Economia

PIB do Brasil deve crescer 1,6% em 2026, projeta Banco Central

O PIB do Brasil deve avançar 1,6% em 2026, conforme projeção mantida pelo Banco Central em relatório divulgado nesta quinta-feira (26). Apesar da estabilidade na estimativa, a autoridade monetária alerta para o aumento das incertezas, especialmente diante dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre a economia global.

Cenário externo pressiona crescimento

De acordo com o relatório, a continuidade das tensões internacionais pode gerar um choque negativo de oferta, com efeitos diretos na inflação e no ritmo de crescimento econômico.

A interrupção de cadeias produtivas e dificuldades logísticas na região podem prolongar os impactos, elevando preços e reduzindo a atividade econômica tanto no Brasil quanto no exterior. Ainda assim, setores específicos, como o segmento petrolífero, podem se beneficiar do cenário.

Fatores que sustentam a projeção

A manutenção da previsão de crescimento está associada ao desempenho recente da economia e à expectativa de expansão moderada ao longo de 2026.

Segundo o Banco Central, o cenário considera:

  • política monetária restritiva (juros elevados);
  • baixo nível de ociosidade na economia;
  • desaceleração da economia global;
  • ausência do forte impulso da agropecuária observado em 2025.

No ano passado, o PIB brasileiro cresceu 2,3%, impulsionado principalmente pelo setor agropecuário.

Consumo e mercado de trabalho

Medidas recentes também entram no radar da projeção, como o aumento real do salário mínimo e mudanças no Imposto de Renda, que ampliam a renda disponível e ajudam a sustentar a demanda interna.

Além disso, o mercado de trabalho aquecido, com queda do desemprego e alta dos salários, contribui para manter o consumo das famílias.

Juros e política monetária

O relatório também detalha a atuação do Comitê de Política Monetária (Copom) na condução da taxa Selic, principal instrumento de controle da inflação.

Após uma sequência de altas entre 2024 e 2025, os juros foram mantidos em 15% ao ano por um período prolongado, sendo reduzidos recentemente para 14,75% ao ano. No entanto, o Banco Central não descarta interromper o ciclo de cortes caso o cenário externo pressione a inflação.

Inflação deve permanecer acima da meta

A projeção indica que a inflação no Brasil tende a subir até o fim de 2026, iniciando queda gradual posteriormente, mas ainda acima da meta oficial.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o período em 3,6%, influenciado principalmente pela alta nos preços do petróleo.

A probabilidade de a inflação ultrapassar o teto da meta (4,5%) aumentou, passando de 23% para 30%, segundo o relatório.

Crédito cresce, mas em ritmo menor

A previsão para o crédito no Brasil foi revisada para cima, com expansão de 9% em 2026, impulsionada pelo crédito a pessoas físicas e empresas.

Mesmo com a alta, o ritmo indica desaceleração pelo segundo ano consecutivo, refletindo o impacto dos juros elevados e o alto nível de endividamento das famílias.

Contas externas e exportações

O déficit em transações correntes foi levemente reduzido, com expectativa de US$ 58 bilhões (2,2% do PIB) em 2026. A melhora está ligada ao desempenho das exportações, favorecidas pela alta nos preços internacionais, especialmente de combustíveis.

A entrada de investimentos estrangeiros diretos deve garantir o financiamento desse déficit, com previsão de US$ 70 bilhões.

Riscos seguem no radar

Apesar das projeções, o Banco Central destaca que o cenário permanece incerto. A redução do fluxo comercial em regiões estratégicas, como o Estreito de Ormuz, pode afetar o comércio global, cadeias produtivas e condições financeiras internacionais.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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Economia

Choque do petróleo impacta economia global e eleva incertezas no mercado de energia

O recente choque do petróleo provocado por tensões no Oriente Médio deve ter efeitos duradouros na economia mundial. Embora os impactos mais agudos possam diminuir com o tempo, especialistas avaliam que a incerteza no mercado de energia tende a permanecer como um fator estrutural nos próximos anos.

Conflito amplia instabilidade global

Após mudanças recentes no comércio internacional, o cenário global enfrenta uma nova fase de instabilidade com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Desta vez, o principal fator de preocupação está ligado ao custo da energia fóssil, que dificilmente retornará aos níveis anteriores mesmo após o fim do conflito.

Estreito de Ormuz no centro da crise

A interrupção no fluxo de petróleo e gás no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde circula cerca de um quarto do petróleo transportado por via marítima no mundo e quase 20% do gás natural liquefeito — provocou um dos maiores choques de oferta já registrados.

Relatório recente da Agência Internacional de Energia classificou o episódio como a maior ameaça à segurança energética global, superando crises históricas como as de 1973, 1979 e até mesmo os efeitos da guerra na Ucrânia em 2022.

Produção em queda e preços em alta

A produção de petróleo nos países do Golfo Pérsico caiu mais de 10 milhões de barris por dia, enquanto o transporte marítimo foi fortemente reduzido. Refinarias e unidades de processamento também sofreram danos, afetando principalmente derivados como diesel e querosene de aviação.

Como reflexo, o barril do petróleo tipo Brent saltou rapidamente de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100, mantendo-se em patamares elevados. O mercado de derivados sinaliza pressão adicional sobre os preços.

Medidas emergenciais não resolvem dependência

Em resposta à crise, países coordenados liberaram cerca de 400 milhões de barris de reservas estratégicas. A ação ajudou a conter um cenário ainda mais crítico no curto prazo, mas não resolve a dependência global de combustíveis fósseis, concentrados em regiões geopoliticamente instáveis.

Impactos no Brasil: inflação e juros

No Brasil, os efeitos devem aparecer principalmente na inflação e na condução da política monetária. A expectativa de redução da taxa básica de juros pode ser revista para baixo diante da pressão inflacionária.

Especialistas apontam que o ambiente atual dificulta cortes mais agressivos na taxa Selic, já que o aumento dos custos de energia tende a se espalhar por diversos setores da economia.

Fertilizantes e agricultura sob pressão

Outro impacto relevante está no mercado de fertilizantes, essencial para o agronegócio brasileiro. Com a interrupção de exportações de grandes fornecedores, como a Rússia, o abastecimento global foi comprometido.

A expectativa é de preços elevados e possível escassez, o que pode afetar diretamente a próxima safra agrícola, elevando custos ou reduzindo a produção.

Recuperação será gradual

Mesmo com um eventual cessar-fogo, a normalização do mercado de energia deve ocorrer de forma lenta e desigual. O petróleo pode apresentar recuperação mais rápida, mas o gás natural pode levar até dois anos para estabilizar sua oferta global.

Novo cenário energético global

Analistas avaliam que o maior impacto da crise não será apenas o pico de preços no curto prazo, mas a consolidação de um ambiente mais arriscado. A incerteza energética tende a se tornar permanente, elevando o patamar mínimo dos preços.

Ainda que o barril não ultrapasse novamente os US$ 100, dificilmente retornará ao nível anterior de US$ 60. O sistema energético global deve sair da crise mais caro e mais instável, impulsionando a busca por alternativas, como a energia nuclear e fontes mais sustentáveis.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Economia

Balança comercial brasileira atinge US$ 12,8 bilhões na 3ª semana de março de 2026

A balança comercial brasileira registrou corrente de comércio de US$ 12,8 bilhões na terceira semana de março de 2026, com superávit de US$ 1,4 bilhão. O resultado é fruto de exportações que somaram US$ 7,1 bilhões e importações de US$ 5,7 bilhões no período.

Resultado acumulado em março

No acumulado do mês até a terceira semana, o Brasil alcança US$ 21,8 bilhões em exportações e US$ 16,6 bilhões em importações. O saldo positivo chega a US$ 5,2 bilhões, enquanto a corrente de comércio totaliza US$ 38,336 bilhões.

Considerando o acumulado de 2026, as exportações brasileiras somam US$ 72,7 bilhões, frente a US$ 59,4 bilhões em importações. Com isso, o superávit comercial atinge US$ 13,3 bilhões, e a corrente de comércio chega a US$ 132,2 bilhões.

Queda nas médias diárias

Na comparação com março de 2025, os dados mostram retração nas médias diárias. As exportações caíram 4,0%, passando de US$ 1,511 bilhão para US$ 1,452 bilhão. Já as importações tiveram leve recuo de 0,1%, saindo de US$ 1,104 bilhão para US$ 1,103 bilhão.

A corrente de comércio média diária ficou em US$ 2,55 bilhões até a terceira semana de março, representando queda de 2,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O saldo médio diário foi de US$ 348,47 milhões.

Exportações por setor

O desempenho das exportações por setor apresentou variações distintas. A Indústria Extrativa foi destaque, com crescimento de 27,6%, equivalente a US$ 78,26 milhões na média diária.

Por outro lado, houve retração em dois segmentos importantes:

  • Agropecuária: queda de 13,4% (US$ 57,47 milhões);
  • Indústria de Transformação: recuo de 10,3% (US$ 81,26 milhões).

Importações por setor

No campo das importações, o cenário também foi heterogêneo. A Indústria Extrativa registrou aumento de 6,6% (US$ 3,29 milhões), enquanto a Indústria de Transformação teve leve alta de 0,3% (US$ 2,91 milhões).

Em contrapartida, a Agropecuária apresentou queda significativa de 24,9%, com redução de US$ 7,54 milhões na média diária.

Cenário do comércio exterior

Os dados indicam um cenário de estabilidade com viés de queda nas médias comerciais, mesmo diante de um superávit consistente. O avanço da Indústria Extrativa ajuda a sustentar os resultados, enquanto a retração em setores como Agropecuária e Indústria de Transformação acende um alerta para o desempenho das exportações brasileiras.

Tags: balança comercial, comércio exterior, exportações Brasil, importações Brasil, superávit comercial, economia brasileira, março 2026

Fonte: Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC)

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News

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Economia

Selic cai para 14,75%: Copom inicia ciclo de redução de juros após quase dois anos

O Banco Central do Brasil anunciou nesta quarta-feira (18) a redução da taxa básica de juros, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano. A decisão foi tomada pelo Comitê de Política Monetária e marca o primeiro corte desde maio de 2024, em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Decisão busca controlar inflação e estimular a economia

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Ao reduzir a taxa, a autoridade monetária busca equilibrar a desaceleração dos preços com a manutenção da atividade econômica e do emprego.

Segundo o Copom, a medida está alinhada à estratégia de levar a inflação para a meta estabelecida, sem comprometer a estabilidade econômica. O comitê também destacou que a decisão contribui para reduzir oscilações no nível de atividade e favorecer o pleno emprego.

Conflitos no Oriente Médio aumentam incertezas

Apesar do início do ciclo de queda dos juros, o cenário internacional segue como fator de atenção. O conflito no Oriente Médio tem elevado a incerteza global, especialmente devido à alta nos preços do petróleo, que já ultrapassaram os US$ 100 por barril.

Esse movimento pressiona os custos de combustíveis e pode impactar diretamente a inflação no Brasil. Diante desse cenário, o Copom optou por não sinalizar novos cortes nas próximas reuniões, indicando que as decisões futuras dependerão da evolução do contexto internacional.

O comitê ressaltou que acompanha os efeitos indiretos da crise, como impactos na cadeia global de suprimentos e nas commodities, que influenciam os preços internos.

Riscos inflacionários seguem no radar

O Banco Central avaliou que os riscos para a inflação — tanto de alta quanto de queda — se intensificaram após o agravamento das tensões no Oriente Médio. A expectativa do mercado para a inflação em 2026, inclusive, já apresentou elevação recente.

A autoridade monetária reforçou que as próximas decisões sobre a Selic dependerão de novos dados econômicos e da evolução dos riscos externos.

A reunião do Copom ocorreu com dois integrantes a menos, após as saídas de diretores importantes da instituição. Ainda não foram anunciados substitutos, o que reduziu o número de votantes nesta decisão.

Como o Copom define a taxa de juros

O processo de definição da Selic segue o sistema de metas de inflação. Atualmente, a meta contínua é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Quando as projeções indicam inflação acima da meta, a tendência é manter ou elevar os juros. Já em cenários mais controlados, como o atual, há espaço para cortes graduais.

O Banco Central também trabalha com projeções futuras, já que os efeitos das mudanças na taxa básica levam entre seis e 18 meses para impactar plenamente a economia. Neste momento, o foco está no comportamento da inflação projetada para 2027.

Fonte: G1

Texto: Redação

Imagem: Reprodução G1 / Adriano Machado / Reuters

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Economia

SPE mantém projeção de crescimento de 2,3% do PIB para 2026 apesar do conflito no Oriente Médio

A Secretaria de Política Econômica (SPE) manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2,3% para 2026, mesmo diante das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio e pela recente alta do preço do petróleo no mercado internacional.

A estimativa faz parte da atualização da grade de parâmetros macroeconômicos divulgada em março, publicada pelo Ministério da Fazenda. O percentual permanece igual ao apresentado na atualização anterior, divulgada em fevereiro.

Alta do petróleo impulsiona atividade econômica

Segundo análise da SPE, o aumento nos preços internacionais do petróleo tende a gerar impacto positivo na economia brasileira, acrescentando cerca de 0,1 ponto percentual ao crescimento econômico projetado.

Isso ocorre porque o Brasil se consolidou como um dos principais produtores globais de petróleo, atualmente ocupando a posição de quinto maior produtor mundial e mantendo participação relevante no mercado internacional de exportação de petróleo.

No entanto, o efeito positivo da commodity foi compensado por uma redução no chamado carry-over da indústria para 2026 — indicador que mede o impacto estatístico da atividade econômica de um ano sobre o seguinte. O ajuste ocorreu após a divulgação do resultado do PIB de 2025.

Com o equilíbrio desses fatores, a projeção oficial de crescimento permaneceu em 2,3% para 2026.

Cenários simulados indicam resiliência da economia

De acordo com o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, as perspectivas macroeconômicas continuam positivas, mesmo diante do cenário internacional mais turbulento.

Segundo ele, os modelos simulados pela equipe econômica indicam que a valorização do petróleo pode favorecer atividade econômica, balança comercial e arrecadação pública.

O impacto inflacionário mais significativo ocorreria apenas em um cenário extremo, caracterizado como “choque disruptivo”, no qual o conflito geopolítico persistiria e levaria o preço do petróleo acima de US$ 100 por barril do Brent em média anual.

Brasil ganha vantagem por ser exportador líquido de petróleo

Outro fator destacado pela equipe econômica é a mudança estrutural da posição do Brasil no mercado energético global. Desde 2016, o país passou a registrar superávit na balança comercial de petróleo e combustíveis, consolidando-se como exportador líquido da commodity.

De acordo com Guilherme Mello, essa condição diferencia o Brasil de economias que dependem fortemente da importação de petróleo.

Países importadores tendem a sofrer impactos mais severos em indicadores como inflação, balança comercial e crescimento econômico quando os preços da energia sobem. Já nações exportadoras, como o Brasil, conseguem compensar parte desses efeitos com maior receita de exportações, royalties do petróleo e arrecadação de tributos.

Ainda assim, o secretário reconhece que a alta da commodity também gera pressão inflacionária doméstica, embora com maior capacidade de mitigação por parte da política econômica.

Panorama macroeconômico atualizado

Além das projeções de crescimento, a SPE também divulgou o Panorama Macroeconômico de março de 2026, relatório que reúne indicadores atualizados sobre a conjuntura econômica brasileira.

O documento consolida dados provenientes de diversas bases públicas e serve como referência para análise das tendências de atividade econômica, inflação, comércio exterior e mercado de energia.

FONTE: Ministério da Fazenda
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Economia

Governo anuncia medidas para conter impacto da alta do petróleo na economia brasileira

O Governo Federal do Brasil anunciou um pacote emergencial para reduzir os impactos da alta do petróleo sobre a economia brasileira, diante do cenário de instabilidade geopolítica no Oriente Médio e da pressão nos mercados globais de energia.

As ações foram formalizadas por meio de uma Medida Provisória e três decretos presidenciais, com o objetivo de conter os efeitos da valorização do petróleo sobre combustíveis, transporte e cadeias produtivas no país. As medidas têm caráter temporário e anticíclico, buscando amortecer um choque externo que afeta diretamente custos de energia e logística.

Segundo o Ministério da Fazenda, o pacote pode mobilizar até R$ 10 bilhões em subsídios ao diesel, além de uma desoneração tributária estimada em R$ 6,7 bilhões nos primeiros quatro meses de vigência.

Subvenção ao diesel para proteger transporte e logística

Uma das principais iniciativas prevê a concessão de subvenção econômica ao óleo diesel de uso rodoviário, destinada a produtores e importadores do combustível no mercado nacional.

O objetivo é reduzir o impacto imediato da alta do petróleo sobre o preço do diesel, combustível essencial para o transporte de cargas e passageiros e para o funcionamento de diversas cadeias produtivas brasileiras.

A política estabelece um limite de até R$ 10 bilhões em recursos públicos para financiar o mecanismo de compensação. O valor efetivamente utilizado dependerá do volume comercializado e da intensidade do aumento dos preços internacionais.

Redução temporária de PIS e Cofins sobre o diesel

O pacote também inclui a redução temporária das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre o diesel, medida voltada a diminuir o custo do combustível no mercado interno.

Como a desoneração terá duração inicial de quatro meses, a estimativa do governo é de uma queda de arrecadação de aproximadamente R$ 6,7 bilhões no período.

A iniciativa busca evitar que oscilações bruscas no preço internacional do petróleo sejam repassadas de forma imediata para o transporte rodoviário e para a logística nacional.

Imposto de exportação sobre petróleo bruto

Outra medida anunciada prevê a criação de uma alíquota de 12% de imposto de exportação sobre o petróleo bruto. A cobrança terá caráter temporário e inclui um mecanismo de redução automática para zero caso o preço internacional do petróleo volte a níveis mais baixos.

A arrecadação potencial pode chegar a cerca de R$ 15,6 bilhões em quatro meses, dependendo do volume exportado e das condições de mercado.

Segundo o governo, a medida busca reduzir distorções provocadas pela valorização do petróleo, evitando ganhos extraordinários ao longo da cadeia produtiva e incentivando maior direcionamento da produção para o refino e abastecimento doméstico.

Sem controle de preços, mas com reforço da fiscalização

Apesar das medidas, o governo enfatizou que não haverá controle direto de preços dos combustíveis. A formação de valores continuará sendo definida pelo mercado.

No entanto, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deverá intensificar a fiscalização e estabelecer critérios para identificar possíveis práticas abusivas, como retenção injustificada de estoques ou reajustes incompatíveis com a evolução dos custos.

Resposta econômica ao choque global de energia

A valorização do petróleo aumenta as receitas das exportações brasileiras de óleo bruto, mas também pressiona os custos internos ligados a combustíveis, transporte e produção industrial.

Nesse contexto, o pacote de medidas busca reduzir a transmissão imediata do choque internacional de energia para a economia doméstica, preservando o funcionamento das cadeias produtivas e o abastecimento de combustíveis no país.

A estratégia integra o esforço do governo para reforçar a resiliência da economia brasileira diante de períodos de turbulência nos mercados globais.

FONTE: Ministério da Fazenda
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Fazenda

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Economia

Dólar cai 0,15% e fecha em R$ 5,15 com incertezas sobre conflito no Irã

O dólar hoje encerrou a terça-feira praticamente estável, com leve recuo de 0,15%, fechando em R$ 5,1582. Durante a sessão, a moeda oscilou entre mínimas de R$ 5,1326 e máximas próximas de R$ 5,16, refletindo a reação do mercado a informações sobre o conflito no Irã. No acumulado do ano, a divisa registra queda de 6,03% frente ao real.

O dólar futuro para abril, mais negociado na B3, cedia 0,27%, cotado a R$ 5,1850 às 17h02. No dólar comercial, a cotação de compra e venda ficou em R$ 5,157.

Influência do conflito no Irã na cotação

O mercado reagiu às notícias de que o Irã poderia instalar minas no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. Mais cedo, a expectativa de um possível desfecho rápido da guerra entre EUA e Irã, sinalizado pelo presidente Donald Trump, havia pressionado o dólar para baixo.

Trump afirmou, em conversas com parlamentares e entrevistas à mídia, que a guerra “será concluída muito rapidamente” e que poderia dialogar com o Irã. O otimismo reduziu os preços do petróleo para perto de US$ 83 o barril em Nova York e fortaleceu o Ibovespa, além de diminuir os prêmios na curva de Depósitos Interfinanceiros (DIs).

Dólar recupera força após alerta de minas

Na parte da tarde, a moeda voltou a subir após a CBS News divulgar que a inteligência americana identificou sinais de que o Irã estaria se preparando para instalar minas no Estreito de Ormuz. Em resposta, Trump exigiu que qualquer mina fosse removida sob risco de “consequências militares sem precedentes”, apesar de não haver confirmação de que elas já tenham sido colocadas.

O temor de escalada no conflito no estreito, crucial para o transporte global de petróleo e gás, fez com que o dólar praticamente zerasse suas perdas no Brasil e fortalecesse a moeda também no exterior. O petróleo se afastou das mínimas intradiárias, refletindo a volatilidade provocada pelas notícias internacionais.

Intervenção do Banco Central

O Banco Central do Brasil atuou no mercado vendendo 50 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de abril, reforçando a liquidez e estabilizando a cotação da moeda.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

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Economia

China prioriza autossuficiência tecnológica e reduz foco nas exportações em nova estratégia econômica

A China anunciou uma mudança estratégica em sua política econômica, com menor dependência das exportações e maior foco no fortalecimento do mercado interno e da autossuficiência tecnológica. A nova diretriz foi apresentada em 5 de março, durante a reunião anual do parlamento chinês.

Na ocasião, o primeiro-ministro Li Qiang anunciou que a meta de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 ficará entre 4,5% e 5%, o nível mais baixo em cerca de três décadas — com exceção do período da pandemia.

A decisão faz parte do 15º Plano Quinquenal da China, documento que define as prioridades econômicas e estratégicas do país para os próximos cinco anos.

Novo plano busca reduzir dependência das exportações

O governo chinês pretende reequilibrar o modelo de crescimento econômico, que nas últimas décadas foi fortemente impulsionado pelas exportações.

A nova estratégia prevê estímulos ao consumo das famílias, ampliação dos investimentos domésticos e maior apoio à inovação tecnológica e à indústria de alta tecnologia.

Durante o discurso, Li Qiang afirmou que o país precisa fortalecer suas próprias capacidades para enfrentar desafios externos, em um cenário marcado por tensões geopolíticas e disputas comerciais.

Entre os fatores citados estão os conflitos no Oriente Médio e a possibilidade de novas pressões comerciais dos Estados Unidos.

Tecnologia de ponta ganha prioridade no plano quinquenal

O planejamento econômico prevê investimentos em setores considerados estratégicos para a liderança tecnológica global da China.

Entre as áreas destacadas estão:

  • Computação quântica
  • Biofabricação
  • Hidrogênio e energia de fusão
  • Interfaces cérebro-computador
  • Inteligência artificial
  • Redes móveis 6G

Segundo o documento do plano quinquenal, o país precisa conquistar vantagem estratégica diante da crescente competição tecnológica internacional. O termo “inteligência artificial” aparece mais de 50 vezes ao longo do texto.

Tensões comerciais influenciam mudança de rumo

A decisão de reduzir a dependência das exportações também está relacionada ao cenário internacional.

No ano passado, a China registrou um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, impulsionado principalmente pelas vendas externas. No entanto, tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos passaram a representar um obstáculo crescente para a expansão econômica.

Nos últimos anos, governos norte-americanos adotaram medidas para restringir o acesso chinês a tecnologias avançadas, especialmente no setor de semicondutores.

Mesmo diante dessas restrições, a China avançou em áreas como veículos elétricos, inteligência artificial, robótica e tecnologias industriais avançadas.

Economia doméstica enfrenta desafios

Apesar dos avanços tecnológicos, a economia interna chinesa enfrenta dificuldades desde a pandemia.

Entre os principais desafios estão:

  • ambiente deflacionário, causado pela superprodução e pela demanda fraca;
  • queda na confiança de consumidores e empresas;
  • crescimento salarial estagnado;
  • desemprego juvenil elevado;
  • persistente crise no setor imobiliário.

Esses fatores têm limitado o impacto do crescimento industrial sobre o consumo doméstico.

Meta econômica mira país desenvolvido até 2035

Mesmo com uma meta de crescimento mais modesta, o governo chinês mantém objetivos econômicos ambiciosos no longo prazo.

A meta de expansão do PIB entre 4,5% e 5% é considerada próxima do nível necessário para que o país alcance o status de “economia de renda média desenvolvida” até 2035.

Para atingir esse objetivo, a economia chinesa precisará crescer, em média, cerca de 4,17% ao ano na próxima década.

Governo anuncia estímulos e aumento nos gastos militares

Entre as medidas anunciadas para apoiar a economia interna está a criação de novos instrumentos de investimento que podem mobilizar 800 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 116 bilhões).

Além disso, o governo reservou 100 bilhões de yuans em linhas de crédito destinadas a consumidores e empresas.

A meta de inflação ao consumidor foi mantida em torno de 2%, patamar semelhante ao previsto para 2025.

Outro ponto que chamou atenção de analistas foi o anúncio de aumento de 7% nos gastos militares da China, elevando o orçamento de defesa para cerca de US$ 277 bilhões neste ano.

Cenário geopolítico influencia estratégia chinesa

Especialistas avaliam que o cenário internacional também pesa nas decisões estratégicas de Pequim.

Conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel, Irã e Venezuela aumentaram a percepção de risco entre líderes chineses em relação à política externa norte-americana.

Para o analista Daniel Russel, do Asia Society Policy Institute e ex-diplomata dos EUA, ações militares recentes podem fortalecer a disposição da China de ampliar sua capacidade estratégica e aprofundar a cooperação com parceiros como a Rússia.

Segundo ele, iniciativas que buscam demonstrar poder militar podem acabar reforçando a determinação de Pequim em reduzir a dependência tecnológica do Ocidente.

FONTE: NeoFeed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Economia

Dólar dispara a R$ 5,26 e Ibovespa cai 3% com tensão no Oriente Médio

A escalada do conflito no Oriente Médio provocou forte turbulência nos mercados nesta terça-feira (3). O dólar avançou quase 2% e voltou ao patamar de R$ 5,26, enquanto a Bolsa brasileira registrou a maior queda do ano. O movimento acompanha a busca global por ativos considerados mais seguros diante do aumento do risco geopolítico.

Dólar sobe com aversão ao risco

O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,261, alta de 1,87%. No pico da sessão, por volta das 12h20, chegou a R$ 5,34, mas perdeu força ao longo da tarde.

A moeda norte-americana atingiu o maior nível desde o fim de janeiro, refletindo a saída de capital de mercados emergentes. Em meio à volatilidade, o Banco Central anunciou dois leilões de linha no valor de US$ 2 bilhões cada, mas cancelou a operação minutos depois, informando tratar-se de um teste interno divulgado por engano.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a moedas fortes, subiu 0,66%, reforçando o movimento global de fortalecimento da divisa.

Ibovespa registra maior queda do ano

A instabilidade também dominou o mercado acionário. O Ibovespa, principal índice da B3, recuou 3,27%, encerrando aos 183.104 pontos. Durante o pregão, chegou à mínima de 180.518 pontos, queda de 4,64%.

A retração foi disseminada entre as ações. Após renovar recorde acima de 191 mil pontos no fim de fevereiro, o índice voltou ao menor nível em quase um mês.

O desempenho negativo acompanhou as bolsas internacionais:

  • Ásia: Tóquio (-3,1%) e Seul (-7,24%);
  • Europa: quedas superiores a 3%;
  • Estados Unidos: Dow Jones (-0,83%), S&P 500 (-0,9%) e Nasdaq (-1,02%).

Petróleo supera US$ 80 e pressiona inflação global

A tensão geopolítica ganhou força após o agravamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, com impactos também no Líbano e em países do Golfo.

O anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã — rota por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial — elevou o temor de interrupção no fornecimento global de energia. O Catar também suspendeu a produção de gás natural liquefeito.

Como reflexo, o barril do petróleo Brent ultrapassou US$ 80, acumulando alta superior a 4% no fechamento. No início do dia, chegou a avançar 10%. O gás natural na Europa disparou 22%.

A valorização das commodities energéticas amplia o risco de inflação global e reforça preocupações com desaceleração econômica.

PIB brasileiro cresce 2,3% em 2025, mas desacelera no fim do ano

No cenário doméstico, o IBGE informou que o PIB do Brasil avançou 2,3% em 2025. Apesar do crescimento no acumulado do ano, o ritmo perdeu força no quarto trimestre, com alta de apenas 0,1%.

O resultado representa desaceleração frente a 2024, quando a economia cresceu 3,4%. O dado ficou dentro das projeções oficiais, mas reforçou a percepção de perda de dinamismo.

Diante do ambiente externo adverso e da atividade econômica mais fraca, o mercado revisou expectativas para a próxima reunião do Banco Central. A projeção predominante agora é de corte de 0,25 ponto percentual na Taxa Selic, abaixo da estimativa anterior de 0,5 ponto.

Juros mais elevados tendem a sustentar o dólar, mas também limitam o crescimento econômico.

FONTE: Agência Brasil e Reuters.

TEXTO: Conteúdo produzido com suporte de IA, sob curadoria editorial da equipe ReConecta News.

IMAGEM: ILUSTRATIVA / ARQUIVO / RECONECTA NEWS

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Economia

Economia brasileira cresce 2,3% em 2025, aponta IBGE

A economia brasileira encerrou 2025 com crescimento de 2,3%, consolidando o quinto ano consecutivo de expansão. No quarto trimestre, o avanço foi de 0,1% frente ao período imediatamente anterior.

Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Em valores correntes, o PIB brasileiro atingiu R$ 12,7 trilhões no ano passado. O PIB per capita chegou a R$ 59.687, com alta real de 1,9% em relação a 2024. Segundo o instituto, tanto o resultado total quanto o valor por habitante são os maiores da série histórica iniciada em 1996.

Cinco anos seguidos de alta

O desempenho mantém uma sequência de crescimento iniciada em 2021:

  • 2021: 4,8%
  • 2022: 3%
  • 2023: 3,2%
  • 2024: 3,4%
  • 2025: 2,3%

Apesar da desaceleração frente aos anos anteriores, o país permaneceu em trajetória positiva.

Agropecuária lidera expansão do PIB

Pela ótica da produção, todos os grandes setores da economia registraram crescimento em 2025.

  • Agropecuária: 11,7%
  • Serviços: 1,8%
  • Indústria: 1,4%

O principal destaque foi a agropecuária, impulsionada por ganhos de produtividade e recordes de produção, especialmente de milho (23,6%) e soja (14,6%). O setor respondeu por 32,8% da alta do PIB no ano.

Na indústria, a extração de petróleo e gás sustentou o avanço das indústrias extrativas, que cresceram 8,6%. A construção apresentou estabilidade, com leve alta de 0,5%.

O setor de serviços também avançou em todas as atividades pesquisadas, com ênfase para informação e comunicação (6,5%) e atividades financeiras (2,9%).

Segundo o IBGE, agropecuária, indústria extrativa, outras atividades de serviços e informação e comunicação concentraram 72% da expansão econômica em 2025.

Consumo das famílias desacelera

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias subiu 1,3% em 2025, resultado associado à melhora do mercado de trabalho, maior oferta de crédito e programas de transferência de renda. Ainda assim, houve desaceleração frente ao crescimento de 5,1% registrado em 2024.

O IBGE atribui a perda de fôlego à política monetária contracionista, marcada por juros elevados.

O consumo do governo cresceu 2,1% no ano, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) avançou 2,9%, puxada por importações de máquinas e equipamentos, desenvolvimento de softwares e desempenho da construção.

A taxa de investimento ficou em 16,8% do PIB, levemente abaixo dos 16,9% de 2024. Já a taxa de poupança subiu para 14,4%.

Desempenho no quarto trimestre

Entre outubro e dezembro, o PIB variou 0,1% em relação ao trimestre anterior.

Pelo lado da produção:

  • Serviços: +0,8%
  • Agropecuária: +0,5%
  • Indústria: -0,7%

Na ótica da despesa:

  • Consumo do governo: +1%
  • Consumo das famílias: 0%
  • Investimentos: -3,5%

De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a estabilidade do consumo das famílias e o aumento dos gastos públicos compensaram a queda nos investimentos.

Juros altos marcaram o ano

O cenário de desaceleração está relacionado ao ciclo de alta da taxa básica de juros. Em setembro de 2024, o Banco Central do Brasil iniciou um processo de elevação da taxa Selic, conduzido pelo Comitê de Política Monetária. A taxa passou de 10,5% ao ano para 15% em junho de 2025, permanecendo nesse patamar.

A meta oficial de inflação é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo permaneceu por 13 meses fora desse intervalo, abrangendo praticamente todo o ano de 2025.

Juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos e tendem a frear o consumo, contribuindo para o controle da inflação, mas com impacto sobre o ritmo da atividade econômica.

Apesar disso, o ano terminou com a menor taxa de desemprego da série histórica, também segundo o IBGE.

O que é o PIB

O Produto Interno Bruto representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em um país em determinado período. O indicador permite avaliar o desempenho da economia e comparar resultados entre regiões e países.

O cálculo considera pesquisas setoriais de comércio, serviços e indústria, além dos impostos embutidos nos preços ao consumidor.

Embora seja um dos principais indicadores econômicos, o PIB não reflete aspectos como distribuição de renda ou qualidade de vida da população.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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