Comércio

Salvaguardas agrícolas do Mercosul são aprovadas pelo Europarlamento para destravar acordo comercial

O Parlamento Europeu aprovou, nesta terça-feira, as salvaguardas agrícolas do acordo Mercosul–União Europeia, consideradas decisivas para destravar a assinatura do tratado de livre comércio com os países sul-americanos. As cláusulas foram negociadas entre os 27 Estados-membros e a Comissão Europeia, em Bruxelas, como condição para viabilizar o avanço do pacto, assinado em janeiro e que pode entrar em vigor de forma provisória nos próximos meses.

A decisão permite que o Executivo comunitário avalie a aplicação temporária do acordo enquanto os trâmites finais seguem em andamento.

Proteção ao campo europeu está no centro das medidas

As salvaguardas aprovadas têm como objetivo reforçar a proteção da agricultura europeia diante de possíveis impactos causados pela maior abertura do mercado aos produtos do Mercosul. Entre os setores considerados mais sensíveis estão aves, carne bovina, ovos, citros e açúcar.

A proposta busca evitar distorções graves no mercado interno, oferecendo instrumentos rápidos de resposta caso haja desequilíbrios provocados pelo aumento das importações.

Partido Popular destaca defesa dos agricultores

Após a votação, o Partido Popular Europeu celebrou o resultado. O eurodeputado espanhol Gabriel Mato, relator do parecer aprovado, afirmou que as salvaguardas garantem uma proteção “real e eficaz” aos agricultores assim que o novo regime comercial entrar em vigor.

Em nota, o partido destacou que o mecanismo é fundamental por permitir a adoção de medidas preventivas, antes que eventuais danos ao mercado agrícola europeu se tornem irreversíveis.

Limites acionam investigações em até 21 dias

O texto aprovado estabelece parâmetros claros para que a Comissão Europeia possa iniciar investigações e ativar medidas corretivas em até 21 dias, caso seja identificado um impacto relevante sobre produtos agrícolas sensíveis.

Inicialmente, os limites discutidos entre Conselho e Parlamento previam uma variação de 8%, mas o percentual foi reduzido para 5%, atendendo à posição defendida pelo Parlamento Europeu e às exigências da Itália.

Mudança destrava impasse político

A redução do limite foi determinante para que o governo italiano, liderado por Giorgia Meloni, retirasse o veto ao acordo. Até então, a Itália se alinhava ao bloqueio imposto por França e Polônia, o que impedia a assinatura do tratado.

Com a retirada da objeção italiana, o processo foi retomado e permitiu a formalização do acordo em janeiro.

Quando as salvaguardas serão acionadas

Pelas novas regras, Bruxelas poderá agir sempre que as importações de produtos agrícolas sensíveis aumentarem, em média, 5%, acompanhadas de uma queda equivalente nos preços ao longo de três anos. O critério é mais rígido do que a proposta inicial da Comissão Europeia, que previa variações de até 10%.

FONTE: Monitor Mercantil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gustavo Magalhães, MRE

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Comércio

ALADI avança na eliminação de barreiras ao comércio de cosméticos na América Latina

A ALADI deu um passo decisivo para fortalecer o comércio intrarregional de cosméticos ao concluir, em Montevidéu, a revisão legal de um acordo voltado à eliminação de barreiras técnicas que dificultam o intercâmbio no setor. O encerramento dessa etapa formaliza o texto e abre caminho para sua assinatura e incorporação às legislações nacionais.

Próxima etapa: assinatura e adoção nacional

Com a revisão jurídica finalizada na sede da Associação Latino-Americana de Integração, o acordo segue agora para a fase de assinatura pelos países membros. Em seguida, o texto deverá ser internalizado nos marcos regulatórios de cada país, movimento considerado essencial para reduzir insegurança regulatória e aumentar a previsibilidade no comércio regional de produtos cosméticos.

Barreiras técnicas travam o comércio intrarregional

O foco do acordo é enfrentar um dos principais entraves ao comércio exterior de cosméticos na região: as barreiras não tarifárias. Entre elas estão diferenças em requisitos regulatórios, normas de rotulagem, avaliações de conformidade e procedimentos administrativos, fatores que elevam custos e tornam as operações mais lentas e complexas.

Em um mercado regional estimado em mais de US$ 55 bilhões, essas divergências impactam diretamente a logística internacional, gerando atrasos no despacho aduaneiro, aumento de despesas operacionais e maior complexidade para exportadores, importadores e operadores logísticos.

Setor estratégico para a integração regional

O setor cosmético ocupa posição de destaque no comércio latino-americano, tanto pelo volume movimentado quanto pela diversidade de produtos e cadeias produtivas distribuídas entre vários países. Ainda assim, o avanço do comércio intrarregional tem sido limitado pela existência de normas técnicas heterogêneas, que obrigam as empresas a cumprir múltiplas exigências para acessar diferentes mercados.

Harmonização regulatória e ganhos logísticos

O acordo busca reduzir essas limitações por meio da harmonização de requisitos, do reconhecimento mútuo de procedimentos e da eliminação de exigências redundantes. A meta é criar condições mais homogêneas para o comércio de cosméticos na América Latina, facilitando a circulação de mercadorias.

Além do impacto regulatório, a iniciativa traz reflexos diretos para a logística regional. A diminuição de obstáculos técnicos tende a resultar em processos aduaneiros mais ágeis, menos inspeções repetidas e redução no tempo de liberação de cargas, aumentando a eficiência das operações.

Negociação técnica e cooperação regional

A revisão legal foi concluída após um processo de negociação técnica, que incluiu encontros presenciais em Montevidéu com delegações dos países membros. Nessas reuniões, foram discutidos aspectos relacionados às regulamentações técnicas e aos mecanismos de controle aplicáveis ao setor cosmético.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Comércio

Exportações do setor agropecuário avançam 2,1% em janeiro de 2026

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 4,34 bilhões em janeiro de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (5/2) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC). No período, as exportações somaram US$ 25,2 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 20,81 bilhões.

Comparado a janeiro de 2025, o total das exportações apresentou ligeira queda de 1%, enquanto as importações recuaram 9,8%, refletindo uma redução de 5,1% na corrente de comércio, que alcançou US$ 45,96 bilhões.

Desempenho por setor nas exportações

No comparativo anual, o setor agropecuário foi destaque, com crescimento de 2,1%, equivalente a um acréscimo de US$ 0,08 bilhão. Já a indústria extrativa sofreu queda de 3,4% (US$ 0,25 bilhão) e os produtos da indústria de transformação registraram leve recuo de 0,5% (US$ 0,07 bilhão).

Setores com queda nas importações

As importações de janeiro de 2026 também apresentaram recuos em todos os setores analisados. O setor agropecuário teve retração de 28,7% (US$ 0,18 bilhão), enquanto a indústria extrativa caiu 30,2% (US$ 0,33 bilhão) e a indústria de transformação recuou 8,2% (US$ 1,74 bilhão).

O desempenho indica ajustes na comércio exterior do Brasil, com destaque para a consolidação das exportações agropecuárias, que continuam sendo um pilar estratégico para a economia do país.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Tv Prefeito

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Comércio

Brasil busca ampliar e diversificar comércio e investimentos com a Rússia

A VIII Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação (CAN) discutiu nesta quinta-feira (5/2), em Brasília, a agenda de comércio, investimentos e cooperação econômica entre Brasil e Rússia. O evento foi copresidido pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e pelo primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin.

Potencial econômico bilateral

Na abertura da reunião, Alckmin destacou o potencial estrutural das duas economias. Segundo ele, Brasil e Rússia possuem bases produtivas amplas, recursos naturais estratégicos, capacidade tecnológica e mercados internos relevantes, fatores que podem impulsionar a expansão e diversificação da cooperação econômica e comercial.

“Essa combinação cria oportunidades concretas para ampliar, diversificar e qualificar nossa parceria econômica e comercial”, afirmou o vice-presidente.

Prioridades estratégicas da CAN

Durante o encontro, foram apontadas as áreas estratégicas para o desenvolvimento conjunto: cooperação industrial, fortalecimento do agronegócio, energia, ciência, tecnologia e inovação, infraestrutura, logística e desenvolvimento sustentável. Alckmin reforçou a importância de promover integração produtiva, parcerias empresariais e cooperação tecnológica em todos esses setores.

O vice-presidente ainda contextualizou a relação bilateral dentro da política de modernização produtiva do Brasil, destacando a aposta em uma indústria mais verde, digital e conectada às cadeias globais de valor.

Fluxo comercial em 2025

A comissão é a principal instância de coordenação intergovernamental entre os países e orienta iniciativas para ampliar negócios, estimular investimentos produtivos e consolidar parcerias estratégicas. Em 2025, o comércio bilateral Brasil-Rússia atingiu US$ 10,9 bilhões, sendo US$ 1,5 bilhão em exportações brasileiras e US$ 9,4 bilhões em importações.

Visão russa sobre a parceria

O primeiro-ministro Mikhail Mishustin ressaltou a evolução positiva da cooperação econômica e a implementação de novos projetos conjuntos. “Estamos interagindo ativamente na área comercial e econômica, com iniciativas que beneficiam diferentes setores”, disse.

Mishustin ainda destacou a relevância do Brasil para o comércio exterior russo, apontando que o país concentra metade do volume comercial da Rússia na América Latina e se destaca como fornecedor de produtos alimentares, como carne e café. Segundo ele, a parceria contribui para a segurança alimentar global.

Declaração conjunta fortalece cooperação

Ao final da reunião, os líderes assinaram uma declaração conjunta confirmando o compromisso de continuar a parceria, ampliando projetos de cooperação em áreas de interesse estratégico para ambos os países. As autoridades avaliaram positivamente o diálogo político bilateral e destacaram a importância do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Vladimir Putin, realizado em Moscou em 9 de maio de 2025.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cadu Gomes/VPR

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Comércio

Amazon aposta em loja big box omnichannel para ganhar escala no varejo físico

Nova loja será a maior da história da empresa
A Amazon anunciou a abertura da maior loja física de sua história, apostando no modelo de big box omnichannel para ampliar sua presença no varejo tradicional. O empreendimento será instalado no subúrbio de Chicago, nos Estados Unidos, e contará com 21 mil metros quadrados de área de vendas.

O tamanho supera com folga as lojas do Walmart, que têm média de 16 mil m², e equivale a quase duas unidades de porte médio da Target, segundo informações do The Wall Street Journal.

Estrutura integra supermercado e fulfillment
O projeto prevê a divisão do espaço em duas grandes áreas. Cerca de 50% da loja será dedicada à venda de alimentos e itens de consumo recorrente, como fraldas, papel toalha e refeições preparadas na hora. A outra metade funcionará como um centro de fulfillment, voltado ao atendimento de pedidos online e compras realizadas dentro da própria loja.

A proposta é integrar de forma fluida o varejo físico e o comércio eletrônico, combinando conveniência, logística e experiência de compra.

Tentativa de ganhar força em um mercado dominado por rivais
A iniciativa marca mais uma tentativa da Amazon de conquistar espaço no varejo físico, segmento que ainda responde por cerca de 80% das compras dos consumidores americanos e é dominado por redes como Costco, Target e Walmart.

Nos últimos anos, a empresa reduziu sua presença em formatos menores, com o fechamento de dezenas de lojas Amazon Fresh, Amazon Style e mais da metade das unidades Amazon Go, modelo automatizado que utiliza sensores e câmeras com inteligência artificial para identificar produtos e cobrar diretamente pelo aplicativo.

Experiência integrada entre loja e digital
Apesar de ainda não divulgar muitos detalhes operacionais, a Amazon teve o projeto aprovado pela prefeitura de Chicago há duas semanas. Em reunião com autoridades locais, a advogada Katie Jahnke Dale, que representa a empresa, afirmou que a loja foi desenhada para atender às novas exigências dos consumidores do varejo.

Segundo ela, clientes poderão combinar compras presenciais e pedidos digitais. Um consumidor que encontrar um produto, como um suéter, mas desejar outra cor, poderá fazer o pedido em um quiosque digital e retirar o item no caixa, junto com as compras de supermercado.

Também será possível solicitar que produtos pesados, como sacos de ração para animais, sejam levados diretamente até o carro do cliente.

Amazon descarta uso como centro de distribuição
A empresa reforçou que o espaço não será um centro de distribuição tradicional. A área operacional ampliada nos fundos da loja tem como objetivo separar as operações online das presenciais, garantindo eficiência logística sem comprometer a experiência do consumidor.

A Amazon iniciará nas próximas semanas a demolição do restaurante que ocupava o terreno e planeja abrir a loja no próximo ano.

Modelo pode ser replicado em outras cidades
De acordo com o Wall Street Journal, a companhia avalia abrir outras lojas com o mesmo formato em diferentes cidades dos Estados Unidos, embora os locais ainda não tenham sido divulgados.

Analistas veem mais coerência estratégica nessa abordagem. Para um especialista da Baird, o formato big box dialoga melhor com o posicionamento da Amazon como marketplace de massa. Já um analista da GlobalData avalia que o sucesso dependerá da capacidade da empresa de convencer o consumidor a migrar compras hoje feitas em redes consolidadas.

FONTE: Brazil Journal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Journal

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Comércio

Frete no e-commerce brasileiro se torna decisivo e muda estratégia das lojas online

O frete no e-commerce passou de item operacional a fator determinante na decisão de compra do consumidor brasileiro. Em um cenário de alta concorrência entre marketplaces, aplicativos e redes sociais, a disposição para pagar mais pela entrega é cada vez menor — mesmo que isso signifique esperar mais tempo pelo produto.

Consumidor prefere esperar a pagar mais pela entrega

Dados da pesquisa “Consumo Multicanal — 2025”, da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, mostram que 51% dos consumidores nunca aceitam pagar mais para receber pedidos com maior rapidez. Outros 37% pagam apenas em situações específicas, enquanto apenas 12% estão dispostos a arcar com custo adicional pela agilidade.

O recado do consumidor é direto: prazo maior é aceitável, cobrança extra não.

Frete grátis lidera critérios de escolha

A importância do frete grátis ganhou ainda mais força com a consolidação do comércio eletrônico e a entrada agressiva de plataformas internacionais, como Shopee e Shein. Ao oferecer entregas gratuitas ou de custo muito baixo, inclusive em compras internacionais, essas empresas redefiniram a percepção de valor do consumidor brasileiro.

Segundo o levantamento, 56% dos entrevistados apontam o frete grátis como o principal fator de decisão, superando preço do produto, formas de pagamento e até a confiança na marca. Mesmo quando o valor final da compra pouco se altera, o custo da entrega é percebido como um gasto indesejado.

Desafio financeiro para o varejo nacional

Para o varejo brasileiro, absorver o custo do frete representa um dos maiores desafios atuais. Margens já pressionadas dificultam a oferta de entrega gratuita, especialmente para pequenos e médios lojistas. Em contrapartida, não oferecer essa opção aumenta o risco de perda da venda ainda no carrinho.

A pesquisa revela que 57% dos consumidores abandonaram compras online nos últimos três meses. Parte relevante dessas desistências está relacionada a custos inesperados de frete e impostos, evidenciando que a falta de transparência pesa tanto quanto o valor cobrado.

Empresas que informam claramente o custo da entrega desde o início da jornada — ou eliminam a cobrança — tendem a registrar maiores taxas de conversão.

Entrega rápida é valorizada, mas com limites

A busca por entrega rápida segue em alta, com consumidores valorizando rastreamento em tempo real e prazos reduzidos, inclusive no mesmo dia. Ainda assim, a expectativa predominante é de que esses serviços estejam embutidos no preço final, seguindo o padrão estabelecido por grandes marketplaces.

Para equilibrar custo e competitividade, o setor tem adotado estratégias como pontos de retirada, entregas ultralocalizadas, parcerias logísticas, campanhas sazonais de frete grátis, programas de assinatura e valores mínimos de compra para isenção da taxa.

O frete no e-commerce deixou de ser um detalhe e passou a definir a escolha — ou a rejeição — de uma loja virtual. O consumidor aceita esperar, mas exige previsibilidade e não tolera pagar além do que considera justo. Para o varejo, adaptar a logística deixou de ser opção e virou condição de sobrevivência.

FONTE: Agora RN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Comércio

UE e Índia firmam acordo histórico e criam uma das maiores áreas de livre comércio do mundo

A União Europeia (UE) e a Índia formalizaram nesta terça-feira (27) um acordo comercial de grande alcance que cria uma zona de livre comércio envolvendo aproximadamente 2 bilhões de pessoas. O pacto encerra quase 20 anos de negociações e passa a figurar entre os maiores acordos comerciais globais em termos de população e peso econômico.

O entendimento surge em um contexto de instabilidade geopolítica, com o objetivo de reduzir impactos da concorrência chinesa e das tensões geradas pela guerra tarifária dos Estados Unidos.

Acordo representa fatia expressiva da economia global

Antes do encontro com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, destacou a dimensão econômica do pacto. Segundo ele, o acordo responde por cerca de 25% do PIB mundial e aproximadamente um terço do comércio internacional.

Ursula von der Leyen afirmou que o tratado marca um momento histórico na relação entre os dois blocos, ao estabelecer uma área de livre comércio com potencial de ganhos mútuos em escala global.

Redução de tarifas deve impulsionar comércio bilateral

Os últimos impasses foram resolvidos na segunda-feira, permitindo a conclusão do texto final. A expectativa é de que o acordo estimule o comércio bilateral por meio da redução de tarifas em diversos setores estratégicos.

De acordo com Bruxelas, a diminuição das tarifas indianas sobre produtos europeus pode gerar uma economia de até 4 bilhões de euros por ano para empresas da UE. A Alemanha classificou o pacto como um vetor relevante de crescimento econômico e geração de empregos.

Automóveis, vinhos e alimentos entre os setores beneficiados

Com a entrada em vigor do acordo, as tarifas indianas sobre automóveis europeus cairão de 110% para 10%. No setor de bebidas, a taxa sobre vinhos será reduzida de 150% para 20%.

Já os impostos aplicados a massas e chocolates, atualmente em torno de 50%, serão completamente eliminados, segundo autoridades europeias. A UE avalia que poderá dobrar suas exportações para o mercado indiano, tradicionalmente protegido.

Índia aposta em exportações e modernização

Do lado indiano, o governo espera ampliar as vendas externas de têxteis, joias, pedras preciosas e produtos de couro. Em 2024, o comércio de mercadorias entre as partes alcançou 120 bilhões de euros, enquanto o setor de serviços somou 60 bilhões de euros, conforme dados oficiais da UE.

Bruxelas vê na Índia uma oportunidade estratégica, diante do mercado de 1,5 bilhão de habitantes e do crescimento econômico acelerado, que atingiu 8,2% no último trimestre.

Índia deve ganhar espaço no ranking das maiores economias

Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Índia deve ultrapassar o Japão ainda neste ano e se tornar a quarta maior economia do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Alemanha. O governo indiano projeta que o país poderá alcançar a terceira posição antes de 2030.

Para Nova Délhi, a Europa é vista como uma fonte estratégica de tecnologia, investimentos e inovação, fundamentais para acelerar a modernização econômica e a criação de milhões de empregos.

Cooperação vai além do comércio

Além do livre comércio, UE e Índia pretendem avançar em acordos sobre circulação de trabalhadores temporários, intercâmbio de estudantes, pesquisadores e profissionais qualificados, além de cooperação nas áreas de segurança e defesa.

Na área militar, a Índia vem diversificando seus fornecedores e reduzindo a dependência da Rússia, enquanto países europeus buscam estratégia semelhante em relação aos Estados Unidos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Comércio

Focus reduz projeção do IPCA 2026 para 4,00% e mantém inflação abaixo do teto da meta

A mediana das projeções do Relatório Focus para o IPCA de 2026 foi ajustada para baixo, passando de 4,02% para 4,00%, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central. O patamar está 0,50 ponto percentual abaixo do teto da meta de inflação, fixado em 4,50%. Há quatro semanas, a estimativa era ligeiramente maior, em 4,05%.

Ao considerar apenas as estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, o indicador mostrou recuo adicional, de 4,02% para 3,99%, com base em 113 projeções recentes.

Projeções de inflação para 2027 seguem estáveis
Para 2027, o mercado manteve a expectativa de IPCA em 3,80%, resultado que se repete pela 12ª semana consecutiva. A estabilidade também aparece quando são analisadas apenas as 106 projeções revisadas no período mais recente.

Resultado do IPCA 2025 e cenário do Banco Central
O IPCA acumulado de 2025 fechou em 4,26%, conforme dados do IBGE. De acordo com o comunicado da reunião de dezembro do Copom, o Banco Central projeta inflação de 3,5% ao fim de 2026 e espera que o índice em 12 meses atinja 3,2% no horizonte relevante, atualmente situado no segundo trimestre de 2027.

Meta de inflação contínua e compromisso com a convergência
Desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, considerando o IPCA acumulado em 12 meses. O centro da meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Caso a inflação permaneça fora desse intervalo por seis meses seguidos, o BC é considerado fora do alvo, situação registrada após a divulgação do IPCA de junho.

Em novembro, no entanto, a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,46%, voltando a ficar abaixo do teto. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central reforçou o compromisso com a convergência ao centro da meta. “O reenquadramento da inflação dentro dos limites estabelecidos para a faixa de tolerância é uma etapa natural do processo de convergência à meta”, destacou a autoridade monetária.

Expectativas para 2028 e 2029 permanecem inalteradas
As projeções do Focus para o IPCA de 2028 seguem em 3,50%, pela 12ª semana consecutiva. Para 2029, a estimativa também permanece em 3,50%, mantendo-se estável há 21 semanas.

FONTE: Istoé Dinheiro
TEXTO: Redação
IMAGEM: FERNANDA FELTES/Jornal do Comércio

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Comércio

China consolida Brasil como principal vitrine econômica nas Américas

O avanço da China no Brasil deixou de ser apenas uma relação comercial e passou a influenciar decisões econômicas, políticas e estratégicas em Brasília. Com US$ 171 bilhões em comércio bilateral, investimentos recordes, fábricas de montadoras chinesas e a expansão acelerada de apps e plataformas de e-commerce, o país se tornou o principal eixo da presença chinesa na América Latina.

Esse movimento ganhou força após os Estados Unidos aplicarem uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, em julho de 2025, ampliando tensões geopolíticas e empurrando o Brasil para uma aproximação ainda maior com Pequim.

Tarifa dos EUA acelera reposicionamento internacional do Brasil

A sobretaxa americana, somada à tarifa básica de 10%, elevou significativamente o custo de entrada de produtos brasileiros no mercado dos EUA. O impacto extrapolou o comércio e ganhou contornos políticos, com protestos antiamericanos no Rio de Janeiro, em janeiro de 2026, diante do consulado dos Estados Unidos.

O episódio reforçou a percepção de que decisões comerciais podem gerar efeitos diretos na diplomacia e no debate público, ampliando o espaço da China como parceira estratégica em meio ao protecionismo norte-americano.

BRICS, disputa monetária e pressão estrutural

Como membro fundador do BRICS, o Brasil aparece no centro de um debate mais amplo sobre a ordem econômica global, que envolve críticas à hegemonia do dólar e tentativas de diversificação monetária. Esse pano de fundo fortalece a estratégia chinesa de ampliar influência em mercados-chave, sobretudo em países pressionados por barreiras comerciais.

Nesse contexto, o Brasil surge como prioridade absoluta na América Latina, não apenas por volume de exportações, mas por seu peso político, econômico e simbólico.

Por que o Brasil é prioridade para a China nas Américas

Com mais de 200 milhões de habitantes e uma população majoritariamente jovem, o Brasil é visto como um mercado consumidor de grande escala, capaz de absorver tecnologia, veículos, serviços digitais e bens industriais.

Na lógica chinesa, o país reúne três fatores decisivos: dimensão econômica, potencial de consumo e efeito vitrine para marcas que buscam expansão em um cenário global cada vez mais protecionista.

Comércio bilateral atinge US$ 171 bilhões

Em 2025, o comércio entre Brasil e China alcançou US$ 171 bilhões, impulsionado principalmente por soja, minerais e óleo. A soja, em especial, tornou-se um elemento central da disputa geopolítica, ao substituir fornecedores americanos no abastecimento chinês.

Entre janeiro e agosto de 2025, o Brasil exportou 77 milhões de toneladas de soja para a China, enquanto os Estados Unidos venderam cerca de 17 milhões de toneladas no mesmo período. O dado reforça o papel do agronegócio brasileiro como instrumento de poder comercial.

Investimentos chineses batem recorde no Brasil

Os investimentos chineses no Brasil atingiram US$ 4,2 bilhões em 2024, distribuídos em 39 projetos, colocando o país como o terceiro maior destino global desses aportes. A estratégia envolve diversificação setorial, com presença simultânea em indústria, logística, energia, mobilidade e consumo digital.

Esse avanço contínuo transformou marcas chinesas em nomes familiares no cotidiano brasileiro, reduzindo a dependência de um único setor e consolidando uma presença estrutural.

BYD e Great Wall ampliam disputa no mercado automotivo

As montadoras BYD e Great Wall abriram fábricas no Brasil, que figura entre os seis maiores mercados automotivos do mundo. Além da produção local, a BYD anunciou parcerias para qualificar mais de 150 fornecedores brasileiros, ampliando o encadeamento produtivo e o impacto sobre emprego e renda.

A estratégia reforça a percepção de longo prazo da China no país, indo além da simples importação de veículos.

Apps e e-commerce chineses ganham espaço no dia a dia

No setor de mobilidade, a Didi, operando no Brasil como 99, consolidou-se como concorrente direta da Uber. Já no comércio eletrônico, plataformas como Temu, Shein e Alibaba avançam rapidamente, ocupando espaços centrais no consumo cotidiano.

Essa combinação de transporte, entregas e e-commerce faz com que a presença chinesa deixe de ser apenas industrial e passe a integrar a rotina dos consumidores brasileiros.

Energia e infraestrutura reforçam presença de longo prazo

A China também investiu bilhões de dólares em projetos de transmissão de energia elétrica, um tipo de aporte associado a prazos longos e alta dependência técnica. Somados às fábricas, aos apps e às plataformas digitais, esses investimentos ampliam a influência chinesa sobre o funcionamento estrutural do país.

O que muda para Brasília com a China no centro do tabuleiro

O conjunto de dados aponta para uma mudança concreta de incentivos. Comércio recorde, investimentos bilionários, avanço do agronegócio e presença crescente de marcas chinesas reposicionam o Brasil em um cenário global mais polarizado.

Com tarifas elevadas dos EUA, tensões diplomáticas e disputas sobre moeda e blocos econômicos, a China deixa de ser uma opção periférica e passa a ocupar papel central nas decisões econômicas brasileiras, com reflexos diretos sobre indústria, emprego, consumo e infraestrutura.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Comércio

Mapa conclui missão na Europa com foco em comércio agropecuário e cooperação internacional

Entre os dias 13 e 18 de janeiro, uma delegação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou missão oficial em Bruxelas, na Bélgica, e Berlim, na Alemanha, com agenda voltada ao acesso a mercados, às negociações sanitárias e fitossanitárias (SPS), à facilitação do comércio e ao fortalecimento da cooperação internacional.

A missão foi liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, e integrou a estratégia brasileira de ampliação e consolidação das relações comerciais no setor agropecuário.

Agenda técnica com a União Europeia em Bruxelas

Na capital belga, sede da União Europeia, a delegação contou com a participação dos adidos agrícolas do Brasil, Nilton Morais e Glauco Bertoldo. Foram realizadas reuniões com representantes das diretorias-gerais de Agricultura (DG AGRI) e de Saúde e Segurança Alimentar (DG SANTE).

Entre os temas discutidos estiveram a habilitação de estabelecimentos, a regionalização de enfermidades, a certificação eletrônica, a produção orgânica, além de procedimentos de controle sanitário. Também foram tratados os encaminhamentos do Mecanismo de Diálogo SPS Brasil–União Europeia, previsto para ocorrer no Brasil entre os dias 4 e 6 de março de 2026.

Acordo União Europeia–Mercosul no contexto da missão

A agenda institucional ocorreu em um momento estratégico para as relações comerciais. A missão foi realizada logo após a aprovação do acordo pelo Conselho Europeu e na mesma semana da assinatura do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, formalizada em 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai.

Após mais de 26 anos de negociações, o acordo prevê a criação de uma área de livre comércio que envolve mais de 700 milhões de pessoas e um PIB combinado estimado em US$ 22 trilhões, figurando entre os maiores acordos bilaterais do mundo. O texto ainda passará por processos de ratificação no Parlamento Europeu e nos legislativos dos países do Mercosul.

Berlim concentra agenda no GFFA e reuniões bilaterais

Na Alemanha, acompanhado do adido agrícola Eduardo Sampaio, o secretário participou do Global Forum for Food and Agriculture (GFFA), realizado em Berlim. Durante o evento, a delegação manteve reuniões bilaterais com ministros e vice-ministros de países como Alemanha, Índia, Estônia, Portugal, Indonésia, Reino Unido e Equador, entre outros.

Ao todo, foram promovidos mais de 15 encontros com autoridades e representantes de organismos internacionais, incluindo a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), a UNIDO, a OCDE e o Programa Mundial de Alimentos (WFP), com foco em cooperação técnica e institucional.

Destaque para sustentabilidade e bioeconomia azul

Representando o ministro Carlos Fávaro, Luís Rua participou da Conferência de Ministros da Agricultura, onde ressaltou o papel da agropecuária brasileira como fornecedora segura, estável e sustentável de alimentos, fibras e energia para o mercado global.

O secretário também foi orador principal no painel “Blue Foods and the Blue Bioeconomy”, destacando o potencial da aquicultura e da bioeconomia azul como vetores de segurança alimentar, geração de renda e desenvolvimento sustentável.

Diálogo com o setor produtivo alemão

A programação incluiu ainda encontros com representantes do ecossistema produtivo alemão, com destaque para reuniões junto à German Agribusiness Alliance, além de agendas com empresas do setor, como BASF, Syngenta e Bayer, reforçando o diálogo entre o Brasil e a indústria internacional.

Fórum global debate segurança alimentar

Realizado anualmente durante a International Green Week, o GFFA reúne governos, especialistas, setor privado, academia e sociedade civil para discutir segurança alimentar global. Em sua 18ª edição, em 2026, o fórum contou com a participação de mais de 60 ministros da Agricultura, encerrando-se, tradicionalmente, com a Conferência Ministerial.

FONTE: Ministério de Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Priscila Burmann

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