Portos

Obra do cais avança pra entrega da primeira fase

Porto virou motor da economia e consolida relação com a cidade

A obra de adequação do cais da Portonave chegou a 92% de conclusão da primeira fase, o que representa 51% do projeto total, conforme os dados do último boletim de acompanhamento, divulgado em julho. Pra entrega da primeira fase, falta apenas a execução do 18º e último módulo, com as estruturas principais do cais concluídas até o módulo 17 no mês passado.

Além disso, a parede de diafragma foi finalizada na parte leste do cais. Essa estrutura de 60 metros de profundidade contém o solo e serve como base para um dos trilhos de suporte aos guindastes gigantes STS, usados pra movimentação de contêineres nos navios. Com isso, as equipes já tocam a construção das vigas de suporte do paredão. No outro lado do cais, as atividades do porto seguem normais.

Em julho, ainda houve avanços no sistema de drenagem e da parte elétrica na retaguarda, que vai alimentar a energia dos novos guindastes STS assim que forem instalados. 

Contrapartida

A obra do cais tem contrapartida ambiental de R$ 504 mil pra preservação da restinga na orla de Navegantes. O plano de recuperação começou a ser executado após aprovação dos órgãos ambientais municipal e estadual, prevendo o plantio de 6,5 mil mudas nativas e controle de espécies exóticas invasoras.

Vanguarda

O investimento em equipamentos está dando um salto de modernização na Portonave, preparando o terminal para uma nova fase de crescimento. Entre as novas máquinas, o porto já iniciou as operações com a primeira empilhadeira de contêineres 100% elétrica adquirida no país.

Com a novidade, a Portonave passa a contar com sete “reach stackers” no terminal. A empilhadeira elétrica faz parte do pacote de R$ 439 milhões em novos equipamentos pra manter o destaque da Portonave na movimentação de contêineres no país.

“Com os novos investimentos, nossa capacidade anual de TEUs aumentará de 1,5 milhão para 2 milhões de TEUs. Esse crescimento significativo proporcionará mais capacidade para atender aos exportadores e importadores”,  comenta Castilho.

Ele explica que os equipamentos adquiridos são 100% elétricos, o que reduz a emissão de poluentes, e integra a visão da empresa pelo desenvolvimento sustentável. Na mesma linha, os novos recursos se integram ao novo cais, com sistema ecológico de fornecimento de energia elétrica para os navios atracados.  “Com a adequação do cais, além da capacidade para receber navios de até 400 m, a infraestrutura estará apta para a instalação do ‘shore power’ – tecnologia pioneira entre os portos brasileiros. Buscamos ser exemplo de vanguarda no país. Afinal, o crescimento precisa estar alinhado à responsabilidade ambiental no segmento”, analisa o diretor da Portonave.

Serão recuperados quatro trechos prioritários em 38,4 mil m² na Meia praia. Os trechos foram indicados pelo Instituto Ambiental de Navegantes. O plano também prevê atividades de prevenção e controle do acesso de animais domésticos, conservação e ações pra atrair animais nativos espalhadores de sementes. O projeto terá manutenção e monitoramento das áreas por três anos.

Fonte: Diarinho

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Portos

Portos RS acelera recuperação dos canais

Após os eventos climáticos extremos de 2024 e 2025, que provocaram severo assoreamento em diversos trechos da hidrovia estadual, a Portos RS iniciou uma força-tarefa para restaurar a navegabilidade e garantir o escoamento de cargas estratégicas para a economia gaúcha.

Atualmente o principal foco da operação emergencial é o Canal da Feitoria, considerado o maior gargalo logístico do Estado no momento. Um levantamento técnico identificou estreitamento crítico no canal, impedindo a passagem de embarcações de grande porte (acima de 150m de comprimento e 25 de largura), e comprometendo ainda mais as cadeias produtivas ligadas a fertilizantes, cevada cervejeira, sebo bovino, transformadores e insumos químicos.

Neste sentido, a contratação emergencial para dragagem do Canal da Feitoria foi aberta em 21 de agosto, com prazo para envio de propostas até o dia 31. A expectativa é que a obra recupere a profundidade operacional do canal, já nas primeiras etapas, e restabeleça a navegação comercial de navios de grande porte considerada vital para a competitividade da indústria local mesmo antes da finalização completa da obra.

Além do Feitoria, outras frentes de trabalho estão em andamento. O Canal de Itapuã teve sua dragagem concluída em maio, com a retirada de 181 mil metros cúbicos de sedimentos. Na Bacia do Guaíba, os canais Pedras Brancas e Leitão já avançaram significativamente. O primeiro está com 73% da dragagem concluída, totalizando 258.730,72 m³ de sedimentos removidos. O segundo alcançou 62%, com 535.121,04 m³ dragados. No Delta do Jacuí, o Canal Furadinho tem início previsto para setembro, enquanto o Canal São Gonçalo deve começar ainda em agosto.
Ao todo, a Portos RS é responsável por 21 canais hidroviários, com extensão superior a 90 km. A recuperação da hidrovia é considerada estratégica para evitar prejuízos à indústria, preservar empregos e garantir a geração de renda em diversas regiões do Estado.

Fonte: Portos RS

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Portos

Terminal de Laguna será administrado pelo Porto de Imbituba

A delegação do Porto de Laguna ao Governo de Santa Catarina terá duração de 25 anos. É o prazo do novo convênio entre a administração estadual e o governo federal assinado e publicado na última semana, no Diário Oficial da União. A novidade é que a estrutura passará para a gestão da SCPar Porto de Imbituba e não ficará mais sob responsabilidade da matriz em Florianópolis.

O acordo foi assinado junto ao Ministério dos Portos e Aeroportos (MPA) com participação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e faz uma atualização do convênio original de 2020.

“A proximidade entre os portos de Laguna e Imbituba aponta para o potencial de complementariedade das atividades entre os dois portos, em conformidade com o planejamento desse complexo portuário”, destacou o MPA, em nota enviada ao Agora Laguna.

O novo acordo amplia o alcance das ações que podem ser financiadas com recursos advindos da distribuição de dividendos ao delegatário, em conformidade com o acórdão da Antaq e reforça a necessidade de que os investimentos estejam relacionados ao aprimoramento da atividade portuária.

Por telefone, o presidente do Porto de Imbituba, Christiano Lopes, informou que já iniciaram os trâmites para que Laguna seja atrelada à subsidiária. Uma reunião aconteceu na segunda, 25. “Criamos um grupo de trabalho pelos próximos 60 dias para fazer essa transição e delinear o novo modelo de gestão do Porto de Laguna”, disse.

Fonte:  Agora Laguna

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Portos

Antaq faz audiência para concessão dos portos públicos da Bahia

Contribuições, sobre os portos de Salvador, Aratu-Candeias e Ilhéus, podem ser encaminhadas até o dia 9 de setembro próximo

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) realizou, nesta terça-feira (26), a Audiência Pública 4/2025, que trata da concessão parcial dos portos administrados pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba).

Na ocasião, foram discutidos os documentos técnicos e jurídicos relativos à realização da concessão parcial dos portos de Salvador, Aratu-Candeias e Ilhéus. A audiência também trata da licitação dos serviços públicos portuários relacionados a esses portos.

A previsão é que sejam investidos 1,64 bilhão no porto ao longo dos 35 anos do contrato. O projeto prevê o aumento da profundidade do Porto de Salvador de 14,4 metros para 17 metros e do Porto de Ilhéus de 9,3 metros para 14 metros. 

Outros investimentos que devem ser realizados são o reforço e alargamento do cais comercial em Salvador, a construção de pátios de triagem de carretas em Aratu e Ilhéus, a realização de sinalização e balizamento náutico, melhorias nos acessos terrestres, melhorias nas infraestruturas de atracação e a revitalização dos sistemas elétricos.

Também será preciso implementar o VTMIS, que é um sistema de Gerenciamento e Informação do Tráfego de Embarcações que busca melhorar a eficiência da movimentação de cargas; e conquistar a certificação ISPS Code, que é o Código Internacional para Segurança de Navios e Instalações Portuárias.

No total, durante a audiência, quatro pessoas contribuíram de forma oral.

Portuário baiano são contra

Trabalhadores e representantes do setor portuário baiano são contra o projeto da Antaq. “O edital foi construído sem considerar os impactos para o Estado da Bahia”, alegam.

Para Marcelo Fernandes Pereira, diretor do Sindicato Unificado  dos Portuários do Estado da Bahia – Suport- Ba, “o plano não considera projeções econômicas atuais, baseando-se em cenários de pandemia e em um plano mestre considerado defasado, o que subavalia os ativos e reduz o valor real do patrimônio público que será concedido”

A categoria afirma que “a Codeba continuaria existindo apenas formalmente, mas sem funções estratégicas e sem avaliação sobre a viabilidade do negócio que lhe restaria”

Contribuições 

As minutas jurídicas e documentos técnicos relativos à consulta pública da concessão parcial dos portos de Salvador, Aratu-Candeias e Ilhéus estão disponíveis neste link.

O período para a realização das contribuições escritas se estende até as 23h59 do dia 09 de setembro de 2025, exclusivamente por meio e na forma do formulário eletrônico disponível no site da Antaq, não sendo aceitas contribuições enviadas por meio diverso.

Será permitido anexar imagens digitais, tais como mapas, plantas e fotos exclusivamente através do email: anexo_audiencia042025@antaq.gov.br mediante identificação do contribuinte e no prazo estipulado neste aviso. O envio do anexo em email não dispensa o envio da contribuição por escrito no formulário eletrônico.

Caso o interessado não disponha dos recursos necessários para o envio da contribuição por meio do formulário eletrônico, poderá fazê-lo utilizando o computador da Secretaria-Geral (SGE) da Antaq, em Brasília/DF, ou nas suas Unidades Regionais, cujos endereços se encontram disponíveis no sítio da Agência.

Fonte: Modais em Foco

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Portos

Com desempenho histórico, o Porto do Itaqui registra recorde de movimentação em julho

No mês, terminal público maranhense movimentou 3,76 milhões de toneladas em cargas diversificadas

Às margens da Baía de São Marcos, em São Luís, o Porto do Itaqui confirma sua posição como um dos motores do desenvolvimento do Maranhão e do Brasil. Em julho, o terminal público alcançou o melhor resultado de sua história, com 3,76 milhões de toneladas movimentadas e 112 navios atracados. No acumulado do ano, já são mais de 21 milhões de toneladas, reforçando o papel estratégico do porto como porta de entrada de fertilizantes e de saída de grãos para o mercado internacional.

Um dos fatores que explicam o desempenho é a intensificação das operações Ship-to-Ship (StS). Somente em julho, foram 415 mil toneladas movimentadas nesse modelo, o dobro do previsto para o mês e também do volume registrado em julho de 2024. Ao todo, 11 navios foram atendidos a contrabordo, o que corresponde a um terço das operações StS realizadas em 2025 e a 65% do total de todo o ano passado.

“O desempenho do Porto do Itaqui demonstra a força da infraestrutura portuária brasileira e o papel estratégico do Maranhão e do Nordeste na integração logística nacional e internacional, reforçando a importância de ampliar investimentos para garantir competitividade e geração de empregos”, afirmou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

A presidente em exercício do Porto do Itaqui, Isa Mary Mendonça, destacou que os resultados refletem a estratégia de expansão. “Os números confirmam o impacto positivo dos investimentos do Itaqui em capacidade operacional, melhoria contínua dos processos e fortalecimento da infraestrutura para atender à crescente demanda logística no Maranhão e no Brasil.” 

Resultados positivos

De janeiro a julho, o Itaqui movimentou 21,042 milhões de toneladas, com crescimento em todos os segmentos: granéis sólidos (+8%), granéis líquidos (+11%) e carga geral (+3%). Entre os produtos com maior avanço estão: soja (+7%), fertilizantes (+25%), cobre (+12%), derivados de petróleo (+6%), transbordo de derivados de petróleo (+19%), sebo bovino (+34%), celulose (+2%) e trilhos (+69%).

A soja segue como principal produto exportado, escoada principalmente de estados do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), além de Goiás, Mato Grosso e Pará. A celulose também ganhou espaço, cerca de 1,6 milhão de toneladas produzidas em Imperatriz (MA) foram enviadas para mercados como Estados Unidos e Espanha.

Nas importações, fertilizantes vindos da Rússia, China, Canadá e Omã reforçam a base do agronegócio brasileiro. O porto também recebe derivados de petróleo de países como Estados Unidos, Índia e Emirados Árabes. Do lado das exportações, a China continua como principal destino da soja, enquanto os Estados Unidos importam celulose, ferro-gusa e sebo. Outros mercados relevantes são Espanha, Egito, Alemanha, Turquia, Paquistão e Vietnã.

A movimentação de celulose superou em 13% o planejado e cresceu 46% em relação a julho de 2024. O resultado evidencia a capacidade do Itaqui de atender não apenas ao agronegócio, mas também à indústria de maior valor agregado, consolidando-se como hub logístico do Arco Norte.

Com localização estratégica, conexão ferroviária pelas malhas Norte-Sul e Carajás, ampla capacidade de armazenagem e investimentos permanentes em eficiência, o Itaqui deve seguir em trajetória de crescimento sustentável.

Fontes:

Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

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Portos

Vast Infraestrutura inicia construção do parque de tancagem do Terminal de Líquidos do Açu’

A Vast Infraestrutura iniciou a construção do parque de tancagem do Terminal de Líquidos do Açu (TLA), no Porto do Açu, em São João da Barra, no norte do estado do Rio de Janeiro. Na primeira fase do projeto, o investimento será de cerca de R$ 250 milhões para viabilizar um parque de tancagem de aproximadamente 40 mil m³ de armazenamento. A previsão é que as operações de tancagem no Terminal tenham início no último trimestre de 2026, como parte da estratégia de ampliação das linhas de negócios da Vast, empresa líder no mercado brasileiro de transbordo de petróleo.

Com localização estratégica no Porto do Açu, o TLA poderá movimentar e armazenar produtos derivados de petróleo, como combustíveis marítimos (Very Low Sulphur Fuel Oil – VLSFO e Marine Gas Oils – MGO), lubrificantes, combustíveis claros, além de químicos e biocombustíveis.

“A primeira fase do Terminal prevê a movimentação de combustíveis claros, óleo básico e biocombustíveis. Entendemos que combustíveis marítimos são nossa vocação, devido ao grande número de embarcações que acessam o Porto regularmente. Estamos preparados também para trabalhar com os combustíveis do futuro, como SAF e e-methanol, em sinergia com os projetos de transição energética que estão em desenvolvimento no complexo. O TLA é uma plataforma estratégica para atender às demandas atuais e futuras do setor”, explica Victor Snabaitis Bomfim, CEO da Vast Infraestrutura.

Além da tancagem, o projeto prevê a construção de tubulação de carga e descarga e de plataformas de carregamento de caminhões-tanque para o escoamento terrestre de combustíveis, óleos básicos e demais líquidos. O plano diretor do terminal considera a ampliação da tancagem para até 300 mil m³.

A empresa já assinou dois contratos para utilização do TLA e de seu parque de tancagem, um com a Vibra e outro com a efen. O acordo com a Vibra garante, pelos próximos 20 anos, a utilização do Terminal como infraestrutura logística de importação, armazenagem e movimentação de óleos básicos para abastecimento de sua fábrica de lubrificantes em Duque de Caxias (RJ). Já o contrato com a efen inclui a prestação de serviços de recebimento, estocagem e expedição de óleo diesel marítimo (MGO).

Desde outubro de 2024, a Vast é a operadora do TLA, e vem realizando a movimentação de MGO por meio de operações de transbordo (ship-to-ship e ship-to-barge) para a efen. O terminal hoje já conta com dois berços operacionais para recebimento de navios MR e barcaças.

Ao final das obras, as operações de movimentação de líquidos serão feitas com a utilização dos tanques de armazenamento.

Fonte: Datamar News

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Economia, Notícias, Portos

Leilão inédito vai decidir o futuro do porto de Itajaí

Concessão do canal portuário será licitada separadamente do arrendamento do porto

A concessão do canal de acesso portuário de Itajaí, em modelo inédito no país, avançou na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Na semana passada, a agência aprovou as minutas do edital e do contrato de concessão. Agora, o processo seguiu para o Ministério de Portos e Aeroportos, responsável por encaminhar o projeto ao Tribunal de Contas da União (TCU), que fará a análise antes do lançamento do edital.

A etapa atual foi concluída após a avaliação das contribuições recebidas na audiência pública 03/2024, que discutiu melhorias nos documentos técnicos e jurídicos. No novo modelo adotado pelo governo federal, a concessão do canal de acesso foi separada do arrendamento do porto. A licitação do acesso portuário deve ser lançada ainda neste ano, enquanto o edital de arrendamento definitivo do Porto de Itajaí está previsto para 2026, com estudos em andamento pela Infra S.A.

O edital seguirá o formato já aprovado para o Porto de Paranaguá, cujo leilão acontece em 22 de outubro e prevê R$ 1,2 bilhão em investimentos ao longo de 25 anos. Essa será a primeira vez no Brasil em que a operação portuária será desvinculada da concessão do canal de acesso.

De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, os critérios usados em Paranaguá servirão como modelo para outros portos estratégicos, como Santos (SP), Itajaí (SC), Bahia e Rio Grande (RS). “Este será o primeiro leilão de canal de acesso de um porto público no Brasil, que vai ampliar a capacidade das operações e a movimentação portuária”, destacou o ministro Silvio Costa Filho.

A expectativa é que os próximos processos tenham maior agilidade por seguirem o mesmo padrão de Paranaguá. Sobre o prazo para a publicação do edital referente a Itajaí, a Antaq informou que a definição é feita pelo Ministério dos Portos, responsável pelo cronograma de leilões.

Navios gigantes

O canal de acesso de Itajaí e Navegantes terá investimentos de R$ 311,1 milhões ao longo dos 25 anos do contrato do canal de acesso ao porto, segundo a Antaq. A principal obra é a dragagem do rio Itajaí-açu, que vai aprofundar o calado operacional de 14 para 16 metros, permitindo a entrada de navios maiores. Hoje, o porto recebe embarcações de até 350 metros. Com as melhorias, poderá receber cargueiros de até 400 metros.

Em Paranaguá, a profundidade vai passar de 13,1 para 15,5 metros. A cada dois metros a mais de calado, um navio pode transportar em média mil contêineres ou 14 mil toneladas adicionais.

Em Itajaí, a dragagem deve custar R$ 90 milhões. A concessão também inclui a retirada do casco do navio Pallas (R$ 23 milhões), a readequação do molhe de Navegantes (R$ 64 milhões) e a segunda etapa da nova bacia de evolução (R$ 68 milhões).

A futura concessionária será responsável ainda por estudos hidrográficos, dragagem, sinalização, balizamento náutico e monitoramento do tráfego de embarcações, atividades hoje sob a responsabilidade da autoridade portuária.

Fonte: Diarinho

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Portos

Moegão da Portos do Paraná alcança 67% de conclusão

A maior obra pública portuária do Brasil, o Moegão, atingiu 67% de execução geral nesta semana. Somente a parte civil, por exemplo, já chegou a 76,8% dos trabalhos concluídos. Na parte mecânica, foram 71,7% de avanço e na parte elétrica, 35,6% já foi realizado. O terminal terá capacidade para descarregar 180 vagões a cada cinco horas e vai conectar 11 estruturas portuárias, além de reduzir os cruzamentos de linhas férreas na cidade de Paranaguá.

O novo complexo é formado por moegas ferroviárias, sistema de transporte vertical (elevadores de canecas), sistema de transporte horizontal (correias transportadoras), sistema de transferência de produto (torres de transferência), sistema de alimentação dos terminais (torres de alimentação), balanças (ferroviárias e integradoras), utilidades, prédio administrativo e prédio de manutenção. Nas próximas semanas, a ideia é finalizar a parte pré-moldada das Torres 5 e 9, concluir a fundação dos prédios administrativos e avançar na montagem da parte mecânica e elétrica.

Atualmente o Moegão avança com a instalação das estruturas que farão todo o complexo funcionar, como as galerias aéreas. No interior de cada um estão sendo instaladas três esteiras transportadoras, cada uma com capacidade para levar até 2.000 toneladas por hora de grãos vegetais. 

O Governo do Estado do Paraná, por meio da Portos do Paraná, está aplicando mais de R$ 650 milhões, a partir de recursos próprios e de financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Atualmente, em média, 550 vagões podem ser descarregados diariamente no Corex. Com o Moegão, o descarregamento será padronizado em um único espaço, que terá condições de recepcionar até 900 vagões por dia.

Como não haverá mais a entrada de vagões dentro dos terminais, as manobras, que hoje são necessárias para o descarregamento, deixarão de existir, reduzindo sensivelmente as interrupções no trânsito da cidade. O número de cruzamentos com interrupções cairá de 16 para cinco. Cada terminal é responsável por fazer a interligação até o receptivo do Moegão. A previsão da entrega é dezembro de 2025, com operação prevista para o início de 2026.

“O Moegão é uma estrutura que impressiona pelo tamanho e pela complexidade de engenharia. A obra segue o cronograma, não temos qualquer atraso, e a perspectiva é de entregar o complexo no final deste ano”, afirmou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

O Moegão poderá receber 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano para atender os terminais do Corredor de Exportação Leste (Corex). Essa quantidade é maior que a média anual de exportação do Corex, pois já prevê a ampliação do modal ferroviário em direção ao litoral paranaense por meio da nova Ferroeste e dos investimentos na Malha Sul.

“Essas mudanças vão acontecer em breve. O nosso porto já se prepara para as mercadorias das próximas décadas”, explica Garcia. “O Moegão é uma obra que prepara o Porto de Paranaguá para o futuro e ainda promoverá um equilíbrio com o modal rodoviário, que se manterá como uma opção forte de transporte até os portos paranaenses”.

Ao mesmo tempo, o Moegão exercerá um papel crucial para os novos terminais que fazem parte das áreas arrendáveis do Porto de Paranaguá – PARs 14, 15 e 25 –, já leiloados e que aguardam as tramitações legais para a assinatura do contrato e do termo de posse. Parte dos investimentos (R$ 1,1 bilhão) a serem feitos pelos arrendatários terá como destino a construção da primeira fase do Píer em “T”. Mais R$ 1 bilhão será aplicado pelo Governo do Estado.

A unidade, que contará com quatro berços, vai permitir que o Corex triplique a velocidade média de carregamento dos navios — passando de 3 mil para 8 mil toneladas movimentadas por hora.

O gerente da Cotriguaçu, Rodrigo Buffara, representante da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), comentou que a Cotriguaçu já contratou a interligação ao eixo principal do Moegão. “Visamos maximizar o recebimento ferroviário, onde fica, na nossa visão técnica, a grande evolução do corredor de exportação, gerando um aumento de descarga ferroviária. Estamos juntos neste processo para somar”, afirmou.

Fonte: Governo do Estado do Paraná

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Recorde no Porto de Rosário: o coração logístico de Santa Fé cresce mais de 30% em 2025

O complexo portuário, administrado pela Enapro, movimentou quase 2 milhões de toneladas em sete meses.

O Porto de Rosário, sob responsabilidade do Ente Administrador Puerto Rosario (Enapro) e vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Produtivo de Santa Fé, alcançou em 2025 um recorde histórico em suas operações, consolidando-se como um eixo estratégico para a competitividade da província e para a exportação de produtos santafesinos aos principais mercados internacionais.

Nos primeiros sete meses do ano, o complexo portuário movimentou 1.964.724 toneladas, somando a atividade de suas duas terminais concessionadas: Serviços Portuários S.A. (SEPOR), especializada em grãos a granel, e Terminal Puerto Rosario S.A. (TPR), que opera com granel sólido, líquido e contêineres.

“O Porto de Rosário é o coração logístico de Santa Fé e um pilar fundamental em nossa estratégia de desenvolvimento produtivo. Os recordes operacionais alcançados em 2025, com quase 2 milhões de toneladas movimentadas e um crescimento interanual de 33,7%, demonstram a capacidade das nossas terminais de conectar Santa Fé com os mercados internacionais”, afirmou Gustavo Puccini, ministro do Desenvolvimento Produtivo de Santa Fé.

Além disso, ele destacou que essa infraestrutura “facilita a exportação de produtos como cereais, oleaginosas e mel, ao mesmo tempo em que fortalece a competitividade das pequenas e médias empresas de Santa Fé e das economias regionais”.

O desempenho foi impulsionado por um crescimento interanual de 33,7% em granel e de 31,4% em carga conteinerizada, marcando um marco na história recente do porto.

Entre as últimas operações de destaque estão:

A exportação de 120.000 quilos de mel com destino a Hamburgo, Alemanha.
O embarque de um navio com 25.000 toneladas de grãos rumo à Argélia.
A programação de outros quatro navios com 100.000 toneladas adicionais, com destino à China, Iêmen e Peru.

Terminal de Grãos a Granel: recorde em julho
A Terminal de Grãos a Granel, operada pela Serviços Portuários S.A., embarcou 1.190.597 toneladas entre janeiro e julho. Os principais produtos exportados foram:

  • Sorgo (48%)
  • Milho (24%)
  • Trigo (21%)
  • Soja (7%)

Em julho de 2025, alcançou um recorde mensal de 373.382 toneladas, o melhor desempenho dos últimos cinco anos.

Terminal Multipropósito: exportações diversificadas
A Terminal Puerto Rosario (TPR) movimentou 375.535 toneladas de granel e cargas gerais, distribuídas da seguinte forma:

  • 212.414 toneladas de exportações
  • 65.264 toneladas de importações
  • 97.856 toneladas em trânsito e remanejadas

Os principais produtos foram óleo vegetal, farelo de soja, fertilizantes, açúcar bruto e produtos siderúrgicos.

Quanto ao movimento de contêineres, a TPR registrou 38.222 TEUs (398.593 toneladas) no período de janeiro a julho, com um pico em março de 6.747 TEUs.

Exportação de mel: um caso emblemático

Um dos marcos recentes foi a exportação de cinco contêineres com 120.000 quilos de mel produzido em Ambrosetti, com destino à Alemanha. A operação foi gerida através do Porto de Rosário por uma cooperativa apícola local, evitando o transporte até o porto de Buenos Aires, reduzindo custos logísticos e abrindo novos mercados internacionais para a produção de Santa Fé.

Esse exemplo reflete como o porto impulsiona a diversificação das cargas, o valor agregado das economias regionais e a internacionalização das pequenas e médias empresas.

O Porto de Rosário conta com três serviços semanais diretos para o Brasil, operados pelas linhas Maersk, MSC e CMA CGM, que consolidam sua conectividade oceânica e seu papel no comércio exterior argentino.

Sua localização estratégica sobre a Via Navegável Troncal, junto com o acesso ferroviário nas duas bitolas e a conectividade rodoviária por rodovias e estradas nacionais, o posicionam como uma plataforma logística de grande valor para exportadores e importadores.

Fonte: Ser Industria

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“Nossa alfândega é a segunda em movimentação e, em arrecadação, só perde para Santos”

O auditor-fiscal André Bueno Brandão Sette e Camara, delegado da Receita Federal no Porto de Itajaí, conversou com a jornalista Fran Marcon e com o advogado James Winter, especialista em Direito Marítimo e Portuário.

O tarifaço imposto por Trump já impactou a movimentação do complexo portuário de Itajaí?

André: A gente faz esse acompanhamento. Até agora, a Receita tem informação dos intervenientes, dos operadores, de que está afetando. Mas ainda não houve esse reflexo em números. Em contato com os exportadores e importadores, vários produtos já foram retirados da lista de produtos relevantes para os exportadores brasileiros. Na região de Itajaí, a gente exporta bastante carne e pescado, que estariam dentro do tarifaço. Mas, em números, ainda não temos essa consequência.

Quais são os principais gargalos logísticos identificados pela Receita Federal nas operações aduaneiras locais?

André: Eu estive, recentemente, em uma reunião a convite do Núcleo de Comércio Exterior da Associação Empresarial de Itajaí, e um dos tópicos foi justamente a simplificação do trânsito de cargas soltas. Um gargalo que a gente tem é a questão do trânsito e da sua simplificação. Esse assunto também foi tratado numa reunião na Subsecretaria de Aduana, com o coordenador-geral de Aduana e diversos outros delegados. A gente propôs algumas melhorias normativas para esses casos. Eu conversei com o pessoal da Associação Empresarial de Itajaí e, quando chegam esses casos concretos, é como se fosse uma negociação. Eu digo assim: “Você está vindo aqui me pedir uma simplificação do trânsito, então apresenta os seus motivos. Mas eu quero alguma coisa em troca…” O que a gente pede em troca, para facilitar o comércio na Receita, é o controle aduaneiro. Por exemplo, que o recinto melhore as informações que são passadas para a Receita, para que a gente tenha os dados corretos do navio que está chegando, do transporte que está levando a carga. Essa informação correta e antecipada facilita o comércio exterior.

“O contrabando e a pirataria financiam o crime organizado muito mais do que o próprio tráfico de drogas”

Como a Declaração Única de Importação (Duimp) tem contribuído na melhoria do despacho aduaneiro e na otimização dos processos?

André: A Duimp é importantíssima. A gente vai ter uma reunião com a Associação Empresarial para tratar sobre isso, porque muitos operadores, muitos importadores, ainda têm medo da DI, com receio de serem parametrizados no vermelho por estarem registrando a DI. Mas a 9ª Região, que compreende Santa Catarina e Paraná, é a que mais registra a Duimp. Por exemplo, a gente tem o Canal Único. Todos os intervenientes podem fazer a verificação de uma carga parametrizada ao mesmo tempo. O importador vai saber exatamente com quem está a carga dele e quem está fiscalizando. Se a Receita Federal já verificou a mercadoria e tem fotos, por que o Mapa, por exemplo, vai precisar fazer a mesma coisa de novo? Podemos aproveitar as fotos de um ou de outro. [A adoção de um modelo semelhante ao de cargas a granel pode trazer eficiência operacional?] Ainda estamos construindo a melhor forma de colocar isso na legislação. Qual foi a proposta: esses produtos siderúrgicos, às vezes, não dá para descarregar no pátio. A ideia é fazer a entrega antecipada dessa carga — ou seja, ela já sairia direto nos caminhões da empresa e seria verificada, caso necessário, no recinto do importador.

Como é a estrutura da Receita para procedimentos de liberação de passageiros de cruzeiros?

André: A alfândega no Porto de Itajaí, na verdade, tem uma jurisdição muito maior. Ela abrange os portos, os 15 recintos alfandegados no total, incluindo a Portonave, o aeroporto e também o primeiro ponto turístico alfandegado do Brasil, na Barra Sul, em BC. A gente já teve reunião com eles, com os operadores de cruzeiros que vão trazer as linhas para a região. Eles estão fazendo uma ampliação no terminal Tedesco. E como funciona isso: eles fazem a ampliação, apresentam o projeto para a Receita Federal, e é feito o alfandegamento da área. Depois que o projeto é apresentado, a Receita faz a análise e o alfandegamento do local, permitindo a entrada e saída de passageiros e bagagens internacionais.

Itajaí é um protagonista do comércio exterior”

Como está a disponibilidade de fiscais e equipes da Receita para fiscalização e acompanhamento dos processos no complexo portuário? Há melhorias de estrutura, pessoal e tecnologia?

André: A alfândega no Porto de Itajaí realiza o despacho de importação e exportação de toda Santa Catarina e do Paraná. Atualmente, temos 90 servidores. Muitos deles atuam remotamente, como é o caso de alguns que moram em Curitiba, pois trabalham com despacho aduaneiro e, como a atividade é regionalizada, podem estar em outros locais. Isso foi positivo porque conseguimos formar equipes especializadas. Recebemos muitos retornos da comunidade de comércio exterior, relatando que, por exemplo, o processo de habilitação está muito melhor e mais rápido. Por outro lado, há algumas reclamações sobre a perda da proximidade com o fiscal.

Do ponto de vista de integração, como está a relação da Receita com a Anvisa e o Mapa?

André: O primeiro contato que eu tive foi na própria Colfac [Comissão Local de Facilitação do Comércio]. Uma das ações que apresentei foi justamente essa melhor aproximação com os intervenientes e com os órgãos públicos em geral. Já tive reunião com o diretor do foro da Justiça Federal na subseção de Itajaí, e também com a Polícia Federal. A ideia é transformar a Colfac no que ela deve ser. Ela não é uma comissão ou colegiado apenas para responder dúvidas de entes privados, como empresas e despachantes.

Qual a sugestão aos importadores para colaborar e otimizar os processos de nacionalização?

André: Quanto mais informação a gente tiver, quanto melhor for o controle, mais facilitado vai estar o comércio. Minha sugestão é: quem puder, valorize a certificação OEA. É muito importante e a gente dá muita relevância a isso.

“A economia, no geral, perde R$ 460 bilhões com contrafação e pirataria”

Já houve pedido da autoridade portuária para renovação do alfandegamento do porto?

André: A gente já teve algumas reuniões, mas esse pedido ainda não chegou. Existe, na verdade, uma sequência: a Antaq precisa apresentar o parecer dela e, só depois disso, a Receita utiliza esse documento para dar andamento ao processo de alfandegamento. Isso ainda não ocorreu. Nas reuniões que a gente teve, falamos da importância de que esse pedido seja feito o quanto antes, porque o processo de alfandegamento é bem complicado. Não é o mesmo caso da situação anterior, que foi uma troca de titularidade. Agora, pode ser um alfandegamento completamente novo — não apenas uma extensão. Quanto mais rápido esse processo for iniciado, melhor para a segurança dos operadores. Mas, se tudo der certo, ainda dá tempo de resolver essa questão, até pela importância da região. [É um prazo de seis meses, mais ou menos, que demora?] É, normalmente, seis meses. [A gente já está atrasado com o pedido…] Já está atrasado. [Nós estamos num dilema, ver se realmente vai sair uma empresa pública, que estão tentando construir e fazer, ou se vai continuar com a autoridade portuária de Santos. Isso, de repente, pode ser que seja o motivo de não ter feito ainda o pedido, mas independentemente, de forma preventiva, no mínimo, já deveria ter sido feito…] Itajaí, na verdade, não é uma alfândega qualquer dentro das alfândegas. Itajaí é um protagonista do comércio exterior. Nossa alfândega é a segunda maior em movimentação de contêineres e, em arrecadação, só perde para Santos. É muito relevante essa alfândega, e a região como um todo, para o comércio exterior. 

Como a Receita tem atuado preventivamente no combate ao tráfico internacional de drogas?

André: Hoje, em Itajaí, a gente faz o escaneamento de 100% das cargas que saem. Existe uma equipe de repressão portuária que fica em Itajaí, mas é vinculada à superintendência. De 2018 para cá, foram apreendidas mais de 55 toneladas de cocaína nos portos de Itajaí, Navegantes, Itapoá e Paranaguá. É um trabalho bem relevante. A atuação com os escâneres e das nossas equipes K9, nessa repressão ao tráfico de drogas, é fundamental. Essa mesma equipe também atua no combate ao contrabando. O contrabando e a pirataria financiam o crime organizado muito mais do que o próprio tráfico de drogas. Tem um estudo de 2022 que, se não me engano, é o mais recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que estimou que, em 2022, o crime organizado movimentou R$ 140 bilhões com pirataria. No mesmo período, foram R$ 15 bilhões com o tráfico de drogas. As pessoas acham que o tráfico de drogas é a principal fonte de financiamento do crime organizado, mas a contrafação e a pirataria são muito mais prejudiciais. O Fórum Nacional de Combate à Pirataria fez um estudo no ano passado e mostrou que a economia, no geral, perde R$ 460 bilhões com contrafação e pirataria. Só de arrecadação, a perda é de R$ 150 bilhões. Um dos papéis da Receita é retirar do mercado produtos que são perigosos à saúde ou ao consumidor. Por exemplo, várias apreensões de eletrônicos são de carregadores que não têm certificação do Inmetro e que, às vezes, pegam fogo nas casas. A gente retira esse tipo de produto do mercado e protege também a concorrência de forma geral. A gente recebe muitos questionamentos do tipo: “essas operações tiram o emprego das pessoas.” Mas, na verdade, é o contrário. O fenômeno é conhecido como exportação do desemprego. Quando se permite o comércio de produtos contrabandeados, como no camelô, estamos exportando empregos para outros países, que se essa mercadoria fosse formalizada, se o trabalho fosse formalizado, o emprego estaria aqui no Brasil.

“O crime organizado movimentou R$ 140 bilhões com pirataria. No mesmo período, foram R$ 15 bilhões com o tráfico de drogas”

Delegado, nessas operações que acabam acontecendo na região, com apreensão de roupas, eletrônicos e bebidas, as cargas são destruídas por completo. Por que o que é apreendido não pode ser aproveitado?

André: É um projeto importante que estamos articulando com a prefeitura de Itajaí e também com a Justiça Federal. Quando há contrafação, a mercadoria era, até então, totalmente destruída. Já destruímos toneladas e toneladas de roupas. Existe um projeto estratégico chamado Receita Federal Verde, que promove destinações sustentáveis — e é isso que queremos implementar aqui em Itajaí. Já conversei com o prefeito Robison, e a ideia é fazer uma parceria com a prefeitura, com a Secretaria de Segurança Pública, com o presídio feminino e com as recuperandas do presídio de Itajaí. Vamos trazer essas roupas e, em parceria com elas, será feita a descaracterização. A ideia é também envolver uma instituição, como uma faculdade de moda, para que os alunos deem suporte técnico às recuperandas: como transformar um calçado, adaptar peças para roupas de bebê, por exemplo. Essa transformação vai permitir que essas peças sejam destinadas à sociedade. Dou como exemplo um projeto que aconteceu em junho, em São Paulo, com o primeiro hackathon da Receita Federal. O desafio foi: “O que vocês conseguem fazer com cigarros eletrônicos?” Todos os projetos foram espetaculares. O projeto vencedor transformou cigarros eletrônicos em teclados ativados por sucção para pessoas com tetraplegia ou paralisia cerebral. Normalmente, esse produto custa R$ 4 mil ou 2 mil dólares, e eles conseguiram fazer por R$ 40. Na época da Covid, também tivemos muita apreensão de bebida alcoólica e perfumes falsificados, que foram transformados em álcool em gel e destinados a hospitais. [Haverá algum leilão da Receita de Itajaí este ano e haverá maior divulgação?] Só neste ano a gente já teve uma arrecadação de quase R$ 11 milhões com leilões. Podemos, sim, pensar em uma forma de melhorar a divulgação desses eventos.

Fonte: Diarinho

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