Comércio, Comércio Exterior, Internacional, Notícias

BYD supera Tesla em lucro no 1º trimestre e acelera aposta em veículos premium

O lucro líquido da gigante chinesa no primeiro trimestre saltou para 9,15 bilhões de yuans (US$ 1,3 bilhão); no mesmo período, o da Tesla foi de US$ 409 milhões

O lucro líquido da BYD no primeiro trimestre saltou para 9,15 bilhões de yuans (US$ 1,3 bilhão), ultrapassando a Tesla em outra métrica importante e sinalizando um início de ano robusto para a marca de carros mais vendida da China.

O lucro líquido da BYD, sediada em Shenzhen, foi maior do que os 8,1 bilhões de yuans projetados pelos analistas.

Embora as vendas da montadora de 170,36 bilhões de yuans nos três meses encerrados em 31 de março tenham aumentado 36% em relação ao ano anterior, elas ficaram aquém das expectativas dos analistas.

A Tesla divulgou um lucro líquido de US$ 409 milhões para seu primeiro trimestre no início desta semana, muito abaixo do que o mercado estava esperando.

Ao considerar que os primeiros três meses do ano são geralmente os mais lentos para as montadoras chinesas, com o período contendo o longo feriado do Ano Novo Lunar, a BYD parece preparada para um 2025 forte.

Suas vendas de carros no trimestre foram de 1 milhão de unidades, o que coloca o gigante chinês no caminho certo para atingir vendas de 5,5 milhões no ano inteiro, incluindo 800.000 exportações.

Os analistas consultados pela Bloomberg News disseram que esperam pouco impacto sobre a BYD das tarifas automotivas do presidente dos EUA, Donald Trump, considerando que a empresa não vende carros de passageiros nos EUA e tem sólidas perspectivas de pedidos de áreas de alto crescimento, como a América do Sul e partes do Sudeste Asiático.

A empresa também está construindo uma fábrica de veículos elétricos na Hungria, que deve começar a produzir no final de 2025.

As montadoras chinesas, incluindo a BYD, estiveram na frente e no centro do salão do automóvel de Xangai desta semana, ao lado de rivais europeus como a Volkswagen e a BMW.

A BYD exibiu de forma proeminente sua investida em veículos premium que poderiam render margens mais robustas, desde seu veículo utilitário esportivo de luxo, o Yangwang U8L, até seu conceito da série Dynasty-D e seu carro esportivo Denza Z.

No início desta semana, a BYD dividiu suas ações em um movimento para atrair um número maior de investidores, seguindo empresas como a Nvidia e a Tesla.

A empresa distribuirá 8 ações de bônus para cada 10 ações detidas e emitirá 12 ações de capitalização das reservas para cada 10 ações emitidas. Isso pode permitir que a BYD “atenda a um grupo mais amplo de investidores”, escreveram os analistas do Morgan Stanley, liderados por Tim Hsiao, em uma nota.

A BYD divulgou seus números do primeiro trimestre acima do esperado em um relatório no início deste mês, dias depois de promover um novo sistema de bateria para veículos elétricos que pode carregar 400 quilômetros em apenas cinco minutos.

A nova tecnologia estará disponível no Han L e no veículo utilitário esportivo Tang L, que custarão a partir de 270.000 yuans e 280.000 yuans, respectivamente, e serão vendidos a partir deste mês.

O Tang L esteve no salão do automóvel de Xangai esta semana. O SUV de sete lugares e tração integral vem em três variantes, com o modelo topo de linha capaz de ir de 0 a 100 quilômetros por hora em apenas 3,9 segundos, quase o mesmo que um Porsche 911.

As ações da BYD negociadas em Hong Kong fecharam em alta de 1,7% na sexta-feira, elevando os ganhos do ano para quase 50%. Isso se soma a um aumento de 24% em 2024 e um aumento de 11% em 2023.

Fonte: Bloomberg Linea

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Economia, Internacional

Califórnia supera Japão e se torna 4ª maior economia do mundo

Estado alcança PIB de US$ 4,1 trilhões em 2024, mas governador Newsom alerta sobre ameaças das políticas tarifárias de Trump à economia local

Califórnia, nos Estados Unidos, ultrapassou o Japão e se tornou a quarta maior economia do mundo, afirmou o governador Gavin Newsom, alertando sobre a ameaça que as tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, representam para a crescente riqueza do polo tecnológico.

Produto Interno Bruto (PIB) nominal da Califórnia atingiu US$ 4,1 trilhões em 2024, de acordo com dados preliminares do Departamento de Análise Econômica dos EUA, superando o PIB nominal do Japão de US$ 4,02 trilhões no mesmo período, segundo registros do Fundo Monetário Internacional.

Isso significa que apenas os Estados Unidos, China e Alemanha têm economias maiores que a Califórnia, que superou os três países com um crescimento de 6% no ano passado, segundo o comunicado.

“A Califórnia não está apenas acompanhando o mundo — estamos ditando o ritmo”, disse Newsom em um comunicado à imprensa na quarta-feira. “Nossa economia está prosperando porque investimos nas pessoas, priorizamos a sustentabilidade e acreditamos no poder da inovação.”

Mas Newsom também alertou que o poder econômico do estado está sendo ameaçado pelas “políticas tarifárias imprudentes da atual administração federal”.

A Califórnia, o estado mais populoso dos Estados Unidos, com cerca de 40 milhões de pessoas, respondeu por 14% do PIB nacional em 2024, de acordo com dados do governo, impulsionada pelo Vale do Silício e seus setores imobiliário e financeiro.

Na semana passada, Newsom processou Trump pelo uso de poderes de emergência para decretar unilateralmente tarifas globais abrangentes, que segundo o governador prejudicaram famílias e empresas californianas.

O processo, apresentado no tribunal federal em 16 de abril, argumenta que Trump não tem autoridade para impor tarifas contra México, China e Canadá, ou uma tarifa base de 10% sobre importações do resto do mundo.

Estas tarifas, disse Newsom em um comunicado anunciando o processo, estão criando “danos imediatos e irreparáveis à Califórnia, o maior estado em economia, manufatura e agricultura do país”, pois “interromperam cadeias de suprimentos, inflacionaram custos” e “causaram bilhões em prejuízos” ao estado.

O processo argumenta que a invocação por Trump da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para decretar tarifas foi “ilegal e sem precedentes”, e que tal ação expansiva requer aprovação do Congresso.

Através da IEEPA, o Congresso em 1977 concedeu ao presidente ampla autoridade para impor sanções a países, controles de exportação, regular transações financeiras e congelar ativos estrangeiros sob declaração de emergência nacional, mas exige que o Executivo consulte e reporte ao Congresso ao exercer esses poderes.

A Califórnia realizou cerca de US$ 675 bilhões em comércio bilateral em 2024, e tem México, Canadá e China como seus três principais parceiros comerciais, segundo o estado.

Mais de 40% das importações californianas vieram desses países, representando US$ 203 bilhões de suas importações totais de mais de US$ 491 bilhões no ano passado.

Outros doze estados processaram a administração Trump na quarta-feira por “impor ilegalmente” aumentos de impostos aos americanos através de tarifas, em um processo que a Casa Branca chamou de “caça às bruxas”.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio, Internacional, Notícias, Portos

América do Sul tem 5 planos de integração regional


Rotas reduzem custos e conectam América do Sul ao Pacífico, ampliando o comércio com a Ásia por meio de portos em Chile, Peru e Equador

Em visita oficial ao Brasil, o presidente do Chile, Gabriel Boric (Frente Ampla), tem entre as prioridades a Rota Bioceânica de Capricórnio, que conectará o sul do Brasil ao norte chileno por meio de uma estrada de mais de 2.400 km. A iniciativa, que também atravessará o Paraguai e a Argentina, deve reduzir custos logísticos, ampliar o comércio regional e aproximar a América do Sul da Ásia. O projeto deve ser concluído em 2026.

Além desse trecho (Rota 4), os países do continente planejam mais outros 4 trajetos que visam a integrar o continente.

ROTA 1 – ILHA DAS GUIANAS

A Rota 1 tem como objetivo destravar a comercialização de alimentos e bens de consumo final produzidos no Brasil para os países do norte do continente e do Caribe. No sentido da importação, o trajeto servirá para o escoamento da compra de petróleo da Margem Equatorial e de energia elétrica da Venezuela.

ROTA 2 – AMAZÔNICA

A Rota 2 vai conectar a região amazônica aos países do oeste do continente com saída ao Oceano Pacífico. A expectativa é que o traçado fortaleça a venda de produtos da Zona Franca de Manaus para essas localidades.

O trecho também vai ligar a região Norte ao Porto de Chancay, no Peru. O terminal é o maior investimento chinês na América do Sul e deve intensificar as rotas comerciais do continente com o país asiático pelo Pacífico. O porto foi inaugurado em novembro de 2024.

ROTA 3 – QUADRANTE RONDON

Assim como a Rota Amazônica, a Quadrante Rondon também mira a saída pelo Pacífico através do Porto de Chancay, no Peru. Dessa vez, o escoamento para a costa oeste será da produção agrícola da região Centro-Oeste.

Destaque também para a intensificação do comércio com a Bolívia, em especial para compra de fertilizantes.

ROTA 4 – ROTA BIOCEÂNICA DE CAPRICÓRNIO

A Rota 4 também deve beneficiar a exportação da produção agrícola aos países vizinhos, além de máquinas e equipamentos. Assim como a Rota 3, a Bioceânica também mira o fortalecimento da demanda brasileira por fertilizantes.

A expectativa é que o corredor reduza em até 10 dias o tempo de transporte de cargas entre regiões do interior do Brasil e países como China, Coreia do Sul e Japão.

ROTA 5 – ROTA BIOCEÂNICA SUL

 A Rota 5 é o traçado mais ao sul e o único que integra o Uruguai. Destaque para a exportação e importação de insumos, alimentos, máquinas e equipamentos e bens de consumo final para Argentina, Uruguai e Chile, além do mercado asiático.

O Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) estima 190 obras para os corredores de integração, entre:

  • 40 hidrovias;
  • 35 aeroportos;
  • 21 portos;
  • 65 rodovias;
  • 15 infovias;
  • 9 ferrovias; e
  • 5 linhões de energia.

Segundo o governo federal, serão destinados US$ 10 bilhões para o projeto de integração, sendo

  • US$ 3 bilhões pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para uso exclusivo em obras no Brasil; e
  • US$ 7 bilhões por BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina) e Fonplata (Fundo Financeiro para Desenvolvimento da Bacia do Prata) para financiar projetos em todos os países envolvidos.

As obras já estão em andamento. A Rota 2 (Amazônica) será a 1ª a ser inaugurada, com previsão de ser entregue durante a COP30, em novembro. Todas as demais devem estar estruturadas até 2028.

Fonte: Poder 360

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Comércio, Economia, Importação, Internacional, Notícias

Governo Lula prepara resposta emergencial contra invasão de produtos chineses

Empresários brasileiros cobram cotas de importação e adoção de salvaguardas

Em meio ao temor de uma inundação de produtos chineses, com o Brasil como eventual vítima do fogo cruzado das tarifas do presidente americano, Donald Trump, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), estuda a adoção de mecanismos emergenciais de proteção comercial da indústria brasileira.

O órgão vem estudando opções desde o ano passado, no contexto da disparada das importações de produtos industriais da China, mas o Liberation Day, como foi apelidado o tarifaço de Trump, acelerou o processo.

A avaliação da indústria é que apenas as tradicionais e demoradas medidas antidumping – punições para quando os produtos importados chegam no mercado interno a preços mais baixos do que os praticados na origem – não darão conta de evitar estragos no curto prazo se a China redirecionar parte dos manufaturados dos EUA para o Brasil.

Em um cenário indefinido de guerra comercial, muitos setores vêm defendendo junto ao governo a adoção de medidas mais rápidas e amplas, como cotas de importação ou salvaguardas, que são ações temporárias (de duração de um ano) aplicadas a todos os países, e não apenas a casos individuais.

Camex estuda salvaguarda simplificada

Uma das opções em estudo na Camex é a adoção de uma espécie de salvaguarda simplificada, cujo processo seria muito menos burocrático e rápido do que todas as especificações necessárias para uma decisão de antidumping, por exemplo. A partir da conclusão dessa avaliação agilizada, seriam aplicadas medidas de proteção provisórias nos casos em que forem constatadas importações desleais.

O Mdic afirmou que “não fala de previsões” e que as “decisões são tomadas em colegiado”.

O movimento de intensificação do recurso a medidas de proteção comercial já vinha acontecendo nos últimos anos, na esteira do salto nas importações brasileiras de manufaturados.

“A indústria brasileira já vinha em um processo de ver o volume de importações, em especial da China, aumentando”, avalia Rene Medrado, sócio e especialista em comércio internacional e direito aduaneiro do escritório Pinheiro Neto. “Neste ano, em meio às incertezas das tarifas de Trump, poderemos alcançar um patamar recorde de pedidos”, completa ele, que é presidente do Instituto Brasileiro de Estudos de Concorrência, Consumo e Comércio Internacional (Ibrac).

Pedidos de medidas de proteção crescem

No ano passado, o Departamento de Defesa Comercial (Decom), do Mdic, recebeu 106 petições de adoção de medidas de proteção, aumento de 140% em relação a 2023, segundo os dados mais recentes da pasta. Em 2025, até agora, foram 17 petições, a maior parte de antidumping.

“Há dois anos há uma movimentação bem grande na defesa comercial brasileira, com destaque para 2024”, aponta Fernando Benjamim Bueno, sócio da área de comércio internacional da Demarest. “A principal causa foi o desvio comercial [quando países redirecionam seus produtos ao encontrarem barreiras comerciais]. O mundo se tornou mais protecionista, da União Europeia a países do próprio Sudeste Asiático”, resume.

Atualmente, o Decom possui 73 investigações em curso, 34 delas envolvendo a China. Os setores com maior número de investigações são metais (11 casos), têxteis (5 casos) e plásticos e químicos (4 casos cada). Hoje há 126 medidas em vigor, a maior parte contra produtos chineses, segundo o departamento.

Salto nas importações chinesas

O aumento no número de pedidos de investigação casa com a aceleração na taxa de crescimento das importações com origem na indústria de transformação, em especial da China. Em cinco anos, as compras de produtos industriais chineses saltaram 78%.

O movimento vem ganhando tração: entre janeiro e março deste ano, a alta no desembarque dos produtos chineses foi de 36% na comparação com mesmo período do ano passado. Em 2024, essa expansão havia sido de 29% ante 2023.

“Desde dezembro do ano passado, o mundo inteiro viu uma forte aceleração nos embarques da China, possivelmente em antecipação às mudanças tarifárias prometidas por Trump”, afirma o economista Livio Ribeiro, sócio da BRCG consultoria e pesquisador associado da FGV.

Incerteza sobre impactos do tarifaço

Na avaliação de Ribeiro, ainda não está claro o que acontecerá com o comércio mundial no segundo mandato de Trump.
“Será necessário para ver qual será o novo normal para discutir qual o reequilíbrio do fluxo comercial entre os países”, diz Ribeiro. “Isso posto, o fato é que vai sobrar produto. É difícil o mercado interno chinês absorver no curto prazo, e esse excedente vai vazar para outros países”, avalia.

José Augusto de Castro, presidente da Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB), tem uma avaliação distinta, e acredita que a China deve continuar ampliando as exportações de manufaturados ao Brasil em 2025, mas em menor escala.
“Isso porque a capacidade do Brasil de absorver produtos da China será menor, já que o país crescerá menos. Além disso a China quer agradar ao Brasil, já que precisa de grandes parceiros no mundo em momento de guerra comercial com os Estados Unidos”, afirma.

Fonte: O Tempo



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Economia, Internacional, Notícias

É difícil conter a ascensão da China

O país caminha para assumir a ponta da economia global em 2030.

O tarifaço de Donald Trump tem como objetivo explícito — e estúpido — eliminar os déficits comerciais dos Estados Unidos, que seriam consequência, segundo ele diz, do tratamento injusto imposto por parceiros. Seu propósito oculto parece ser o de conter a ascensão da China. Daí a recente proibição de exportar microprocessadores avançados da Nvidia para empresas chinesas.

Desde o Império Romano, países se sucedem na posição de maior economia. No século XV, quando os portugueses deram início à navegação de longo alcance, a China era a líder, representando um terço do PIB mundial. Os grandes descobrimentos mudaram o panorama e asseguraram à Espanha, no século XVII, a posição de maior economia.

No século seguinte, o XVIII, foi a vez de a Holanda ocupar esse posto, aproveitando-se da elevação dos fluxos comerciais decorrentes daqueles descobrimentos e das transformações derivadas do progresso científico e de realizações culturais. Amsterdã criara sua bolsa de valores em 1602, o que foi a base para se tornar o maior centro financeiro do planeta.

“Com sua capacidade de inovação, a nação tem tudo para evitar a armadilha da renda média”

No século XIX, o Reino Unido virou a nação número 1. Sua ascensão decorreu das transformações institucionais da Revolução Gloriosa (1688), que encerrou a monarquia absoluta e propiciou o ambiente de segurança jurídica e previsibilidade que, ao lado da anterior lei de patentes (1624), criou a onda de inovações que desaguaram na máquina a vapor, a grande fonte da Revolução Industrial.

Os Estados Unidos iniciaram sua trajetória rumo à hegemonia após a Guerra Civil (1861-1865). A Convenção da Filadélfia (1787) criara o ambiente institucional propício a um sistema de livre mercado. As ferrovias baratearam os custos de transporte e incorporaram partes remotas ao mercado nacional. O sistema foi reforçado com o clima de competição favorável à inovação. Os ganhos de produtividade derivados dessas transformações e da imigração completaram o quadro que conduziu o país, no alvorecer do século XX, à posição de líder da economia mundial, em que se mantém até agora.

A China caminha para assumir o posto. O gatilho da arrancada foram as reformas econômicas de Deng Xiaoping, iniciadas em 1978. Hoje, 80% da economia está sob comando do setor privado. O país tem tudo para evitar a armadilha da renda média, o que será possível por sua capacidade de inovação, produto em grande parte da qualidade de suas universidades e de estímulos governamentais. A China já é a líder em pesquisas em química e a segunda em ciências biológicas e de saúde. É a maior produtora de artigos científicos. Assombrou o mundo com a DeepSeek, o modelo de inteligência artificial que se mostrou superior a outros, como o Chat­GPT da americana OpenAI, e de menor custo de treinamento: 6 milhões de dólares diante de 100 milhões de dólares do concorrente.

A menos que ocorra uma catástrofe, parece difícil bloquear a ascensão da China à posição de maior economia mundial — o que se estima deva ser alcançado em 2030 — até ser substituída por outro país. Essa parece ser a marcha inevitável da história.

Fonte: Veja

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Economia, Internacional, Notícias, Tecnologia

Google retoma ferramenta de cotação do dólar 4 meses após erros e suspensão

O Google reativou nesta quinta-feira (24) sua ferramenta de cotação do dólar e outras moedas. O recurso havia sido suspenso em dezembro, após casos em que a plataforma mostrou o valor errado de negociação da moeda norte-americana.

Em nota, o Google afirmou que o recurso “está voltando a ficar disponível” depois de “ajustes significativos e salvaguardas adicionais, incluindo o bloqueio de atualizações de dados de conversão aos finais de semana e feriados e a exibição da fonte dos dados.”

“O Google está comprometido em oferecer informações precisas e confiáveis. Em dezembro do ano passado, removemos da Busca o nosso painel de conversão de moedas para o Real por conta de dificuldades com nosso provedor de dados terceirizado”, acrescentou a empresa.

Relembre o caso

A companhia suspendeu sua ferramenta de cotação do dólar no dia 26 de dezembro, após a plataforma apresentar, um dia antes, o valor errado da moeda.

O recurso do Google informou que o valor de negociação da moeda norte-americana estava em R$ 6,36 no dia 25 de dezembro, data em que os mercados ficaram fechados para negociação por conta do feriado do Natal.

Porém, a moeda havia encerrado a R$ 6,18 no último dia de negociações antes do feriado. Com isso, a ferramenta apresentou uma cotação R$ 0,18 mais alta em relação ao dado correto.

O erro levou a Advocacia-Geral da União (AGU) a pedir informações ao Banco Central do Brasil (BC) para que pudesse basear a apuração sobre as informações erradas.

Outros erros

Esse não tinha sido o primeiro registro de equívoco na plataforma. No início de novembro, o Google já havia mostrado o valor errado da moeda norte-americana em relação ao real, indicando que a divisa estaria em R$ 6,17 — quando, na verdade, havia encerrado em R$ 5,67.

À época, o Google afirmou ao g1 que os recursos de busca, como o de câmbio, são baseados em dados de terceiros. “Em caso de imprecisões, nós removemos as informações da busca e trabalhamos com o provedor dos dados para ajustá-las o mais breve possível”, disse.

Os erros ocorreram em um momento em que o dólar disparou e atingiu valores recordes.

O movimento foi consequência, principalmente, da insatisfação do mercado financeiro com o pacote de cortes de gastos detalhado em novembro pelo governo federal, além do anúncio da proposta do governo de isenção do Imposto de Renda (IR).

Diante da preocupação dos investidores com o quadro fiscal brasileiro, a moeda disparou e chegou a R$ 6,26 em 18 de dezembro, dias depois de alcançar pela primeira vez a marca de R$ 6.

Fonte: Diário do Brasil


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Comércio, Comércio Exterior, Economia, Internacional, Notícias

China retira sobretaxa de 125% sobre determinados produtos dos EUA

A China isentou algumas mercadorias dos Estados Unidos da sobretaxa de importação de 125%. A informação é da agência de notícias Reuters, que cita fontes do meio empresarial chinês. Segundo a Reuters, Pequim não anunciou oficialmente a lista de itens isentos, mas notificou individualmente a decisão a diversas empresas. O governo também solicitou que encaminhem uma relação dos produtos importados mais estratégicos para suas operações, a fim de avaliar a ampliação das isenções. As sugestões serão avaliadas por uma força-tarefa criada pelo ministério do Comércio.

Ainda de acordo com a agência de notícias, entre os artigos contemplados com a retirada das sobretaxas, estão medicamentos e peças e equipamentos para a indústria aérea. A Reuters lembra, ainda, que a medida se alinha a um comunicado emitido pelo governo chinês na sexta-feira 18 de que estava comprometido em manter a estabilidade econômica e apoiar as empresas e os trabalhadores mais afetados pela guerra tarifária travada com os Estados Unidos.

Trata-se do gesto mais claro até o momento de que Pequim pretende reduzir as tensões com Washington, após o tarifaço lançado pelo presidente Donald Trump no início do mês. A escalada protecionista culminou na imposição de uma tarifa mínima de 145% contra as importações de produtos chineses. Em alguns casos, contudo, a alíquota chega a 245%. A reação do presidente chinês, Xi Jinping, foi sobretaxar os americanos em 125%.

Em público, as duas maiores economias do mundo mantêm também uma guerra de versões com o objetivo de demonstrar força. Na quarta-feira 23, Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos estão negociando “ativamente” com a China uma solução que encerre a questão. “Todos querem participar do que estamos fazendo”, declarou.

O governo chinês, no entanto, negou que mantenha qualquer negociação. Segundo He Yadong, porta-voz do ministério de Relações Exteriores, “quaisquer alegações sobre o progressos nas negociações econômicas e comerciais entre China e Estados Unidos são rumores infundados e sem evidências factuais”.

Outro representante da chancelaria chinesa, Guo Jiakun, foi ainda mais contundente ao afirmar que os americanos devem “parar de extorquir” a China, se quiserem algum avanço. “Se os Estados Unidos realmente desejam resolver as questões tarifárias por meio de negociações, devem parar de extorquir e conduzir o diálogo com base em benefícios recíprocos.”

Fonte: Diário do Brasil


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Comércio Exterior, Internacional, Logística, Mercado Internacional

Trump diz que Brasil “ficou rico” cobrando tarifas dos EUA

Em entrevista à Time, presidente americano classificou a estratégia econômica dos EUA como um “tremendo sucesso”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Brasil e outros países “ficaram ricos” cobrando tarifas de importação sobre produtos americanos.

Em entrevista à revista Time, Trump foi questionado sobre as tarifas aplicadas pelo governo americano. O presidente afirmou que, caso as altas tarifas de importação permaneçam em vigor daqui a um ano, considerará isso uma vitória.

“Veja, foi isso que a China fez conosco. Eles nos cobram 100%. Se você olhar para a Índia, ela cobra entre 100% e 150%. Se você olhar para o Brasil, se olhar para muitos, muitos países, eles cobram – é assim que sobrevivem. É assim que ficaram ricos”, disse Trump.

O presidente americano classificou a estratégia econômica protecionista como “um tremendo sucesso”, afirmando que a produção industrial dos EUA está aumentando.

“Lembre-se disso: não há tarifas se eles fabricarem os produtos aqui. Isso é um sucesso tremendo. Você ainda não percebeu, mas o que está acontecendo é um enorme sucesso. Estamos arrecadando bilhões e bilhões de dólares — dinheiro que nunca tínhamos arrecadado antes”, disse Trump.

À Time, Trump também afirmou que diversos acordos comerciais já foram fechados após a imposição das tarifas e devem ser anunciados nas próximas semanas.

Questionado sobre quando os acordos seriam divulgados, o presidente evitou dar uma data específica, mas garantiu que os Estados Unidos estão “se dando bem” com todos.

“Fechei 200 acordos. Você precisa entender, estou lidando com todas as empresas, com países muito amigáveis. Estamos nos reunindo com a China. Estamos indo bem com todos. Mas, no fim das contas, fui eu quem fechou todos os acordos”, afirmou.

Fonte: CNN Brasil


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Internacional, Logística, Notícias, Sustentabilidade

OECD: por um sistema alimentar sustentável

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD) publicou um relatório importante sobre sustentabilidade nos sistemas alimentares globais.

O documento afirma que a logística —tanto física quanto digital— é um elo crítico e pouco desenvolvido na luta para reduzir as emissões.

Intitulado Improving the evidence base on the environmental sustainability of food systems, o relatório destaca que, sem rastreabilidade confiável, não é possível calcular com precisão a pegada de carbono dos alimentos. A interoperabilidade entre os atores da cadeia agroalimentar ainda é baixa, o que impede a tomada de decisões baseadas em evidências.

O transporte de insumos e produtos, o uso de fertilizantes, a origem da energia e o planejamento das rotas influenciam diretamente o impacto ambiental. No entanto, a atenção costuma ser direcionada ao produto final, ignorando os insumos. “A logística de entrada é tão determinante quanto a de saída”, alerta o relatório.

O documento também destaca plataformas digitais que permitem vincular produtores, distribuidores e varejistas com dados compartilhados. Exemplos da França e da Finlândia mostram ecossistemas digitais onde a sustentabilidade faz parte do processo logístico.

Nesse sentido, iniciativas como a DjustConnect facilitam que os produtores autorizem o uso de seus dados ambientais, garantindo a privacidade e evitando duplicações. Porém, a lacuna digital impede que muitos agricultores tenham acesso a essas ferramentas.

Democratizar o acesso à logística digital será um dos principais desafios. A proposta da OECD é que o dado não seja um privilégio, mas uma ferramenta comum.

A conclusão é clara: sem interoperabilidade de processos e dados, não se conseguirá um sistema alimentar sustentável. A logística deve ser eficiente, transparente e acessível a todos os atores da cadeia.

Fonte: Todo Logística News

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Internacional, Logística, Notícias

Congestionamento em Roterdão impacta a América Latina

O congestionamento no Porto de Roterdão está gerando efeitos significativos na cadeia logística de exportadores latino-americanos.

A informação foi divulgada pelo escritório de advocacia Araya & Cía, que relatou a ativação de apólices de seguro devido a perdas e danos de cargas.

Desde 9 de fevereiro de 2025, o principal porto de contêineres da União Europeia enfrenta complicações operacionais. A origem do problema é uma greve no terminal Hutchinson Port Delta II, motivada por disputas em torno do Acordo Coletivo de Trabalho.

A paralisação provocou fechamentos totais, redução no número de movimentações por hora e acúmulo de congestionamento. Embora as operações tenham retornado à plena capacidade em 12 de março, os tempos de espera continuam elevados. Em média, os navios aguardam sete dias para atracar — número que iguala o recorde histórico.

O impacto tem sido expressivo para exportadores de países como Chile, Peru, Colômbia e outros da região. “Muitos tiveram que acionar seus seguros e considerar medidas legais”, afirmou Miguel Segovia, chefe da área de Transportes e Seguros da Araya & Cía. Ele também ressaltou a importância de uma estratégia adequada, especialmente quando as coberturas são limitadas.

Em 2024, o volume total de cargas em Roterdão foi de 133,4 milhões de toneladas, um aumento de 2,5%. Além disso, foram movimentados 13,8 milhões de TEUs, com crescimento de 2,8%. Esse aumento agravou os efeitos da paralisação, reduzindo a capacidade do porto de lidar com interrupções.

Apesar de um acordo trabalhista provisório alcançado em março, a ratificação ainda depende de votação sindical. No primeiro trimestre de 2025, o porto registrou uma queda de 5,8% na movimentação de cargas: foram 103,7 milhões de toneladas, contra 110,1 milhões no mesmo período de 2024.

Fonte: Todo Logística News

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