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Greve completa 100 dias e Direção Nacional cobra atuação do ministro da Fazenda para resolução dos pleitos da categoria

Nesta quinta-feira (6), data em que a greve dos Auditores-Fiscais da Receita Federal completa 100 dias.

A Direção Nacional encaminhou ofício ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrando uma atuação efetiva junto ao governo federal para a construção de uma solução rápida que atenda às reivindicações da categoria (veja o documento aqui).

Em vídeo gravado na tarde desta quinta (6), o presidente do Sindifisco Nacional, Auditor-Fiscal Dão Real, afirma que a greve tem forte adesão da categoria, gerando impactos significativos. Ele ressalta que, ao contrário do que afirma o Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), é de conhecimento público que não houve negociação salarial no âmbito do acordo que regulamentou o bônus de eficiência.

“Não vamos e não podemos recuar. Nós estamos lutando uma luta justa. É urgente o envolvimento da Receita Federal e do Ministério da Fazenda para uma solução rápida para o pleito dos Auditores-Fiscais junto ao governo e ao MGI”, afirma Dão Real. O presidente do Sindifisco Nacional reforça que o reajuste do vencimento básico é uma pauta que interessa a toda categoria, ativos e aposentados. “Todas as nossas conquistas decorreram de luta. Nós somos uma carreira e uma categoria que sabe lutar e sabe pressionar o governo quando é necessário. E é isso que precisamos fazer agora”.

O sindicato também enviou ofício aos governadores solicitando que intercedam junto ao governo federal pelo imediato cumprimento dos acordos estabelecidos com os Auditores-Fiscais, para que sejam normalizadas as operações da Receita Federal, garantindo a sustentabilidade da arrecadação estadual e municipal.

Nesta sexta-feira (7), haverá uma agenda com o deputado Gilberto Nascimento (PSD-SP), na capital paulista, para tratar das demandas da categoria. E a partir da próxima semana, a Direção Nacional começará a se reunir com lideranças no Congresso para tratar exclusivamente da greve da categoria.

Fonte: Sindifisco Nacional
Greve completa 100 dias e Direção Nacional cobra atuação do ministro da Fazenda para resolução dos pleitos da categoria – Sindifisco Nacional

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O ESPECIALISTA: Patrícia Soares

É com grande prazer que inauguro este espaço do ReConectaNews, dedicado a compartilhar informações sobre o segmento Reefer. De forma breve, me apresento: sou profissional da área desde 2006, com mais de 19 anos de experiência.

Comecei minha trajetória no maior produtor de proteína do mundo, o Grupo JBS, e hoje represento a EmergentCold LatAm, a maior empresa de soluções logísticas com temperatura controlada para alimentos da América Latina. Com essa bagagem, acredito poder contribuir com insights sobre o setor, embora reconheça que, em um ambiente tão dinâmico como o nosso, sempre há algo novo para aprender. Então, vamos ao setor de logística brasileiro, com suas dimensões continentais e complexidade, que tem ganhado destaque pela crescente demanda por soluções especializadas em transporte e armazenamento de cargas refrigeradas – as chamadas cargas “reefer”. Isso inclui alimentos perecíveis, medicamentos e outros produtos sensíveis à temperatura, que precisam de cuidados logísticos para garantir sua qualidade e integridade ao longo de toda a cadeia. 

Nos últimos anos, o Brasil tem visto um aumento significativo na demanda por cargas reefer. Somos um dos maiores produtores agrícolas do mundo e exportamos grandes quantidades de alimentos para mercados internacionais. Carne bovina, frango, frutas, legumes e derivados lácteos estão entre os itens que exigem armazenagem e transporte com controle rigoroso de temperatura nesse processo de exportação. 

Nesse cenário, o Brasil se destaca por sua infraestrutura portuária, com o Complexo Portuário de Itajaí, por exemplo, liderando as operações com cargas reefer e ocupando a segunda posição em movimentação de contêineres no país. Esse protagonismo coloca o Brasil em uma posição competitiva no comércio global, mas também traz desafios. 

A infraestrutura retroportuária, rodoviária e de armazenagem necessita de mais investimentos para atender às necessidades do setor. Da mesma forma, a falta de tecnologias de monitoramento, como sistemas de rastreamento em tempo real de temperatura e umidade, pode comprometer a qualidade das mercadorias e, consequentemente, a competitividade do Brasil no mercado internacional. 

E é justamente por isso que há uma grande tendência global na qual pequenos e grandes players desse segmento buscam armazenar e transportar com empresas especializadas, proporcionando, assim, que eles foquem apenas em seu principal negócio com uma visão estratégica, terceirizando toda a cadeia logística como uma solução inteligente, econômica e eficiente. 

Outro ponto desafiador é a capacitação de profissionais qualificados, tanto para o manuseio das cargas quanto para a gestão logística. Motoristas, operadores de armazéns e o time de gestão logística precisam de conhecimentos específicos para garantir que as cargas sejam armazenadas e transportadas com a máxima eficiência e sem prejuízo à sua integridade. Mais uma vez, isso reforça a necessidade de investimentos das empresas especializadas para atender à exigente demanda, tanto em volumes quanto em nível de qualidade de serviço. 

Apesar desses desafios, o futuro do segmento é promissor. Novas tecnologias têm trazido melhorias no monitoramento e controle das condições de temperatura, e soluções baseadas em inteligência artificial e Big Data estão sendo cada vez mais utilizadas. A crescente demanda por alimentos frescos e saudáveis, tanto no Brasil quanto no exterior, impulsiona a evolução dessas soluções de armazenagem e transporte refrigerado, criando oportunidades de mercado para as empresas brasileiras. 

Nesse sentido, caro leitor do ReConectaNews, apesar de o segmento de cargas reefer no Brasil ter muitos desafios, ele também possui um enorme potencial, pois é um fornecedor estratégico no mercado global. O desenvolvimento contínuo da infraestrutura, a capacitação dos profissionais e o avanço tecnológico são fundamentais para que o Brasil se mantenha competitivo nesse setor essencial. As empresas que se adaptarem a essas necessidades estarão melhor posicionadas para aproveitar as oportunidades e atender com eficiência os importadores no exterior, parceiros comerciais ao redor do mundo, assim como os consumidores extremamente exigentes no mercado interno. 

 

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Porto seco entre SC e Argentina tem movimento recorde de caminhões

Movimento de caminhões cresceu 47,4% em 2024, com certo equilíbrio entre importações e exportações

Um dos fatos novos positivos da logística em Santa Catarina é o movimento recorde de caminhões no porto seco de Dionísio Cerqueira, na divisa entre Santa Catarina e a Argentina. Em 2024, passaram pelo terminal 23.014 de caminhões, 47,4% mais do que no ano anterior. A alfândega sob concessão da Multilog recebeu 12.744 veículos no regime de importação e 10.270 veículos no regime de exportação.

O que mais impactou essa expansão foi a exigência, do governo do Estado, de que 20% das cargas com incentivo fiscal catarinense que entram por terra têm que passar por Dionísio Cerqueira, divisa de SC com a Argentina.

Para o empresário do setor de comércio exterior, Marcelo Pibernat, dá uma média de mais de 60 caminhões por dia, o que é um bom começo para a nova alfândega de Dionísio Cerqueira.

Os 23 mil caminhões representam cerca de 6% do fluxo terrestre do Brasil e Argentina, observou o empresário em webinar da Federação das Indústrias de SC (Fiesc) há poucos dias. A expectativa é de que esse movimento cresça com as medidas mais liberais de negócios adotadas pelo novo governo da Argentina.

A qualidade dos serviços alfandegários da concessionária privada que assumiu em 7 de dezembro de 2023 o porto seco de Dionísio Cerqueira também influíram. No começo das operações foi necessária uma adaptação, mas agora o comércio flui melhor.

Pela divisa de SC com a Argentina pelo porto de Dionísio Cerqueira também passa uma parte dos turistas que visitam Santa Catarina por terra, com automóvel próprio.

A Multilog, que é um dos principais grupos de logística para portos secos Brasil, também registrou movimento crescente nos portos das divisas do Rio Grande do Sul com a Argentina em Uruguaiana, Jaguarão e Santana do Livramento; e com o Paraná em Foz do Iguaçu.

Em Jaguarão, foram 33.653 veículos, 1,2% mais do que no ano anterior. Em Foz do Iguaçu, foram 196.599 caminhões, 11,6% mais do que no ano anterior. Em Uruguaiana, o movimento de 2024 alcançou 134.511 caminhões, 2,6% mais; e Santana do Livramento chegaram 12.823 veículos, 13,2% mais do que no ano anterior.

FONTE: Portal tri
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Trump adia tarifas de importação sobre produtos do Canadá para abril

A decisão de Donald Trump ocorre após pressão de setores econômicos; tarifas de 25% foram adiadas até abril

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu nesta quinta-feira (6/3) adiar a imposição de tarifas sobre produtos importados do Canadá. A medida, que previa sobretaxas de 25%, poderia ter um impacto significativo nas relações comerciais entre os dois países. A decisão ocorre em um momento de crescente tensão econômica e comercial. Trump vinha justificando as tarifas como parte de uma estratégia protecionista para combater práticas que considera desleais no comércio exterior. No entanto, diante da forte reação do setor produtivo e da possibilidade de retaliações por parte do Canadá, a Casa Branca optou por postergar a implementação da medida até abril.


As tarifas prometidas por Trump

  • Na terça-feira (4/3), Trump anunciou que as tarifas seriam aplicadas aos produtos canadenses e mexicanos, além das importações da China, que também estavam na mira do governo republicano.
  • O presidente dos EUA tem usado tarifas como ferramenta de pressão contra seus parceiros comerciais, argumentando que Canadá e México não fazem o suficiente para conter a imigração ilegal e o tráfico de drogas para os EUA.
  • As tarifas sobre produtos canadenses e mexicanos foram fixadas em 25%, enquanto as da China dobraram para 20%. Em resposta, o governo chinês anunciou a aplicação de tarifas sobre determinados produtos norte-americanos.

Inicialmente, Trump havia sinalizado adiamento das tarifas somente ao México. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, chegou a agradecer o republicano por um telefonema “excelente e respeitoso”, e destacou que seu governo investirá na segurança e na imigração, após Washington reduzir as tarifas comerciais impostas ao país.

No caso do Canadá, no entanto, Trump demonstrou maior resistência. Na quarta-feira (5/3), o presidente norte-americano declarou não estar “convencido” de que o governo canadense, liderado pelo primeiro-ministro Justin Trudeau, tomou medidas eficazes para conter o fluxo de imigrantes ilegais e o tráfico de fentanil para os EUA. Apesar das críticas, Trump acabou recuando e anunciou o adiamento das tarifas.

FONTE: Metrópoles
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Para baratear alimentos, governo anuncia ações em parceria com setor privado

Iniciativas zeram impostos de importação de itens como café, azeite, óleo, milho, biscoitos, macarrão e carne

Após diversas reuniões com empresários, produtores, agricultores e integrantes do setor produtivo, o Governo Federal anunciou nesta quinta-feira, 6 de março, medidas para baratear os preços dos alimentos ao consumidor final. As ações zeram impostos de importação de itens considerados essenciais, como café, azeite, açúcar, milho, óleo de girassol, sardinha, biscoitos, macarrão e carnes.

O anúncio foi feito pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, após reunião comandada pelo presidente Lula com os ministros Carlos Fávaro (Agricultura), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), Rui Costa (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social) e Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, além do próprio Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

“São medidas para reduzir preços, para favorecer o cidadão e a cidadã, para que ele possa manter o seu poder de compra, possa ter a sua cesta básica com preço melhor. Isso também acaba estimulando o setor produtivo e o comércio. Todas elas são medidas, desde regulatórias até medidas tributárias, em que o governo está deixando de arrecadar, abrindo mão de imposto para favorecer a redução de preço”, ressaltou Alckmin.

AMPLIAÇÃO –Uma ação no plano regulatório envolve a extensão do Serviço de Inspeção Municipal (SIM). O intuito é possibilitar, pelo período de um ano, a comercialização em todo o território nacional dos produtos que já foram devidamente certificados no âmbito municipal. A medida alcança itens como leite fluido, mel e ovos.

“Vamos, por um ano, dar os efeitos do SIM para todo o território brasileiro. Então, aqueles produtos que já não correm nenhum risco de precarização sanitária – sem nenhum risco à qualidade dos alimentos – a gente vai dar esse efeito”, detalhou o ministro Carlos Fávaro, pontuando que o objetivo da medida é dar competitividade e oportunidade para os produtos da agricultura familiar brasileira.

FORMAÇÃO DE ESTOQUES –No Plano Safra, haverá estímulo à produção de itens da cesta básica e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai investir na formação de estoques reguladores. “Teremos um conjunto de produtos que serão subsidiados para oferecer para a sociedade brasileira, centrando na cesta básica. Além da cesta básica, vimos que tem alguns produtos da agricultura que podem ser insumos para a indústria e são importados. Eles também serão subsidiados”, afirmou Paulo Teixeira.

Medidas para baratear alimentos

Medidas regulatórias

  • Expansão do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI) dos atuais 1.500 municípios para 3.000, abrangendo a certificação de leite fluido, mel, ovos e outros produtos.
  • Previsão, no Plano Safra, de medidas de estímulo para produtos da cesta básica, bem como os óleos de canola e de girassol, que são culturas de inverno.
  • Formação de estoques reguladores pela Conab, após a queda dos preços.
  • Sensibilização dos governos estaduais para que, os que ainda não o fizeram, zerem o ICMS cobrado sobre os produtos da cesta básica.

Medidas de política comercial

1. Tarifas de importação zerada

  • Azeite: (hoje, 9%)
  • Milho: (hoje, 7,2%)
  • Óleo de girassol: (hoje, até 9%)
  • Sardinha: (hoje, 32%)
  • Biscoitos: (hoje, 16,2%)
  • Massas alimentícias (macarrão):(hoje, 14,4%)
  • Café: (hoje, 9%)
  • Carnes: (hoje, até 10,8%)
  • Açúcar: (hoje, até 14%)

2. Elevação da cota de importação do óleo de palma (de 60 para 150 mil toneladas).

Agricultura e Pecuária
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Cronograma de migração das importações para o Portal Único – Atualização Março/2025

A partir de 1º de abril de 2025, as importações realizadas pelo modal marítimo e sujeitas à anuência nos regimes de RECOF, Repetro e Admissão Temporária deverão, obrigatoriamente, ser processadas por meio da DUIMP.

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e a Secretaria Especial da Receita Federal (RFB) informam sobre o cronograma de obrigatoriedade de importações por meio do Portal Único de Comércio Exterior e a conclusão 2ª etapa do cronograma de adesão dos órgãos anuentes ao Novo Processo de Importação (NPI).

A partir de 1º de abril de 2025, as importações realizadas pelo modal marítimo e sujeitas à anuência nos regimes de RECOF, Repetro e Admissão Temporária deverão, obrigatoriamente, ser processadas por meio da DUIMP. O cronograma faseado da DUIMP e da obtenção da licença de importação via LPCO para esses regimes especiais será publicado em março de 2025.

Em complemento, informamos que todas as importações realizadas via modal marítimo e aéreo sob anuência da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT-Correios), da Agência Nacional de Mineração (ANM) e do Ministério da Defesa já podem ser processadas diretamente no Portal Único de Comércio Exterior, sendo facultado ao importador realizar essas operações por meio do Siscomex LI/DI.

O cronograma completo de adesão dos anuentes ao Portal Único pode ser acessado na seguinte notícia: https://www.gov.br/siscomex/pt-br/comunicados/cronograma-migracao-das-importacoes-para-o-portal-unico-primeiro-semestre-de-2025

A Secex e RFB reafirmam seu compromisso com a comunidade de comércio exterior a fim de que a migração das importações para o Portal Único de Comércio Exterior ocorra de maneira gradual e segura.

FONTE: SIXCOMEX
Cronograma de migração das importações para o Portal Único – Atualização Março/2025 — Siscomex

 

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Governo Lula avalia reduzir tarifa de importação do etanol para negociar com os EUA

Redução pode abrir caminho para negociações em meio à guerra comercial aberta por Trump, além de baratear os combustíveis no Brasil.

Pressionado pela ameaça de tarifas recíprocas prometidas por Donald Trump em sua campanha nos Estados Unidos, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia reduzir a alíquota de importação do etanol, que hoje está em 18%. A medida pode facilitar a entrada do biocombustível americano, produzido a partir do milho, no mercado brasileiro e servir como um trunfo nas negociações comerciais com Washington.

Segundo a CNN Brasil, a possibilidade de reduzir a tarifa para zero — ou para um valor próximo disso — vem sendo discutida dentro do governo como uma solução capaz de atingir dois objetivos simultaneamente. “Matar dois coelhos com uma só cajadada”, afirmou um integrante do governo ouvido pela reportagem. De um lado, a mudança poderia ser usada como moeda de troca com os EUA, em vez de uma concessão unilateral. De outro, a ampliação da oferta do etanol de milho poderia pressionar os preços no mercado interno, incluindo a gasolina, num momento de baixa popularidade do governo Lula devido à alta dos combustíveis e dos alimentos.

No entanto, a medida enfrenta resistência política, especialmente entre os usineiros. A discussão também ocorre em um contexto de mudanças estruturais no setor. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), a tarifa de importação foi zerada temporariamente para tentar conter a inflação dos combustíveis durante as eleições de 2022. O percentual voltou a 18% no início de 2023, já sob a gestão Lula.

Agora, a avaliação dentro do Planalto é que o setor sucroenergético está mais preparado para lidar com a concorrência. O Nordeste, onde o custo de produção é mais elevado, viu um crescimento significativo de novos empreendimentos nos últimos anos. No Piauí, por exemplo, grandes projetos voltados à produção de etanol a partir de cereais, como milho e sorgo, saíram do papel.

Além disso, o Brasil já discute elevar a mistura de etanol na gasolina de 27% para 30%. A mudança foi autorizada pela Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, e está em fase de testes pelas montadoras, que devem apresentar os resultados nos próximos meses. Se não forem identificados impactos negativos nos motores, a decisão pode ser implementada ainda no primeiro semestre. A elevação da mistura criaria uma demanda adicional de 1,2 bilhão a 1,4 bilhão de litros de etanol anidro por ano, o que ajudaria a amortecer os impactos da abertura do mercado ao produto americano.

A possível redução da tarifa do etanol surge no momento em que os Estados Unidos impõem novas barreiras comerciais ao Brasil. O governo Trump anunciou tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio, afetando diretamente as exportações brasileiras que somam quase US$ 3 bilhões anuais.

Na tentativa de resolver a questão, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, tem uma conversa marcada para esta quinta-feira (6) com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick. O MDIC enxerga na redução da tarifa do etanol uma oportunidade de negociação para aliviar as restrições ao aço e ao alumínio brasileiros.

Já no Ministério da Agricultura, a expectativa é de que a flexibilização da alíquota para o biocombustível americano possa garantir concessões na área agrícola. Entre as demandas prioritárias do Brasil estão a ampliação do acesso do açúcar brasileiro ao mercado americano — hoje limitado por cotas rigorosas — e a reabertura do mercado para limões, fechado há mais de duas décadas.

Nos bastidores do governo,segundo a reportagem, a avaliação é de que a tarifa do etanol pode ter peso significativo nas eleições americanas. O Corn Belt (Cinturão do Milho), principal região produtora de etanol nos Estados Unidos, é um reduto eleitoral de Trump. Cinco dos seis estados que formam essa região votaram no republicano nas últimas eleições: Iowa, Nebraska, Missouri, Indiana e Kansas. Apenas Illinois ficou com os democratas.

FONTES: Brasil247
Governo Lula avalia reduzir tarifa de importação do etanol para negociar com os EUA | Brasil 247
CNN Brasil
Brasil cogita baixar tarifa sobre etanol em negociação com Trump | CNN Brasil

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Chinesa investe R$ 2,84 bi e abre em março novo terminal em Santos

A gigante chinesa de comércio agrícola Cofco inicia a operação, no final de março, do que descreve como o maior porto dentro do porto de Santos.

O terminal consumiu R$ 1,64 bilhão em investimento direto e outro R$ 1,2 bilhão para a compra de 979 vagões e 23 locomotivas, segundo a empresa. É parte de um programa estratégico chinês proposto há três décadas e iniciado oficialmente em 2007, para inversões em agricultura pelo mundo –Agriculture Going Global, em inglês. Foi precursor da Iniciativa Cinturão, hoje mais conhecida.

Quando o porto estiver concluído integralmente, até o final deste ano, a Cofco projeta operar 14 milhões de toneladas anuais, sobretudo soja, milho e açúcar. Para 2025, deve ficar em 8 milhões de toneladas, 5,5 milhões de soja e milho, 2,5 milhões de açúcar. Será o maior terminal de exportação da Cofco International, que atua em 36 países, e “o maior porto em movimentação dinâmica de Santos”, segundo o CEO da empresa para o Brasil, Luiz Noto. Vai “concentrar as operações de todas as cargas da companhia”.

De acordo com o vice-presidente da Cofco International, Yunchao Wang, em entrevista no ano passado, é em Santos que se concentra sua atenção, não na alternativa recém-inaugurada do megaporto chinês de Chanqay, no Peru.

Questionado sobre os riscos geopolíticos recentes no Canal do Panamá, outra rota até a China, Noto respondeu que os navios do novo terminal santista vão passar pelo Cabo da Boa Esperança, na África.

O objetivo expresso do programa estratégico chinês, desde o princípio, é segurança alimentar, ou seja, garantir fontes estáveis de produtos agrícolas no exterior, dados os limites das terras aráveis na própria China.

Empresas encabeçadas pela Cofco investiram do Laos ao Uzbequistão e à Ucrânia, tanto em logística como em produção, pesquisa e desenvolvimento. No Brasil, registra Noto, a companhia vai de armazéns e indústria de esmagamento no Centro-Oeste a quatro usinas de açúcar no interior paulista.

Em Santos, a concessão do novo terminal de 98 mil metros quadrados foi obtida em licitação há três anos, para se estender por pelo menos um quarto de século. Outros investimentos projetados abrangem automatizar o transporte dentro do porto, inclusive trens, a exemplo do que acontece com os chineses e o peruano Chanqay.

Com o tempo, ele servirá a outras empresas do setor, não só à Cofco. De acordo com Noto, “o Brasil é fundamental nas operações globais da Cofco, um ‘hub’ agrícola essencial para o nosso negócio”.

Um estudo sobre segurança alimentar da Universidade Renmin, de Pequim, publicado em 2023, defendeu “encorajar” ainda mais a Cofco a participar diretamente do comércio de commodities agrícolas, inclusive mercado futuro –citando os efeitos negativos da Guerra na Ucrânia, com redução no fornecimento. Instalada no Brasil desde fevereiro de 2014, quando comprou o controle da holandesa Nidera, a Cofco International cresceu através de aquisições e acordos com produtores locais e agora dois terços de seus 11 mil funcionários estão no país. Até 2022, ela não aparecia na lista das mil maiores empresas brasileiras, do jornal Valor/Serasa/FGV. Em 2024, já era a 14ª.

Questionado sobre ações para subir ainda mais no ranking, Noto respondeu que “a busca por novos negócios está no DNA da companhia, sempre atenta às movimentações do mercado”, sem detalhar.

No país e pelo mundo, as maiores concorrentes da Cofco são as ‘traders’ americanas Cargill e Bunge. E a sua busca por diferenciação no mercado é ambiental, em linha com as prioridades de Pequim na última década. Por exemplo, segundo o CEO no Brasil, o investimento anunciado agora em ativos ferroviários “possibilita o crescimento da Cofco de forma sustentável, reforçando o compromisso de investir no agronegócio brasileiro atrelado à estratégia de reduzir emissões”.

A abertura do novo terminal terá como primeiro embarque, para a China, 1,5 milhões de toneladas de soja certificada como livre de desmatamento.

FONTE: Jornal Brasília
Chinesa investe R$ 2,84 bi e abre em março novo terminal em Santos | Jornal de Brasília

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Dólar cai pelo mundo no Carnaval, mas política pode frear queda no Brasil

Enquanto mercados globais repercutiam efeitos das taxas à maior economia do mundo, indicadores no Brasil estavam fechados pelo feriado estendido

O dólar caiu ante as principais moedas do mundo neste início de semana, refletindo o temor dos mercados com os efeitos das tarifas impostas por Donald Trump aos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos.

O DXY — índice que mede a força da divisa norte-americana ante uma cesta de moedas fortes — caiu cerca de 1,7% entre o fim da semana passada e esta terça-feira (4), indo para ao redor de 105.6 pontos, o menor patamar desde dezembro do ano passado.

Enquanto os mercados globais repercutiam os efeitos das taxas à maior economia do mundo, indicadores no Brasil estavam fechados pelo feriado estendido de Carnaval.

As operações financeiras retornam no início da tarde desta quarta-feira (5) e, apesar do mau humor internacional, o cenário doméstico deve frear o recuo da divisa norte-americana ante o real.

Alexandre Espírito Santo, economista e coordenador do curso de Economia e Finanças da ESPM, aponta o noticiário político como principal fator para que o Brasil não participe desta onda de enfraquecimento do dólar.

“A gente tem que entender que o dólar aqui dentro é, sim, influenciado pelo dólar no mercado internacional. Mas a gente tem nossos próprios problemas”, afirmou em entrevista ao CNN Money nesta terça-feira.

Como exemplo, o especialista apontou o efeito negativo no câmbio pela nomeação de Gleisi Hoffmann para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última sexta-feira (28).

“Precisa entender se dólar, aqui dentro, não será contaminado pela questão política”, ponderou o economista.

Espírito Santo também citou os recentes anúncios do governo petista em meio à queda da popularidade de Lula, como o programa Pé-de-Meia e a medida provisória (MP) que muda regras do saque-aniversário para destravar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

“Isso não ajuda o Banco Central a trazer em inflação para a meta, que é o trabalho que ele vem fazendo subindo juro”, pontuou o economista.

“Não adianta vir com um vetor para trazer a inflação para a meta, e o governo gastar”.

Ibovespa em NY recua

Bolsas ao redor do mundo recuaram nesta terça-feira, após os Estados Unidos iniciarem tarifas de 25% para importações do México e Canadá, além de taxas extras de 10% para produtos chineses, totalizando 20%.

Em Wall Street, o Dow Jones perdeu 1,55%, enquanto S&P 500 caiu 1,22% e Nasdaq recuou 0,35%.

Praças na Europa seguiram a mesma direção, com o Stoxx 600 — que concentra as principais companhias do continente — fechando com perda de 2,14%.

EWZ — principais fundo de índice (ETF) do Ibovesva em Wall Street — também encerrou no vermelho, com perda de 0,95%. Durante a sessão, o tombo chegou ao redor de 2%.

Para Celson Plácido, partner e CEO na AMW – Asset Management by Warren, as bolsas devem se manter pressionadas com a escalada das guerras comerciais entre os EUA e seus principais parceiros.

“Taxas de juros mais elevadas, lucros das empresas menores, maior despesa financeira, e, óbvio, a inflação corroendo a renda da população como um todo”, detalha sobre os impactos que as tarifas deverão ter no cenário global.

FONTE: CNN Brasil
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Receita Federal amplia atuação da Aduana no enfrentamento ao crime organizado

Em coletiva, órgão apresentou resultados que refletem medidas de proteção do mercado nacional, do consumidor e da segurança pública

A Receita Federal está se posicionando cada vez mais como um órgão atuante na segurança pública brasileira, adotando medidas de aduana para o enfrentamento ao crime organizado. Esse posicionamento vem tendo impacto sobre o número de apreensões de mercadorias que são fruto de contrabando e descaminho, como cigarros e outros artigos eletrônicos, além de combustíveis e drogas.

O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, disse que, quando se fala da Receita Federal, logo se pensa em Imposto de Renda e arrecadação de tributos, passando despercebido da população que a RFB abrange também a Aduana Brasileira.

“Se a função principal da Aduana é a facilitação do comércio internacional, ela naturalmente acaba trabalhando diretamente nisso, na proteção do mercado nacional, na proteção do consumidor brasileiro e na segurança pública, porque infelizmente é por meio de transações internacionais que o crime organizado, muitas vezes, se financia aqui no Brasil”, comentou o secretário, na quinta-feira (27/2), durante coletiva para apresentar o Balanço de Apreensões realizadas em 2024 e as principais medidas da Aduana no enfrentamento ao crime organizado.

Combustíveis e cigarros

O balanço mostra que, somente em 2024, um montante de R$ 5  bilhões em combustíveis retidos pela fiscalização entraram no mercado mediante ações judiciais. Para o subsecretário de Administração Aduaneira da RFB, Fabiano Coelho, os combustíveis ilustram bem a importância da articulação entre os órgãos públicos envolvidos nesses casos, porque existe uma forte pressão do segmento econômico para a utilização desses produtos.

“Todos nós utilizamos isso, todos os dias, e a indústria também. Então, é uma forte pressão para que haja a liberação, porque a cadeia logística precisa dar vazão, não só para o consumo, como não existe capacidade de consumo e armazenagem. Então, geralmente, as liberações judiciais são concedidas em função dessa urgência, dessa necessidade, sem análise do mérito”, afirmou. Ele salientou que o setor está sobrecarregado de irregularidades que precisam ser combatidas, não só pela Receita Federal, mas também por outros órgãos públicos com competência na área.

Já quanto à apreensão de mercadorias fruto do contrabando e descaminho, a Receita Federal registrou o montante de R$ 3,76 bilhões de reais, em 2024, com uma média superior a R$ 3,5 bilhões em volume de apreensões nos últimos anos.

O carro-chefe é o cigarro. Só o cigarro comum tem uma média, desde 2020, de R$ 1 bilhão anual em valor de mercado apreendido. A Receita nota a conexão desse crime com milícias privadas, que formam quadrilhas para tomar conta dessas rotas.

As apreensões de cigarros eletrônicos saltaram de R$ 61,8 milhões em 2023 para R$ R$ 179,4 milhões no ano passado, graças a ações para evitar a continuidade desse ilícito e a busca de integrações para a derrubada de sites, cassação da licenças e outras medidas que fortaleçam o combate ao contrabando desses itens.

Contrabando e tráfico

O secretário Barreirinhas contou ter acompanhado pessoalmente uma operação de repressão ao contrabando de cigarros eletrônicos, em São Paulo, com a notificação do responsável de que contrabando e descaminho é crime, inclusive com pena maior do que a de furto no Brasil. “No dia seguinte, eu passei no estabelecimento e estava tudo lá de volta. Por quê? Porque é uma sensação de impunidade”, lamentou.

Para evitar esse tipo de situação, a Receita publicou duas Instruções Normativas inovadoras. Uma delas prevê a suspensão cautelar dos CNPJs de estabelecimentos pegos com produtos contrabandeados. Outra proíbe o uso dos portos brasileiros para o trânsito de cigarros eletrônicos. Além disso, com a suspensão do CNPJs, o órgão vai informar aos municípios – que têm a competência em relação aos alvarás de funcionamento – para suspender a licença dos estabelecimentos.

Sobre artigos eletrônicos, em 2024, a Receita Federal registrou o montante de R$ 920 milhões em mercadorias apreendidas. De acordo com o coordenador-geral de Combate ao Contrabando e Descaminho, Raphael Eugênio de Souza, foi o melhor resultado do histórico de apreensões desses itens pelo órgão federal, inclusive, passando pela primeira o volume de cigarros, o que pode ser explicado pelo consumo maior de cigarros eletrônicos.

Nas operações contra o tráfico de drogas, no ano passado, a Receita Federal também bateu um recorde em quantidade de apreensões, chegando próximo a 70 toneladas, com leve alta em relação ao recorde anterior, que foi de 2020.

Maior repercussão penal

Segundo a Subsecretaria de Administração Aduaneira, além das medidas envolvendo o CNPJ de empresas envolvidas em contrabando, a alteração da Portaria 1750/2018 terá outros impactos na repercussão penal.

Um deles é fortalecer os elementos que compõem as representações mais relevantes, contribuindo ainda mais com a atuação do Ministério Público Federal (MPF). A ideia é que a fiscalização possa fornecer todos os elementos de prova para que o MPF ofereça denúncia de uma forma mais embasada.

Também será possível ampliar a efetividade, a partir da representação de crimes praticados em conjunto com o contrabando e descaminho. Nesse caso, se durante uma fiscalização se observar a prática de outros crimes, a alteração na lei permite fornecer esses elementos para o MPF oferecer a denúncia de uma forma mais completa. “A intenção agora é que todas essas informações já sejam enviadas desde o início da representação, o que vai acelerar e dar maior abrangência ao processo”, explicou o delegado da Alfândega de Guarulhos, Mário de Marco, durante a coletiva.

Por fim, a Receita busca melhorar a publicidade das informações, para que a sociedade acompanhe os crimes representados com mais precisão. “Vamos ampliar a transparência ativa. Hoje, a Receita Federal já divulga as representações criminais na internet, mas de uma maneira não tão fácil de ser acessada. Nós faremos uma listagem dos contrabandistas pegos pela Receita Federal e das representações feitas, detalhando o volume apreendido e os valores apreendidos, anunciou o secretário Robinson Barreirinhas.


Confira a coletiva da Receita Federal para apresentar o balanço das apreensões realizadas em 2024 e das medidas contra o crime organizado

FONTE: MF.gov
Receita Federal amplia atuação da Aduana no enfrentamento ao crime organizado — Ministério da Fazenda

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