Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional

China critica tarifaço de Trump ao Brasil e acusa EUA de coerção

Questionada sobre a tarifa de 50% imposta por Trump a produtos brasileiros, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores sugeriu que Washington quer interferir em assuntos internos do Brasil. ‘Tarifas não deveriam ser uma ferramenta de coerção’, disse.

O Ministério das Relações Exteriores da China criticou nesta sexta-feira (11) a tarifa de importação de produtos brasileiros anunciada esta semana pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“A igualdade de soberania e a não-intervenção em assuntos domésticos são princípios importantes da Carta da ONU e normas básicas nas relações internacionais”, disse a porta-voz do ministério, Mao Ning, ao ser questionada por uma repórter sobre o que achava da tarifa de 50% a produtos brasileiros anunciada por Trump.

“Tarifas não deveriam ser uma ferramenta de coerção, intimidação ou interferência.”

Sem citar especificamente o Brasil, o chanceler chinês, Wang Yi, também criticou a política de tarifaços dos EUA nesta sexta-feira. “As tarifas dos Estados Unidos minam a ordem do comércio internacional”, afirmou.

Foi a primeira manifestação de Pequim desde o “tarifaço” de Trump ao Brasil, que abriu uma crise diplomática entre Washington e Brasília.

O anúncio de Trump sobre o aumento da tarifa aos produtos brasileiros veio logo após o fim da cúpula do Brics, grupo do qual a China também faz parte, realizada na semana passada no Rio de Janeiro.

Dois dias antes, o presidente norte-americano também ameaçou os países do Brics com um novo tarifaço. O argumento do republicano foi o de que o grupo, segundo ele, estaria tentando enfraquecer os EUA e substituir o dólar como moeda padrão global.

“Qualquer país que fizer parte do Brics receberá uma tarifa de 10%, apenas por esse motivo”, disse, acrescentando que a medida deve ser implementada “muito em breve”. “Se eles quiserem jogar esse jogo, tudo bem. Mas eu também sei jogar.”

Batalha comercial com a China

A China também travou uma batalha tarifária com os Estados Unidos no início do ano que terminou em uma luta de forças entre Pequim e Washington no quadro geopolítico mundial. Em abril, quando Trump anunciou aumento de tarifas a produtos de uma série de países, os produtos chineses receberam uma das taxas mais altas, de 34%.

Ao contrário da maioria dos governos, que costuraram acordos com Washington, Pequim retaliou, aumentando impostos a produtos dos EUA. Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, iniciaram então uma “batalha” de retaliações, com aumentos mútuos de tarifas que chegaram a 145% para produtos chineses que entram nos EUA e 125% para os bens norte-americanos importados pela China.

Em maio, após o governo chinês dar a última cartada na guerra tarifária, Washington propôs negociações, e os dois países chegaram a um acordo, reduzindo as tarifas para 30% no caso de produtos chineses nos EUA, e 10% para produtos norte-americanos na China.

Novo tarifaço

Na quarta-feira (9), em anúncio que surpreendeu inclusive a Casa Branca, Trump publicou em suas redes sociais uma carta pública ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em que anunciava uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos.

A nova taxa está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

Ao justificar a elevação da tarifa sobre o Brasil, Trump citou Jair Bolsonaro (PL) e disse ser “uma vergonha internacional” o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF).

Após o anúncio, o presidente Lula afirmou que o Brasil “não aceitará ser tutelado por ninguém” e que o aumento unilateral de tarifas sobre exportações brasileiras será respondido com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

O petista declarou ainda que o processo judicial contra os envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 é de competência exclusiva da Justiça brasileira.

Na carta pública, Donald Trump afirmou, sem provas, que sua decisão de aumentar a taxa sobre o país também foi tomada “devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”.

O petista declarou ainda que o processo judicial contra os envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 é de competência exclusiva da Justiça brasileira. Além disso, o governo brasileiro disse a representantes da embaixada dos EUA que irá devolver a carta de Trump. (leia mais abaixo)

No documento, o republicano afirmou, sem provas, que sua decisão de aumentar a taxa sobre o país também foi tomada “devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”.

Segundo o documento, a tarifa de 50% será aplicada sobre “todas e quaisquer exportações brasileiras enviadas para os EUA”, independentemente das tarifas setoriais existentes. Produtos como o aço e o alumínio, por exemplo, já enfrentam tarifas de 50%, o que tem impactado diretamente a siderurgia brasileira.

Ao justificar a medida, Trump também afirmou que a relação comercial dos EUA com o Brasil é “injusta”. “Nosso relacionamento, infelizmente, tem estado longe de ser recíproco”, escreveu.

“Por favor, entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil, que causaram esses déficits comerciais insustentáveis contra os EUA. Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional”, disse Trump na carta a Lula.

Apesar do argumento, dados do Ministério do Desenvolvimento mostram o contrário. O Brasil tem registrado déficits comerciais seguidos com os EUA desde 2009 — ou seja, há 16 anos. Isso significa que o Brasil gastou mais com importações do que arrecadou com exportações.

Ao longo desse período, as vendas americanas ao Brasil superaram as importações em US$ 90,28 bilhões (equivalente a R$ 493 bilhões na cotação atual), considerando os números até junho de 2025.

Fonte: G1



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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Enquanto Brasil tem maior tarifa, Milei busca isenções dos EUA; veja diferenças

Brasil lidera lista de tarifas de até 50%, e a Argentina de Milei, alinhado ideologicamente com Trump, negocia isenções para até 80% de seus produtos

A nova rodada de tarifas comerciais anunciada pelo governo dos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump tem revelado abordagens distintas nas relações bilaterais com o Brasil e a Argentina. Enquanto o Brasil poderá enfrentar uma alíquota de 50% sobre todos os seus produtos exportados aos EUA a partir de 1º de agosto, a mais alta anunciada até o momento, a Argentina conseguiu avançar em negociações que podem garantir isenção tarifária para até 80% de seus produtos.

No caso brasileiro, a decisão da Casa Branca foi formalizada por meio de uma carta pessoal de Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que o líder americano associa a aplicação da tarifa ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento inclui críticas ao Supremo Tribunal Federal brasileiro, acusações de censura contra plataformas digitais dos EUA e ameaças explícitas de retaliação em caso de medidas recíprocas. Analistas interpretam o gesto como uma iniciativa com forte componente político, que vai além de uma disputa comercial convencional.

A carta provocou reações firmes do governo brasileiro, que prometeu responder com base na lei de reciprocidade. A decisão também impactou os mercados: o Ibovespa futuro recuou, o dólar avançou e os contratos de juros futuros registraram alta. Economistas alertam para os potenciais efeitos inflacionários e para o risco de desaceleração de setores exportadores, especialmente os ligados a commodities como petróleo, carne e aço.

Por outro lado, a Argentina, que também foi incluída na lista original de países sujeitos à revisão tarifária em abril, tem conseguido avanços diplomáticos que indicam tratamento diferenciado. As negociações bilaterais resultaram até agora em uma lista de cerca de 100 produtos argentinos, incluindo vinho, limões e algodão, que devem ser mantidos com tarifa zero, mesmo após o fim da atual trégua em 1º de agosto. O aço e o alumínio, considerados setores estratégicos, devem permanecer com tarifa de 50%.

Três fatores foram determinantes para o avanço argentino: o alinhamento ideológico entre os presidentes Javier Milei e Donald Trump, a disposição da Argentina em facilitar exportações americanas, e seu papel estratégico como fornecedor confiável em meio à crescente tensão comercial entre Washington e Pequim. Segundo a imprensa argentina, o canal de negociação teria sido fortalecido por encontros recentes entre o chanceler argentino Gerardo Werthein e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick.

Com cerca de US$ 6,5 bilhões em exportações para os EUA em 2024, a Argentina busca preservar seu acesso ao mercado americano em condições favoráveis, enquanto mantém diálogo com Washington para ampliar um Acordo de Complementação Econômica. A expectativa é que os termos do acordo sejam formalizados nas próximas semanas, mas a Casa Branca ainda avaliaria o melhor momento político para o anúncio.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Tecnologia

Inteligência Artificial e Big Data ganham papel estratégico no comércio exterior, aponta especialista

A digitalização dos processos e o uso inteligente de dados vêm redesenhando o cenário global do comércio exterior. Tecnologias como Inteligência Artificial (IA) e Big Data não são mais apenas tendências — tornaram-se ferramentas essenciais para empresas que desejam competir de forma eficiente, inovadora e sustentável no mercado internacional.

Quem afirma isso é a especialista em Comércio Exterior Mariana Pires Tomelin, com mais de 15 anos de experiência em internacionalização de indústrias e soluções voltadas à inserção em mercados globais. “A Inteligência Artificial permite processar uma quantidade imensa de dados em poucos segundos, identificar comportamentos de mercado, antecipar cenários econômicos e adaptar estratégias comerciais com precisão”, explica Mariana.

Segundo ela, ferramentas baseadas em algoritmos já são capazes de sugerir os melhores destinos para exportações, calcular custos logísticos de forma dinâmica e prever barreiras regulatórias que poderiam comprometer uma operação internacional.

O uso do Big Data, por sua vez, amplia o alcance estratégico das empresas. “Ao cruzar informações de múltiplas fontes, é possível descobrir novos nichos, ajustar preços de forma competitiva e monitorar, em tempo real, as movimentações dos concorrentes”, destaca. Essa visão macro fortalece o planejamento e reduz a incerteza nas decisões comerciais.

No entanto, Mariana faz um alerta: “Para extrair valor real dessas tecnologias, é fundamental que o conhecimento técnico em comércio exterior caminhe junto com a habilidade de lidar com sistemas e plataformas digitais”. Para ela, a qualificação da equipe se torna tão importante quanto a própria tecnologia.

À frente da consultoria Exon Trade Business Intelligence, Mariana lidera projetos que unem tecnologia de ponta e expertise técnica para transformar dados em decisões estratégicas. Seu trabalho está voltado à estruturação de operações internacionais eficientes, sustentáveis e personalizadas, com foco em inteligência comercial, compliance aduaneiro e estruturação tributária orientada por dados.

Multilíngue — com fluência em seis idiomas —, ela também se destaca pela atuação em negociações multiculturais e ambientes corporativos globais. Reconhecida por sua mentalidade visionária, Mariana é referência na aplicação de business intelligence internacional.

Para ela, o recado é claro: “Adotar soluções baseadas em IA e Big Data não é mais uma vantagem competitiva — é uma exigência do mercado atual. Empresas que desejam crescer, inovar e se manter relevantes no cenário internacional devem enxergar essas tecnologias como aliadas estratégicas para aumentar sua inteligência comercial e acelerar sua inserção global com segurança e assertividade.”

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Comércio Exterior, Exportação

Ministro Fávaro trata com comissário da UE medidas para retomada das exportações de carne de frango

Em videoconferência, ministro reforça a eficácia do sistema sanitário brasileiro, para União Europeia reconhecer Brasil como país livre da gripe aviária

Nesta quinta-feira (10), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou de uma reunião de alto nível por videoconferência com o comissário de Saúde e Bem-Estar Animal da União Europeia (UE), Olivér Várhelyi. O encontro teve como objetivo discutir os próximos passos para a retirada das restrições impostas pelo bloco europeu às exportações de carne de frango brasileira, após a confirmação de um foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial no município de Montenegro (RS), em maio deste ano.

Ao destacar a importância da reunião, o ministro Fávaro reforçou a eficiência do sistema sanitário brasileiro e afirmou que o país já concluiu todas as medidas exigidas, tendo inclusive recuperado o status de livre da doença junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). “Não se trata de comemorar a crise, mas sim de reconhecer a oportunidade que tivemos de demonstrar a robustez do nosso sistema sanitário. Cumprimos todos os protocolos, controlamos o foco e, conhecendo os regulamentos sanitários brasileiros e europeus e sua equivalência – com as devidas particularidades -, venho solicitar formalmente o reconhecimento, também por parte da União Europeia, do Brasil como país livre da gripe aviária. Essa é a principal solicitação desta reunião”, afirmou Fávaro.

O comissário Olivér Várhelyi agradeceu a transparência do governo brasileiro em relação ao surto e reconheceu a agilidade das autoridades na contenção da doença. “Como você sabe, nossas regras vão além dos parâmetros definidos pela OMSA. Ainda precisamos de informações adicionais sobre seu programa de vigilância. Trata-se de um procedimento técnico e rotineiro, aplicado de forma uniforme tanto a países terceiros quanto aos próprios Estados-membros da União Europeia”, explicou Várhelyi.

Ao final da videoconferência, o ministro Fávaro afirmou que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) está mobilizado para atender às exigências adicionais da UE com a maior celeridade possível. “Saio satisfeito com os encaminhamentos da reunião e confiante de que, com o envio das informações complementares solicitadas, o Brasil terá seu status sanitário devidamente reconhecido pela União Europeia, permitindo a retomada plena das exportações de carne de frango”, disse o ministro.

Também participaram da reunião o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart; o secretário adjunto de Defesa Agropecuária, Allan Alvarenga; o secretário adjunto de Comércio e Relações Internacionais, Marcel Moreira; o diretor do Departamento de Saúde Animal da SDA, Marcelo Mota; a chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social do Mapa, Carla Madeira e o adido agrícola do Brasil em Bruxelas/UE, Glauco Bertoldo.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Comércio, Comércio Exterior, Exportação

Mapa vai buscar novos mercados para substituir exportações aos EUA

Oriente Médio, Sul Asiático e Sul Global podem ser alternativas

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) vai buscar novos mercados para serem alternativa às exportações brasileiras que poderão ser afetadas com o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar em 50% os produtos importados do Brasil. O ministro Carlos Fávaro disse nesta quinta-feira (10) que o governo busca minimizar os impactos da decisão dos Estados Unidos. 

“Vou reforçar essas ações, buscando os mercados mais importantes do Oriente Médio, do Sul Asiático e do Sul Global, que têm grande potencial consumidor e podem ser uma alternativa para as exportações brasileiras. As ações diplomáticas do Brasil estão sendo tomadas em reciprocidade. As ações proativas vão acontecer aqui no Ministério da Agricultura e Pecuária para minimizar os impactos”, disse Fávaro, em pronunciamento nas redes sociais. 

Em carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira (9), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que as sanções passam a valer a partir do dia 1º de agosto.

Fávaro classificou a ação do governo norte-americano como “indecente” e disse que o governo brasileiro está agindo de forma proativa. Ele relatou que já conversou com as principais entidades representativas dos setores mais afetados, como de suco de laranja, de carne bovina e de café para encontrar alternativas. 

“Para que possamos, juntos, ampliar as ações que já estamos realizando nos dois anos e meio do governo do presidente Lula em ampliar mercados, reduzir barreiras comerciais e dar oportunidade de crescimento para a agropecuária brasileira”. 

No setor de agronegócio, açúcar, café, suco de laranja e carne representam os principais itens da pauta brasileira aos norte-americanos. Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, um dos efeitos colaterais de curto prazo deve ser a queda de preços no mercado interno, especialmente das commodities agrícolas que deixarão de ser exportadas.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) já calcula que a medida de Trump tornará o custo da carne brasileira tão alto que inviabilizará a venda do produto para os Estados Unidos.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior, Economia, Mercado Internacional

Lula: Nós temos que recorrer à OMC e nos juntar com outros países taxados pelos EUA

À TV Record, Lula disse que o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já estão em conversações com os EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou à TV Record, nesta quinta-feira (10) que defende a união do Brasil a outros países taxados pelos Estados Unidos para ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC) com um recurso. As declarações ocorrem um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado uma tarifa comercial de 50% sobre os produtos do Brasil.

Neste momento, Lula disse que o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já estão em conversações com os Estados Unidos. “Do ponto de vista diplomático, nós temos que recorrer à OMC. Você pode, junto com a OMC, encontrar um grupo de países que foram taxados pelos Estados Unidos e entrar com um recurso na OMC. Se nada disso der resultado, vamos ter que fazer a Lei da Reciprocidade”, afirmou.

Na ocasião, Lula considerou que a carta do presidente americano Donald Trump “não é mais dura” do que declarações que havia dado anteriormente. Em seguida, lembrou falas de Trump contra a criação de uma moeda alternativa ao dólar, medida que está em discussão entre os países dos Brics.

“Nós temos interesse de criar uma moeda de comércio entre os outros países. Eu não sou obrigado a comprar dólar para fazer relação comercial com a Venezuela, com a Bolívia, com Chile, com a Suécia, com a União Europeia, com a China. A gente pode fazer nas nossas moedas”, disse Lula. O presidente brasileiro disse que, caso Trump tenha divergência, deve levar a questão a um fórum internacional, para discutir o tema “civilizadamente”.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

De madeira a carne suína: os produtos de SC mais vendidos aos Estados Unidos

País que anunciou tarifaço de 50% sobre mercadorias brasileiras a partir de agosto é maior mercado internacional de SC

Produtos de madeira, motores e materiais elétricos compõem a lista de produtos fabricados em Santa Catarina com maior volume de vendas para os Estados Unidos. Esses setores devem ser os mais impactados pelo “tarifaço” anunciado nesta quarta-feira (10) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra todos os produtos brasileiros. A taxa extra de 50% deve entrar em vigor em 1º de agosto, segundo carta divulgada por Trump.

O Observatório da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) aponta que a economia de Santa Catarina já vendeu 847,2 milhões de dólares em produtos para os Estados Unidos este ano, entre janeiro e junho. O segmento de obras de carpintaria para construções, que consistem em painéis de madeira usados na construção civil, incluindo painéis para revestimentos de pisos e base para telhados, representa o maior volume de vendas, com 118 milhões comercializados no primeiro semestre deste ano. O valor equivale a 14% de todas as exportações de SC para os EUA.

Ao longo de 2024, o Estado vendeu 1,7 bilhão em produtos aos Estados Unidos. Os três produtos mais comercializados foram os mesmos do primeiro semestre deste ano, puxados por obras de carpintaria para construções, que teve 283,8 milhões de dólares negociados com o país de Trump.

Nacionalmente, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, mas para Santa Catarina os EUA ainda são o maior mercado internacional. O país respondeu por 14% das exportações brasileiras no primeiro semestre deste ano, seguido por China (9,9%) e Argentina (7%).

Volume de importações ainda é maior

Apesar do volume de vendas, a balança comercial de SC com os Estados Unidos ainda apresenta déficit, já que foram importados dos EUA 1 bilhão de dólares em produtos no primeiro semestre, o que resultou em um saldo negativo de 235 milhões de dólares. Na carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump alegou que os Estados Unidos registrariam déficit nas relações comerciais com o Brasil, o que não se confirma nos dados de vendas no mercado internacional do país e nem do Estado.

Após o anúncio de Trump, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) afirmou que o tarifaço vai gerar desemprego no Estado e defendeu a diplomacia na negociação entre os países para evitar a aplicação da taxa a partir do próximo mês.

Sem poder exportar aos EUA, a opção é jogar para um outro país as vendas. Mas não existe mercado para comprar o volume que nós produzimos. E o mercado interno também não suporta tudo o que nós fazemos – afirmou o presidente eleito da Fiesc, Gilberto Seleme, em entrevista à colunista Estela Benetti, do NSC Total.

Ranking de produtos de SC mais exportados aos EUA

  • 1º) Obras de carpintaria para construções: 118,5 milhões de dólares (14%)
  • 2º) Motores elétricos: 82 milhões de dólares (9,7%)
  • 3º) Partes de motor: 72,3 milhões de dólares (8,5%)
  • 4º) Madeira serrada: 59,1 milhões de dólares (7%)
  • 5º) Madeira em forma: 58,7 milhões de dólares (6,9%)
  • 6º) Outros móveis: 58 milhões de dólares (6,8%)
  • 7º) Madeira compensada: 54,5 milhões de dólares (6,4%)
  • 8º) Transformadores elétricos: 31,9 milhões de dólares (3,8%)
  • 9º) Partes e acessórios para veículos: 30,8 milhões de dólares (3,6%)
  • 10º) Carne suína: 24 milhões de dólares (2,8%)

Fonte: NSC Total

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Comércio Exterior, Internacional

Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros gera preocupação no agronegócio e na indústria de Mato Grosso

Medida de 50% nas importações pode impactar exportações de carne bovina e produtos industriais, ameaçando competitividade e fluxo comercial do estado

A recente decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil acende um alerta em Mato Grosso, estado que concentra a maior produção de carne bovina do país e possui uma indústria diversificada e estratégica para o comércio bilateral.

Em nota nesta quinta-feira (10), as Federações da Agricultura e Pecuária (Famato) e das Indústrias (Fiemt) declaram acompanhar com preocupação as possíveis consequências da medida, que pode comprometer o fluxo comercial e a competitividade de diversos setores locais.

Na última segunda-feira (7), o presidente norte-americano iniciou o envio de cartas informando aos países as novas tarifas que a partir de 1º de agosto terão de pagá-las caso não firmem um novo acordo comercial. Donald Trump definiu taxas mínimas sobre produtos importados, que variam entre 20% e 50%, a depender do país.

Conforme analistas econômicos, a tarifa de 50% anunciada sobre os produtos brasileiros, em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (9), seria a mais alta entre as novas taxas divulgadas até agora por Donald Trump até o momento.

Mato Grosso lidera a produção de carne bovina brasileira, com um rebanho superior a 30 milhões de cabeças. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em 2024 o estado exportou 39.039 toneladas de carne bovina para os Estados Unidos, de um total de 303.149 toneladas embarcadas pelo Brasil. Até junho de 2025, as exportações já somavam 26,55 mil toneladas, volume que poderia ser significativamente afetado pela nova tarifa, alertam os representantes do setor agropecuário.

Paralelamente, a indústria mato-grossense também pode sentir os impactos da medida. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que os Estados Unidos foram, em 2024, o 17º principal destino das exportações do estado, com um total de US$ 415 milhões em produtos, somando 183,4 mil toneladas. Desse montante, US$ 373,6 milhões referem-se à indústria de transformação, demonstrando a relevância do setor nas relações comerciais.

Entre os principais produtos industriais exportados estão carnes (US$ 148,5 milhões), ouro (US$ 147,1 milhões), gordura animal (US$ 43,5 milhões), gelatinas (US$ 16,8 milhões) e madeira beneficiada (US$ 12,5 milhões). A agropecuária também mantém papel importante, com US$ 41,4 milhões em exportações. Nos últimos anos, carne bovina, mineração e derivados de origem animal foram os segmentos que mais ampliaram sua presença no mercado norte-americano.

No sentido contrário, os Estados Unidos são o quarto maior fornecedor de produtos para Mato Grosso, com US$ 301,8 milhões em importações, especialmente aeronaves, fertilizantes, máquinas e defensivos agrícolas, evidenciando a importância estratégica do intercâmbio comercial para ambos os lados.

Diante do cenário, a Famato defende a necessidade de o Brasil adotar uma postura firme e diplomática para preservar a competitividade do agronegócio e garantir segurança jurídica nas relações comerciais.

A Fiemt, por sua vez, reforça o compromisso com a defesa da indústria mato-grossense e a promoção de um ambiente favorável à ampliação das relações internacionais, essenciais para o desenvolvimento econômico sustentável do estado.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Comércio Exterior, Economia

Por que a Embraer (EMBR3) é a maior vítima do tarifaço de Trump contra o Brasil?

Queridinha do mercado, ação da fabricante de jatos é a mais abalada pelo tarifaço contra o Brasil por conta da sua exportação para os EUA

Dentre todas as empresas que podem ser afetadas pelas tarifas gerais de 50% anunciadas na véspera pelo presidente dos EUA, Donald Trump, uma em especial ganha destaque, principalmente por ter grande parte da sua receita proveniente de exportações para a maior economia do mundo. Trata-se da Embraer (EMBR3), cuja ação tem uma alta acumulada de mais de 100% nas suas ações no acumulado de 12 meses, mas que vinha sofrendo recentemente com as ameaças do presidente americano em tarifar o Brasil.

A XP Investimentos aponta que a Embraer tem uma alta exposição aos EUA, de cerca de 60% do faturamento. Ela exporta principalmente E1s para companhias aéreas norte-americanas e conclui a montagem de jatos executivos na Flórida; assim, os impactos diretos e indiretos podem ser significativos.

Os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, que assinam o relatório da XP, ressaltam dois impactos principais devido ao aumento da tarifa para produtos brasileiros.

Em primeiro lugar, na divisão Executiva, como a empresa conclui a montagem de Praetors (cerca de 55-60% do conteúdo do Brasil) e Phenoms (cerca de 35-40% do conteúdo do Brasil) em suas instalações na Flórida, parte do CPV (Custo de Produtos Vendidos) do produto é suscetível a tarifas de importação quando os jatos são enviados do Brasil para os EUA (com a Embraer como responsável pela sobretaxa).

Nesse sentido, estima um impacto de custo de US$ 95 milhões por cada 10 pontos percentuais (p.p.) de tarifa para a sua previsão de EBIT de 2026E, ou um impacto de –55-60% em nossas estimativas de EBIT (Lucro Antes de Juros e Impostos)/lucro de 2026 esperado se a tarifa de 50% for implementada, respectivamente.

Em segundo lugar, no segmento comercial, embora os clientes da ERJ sejam os responsáveis pela cobrança tarifária, a preocupação permanece com a demanda mais fraca após um ambiente inflacionário para os E1s, com riscos de adiamento de entregas caso as companhias aéreas tentem evitar tais sobretaxas, embora as cláusulas contratuais (e PDPs) da ERJ devam reduzir tais riscos.

A XP, embora veja o anúncio de Trump principalmente como uma potencial barganha, espera que a preocupação dos investidores permaneça alta, dado o impacto potencial significativo que uma tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros sugeriria para a ERJ (queda 60% para a sua estimativa de lucros para 2026). Dito isso, reitera recomendação neutra no valuation, com potencial downside em relação às estimativas de consenso (e as nossas) se as tarifas permanecerem mais altas em relação ao previsto anteriormente.

Na mesma linha, o Bradesco BBI também ressalta que a Embraer é a empresa de sua cobertura mais exposta às exportações para os EUA.

Assim, estima um impacto potencial de aproximadamente US$ 220 milhões no EBIT de 2025 — cerca de 35% do total estimado para o ano. Essa estimativa considera que a tarifa entre em vigor em agosto, como estipulado na carta oficial, o que limitaria o impacto a apenas uma parte do ano.

No segmento de aviação executiva, os jatos Phenom são produzidos nos EUA, enquanto os jatos Praetor têm sua montagem final no país.

“Isso pode ajudar a mitigar parte do impacto, já que a produção local estaria isenta da tarifa. Ainda assim, não está claro se essa isenção seria total”, avalia.

Para o BBI, a Embraer pode compensar parte do impacto por meio de: i. Reajuste de preços em novos pedidos de jatos executivos (com efeito apenas na entrega); ii.Aumento de preços em serviços e peças, reduzindo indiretamente o impacto nas entregas e iii. No segmento de aviação comercial, as tarifas podem levar clientes a adiar recebimentos de aeronaves.

O UBS BB estima um impacto de aproximadamente US$ 70 milhões nos custos da Embraer e um impacto de 13% na margem financeira de 2026 para cada aumento de 10% nas tarifas. O banco considera o impacto apenas sobre jatos executivos, com 40% dos Phenoms e 60% dos Praetors sendo tarifados e 75% das vendas totais de jatos executivos para os EUA.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Importação

África do Sul e Singapura tiram restrições à importação de frango do Brasil

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que a África do Sul e Singapura retiraram as restrições de exportação à carne de frango brasileira, após o Brasil se declarar oficialmente livre de gripe aviária em 18 de junho. A notificação formal foi enviada à OMSA.

O Brasil também comunicou todos os países que impuseram restrições à importação de carne de frango brasileira, solicitando a revogação das suspensões com base no novo status sanitário. Desde a confirmação de um foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial no município de Montenegro (RS), mais de 40 mercados anunciaram algum tipo de restrição à compra de aves brasileiras.

A situação atual das restrições das exportações brasileiras de carne de aves é a seguinte:

Sem restrição de exportação:
África do Sul, Argélia, Argentina, Bolívia, Bósnia e Herzegovina, Cuba, Egito, El Salvador, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Índia, Iraque, Lesoto, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Mianmar, Montenegro, Paraguai, República Dominicana, Singapura, Sri Lanka, Uruguai, Vanuatu e Vietnã;

Suspensão total das exportações de carne de aves do Brasil:
Albânia, Canadá, Chile, China, Macedônia do Norte, Malásia, Paquistão, Peru, Timor-Leste, União Europeia;

Suspensão restrita ao estado do Rio Grande do Sul:
Angola, Arábia Saudita, Armênia, Bahrein, Bielorrússia, Cazaquistão, Coreia do Sul, Kuwait, México, Namíbia, Omã, Quirguistão, Reino Unido, Rússia, Tajiquistão, Turquia e Ucrânia;

Suspensão limitada ao município de Montenegro (RS):
Catar e Jordânia;

Suspensão limitada aos municípios de Montenegro, Campinápolis e Santo Antônio da Barra:
Japão;

Suspensão limitada à zona:
Hong Kong, Maurício, Nova Caledônia, São Cristóvão e Nevis, Suriname e Uzbequistão.

O reconhecimento de zonas específicas é denominado regionalização, conforme previsto no Código Terrestre da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e no Acordo sobre Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS) da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Fonte: CNN Brasil

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