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China zera tarifas de importação para 53 países africanos a partir de 2026

A China anunciou que vai eliminar as tarifas de importação para produtos provenientes de 53 países da África com os quais mantém relações diplomáticas. A medida passa a valer em 1º de maio de 2026 e integra a estratégia de fortalecimento das relações comerciais sino-africanas.

A informação foi divulgada pela emissora estatal China Central Television (CCTV).

Medida amplia acesso ao mercado chinês

Com a adoção da tarifa zero, exportadores africanos terão acesso facilitado ao vasto mercado chinês, considerado um dos maiores do mundo. A iniciativa faz parte de uma política mais ampla de estímulo ao comércio exterior e à cooperação econômica entre a China e o continente africano.

De acordo com a reportagem, o governo chinês também pretende avançar na negociação e assinatura de novos acordos de parceria econômica conjunta, ampliando a integração comercial.

Canal verde deve acelerar exportações africanas

Outro ponto destacado é a expansão de mecanismos que facilitem o fluxo de mercadorias, como o chamado “canal verde”, sistema que agiliza a liberação de produtos africanos no território chinês.

A expectativa é que a combinação de isenção tarifária, novos acordos comerciais e processos aduaneiros mais rápidos impulsione as exportações africanas e fortaleça os laços econômicos bilaterais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:Adek Berry-Pool/Getty Images

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Importação

Camex zera tarifa de importação para mais de 1.000 produtos e amplia ex-tarifários

O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) decidiu zerar a tarifa de importação para mais de 1.000 itens, além de aprovar novas ações de defesa comercial.

A medida envolve principalmente a concessão de ex-tarifários, instrumento que permite a redução temporária do Imposto de Importação para produtos sem fabricação equivalente no Brasil.

Mais de 1.000 ex-tarifários aprovados

Ao todo, foram concedidos 1.059 ex-tarifários. Desse volume:

  • 421 contemplam bens de capital e itens de informática;
  • 638 são destinados ao segmento de autopeças.

Segundo o colegiado, a iniciativa tem como foco estimular investimentos produtivos, reduzir custos industriais e facilitar a entrada de máquinas, equipamentos e componentes que não possuem similar nacional.

Insumos para indústria e agro também têm alíquota zerada

Além dos ex-tarifários, o Gecex aprovou a redução a zero da alíquota para:

  • 20 insumos industriais e agropecuários;
  • 2 produtos finais.

A desoneração atinge setores estratégicos como saúde, energia, eletrodomésticos, automotivo e alimentação animal, entre outros. A expectativa é que a medida contribua para maior competitividade e redução de custos ao longo das cadeias produtivas.

Gecex aplica medidas antidumping contra produtos chineses

Na mesma reunião, o comitê também autorizou a aplicação de três direitos antidumping com o objetivo de resguardar a indústria brasileira de práticas consideradas desleais no comércio internacional.

No segmento de dispositivos médicos, foi estabelecida a cobrança de direito antidumping por cinco anos sobre agulhas hipodérmicas originárias da China.

Já no setor siderúrgico, foram aprovadas medidas contra laminados planos a frio e laminados planos revestidos também provenientes do mercado chinês.

As ações buscam neutralizar impactos provocados por importações realizadas a preços abaixo do valor praticado no mercado, prática que pode gerar prejuízos à produção nacional.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Importação

Déficit industrial do Brasil atinge recorde histórico com alta das importações em 2025

A indústria de transformação brasileira ampliou suas exportações em 3,8% em 2025, mesmo diante da elevação das tarifas impostas pelos Estados Unidos. No entanto, o avanço das importações de bens industriais, que cresceram 8,6% no mesmo período, provocou um forte desequilíbrio na balança do setor.

O resultado foi um déficit industrial de US$ 71,1 bilhões — o maior desde o início da série histórica, em 1997. O número contrasta com o desempenho da balança comercial brasileira como um todo, que encerrou o ano passado com superávit de US$ 68,3 bilhões.

Os dados foram divulgados pelo Institute for Industrial Development Studies (IEDI).

Plataformas de petróleo e impacto no saldo comercial

Importações extraordinárias de plataformas de petróleo contribuíram para o agravamento do resultado, gerando um déficit de US$ 5,3 bilhões em 2025. Ainda assim, mesmo desconsiderando esse efeito ao longo da série histórica, o saldo negativo do setor permanece como o maior já registrado — ainda que mais próximo dos déficits observados em 2013 (US$ 64,8 bilhões) e 2014 (US$ 63,6 bilhões).

Segundo Rafael Cagnin, economista-chefe do IEDI, o desempenho foi fortemente influenciado pelo aumento do rombo nas indústrias de alta tecnologia e pela menor contribuição dos segmentos de média-baixa tecnologia, tradicionalmente responsáveis pelos superávits da manufatura.

Alta tecnologia amplia rombo comercial

O déficit das indústrias de alta tecnologia chegou a US$ 50,6 bilhões em 2025, acima dos US$ 45,8 bilhões registrados em 2024 e bem superior aos US$ 27,1 bilhões de 2019. O grupo inclui setores como aeronáutica e farmacêutico, ambos impactados pela pandemia de Covid-19.

Setor aeronáutico enfrenta nova realidade

A indústria aeronáutica, que manteve superávits consecutivos entre 1999 e 2018, passou a registrar déficits a partir de 2019. Em 2025, as importações de aeronaves somaram US$ 15,3 bilhões, ante US$ 12,4 bilhões em 2024 e US$ 6,4 bilhões em 2019.

As exportações, embora em recuperação após a forte queda de 2020, avançaram em ritmo mais lento e atingiram US$ 5,5 bilhões em 2025, próximo aos US$ 5,8 bilhões de 2019. O resultado foi um déficit de US$ 9,9 bilhões no ano passado, frente a apenas US$ 604 milhões em 2019.

Cagnin destaca que o setor enfrenta pressão crescente para a descarbonização, incluindo a adoção de combustível sustentável de aviação (SAF). No Brasil, o programa Combustível do Futuro, instituído pela Lei 14.993/2024, estabelece metas para a introdução do SAF em voos domésticos a partir de 2027.

Ele observa ainda que a Embraer disputa o mercado internacional com aeronaves de maior porte, mas ressalta que ainda há espaço para políticas públicas que fortaleçam a integração entre companhias aéreas e a indústria nacional.

Indústria farmacêutica dobra déficit em seis anos

O setor farmacêutico também registrou deterioração significativa. O déficit saltou de US$ 7 bilhões em 2019 para US$ 15 bilhões em 2025. As importações alcançaram US$ 16,4 bilhões no último ano, o dobro do volume registrado antes da pandemia.

De acordo com o economista, o segmento passou por transformações estruturais desde a crise sanitária, com maior foco em inovação e reposicionamento estratégico global. Ele aponta que políticas industriais ao redor do mundo passaram a tratar a produção de medicamentos como área estratégica, especialmente diante da concentração de insumos na China e na Índia.

No Brasil, a demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) é considerada peça-chave para estimular investimentos e pesquisa no setor. Ainda assim, o déficit reflete o atraso tecnológico nacional frente aos principais polos globais.

Média-alta tecnologia também pesa no saldo negativo

Nas indústrias de média-alta tecnologia, o déficit chegou a US$ 82,4 bilhões em 2025, impulsionado principalmente pelos segmentos de químicos e máquinas e equipamentos. A produção doméstica foi prejudicada pelos juros elevados e pelo baixo nível de investimentos.

Cagnin destaca ainda o avanço da China como competidor relevante no mercado global, intensificando a concorrência sobre a indústria brasileira.

Segmentos com superávit sustentam parcialmente resultado

Entre os grupos com melhor desempenho, o segmento de média tecnologia encerrou 2025 com superávit de US$ 2,4 bilhões, mesmo após as importações de plataformas de petróleo.

Já a média-baixa tecnologia manteve sua posição como principal geradora de superávit, somando US$ 59,5 bilhões — levemente abaixo dos US$ 61,2 bilhões de 2024. O destaque positivo foi o setor de alimentos, bebidas e tabaco, com saldo de US$ 60 bilhões.

Ainda assim, o grupo foi o único a registrar queda nas exportações em 2025, com recuo de 1%, enquanto as importações cresceram 1,7%, indicando dificuldades adicionais para expandir vendas externas.

Tarifas dos EUA e reconfiguração global

Na avaliação do IEDI, as tarifas impostas pelos Estados Unidos afetaram setores específicos, mas não comprometeram o crescimento geral das exportações industriais em 2025.

Para Cagnin, o movimento tarifário integra um processo mais amplo de reorganização do comércio internacional, com impactos sobre as cadeias globais de valor e a geopolítica econômica.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Celso Doni/Valor

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Importação

Madeira ilegal da Amazônia chega à União Europeia e aos EUA apesar de leis de importação

Uma investigação internacional revelou que madeira ilegal da Amazônia brasileira continua abastecendo mercados da União Europeia e dos Estados Unidos, mesmo com legislações que proíbem esse tipo de importação em vigor há mais de uma década. O material inclui produtos extraídos ilegalmente de áreas protegidas, como a Terra Indígena Munduruku, no estado do Pará.

O levantamento foi conduzido pela Environmental Investigation Agency (EIA) e aponta falhas estruturais na fiscalização, tanto no Brasil quanto nos países importadores, permitindo que a madeira ingresse em cadeias globais de fornecimento.

Fraudes e falhas facilitam o comércio ilegal

O relatório Bootleggers, Brokers and Buyers, divulgado no fim de janeiro de 2026, detalha como fraudes documentais, invasões de terras indígenas e supervisão governamental insuficiente possibilitaram a exportação de milhares de metros cúbicos de madeira tropical de alto valor, como ipê e cumaru.

Segundo o estudo, cerca de 25 mil metros cúbicos de madeira — o equivalente a aproximadamente 830 contêineres — foram rastreados desde áreas sob exploração ilegal até 11 importadores localizados na França, Portugal, Alemanha e nos Estados Unidos.

Invisibilidade da ilegalidade na cadeia produtiva

De acordo com a EIA, as atividades ilegais de extração se espalharam por ao menos quatro áreas no Pará, incluindo uma dentro da Terra Indígena Munduruku, onde não há autorização para exploração madeireira.

A investigação combinou imagens de satélite, análise de documentos oficiais e entrevistas com especialistas para reconstruir o caminho da madeira, desde serrarias brasileiras até os mercados internacionais. O relatório mostra que o produto passou por 11 serrarias e 8 empresas exportadoras, muitas delas já autuadas por órgãos ambientais, evidenciando a prática recorrente de “lavagem” de madeira ilegal por meio de permissões ou registros fraudados.

Leis existem, mas fiscalização falha

Tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos possuem marcos legais para impedir a entrada de madeira de origem ilegal. O Regulamento da Madeira da UE (EUTR) e o Lacey Act, nos EUA, exigem diligência dos importadores e proíbem esse comércio.

No entanto, a EIA afirma que a aplicação dessas normas é limitada. Estudos da própria Comissão Europeia já alertavam, desde 2019, para o alto risco de importação de madeira amazônica sem comprovação de legalidade, especialmente o ipê, espécie protegida pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna (CITES).

Em 2025, a UE aprovou o Regulamento sobre Desmatamento, mais rigoroso, mas sua implementação foi novamente adiada, agora para o fim de 2026, após pressão de grupos ligados à indústria madeireira. Nos Estados Unidos, cortes orçamentários na fiscalização ambiental também são apontados como fator que enfraquece o combate às importações ilegais.

Avanço da extração ilegal em áreas protegidas

O contexto é de crescimento da exploração ilegal de madeira na Amazônia, com deslocamento das atividades para áreas que deveriam ser protegidas, como Terras Indígenas e Unidades de Conservação.

Dados do Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex) indicam aumento de 44% da extração ilegal em áreas protegidas entre 2023 e 2024. No mesmo período, mais de 30% da madeira retirada da Amazônia apresentava indícios de ilegalidade. Outro estudo aponta que 62% da exploração madeireira no estado do Amazonas ocorre sem autorização ambiental.

Impactos sobre povos indígenas e recomendações

Para povos indígenas como os Munduruku, a presença de madeireiros ilegais representa uma ameaça direta à vida, à cultura e à integridade territorial. Em nota conjunta, organizações indígenas afirmaram que produtos feitos com madeira dessas áreas carregam “sangue indígena” e cobraram ações imediatas de governos e empresas.

A EIA recomenda que o Brasil reforce a fiscalização, implemente sistemas de rastreabilidade em tempo real e amplie recursos para monitoramento. Já a UE e os EUA devem investigar as importações identificadas, aplicar suas próprias leis com rigor e garantir que a nova regulamentação contra o desmatamento entre em vigor sem flexibilizações.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ibama

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Importação

Fim da multa de 1% na Declaração de Importação redefine regime sancionador no comércio exterior

A Lei Complementar nº 227/2026 promoveu uma mudança estrutural no sistema de penalidades aplicáveis ao comércio exterior brasileiro. A norma retirou a base legal da tradicional multa de 1% por erro na Declaração de Importação (DI), prevista no artigo 711 do Regulamento Aduaneiro, ao revogar os dispositivos legais que sustentavam essa cobrança.

Com a revogação do artigo 84 da MP nº 2.158-35/2001 e do artigo 69 da Lei nº 10.833/2003, o regulamento passou a não ter mais respaldo jurídico suficiente para impor sanções. Por se tratar de norma infralegal, o Regulamento Aduaneiro não pode, por si só, criar penalidades sem fundamento em lei, conforme a lógica do sistema normativo brasileiro.

Novo regime sancionador passa a integrar a reforma tributária

Ao mesmo tempo em que eliminou a penalidade anterior, a LC nº 227/2026 alterou a Lei Complementar nº 214/2025, inserindo o artigo 341-G, que inaugura um novo regime de infrações informacionais no âmbito das operações de importação e exportação.

O inciso XIX do novo dispositivo tipifica a infração relacionada à omissão, inexatidão ou incompletude de informações relevantes para a definição do procedimento de controle fiscal. Na prática, o sistema anterior foi substituído por um modelo mais detalhado, com critérios objetivos para caracterização da infração.

Quais informações passam a ser consideradas essenciais

O § 7º do artigo 341-G define como essenciais as informações que:
• identifiquem os responsáveis pela operação;
• indiquem os países de origem, procedência e aquisição;
• descrevam a destinação econômica do bem;
• indiquem as características essenciais da mercadoria.

A penalidade prevista é de 100 UPF por informação, respeitado o limite mínimo de 50 UPF e o teto de 1% do valor da operação, por documento fiscal. Considerando que cada UPF equivale atualmente a R$ 200, a multa-base corresponde a R$ 20 mil por informação, com valor mínimo de R$ 10 mil.

Estrutura da multa levanta debate sobre regressividade

O novo modelo tem gerado críticas por seu potencial regressivo. Em operações de menor valor, a penalidade mínima pode representar percentual elevado da transação. Em uma importação de R$ 50 mil, por exemplo, a multa mínima equivale a 20% do valor da operação, enquanto, em transações de maior monta, a sanção fica limitada a 1%.

Esse desequilíbrio tende a impactar mais fortemente pequenos e médios operadores, abrindo espaço para questionamentos com base nos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.

Reincidência, limites e hipóteses de redução

A legislação prevê agravamento de 50% em caso de reincidência específica, elevando a multa para 150 UPF por informação. Por outro lado, o texto legal impede a multiplicação automática de penalidades quando várias infrações estiverem relacionadas ao mesmo bem ou serviço.

Há ainda hipóteses de redução da multa, que variam de 20% a 50%, conforme o momento do pagamento ou parcelamento do crédito tributário, antes ou depois da fase de impugnação administrativa.

Multa ainda não é exigível, diz Receita Federal

Apesar de o artigo 341-G ter entrado formalmente em vigor em 14 de janeiro de 2026, a Receita Federal informou que a nova penalidade ainda não pode ser aplicada. Segundo o órgão, a exigibilidade depende de regulamentação conjunta com o Comitê Gestor do IBS, ainda pendente.

Em manifestação pública, a Receita afirmou que, durante o período de transição, adotará postura orientativa, e não punitiva, diante de erros na DI, na Duimp e na DU-E, inclusive em relação à classificação fiscal.

Janela de adaptação para empresas e operadores

A combinação entre a revogação da multa antiga e a ausência de regulamentação do novo regime cria uma janela de oportunidade para que empresas reforcem seus controles internos, revisem cadastros e melhorem a qualidade das informações prestadas nas declarações aduaneiras.

A adoção de boas práticas tende a reduzir riscos futuros de autuação, sobretudo quando o novo modelo sancionador passar a ser efetivamente aplicado.

Indefinição sobre “características essenciais” amplia insegurança jurídica

Um dos pontos mais sensíveis do novo regime é a falta de definição legal precisa do conceito de “características essenciais” da mercadoria. O ordenamento aduaneiro adota um critério funcional, baseado na suficiência descritiva para fins de identificação e controle fiscal, mas sem um rol fechado de atributos.

Na importação, normas como a IN SRF nº 680/2006 indicam parâmetros mínimos de descrição. Já na exportação, a DU-E apresenta exigências menos detalhadas, o que amplia o espaço de interpretação da fiscalização e pode comprometer a segurança jurídica em matéria sancionatória.

Multas antigas e a discussão sobre retroatividade benigna

A sucessão normativa também reabre o debate sobre a validade das multas de 1% aplicadas no passado e ainda não definitivamente julgadas. Há duas leituras possíveis:
• a de que a infração foi suprimida, permitindo o cancelamento das penalidades com base na retroatividade benigna;
• ou a de que a conduta permaneceu ilícita, mas passou a ser regida por um novo modelo sancionador, exigindo comparação entre regimes.

Ambas as interpretações indicam que a transição legislativa terá impacto direto em processos administrativos e judiciais em curso.

Novo cenário impõe desafios ao Direito Aduaneiro

A mudança promovida pela LC nº 227/2026 vai além da simples substituição de multas. Ela traz desafios relacionados à proporcionalidade das sanções, à definição dos tipos infracionais, à necessidade de regulamentação clara e ao respeito aos princípios da legalidade, tipicidade e segurança jurídica.

A efetividade do novo regime dependerá não apenas da edição de normas complementares, mas também da forma como a administração aduaneira aplicará esses conceitos na prática.

FONTE: Conjur
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Conjur

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Tarifas de importação ampliam riscos econômicos e causam efeitos mais profundos do que o previsto

As tarifas de importação, historicamente associadas à proteção da indústria nacional e ao ajuste da balança comercial, passaram a cumprir um papel mais amplo no cenário global. Hoje, esses instrumentos vêm sendo utilizados como ferramenta de pressão geopolítica, com potencial para enfraquecer rivais estratégicos, gerar incerteza econômica e até constranger aliados.

Nos últimos anos, esse uso ganhou contornos mais explícitos, como nas ameaças do governo Donald Trump de impor tarifas adicionais a países europeus para obter concessões estratégicas, sob o argumento de segurança econômica nacional.

Modelos econômicos tradicionais não capturam os efeitos reais

Grande parte das análises sobre tarifas ainda se apoia em modelos econômicos clássicos, que desconsideram uma característica central da economia atual: a existência de redes globais de produção e finanças altamente integradas.

Nesse contexto, as tarifas deixam de produzir impactos pontuais e temporários e passam a gerar efeitos mais duradouros, como inflação persistente, queda da produção, perdas de produtividade e repercussões internacionais amplificadas — inclusive no sistema financeiro.

Tarifas afetam demanda e oferta simultaneamente

Ao contrário do que sugerem abordagens tradicionais, as tarifas não atuam apenas como um choque de demanda, ao estimular o consumo de bens domésticos. Elas também provocam um choque de oferta, já que a produção interna depende fortemente de insumos intermediários importados.

Componentes industriais, energia, logística e serviços empresariais são adquiridos globalmente. Quando tarifas encarecem esses insumos, os custos marginais das empresas aumentam, pressionando preços e reduzindo a eficiência produtiva em diferentes setores.

Efeitos se espalham pelas cadeias produtivas

O aumento de custos não se limita aos setores diretamente afetados. Por meio das cadeias globais de valor, esses impactos se disseminam por toda a economia, atingindo inclusive áreas aparentemente menos expostas, como serviços e segmentos industriais a jusante.

O resultado é uma distorção não apenas no consumo, mas também nas decisões de investimento, na organização da produção e na alocação de recursos, com reflexos negativos sobre o crescimento econômico.

Inflação pode se tornar persistente

Outro efeito relevante é a rigidez de preços presente em diversos setores. Contratos de longo prazo, custos de reajuste e estratégias empresariais fazem com que aumentos de custos sejam repassados de forma lenta e gradual.

Em uma economia interligada, esse processo prolonga os efeitos inflacionários, fazendo com que o impacto das tarifas persista mesmo após sua retirada. Assim, choques temporários podem gerar inflação estrutural.

Dilema para a política monetária

Esse cenário altera o equilíbrio entre inflação e crescimento enfrentado pelos bancos centrais. Em vez de um aumento pontual de preços, a inflação passa a se comportar como um processo contínuo, exigindo uma política monetária restritiva por mais tempo.

A consequência pode ser um quadro de estagflação, caracterizado por inflação elevada combinada com queda da produção, mesmo quando as tarifas são temporárias.

Impactos no câmbio e nos mercados financeiros

As tarifas também influenciam a dinâmica financeira global. Em economias com mercados financeiros incompletos, variações cambiais refletem não apenas preços relativos, mas também transferências de riqueza provocadas pela política comercial.

Embora tarifas tendam a fortalecer a moeda do país que as impõe, a incerteza econômica associada a ameaças tarifárias pode produzir o efeito oposto. Nos Estados Unidos, por exemplo, o dólar se enfraqueceu após o início da guerra tarifária, refletindo ajustes antecipados de empresas e investidores.

Incerteza vira canal de transmissão econômica

Mesmo tarifas apenas anunciadas, mas não implementadas, podem causar efeitos relevantes. A antecipação de barreiras leva empresas e famílias a revisar planos de consumo, investimento e comércio, enquanto intermediários financeiros elevam prêmios de risco e poupança preventiva.

Esse movimento amplia a volatilidade e pode gerar perdas de produção e pressões deflacionárias antes mesmo da adoção efetiva das medidas.

Três lições sobre tarifas no mundo atual

A análise aponta três conclusões centrais:

  • Política comercial não pode ser dissociada das redes globais de produção, sob risco de subestimar perdas econômicas e inflação persistente;
  • Política monetária é decisiva, pois respostas passivas prolongam a inflação, enquanto apertos excessivos aprofundam recessões;
  • Em um mundo interconectado, tarifas são choques macroeconômicos globais, com efeitos que ultrapassam fronteiras, setores e horizontes de tempo.

Custos superam os benefícios esperados

À medida que governos recorrem às tarifas como instrumento de segurança econômica ou influência geopolítica, torna-se evidente que seus custos extrapolam os alvos iniciais. Em uma economia altamente integrada, tarifas e ameaças tarifárias funcionam como uma força desestabilizadora, capaz de gerar estagflação global se aplicadas sem considerar a complexidade da produção mundial.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Drew Angerer/Getty Images/Project Syndicate

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Imposto de importação sobe e encarece equipamentos solares; alíquota de inversores e BESS chega a 20%

Equipamentos utilizados em projetos de energia solar devem ficar mais caros no Brasil após decisão do Governo Federal, que elevou o imposto de importação sobre diversos produtos. A medida amplia a pressão sobre um setor que já enfrenta aumento nos custos de matérias-primas e o fim de incentivos fiscais concedidos anteriormente pelo governo chinês aos módulos fotovoltaicos.

Com a mudança, passam a ser diretamente impactados inversores, microinversores, sistemas de armazenamento de energia (BESS) e geradores fotovoltaicos importados com potência superior a 75 kW.

Repasse ao consumidor é considerado inevitável

Distribuidores de equipamentos fotovoltaicos ouvidos pelo Canal Solar avaliam que a elevação das alíquotas deve resultar em repasse integral ao preço final. Segundo empresários do setor, as margens de operação já são bastante estreitas, o que reduz a capacidade de absorver novos custos tributários.

Na avaliação de um dos entrevistados, qualquer aumento de imposto terá impacto direto no mercado. “Não há espaço para absorver esse custo. O aumento no preço final é certo”, afirmou.

Como funciona o realinhamento das alíquotas

A medida aprovada estabelece um realinhamento do Imposto de Importação para bens classificados como bens de capital (BK) e bens de informática e telecomunicações (BIT). De acordo com a nota técnica do governo, produtos com alíquotas inferiores a 7% passam a ser tributados em 7,0%; aqueles entre 7% e 12,6% sobem para 12,6%; e bens com alíquotas acima de 12,7% passam a pagar 20%.

Com isso, as tarifas se concentram em três faixas principais: 7,0%, 12,6% e 20,0%, mantendo exceções já aprovadas pelo Gecex para BK e BIT acima desse patamar, além de um grupo específico de produtos estratégicos voltados a datacenters.

Inicialmente, a proposta previa elevação para 7%, mas o Gecex decidiu ajustar para 7,2%, em conformidade com as regras da Tarifa Externa Comum.

Impacto vai além do setor de energia

As mudanças não se limitam ao segmento de energia solar. A decisão afeta todos os produtos enquadrados como BK e BIT, incluindo máquinas industriais, equipamentos elétricos, componentes eletrônicos, além de sistemas de automação e telecomunicações.

Na prática, o novo patamar tributário eleva os custos desses itens, com reflexos potenciais sobre investimentos, preços finais e decisões de compra em diversos setores da economia. As medidas foram aprovadas durante a 233ª Reunião Ordinária do Gecex e entram em vigor após publicação no Diário Oficial da União (DOU), prevista para os próximos dias.

Módulos fotovoltaicos permanecem com alíquota de 25%

Os módulos fotovoltaicos, cuja alíquota já havia sido recomposta anteriormente, não são atingidos pelo novo realinhamento e seguem tributados em 25%, já que a decisão do Gecex abrange apenas alíquotas de até 20%.

Segundo o comitê, produtos atualmente com alíquota zero e fora do regime de ex-tarifário só serão impactados a partir de 1º de março, prazo que permite aos importadores solicitar o enquadramento no regime especial.

FONTE: Canal Solar
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ilustração/IA

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Antidumping sobre aço importado fortalece siderúrgicas e muda cenário do setor no Brasil

O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) tornou públicas as deliberações da 233ª reunião ordinária. Entre as principais decisões, está a aprovação de medidas antidumping definitivas sobre as importações de aço pré-pintado originárias da China e da Índia, com vigência de até cinco anos.

Embora os percentuais finais ainda não tenham sido oficialmente divulgados, um relatório técnico preliminar indicou margens antidumping de 21,7% (ou US$ 210,85 por tonelada) para produtos indianos e entre 31,9% e 46,9% (US$ 252,53 a US$ 329,87 por tonelada) para os chineses.

Além disso, o comitê autorizou a elevação das tarifas de importação de aço de 10,8% (e 12,6% em alguns casos) para 25% sobre uma série de produtos siderúrgicos, como laminados a quente, chapas para embalagens, chapas e bobinas de aço inoxidável e silício, além de fio-máquina.

Impacto das tarifas no mercado de aço brasileiro

Na avaliação do Bradesco BBI, as medidas representam um sinal positivo para as siderúrgicas brasileiras. Segundo o banco, os produtos afetados pelos aumentos tarifários somaram cerca de 623 mil toneladas importadas em 2025, o equivalente a aproximadamente 10% do total das importações de aço no período.

Com a tarifa de 25%, a expectativa é de que os preços domésticos do aço se aproximem da paridade com o material importado, reduzindo a diferença atual de cerca de 21% para algo próximo de 8%. Esse movimento tende a reduzir a viabilidade econômica das importações e a sustentar os preços no mercado interno.

Efeitos diretos nas siderúrgicas listadas

No caso específico do aço pré-pintado, apenas a CSN (CSNA3) apresenta exposição relevante, com esse produto representando cerca de 10% de suas vendas, segundo o Bradesco BBI. Ainda assim, o banco destaca que a decisão amplia a probabilidade de novas medidas de defesa comercial para CRC, galvanizados e HRC ao longo de 2026.

O impacto nos preços domésticos deve ser limitado para CRC e HRC, já que os volumes importados desses produtos são baixos e a participação chinesa vem caindo. O segmento de aços galvanizados, porém, pode sentir efeitos mais significativos, uma vez que cerca de 30% da demanda interna é atendida por importações, quase todas vindas da China.

Sensibilidade do Ebitda e postura cautelosa

De acordo com estimativas do banco, uma variação de 1% nos preços domésticos pode gerar impacto aproximado de 9% no Ebitda da Usiminas (USIM5), 2% no da Gerdau (GGBR4) e 1% no da CSN.

Apesar do viés positivo, o Bradesco BBI mantém uma visão mais conservadora. A instituição ressalta que a penetração das importações de aço já vem diminuindo nos últimos meses, reflexo da redução ou redirecionamento dos volumes chineses para outros mercados. Além disso, a combinação de demanda enfraquecida e estoques elevados deve limitar uma recuperação mais expressiva dos preços no curto prazo.

Próximos passos e visão dos bancos internacionais

O Morgan Stanley chama atenção para a próxima reunião ordinária do Gecex, marcada para 12 de fevereiro de 2026. O banco avalia a possibilidade de inclusão, na pauta, das investigações antidumping sobre bobinas ou chapas laminadas a frio, com decisão final prevista para 19 de fevereiro de 2026, e sobre produtos laminados planos revestidos, com desfecho esperado para 2 de março de 2026.

Os produtos de aço pré-pintado atingidos pelas novas tarifas representam cerca de 5% das importações totais de aço do Brasil. Entre as empresas acompanhadas pelo Morgan Stanley, apenas a CSN possui exposição direta.

Para o banco americano, a decisão tende a melhorar o sentimento do mercado, ao reduzir a percepção de inação do governo em relação ao setor. Ainda assim, a instituição demonstra ceticismo quanto à eficácia de longo prazo das medidas, citando o histórico de práticas de evasão. A projeção é de que as importações sigam elevadas em 2026, enquanto as ações do setor podem reagir positivamente no curto prazo.

Perspectiva mais construtiva para o setor

Na visão do Itaú BBA, o avanço das medidas de defesa comercial torna o cenário mais favorável para a indústria siderúrgica brasileira, com destaque para Usiminas e CSN como as principais beneficiárias do novo ambiente regulatório.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Aly Song

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China suspende importação de carne bovina da Irlanda após confirmação de doença

A China suspendeu a importação de carne bovina da Irlanda após a confirmação de casos da doença da língua azul no rebanho do país europeu. A decisão foi anunciada apenas duas semanas depois de Pequim ter reaberto seu mercado ao produto irlandês, encerrando um bloqueio que já durava mais de um ano.

Detecção da doença aciona alerta sanitário

A confirmação foi feita nesta quarta-feira (28) pelo Ministério da Agricultura da Irlanda. Segundo o órgão, o primeiro foco da doença foi identificado no último sábado em um rebanho localizado no sudeste do país. Após a notificação oficial, as autoridades chinesas informaram que a suspensão das compras entrou em vigor a partir de terça-feira.

Nos dias seguintes, novos casos do vírus da língua azul foram detectados em outros três rebanhos da mesma região, ampliando o alerta sanitário e reforçando a decisão chinesa de interromper temporariamente as importações.

Doença não afeta humanos, mas impacta o comércio

A língua azul atinge bovinos, ovinos e outros ruminantes e é transmitida por insetos. Apesar de não representar risco à saúde humana, a enfermidade provoca restrições sanitárias que afetam diretamente o comércio internacional de carnes, especialmente em mercados rigorosos como o chinês.

Reabertura recente do mercado chinês

A China havia retomado as importações de carne bovina irlandesa no dia 12 de janeiro, durante uma visita oficial do primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, a Pequim. A liberação ocorreu após a revogação de uma proibição imposta em 2024, quando foi registrado um caso de encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como mal da vaca louca, no país.

Governo irlandês tenta reverter decisão

Em comunicado, o ministro da Agricultura da Irlanda, Martin Heydon, classificou a nova suspensão como um revés para o setor. Ele afirmou que o governo mantém diálogo permanente com as autoridades sanitárias chinesas, com o objetivo de conter a disseminação da doença e retomar as exportações o mais rápido possível.

A China é um dos maiores importadores de carne bovina do mundo e ocupa posição estratégica no comércio global do setor, o que torna qualquer restrição sanitária especialmente relevante para países exportadores.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Helena Lopes/Unsplash

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Importação

Importação de aço da China mantém investimentos da siderurgia brasileira em espera

A crescente importação de aço da China tem colocado a indústria siderúrgica brasileira em compasso de espera. Empresas do setor suspenderam investimentos em expansão de capacidade produtiva e pedem que o governo federal adote mecanismos de defesa comercial mais eficazes que o atual sistema cota-tarifa, implementado em 2024.

O modelo combina tarifas de 25% com cotas de importação para 25 produtos de aço classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Apesar disso, não conseguiu frear a entrada crescente de aço importado chinês no mercado nacional.

Crescimento recorde das importações de aço

Segundo o Instituto Aço Brasil, o país importou 6,4 milhões de toneladas de aço em 2025, sendo 5,7 milhões de toneladas de laminados, um aumento de 20,5% em relação ao ano anterior — o maior volume registrado em 15 anos.

O total de laminados importados atualmente é 168% maior que a média entre 2000 e 2019, elevando a penetração de importados para 21%, contra um histórico de 9,7%. Em consequência, a produção de aço bruto nacional caiu 1,6%, atingindo 33,3 milhões de toneladas em 2025.

O Aço Brasil considera esse nível de importações “inaceitável”, atribuindo à concorrência predatória o fechamento de 5 mil empregos e o corte de R$ 2,5 bilhões em investimentos no setor.

Sistema cota-tarifa perde eficácia

Para Carlos Loureiro, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço do Brasil (Inda), o sistema cota-tarifa não freia o aço chinês, e o cenário se agrava com a alta da Selic, que desestimula investimentos.

“Se não houver medidas contra o dumping, teremos mais um ano perdido. O sistema de 25% não segura nada da China”, afirma Loureiro.

Rodrigo Villela, CEO da Aperam South America, reforça que planos de expansão, como a ampliação da usina de Timóteo, no Vale do Aço, estão suspensos devido à concorrência com importações chinesas. Para ele, a retomada de investimentos depende de um ambiente de negócios mais equilibrado e de regras comerciais mais justas.

A Usiminas, em Ipatinga, enfrenta situação semelhante. André Chaves, diretor de relações institucionais da siderúrgica, alerta para a ociosidade elevada, mesmo após investimentos robustos, como a reforma do Alto-forno 3, que custou R$ 2,7 bilhões.

“Revisamos periodicamente nossa agenda de investimentos diante da ociosidade e do impacto do aço importado. Precisamos de medidas que combatam práticas desleais, reconhecidamente ilegais no comércio internacional”, afirma Chaves.

Excesso de capacidade global pressiona preços

O setor enfrenta excesso de capacidade tanto no Brasil quanto no mundo. A produção nacional de 33 milhões de toneladas poderia chegar a 50 milhões de toneladas por ano, enquanto o excedente global é estimado em 600 milhões de toneladas anuais. A China responde por metade da produção mundial, obrigando o país a destinar o excesso ao mercado externo.

Afonso Sartório, líder de Energia e Recursos Naturais da EY, alerta que qualquer medida comercial precisa equilibrar proteção da indústria e impacto sobre o restante da economia.

“Se o custo do aço aumentar demais, afeta toda a cadeia produtiva, da manufatura pesada ao consumidor final, e reduz a capacidade de investimento das empresas”, explica.

Sustentabilidade e descomoditização como saída

Uma alternativa para a siderurgia brasileira é investir na produção de aço sustentável e em nichos diferenciados. Projetos verdes podem ter acesso a fundos especiais e agregar valor ao produto, reduzindo a competição baseada apenas em volume e preço.

A Aperam já investe em energia solar e eólica, produz carvão vegetal certificado e aço inox com cerca de 50% de sucata. Apesar de posicionada na economia verde, o CEO Villela reconhece que o mercado ainda demora a valorizar totalmente esses produtos.

A Usiminas, por sua vez, foca em energia solar e gás natural para reduzir emissões de gases de efeito estufa, mas a utilização de sucata é limitada por restrições técnicas em aços planos, usados no setor automotivo e outros nichos.

“Consideramos a sucata dentro dos limites técnicos e buscamos alternativas sustentáveis seguindo padrões internacionais”, conclui André Chaves.

FONTE: O Tempo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Usiminas / Divulgação

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