Importação

Importação de aço deve desacelerar no Brasil após medidas antidumping

A importação de aço no Brasil tende a perder ritmo nos próximos meses, segundo avaliação de analistas do setor. A desaceleração já começa a aparecer após a adoção de medidas antidumping contra produtos provenientes da China e da Índia, em vigor desde fevereiro.

De acordo com relatório do Citi, os dados mais recentes indicam uma redução no volume importado. Além disso, o aumento nos custos de frete, tanto para aço plano quanto para aço longo, tem elevado o preço final do material estrangeiro, funcionando como uma barreira parcial à entrada desses produtos no país.

Câmbio e dinâmica comercial influenciam cenário

Apesar da pressão de custos, o impacto foi parcialmente suavizado pela valorização do real frente ao dólar. Ainda assim, o banco destaca que o movimento reflete mudanças na dinâmica comercial, impulsionadas pelas expectativas em torno das tarifas antidumping.

Esse conjunto de fatores já começa a influenciar tanto os preços quanto o timing das importações, indicando uma mudança gradual no comportamento do mercado.

Entenda as tarifas antidumping aplicadas

Em fevereiro, o governo brasileiro concluiu investigações e estabeleceu a cobrança de tarifas antidumping por até cinco anos. A prática de dumping ocorre quando um país exporta produtos a preços inferiores aos praticados no mercado interno, prejudicando a indústria local.

As novas taxas variam conforme o tipo de produto:

  • Laminados planos a frio: entre US$ 322,93 e US$ 670,02 por tonelada
  • Laminados planos revestidos: entre US$ 284,98 e US$ 709,63 por tonelada

Protecionismo fortalece indústria siderúrgica

Na avaliação do UBS BB, as medidas adotadas pelo Brasil reforçam a proteção à indústria siderúrgica nacional. O banco aponta que investidores tendem a priorizar mercados mais protegidos, reduzindo a exposição às oscilações globais de oferta e demanda, especialmente diante do avanço das exportações chinesas.

Atualmente, as medidas já abrangem cerca de 40% das importações de aço no país, com possibilidade de ampliação. Esse cenário aumenta a confiança na capacidade brasileira de defender seu setor produtivo.

América Latina enfrenta pressão do aço chinês

O contexto regional, no entanto, segue desafiador. Segundo a Associação Latinoamericana do Aço (Alacero), a indústria siderúrgica latino-americana enfrenta desaceleração econômica global e maior pressão externa, principalmente devido ao excesso de capacidade da China e à concentração das cadeias de suprimento.

A entidade também destaca que fatores como incertezas internacionais, mudanças em políticas comerciais e tensões geopolíticas ampliam os desafios para o setor.

2026 será decisivo para estratégia regional

Para a Alacero, o ano de 2026 será determinante para avançar em uma agenda de defesa comercial mais coordenada na região. O objetivo é fortalecer a competitividade da cadeia produtiva e reduzir a dependência de exportações de matérias-primas.

A avaliação é de que a América Latina tem potencial para consolidar uma base industrial mais robusta e estratégica no setor do aço.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor International

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