Comércio Internacional

Acordo União Europeia-Mercosul: por que o agro está no centro da disputa

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo União Europeia-Mercosul entra em um momento decisivo e volta a expor tensões profundas no setor agropecuário. Nesta semana, o Parlamento Europeu analisa a adoção de mecanismos de proteção para a agricultura do bloco, etapa considerada crucial para o avanço do tratado de livre comércio.

Caso as chamadas salvaguardas agrícolas sejam aprovadas, o texto poderá seguir para votação no Conselho da União Europeia, que se reúne entre quinta-feira (18) e sexta-feira (19). A expectativa é que a assinatura ocorra durante a Cúpula do Mercosul, marcada para sábado (20), em Foz do Iguaçu.

Salvaguardas agrícolas e a reação do agro brasileiro

As salvaguardas funcionam como um instrumento que permite à União Europeia suspender temporariamente os benefícios do acordo se houver prejuízo comprovado a setores do agro local em razão do aumento das importações. A medida é vista como uma concessão a países historicamente críticos ao tratado, como a França, maior produtora de carne bovina do bloco europeu.

No Brasil, porém, o dispositivo gera preocupação. O setor agroexportador aposta no acordo como uma oportunidade de ampliar vendas ao mercado europeu, hoje o segundo maior destino dos alimentos brasileiros. Para o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o diálogo é essencial para destravar o processo. Segundo ele, discutir salvaguardas faz parte da negociação, desde que o acordo avance de forma gradual e seja aperfeiçoado ao longo do tempo.

Itália pode definir o rumo do acordo

Embora o tratado envolva diversos setores econômicos, é o agronegócio que concentra os principais embates políticos. Desde 2019, quando uma versão mais avançada do texto veio a público, países como França, Polônia e Hungria passaram a impor resistências formais ou condicionantes.

A insatisfação de produtores rurais europeus resultou em protestos recorrentes. Em 2024, agricultores franceses bloquearam estradas, despejaram estrume em frente a prédios públicos e chegaram a destruir carregamentos de vinho espanhol. Mobilizações semelhantes ocorrem em outros países, como Áustria, Alemanha, Espanha, Polônia e Holanda, sob o movimento “StopEUMercosur”.

Nesse cenário, a posição da Itália ganha peso estratégico. Para barrar a assinatura do acordo, é necessário o voto contrário de ao menos quatro Estados-membros que representem 35% da população da UE. França e Itália já defenderam publicamente o adiamento da votação, mas o governo italiano ainda não deixou clara sua posição final, o que pode ser decisivo.

Trâmite ainda pode se estender até 2026

Mesmo que o Conselho da UE aprove o texto e a assinatura ocorra na Cúpula do Mercosul, o acordo ainda precisará do aval definitivo do Parlamento Europeu para entrar em vigor. A previsão é que essa etapa fique para 2026, mantendo a incerteza no curto prazo.

Argumentos dos países contrários ao acordo

Produtores europeus temem perder competitividade com a entrada de alimentos do Mercosul, especialmente do Brasil. A preocupação se concentra no fato de que a produção brasileira apresenta maior escala, alta produtividade e custos mais baixos, o que poderia pressionar preços no mercado europeu.

Outro ponto sensível envolve o meio ambiente. Críticos afirmam que os países do Mercosul não adotam os mesmos padrões ambientais, sociais e sanitários exigidos na Europa, além de alegarem que o acordo poderia estimular o desmatamento na Amazônia e permitir a entrada de agrotóxicos proibidos no bloco europeu.

O Brasil rebate essas acusações destacando que possui um dos códigos florestais mais rigorosos do mundo, com exigência legal de manutenção de áreas de vegetação nativa nas propriedades rurais. Ainda assim, o desmatamento ilegal segue como um desafio estrutural.

Quem defende o acordo União Europeia-Mercosul

Na outra ponta, países como Alemanha e Espanha lideram a defesa do tratado. A avaliação é que o acordo fortalece exportadores europeus em um momento de desaceleração econômica e amplia alternativas comerciais diante do aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Desde a reeleição de Donald Trump, a União Europeia acelerou a busca por novos parceiros, intensificando negociações com Índia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos, além de reforçar laços com Reino Unido, Canadá e Japão. Holanda, Portugal e Suécia também se posicionam favoravelmente.

Para esses países, o Mercosul representa um mercado promissor para automóveis, máquinas e produtos químicos, além de uma fonte estratégica de minerais essenciais, como o lítio, fundamental para a transição energética. Há ainda benefícios esperados para o próprio agro europeu, com maior acesso e tarifas reduzidas para produtos como queijos, vinhos e presuntos.

Mudanças no texto e críticas do setor agropecuário

Desde a proposta apresentada em 2019, considerada equilibrada pelo agro brasileiro, o acordo passou por alterações que, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), favoreceram o lado europeu. De acordo com Sueme Mori, diretora de relações internacionais da entidade, novas exigências ambientais e regras como a lei antidesmatamento criaram obstáculos adicionais às exportações brasileiras.

Na avaliação da CNA, a União Europeia tenta aplicar padrões pensados para sua realidade climática e produtiva, que não se adequam às condições brasileiras. Mori destaca ainda que a agricultura europeia é altamente subsidiada, enquanto no Brasil os incentivos ocorrem principalmente via crédito rural, como o Plano Safra.

As salvaguardas definidas mais recentemente também entram nesse pacote de preocupações. Além de permitir a suspensão de benefícios tarifários, a Comissão Europeia discute a aplicação do princípio da reciprocidade, exigindo que os países do Mercosul adotem padrões produtivos equivalentes aos da UE.

As acusações contra o Brasil procedem?

Especialistas apontam que o Brasil possui um arcabouço ambiental robusto, com exigências legais de preservação superiores às de muitos países. Segundo Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da FGV, a própria União Europeia flexibilizou regras ambientais da Política Agrícola Comum entre 2024 e 2025.

Munhoz observa ainda que o adiamento e as revisões da lei antidesmatamento europeia revelam dificuldades técnicas de implementação. Nesse contexto, cresce o risco de que o bloco utilize exigências adicionais de sustentabilidade e rastreabilidade como condicionantes para manter vantagens tarifárias.

Sobre a competitividade dos produtos brasileiros, o pesquisador reconhece que ela decorre de fatores estruturais, como escala e produtividade. No entanto, ressalta que as novas salvaguardas podem limitar aumentos rápidos nas exportações brasileiras em setores considerados sensíveis, restringindo o acesso ao mercado europeu.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/G1

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Comércio Internacional

Flexibilização do Mercosul se impõe diante de novo cenário do comércio internacional

A sucessão de iniciativas tomadas de forma isolada por países do Mercosul reforça a necessidade de atualizar o funcionamento do bloco. O ingresso do Uruguai na Parceria Transpacífica e o acordo comercial firmado entre Argentina e Estados Unidos, ambos fora da estrutura do Mercosul, evidenciam um modelo que já não acompanha a dinâmica do comércio internacional.

No caso argentino, cerca de 350 produtos passaram a integrar um programa de isenção tarifária com os Estados Unidos, sem extensão aos demais membros do bloco. Já o Uruguai ampliou seu acesso a mercados asiáticos ao aderir a uma aliança comercial mais flexível. São movimentos que, na prática, enfraquecem a lógica de decisões conjuntas que marcou a criação do Mercosul.

Importância histórica do bloco segue inquestionável

Criado em 1991, com o Tratado de Assunção, o Mercosul teve papel relevante na integração econômica e política entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Ao longo das últimas décadas, o bloco estimulou o comércio regional, reduziu tarifas e fortaleceu cadeias produtivas compartilhadas.

Em 2024, o Brasil exportou mais de US$ 20 bilhões para os países do Mercosul. Santa Catarina, por sua vez, embarcou US$ 1,4 bilhão, com destaque para alimentos, máquinas, têxteis, metais e produtos químicos. Os números demonstram que a integração trouxe ganhos concretos para as economias envolvidas.

Rigidez da Tarifa Externa Comum vira entrave

Apesar dos avanços, o modelo baseado em decisões por consenso e na rigidez da Tarifa Externa Comum (TEC) passou a limitar a capacidade de adaptação do bloco. O prolongado processo de negociação do acordo Mercosul–União Europeia, em discussão há mais de duas décadas, é um exemplo claro das dificuldades impostas pelo atual formato.

Com a expectativa de que o tratado com os europeus finalmente seja assinado, ampliando o acesso a mercados estratégicos, cresce a pressão por uma modernização do Mercosul que torne o bloco mais ágil e competitivo.

Flexibilizar é modernizar, não enfraquecer

A flexibilização do Mercosul não significa abrir mão da integração regional, mas sim adaptá-la à realidade atual. Permitir que os países-membros celebrem acordos bilaterais específicos, válidos apenas para seus signatários, preservaria o espírito do bloco e, ao mesmo tempo, destravaria oportunidades comerciais urgentes.

Blocos mais abertos dominam o cenário global

O comércio global caminha para arranjos mais flexíveis e dinâmicos, capazes de responder rapidamente às mudanças nos fluxos econômicos. Manter um modelo excessivamente rígido tende a limitar o potencial de crescimento.

Para Santa Catarina e para o Brasil, avançar na atualização das regras do Mercosul é essencial para garantir competitividade, ampliar mercados e evitar que o bloco se torne um fator de freio, em vez de impulsionador, do desenvolvimento econômico.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia entra em fase crítica e gera apreensão no governo brasileiro

O governo brasileiro acompanha com preocupação os sinais de recuo da União Europeia na reta final para a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, prevista para o próximo sábado (20/12), em Foz do Iguaçu, durante a cúpula de chefes de Estado do bloco sul-americano.

A semana é considerada determinante porque o tratado precisa ser aprovado em duas instâncias europeias: o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu. As votações estão programadas para ocorrer entre terça-feira (16/12) e quinta-feira (18/12).

França pede adiamento e acende alerta nas negociações

No domingo (14/12), a França solicitou oficialmente o adiamento das votações. O gabinete do primeiro-ministro francês, Sebastien Lecornu, afirmou que “não estão dadas as condições” para que os Estados-membros deliberem neste momento.

Segundo o governo francês, o pedido visa ganhar tempo para negociar medidas de proteção à agricultura europeia, setor que teme impactos negativos com a abertura comercial ao Mercosul.

Risco de encerramento definitivo das negociações

Fontes envolvidas nas tratativas afirmaram à BBC News Brasil que, caso a União Europeia não aprove o acordo agora, as negociações podem ser encerradas de forma definitiva. O tratado vem sendo discutido há 25 anos.

Na avaliação de interlocutores do governo, um fracasso neste momento reduziria a quase zero a possibilidade de retomada futura das negociações. Diante desse cenário, o Brasil, maior economia do Mercosul, tende a intensificar a busca por parcerias comerciais na Ásia.

O que prevê o acordo Mercosul–União Europeia

As negociações tiveram início em 1999 e preveem a criação de uma ampla área de livre-comércio, com redução mútua de tarifas de importação e exportação, ampliando o fluxo comercial entre os blocos.

Se entrar em vigor, o acordo formará uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo, reunindo cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22 trilhões. Em 2024, a fase negocial foi concluída, restando agora as etapas formais de aprovação e assinatura.

Parlamento deve aprovar, mas Conselho é o principal obstáculo

Diplomatas europeus ouvidos em Brasília indicam que a aprovação no Parlamento Europeu não deve enfrentar grandes dificuldades, já que exige apenas maioria simples.

A maior incerteza está no Conselho Europeu, onde é necessária maioria qualificada: apoio de ao menos 15 dos 27 países-membros, representando 65% da população da União Europeia, estimada atualmente em 451 milhões de habitantes.

Apoios e resistências dentro da Europa

No Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, há consenso favorável à assinatura do acordo. Na Europa, o cenário é mais dividido.

Países como Alemanha, Espanha, Portugal e República Checa apoiam o tratado. Já França e Polônia lideram a oposição, com manifestações contrárias também vindas de Bélgica e Áustria.

A principal resistência francesa está ligada ao temor de concorrência com produtos agropecuários sul-americanos, que poderiam afetar os agricultores locais.

Salvaguardas agrícolas tentam destravar aprovação

Para reduzir a resistência, negociadores europeus elaboraram salvaguardas agrícolas, aprovadas nesta semana pelo Comitê de Comércio Internacional da União Europeia. As regras permitem suspender benefícios tarifários ao Mercosul caso as exportações do bloco cresçam mais de 5% em relação ao ano anterior.

Essas salvaguardas ainda precisam ser votadas pelo Parlamento Europeu na próxima semana.

Itália pode ser decisiva para o desfecho

Diplomatas avaliam que a Itália será o fiel da balança. Com cerca de 59 milhões de habitantes, o país tem peso suficiente para definir o resultado no Conselho.

Caso Itália, França e Polônia votem contra, os três países representariam aproximadamente 36% da população do bloco, percentual suficiente para inviabilizar a aprovação. Apesar de um diplomata italiano ter sinalizado apoio ao acordo em reunião recente, o clima entre negociadores segue cauteloso.

Governo brasileiro vê incoerência europeia

Auxiliares do Palácio do Planalto avaliam que um eventual recuo europeu demonstraria fragilidade política do bloco. Na visão do governo, o acordo fortaleceria ambos os lados em um contexto global de enfraquecimento do multilateralismo.

A avaliação interna também aponta para um tratamento desigual: enquanto a União Europeia aceitou um acordo considerado desfavorável com os Estados Unidos, após imposição de tarifas por Washington, demonstra resistência em firmar um tratado mais equilibrado com o Mercosul.

Ásia surge como alternativa estratégica

Diante da possibilidade de fracasso do acordo, o governo brasileiro considera ampliar parcerias comerciais com países asiáticos. Dados oficiais mostram que, em 2025, a China importou US$ 94 bilhões em produtos brasileiros, mais que o dobro dos US$ 45 bilhões adquiridos pela União Europeia no mesmo período.

FONTE: BBC News Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/AFP

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China alerta para aumento de tensões no comércio global e foca em crescimento interno

Os líderes da China manifestaram preocupação com uma possível escalada das tensões comerciais globais enquanto planejam a política econômica para 2026. O alerta surge após o país registrar um superávit comercial recorde, mesmo em meio à guerra tarifária com os Estados Unidos.

Em comunicado divulgado pelo Politburo na segunda-feira, o órgão enfatizou a necessidade de “uma melhor coordenação entre o trabalho econômico doméstico e uma batalha econômica e comercial internacional”, prometendo “agir sem demora” para desenvolver novos motores de crescimento.

Analistas interpretam a mensagem como um sinal de que o governo manterá vigilância constante sobre o comércio internacional, evitando medidas de estímulo mais agressivas em um cenário de desaceleração econômica.

Pressões internacionais e protecionismo

Embora as relações comerciais com os EUA tenham melhorado, outros países intensificam ações proativas. O Japão e alguns membros da União Europeia, como a Holanda e a França, avaliam medidas de retaliação, incluindo tarifas contra produtos chineses, caso Pequim não ajuste seus desequilíbrios comerciais.

Segundo economistas da Huaxi Securities, a tendência de desglobalização segue firme, pressionando a China a diversificar suas exportações e fortalecer a demanda interna para equilibrar o impacto externo.

Crescimento interno como prioridade

Internamente, a economia chinesa enfrenta desafios: consumo estagnado, queda de investimentos e desaceleração na manufatura. Em resposta, o Politburo estabeleceu o aumento da demanda doméstica como prioridade para 2026, incentivando o desenvolvimento de novas forças produtivas, incluindo setores emergentes como robótica humanoide e tecnologia de ponta.

Economistas do Goldman Sachs destacam que o comunicado sinaliza a intenção de expandir o setor manufatureiro e manter a resiliência das exportações, embora mostre menor preocupação com o crescimento do consumo e do setor imobiliário.

Infraestrutura e estímulo econômico

Com a construção de infraestrutura em nível elevado e o mercado imobiliário em colapso, a China busca novos setores para impulsionar a economia. Reformas de longo prazo, como expansão da rede de proteção social e ajustes tributários, são consideradas essenciais para reequilibrar o modelo de crescimento voltado para o consumo.

Além disso, políticas para estimular investimentos em infraestrutura digital e serviços devem apoiar o aumento do consumo, cujo gasto per capita ainda permanece abaixo da tendência pré-pandemia.

Política fiscal e perspectivas para 2026

O Politburo indicou que a política fiscal terá papel central em 2026, acompanhada por um relaxamento monetário gradual. A prioridade em prevenir riscos sistêmicos foi reduzida, sinalizando foco maior em promover crescimento, confiança empresarial e consumo.

Analistas da Nomura Holdings destacam que Pequim já utilizou suas ferramentas de política mais acessíveis e que os mercados precisarão de paciência para observar um ponto de inflexão real no crescimento e o fim da deflação.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Comércio Internacional

China planeja ampliar importações e firmar novos acordos comerciais nos próximos anos

A China anunciou que pretende aumentar as importações e promover um comércio mais equilibrado ao longo dos próximos cinco anos. A informação foi divulgada pelo ministro do Comércio, Wang Wentao, em entrevista à agência estatal Xinhua. Segundo ele, o governo chinês intensificará ações para fortalecer a abertura econômica e estimular a circulação de bens.

Novos acordos de comércio e investimento
Wang afirmou que Pequim deve firmar novos acordos comerciais e de investimento entre 2026 e 2030, período em que o país colocará em prática um novo plano quinquenal. A iniciativa busca ampliar parcerias globais e reforçar a presença chinesa nos mercados internacionais.

Incentivo ao consumo interno
O ministro também destacou medidas voltadas para estimular a demanda doméstica. Entre elas estão políticas que impactam diretamente os consumidores, a expansão da compra de automóveis e programas que promovam a renovação e modernização de eletrodomésticos, setores estratégicos para o crescimento interno.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Go Nakamura/File Photo

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Comércio Internacional

UE aprova acordo para proibir importação de gás russo até 2027

Decisão marca nova etapa na política energética europeia
A União Europeia fechou, nesta quarta-feira, um acordo político para interditar todas as importações de gás russo até o outono de 2027. A informação foi adiantada pela agência AFP e representa um consenso entre o Parlamento Europeu, que defendia um prazo mais curto, e os Estados-Membros, que pediam mais tempo para adaptação.

Calendário da proibição para gasodutos e GNL
Pelo acordo, os contratos de longo prazo relacionados ao gás transportado por gasoduto serão proibidos a partir de 30 de setembro de 2027, desde que os níveis de reserva estejam assegurados. Caso contrário, a data limite será 1º de novembro de 2027.
No caso do gás natural liquefeito (GNL), a interrupção de contratos de longo prazo começa antes: 1º de janeiro de 2027, conforme detalhou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como parte das medidas de pressão econômica contra Moscou.

Já os contratos de curto prazo terão bloqueios antecipados:

  • Para GNL, a proibição passa a valer em 25 de abril de 2026
  • Para o gás transportado por gasoduto, em 17 de junho de 2026

O calendário ainda precisa de aprovação formal pelo Parlamento Europeu e pelos governos nacionais, mas o entendimento político indica que a votação não deve enfrentar obstáculos.

Impacto jurídico e estratégia para evitar vetos
Pelo texto, empresas europeias poderão alegar força maior para justificar o rompimento de contratos com fornecedores russos, uma vez que a própria UE estará impondo a proibição.
Diferentemente de outros pacotes de represálias, o bloco optou por adotar uma proposta legislativa em vez de sanções diretas — mecanismo que permite aprovação por maioria qualificada e evita vetos de países como Hungria e Eslováquia, alinhados a Moscou.

Redução da dependência e novo cenário do mercado de gás
Quase quatro anos após a invasão da Ucrânia, o objetivo europeu é claro: reduzir as receitas de gás da Rússia e consolidar a transição energética do bloco.
A participação do gás russo nas importações europeias caiu de 45% em 2021 para 19% em 2024, resultado de esforços para diminuir a dependência dos gasodutos operados por Moscou.
Parte dessa redução, entretanto, foi suprida pelo aumento das compras de GNL, que chega por navios, é descarregado em terminais portuários e depois regaseificado. Em 2024, a Rússia foi o segundo maior fornecedor de GNL para a Europa, atrás apenas dos Estados Unidos: forneceu 20 bilhões de m³, de um total de aproximadamente 100 bilhões importados pelo bloco.

FONTE: Observador
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Observador

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Tráfego pelo Canal de Suez inicia recuperação gradual após dois anos de crise

O tráfego marítimo pelo Canal de Suez começou a mostrar uma recuperação gradual depois de dois anos marcados por desvios obrigatórios, custos elevados e mudanças significativas nas rotas entre Leste e Oeste. A Autoridade do Canal confirmou que duas das maiores companhias de navegação do mundo anunciaram o retorno progressivo à via estratégica, reacendendo expectativas positivas para as cadeias de suprimentos globais.

Redução das tensões no mar Vermelho impulsiona retorno
A normalização do trânsito ocorre após o acordo de paz firmado em outubro, no Egito, que reduziu os riscos operacionais no mar Vermelho. Durante o período de instabilidade, ataques próximos ao estreito de Bab al-Mandeb levaram milhares de embarcações a contornar o Cabo da Boa Esperança, adicionando de 10 a 15 dias às viagens, elevando fretes e criando gargalos em portos da Europa e da América do Norte.

O impacto sobre o Egito foi expressivo: o volume de trânsito caiu mais da metade e a receita diminuiu cerca de 60%, representando uma perda estimada de US$ 9 bilhões. O Canal de Suez é responsável por aproximadamente 10% do comércio marítimo mundial.

Retorno gradual para evitar congestionamentos
Segundo a Autoridade do Canal, a retomada será feita de forma ordenada para evitar sobrecarga nos portos do Atlântico Norte, que já enfrentam meses de operações reprogramadas. As navieras reforçam que a plena normalização dependerá da coordenação entre a chegada de grandes embarcações e a capacidade operacional dos terminais, ainda pressionados.

Com o acordo assinado, novembro registrou aumento de 15% no movimento de navios e um avanço de 26% no volume de carga, indicando que a confiança operacional começa a se restabelecer.

Incentivos e novos serviços reforçam competitividade
Para recuperar participação e atrair tráfego, o Canal prorrogou até março de 2026 o desconto de 15% nas taxas de passagem para determinados tipos de embarcações e estuda ampliar benefícios para navios menores. Além disso, passou a oferecer serviços adicionais como reparos, assistência médica, troca de tripulações e atendimento ambiental, buscando consolidar Suez como um hub completo de suporte marítimo.

Impacto para a América Latina
A volta das rotas tradicionais pelo Canal de Suez deve reduzir custos logísticos, encurtar prazos e restabelecer calendários de navegação mais previsíveis, sobretudo para exportadores agrícolas e importadores de insumos industriais da América Latina. A normalização também tende a aliviar a pressão sobre portos europeus e estabilizar o fluxo global de cargas.

FONTE: Todo Logística News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logística News

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Mercados Globais Sem Direção em Dia de Expectativa por Dados dos EUA

Os principais índices globais operam sem tendência clara, reflexo dos ganhos das ações de tecnologia registrados na véspera em Wall Street e da expectativa pelos dados econômicos atrasados dos Estados Unidos.

Desempenho dos Mercados Internacionais

Na Ásia, o movimento foi moderadamente positivo. O Nikkei 225 avançou 0,07%, o Shanghai Composite subiu 0,87% e o Hang Seng ganhou 0,69%.
Na Europa, o Euro Stoxx 50 oscila próximo da estabilidade, com leve queda de 0,08%.
Já nos EUA, os futuros do S&P 500 e da Nasdaq recuam, respectivamente, 0,25% e 0,40%.

Cotações Globais

  • S&P 500 Futuro: -0,2%
  • FTSE 100: estável
  • CAC 40: -0,1%
  • MSCI World: estável
  • MSCI EM: +0,9%
  • Petróleo WTI: -0,2% (US$ 58,70)
  • Brent: -0,3% (US$ 63,17)
  • Minério de ferro em Singapura: +0,9% (US$ 106)
  • Bitcoin: -1,7% (US$ 87.224,88)

EUA e China: Aproximação Diplomática

O presidente Donald Trump afirmou ter recebido e aceitado um convite do líder chinês Xi Jinping para visitar a China em abril de 2026.

Paralelamente, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, declarou que Washington negocia com autoridades europeias um “acordo interessante” em troca de flexibilização regulatória, mas destacou que a União Europeia precisará ajustar regras digitais para viabilizar um pacto que reduza tarifas sobre aço e alumínio.

Tensões Geopolíticas: Rússia e Ucrânia

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reconheceu avanços nas negociações conduzidas em Genebra, mas afirmou que os temas mais sensíveis serão debatidos diretamente com Trump.
Os dois países buscam reduzir divergências sobre segurança, limites militares e eventuais concessões territoriais.

Mercado de Commodities em Queda

Os preços do petróleo recuam, acompanhando o movimento global de cautela. O WTI cai 0,2%, enquanto o Brent recua 0,3%. Já o minério de ferro segue em alta de 0,9% em Singapura.

Brasil: Mercado Acompanha Falas do Banco Central

O foco no Brasil está na audiência do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O senador Renan Calheiros pede esclarecimentos sobre o acordo que encerrou um processo administrativo no BC.

Antes, às 9h, o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, participa do evento EuroFinance, em São Paulo.

As falas recentes de Galípolo repercutem no mercado: ele afirmou que gostaria que a inflação convergisse mais rapidamente, mas reconhece haver um trade-off nesse processo.

Com a Selic em 15% ao ano, investidores questionam quando o ciclo de cortes pode começar, em meio ao avanço da desinflação.

Indicadores

  • Balanço de pagamentos de outubro.
    O BTG Pactual projeta déficit de US$ 5 bilhões em transações correntes.

Mercado Financeiro

  • Ibovespa: +0,33% (155.278 pontos)
  • Dólar: -0,11% (R$ 5,3949)

Empresas

  • Lojas Americanas, em recuperação judicial, aceitou a proposta da BrandUP! para adquirir sua unidade produtiva isolada.
  • Dois membros do Conselho da Raízen renunciaram aos cargos.
  • O investidor Silvio Tini de Araújo elevou sua participação na GPA para 5,57% do capital social.

Com informações de agências internacionais e nacionais.
Texto: Redação

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Comércio Internacional

EUA pressionam UE por ajustes em leis de tecnologia para avançar em acordo sobre tarifas do aço

Os Estados Unidos sinalizaram nesta segunda-feira (24) que só avançarão em uma negociação para reduzir as tarifas aplicadas ao aço europeu caso a União Europeia reveja parte de suas regras voltadas ao setor tecnológico. A solicitação foi apresentada durante encontros em Bruxelas.

Equilíbrio nas normas digitais é ponto-chave
O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que Bruxelas precisa buscar “equilíbrio” em suas normas de regulação digital. Segundo ele, não se trata de abandonar legislações já vigentes, mas de ajustá-las para tornar o ambiente regulatório mais flexível e “conveniente” para ambas as partes.

Negociação envolve aço e alumínio
Lutnick ressaltou que, caso a UE promova alterações consideradas satisfatórias por Washington, será possível avançar na resolução das disputas comerciais envolvendo aço e alumínio, temas que há anos geram atritos entre as duas potências econômicas.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Comércio Internacional

Alertam que certificados ambientais se tornam novo requisito nos negócios internacionais

As regras do comércio global estão mudando. Cada vez mais, os acordos internacionais e os consumidores exigem que as empresas comprovem seu compromisso ambiental. Os selos verdes, certificações e critérios de sustentabilidade deixaram de ser opcionais e tornaram-se condições de acesso aos mercados mais competitivos. Nesse cenário, surgem desafios para a Argentina — especialmente para as pequenas e médias empresas (PMEs) — na adaptação às novas exigências ambientais impostas pelo comércio internacional.

Para compreender esse processo, o portal serindustria.com.ar entrevistou Adriana H. Narváez, doutora em Relações Internacionais e reitora do Instituto de Capacitação Aduaneira. Com mestrado pela Universidade Paris I Panthéon Sorbonne e experiência em fóruns da Organização Mundial do Comércio (OMC), Narváez também lidera projetos de pesquisa no Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia da Argentina.

A especialista destacou que a sustentabilidade se tornou um elemento essencial da competitividade global. Segundo ela, os selos e certificações ambientais estão se transformando em novas barreiras não tarifárias, especialmente em mercados como União Europeia e Japão. Narváez também observou que muitas PMEs argentinas ainda reagem às exigências externas de sustentabilidade apenas quando enfrentam demandas concretas, em vez de adotar essas práticas de forma estratégica.

Ela analisou ainda o impacto do acordo Mercosul-União Europeia, a necessidade de maior divulgação e incentivos governamentais para estimular a certificação ambiental e o cambio geracional na formação dos novos profissionais de comércio exterior.

Narváez ressaltou que, embora existam programas e linhas de crédito voltados à certificação e à sustentabilidade, a falta de divulgação é o principal obstáculo para que as empresas — especialmente as PMEs — tenham acesso a essas oportunidades. Também explicou que as certificações ambientais, longe de representarem um custo, são investimentos estratégicos que aumentam a rentabilidade e a competitividade das empresas no médio e longo prazo.

A especialista concluiu que, à medida que o mundo avança rumo a economias de baixo carbono, a Argentina tem o potencial de se adaptar e competir globalmente, desde que invista na capacitação de suas empresas e na adoção de padrões ambientais internacionais. Segundo ela, “mais cedo ou mais tarde, essa transição será inevitável — e quem se antecipar sairá na frente”.

FONTE: Ser Industria
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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