Comércio Internacional

Companhias de navegação avaliam retorno ao Canal de Suez após período de instabilidade

As principais companhias de navegação globais estão redefinindo suas estratégias para retomar o tráfego pelo Canal de Suez, após mais de dois anos de restrições provocadas por riscos à segurança marítima no Mar Vermelho. O movimento ocorre em meio a sinais de maior estabilidade na região, embora o cenário ainda exija cautela por parte do setor.

Desvios elevaram custos e tempo de viagem

Desde novembro de 2023, armadores passaram a evitar o Canal de Suez e a região do Mar Vermelho, optando por rotas alternativas ao redor da África. A decisão foi motivada por ataques a navios comerciais, atribuídos às forças houthis do Iêmen, em episódios associados, segundo relatos internacionais, ao conflito na Faixa de Gaza.

Esses desvios aumentaram significativamente os custos operacionais e o tempo de trânsito das cargas, impactando cadeias logísticas globais e pressionando fretes marítimos.

Cessar-fogo reabre debate sobre a rota de Suez

Um acordo de cessar-fogo firmado em outubro de 2025 levou algumas empresas a reavaliar o retorno ao corredor egípcio. Apesar disso, as companhias reforçam que qualquer retomada dependerá de análises contínuas sobre as condições de segurança.

A seguir, os principais posicionamentos anunciados até o momento por grandes armadores.

Maersk inicia retorno gradual

A Maersk, maior companhia de transporte marítimo de contêineres do mundo, informou que retomará ainda em janeiro a navegação pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez em um de seus serviços. A decisão ocorre após dois navios testarem a rota em dezembro e no início de janeiro.

O primeiro serviço a voltar será a linha semanal que liga Oriente Médio e Índia à costa leste dos Estados Unidos, com partida prevista para 26 de janeiro a partir do porto de Salalah, em Omã. Segundo a empresa, o retorno será feito de forma gradual.

CMA CGM amplia uso da rota

A CMA CGM, terceira maior armadora global, já vinha realizando travessias pontuais pelo Canal de Suez quando as condições permitiam. Agora, a companhia planeja utilizar a rota de forma mais regular no serviço INDAMEX, que conecta Índia e Estados Unidos, a partir de janeiro, conforme cronograma divulgado oficialmente.

Em dezembro, dois navios da empresa cruzaram o Canal de Suez, de acordo com informações da autoridade responsável pela via.

Hapag-Lloyd mantém postura cautelosa

A alemã Hapag-Lloyd informou que, por enquanto, não pretende alterar suas operações no Mar Vermelho. Um porta-voz da empresa destacou que a decisão da Maersk não muda a avaliação atual do grupo.

Em declarações anteriores, o presidente-executivo da companhia afirmou que o retorno da indústria marítima ao Canal de Suez tende a ocorrer de forma gradual, com um período de transição estimado entre 60 e 90 dias, a fim de evitar gargalos logísticos e congestionamentos portuários.

Wallenius Wilhelmsen segue em avaliação

Especializada no transporte marítimo de veículos, a norueguesa Wallenius Wilhelmsen segue monitorando o cenário e informou que não retomará a navegação pela região até que critérios específicos de segurança sejam atendidos. A empresa reforça que a decisão será tomada com base na evolução do ambiente geopolítico.

O retorno ao Canal de Suez, embora em análise, ainda depende de garantias de segurança consistentes, o que indica que a normalização do tráfego deve ocorrer de forma progressiva e desigual entre os armadores.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Internacional

Acordo UE-Mercosul: o que muda para o Brasil e a indústria, segundo Roberto Azevêdo

Após 26 anos de negociações, a União Europeia e o Mercosul finalmente chegaram a um consenso para a criação do maior acordo comercial do mundo. A avaliação é do diplomata brasileiro Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), que vê no tratado um potencial de transformação estrutural para as economias envolvidas — especialmente para o Brasil.

Embora o acordo inclua salvaguardas agrícolas que podem gerar ruídos no futuro, Azevêdo afirma que os ganhos com a abertura do mercado europeu, sobretudo para produtos de maior valor agregado, tendem a superar os riscos.

Um acordo estratégico em tempos de protecionismo

Para Azevêdo, o momento da aprovação do acordo UE-Mercosul é particularmente favorável diante do avanço de políticas protecionistas, especialmente nos Estados Unidos, e do enfraquecimento do multilateralismo comercial.

Segundo o diplomata, o tratado ajuda a reduzir parte das incertezas do comércio global ao criar um ambiente mais previsível para empresas e investidores. “Estamos falando de um acordo com enorme impacto econômico para os dois blocos”, avalia.

Dimensão econômica e alcance do tratado

O acordo estabelece uma área de livre-comércio que reúne mais de 700 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22 trilhões. Atualmente, o comércio entre os blocos gira em torno de € 111 bilhões por ano, número que tende a crescer com a redução tarifária.

Para o Mercosul, o tratado abre acesso a cerca de 450 milhões de consumidores europeus, enquanto a UE amplia sua presença em um mercado de 280 milhões de pessoas na América do Sul, onde já atuam aproximadamente 30 mil empresas europeias.

Tarifas, setores e compromissos comerciais

Mais de 90% do comércio bilateral terá tarifas eliminadas gradualmente. Para a União Europeia, isso representa a retirada de cerca de € 4 bilhões em impostos, com expectativa de crescimento de € 84 bilhões nas exportações e geração de até 756 mil empregos.

As exportações europeias são lideradas por maquinário, produtos químicos, farmacêuticos e automóveis, enquanto o Mercosul se destaca em produtos agrícolas, minerais, celulose e papel. Países do bloco sul-americano mantêm tarifas elevadas, como 35% sobre autopeças e 28% sobre lácteos, que serão progressivamente reduzidas.

Salvaguardas agrícolas e limites às commodities

Para viabilizar a aprovação interna, a Comissão Europeia adotou mecanismos de proteção ao setor agrícola, como cotas limitadas, controles mais rígidos e a possibilidade de reintrodução temporária de tarifas.

Azevêdo alerta que a abertura europeia para commodities é limitada e não permitirá um crescimento expressivo das exportações agrícolas do Mercosul. Ainda assim, ele defende uma visão mais ampla do acordo, que vai além do agronegócio.

Indústria brasileira e valor agregado

Na avaliação do ex-presidente da OMC, o maior potencial está na ampliação do acesso a um mercado que demanda produtos industrializados e de maior valor agregado. A União Europeia, com PIB per capita superior ao da China, tende a importar bens mais processados, o que pode favorecer a indústria brasileira.

O acordo também deve estimular investimentos europeus, transferência de tecnologia e maior integração produtiva entre os blocos.

Adaptação gradual e integração de cadeias produtivas

Azevêdo destaca que o tratado prevê um período de transição (phase-in) para setores mais sensíveis da economia brasileira, permitindo adaptação gradual à concorrência externa.

Com a integração das cadeias globais de valor, surgem oportunidades em nichos onde um bloco é mais competitivo que o outro. Para o diplomata, essa dinâmica pode ampliar a presença internacional da indústria brasileira, que historicamente priorizou o mercado interno.

Previsibilidade e segurança jurídica para investidores

Outro ponto ressaltado é o mecanismo de solução de controvérsias previsto no acordo, que garante maior segurança jurídica. Caso uma das partes descumpra as regras, será possível recorrer à arbitragem internacional.

Segundo Azevêdo, esse fator é decisivo para atrair investimentos em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica e disputas comerciais.

Próximos passos para o Mercosul

Com o enfraquecimento do sistema multilateral, o ex-diretor da OMC avalia que o Mercosul deve buscar novos acordos regionais e bilaterais, especialmente com mercados avançados e custos de produção compatíveis.

Para ele, o acordo com a União Europeia pode servir de referência para uma estratégia mais ativa de inserção internacional do bloco sul-americano.

FONTE: NeoFeed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Comércio Internacional

Brasil amplia estratégia comercial após Mercosul-UE e mira acordos com Índia, Canadá e Emirados Árabes

Após o sinal verde do Conselho Europeu ao acordo Mercosul-União Europeia, o Brasil definiu novas frentes para aprofundar sua inserção no comércio internacional. Para 2026, o governo federal pretende concentrar esforços na ampliação e conclusão de acordos comerciais do Mercosul com Índia, Canadá e Emirados Árabes Unidos, considerados mercados estratégicos para a diversificação das exportações brasileiras.

Índia entra no radar para expansão do comércio agroindustrial

Entre as prioridades, a Índia ocupa posição de destaque. O governo brasileiro avalia que o país asiático, atualmente o mais populoso do mundo e com forte processo de industrialização nas últimas duas décadas, ainda é pouco explorado pelos exportadores nacionais.

Hoje, a pauta brasileira destinada à Índia é concentrada em óleos vegetais, açúcares e petróleo bruto, que respondem por mais da metade das vendas. A avaliação oficial é de que há espaço para ampliar a presença de produtos como minério de ferro, algodão, feijões e pulses, etanol, genética bovina e frutas, além de itens como carne de aves, pescados, café e suco de laranja.

Tarifas elevadas são principal obstáculo nas negociações com a Índia

O maior desafio nas tratativas com Nova Délhi está nas altas tarifas de importação. Atualmente, apenas 14% das exportações brasileiras para a Índia estão cobertas pelo acordo de comércio preferencial existente com o Mercosul. O tratado inclui cerca de 450 categorias de produtos, de um universo aproximado de 10 mil, com reduções tarifárias limitadas, entre 10% e 20%.

A meta do governo é ampliar a cobertura do acordo, incluir novos produtos — especialmente do agronegócio brasileiro —, negociar cortes tarifários mais amplos e reduzir barreiras comerciais. Em 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Índia sinalizou positivamente para a expansão do acordo após conversa com o primeiro-ministro Narendra Modi.

Emirados Árabes avançam para acordo de livre comércio com o Mercosul

No Oriente Médio, o foco está na conclusão do acordo de livre comércio entre Mercosul e Emirados Árabes Unidos. As negociações, iniciadas em 2024, avançaram de forma acelerada e já passaram por quatro rodadas, a última encerrada em novembro.

Embora houvesse expectativa de assinatura ainda em 2025, alguns pontos sensíveis ficaram pendentes e devem ser resolvidos ao longo de 2026. Entre eles está a demanda dos Emirados pela eliminação de tarifas para produtos petroquímicos, segmento em que o país árabe é altamente competitivo e que gera preocupação na indústria brasileira.

Comércio e investimentos fortalecem relação Brasil–Emirados

Atualmente, os principais produtos exportados pelo Brasil aos Emirados Árabes são carne de frango, carne bovina e açúcar. No sentido inverso, o Brasil importa principalmente petróleo, ureia, enxofre e peças aeronáuticas.

Além do comércio, a relação bilateral tem sido impulsionada por investimentos estrangeiros. Grupos como Mubadala, ADIG, Edge Group e DP World ampliaram significativamente sua atuação no Brasil, reforçando o status da parceria como estratégica e confiável.

Canadá é visto como porta de entrada para mercados de maior valor agregado

Com o Canadá, o objetivo é avançar nas negociações de um acordo de livre comércio Mercosul-Canadá, considerado essencial para ampliar o acesso brasileiro a setores de maior valor agregado, como mineração, além de beneficiar o agronegócio.

As negociações tiveram início em 2018, mas foram retomadas com mais intensidade em 2025, em meio às incertezas no comércio global provocadas por medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos. O acordo busca reduzir tarifas, facilitar o comércio de bens e serviços e aprofundar a cooperação em áreas como investimentos, compras governamentais e regras ambientais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Comércio Internacional

Aval do Conselho marca novo capítulo na relação entre UE e Mercosul

O Conselho da União Europeia aprovou nesta semana duas decisões que autorizam a assinatura do Acordo de Parceria UE-Mercosul (EMPA) e do Acordo Comercial Interino (iTA) entre a UE e o Mercosul. A medida representa um passo decisivo na consolidação das relações com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, após mais de 25 anos de negociações.

Os dois instrumentos estabelecem as bases para uma parceria moderna, abrangendo diálogo político, cooperação setorial e integração comercial, com impactos diretos sobre comércio, investimentos e cooperação internacional.

Entrada em vigor depende do Parlamento Europeu e dos Estados-membros

Antes da conclusão formal, os acordos ainda precisam do aval do Parlamento Europeu. No caso do EMPA, também será necessária a ratificação de todos os Estados-membros da União Europeia. Somente após esse processo o acordo de parceria entrará plenamente em vigor.

Já o Acordo Comercial Interino, por estar dentro da competência exclusiva da UE, não exige ratificação nacional e poderá ser aplicado de forma independente até ser substituído pelo acordo completo.

Parceria estratégica em meio à incerteza global

Para autoridades europeias, a decisão tem peso geopolítico. Em um cenário internacional marcado por instabilidade, a UE busca reforçar laços políticos, ampliar relações econômicas e reafirmar compromissos com o desenvolvimento sustentável.

Segundo o ministro cipriota de Energia, Comércio e Indústria, Michael Damianos, os acordos criam novas oportunidades para empresas dos dois blocos, ao mesmo tempo em que preservam setores sensíveis e estabelecem regras equilibradas para o comércio internacional.

O que prevê o Acordo de Parceria UE-Mercosul

O EMPA reúne em um único marco institucional áreas como direitos humanos, meio ambiente, ação climática, transformação digital, mobilidade, combate ao terrorismo e gestão de crises. O texto também fortalece a coordenação entre UE e Mercosul em fóruns multilaterais e cria canais permanentes de diálogo setorial.

Partes do acordo político e de cooperação poderão ser aplicadas provisoriamente, enquanto os trâmites de ratificação seguem em andamento.

Acordo Comercial Interino antecipa benefícios econômicos

O Acordo Comercial Interino UE-Mercosul concentra os compromissos de liberalização comercial e de investimentos, permitindo que os ganhos econômicos sejam implementados mais rapidamente.

O tratado prevê redução de tarifas, ampliação do acesso a mercados e melhora nas condições de comércio para setores estratégicos como agricultura, indústria automotiva, farmacêutica e química. Também há avanços em serviços digitais e financeiros, além da abertura de licitações públicas nos países do Mercosul para empresas europeias.

Salvaguardas para proteger agricultores europeus

Para mitigar riscos ao setor agrícola, o Conselho incluiu mecanismos temporários de salvaguarda bilateral, que permitem resposta rápida a eventuais distorções de mercado causadas por importações de produtos sensíveis.

Até a adoção definitiva da legislação específica sobre salvaguardas UE-Mercosul, a Comissão Europeia poderá aplicar medidas emergenciais e intensificar o monitoramento de produtos sujeitos a cotas tarifárias, garantindo maior proteção aos agricultores e ao setor agroalimentar europeu.

Próximos passos do acordo UE-Mercosul

Com a autorização formal, UE e Mercosul avançam agora para a assinatura oficial dos acordos. O EMPA entrará em vigor após a conclusão de todas as ratificações, enquanto o iTA permanecerá válido de forma transitória.

Dados reforçam peso econômico da parceria

O acordo deverá criar a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores. Em 2024, a UE foi o segundo maior parceiro comercial do Mercosul, respondendo por cerca de 17% do comércio total do bloco sul-americano.

O intercâmbio de bens entre as duas regiões superou € 111 bilhões, enquanto o comércio de serviços alcançou mais de € 42 bilhões no dado mais recente disponível, evidenciando a relevância econômica do tratado.

FONTE: European Council
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/European Commission

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia avança após aprovação por países do bloco

Os países da União Europeia deram aval político ao acordo Mercosul–UE, movimento que abre caminho para a formação da maior zona de livre-comércio do mundo. A decisão foi tomada por maioria qualificada, mesmo diante da oposição de alguns Estados-membros e de protestos de agricultores europeus.

Com o avanço, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ficou autorizada a viajar já na próxima segunda-feira ao Paraguai, atual presidente rotativo do Mercosul, para assinar formalmente o tratado.

Horários da votação no Conselho da UE

A reunião do Conselho da União Europeia teve início às 11h (horário local), o equivalente a 7h em Brasília. Embora a leitura política de aprovação tenha sido formada durante os debates, a declaração formal dos votos ficou prevista para as 17h em Bruxelas (13h no horário de Brasília).

A avaliação de que o acordo foi aprovado baseou-se nas manifestações dos embaixadores dos 27 Estados-membros ao longo da reunião.

Países contrários e abstenções

De acordo com informações da imprensa europeia, França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda mantiveram voto contrário ao acordo. A Bélgica optou pela abstenção, enquanto os demais países se posicionaram a favor.

Mudança da Itália destrava maioria qualificada

O avanço só foi possível após a mudança de posição da Itália, que se declarou satisfeita com as concessões feitas ao setor agrícola europeu nos últimos dias. Com isso, o acordo atingiu os dois critérios exigidos: apoio de 55% dos países, representando ao menos 65% da população da União Europeia.

Zona de livre-comércio histórica

Resultado de mais de duas décadas de negociações, o acordo criará uma área de livre-comércio com cerca de 720 milhões de consumidores e um PIB combinado de US$ 22,3 trilhões. Para a Comissão Europeia, o tratado tem relevância econômica, estratégica, política e diplomática.

A Alemanha, uma das principais defensoras do pacto, afirmou que a aprovação envia um sinal claro de abertura comercial em um cenário global marcado pelo aumento do protecionismo.

Próximos passos antes da entrada em vigor

Mesmo com a assinatura prevista, o acordo ainda precisará do aval do Parlamento Europeu, onde será necessária apenas maioria simples dos eurodeputados. A tramitação deve levar algumas semanas.

No Mercosul, o texto terá de ser ratificado pelos Congressos Nacionais de cada país. No Brasil, a análise caberá ao Congresso Nacional.

Resistência política e pressão de agricultores

A oposição ao acordo segue ativa. Cerca de 150 eurodeputados já sinalizaram a intenção de recorrer à Justiça para tentar barrar a aplicação do tratado. A França lidera a resistência, com o presidente Emmanuel Macron defendendo rejeição política ao pacto.

Produtores rurais realizaram protestos em Paris e Bruxelas, temendo concorrência com produtos agrícolas do Mercosul.

UE anuncia reforço bilionário ao setor agrícola

Para reduzir as resistências internas, a Comissão Europeia anunciou o adiantamento de até € 45 bilhões em subsídios da Política Agrícola Comum (PAC). O orçamento total garantido do programa chega a € 293,7 bilhões, medida que foi decisiva para a retirada da objeção italiana.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Nicolas Tucat/AFP

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Comércio Internacional

Exportação de açúcar da Índia avança com queda de preços internos e desvalorização da rupia

Os acordos de exportação de açúcar da Índia começaram a ganhar tração nas últimas semanas, impulsionados pela queda dos preços domésticos e pela desvalorização da rupia. Usinas indianas já fecharam contratos para cerca de 180 mil toneladas nesta temporada, segundo fontes do comércio e da indústria.

Em novembro, o governo indiano autorizou a exportação de 1,5 milhão de toneladas de açúcar da safra atual, iniciada em 1º de outubro. No entanto, os preços elevados no mercado interno limitaram o avanço das vendas externas nos primeiros meses.

Ritmo lento da Índia sustenta preços globais

A lentidão nas exportações do país, que é o segundo maior produtor mundial de açúcar, contribui para dar suporte aos preços internacionais, atualmente próximos das mínimas registradas em cinco anos.

Até o momento, as usinas firmaram contratos para embarques destinados a Afeganistão, Sri Lanka e países da África Oriental, de acordo com cinco negociantes ouvidos. As fontes pediram anonimato por não terem autorização para comentar publicamente.

Pressão financeira leva usinas a exportar

Apesar da margem ainda apertada, algumas usinas decidiram avançar com as exportações. “Normalmente, os melhores preços vinham do mercado externo, mas desta vez o incentivo é limitado. Mesmo assim, algumas usinas precisam gerar caixa para pagar os agricultores pela cana”, afirmou um operador de uma trading global em Mumbai.

Produção maior derruba preços no mercado interno

A produção abundante de açúcar na nova temporada começou a pressionar os preços locais. Após se manterem acima das referências globais, os valores recuaram cerca de 6% nos últimos três meses, para 36.125 rúpias por tonelada (aproximadamente US$ 401).

Entre outubro e dezembro, a produção indiana somou 11,9 milhões de toneladas, crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Competitividade ainda limitada no mercado internacional

No mercado externo, o açúcar indiano está sendo ofertado em torno de US$ 450 por tonelada FOB, cerca de US$ 20 acima do preço de referência dos contratos futuros em Londres, segundo negociantes.

“A pressão da oferta reduziu os preços internos. As exportações ainda não são altamente lucrativas, mas deixaram de gerar prejuízo, como ocorreu no mês passado”, avaliou BB Thombare, presidente da West Indian Sugar Mills Association.

Janela curta para exportações antes do Brasil

Especialistas alertam que a Índia dispõe de uma janela limitada de exportação, concentrada entre janeiro e março. A partir de abril, a expectativa é de que o aumento dos embarques do Brasil, maior produtor global, pressione ainda mais os preços internacionais.

FONTE: Forbes Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Forbes Brasil

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Comércio Internacional

CMA CGM lança serviço KEA e fortalece rota direta entre a Costa Leste dos EUA e a Oceania

A CMA CGM anunciou o lançamento do serviço KEA, nova rota marítima que amplia a conexão direta entre a Costa Leste dos Estados Unidos e a Oceania. A iniciativa reforça a presença da armadora em um dos corredores mais relevantes do comércio internacional e complementa o serviço RTW PAD, consolidando a companhia como a única a oferecer duas saídas semanais nesse eixo logístico.

Nova rota amplia integração logística

No sentido sul, o serviço KEA parte da Costa Leste norte-americana com escalas nos portos de Nova York, Filadélfia, Savannah e Charleston. A configuração fortalece a integração entre importantes centros econômicos dos Estados Unidos e os mercados da Oceania, além de incluir uma escala de importação em Tauranga, um dos principais hubs portuários da Nova Zelândia.

Escalas estratégicas no retorno

No trajeto de retorno ao norte, o serviço contempla escalas em Port Chalmers, também na Nova Zelândia, e em Charleston, ampliando as alternativas logísticas para exportadores e importadores. O itinerário ainda passa por portos estratégicos como Balboa, no Panamá, Cartagena, na Colômbia, Manzanillo, no México, além de Sydney e Melbourne, na Austrália.

Mais previsibilidade e cobertura global

Com a entrada em operação do KEA, a CMA CGM amplia sua cobertura global e oferece maior previsibilidade operacional aos clientes. O serviço atende à crescente demanda por rotas diretas, menor transit time e maior confiabilidade nas cadeias logísticas internacionais. A combinação entre KEA e RTW PAD posiciona a armadora em um patamar diferenciado no comércio entre as Américas e a Oceania.

Estratégia de longo curso

A nova rota está alinhada à estratégia da CMA CGM de investir em soluções logísticas integradas, fortalecendo sua atuação em rotas de longo curso e consolidando sua posição entre os principais armadores globais.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CMA CGM

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Comércio Internacional

Exportações do Uruguai batem recorde em uma década e reforçam perfil exportador do país

As exportações do Uruguai alcançaram, em 2025, o maior valor dos últimos dez anos, consolidando a vocação exportadora da economia. As vendas externas de bens somaram US$ 13,493 bilhões, um crescimento de 5% em relação a 2024, segundo o Informe Anual de Comércio Exterior 2025, elaborado pela área de Inteligência Competitiva da Uruguay XXI. O resultado foi impulsionado, sobretudo, pelo desempenho da agroindústria, favorecida pela recuperação dos preços internacionais e pelo aumento da demanda dos principais mercados parceiros.

Carne bovina lidera avanço das exportações uruguaias

A carne bovina foi o principal destaque do ano e o maior motor do crescimento exportador. Em 2025, o produto atingiu US$ 2,68 bilhões em vendas, o maior valor já registrado, com alta de 33% na comparação anual. O avanço refletiu tanto o aumento de 19% nos preços médios quanto a expansão dos volumes embarcados, que chegaram a 390 mil toneladas.

Os Estados Unidos, China e União Europeia responderam por 82% das exportações de carne, com crescimento conjunto de 38%, impulsionado por menor oferta local nesses mercados e manutenção da demanda per capita.

Desempenho mensal mantém trajetória positiva

Ao longo de 2025, as exportações de bens cresceram em quase todos os meses, com exceção de fevereiro e outubro. Dezembro registrou o maior volume do ano, com US$ 1,1 bilhão em solicitações de exportação, avanço de 17% em relação ao mesmo mês de 2024. Nesse período, a carne voltou a liderar, seguida por celulose, além de avanços em lácteos, concentrado de bebidas e colza.

Ranking dos principais produtos exportados

No ranking anual, a carne bovina respondeu por 20% do total exportado, seguida pela celulose (17%) e pela soja (11%).

Apesar de permanecer entre os principais itens, a celulose registrou queda de 9% no valor exportado, totalizando US$ 2,307 bilhões, reflexo da redução dos preços internacionais, mesmo com aumento nos volumes. A China seguiu como principal destino, enquanto a União Europeia apresentou a maior retração.

Soja recupera espaço e amplia mercados

A soja voltou a ganhar relevância em 2025 e se consolidou como o terceiro produto mais exportado. As vendas alcançaram US$ 1,42 bilhão, crescimento de 18%, impulsionado por uma forte alta de 29% nos volumes, apesar da queda dos preços globais. A China concentrou 86% das exportações, e novos destinos, como Argélia, Reino Unido e Nigéria, contribuíram para maior diversificação geográfica.

Lácteos crescem e ampliam presença internacional

As exportações de produtos lácteos somaram US$ 928 milhões, com avanço de 14%, sustentado por melhores preços e aumento moderado dos embarques. Argélia e Brasil concentraram mais de dois terços das vendas, e os produtos uruguaios chegaram a mais de 80 mercados, reforçando a inserção internacional do setor.

Concentrado de bebidas e outros destaques

O concentrado de bebidas totalizou US$ 753 milhões, com leve retração de 5%, associada à redução dos volumes exportados. Guatemala, México e Brasil permaneceram como principais destinos, reforçando o papel do país como plataforma regional de produção.

Entre outros segmentos, chamaram atenção o ganado em pé, com crescimento de 28% e exportações de US$ 382 milhões, e os produtos farmacêuticos, que avançaram 15%, somando US$ 365 milhões, ajudando a compensar quedas em setores como o automotivo.

China lidera destinos das exportações do Uruguai

No recorte por mercados, a China manteve a liderança como principal destino das exportações uruguaias, com compras de US$ 3,493 bilhões, equivalentes a 26% do total. O Brasil ficou em segundo lugar, mas com queda de 15%, influenciada pela redução nas vendas de veículos e arroz. A União Europeia ocupou a terceira posição, com leve alta, impulsionada pela recuperação da carne, enquanto os Estados Unidos se consolidaram como quarto destino, com crescimento próximo de 30%.

Estrutura exportadora e geração de empregos

O relatório também analisa o núcleo exportador de bens, composto por cerca de 1.000 empresas, responsáveis por 99% do valor exportado e aproximadamente 58 mil empregos diretos. As grandes empresas responderam por 95% das exportações, enquanto as mipymes, embora representem 83% das firmas, tiveram participação menor em valor. Por atividade, o setor pecuário liderou, seguido pelo florestal, agrícola e de alimentos e bebidas.

Serviços ganham peso na pauta exportadora

Além dos bens, o Informe Anual de Comércio Exterior 2025 destaca o avanço das exportações de serviços. No acumulado até setembro de 2025, o setor alcançou US$ 7,325 bilhões, com crescimento de 2%, impulsionado pelo turismo e pelos serviços globais, que se consolidam como um dos pilares da diversificação e inserção internacional do Uruguai.

FONTE: Uruguay XXI
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Uruguay XXI

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Comércio Internacional

México impõe tarifas a importações de China, Brasil e outros países

Entraram em vigor nesta quinta-feira (1º) as tarifas impostas pelo México sobre importações de diversos produtos originários da China, do Brasil e de outros países que não possuem acordo comercial com o país. A medida atinge diferentes segmentos da indústria e já provoca repercussões no comércio internacional.

Medida foi aprovada após cenário de tensão comercial

As tarifas foram aprovadas pelo Congresso mexicano em dezembro, ao fim de um ano marcado pela intensificação da guerra comercial liderada pelos Estados Unidos, sob o governo do presidente Donald Trump. Analistas avaliam que a decisão do México sinaliza um alinhamento estratégico com os EUA, seu principal parceiro comercial, em meio às discussões para a revisão do Tratado México–Estados Unidos–Canadá (T-MEC).

Setores atingidos incluem calçados, têxtil e automotivo

A nova política tarifária incide sobre produtos de setores como calçados, automotivo, têxtil e brinquedos, áreas que concentram elevado volume de importações chinesas. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 15% das exportações brasileiras destinadas ao México podem ser impactadas pela medida.

Governo mexicano cita proteção ao emprego

De acordo com o Ministério da Economia do México, o objetivo central das tarifas é proteger aproximadamente 350 mil empregos e estimular a reindustrialização do país. O governo afirma que a iniciativa busca fortalecer a produção nacional diante da concorrência externa.

Reações de China e Brasil

Após a aprovação das tarifas, um porta-voz do Ministério do Comércio da China declarou que Pequim espera que o México “corrija essa prática equivocada de unilateralismo e protecionismo”.

O governo brasileiro também se manifestou. Em nota conjunta divulgada em 12 de dezembro, os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informaram que o Brasil mantém diálogo com as autoridades mexicanas para avaliar os possíveis impactos das novas tarifas sobre o comércio bilateral.

Já em comunicado divulgado em 30 de dezembro, o Ministério da Economia do México afirmou que a medida “não é direcionada a nenhum país específico”.

FONTE: CartaCapital
TEXTO: Redação
IMAGEM: CARL DE SOUZA / AFP

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Comércio Internacional

China impõe salvaguardas à carne bovina: governo brasileiro acompanha impacto das medidas

O governo brasileiro informou que acompanha atentamente a decisão da China de aplicar uma medida de salvaguarda sobre as importações globais de carne bovina. A ação entra em vigor em 1º de janeiro e terá duração prevista de três anos, estabelecendo uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. Volumes que ultrapassarem esse limite estarão sujeitos a uma sobretaxa de 55%.

Atuação diplomática e defesa do setor

De acordo com o governo, a atuação ocorre de forma coordenada com o setor privado. O Brasil seguirá dialogando com as autoridades chinesas tanto no âmbito bilateral quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), com o objetivo de reduzir os impactos da medida e proteger os interesses dos produtores e trabalhadores da cadeia da carne bovina.

Entenda o que são as medidas de salvaguarda

As salvaguardas comerciais são instrumentos previstos nos acordos da OMC e costumam ser acionadas diante de aumentos expressivos de importações que possam causar prejuízos à indústria local. Elas não se destinam a coibir práticas desleais e são aplicadas de forma geral, abrangendo todos os países exportadores.

Importância do mercado chinês para o Brasil

Em 2024, a China respondeu por 52% das exportações brasileiras de carne bovina, consolidando-se como o principal destino do produto. O Brasil, por sua vez, lidera o fornecimento da proteína ao mercado chinês, ocupando posição estratégica no abastecimento do país asiático.

Compromisso com qualidade e segurança alimentar

Nos últimos anos, o setor pecuário brasileiro tem atuado como parceiro confiável da China, oferecendo produtos competitivos, sustentáveis e submetidos a rigorosos controles sanitários, contribuindo de forma relevante para a segurança alimentar do país.

FONTE: Ministério das Relações Exteriores
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/BandNews

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