantia de bem-estar dos trabalhadores e das comunidades locais”. Já nas peças de divulgação da CD essa visão é sintetizada por um triplo objetivo: reduzir a burocracia, estimular a livre iniciativa e aumentar a competitividade do setor portuário.

Ué! Mas objetivos muito similares não foram justamente os enunciados para proposição e argumentação da importância do então PL-8/91, que resultou na Lei dos Portos de 1993 (Lei nº 8.630/93)? E, 20 anos depois, para a Lei vigente? A propósito, vale revisitar a cerimônia (6/DEZ/12) de anúncio da MP-595/12 (embrião da Lei nº 12.815/13), cuja pauta divulgada, curiosamente, ao invés de ser uma mudança da lei/modelo, foi embasar o ambicioso “Programa de Investimentos em Logística – Portos”: rememorá-lo pode trazer surpresas!

Flashback

Inequívoco que aumento de eficiência e competitividade são objetivos-fins permanentes nos/para os portos. De capacidade também. Mas não foi exatamente isso que se observou, praticamente em marcha batida, ao longo de 3 décadas de reformas portuárias no Brasil? Os números/dados estão aí:

  1. A movimentação portuária brasileira, agregada, cresceu 3,5 vezes (1.209/341 Mt/ano): uma média anual de 4,31% (algo como o dobro da do PIB); sendo 5,02% nos 20 primeiros anos (904/341 Mt/ano: 2012-1993), e 2,95% nos 10 últimos (1.209/904 Mt/ano: 2013-2022).
  2. A eficiência/produtividade aumentou exponencialmente, medida através de qualquer indicador que se utilizar (navio, berço, terno, equipamento): 5, 10 15 ou mais vezes.
  3. Os custos foram drasticamente reduzidos, seja no cais (de forma mais significativa – entre 50% e 2/3), seja para o dono da carga (em menor escala).

No tocante ao aumento de capacidade, a Justificação do PL, SMJ, acerta no diagnóstico (“o setor ainda enfrenta desafios significativos”) mas há controvérsias quanto à causa apontada: será mesmo a “burocracia” a responsável? Ao menos, a única responsável? As evidências dessa última década e meia deixam margem a dúvidas! A ver:

No final dos anos 2000, talvez constatando a ineficácia/insuficiência do Decreto nº 6.620/08, as autoridades estavam convencidas (preocupadas?) que o Brasil padecia de limitação de capacidade e falta de competição no setor portuário. Estratégia? “Choque de oferta”! O que o dificultava/impedia? Justamente a tal da “burocracia”; burocracia para realização de arrendamentos! Como (já) “” dependiam de autorização, TUPs eram vistos como a solução ideal; desde que, pudessem operar cargas de terceiros, como os arrendamentos. A par da consolidação de uma governança hiper-centralizada, que foi sendo implementada pouco a pouco, essa combinação de condições foi a grande aposta das reformas de 2012/13, balizadas pela Lei dos Portos vigente.

Ato contínuo houve um “boom” de autorizações (quase uma centena), cujos resultados ficaram bem aquém das esperanças geradas; segundo avaliações tanto do TCU como da ANTAQ. Aliás, a maioria das autorizações nem havia saído do papel anos depois; como como mostra o relatório “Análise concorrencial: terminais de uso privado vis-à-vis terminais arrendados“, aprovado pelo Acórdão nº 499-2023-ANTAQ, em 20/SET/23.

Para ilustrá-lo, e p.ex, o relator diz no seu voto que “surpreende a representatividade dos investimentos previstos … que ainda não iniciaram suas obras” (Item-37): 96% (isso mesmo: 96%!) dos R$ 47,05 bilhões! Também que 93% das cargas movimentadas pelos TUPs o foram por aqueles outorgados antes de 2013; ou seja, antes da Lei nº 12.815/13 (Item-23d). Em síntese, nem as novas condições de exploração, nem o processo de outorga menos “burocrático” foi suficiente para viabilizar o imaginado/prometido: tudo indica que deve haver “mais coisas no ar que aviões da Panair“, na imagem, bem-humorada, de Guimarães Rosa!

Ah! Alguma semelhança com as “ferrovias de papel”; também autorizadas a partir de 2021?

O “princípio ativo” do “medicamento”!

A divulgação do PL pela CD também enfatiza mudanças no licenciamento ambiental, livre negociação de tarifas (mais propriamente, preços!), prazos contratuais (até 70 anos), contratos de transição, “janela única aquaviária”, autorregulação, “ampliação” de atribuições da ANTAQ e dos CAPs; entre outros.

No entanto o relator da Comissão Especial, Dep. Arthur Maia, com larga experiência em comissões e PLs complexos, é mais pragmático: “Todo projeto tem uma palavra-chave: ‘exclusividade’ é a deste PL”.

Em termos práticos, o fim da exclusividade no que concerne às chamadas “categorias profissionais diferenciadas” (art. 40, 4º: capatazia, estiva, conferência de carga, conserto de carga, bloco e vigilância de embarcações), centro dos debates e das disputas capital-trabalho (expressão usual no setor), se operacionaliza por comandos legais que:

a) acabam com a exclusividade do OGMO;

b) liberam operadores privados para contratar trabalhadores certificados;

c) permitem que trabalhadores atuem em qualquer porto do País.

Nenhuma surpresa com a pauta: seja pelo perfil dos membros da “comissão de juristas”, seja pelo histórico dos dois últimos ciclos de reformas portuárias brasileiras. Na verdade, essa questão remanesceu meio como uma pendência das reformas portuárias de 1993 e 2013. Assim, mais cedo ou mais tarde, inexoravelmente, ela voltaria à baila; como efetivamente aconteceu!

Sua “urgência e relevância” (para usar os justificadores das Medidas Provisórias) foram aguçadas pelas heteronomias regulatórias entre terminais arrendados e TUPs, consagradas pelo modelo balizado pela Lei nº 12.815/13 (reformas de 2012/13) – inclusive objeto de análise em uma auditoria operacional do TCU. Dessas heteronomias, “exclusividade” e OGMO são apenas algumas delas.

Para além de uma linha sobre um mapa, mais que um referencial geográfico, as Poligonais (fronteira do que está dentro e fora do Porto Organizado) é estabelecer os limites entre dois universos; dois regimes bem distintos:

  1. quem é outorgado via arrendamento (subconcessão) e quem o é por autorização;
  2. quem precisa se submeter a licitação/leilão e quem não;
  3. quem tem e quem não tem prazo contratual (para exploração); iv) com e sem bens reversíveis; v) os que devem pagar as “tarifas universais” das Tabelas Tarifárias e os que nem sempre. Tais diferenças resultaram em algumas disputas; inclusive uma há não muito tempo, em Santos, que envolveu a ANTAQ e chegou ao TRF-3.

Originalmente os “terminais de uso privativo/privado”, e as autorizações, foram concebidos como instrumento para outorga de terminais portuários integrantes de cadeias logísticas, por sua vez, integrantes de cadeias produtivas (como minério, petróleo, etc). Sua adoção para terminais de atuam no “mercado”, principalmente para os contíguos a Portos Organizados, compartilhando da mesma infraestrutura aquaviária, acabou por gerar tensões, não apenas entre capital-trabalho, mas também entre operadores outorgados por meio de um ou outro regime. Associado à liberdade e ao contorcionismo com que Poligonais foram sendo alteradas, então, essas tensões passaram a ser, em muito, potencializadas.

Uma analogia para essa questão é a linha de impedimento do futebol: a situação de um jogador não depende, “apenas”, de seu georreferenciamento (no campo) mas, também, da posição dos jogadores adversários. Ou seja, é algo relativo!

O que está/estará em discussão

Além do fim da “exclusividade”, sindicatos e federações de trabalhadores portuários identificam outros aspectos do PL como ameaças; p.ex:

  1. redução na definição de operação portuária e de trabalho portuário;
  2. extinção do OGMO e do atual sistema do TPA;
  3. desregulamentação e extinção de categorias e seus respectivos sindicatos (vigias, consertadores e bloco);
  4. extinção da atividade da guarda portuária;
  5. fragilização dos sindicatos;
  6. e restrições às negociações coletivas.

Uma digressão: como subsídio para elaboração dos planos de implementação do modelo portuário balizado pela Lei de 1993, a então CODESP, com apoio do Banco Mundial, promoveu uma conferência com lideranças/dirigentes locais, convidados de outros portos e vários consultores internacionais: a MODPORT (16-17/MAI/1996).

Um desses consultores, na exposição, compartilhou sua larga experiência e visão: “Reformas portuárias são questão tempo, dinheiro e nível de tensão social aceitável”. E exemplificou com experiência de países que despenderam longo tempo e/ou enfrentaram grandes tensões sociais em reformas, por terem optado por fazer parcos dispêndios; como outros que as promoveram rapidamente e/ou com baixo nível de tensão social, neste caso adotando planos bem estruturados e incorrido em desembolsos significativos.

Se influenciados por essa visão ou não, e apesar das inevitáveis escaramuças, que fazem parte da estratégia de cada ator do processo, aparentemente há, hoje, um clima diferente daqueles dominantes nos dois ciclos de reformas portuárias anteriores: por um lado trabalhadores estão topando analisar temas anteriormente tidos como intocáveis; por outro, empresários estão topando despender recursos para consecução dos objetivos almejados com a deflagração do atual processo e iniciativas/ações para criar a “Comissão de Juristas”; lá em 2023.

E o mais importante: ambos toparam sentar-se à mesa e procurar construir uma proposta, comum, a ser apresentada ao relator. Esta, baseada em um tripé:

  1. indenização para redução dos quadros (OGMO);
  2. garantia de remuneração básica – GRB (para quem ficar);
  3. tempo de transição (de um modelo para o outro).

No tocante ao “Programa de Incentivo de Cancelamento da Inscrição de Trabalhador Portuário” (parte da proposta em discussão), ao que se sabe, já há consenso em relação a diversos pontos:

  1. valores (totais);
  2. limite mínimo dos valores;
  3. quem é elegível para receber;
  4. fontes de recursos.

Segue em negociação:

  1. limite máximo dos valores;
  2. FDEPM como fonte;
  3. criação de “Fundo de Indenização” (com participação multilateral); iv) Inclusão de trabalhadores vinculados.

Em paralelo, as entidades dos trabalhadores sistematizaram, ainda, algo como meia centena de emendas sobre aspectos os mais variados. P.ex:

  1. vedação de trabalho intermitente e temporário;
  2. certificação profissional pelo OGMO;
  3. exclusão do artigo (28) que trata da dispensabilidade do TPA;
  4. manutenção de vigilantes e consertadores;
  5. utilização do OGMO pelos TUPs;
  6. exclusão da EPTP (empreiteira concorrente do OGMO);
  7. ajuste na multifuncionalidade;
  8. valorização da qualificação do trabalhador portuário.

Também questões mais gerais, como:

  1. previsão de serviço adequado (na verdade, reintrodução do conceito/comando);
  2. restabelecimento do Estado como regulador da atividade econômica;
  3. inclusão dos TUPs no âmbito do “incentivo à concorrência”;
  4. questões relacionadas a eficiência energética e mudanças climáticas etc.

Cenários

Desde que a família real chegou ao Brasil (1808), e “abriu os portos às nações amigas”, o Brasil passou por uns 8 ciclos de reformas portuárias (2 sob a CF/88). Normalmente para enfrentar problemas concretos da época. Nesse sentido, a pergunta que se torna imprescindível é: quais os problemas dos portos brasileiros em meados da segunda década do Século XXI (desejavelmente também a hierarquia deles)? E outra dela decorrente: o PL-733 endereça solução para eles? Todos eles? Soluções eficazes?

Como não se localiza no (longo) relatório da Comissão um diagnóstico abrangente e minucioso do quadro atual, tampouco uma contextualização histórica da evolução do setor e seu processo, não se pode ter respostas cabais àquelas perguntas.

No entanto, é possível dizer-se que o PL sistematiza um conjunto de ajustes e instrumentos específicos sobre o trabalho/mão-de-obra, certamente norteados:

  1. pela necessidade de adequá-los aos avanços tecnológicos (muitos deles já presentes nos portos brasileiros);
  2. novas formas de organização do trabalho e prestação de serviços (muitos legados pela Pandemia da Covid); iii) perfil das novas gerações; e iv) necessário encaminhamento de aposentadoria estruturada e substituição de trabalhadores idosos.

Também é possível imaginar que, associados à pauta de negociação em curso, entre empresários e trabalhadores, tais ajustes e instrumentos devem ser o fio condutor e promover uma forte inflexão nesse aspecto da dinâmica portuária brasileira.

Mas, se a intenção é ter-se um “Novo marco regulatório”, abrangente, e se o objetivo é aumento da eficiência e da competitividade “para fomentar o crescimento econômico do Brasil”, o PL poderia/deveria ter tratado de duas questões fulcrais; questões que, no máximo, foram tangenciadas no bojo de outros temas:

  1. articulações inter-modais/logísticas (também inter-funcionais e inter-institucionais);
  2. e governança dos Complexos Portuários.

Ao contrário do Porto Organizado (Poligonal), a governança destes é difusa e incipiente. Possivelmente por ter sido um conceito/instrumento introduzido no ambiente portuário no passado recente, e ainda não ter logrado ocupar lugar de destaque na (congestionada) pauta setorial.

Além delas, se o objetivo é reverter-se o processo de hiper-centralização, consolidado com o modelo das reformas de 2012/13; se o objetivo é transitar-se para um modelo mais na linha do “Landlord Port” (modelo adotado pela esmagadora maioria dos portos relevantes do mundo, cuja principal característica é autonomia), não basta apenas enunciar-se “fortalecimento” e “ampliação de competências” dos CAPs (e, mesmo, das administrações-autoridades portuárias), se seguirem centralizadas no Ministério, na Antaq e ou no Conselho do PPI (com possibilidade de atuação também do TCU) as principais decisões estratégicas que afetam os portos brasileiros, como:

  1. aprovação do Plano Mestre e PDZ de cada porto;
  2. qualificação de projetos para desestatização;
  3. aprovação de EVTEAs; iv) elaboração/aprovação de editais; v) celebração de contratos (outorgas);
  4. decisão de prorrogações (incluindo as antecipadas);
  5. aprovação de transferência de controle acionário;
  6. revisão e reajuste de tarifas;
  7. aplicação de penalidades por infrações.

Em síntese, atualmente as principais decisões estratégicas do ambiente portuário estão centralizadas: planejar (incluindo investimentos e modelagem), escolher parceiros (empresas e projetos), tarifar e punir, justamente os 4 eixos que são a essência da função de autoridade portuária no modelo “Land Lord”. Tudo se passa como se no Brasil houvesse um arranjo desempenhando a função de uma “Autoridade Portuária Nacional”!O termômetro da descentralização/autonomia não é a quantidade de atribuições ou o volume de trabalho de uma instância: é o poder de tomar decisões; principalmente decisões estratégicas! OK. Que não se chegue aos paradigmas “landlordistas” internacionais. Mas por que não se adotar, ao menos, um modelo de “instâncias” para a regulação portuária, na linha do judiciário e, mesmo, das 3 instâncias do período inicial do modelo balizado pela Lei de 1993 (Autoridade Portuária, CAP, Ministério: ainda não havia agência)? Não seria uma forma de se reduzir a demanda/processos e carga de trabalho dos órgãos de Brasília e, como consequência, minimizar-se a “carência de pessoal” e agilizar-se a tramitação de processos? A governança geral do setor também poderia ser bem aperfeiçoada no PL!

A Comissão Especial foi instalada neste 6/AGO. Como diz o relator, “o que precisa ser feito, deve ser feito agora: caso contrário, só daqui a 10 ou 20 anos”. Ainda bem que, com a nova tramitação, há novo prazo para que sejam apresentadas emendas: 5 sessões plenárias da Casa, a partir de 4/AGO (prazo em curso).

Ou seja, é possível subsidiar-se os muitos debates, que certamente ainda estão por vir, e o (preparado e bem articulado) relator na elaboração do seu substitutivo: que efetivamente tenhamos um “Novo Marco Regulatório”; abrangente, eficaz, e adequado às necessidades e aos desafios do País nessa quadra da história.

Frederico Bussinger – Engenheiro, economista e consultor. Foi diretor do Metro/SP, Departamento Hidroviário (SP), e da Codesp. Também foi presidente da SPTrans, CPTM, Docas de São Sebastião e da Confea.

Fonte: Modais Em Foco

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