Comércio Exterior

Com tarifaço, SC é o estado que terá o 4° maior prejuízo financeiro do país

Quase tudo que o estado vende aos EUA vem da indústria (99%), mostra levantamento da CNI

O aumento das tarifas de importação pelos Estados Unidos, previsto para 1º de agosto, pode provocar impactos econômicos relevantes e desiguais entre as unidades da federação, com perdas superiores a R$ 19 bilhões para os estados brasileiros. Santa Catarina aparece em quarto lugar na lista de maior prejuízo financeiro (R$ 1,7 bi), mas é o estado com a segunda maior queda prevista no PIB: -0,31%. Isso é o que mostra levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2024.

A CNI estima que, caso entre em vigor, a medida pode ocasionar a perda de pelo menos 110 mil postos de trabalho, além de reduzir em 0,16% o PIB do Brasil e de provocar uma queda de 0,12% na economia global, com retração de 2,1% no comércio mundial.

Prejuízo bilionário para Sul e Sudeste  
Em termos de impacto financeiro, os estados do Sudeste e do Sul serão os mais prejudicados. O estado de São Paulo, maior economia brasileira, deve liderar o prejuízo com as tarifas, com perdas estimadas em R$ 4,4 bilhões, representando uma queda de 0,13% no PIB. Segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2024, os EUA foram o principal destino das exportações paulistas, com 19% de tudo que o estado exportou no ano. Além disso, 92,1% do que o estado vendeu ao país veio da indústria de transformação.

Ocupando o segundo lugar de estado com maior impacto com o tarifaço, com potencial de retração de R$ 1,917 bilhão no PIB está o Rio Grande do Sul. Os Estados Unidos são o terceiro maior destino de exportações gaúchas, representando 8,4% do total exportado. 

No caso do Paraná, os EUA também aparecem como o terceiro principal destino comercial. Em 2024, 6,8% do que o estado exportou teve como destino o mercado norte-americano, sendo 97,5% provenientes da indústria de transformação. O PIB paranaense pode perder R$ 1,914 bilhão com o tarifaço de Donald Trump.  

Em quinto lugar, Minas Gerais pode amargar perdas de R$ 1,6 bilhão (-0,15% no PIB). A participação da indústria nas exportações aos EUA foi de 66,1% em 2024. Os EUA são o 3º maior destino das vendas externas do estado. 

Amazonas e Pará também terão perdas bilionárias  
Puxado pela exportação do polo industrial de Manaus, o estado do Amazonas pode sofrer o sexto maior impacto em volume financeiro: R$ 1,1 bilhão, uma queda de 0,67% no PIB. A indústria respondeu por 96,1% das vendas aos EUA no ano passado. No caso do Pará, o impacto de novas tarifas pode chegar a R$ 973 milhões, uma queda de 0,28% no PIB. Apesar de os EUA corresponderem por 3,6% das exportações do estado, a indústria responde por 95,2% dos bens vendidos aos americanos. 

Menos dependentes, com impactos significativos  
No Centro-Oeste, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul acumulam prejuízos superiores a R$ 1,9 bilhão. Já no Nordeste, as perdas são menores, mas ainda relevantes: Bahia (R$ 404 milhões), Pernambuco (R$ 377 milhões) e Ceará (R$ 190 milhões) lideram na região.

Com informações da CNI

Fonte: FIESC

Ler Mais
Comércio Exterior

Brics e dólar: aliado de Trump diz que tarifaço é “combinação de tudo”

Advogado Brian Ballard recomendou que o governo brasileiro se esforce para falar diretamente com o presidente norte-americano e disse que “Trump é um negociador duro, mas é um negociador justo”

Em entrevista à CNN Brasil, Brian Ballard, advogado próximo ao presidente dos EUA, Donald Trump, comentou a imposição de tarifas contra as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto.

Questionado sobre os motivos da taxação, Ballard atribuiu a medida a uma série de fatores, incluindo o papel do Brasil no Brics, a proximidade do presidente Lula com o líder chinês, Xi Jinping, e os discursos que propõem o fim do domínio do dólar.

“O presidente [Trump] vê o governo brasileiro como não tão pró-Estados Unidos como já foi no passado e como deveria ser. Então, ele tem várias ferramentas que pode usar para tentar alcançar o que ele considera serem resultados mais justos”, disse Ballard.

Anteriormente, durante a Cúpula do Brics, sediada no Rio de Janeiro em 7 de julho, Lula defendeu a adoção de medidas para enfraquecer o uso do dólar no comércio internacional, como a utilização de moedas locais nas transações entre os países.

A proposta é amplamente defendida por alguns países do bloco, especialmente pela Rússia, que passou a ser alvo de sanções internacionais após a invasão na Ucrânia, e pela China.

Em 9 de julho, na carta endereçada ao presidente Lula e publicada por Trump na Truth Social, o republicano atribuiu a cobrança à postura do STF (Supremo Tribunal Federal) com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Além disso, ele disse que a relação comercial entre os países era “muito injusta” e marcada por desequilíbrios gerados por “políticas tarifárias e não-tarifárias e pelas barreiras comerciais do Brasil”.

Ballard recomendou que o governo brasileiro se esforce para falar diretamente com o líder americano e disse que “Trump é um negociador duro, mas é um negociador justo”.

“Eu faria tudo o que pudesse para falar diretamente com o presidente e sua equipe sênior, o secretário [do Comércio] Lutnick, o secretário do Tesouro, o representante comercial, todos eles […] como vocês viram em seu histórico, Trump adora conversar diretamente”.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior

Após tarifaço dos EUA, madeireira catarinense anuncia férias coletivas

Após o anúncio de Donald Trump de que produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos serão taxados em 50%, as empresas exportadoras do Brasil buscam formas de adiar o impacto da medida.

Na cidade de Ipumirim, em Santa Catarina, uma empresa exportadora do setor madeireiro anunciou nesta terça-feira (29) que deu férias coletivas a quase 500 funcionários. A empresa fabrica molduras de madeira para o mercado externo – sendo 95% do total para os Estados Unidos.

A decisão de reduzir as operações foi motivada pela suspensão, na semana passada, dos contratos de exportação que ainda não haviam sido enviados aos portos.

Em comunicado ao mercado e aos colaboradores, o grupo diz que a medida “visa aguardar que ambos os governos cheguem a um acordo, permitindo que as atividades comerciais continuem fluindo”.

Com quase 500 colaboradores diretos, apenas um setor com 15 deve seguir trabalhando. 

Além de molduras, a empresa ainda atua na fabricação de paletes para o mercado interno e de portas de madeira e kits de portas prontas tanto para o Brasil quanto para o Uruguai e o Paraguai. Considerando toda a produção da empresa, o percentual de comércio com os Estados Unidos gira em torno de 50%.

Tarifas

Os EUA anunciaram que taxarão produtos de diversos países, sendo que o Brasil teve o maior índice anunciado: 50% sobre todas as exportações. 

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou na terça-feira que alguns produtos não cultivados no país, como café, manga e abacaxi, poderiam entrar nos Estados Unidos sem tarifa de importação, porém isenção depende de acordo entre Brasil e Estados Unidos.

Fonte: Agência Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior, Economia, Exportação, Finanças

Alckmin: Governo trabalha pela diminuição da alíquota para todos

Vice-presidente relata avanço nas discussões com bigtechs sobre inovação tecnológica, segurança jurídica e regulação.

O governo está empenhado em evitar que os EUA apliquem uma tarifa totalmente injustificada de 50% sobre produtos brasileiros, afirmou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, durante entrevista coletiva concedida no fim da tarde desta terça-feira (29/7), em Brasília.

“Nós estamos trabalhando para que a diminuição da alíquota seja para todos. Não tem justificativa você ter uma alíquota de 50% para um país que é um grande comprador. Você tem uma balança comercial superavitária”, afirmou.

Alckmin voltou a citar dados do comércio e dos interesses entre os dois países, afirmando que há muito mais convergência do que divergência. “Então, não há razão para ter essa questão tarifária. Isso parece totalmente equivocado”.

Durante o dia, o ministro teve mais três reuniões dentro da série de conversas que o MDIC e outros ministérios vêm realizando, no âmbito do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, desde que o presidente norte-americano Donald Trump anunciou a possibilidade de impor tarifas de 50% os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

Um dos encontros desta terça foi com representantes de grandes empresas do setor de tecnologia, como Meta, Google e Apple. Segundo Alckmin, o governo propôs uma mesa de trabalho para debater pautas de interesse das companhias, que incluem ambiente regulatório, inovação tecnológica, oportunidade econômica e segurança jurídica.

“Essa questão de regulamentação de bigtechs, de redes sociais, está em discussão no mundo. Então, vamos aprender. Onde é que já foi implementado?  O que deu certo? O que levou à crítica? Nós não devemos ter muita pressa nisso. Eu acho que a gente deve verificar a legislação comparada e ouvir, ouvir e dialogar”, afirmou o ministro.

O setor de data center foi apontado por Alckmin como oportunidade econômica para fortalecer parceria comercial entre os dois países.

“O Brasil vai ser campeão de data center. Nós temos energia mais barata, energia renovável, especialmente eólica e solar, e energia abundante. Você tem muitas oportunidades e segurança jurídica”, garantiu. A convite do governo brasileiro, a reunião também contou com a participação de representante da Secretaria de Comércio dos Estados Unidos.

Ceará e Rio de Janeiro

Alckmin também se reuniu com o governador do Ceará, Elmano de Freitas, e empresários do estado; e com dirigentes da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), entre eles o presidente da entidade, Luiz Césio Caetano Alves.

Desde o anúncio da possível imposição de tarifas ao Brasil, o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais tem se reunido com representes de todos os setores produtivos potencialmente afetados pela medida. Foram 25 reuniões envolvendo mais de 120 empresas/entidades, com quase 200 representantes empresariais e dos trabalhadores.

Questionado na coletiva sobre eventual plano de contingência para apoiar empresas que possam ser atingidas pelo tarifaço, o vice-presidente reiterou que o Brasil continua trabalhando para evitar que a taxação seja consumada.

 “O Brasil tem estabilidade, previsibilidade e segurança jurídica. O plano de contingência, que está sendo bem trabalhado, só deve ser discutido se consumada a questão dos 50%. Nós não vamos esmorecer, vamos trabalhar permanentemente para evitar que isso ocorra”, garantiu.

Fonte: MDIC.gov

Ler Mais
Agronegócio, Comércio Exterior

Agro vê etanol ameaçado em negociação sobre tarifas de 50% de Trump

Redução das tarifas brasileiras de importação do etanol deve ser colocada como moeda de troca pela Casa Branca; setor vê possibilidade alta de governo ceder

O setor de agroenergia vê com preocupação o uso do etanol como moeda de troca para os Estados Unidos baixarem as tarifas gerais de 50% sobre produtos importados do Brasil.

O etanol foi citado pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos entre as “práticas comerciais injustas” devido à tarifa de importação brasileira de 18% — o que reduziria a competitividade para os produtores americanos, segundo a Casa Branca.

No documento da investigação comercial dos EUA sobre o Brasil, o etanol foi o único produto citado nominalmente e que teve destaque. Dessa forma, parlamentares, empresários e integrantes do governo acreditam que a redução das tarifas de importação devem ser uma exigência da Casa Branca para negociações.

À CNN, empresários do setor de agroenergia disseram, sob anonimato, acreditar que a aceitação do governo em reduzir a tarifa de importação de etanol é “bastante provável”. Inclusive, eles disseram que a medida é apoiada por outros segmentos do setor produtivo que não tem relação com a substância e, portanto, seriam beneficiados com a redução da alíquota geral de 50%.

O Brasil impôs pela primeira vez uma cota tarifária (CTQ) de 600 milhões de litros anuais em 2017, com uma alíquota extra de 20% sobre as importações de etanol. Depois de mudanças sobre a cobrança nos anos subsequentes, o país fixou a alíquota em 18% em 1º de janeiro de 2024.

“Os Estados Unidos sofrem com tarifas mais altas sobre o etanol impostas pelo Brasil e com o desequilíbrio comercial resultante da decisão do Brasil de abandonar o tratamento recíproco, praticamente isento de impostos, que promoveu o desenvolvimento de ambas as indústrias e um comércio florescente e mutuamente benéfico”, diz o Departamento de Comércio dos EUA.

Caso as tarifas de importação do etanol sejam reduzidas, executivos do agro afirmaram à CNN que o país deverá sofrer com a perda de centenas ou milhares de empregos, especialmente no Nordeste.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior

Secretário dos EUA diz que produtos não cultivados no país, como o café, poderiam ter tarifa zerada

Howard Lutnick, secretário do Comércio, listou alguns produtos que poderiam ser beneficiados pela isenção, mas não citou países. Brasil, maior fornecedor do café norte-americano, não foi mencionado.

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou nesta terça-feira (29) que alguns produtos não cultivados no país, como o café, poderiam ter a tarifa zerada.

Em entrevista à rede norte-americana CNBC, Lutnick citou os produtos que se encaixariam nessa categoria, que ele chamou de “recursos naturais” – além do café, o secretário também falou da manga, do abacaxi e do cacau.

Ele, no entanto, não citou nenhum país exportador que seria beneficiado com tarifa zero. Lutnick também não mencionou o Brasil, que será atingido por uma tarifa de 50% a partir de sexta-feira (1º), por determinação de Donald Trump.

O Brasil é o principal fornecedor do café para os EUA e detém cerca de um terço do mercado norte-americano, que comprou 17% de todo o café brasileiro exportado entre janeiro e maio deste ano.

“São recursos naturais. Quando o presidente faz um acordo, ele inclui que, se você produz algo, e a gente não, isso pode vir por [tarifa] zero.”

“Se vamos negociar com um país que produz manga ou abacaxi, então eles podem entrar sem tarifa. Café, coco, são outros exemplos de recursos naturais”, completou.

Negociações com UE e China

A fala ocorreu no momento que o secretário comentava as negociações entre Estados Unidos e União Europeia, que fecharam um acordo sobre as tarifas no último domingo (27).

Nesse contexto, ele disse que a cortiça, um item que os EUA compram da União Europeia, também pode ter sua tarifa zerada, e acrescentou que continuará negociando outros pontos com a Comissão Europeia, com as tarifas para aço e alumínio e a regulamentação dos serviços digitais.

Lutnick também disse que as negociações com a China serão mais difíceis. “A China é algo próprio, temos nossa equipe trabalhando eles”, afirmou.

Lutnick ainda afirmou que, em relação aos outros países, Trump tomará suas decisões sobre eventuais acordos comerciais até sexta-feira (1º).

EUA dependem do café brasileiro

Analistas ouvidos pelo g1 dizem que uma eventual interrupção da importação do café do Brasil causaria um grande impacto nos EUA, que atualmente dependem do produto brasileiro para atender os norte-americanos.

Os EUA produzem só 1% do café consumido por sua população. Caso a tarifa de 50% seja aplicada, o comércio entre os países será praticamente inviabilizado, e os EUA terão dificuldade para suprir a demanda.

Isso porque o Brasil representa 40% de toda a oferta mundial de café, segundo Fernando Maximiliano, analista da consultoria StoneX Brasil.

Os outros grandes exportadores de café têm uma produção bem menor do que o Brasil, especialmente do tipo arábica, a variedade que os EUA mais compram.

Maximiliano lembra que o Brasil vende cerca de 8 milhões de sacas de café aos Estados Unidos todos os anos.

“A Colômbia, segundo maior produtor, não teria esse café todo para suprir os 100% do que o Brasil deixaria de fornecer. Então, os EUA teriam um desafio bem grande pela frente”, resume o especialista.

Ele explica que, sem outro grande fornecedor de arábica, os EUA poderiam aumentar a compra de robusta e alterar a composição do café vendido. “Ou então buscar o arábica de outro país, mas não vai ser fácil”, completa.

Fonte: G1

Ler Mais
Comércio Exterior

Governo Lula liga o sinal de alerta e teme os efeitos do tarifaço em 2026

Se publicamente o governo tentar surfar na retórica da soberania nacional, nos bastidores integrantes do governo Lula já demonstram apreensão com os impactos econômicos do tarifaço prometido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A avaliação de assessores próximos a Lula é de que o discurso de enfrentamento “tem limite” e que a conta dos prejuízos da medida pode chegar às urnas nas eleições de 2026, quando o petista tentará reeleição.

Para auxiliares presidenciais, a narrativa da soberania, embora eficiente para mobilizar a base e sinalizar firmeza frente à pressão externa, não seria suficiente para compensar as consequências do tarifaço no bolso dos brasileiros.

“O que preocupa, de verdade, é quando o supermercado ficar mais caro, quando a indústria começar a demitir. Aí, não tem soberania que segure a insatisfação popular”, comentou reservadamente um interlocutor do governo à coluna.

Nesse cenário, além da retórica da soberania, ministros de Lula pretende reforçar o discurso de que o governo tem atuado para tentar reverter o tarifaço, prometido para começar a partir da sexta-feira, 1º de agosto.

Fonte: Metrópoles

Ler Mais
Comércio Exterior, Internacional

Venezuela volta a isentar produtos do Brasil após tarifa surpresa, dizem exportadores

Empresas de Roraima relataram que parceiros venezuelanos estavam sendo cobrados de uma taxa que até então era total ou parcialmente isenta, a depender do produto

A Venezuela deixou de cobrar uma taxa sobre importação de produtos brasileiros após aplicar a cobrança sem explicações durante mais de uma semana, de acordo com a Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima, que reúne empresas do Estado que vendem produtos para o país vizinho.

No dia 18 de julho, exportadores brasileiros foram surpreendidos pela cobrança de uma taxa de importação da Venezuela que até então era isenta para produtos do Brasil que entram no país. O imposto é cobrado de empresas venezuelanas.

Empresas de Roraima, Estado que destina 70% de suas exportações para o território com o qual faz fronteira, relataram que parceiros venezuelanos estavam sendo cobrados de uma taxa que até então era total ou parcialmente isenta, a depender do produto. Os empresários brasileiros temiam impactos em seus negócios.

O Brasil tem um acordo bilateral com a ditadura chavista que isenta a cobrança da taxa de importação ad valorem (cobrada sobre o valor do item) de produtos que entram no país com certificado de origem.

Cada produto tem um grau de isenção, que chega a ser total em alguns casos. Com o fim da isenção, houve cobrança de uma taxa de 40% para produtos como açúcar e margarina; a farinha de trigo foi taxada em 20%, segundo a instituição de exportadores.

Segundo o presidente da Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima, Eduardo Oestreicher, a instituição foi informada que o problema ocorreu em um sistema da Venezuela e foi resolvido, sem maiores explicações. Nesta segunda-feira, 28, segundo Oestreicher, os empresários venezuelanos relataram que a isenção estava sendo aplicada normalmente.

Não houve explicações oficiais do governo da Venezuela. A informação da volta da normalidade foi dada pela Câmara de Comércio e Indústria de Santa Elena de Uairén, que faz fronteira com o Brasil, e pelos despachantes aduaneiros do local aos empresários brasileiros, segundo Oestreicher.

“Tivemos a confirmação esta manhã que foi um problema de sistema e que hoje voltou a operar da forma como era antes”, disse ele ao Estadão. Empresários estavam com cargas e produtos parados à espera de uma solução, de acordo com a instituição. “Os empresários em Roraima estão mais aliviados, inclusive as cargas já estão sendo processadas dentro da aduana.”

Na última sexta-feira, 25, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse estar acompanhando, em coordenação com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), os relatos de dificuldades enfrentadas por exportadores brasileiros.

O comércio entre Brasil e Venezuela é regido pelo Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), que veda a cobrança de imposto de importação entre os dois países. Nesta segunda-feira, 28, o Itamaraty ainda não se pronunciou.

Fonte: InfoMoney

Ler Mais
Comércio Exterior

Lula está disposto a ligar para Trump, desde que seja atendido, dizem interlocutores

Lula gostaria de conversar pessoalmente com Trump sobre o tarifaço, mas auxiliares do presidente brasileiro relatam dificuldades de contato com a Casa Branca.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está disposto a conversar diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o tarifaço anunciado contra produtos brasileiros. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, Lula não se opõe ao diálogo, mas avalia que a conversa só ocorrerá se Trump atender pessoalmente a ligação.

A disposição de Lula ocorre após uma proposta feita por senadores brasileiros para que os dois líderes conversem. No entanto, o clima no Planalto é de pessimismo. A avaliação é de que a Casa Branca só pretende abrir uma negociação após a entrada em vigor das tarifas, marcada para 1º de agosto, como forma de aumentar seu poder de barganha.

Fontes do governo afirmam que os canais com a Casa Branca estão fechados. Apesar das tentativas de contato com o Departamento de Comércio, o Tesouro e outras áreas da administração norte-americana, o Planalto relata dificuldade de estabelecer uma ponte direta com o núcleo político do governo Trump.

Um interlocutor direto de Lula afirmou que o Brasil seguirá aberto ao diálogo, mas frisou que há limites: “A soberania não é negociável”, disse. Segundo essa fonte, o governo brasileiro rejeita qualquer tentativa de interferência em decisões do Supremo Tribunal Federal ou em sistemas como o Pix.

Ainda de acordo com integrantes do Planalto, há no governo norte-americano um desconforto com o Pix por supostamente afetar a rentabilidade de empresas americanas, incluindo operadoras.

Tarifaço dos EUA

  • No dia 9 de julho, Trump publicou uma carta endereçada ao presidente Lula (PT) anunciando a aplicação de tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. Ele justificou a medida com argumentos políticos e comerciais.
  • No dia 23, o presidente dos EUA disse que aplicou tarifas de 50% a países com os quais o relacionamento “não tem sido bom”.
  • Embora não tenha sido citado diretamente, o Brasil está entre eles. Segundo ele, o objetivo é pressionar outros países a abrirem seus mercados.
  • Neste domingo (27), o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou que as tarifas impostas pelo país entrarão em vigor no dia 1º de agosto, “sem prorrogações”.

Chanceler brasileiro nos EUA

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou neste domingo nos EUA e poderá seguir para Washington, caso o governo americano demonstre interesse em discutir alternativas ao tarifaço.

Oficialmente, Vieira cumpre agenda na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, com foco na questão palestina.

Segundo apuração da TV Globo/GloboNews, o chanceler indicou que sua presença nos EUA demonstra disposição para o diálogo, mas que só irá a Washington se houver sinal verde do governo americano para retomar as negociações.

Impacto

De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), o aumento das tarifas de importação dos EUA sobre produtos brasileiros pode impactar cerca de 10 mil empresas brasileiras que exportam para o mercado norte-americano.

Essas empresas empregam, juntas, aproximadamente 3,2 milhões de pessoas no Brasil.

Neste mês, Geraldo Alckmin destacou que empresas norte-americanas com operações no Brasil — como General Motors, Johnson & Johnson e Caterpillar — também seriam prejudicadas pela tarifa anunciada por Trump.

“Nós queremos todo mundo unido para resolver essa questão. E as empresas têm um papel importante, tanto as brasileiras, que, aliás tem empresa brasileira que tem indústria nos Estados Unidos, quanto as empresas americanas. A General Motors comemorou esse ano, participei do seu centenário no Brasil. A Johnson & Johnson tem 90 anos, a Caterpillar tem 70 anos, muitas delas exportam para os Estados Unidos”, disse Alckmin na ocasião.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que a equipe econômica já está elaborando um plano de contingência para apoiar os setores que forem impactados pelo tarifaço.

“Não vamos deixar ao desalento os trabalhadores brasileiros, vamos tomar medidas necessárias”, declarou o ministro Haddad.

Fonte: G1

Ler Mais
Comércio Exterior, Economia, Exportação, Notícias, Tributação

Plano de contingência sobre tarifas dos EUA já foi apresentado a Lula

Segundo Haddad, o Brasil não sairá da mesa de negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (28) o plano de contingenciamento para ajudar empresas afetadas pela tarifa de 50% aos produtos brasileiros impostas pelos Estados Unidos, disse nesta noite o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele reiterou que o Brasil não pretende sair da mesa de negociações e continuará a dar prioridade ao diálogo para tentar reverter a medida.

Formulado pelos Ministérios da Fazenda; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; das Relações Exteriores; e pela Casa Civil, o plano de contingência agora está sob análise de Lula, que tomará uma decisão, caso os Estados Unidos não adiem a entrada em vigor da tarifa, prevista para a próxima sexta-feira (1º).

“Nós nos debruçamos sobre isso hoje. Os cenários possíveis já são de conhecimento do presidente [Lula]. Ainda não tomamos nenhuma decisão, porque nem sabemos qual será a decisão dos Estados Unidos no dia 1º. O importante é que o presidente tem na mão os cenários todos que foram definidos pelos quatro ministérios”, declarou Haddad, que não adiantou detalhes sobre o plano de socorro.

Apesar da apresentação do plano de contingência, Haddad informou que a prioridade do governo brasileiro continua a ser o diálogo com os Estados Unidos. Mais cedo, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, informou que o governo brasileiro está tendo diálogos “com reserva” com o governo estadunidense.

“Combinamos de apresentar para ele [Lula] o plano de contingência com todas as possibilidades que estão à disposição do Brasil e dele à frente da Presidência da República. O foco continua sendo as negociações”, afirmou Haddad, em entrevista a jornalistas ao deixar o ministério na noite desta segunda.

O ministro da Fazenda afirmou que Alckmin está em “contato permanente e à disposição permanentemente” das autoridades estadunidenses. “O foco, por determinação do presidente, é negociar, tentar evitar medidas unilaterais, mas, independentemente da decisão que o governo dos Estados Unidos vai tomar, nós vamos continuar abertos à negociação”, reiterou Haddad.

Fonte: Agencia Brasil

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook