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Gecex aprova medidas de defesa comercial e mudanças no imposto de importação

O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou, nesta quinta-feira (27), uma série de medidas envolvendo tarifas de importação, defesa comercial e política de comércio exterior. As decisões foram tomadas durante a 240ª reunião do colegiado.

Entre as deliberações está a prorrogação, por mais 60 dias, do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo. A extensão da cobrança terá início em 8 de setembro de 2026.

Gecex aprova novas medidas antidumping

Na área de defesa comercial, o Gecex determinou a aplicação definitiva de medidas antidumping sobre dois grupos de produtos importados.

As medidas atingem resinas PET provenientes da Malásia e do Vietnã, além de tubos de aço carbono originários da Ucrânia.

O comitê também aprovou uma medida antidumping provisória para fibras de vidro importadas da China e do Egito.

As decisões fazem parte dos mecanismos utilizados pelo governo para proteger a indústria nacional de práticas comerciais consideradas prejudiciais à concorrência.

Setor químico terá tarifa elevada por mais 12 meses

Outra decisão do Gecex foi a renovação, pelo período de 12 meses, da elevação tarifária aplicada a 28 produtos do setor químico.

Na maioria dos itens incluídos na medida, as alíquotas de importação permanecerão nos mesmos patamares atualmente em vigor.

553 produtos entram na lista de ex-tarifários

O colegiado também aprovou uma medida de redução tarifária com a inclusão de 553 novos itens na lista de ex-tarifários.

A relação contempla Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT). Para esses produtos, o mecanismo permite zerar o imposto de importação quando não há fabricação nacional de item similar.

A medida busca facilitar a aquisição de equipamentos e tecnologias no exterior, especialmente nos casos em que não existe produção equivalente no mercado brasileiro.

A íntegra das deliberações será disponibilizada em breve na página da Camex.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Indústria de celulose e papel do Brasil perde espaço e pede aumento de tarifas de importação

A indústria brasileira de celulose, papel e painéis de madeira perdeu participação no comércio exterior no primeiro semestre de 2026 e passou a defender medidas de proteção contra o avanço das importações. Entre janeiro e junho, as exportações do setor somaram US$ 7,5 bilhões, queda de 5,9% em relação ao mesmo período de 2025. Em sentido contrário, as importações de papel cresceram 30,5% no mercado brasileiro.

Os dados são da Indústria Brasileira de Árvores, entidade que reúne produtores de celulose, papel e painéis no país. A associação também informou que as vendas do setor para a América do Norte recuaram 22,9%.

Guerras e protecionismo afetam o comércio global

Para Paulo Hartung, presidente da Ibá, o desempenho do semestre reflete uma combinação de conflitos internacionais e do aumento do protecionismo comercial, fatores que vêm alterando as cadeias globais de fornecimento.

Segundo Hartung, parte do excedente produzido em outros países está sendo direcionada para a América Latina, incluindo o Brasil. A estratégia da indústria brasileira, afirma o executivo, é ampliar a presença em diferentes mercados e manter abertas as negociações comerciais para aumentar a participação do país no comércio mundial.

Exportações de celulose recuam

A celulose continuou sendo o principal produto exportado pelo setor. As vendas externas alcançaram US$ 5,2 bilhões no primeiro semestre, enquanto o volume embarcado caiu 10,5%, para 9,4 milhões de toneladas.

A produção, por sua vez, permaneceu praticamente estável, em 13,9 milhões de toneladas.

A China continuou como principal destino da celulose brasileira e respondeu por US$ 2,5 bilhões das exportações do setor no período, embora tenha reduzido suas compras em 2,2%. As vendas para a Europa recuaram 0,3%.

Na América do Norte, os exportadores brasileiros enfrentaram um cenário tarifário mais complexo. Entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, vigorou uma tarifa de 50% nos Estados Unidos, até que a Suprema Corte americana derrubou as cobranças. Desde então, passou a valer, provisoriamente, uma tarifa universal de 10%.

Papel ganha produção, mas enfrenta avanço das importações

As fábricas brasileiras elevaram a produção de papel em 2,4% no primeiro semestre, para 5,7 milhões de toneladas. As exportações do produto chegaram a US$ 1,2 bilhão, alta de 0,5% na comparação anual.

Apesar disso, o aumento das importações preocupa a indústria nacional. A Ibá apresentou, no fim de julho, um pedido à Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, para elevar a tarifa sobre o papel cortado, utilizado principalmente nos formatos A4 e A3.

A entidade quer que a alíquota passe de 16% para 30%, limite permitido pela Tarifa Externa Comum do Mercosul.

Segundo a associação, as importações desse tipo de papel cresceram 160% entre janeiro e maio. Ao mesmo tempo, o preço médio do produto importado caiu 14%, para US$ 0,77 por quilo.

Setor recorre ao protecionismo diante da pressão sobre preços

José Carlos da Fonseca Júnior, diretor internacional da Ibá, afirmou que a indústria brasileira historicamente não dependeu de medidas protecionistas e construiu sua presença internacional por meio da competitividade.

Agora, porém, o setor considera necessário recorrer às tarifas diante do avanço de produtos importados vendidos a preços considerados agressivos.

Fonseca Júnior também destacou uma mudança no fluxo comercial. Segundo ele, fibra brasileira exportada para a China pode retornar ao país na forma de papel acabado, comercializado por valores inferiores aos praticados pelos fabricantes nacionais.

Com a perda de acesso ao mercado americano, produtores europeus também passaram a buscar novos destinos para seus produtos.

O Brasil é atualmente o maior exportador mundial de celulose e ocupa a sexta posição entre os maiores produtores de papel para embalagens. No ano passado, as exportações do segmento ultrapassaram US$ 15 bilhões.

Ibá pede tarifa maior para papel-cartão

A associação também apresentou, em junho, outro pedido relacionado ao papel-cartão, utilizado em embalagens de produtos farmacêuticos, alimentos e itens de higiene.

A tarifa desse produto, estabelecida em 16% em 2024, tem validade até outubro. A Ibá havia solicitado uma alíquota de 25%, mas recebeu autorização para manter os 16%. Agora, a entidade quer elevar a proteção para 35%.

A pressão ocorre em um momento em que os Estados Unidos mantêm tarifas antidumping e compensatórias sobre determinados papéis produzidos na China e na Indonésia. Os produtos chineses também estão sujeitos a uma cobrança adicional de 25%.

A capacidade das fábricas brasileiras também é um fator relevante: atualmente, a indústria consegue produzir cerca de 143% do volume consumido pelo mercado interno.

Exportadores redirecionam cargas após tarifas dos EUA

Em 22 de julho, os Estados Unidos passaram a aplicar uma tarifa adicional de 25%, baseada na Seção 301, sobre produtos brasileiros. A medida foi adotada após uma investigação americana que citou, entre outros pontos, desmatamento ilegal e lavagem de madeira.

Alguns produtos de madeira tropical, madeira serrada, lâminas, compensados e a maior parte das classificações de celulose ficaram fora da cobrança.

Diante das novas barreiras comerciais, exportadores brasileiros vêm redirecionando cargas para outros mercados em vez de simplesmente reduzir os embarques.

No primeiro trimestre, por exemplo, o volume movimentado pelo terminal de contêineres de Paranaguá com destino ao México aumentou 33%. A madeira de pinus brasileira também passou a ser direcionada com maior intensidade para a Argentina.

Levantamento da plataforma WoodFlow, com base nos registros aduaneiros do Comex Stat, aponta queda nas exportações de dez das principais linhas de produtos de madeira do Brasil no primeiro semestre. As vendas para os Estados Unidos recuaram cerca de um terço.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pulsar Imagens via Alamy

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Importação de ureia pelo Brasil cai 25% entre janeiro e agosto, aponta StoneX

As importações brasileiras de ureia recuaram 25% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento da StoneX. As compras de nitrato de amônio também diminuíram, com queda de 33% no acumulado do ano.

O desempenho ocorre em meio às turbulências provocadas pelo conflito no Oriente Médio, que afetaram diretamente o mercado global de fertilizantes nitrogenados. A região reúne importantes produtores de ureia, o que aumentou a sensibilidade dos preços diante das incertezas sobre a oferta.

Preços da ureia chegaram a subir quase 70%

Desde o início do conflito, no fim de fevereiro, as cotações da ureia chegaram a acumular alta próxima de 70%. A disparada deteriorou as relações de troca para os produtores rurais e levou o indicador a alguns dos níveis menos favoráveis dos últimos anos.

Com a interrupção das negociações, entretanto, os preços do insumo retornaram para patamares semelhantes aos registrados antes do início da guerra. Para a StoneX, esse movimento reduziu o risco de produtores brasileiros enfrentarem dificuldades para absorver os custos dos fertilizantes nitrogenados.

Compras brasileiras ainda estão atrasadas

Apesar da melhora na relação entre os preços dos produtos agrícolas e dos fertilizantes, o ritmo de aquisição permanece abaixo do observado em anos anteriores.

Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o Brasil precisará acelerar as compras para recompor os estoques e alcançar novamente os volumes de nitrogenados importados no ano passado.

O cenário coloca o mercado brasileiro diante de um desafio adicional: equilibrar a necessidade de abastecimento com a possibilidade de novas oscilações nas cotações internacionais.

Demanda por ureia deve ganhar força com o milho

Com a aproximação do plantio da soja, o mercado de fertilizantes tende a direcionar gradualmente sua atenção para a safrinha de milho de 2027. A cultura exige volumes elevados de adubação nitrogenada, o que deve aumentar a procura por ureia.

No momento, os preços e as relações de troca são considerados favoráveis aos compradores. No entanto, a recuperação da demanda brasileira pode mudar esse cenário.

Caso as compras nacionais ganhem ritmo, existe a possibilidade de valorização da ureia no mercado internacional, especialmente se o aumento da demanda ocorrer em um ambiente de oferta mais restrita.

FONTE: Brasil Agro
TEXTO: Redação
IMAGEM: Canva/ Creative Commoms

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Índia deve registrar importação recorde de óleo de soja em agosto

A Índia deve importar um volume histórico de óleo de soja em agosto, impulsionada pela combinação de preços competitivos, aumento da demanda antes das festividades de fim de ano e dificuldades nos embarques de óleo de girassol provocadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

Estimativas de operadores do mercado indicam que as compras indianas de óleo de soja podem alcançar 620 mil toneladas em agosto, aproximadamente 46% acima da média mensal de 424.549 toneladas registrada na atual safra, iniciada em novembro.

A projeção foi feita por quatro operadores diretamente envolvidos nas negociações, que optaram por não revelar seus nomes devido às políticas de suas empresas.

Óleo de girassol perde espaço para soja

A interrupção de embarques no Mar Negro está alterando o perfil das importações indianas de óleos vegetais. Rússia e Ucrânia, que concentram grande parte das vendas de óleo de girassol destinadas à Índia, vêm enfrentando ataques contra estruturas portuárias e marítimas, afetando a capacidade de exportação.

Com isso, as importações indianas de óleo de girassol devem cair para cerca de 180 mil toneladas em agosto, o menor nível desde fevereiro de 2026. O volume representa uma redução de aproximadamente 28% em relação ao mês anterior.

Segundo um dos corretores consultados, cerca de 150 mil toneladas de óleo de girassol provenientes do Mar Negro, com embarques previstos para agosto e setembro, sofreram atrasos em razão do conflito.

Sandeep Bajoria, diretor-executivo da Sunvin Group, afirmou que o cenário tornou o óleo de soja mais competitivo para os compradores indianos.

A mudança é particularmente relevante no sul da Índia, região onde o óleo de girassol costuma ter forte preferência entre os consumidores. Diante das dificuldades de abastecimento, refinarias passaram a buscar alternativas no mercado de soja.

Mais portos recebem óleo de soja

A mudança na demanda também está alterando a logística de importação. Além dos portos de Kandla e JNPT, na costa oeste, os terminais de Krishnapatnam e Kakinada, no sul do país, passaram a receber carregamentos de óleo de soja.

A diversificação dos pontos de entrada acompanha o aumento das compras e ajuda as empresas a garantir o abastecimento em um momento de maior procura.

Preço favorece óleo de soja

Outro fator que contribui para o aumento das importações é a diferença de preços em relação ao óleo de palma.

O prêmio do óleo de soja sobre o óleo de palma caiu para aproximadamente US$ 50 por tonelada, ante mais de US$ 100 em abril. A redução tornou o produto mais atraente para os compradores indianos, que são particularmente sensíveis aos preços.

Enquanto isso, as cotações do óleo de palma subiram diante das preocupações com possíveis impactos de condições climáticas adversas sobre a produção e da decisão da Indonésia de ampliar o uso do produto na fabricação de biocombustíveis.

Um corretor de Nova Délhi estima que as importações indianas de óleo de soja podem superar novamente 600 mil toneladas em setembro. Segundo ele, o país já adquiriu quase 1,4 milhão de toneladas para embarque entre setembro e dezembro.

Índia amplia fornecedores de óleo de soja

Tradicionalmente, Argentina e Brasil respondem pela maior parte do óleo de soja comprado pela Índia. O cenário atual, porém, levou os importadores a ampliar a busca por fornecedores.

Além dos grandes exportadores sul-americanos, os compradores indianos estão contratando cargas provenientes de China, Egito, Tailândia e Turquia, inclusive para entregas de curto prazo.

A estratégia reflete a necessidade de garantir oferta diante das incertezas no mercado internacional de óleos vegetais.

Compras antecipadas ganham força

Os importadores também estão fechando negócios com vários meses de antecedência. Segundo um dos corretores, o custo de chegada do óleo de soja e do óleo de palma está praticamente nivelado para cargas programadas entre outubro e dezembro.

O óleo de girassol, por outro lado, está sendo negociado com um prêmio de quase US$ 200 por tonelada, o que reduz sua competitividade e aumenta o interesse pela soja.

A oferta abundante de óleo de soja também favorece a estratégia dos compradores. Ao mesmo tempo, existe preocupação com os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção indiana de oleaginosas, o que incentiva as empresas a anteciparem parte das necessidades futuras.

Mercado indiano acompanha preços e oferta global

A Índia é um dos principais compradores mundiais de óleos vegetais e depende fortemente do mercado externo para atender ao consumo doméstico.

Além do óleo de soja e do girassol, o país importa grandes volumes de óleo de palma, principalmente da Indonésia, Malásia e Tailândia.

Com os problemas logísticos no Mar Negro e as mudanças nas relações de preços entre os diferentes óleos, a soja ganhou espaço nas compras indianas. Se as projeções dos operadores se confirmarem, agosto marcará um novo recorde nas importações do produto pelo país.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Lucas Ninno Getty Images

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Nova atualização do cronograma de ligamento da DUIMP

O cronograma de ligamento da DUIMP foi atualizado para definir, de forma escalonada, a entrada de novas operações de importação no Portal Único Siscomex.

A programação contempla operações que ainda dependem da atuação de órgãos anuentes ou que apresentam características específicas ainda não disponíveis no sistema.

A figura abaixo detalha a última fase deste Cronograma, indicando as operações que anteriormente constavam como “Impossibilidades” no Portal Único Siscomex.

FONTE: Siscomex
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Brasil se torna o maior importador de carros chineses do mundo em 2026

O Brasil assumiu a liderança global nas compras de carros chineses, alcançando um marco inédito no mercado automotivo internacional. Entre janeiro e maio de 2026, o país importou US$ 5,2 bilhões em veículos fabricados na China, superando mercados tradicionais como Rússia (US$ 5 bilhões) e Bélgica (US$ 3,8 bilhões).

Os números refletem o crescimento acelerado da presença das montadoras chinesas no mercado brasileiro, impulsionado principalmente pela expansão dos veículos eletrificados, que incluem modelos elétricos e híbridos.

Importações de veículos chineses crescem quase 147% em um ano

O avanço brasileiro foi expressivo na comparação anual. No mesmo período de 2025, as importações de automóveis chineses totalizavam US$ 2,1 bilhões, colocando o Brasil apenas na sexta posição entre os maiores compradores da China.

Em apenas um ano, o valor importado registrou alta de 146,9%, consolidando o país como o principal destino das exportações automotivas chinesas.

Veículos eletrificados lideram a expansão

Os carros elétricos e híbridos foram os grandes responsáveis pelo crescimento das importações. Entre janeiro e maio, essa categoria movimentou US$ 4,5 bilhões, sendo que somente os meses de abril e maio responderam por US$ 2,7 bilhões.

Com esse desempenho, o Brasil também passou a ocupar o primeiro lugar entre os maiores compradores de veículos eletrificados produzidos na China, ultrapassando Bélgica e Reino Unido.

A evolução do mercado também aparece na composição das importações. Em 2021, os modelos eletrificados representavam cerca de 33% dos veículos chineses adquiridos pelo Brasil. Em 2025, essa participação alcançou 87%.

Compras superam importações brasileiras da França

Levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), mostra que as importações brasileiras de veículos chineses chegaram a US$ 5,35 bilhões no primeiro semestre de 2026.

O montante é superior ao total das importações brasileiras provenientes da França no período, que somaram US$ 2,6 bilhões.

Os híbridos plug-in responderam pela maior parcela das compras, movimentando US$ 2,79 bilhões. No total, os veículos eletrificados representaram aproximadamente 15% de tudo o que o Brasil importou da China no semestre.

Aumento das tarifas acelerou importações

Parte desse crescimento ocorreu antes da elevação das tarifas de importação sobre veículos chineses.

Segundo Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, muitas empresas anteciparam embarques para evitar o aumento das alíquotas, que passaram de faixas entre 25% e 30% para 35%.

Na avaliação do especialista, a tendência é de uma acomodação nas importações após a formação de estoques. Ainda assim, ele acredita que o interesse dos consumidores brasileiros pelos veículos chineses continuará elevado, especialmente entre as classes média e média alta, impulsionado pela popularização dos carros elétricos.

Mercado brasileiro de eletrificados mantém ritmo acelerado

Os dados do mercado interno reforçam essa transformação. Entre janeiro e junho de 2026, foram vendidos 215.023 veículos eletrificados leves no Brasil, crescimento de 125% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

No mesmo intervalo, o mercado automotivo como um todo avançou 19,4%, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Em junho, os veículos eletrificados já representavam 18% das vendas nacionais, quase o triplo da participação registrada um ano antes.

Os emplacamentos de carros elétricos cresceram 193% no primeiro semestre, enquanto os híbridos plug-in avançaram 90% e os híbridos convencionais registraram alta de 81%.

Estratégia da China impulsiona exportações

Especialistas apontam que o avanço das exportações chinesas também está relacionado à desaceleração do consumo interno da China.

Para Fabiana D’Atri, economista da Bradesco Asset Management (Bram), o mercado externo passou a desempenhar papel estratégico para manter o ritmo da indústria automotiva chinesa.

Enquanto a economia do país asiático apresentou crescimento abaixo das expectativas no segundo trimestre, as exportações aceleraram. Em junho, as vendas externas da China cresceram 27% na comparação anual, enquanto as exportações do setor automotivo avançaram 71,2%, alcançando 1,06 milhão de veículos.

Entre as montadoras, a BYD ampliou significativamente sua presença internacional, destinando cerca de 175 mil automóveis ao exterior no mês, volume 95% superior ao registrado um ano antes.

Segundo D’Atri, a boa aceitação dos veículos eletrificados chineses tende a consolidar uma mudança estrutural em mercados como o brasileiro, favorecendo a expansão contínua dessas marcas.

Montadoras chinesas ampliam produção no Brasil

Ao mesmo tempo em que as importações crescem, fabricantes chinesas aceleram investimentos na produção nacional.

Atualmente, pelo menos oito marcas já produzem ou anunciaram fábricas no Brasil, seja por meio de unidades próprias ou em parceria com empresas instaladas no país.

Mesmo assim, especialistas avaliam que a produção local não substituirá completamente as importações, já que a China possui mais de uma centena de fabricantes de veículos.

Desde julho, entrou em vigor a tarifa de importação de 35% para carros elétricos e híbridos. Paralelamente, o governo criou uma cota de US$ 463 milhões com isenção tarifária para veículos importados nos formatos SKD e CKD, medida que busca facilitar a instalação gradual das montadoras chinesas em território brasileiro.

Economistas avaliam que essa política faz parte da estratégia de incentivar a transição das fabricantes estrangeiras da importação para a produção nacional, fortalecendo a indústria automotiva instalada no país.

FONTE: Brazil Economy
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Economy

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Importações de calçados crescem e reduzem geração de empregos na indústria brasileira

O avanço das importações de calçados voltou a acender o alerta na indústria nacional. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), elaborados com base nas informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que o Brasil importou 25,9 milhões de pares no primeiro semestre deste ano, movimentando US$ 307 milhões. Os volumes representam crescimento de 15,9% em quantidade e de 13% em valor na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Somente em junho, as compras externas chegaram a 3 milhões de pares, com desembolso de US$ 48,1 milhões, altas de 1% em volume e 7,6% em receita frente ao mesmo mês de 2025.

Concorrência internacional afeta empregos no Brasil

Segundo o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, o aumento das importações ocorre em um momento delicado para a indústria brasileira, que também enfrenta retração nas exportações e maior concorrência de produtos estrangeiros.

De acordo com a entidade, parte dessa concorrência estaria relacionada a práticas consideradas desleais no comércio internacional. A associação afirma que já alertou o Governo Federal sobre os impactos da chamada importação predatória e estima que o setor deixou de gerar aproximadamente 7,8 mil empregos diretos apenas no primeiro semestre em razão do crescimento das compras externas.

Países asiáticos concentram maior parte das importações

A Ásia segue como principal fornecedora de calçados importados, respondendo por 87,2% de todos os pares adquiridos pelo Brasil no semestre.

A China lidera o ranking, com o envio de 9,7 milhões de pares ao mercado brasileiro, equivalentes a US$ 26,5 milhões. O volume cresceu 27,4%, enquanto o valor das importações aumentou 13,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Em junho, foram importados 408,4 mil pares chineses, totalizando US$ 4,14 milhões.

Na segunda posição aparece o Vietnã, que exportou 6,83 milhões de pares para o Brasil entre janeiro e junho, movimentando US$ 150,57 milhões. O crescimento foi de 5,2% em volume e 17,9% em receita. No mês de junho, o país asiático embarcou 1,23 milhão de pares, com faturamento de US$ 26 milhões.

A Indonésia completa a lista dos principais fornecedores. No acumulado do semestre, foram enviados 3,68 milhões de pares, somando US$ 69,24 milhões. Apesar da alta anual, os números de junho mostraram retração nas importações provenientes do país.

Além dos calçados prontos, o Brasil também ampliou as compras de componentes para calçados, como cabedais, solas, saltos e palmilhas. As importações desses itens alcançaram US$ 26,48 milhões no semestre, crescimento de 19,4%, tendo China, Vietnã e Paraguai como principais origens.

Exportações registram forte queda no semestre

Enquanto as importações avançaram, as exportações de calçados seguiram em trajetória oposta. Entre janeiro e junho, o Brasil embarcou 49 milhões de pares, que renderam US$ 408,2 milhões. Na comparação anual, houve queda de 7% no volume exportado e de 17,9% na receita.

Esse desempenho contribuiu para uma redução de 55,1% na balança comercial do setor calçadista, o pior resultado para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1997.

Em junho, as exportações somaram 8,1 milhões de pares e US$ 59,16 milhões. Apesar do aumento de 18,1% no volume embarcado, a receita caiu 15,7%.

Estados Unidos seguem como principal destino

Mesmo diante das dificuldades provocadas por tarifas de importação, os Estados Unidos permaneceram como o principal mercado para os calçados brasileiros.

No primeiro semestre, foram exportados 5,6 milhões de pares para o país, gerando US$ 85,25 milhões. Os resultados representam queda de 3,6% em volume e de 23,6% em faturamento em comparação ao mesmo período de 2025.

A Argentina ocupou a segunda posição entre os destinos, com 2,72 milhões de pares importados do Brasil. O mercado argentino, no entanto, apresentou forte retração, com recuos superiores a 57% tanto em quantidade quanto em receita.

Em sentido contrário, o Paraguai ajudou a reduzir parte das perdas. O país importou 4,18 milhões de pares brasileiros, registrando crescimento de 13,1% na receita, apesar da leve redução no volume embarcado.

Rio Grande do Sul lidera exportações brasileiras

Entre os estados exportadores, o Rio Grande do Sul manteve a liderança no primeiro semestre, com embarques de 17,65 milhões de pares, responsáveis por US$ 201,83 milhões em receita.

O Ceará aparece na segunda colocação, com exportações de 14 milhões de pares e faturamento de US$ 76,86 milhões, enquanto São Paulo ocupa a terceira posição, com 2,9 milhões de pares exportados e receita de US$ 41,83 milhões.

Embora esses estados permaneçam como os principais polos exportadores, todos registraram redução na receita obtida com as vendas externas ao longo do período.

FONTE: Abicalçados
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Abicalçados

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Importações de soja da China: compras dos EUA caem 21% e Brasil amplia participação

As importações de soja dos Estados Unidos pela China registraram queda de 20,6% em junho na comparação com o mesmo período do ano passado. Em contrapartida, os embarques do Brasil cresceram 13,7%, consolidando o país como principal fornecedor da commodity para o mercado chinês.

O desempenho reflete os efeitos prolongados das tensões comerciais entre Washington e Pequim, que influenciaram o ritmo das compras chinesas da safra norte-americana.

Tensões comerciais afetaram compras dos EUA

Segundo dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas da China, o país importou 1,27 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos em junho, volume inferior às 1,6 milhão de toneladas registradas no mesmo mês do ano anterior.

Durante o período de incertezas comerciais, compradores chineses adiaram aquisições da safra norte-americana até a realização de uma cúpula entre os líderes dos dois países, em outubro. Após o encontro, a China adquiriu cerca de 12 milhões de toneladas da commodity.

Mais recentemente, um novo encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, realizado em 14 e 15 de maio deste ano, abriu espaço para novas compras da safra norte-americana, mantendo o compromisso de Pequim de importar 25 milhões de toneladas de soja dos EUA por ano até 2028.

Brasil amplia exportações de soja para a China

Enquanto os embarques norte-americanos perderam força, o Brasil ampliou sua participação nas exportações de soja para o mercado chinês.

Em junho, as compras da soja brasileira chegaram a 12,08 milhões de toneladas, frente às 10,62 milhões registradas no mesmo período do ano anterior, um avanço de 13,7%.

O aumento foi impulsionado pela ampla oferta da safra brasileira e pela liberação de cargas que estavam retidas nos portos chineses.

Junho registra volume recorde de importações

O total de importações de soja pela China alcançou 13,55 milhões de toneladas em junho, o maior volume já registrado para o mês.

O resultado foi favorecido pelo elevado fluxo de embarques provenientes do Brasil e pela normalização do desembaraço de mercadorias nos portos do país asiático.

Acumulado do ano reforça liderança brasileira

Entre janeiro e junho, as importações chinesas de soja dos Estados Unidos somaram 9,31 milhões de toneladas, representando uma queda de 42,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No mesmo intervalo, os embarques brasileiros atingiram 34,75 milhões de toneladas, crescimento de 9,1%, reforçando a liderança do Brasil como principal fornecedor de soja para a China.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Importação

Importações batem recorde em junho após fim da taxa das blusinhas

As importações de pequenas encomendas registraram um novo recorde em junho, impulsionadas pelo fim da chamada taxa das blusinhas. De acordo com dados do Programa Remessa Conforme, da Receita Federal, as compras realizadas em sites internacionais somaram R$ 2,6 bilhões no mês.

O resultado representa o maior volume mensal desde que a Receita passou a divulgar a série histórica com dados mensais. O montante fica atrás apenas dos acumulados bimestrais de abril e maio de 2024, que alcançaram R$ 2,69 bilhões, e de junho e julho de 2024, quando o total chegou a R$ 3,13 bilhões.

Fim da taxa impulsionou crescimento das remessas

A chamada taxa das blusinhas entrou em vigor em agosto de 2024 e estabelecia a cobrança de 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50. Para produtos com valor entre US$ 50,01 e US$ 3 mil, a alíquota era de 60%.

A cobrança permaneceu em vigor até a primeira quinzena de maio deste ano, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que zerou o imposto para esse tipo de compra.

Os reflexos foram imediatos. Ainda em maio, o volume de remessas internacionais aumentou quase 30% em relação ao mês anterior. Em junho, o crescimento foi ainda maior, chegando a aproximadamente 37%.

Os números divulgados pela Receita Federal consideram exclusivamente as compras realizadas por meio do Programa Remessa Conforme.

Programa Remessa Conforme agiliza a liberação de encomendas

Criado para modernizar o controle das compras internacionais, o Remessa Conforme determina que os tributos sejam recolhidos no momento da aquisição do produto.

Com o pagamento antecipado dos impostos, a Receita Federal consegue realizar a conferência das encomendas antes da chegada ao país, reduzindo o tempo de processamento e tornando a entrega ao consumidor mais rápida.

Além do recolhimento antecipado dos tributos federais, o programa também prevê o pagamento dos impostos estaduais pelas empresas participantes.

Setor produtivo critica mudança nas regras

Embora a suspensão da taxa das blusinhas tenha sido bem recebida por consumidores, a decisão provocou reação de entidades representativas da indústria e do comércio nacional.

Organizações do setor privado divulgaram um manifesto defendendo que a medida provisória fosse devolvida pelo Congresso Nacional. Segundo as entidades, a isenção amplia a diferença de custos entre empresas instaladas no Brasil e plataformas internacionais.

No documento, as associações argumentam que companhias brasileiras precisam cumprir exigências tributárias, trabalhistas, ambientais e de defesa do consumidor, enquanto concorrentes estrangeiras operariam com uma estrutura de custos mais reduzida.

As entidades afirmam que a busca por isonomia tributária significa garantir que todos os agentes econômicos estejam sujeitos às mesmas regras fiscais. O manifesto resume esse posicionamento com a frase: “Se baixar para estrangeiro, tem que baixar para brasileiro”.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também manifestou preocupação, avaliando que a retirada da cobrança pode aumentar a concorrência com empresas estrangeiras e impactar a geração de empregos e a competitividade da indústria nacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Importação

Fim da taxa das blusinhas impulsiona importações em 85% e amplia pressão sobre varejo nacional

As importações internacionais realizadas por meio do Remessa Conforme registraram crescimento de 85% em apenas dois meses após o fim da chamada taxa das blusinhas, extinta em maio de 2026. Os dados são da Receita Federal e apontam um avanço significativo nas compras de produtos do exterior.

De acordo com um relatório do Citi, obtido pelo Valor Econômico, esse aumento pode gerar impactos negativos para empresas brasileiras do setor de vestuário listadas na bolsa de valores. A avaliação é de que a ampliação das compras em plataformas estrangeiras intensifica a disputa por preços e reduz a competitividade das redes nacionais.

Mudança nas regras de tributação favoreceu compras internacionais

A alteração ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 1.357/2026, que eliminou a cobrança de 20% sobre encomendas internacionais de até US$ 50. O Congresso Nacional prorrogou a validade da medida provisória até setembro.

Para compras com valores entre US$ 50 e US$ 3.000, permanece a alíquota de 60%, com desconto fixo de US$ 30 no cálculo do imposto. As novas regras passaram a valer em 13 de maio de 2026.

Volume de importações cresce mês a mês

Os números da Receita Federal mostram uma expansão acelerada das operações pelo Remessa Conforme.

Até abril, o valor acumulado das importações era de R$ 1,4 bilhão. Em maio, esse montante avançou para R$ 1,9 bilhão. Já no encerramento de junho, o total alcançou R$ 2,6 bilhões, representando um crescimento de 36% em comparação com o mês anterior.

Concorrência com plataformas estrangeiras preocupa o mercado

Na avaliação do Citi, o cenário repete um comportamento observado em períodos anteriores, quando empresas internacionais, como a Shein, ampliaram sua presença no mercado brasileiro beneficiadas por condições tributárias mais favoráveis.

Segundo o banco, esse movimento tende a aumentar a concorrência baseada em preços, afetando principalmente as grandes redes de varejo de moda no Brasil.

Entre as empresas consideradas mais expostas ao novo cenário estão Renner, C&A e Marisa, que podem enfrentar maior pressão competitiva diante do avanço das plataformas internacionais.

Ações já refletem parte dos riscos, avalia Citi

Apesar das preocupações, o Citi destaca que parte desse risco já estaria incorporada aos preços das ações das varejistas.

Atualmente, a Renner é negociada em torno de oito vezes a relação entre o preço da ação e o lucro projetado para 2027. Já a C&A apresenta múltiplo próximo de seis vezes o mesmo indicador, sugerindo que o mercado já precificou parte dos desafios esperados para o setor.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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