Internacional, Logística, Mercado Internacional, Negócios

Câmbio ajuda, e rentabilidade de exportações aumenta 5% no 1º bimestre

Resultado foi corroído por aumento nos custos e pela queda dos preços internacionais

Favorecida pela desvalorização cambial, a rentabilidade média do exportador brasileiro subiu 5% no primeiro bimestre do ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. O desempenho positivo se manteve a despeito da recuperação parcial da moeda brasileira no período, mas pode novamente ganhar impulso e beneficiar o exportador brasileiro no restante do ano, a depender dos próximos capítulos da guerra comercial promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem chacoalhado o câmbio global. Em compensação, a queda dos preços, particularmente o de alguns dos principais produtos vendidos pelo país no exterior, pode se aprofundar diante dos maiores riscos de desaceleração global.

Na comparação entre o primeiro bimestre de 2025 com o de 2024, as exportações brasileiras se beneficiaram de um câmbio 19,3% mais desvalorizado. Esse bônus, no entanto, é corroído pela queda de 4,7% do preço médio das exportações e uma alta de 8,3% do custo médio de produção. Os dados da Fundação Centro de Estudos para o Comércio Exterior (Funcex).

“Os insumos importados foram o que mais pesaram nesse aumento de custo. Eles subiram 11,1% somente nesse bimestre, o que também é reflexo da desvalorização do real”, nota a especialista em comércio exterior da Funcex, Daiane Santos. “Os insumos nacionais também ficaram 8,6% mais caros, e também houve alta de 7,2% dos custos relacionados a serviços e salários.”

A dinâmica do câmbio nos dois primeiros meses do ano também prejudicou a rentabilidade mais recentemente: houve queda de 6,3% do índice calculado pela Funcex na virada de janeiro para fevereiro, quando houve apreciação de 4,3% do câmbio nominal.

“Não posso te dizer se o exportador aproveitou ou não aquele salto do dólar, que já foi parcialmente revertido. O que é possível dizer é que ele tem uma perspectiva imediata de rentabilidade maior quando o dólar sobe, mas que acaba diminuída mais adiante, pela alta dos custos e a queda dos preços”, diz Daiane Santos.

Os ganhos de rentabilidade foram generalizados entre setores: apenas 5 de 29 tiveram queda no período. Dois deles são bastante importantes: extração de petróleo e gás natural (-1,8%) e extração de minerais não metálicos (-14,3%).

O desempenho negativo ocorre sobretudo devido aos preços de embarque. No caso da extração de petróleo e gás, que desbancou a soja do posto de principal produto brasileiro de exportação após 15 anos, os preços caíram 11,3%, o que corroeu a rentabilidade vinda do cambio, bem acima do aumento do custo, que foi de 7,8%.

Outro setor de grande peso, a extração de minerais não metálicos assistiu a uma queda dos preços foi ainda maior: 22,7%, contra alta de 7,6% dos custos. “Em ambos os setores, a alta dos preços corroeu o ganho vindo da desvalorização do real, já que o aumento de custo deles foi menor que o da média nacional”, pontua Santos.

Do pódio dos setores brasileiros com mais exportações, o único a se manter no azul foi a agropecuária, com queda de apenas 1,1% do índice de preços e alta de 7,7% dos custos.

Na outra ponta, houve ganhos expressivos para produtos como metalurgia (28,6%), outros equipamentos de transporte (21,3%) e celulose e papel (15,9%). Além do câmbio, houve ganho também nos preços de embarque de respectivamente, 15%, 10,4% e 5,8%.

Para o segundo bimestre, a projeção preliminar da Funcex é que a rentabilidade permaneça mais ou menos nos mesmos patamares, uma vez que a média do câmbio nominal no período não muda muito — as tarifas foram anunciadas dia 2. Já para o ano, a estimativa se mantém em 5,94%. Daiane Santos prefere esperar para ver o desenrolar da disputa entre as potencias globais antes de rever projeções. “Deve haver algum ganho de rentabilidade, mas tudo ainda é muito imprevisível, é difícil traçar cenário no momento”, diz.

A questão é saber como será o cenário dos preços de embarque. Para Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e sócio-fundador da BMJ, as perspectivas petróleo e outras commodities já eram estáveis ou ruins anteriormente, mas pioraram com receios de uma desaceleração global por causa da guerra comercial de Trump. O cenário para o minério de ferro, no entanto, parece depender mais fortemente da perspectiva da China e sua capacidade de cumprir a meta de crescer 5% este ano.

É difícil saber, no entanto, qual vetor será mais importante na definição da rentabilidade, os preços ou o câmbio, diz Barral. “Qualquer análise sobre isso depende de um direcionamento mais claro sobre as negociações, o que pode demorar meses”, alerta. “É também difícil dizer se vai haver ter impacto grande este ano para o exportador brasileiro, até porque já existe uma demanda que já foi contratada.”

Fortemente abalado pelas perspectivas de desaceleração global, o petróleo chegou a ser negociado na semana passada nos menores patamares em quatro anos. O contrato mais líquido do barril do tipo Brent, no entanto, reagiu positivamente na quarta-feira, após Trump suspender tarifas para nações que sinalizaram negociação com os EUA ao mesmo tempo que elevou as tarifas para a china para 125% para a China. Já o minério de ferro negociado em Dalian, na China, atingiu na última terça-feira o patamar mais baixo desde setembro do ano passado.

O dólar voltou a operar acima de R$ 6 na semana pasada, recobrando níveis não vistos desde 21 de janeiro, mas cedeu com a notícia da suspensão das tarifas e fechou em R$ 5,87 na sexta-feira, 11.

No caso dos bens manufaturados, mudanças de curto prazo de parâmetros como câmbio ou preços de exportações não têm impacto significativo sobre a capacidade das indústrias de elevar a parcela de produtos direcionados ao mercado exterior, diz o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin.

“Essa lógica faz mais sentido para commodities, em que todos são tomadores de preços e estes são estabelecidos internacionalmente. Para manufaturados, conquistar mercados envolve assegurar mais espaço nas cadeias produtivas, assegurar critérios de qualitativos de cronogramas de entrega, ofertar serviço pós-venda, enfim, uma série de fatores que não são conjunturais”, afirma.

Mesmo um ganho expressivo via depreciação do real como o que se insinua depois tarifaço de Trump, precisa ser colocado em contexto, segue, dada a forte volatilidade do câmbio doméstico.

Sobre os efeitos da guerra tarifária, Cagnin pondera que, embora o Brasil tenha sido um vencedor relativo das tarifas anunciadas por Trump, o efeito secundário que é o desvio das exportações chinesas dos EUA em direção a outras economias tende a ser muito maior e mais preocupante.

“Ainda que as exportações brasileiras para os EUA sejam importantes, a gente sabe que a indústria no Brasil existe majoritariamente para atender o mercado doméstico. Então esse ganho que pode vir em relação aos Estados Unidos é menor que o risco potencial da oferta chinesa, até porque ele já vem ocorrendo há muito tempo. Há vários trabalhos que mostram que a 40% do aumento da penetração de bens industriais no Brasil desde o começo da década de 2010 é chinesa. Em alguns setores, especialmente os de maior densidade tecnológica, chega a 100%”, diz.


Fonte: Valor Econômico

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Chile lança plano de rota que ligará Brasil ao Pacífico

O projeto deve reduzir em até 10 dias o tempo de transporte para o mercado asiático; o tema será tratado em encontro entre Boric e Lula no dia 21 de abril.

O governo do Chile anunciou na 2ª feira (14.abr.2025) o plano de ação para a implementação do Corredor Bioceânico Vial, rota que conectará o sul do Brasil ao norte chileno por meio de uma estrada de mais de 2.400 km. A iniciativa, considerada estratégica pelos países envolvidos, atravessará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, e promete fortalecer o comércio sul-americano com o mercado do Pacífico asiático. Eis a íntegra do documento (PDF – 527kB) , em espanhol. 

A rota ligará os portos do sul do Brasil, passando pelo Mato Grosso do Sul, pela região do Chaco paraguaio e pelas províncias argentinas de Salta e Jujuy, alcançando, no destino final, os portos chilenos de Antofagasta, Iquique e Mejillones. No Brasil, o corredor atravessará Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Segundo o presidente do Chile, Gabriel Boric, a expectativa é que o corredor reduza em até 10 dias o tempo de transporte de cargas entre regiões do interior do Brasil e países como China, Coreia do Sul e Japão. 

“É uma boa notícia, porque se trata de uma integração real e concreta”, disse Boric, durante cerimônia no Palácio de La Moneda, em Santiago. 

O governo chileno não informou o valor total dos investimentos previstos para os trechos brasileiros, argentinos e paraguaios.

OBRAS E INTEGRAÇÃO

O plano contempla 22 projetos de infraestrutura, incluindo: 

  • melhorias em estradas e acessos portuários; 
  • construção de pontos de descanso para caminhoneiros; 
  • modernização de terminais portuários; e 
  • novos centros alfandegários e de controle de fronteira. 

Entre os projetos destacados estão a ampliação do molo de abrigo do porto de Antofagasta e a instalação de uma nova grua no porto de Iquique. Também será construído um novo ponto de inspeção no Paso Jama, próximo à fronteira com a Argentina.

De acordo com o chanceler chileno, Alberto van Klaveren, o projeto reforça a presença do Chile na região e é parte da estratégia de diversificação de alianças internacionais. 

A implementação será um dos principais temas da visita oficial de Boric ao Brasil, marcada para 21 de abril. 

“O corredor bioceânico é uma pauta importante para o nosso país, por isso foi tratada durante a visita de Estado ao Paraguai e também será abordada na visita ao Brasil, no próximo dia 21 de abril. Do ponto de vista da Política Externa, trata-se de um projeto que reforça nosso posicionamento na região e nossa estratégia de diversificação de alianças, especialmente em um contexto geopolítico complexo. Essa iniciativa permitirá um fluxo de bens e serviços ainda mais ágil entre os países envolvidos”, declarou.

O ministro da Economia do Chile, Nicolás Grau, afirmou que o corredor é um antigo desejo da região e que o governo está empenhado em torná-lo realidade.

Já o ministro de Obras Públicas, Danilo Núñez, citou investimentos de 85 bilhões de pesos chilenos na melhoria da infraestrutura rodoviária entre Tocopilla e Calama, trecho considerado fundamental para o projeto.

Fonte: Poder 360

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Porto de Imbituba recebe licença ambiental para obras de ampliação do Cais 1

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, e a presidente do Instituto do Meio Ambiente do estado, Sheila Meirelles, entregaram na última quinta-feira (10) a Licença Ambiental de Instalação (LAI) para a obra de derrocagem (retirada de rochas submersas) e dragagem do início do Cais 1 do Porto de Imbituba.

O investimento de R$ 10,4 milhões será totalmente custeado pela SCPAR Porto de Imbituba, Autoridade Portuária, e está previsto para ser entregue até o fim deste ano. O objetivo é ampliar a área de acostagem e qualificar o local para alcançar 15 metros de profundidade, permitindo o recebimento de navios maiores. Em conjunto com a construção do dolfim de amarração na ponta do Berço 2, obra prevista para iniciar em breve, a Autoridade Portuária irá aumentar a linha de atracação entre os Cais 1 e 2, dos atuais 660 metros para 710 metros, permitindo o recebimento de até três navios simultâneos com maior frequência.

Para o diretor-presidente do Porto, Christiano Lopes, a ampliação do Cais 1 é parte fundamental do pacote de investimentos projetado para o aumento da competitividade e eficiência do Complexo Portuário de Imbituba nos próximos anos. “Nossos esforços atuais envolvem ações simultâneas em áreas como infraestrutura, acessos, otimização de espaços, automatização de processos e gestão comercial, visando expandir a capacidade operacional do Porto de forma estratégica e sustentável”, afirma o gestor.

A entrega da Licença Ambiental para a SCPAR ocorreu durante a 2ª edição do Programa Santa Catarina Levada a Sério, realizada na cidade de Tubarão. O evento contou com a apresentação do balanço de ações e investimentos do Estado de SC para as 18 cidades que compõem a região da Amurel (Associação dos Municípios da Região de Laguna). A LAI da obra de ampliação do Cais 1 foi recebida em mãos pelo presidente do Porto, em ato prestigiado pelo secretário estadual de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Beto Martins, e pelo prefeito de Imbituba, Michell Peninha, além da presença de demais autoridades.

Foto: Eduardo Valente/GovSC

Fonte: Portal AHora

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No acumulado do ano, até a 2° semana de abril, as exportações brasileiras ultrapassam US$ 90 bi

Também alcançam US$ 77 bi nas importações, com saldo positivo de US$ 13,2 bi e corrente de comércio de US$ 167,2 bi
a 2ª semana de abril de 2025, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,6 bilhão e corrente de comércio de US$ 12,2 bilhões, resultado de exportações no valor de US$ 6,9 bilhões e importações de US$ 5,3 bilhões. No mês, as exportações somam US$ 12,9 bilhões e as importações, US$ 9,7 bilhões, com saldo positivo de US$ 3,2 bilhões e corrente de comércio de US$ 22,5 bilhões.

Já no ano, as exportações totalizam US$ 90,2 bilhões e as importações, US$ 77 bilhões, com saldo positivo de US$ 13,2 bilhões e corrente de comércio de US$ 167,2 bilhões. Esses e outros resultados foram publicados nesta segunda-feira (14/4), pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

Balança Comercial Preliminar Parcial do Mês | 2ª Semana de abril/2025

Comparativo Mensal

Nas exportações, comparadas as médias até a 2ª semana de abril/2025 (US$ 1,429 bi) com a de abril/2024 (US$ 1,378 bi), houve crescimento de 3,7%. Em relação às importações, houve crescimento de 8,0% na comparação entre as médias diárias, até a 2ª semana de abril de 2025 (US$ 1,1 bi), com a do mês de abril/2024 (US$ 995 milhões).

Assim, a média diária da corrente de comércio totalizou US$ 2,5 bilhões e o saldo, também por média diária, foi de US$ 354,36 milhões. Comparando-se este período com a média de abril/2024, houve crescimento de 5,5% na corrente de comércio.

Exportações e Importações por Setor e Produtos

Nas exportações, o acumulado até a 2ª semana do mês de abril de 2025, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores pela média diária foi o seguinte: crescimento de US$ 30,52 milhões (8,3%) em Agropecuária, e de US$ 50,19 milhões (7,5%) em produtos da Indústria de Transformação; já na Indústria Extrativa houve queda de US$ 33,64 milhões (-9,9%).

Nas importações, o desempenho dos setores pela média diária foi o seguinte: crescimento de US$ 7,04 milhões (28,2%) em Agropecuária, e de US$ 75,29 milhões (8,5%) em produtos da Indústria de Transformação; na Indústria Extrativa houve queda de US$ 2,98 milhões (-4,1%).Categoria

Empresa, Indústria e Comércio
Fonte: Gov.BR
https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/noticias/2025/abril/no-acumulado-do-ano-ate-a-2deg-semana-de-abril-as-exportacoes-brasileiras-ultrapassam-us-90-bi

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Medidas para enfrentar o caos logístico no setor portuário

A revisão da Lei dos Portos (Lei nº 12.815/2013) e uma oferta recorde de novos arrendamentos podem contribuir para pôr fim ao caos logístico evidenciado em 2024 no setor portuário. Além de oito terminais licitados no ano passado, a previsão é que sejam leiloados mais 42 empreendimentos, somando R$ 22,86 bilhões de investimentos. Serão 16 arrendamentos e cinco concessões em 2025 (R$ 19,75 bilhões) e 20 arrendamentos e uma concessão em 2026 (R$ 3,1 bilhões).

“Tivemos um ano excepcional, com movimentação portuária atingindo 1,32 bilhão de toneladas, a maior da história, com alta de 1,18%. Estamos acelerando a carteira, em que 33% dos leilões são para atender ao agronegócio com grande parcela nos portos do Arco Norte, que já respondem por 25% das exportações. De terminais de contêineres, serão quatro arredamentos em vários portos e um grande TUP [terminal de uso privado] em Santos”, destaca Silvio Serafim Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos (MPor).

O mais aguardado é o Tecon Santos 10, quarto e maior terminal de contêineres do porto de Santos e da América do Sul, com capacidade de até 3,5 milhões de TEUs e investimentos de R$ 5,64 bilhões. A minuta de edital já passou por consulta e audiência públicas e, após incorporar as contribuições pertinentes, será encaminhada ao Tribunal de Contas da União (TCU). “A previsão é publicar o edital em 10 de setembro e realizar o leilão em 10 de dezembro. Será o maior leilão portuário do Brasil, que passará da 46ª para a 15ª posição em movimentação de contêineres”, diz Alex Ávila, secretário nacional de Portos.

Já a revisão da Lei nº 12.815/2013 visa destravar investimentos. A principal proposta é o PL nº 733/2025, que resultou de trabalhos de comissão de juristas. “O PL aproxima-se de conceitos da lei anterior de 1993 (Lei n° 8.630/1993), que modernizou o setor, com maior flexibilidade nos licenciamentos e nas relações laborais”, diz Mário Povia, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI).

Em 2024, a movimentação de contêineres cresceu 20%, somando 13,9 milhões de TEUs, e ficou claro que a infraestrutura portuária não está preparada para uma forte expansão econômica, como a alta de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB). A paralisação do porto de Itajaí e o fechamento de berços da Portonave, em Navegantes (SC), e da BTP, em Santos (SP), contribuíram para esgotar a capacidade de diversos terminais.

Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que, dos 5.663 embarques de contêineres programados em 2024, 3.219 tiveram atraso e 1.167 foram cancelados. Wagner Cardoso, superintendente de Infraestrutura da CNI, diz que, com a deficiência de infraestrutura e aumento da participação dos armadores nos terminais, as empresas usuárias têm sofrido com falta de espaço nos portos, omissão de embarque (cancelamento), rolagem de carga (transferência para outro navio em data diferente), supressão de escala (salto de um porto), sobre-estadias e cobranças indevidas.

Eduardo Heron Santos, diretor técnico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), explica que o navio atrasa por problemas nos terminais ou fatores externos, como a estiagem no Canal do Panamá e os ataques dos rebeldes houthis na Ásia. Os pátios dos terminais ficam cheios, e o exportador tem de colocar a carga numa retroárea. “Em 2024, a exportação de café cresceu 28%, para 50,5 milhões de sacas, mas ficou para trás 1,8 milhão de sacas em 5,3 mil contêineres parados, aguardando embarque. Pagamos R$ 51 milhões só em taxas adicionais de armazenagem”, lamenta Santos.

Roberto Teller, diretor de operações da Movecta, diz que os operadores logísticos dos portos secos tiveram alta extraordinária na demanda por armazenagem. Isso ocorreu devido ao esgotamento de terminais, como o da Santos Brasil, responsável por 15% do total movimentado em contêineres.

“O ano de 2024 foi desafiador na costa leste do continente, com as paralisações. Crescemos 27%, investimos R$ 700 milhões, ampliando a capacidade para 2,3 milhões de TEUs, mas usamos tudo, pois absorvemos cargas de Itajaí, BTP e Navegantes. Neste ano vamos investir mais R$ 700 milhões para atingir 2,6 milhões de TEUs e antecipamos para 2026 o aumento para 3 milhões de TEUs”, informa Antonio Carlos Sepúlveda, diretor-presidente da Santos Brasil.

Segundo a CNI, Paranaguá (PR) liderou o ranking de problemas, com 538 atrasos, 133 omissões e 46 cancelamentos de embarque. “O porto é prejudicado quando há alterações nas escalas”, justifica Gabriel Vieira, diretor de operações do Porto de Paranaguá.

Claudio Loureiro, diretor-executivo do Centronave, assegura que não há embate entre armadores e usuários, pois ambos entendem que são afetados pela deficiência de infraestrutura: faltam terminais e profundidade dos portos para receber navios maiores. “Os armadores têm uma perda anual de carga potencial de 500 mil TEUs, ou US$ 1 bilhão. Para o comércio exterior brasileiro, as perdas são de US$ 6,4 bilhões nas exportações e US$ 14,2 bilhões em importações”, alerta Loureiro.

Não falta apetite dos investidores, especialmente armadores. A APM Terminals, braço de terminais da Maersk, tem investido no Brasil em terminais de contêineres greenfield (novos) – Suape (PE), Itapoá (SC), BTP –, embora não descarte aquisições. “Investimos em aumento de capacidade, e a maior oportunidade é o Tecon Santos 10. Sem investimentos, o Brasil perde a oportunidade de atrair até 4 milhões de TEUs a mais de cargas do continente para portos concentradores no país”, diz Leonardo Levy, diretor de investimento da empresa para as Américas.

Para Patrício Jr, diretor de investimentos da Terminal Investment Limited (TIL) – braço de terminais da MSC –, os problemas são consequência da falta de planejamento. “O Tecon Santos 10 vai resolver os problemas atuais, mas só daqui a seis anos. Já deveríamos estar pensando no próximo terminal”, diz. Anderson Pomini, diretor-presidente da Autoridade Portuária de Santos, destaca que, além do Tecon Santos 10 e da ampliação dos acessos – Túnel Santos-Guarujá e dois viadutos –, com R$ 20 bilhões de investimentos, a APS já desenvolve uma nova poligonal com mais 13 milhões de metros quadrados. “Hoje temos 7,8 milhões de metros quadrados. Em abril, será publicada a nova poligonal, totalizando 20 milhões de metros quadrados. Com o crescimento de 20% ao ano, o Tecon Santos 10 e os novos acessos já chegam com atraso.”

Fonte: Valor Econômico

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Preço do café salta 77% em um ano na inflação de março, mostra IBGE


Produto acompanha a alta no preço dos alimentos, que seguem pressionando a inflação no Brasil

O preço do café moído saltou 77,8% nos últimos 12 meses até março, como mostrou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta sexta-feira (11).

Em 2025, a alta do produto soma 30,04%. Somente no mês de março, a variação foi de 8,14% nos preços.

A alta dos preços tem sido impulsionada principalmente por:

Questões climáticas | Queda da oferta mundial | Problemas com a safra no Vietnã

O café acompanha a alta no preço dos alimentos, que seguem pressionando a inflação no Brasil. O IPCA, que mede a inflação oficial, desacelerou a 0,56% em março, frente a alta de 1,31% em fevereiro. Ainda assim, este foi o maior IPCA para um mês de março desde 2003 (0,71%).

As altas temperaturas têm afetado a produção do café, cultura habituada a temperaturas médias. Tanto no Brasil quanto em outros países produtores de café, como o Vietnã, a produção foi afetada pela diminuição da oferta.

“O café é um dos produtos com maior resistência à baixa de preço, porque tem um grande problema de natureza ambiental que atinge a lavoura cafeeira. O café passou quatro anos sofrendo com geadas e secas, falta de água e, agora, o café também sofreu com quebras no exterior”, afirmou o ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, em entrevista à CNN.

A baixa produção, combinada com o aumento na demanda global e o fortalecimento do dólar, fez com que um maior volume fosse escoado para o mercado internacional, com menor disponibilidade para o mercado interno.

Apesar do cenário inflacionário, o consumo de café torrado e moído no Brasil cresceu 1,1% entre 2023 e 2024. Ao todo, foram 21,9 milhões de sacas de 60 quilos em 2024, equivalente a 40,4% da safra do ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

O Brasil é o segundo maior consumidor de café do mundo, atrás dos Estados Unidos em volumes absolutos, segundo a Abic, citando que o total consumido pelos norte-americanos superou o nacional em 4,1 milhões de sacas.

Fonte: CNN Brasil
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/preco-do-cafe-salta-77-em-um-ano-na-inflacao-de-marco-mostra-ibge/?utm_campaign=gecorrp__newsletter_fiesc_14042025&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

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Cabotagem para cargas fracionadas: Amalog apresenta inovação logística na Intermodal 2025 

A Amalog, referência em soluções logísticas integradas, e o RêConecta News anunciaram uma parceria estratégica para a Intermodal South América 2025, que acontecerá de 22 a 24 de abril no Distrito Anhembi, em São Paulo.  

Reconhecido como o principal evento do setor de logística na América do Sul, o evento será uma oportunidade para destacar a inovação e a eficiência operacional promovidas pelas empresas.  

Inovação e sustentabilidade 

Entre as principais soluções que serão apresentadas pela Amalog na Intermodal 2025 está a Cabotagem para cargas fracionadas. A cabotagem, que se refere ao transporte marítimo de cargas entre portos do mesmo país, desempenha um papel crucial para economia brasileira.  

O transporte fracionado, que sempre foi amplamente utilizado no modal rodoviário, surge como uma oportunidade para a cabotagem. O uso do modal marítimo para esse tipo de operação oferece uma alternativa viável para o transporte de mercadorias, facilitando o acesso a mercados em outras regiões do Brasil. 

Comprovadamente, a cabotagem é uma opção de transporte muito mais econômica, sustentável e segura em comparação com o transporte rodoviário, e resulta em significativa redução nos custos logísticos. Quando várias pequenas cargas são agrupadas em um único contêiner, isso reduz o custo por unidade transportada. 

Em um mundo em que, cada vez mais o olhar se volta para aas políticas ESG, ter uma opção de transporte que reduza as emissões de CO² no meio ambiente é sempre benvinda, explica Amilton Cassio, Diretor de Vendas da Amalog. “Nosso desafio foi tornar-se esse serviço tão ágil quanto o rodoviário, e hoje já oferecemos opções que atendem as regiões SUL e Sudeste para Manaus e em breve passaremos a atender também a região Nordeste.” 

Soluções com tecnologia e eficiência 

A Amalog nasceu com o propósito de transformar a logística por meio da tecnologia e da automação. Ao longo dos 7 anos de existência, a empresa expandiu sua atuação, investindo em soluções inovadoras e ampliando sua presença com filiais em pontos estratégicos do país. Com sede em Santos e armazéns em Itajaí (SC), Cachoerinha (RS), São José dos Pinhais (PR), Campinas (SP), Belo Horizonte (MG) e Manaus (AM), a AMALOG tem se destacado pela capacidade de integrar diferentes modais e simplificar processos, garantindo eficiência e redução de custos para seus clientes.  

Entre os principais diferenciais oferecidos pela empresa está a Plataforma Amalog de Serviços (PAS), que integra todos os envolvidos no processo de comércio exterior e logística, eliminando burocracias e permitindo a gestão em tempo real das operações.  

Inteligência Artificial 

Por ter se tornado recentemente uma empresa OTM, a Amalog enxergou na cabotagem, que era o momento de investir expressivamente e apresentar ao mercado ferramentas inovadoras, sendo pioneira em incluir em sua Plataforma agentes de inteligência artificial para facilitar toda a gestão, operacionalização e segurança da informação para seus clientes. São várias ferramentas criadas, através da IA que irão trazer produtividade e efetividade para a Empresa, podendo de fato oferecer um serviço para cabotagem com horários regulares e previsíveis, que é a carência e de suma importância para empresas que precisam planejar seu estoque e logística, tudo controlado pelo cliente em tempo real. 

A Plataforma que já possuía o monitoramento contínuo de documentos, foi pioneira no Brasil em gerar suas DTAS e apresentar os dossiês para Receita Federal, sem precisar sequer entrar no Siscomex Trânsito Aduaneiro ou Portal Único Siscomex, com gestão de previsão de carregamento, prazos de entrega e status de lotes e containers carregados, além de automatizar tarefas, oferecendo rastreamento contínuo de veículos, otimizando operações e garantindo mais segurança e controle. “Desde que entramos no mercado, unimos tecnologia e transporte para atender a uma necessidade real dos clientes. Nossa plataforma é hoje o nosso principal diferencial, pois permite que os clientes acompanhem suas mercadorias em tempo real, façam cotações de frete e tenham uma experiência logística mais eficiente”, afirma Shandres Jordani, Diretor Executivo da Amalog.  

De “alfinete à foguete” 

A Amalog buscou o registro de operador multimodal (OTM), que integram diferentes modais – rodoviário, marítimo e aéreo – para atender às necessidades específicas de cada cliente. “Nosso foco está na carga de menor tamanho, o LTL, fracionado para ser transportado posteriormente por cabotagem. Por isso, temos uma frase que resume bem o nosso trabalho: ‘transportamos de alfinete a foguete’. Literalmente todo tipo de mercadoria fracionada, com entregas em todo o Brasil em todos os tipos de modais”, completa Shandres Jordani. 

Ainda segundo Shandres Jordani, a cabotagem foi importante porque a empresa jpa contava com HUBs nas principais regiões como em Campinas, Itajaí, Canoas e estrategicamente em Manaus para atender os principais Portos, aeroportos e fronteiras do país.  

A parceria entre a Amalog e o ReConecta News na Intermodal 2025 reforça o compromisso de ambas as empresas em impulsionar o setor logístico brasileiro por meio de tecnologia e inovação. O evento reunirá mais de 500 marcas expositoras, conectando profissionais e empresas a soluções operacionais de ponta a ponta, garantindo novas oportunidades de negócios e fortalecendo ainda mais o setor.  

Venha conhecer tudo o que a Amalog tem a oferecer na Intermodal 2025!  

Te esperamos no estande G100.  

Saiba mais sobre a AMALOG: https://amalog.com.br/site/  

Faça sua inscrição: https://www.intermodal.com.br/pt/home.html 

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Avançando juntos: pelo segundo ano consecutivo Advanced Corretora de Câmbio estará com o RêConecta News na Intermodal

A RêConecta News tem o prazer de anunciar a presença da Advanced Corretora de Câmbio pelo segundo ano consecutivo na Intermodal South America 2025 – o maior e mais completo evento para os setores de logística, intralogística, tecnologia, transporte de cargas e comércio exterior da América Latina.

A presença da Advanced Corretora de Câmbio no estande G100, oferece uma oportunidade única para o público corporativo acessar soluções inovadoras e completas no mercado financeiro e de câmbio. “Participar da Intermodal em 2024 foi um marco para a Advanced. Conseguimos nos conectar com muitos clientes de todo o Brasil, além de recuperar clientes, encontrar clientes que há tempos não víamos e conquistar novas parcerias. Estamos muito ansiosos, acreditamos que esse ano será ainda melhor,”comenta Luana Groppi – Gerente Regional Advanced, em Itajaí (SC).

Com um portfólio de serviços de excelência, conectando organizações às melhores práticas e oportunidades no comércio internacional, a Advanced promete apresentar novidades ao mercado. “Estamos ampliando o nosso leque de produtos com a qualidade Advanced, então temos muita novidades para apresentar aos clientes da Intermodal”, revela Luana.

Trajetória de sucesso

Com uma trajetória consolidada desde 1999, a Advanced Corretora de Câmbio se destaca no mercado financeiro, oferecendo um portfólio de serviços amplamente especializado em câmbio comercial, câmbio turismo, remessas internacionais, investimentos no exterior e consultoria para regulamentações e obrigações junto ao Banco Central. A empresa se orgulha de proporcionar um atendimento personalizado e soluções eficazes que atendem tanto às necessidades de pessoas físicas quanto de empresas de diversos segmentos. “Essa é a nossa essência, temos o atendimento humanizado. Focamos na necessidade do cliente e entregamos o que ele realmente precisa,” fala Luana.

Com presença em oito estados brasileiros e uma filial nos Estados Unidos, a Advanced é reconhecida por sua atuação pautada na confiança, inovação e na constante melhoria de seus processos. Mais de 220 colaboradores qualificados e mais de 100 mil clientes atendidos são o reflexo da excelência e eficiência dos seus serviços. A empresa é especialista em analisar e antecipar as movimentações do mercado cambial e internacional, oferecendo soluções ajustadas às necessidades de cada cliente.

Diferenciais da Advanced Corretora de Câmbio:

Maximização de ganhos: Estratégias personalizadas que garantem os melhores resultados para os clientes, otimizando lucros.

Suporte completo: Consultoria especializada com operadores experientes para apoiar nas melhores decisões de câmbio e transações internacionais.

Acompanhamento ONLINE: Monitoramento contínuo do mercado para garantir as melhores taxas e condições para as operações de câmbio.

Além dos serviços de câmbio, a Advanced também se destaca em sua consultoria em negócios internacionais, ajudando empresas a cumprirem as exigências do Banco Central, realizar registros de capitais estrangeiros, investimentos no exterior, entre outras demandas internacionais.

Inovação e business intelingence

Recentemente a Advanced implantou um setor especializado em businees inteligente, uma nova forma de fazer negócios. Segundo Adilson Chaves, gerente de Inteligência, o objetivo é aprofundar o conhecimento sobre cada setor para potencializar as soluções oferecidas. “Através de dossiês detalhados, traçamos perfis estratégicos, identificamos gatilhos mentais e mapeamos as principais necessidades do mercado, orientando a equipe comercial com insights precisos. Esse trabalho envolve pesquisa, produção de conteúdo e entrega estruturada, para facilitar a compreensão”, explica. Em um mundo vasto e competitivo, essa abordagem se torna essencial para capitalizar todo o potencial da Advanced e fortalecer sua presença na inteligência de negócios no Brasil.

Venha conhecer tudo o que a Advanced tem a oferecer na Intermodal 2025! Te esperamos no estande G100.

Saiba mais sobre a ADVANCED: https://www.advancedcorretora.com.br/

Faça sua inscrição: https://www.intermodal.com.br/pt/home.html

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Deputado Mauro Benevides Filho afirma que governo está empenhado em solucionar greve da categoria

O presidente do Sindifisco Nacional, Auditor-Fiscal Dão Real, o 1º vice-presidente, Auditor-Fiscal Samuel Rebechi, e o diretor de Assuntos Parlamentares, Auditor-Fiscal Floriano de Sá Neto, reuniram-se, na tarde desta terça-feira (8), com o deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE), líder do PDT e vice-líder do governo na Câmara, para tratar da greve da categoria (assista ao vídeo acima).

Mauro Benevides Filho afirmou que tem como propósito a construção de uma solução para a greve e que os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Esther Dweck (MGI), o secretário-executivo da Fazenda, Dario Carnevalli Durigan, e o secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, estão envolvidos neste processo, em reuniões permanentes. “Eu mesmo estou empenhado para que essa construção aconteça. Tenho a certeza que essa solução vai ser encontrada”, afirmou.

Dão Real aproveitou a oportunidade para agradecer o empenho do parlamentar em defender o pleito dos Auditores-Fiscais no âmbito do governo.

FONTE: Sindifisco Nacional
Deputado Mauro Benevides Filho afirma que governo está empenhado em solucionar greve da categoria – Sindifisco Nacional

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A visão dos especialistas: desafios, oportunidades e o caminho para a AAPA LATAM PERU 2025

Em junho, o Congresso AAPA LATAM, evento emblemático do setor portuário latino-americano, será realizado em Lima, Peru.

Além dos destaques dos passeios por dois de seus principais centros de infraestrutura, o Porto de Callao e o novo Porto de Chancay, o evento também contará com uma incrível agenda de conferências, que abrange desde as mais globais até as mais específicas, sempre de interesse dos stakeholders do setor, que participarão do evento em grande número. Também contará com expositores de alto nível.

O programa da conferência abrange desde uma análise das perspectivas da economia global e seu impacto na demanda no setor marítimo e portuário; aos casos de sucesso em sustentabilidade e descarbonização nas operações portuárias, bem como aos desafios em automação e tecnologia, por meio da redefinição de portos globais e cases de expansão dessa área na América Latina; As perspectivas para os principais geradores de carga e alianças de transporte emergentes, e inovação e resiliência para terminais de contêineres e granéis, bem como os desafios enfrentados pela indústria de cruzeiros e cidades portuárias na era da integração logística.

Referências

Consultamos especificamente três figuras proeminentes que farão parte dos painéis do encontro. São eles: Juan Carlos Paz Cárdenas , Presidente do Conselho de Administração da Autoridade Portuária Nacional do Peru e membro do conselho de administração da AAPA LATAM; Dinesh Sharma , Diretor Executivo da Drewry, renomada consultoria global de transporte marítimo, e Carlos Urriola , especialista em portos e membro do Conselho de Administração da AAPA LATAM. Aqui eles discutem a importância da escolha do Peru como centro portuário e sede do Congresso; Os desafios e oportunidades que a América Latina enfrenta no atual contexto de incerteza geopolítica e comercial, e como isso afeta a indústria portuária e marítima na América Latina. Da mesma forma, como as alianças de transporte estão influenciando as cadeias logísticas e os portos.

Para Juan Carlos Paz, 2024 foi um ano importante para o desenvolvimento portuário no Peru. “A inauguração do Terminal Portuário Multipropósito de Chancay marcará um marco na conectividade com a Ásia, permitindo rotas diretas para Xangai em apenas 23 dias. Da mesma forma, o Píer Bicentenário de Callao, com 1.050 metros de comprimento e totalmente eletrificado, fortalece a capacidade operacional do porto mais importante do país. Isso se soma aos novos investimentos em Chancay e Callao, bem como em portos regionais, marítimos e fluviais ”, observa.

Ele acrescenta que esse crescimento fortaleceu a competitividade do Peru no comércio global, com exportações superiores a US$ 74 bilhões, dos quais US$ 12,7 bilhões correspondem às exportações agrícolas. “Nos posicionamos como líderes em produtos como mirtilos e uvas, e entre os principais exportadores de abacates e mangas. Além disso, somos o sétimo país em volume de trânsito pelo Canal do Panamá “, enfatiza.

Especificamente, ele diz que essas conquistas fizeram do Peru um ator-chave em logística e comércio internacional, tornando a escolha de Lima como sede do Congresso AAPA LATAM 2025 uma oportunidade estratégica para mostrar nosso crescimento e liderança no setor portuário.

Quanto a como os países latino-americanos podem se posicionar em uma realidade desafiadora, em termos de geopolítica e comércio global; Paz reconhece que a incerteza é uma constante na história econômica e geopolítica, e cada país deve definir estratégias claras para transformar desafios em oportunidades. Ele enfatiza que, nos últimos anos, o Peru fortaleceu sua integração comercial por meio de 23 Tratados de Livre Comércio (TLCs) com as principais economias do mundo, incluindo Estados Unidos, China e União Europeia. Da mesma forma, por meio de estratégias eficazes em comércio exterior, exportações agrícolas, mineração e desenvolvimento portuário, ele diz que o Peru conseguiu consolidar um caminho de crescimento sustentado. Apesar das incertezas globais, uma visão clara e políticas bem estruturadas nos permitem permanecer competitivos e continuar expandindo nossa presença em mercados internacionais.

“Nosso modelo portuário é referência na região, com investimentos de 18 países, entre eles Estados Unidos, Reino Unido, Brasil, Espanha, México, Holanda, Turquia, Emirados Árabes Unidos, China e Austrália. Nossa política de concessões tem sido bem-sucedida, com oito concessões já outorgadas, uma nona em processo de assinatura e a extensão de 30 anos da concessão do Terminal Portuário de Matarani”, explica.

Especificamente, em relação aos objetivos de otimizar tempos e reduzir custos, reduzir congestionamentos e poluição e criar um sistema portuário e de transporte mais amigável à população, ele enfatizou: “O fortalecimento do sistema portuário peruano requer uma abordagem abrangente que abrange infraestrutura, logística e conectividade com o interior. A Autoridade Portuária Nacional (APN), por meio do Plano Nacional de Desenvolvimento Portuário (PNDP), trabalha em estreita coordenação com o Ministério dos Transportes e Comunicações (MTC) e seu Plano Nacional de Serviços de Logística de Transporte e Infraestrutura até 2032.”

Ele também enfatizou que um dos principais objetivos é melhorar a conectividade entre o porto e a cidade por meio do desenvolvimento de infraestrutura rodoviária e ferroviária. “Foram planejados importantes corredores logísticos, como a ligação rodoviária entre Chancay e Callao, a ferrovia Eten-Cajamarca, a ferrovia San Juan de Marcona-Apurímac, a ferrovia Barranca-Lima (passando por Callao e Chancay) e a ferrovia Chancay-Pucallpa. Além disso, a legislação de cabotagem altamente flexível do Peru abre novas oportunidades para integrar portos regionais com os principais centros logísticos do país, facilitando o acesso aos mercados internacionais. Com essas iniciativas, estamos caminhando para um sistema portuário mais eficiente, sustentável e competitivo, alinhado às tendências globais de comércio e logística.”

Tendências e desafios

Por sua vez, Dinesh Sharma, da Drewry, destaca que a América Latina tem visto um forte crescimento no tráfego portuário nos últimos anos. “Comparado aos níveis de janeiro de 2019, esse crescimento foi de 30%. Além disso, a taxa média de crescimento de 12 meses atingiu 11,1% em dezembro passado, quase o dobro da média global de 6,1% ”, ele diz.

Falando especificamente no Peru, nos últimos dois anos, o tráfego nos portos mais importantes, como Callao, aumentou em até 25%, e em outros casos, como o Terminal Portuário de Paracas, esse percentual quadruplicou, explica. “Esse crescimento é reflexo principalmente dos investimentos em infraestrutura e equipamentos, que levam tanto ao aumento da capacidade quanto à melhoria da eficiência “, alerta.

Ele entende que, na América Latina, os investimentos em infraestrutura logística são desafiadores e extremamente importantes para responder ao crescimento da região. “Desafios tanto de uma perspectiva geográfica e demográfica, quanto para as receitas de exportação, especialmente de commodities e produtos perecíveis, onde os custos logísticos e a relação tempo/eficiência são componentes-chave da competitividade”, ele insiste.

Ela destaca a importância do Peru em termos de movimentação de contêineres. É importante lembrar que mais da metade dos 7 milhões de TEUs de capacidade adicional planejada para os próximos cinco anos ao longo da Costa Oeste da América Latina, do México ao Chile, estão no Peru. “Este país desempenha e desempenhará não apenas um papel importante e crescente como um centro para si mesmo, mas também como um centro para a região”, diz ele.

Em relação à incerta situação geopolítica e comercial global e como ela afeta o setor marítimo e portuário; ressalta que houve uma mudança fundamental. “De um mundo de relativa previsibilidade para um onde, primeiro, o risco geopolítico é alto e, segundo, a competição geopolítica é intensa. A política comercial está levando a um crescente campo de batalha competitivo. Isso também está levando a uma forte fragmentação entre esses concorrentes e blocos econômicos. O ambiente geopolítico atual apresenta dois riscos: alta volatilidade e, consequentemente, grande incerteza; mas, ao mesmo tempo, oportunidades para a América Latina. Para enfrentar esses desafios, a região é especialmente resiliente em exportações de commodities com exposição comercial a muitos países, onde a competitividade tem muito a ver com custos logísticos e eficiência”, explica .

A perspectiva atual para a região de Drewry é de 6 milhões de TEUs de capacidade de processamento adicionados nos próximos cinco anos. Dada a adição de capacidade planejada na região, a utilização provavelmente permanecerá inalterada durante esse período, diz Sharma.

“A história recente mostrou a incerteza global que levou a gargalos nas cadeias de suprimentos e, portanto, investimentos em infraestrutura logística para lidar melhor com essa volatilidade e incerteza serão essenciais. Outra consequência dessa intensa competição geopolítica serão as exportações em larga escala decorrentes do excesso de capacidade industrial. Uma oportunidade para a região pode ser participar mais das cadeias de suprimentos de valor por meio de maior integração na infraestrutura logística, trazendo competitividade de custos e eficiência para essas cadeias”, argumenta.

Mais particularmente como isso afeta portos e terminais; ressalta que eles estão operando em um ambiente altamente dinâmico. “A combinação de pico de demanda e interrupções na cadeia de suprimentos resulta em atrasos nas escalas de embarcações, deterioração da integridade do cronograma, altos volumes e falta de capacidade intermodal. Tudo isso é um desafio de teste para operadores de portos e terminais, que devem estar preparados para enfrentar esse ambiente altamente volátil. Vimos as consequências dessa situação por meio do impacto na produtividade operacional. A necessidade de encontrar maiores eficiências operacionais e de capacidade em toda a pegada do processo do terminal levará a um maior impulso em direção à digitalização e automação ”, explica ele.

Por fim, ele observa que os operadores de terminais de contêineres estão cada vez mais transferindo suas operações de um modelo de negócios tradicional, ou apenas dentro de certos limites, para se tornarem totalmente integrados às cadeias de suprimentos globais em resposta a um cenário altamente competitivo.

Oportunidades

Sobre a importância do Peru como anfitrião do encontro da AAPA LATAM, Carlos Urriola , diretor da AAPA LATAM e do grupo de terminais CARRIX, destaca que, desde os tempos coloniais, o Peru é um ponto importante para o comércio mundial. “Os investimentos nas expansões de Callao e Chancay confirmam seu papel como um hub marítimo para distribuição de cargas. Além da infraestrutura portuária, investimentos contínuos em estradas, ferrovias e parques logísticos são necessários para tornar o Peru um hub ainda mais bem-sucedido. A seleção de Lima para o Congresso da AAPA será uma excelente oportunidade para discutir projetos locais e regionais ”, acrescentou.

Sobre os desafios impostos pela incerteza geopolítica e comercial global para a América Latina, ele sustenta: “Devemos continuar aumentando o comércio entre os países da região e mantê-lo altamente competitivo em termos de custos e conectividade. Existem variáveis ​​que nossos países não podem controlar; mas devemos nos concentrar em manter e aumentar a eficiência de nossos sistemas para movimentar todos os tipos de carga de forma ‘verde’ “, argumenta.

Por fim, em relação ao impacto das grandes alianças de transporte de contêineres que dominam os mercados logístico e portuário, ele acredita que a maioria delas nasce e morre antes de sua data de expiração. Ele sustenta que dois fenômenos estão ocorrendo na região em relação a essa questão: “Por um lado, alianças estão experimentando redes de embarcações usando transbordo, e outras com serviços diretos. Essa é uma grande mudança na região. Por outro lado, as linhas de navegação estão operando múltiplos terminais portuários, e há muito poucos operadores portuários que não fazem parte das estruturas dessas linhas.”

Dessa forma, entende-se que os níveis de competição serão muito fortes, e os governos devem garantir uma concorrência justa entre todos os atores da cadeia logística.

Um encontro estratégico para toda a região

A AAPA LATAM 2025 será um espaço privilegiado para o diálogo regional, a análise estratégica e a troca de experiências entre os diversos stakeholders da cadeia logística e portuária.
De 24 a 27 de junho, Lima será o palco para novas ideias, projetos futuros e decisões importantes para construir uma indústria mais resiliente, eficiente e conectada.

FONTE: AAPA LATAM
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