Comércio Exterior, Exportação

Embraer propõe produzir KC-390 nos EUA em troca de zerar tarifas de exportação

Companhia brasileira também informou que vai investir US$ 500 milhões para expansão de suas instalações na Flórida.

Em busca de zerar as tarifas de exportação para aviação, a Embraer anunciou nesta terça-feira (5) que pretende investir até US$ 500 milhões para produzir o KC-390 nos EUA, caso o país compre o avião cargueiro. Um montante do mesmo valor será investido nos próximos cinco anos na expansão das instalações da empresa na Flórida.

O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou que a produção do avião militar nos Estados Unidos pode gerar 2,5 mil empregos adicionais no país. Acrescentou ainda que a companhia sinalizou como “oportunidade de investimento local para a tarifa retornar para zero”.

“Estamos em conversas avançadas com um parceiro relevante nos Estados Unidos para esse projeto. Continuamos acreditando e defendendo firmemente o retorno à política de tarifa zero para a indústria aeroespacial global”, afirmou.

Mesmo com aviões civis isentos do adicional de 40% que eleva para 50% a tarifa sobre produtos brasileiros nos EUA, o presidente da Embraer afirma que as taxas americanas (de 10% desde abril) “continuam sendo uma grande preocupação”.

Em balanço divulgado ao mercado, a companhia anunciou prejuízo líquido de R$ 53,4 milhões, contrastando com o lucro de R$ 415,7 milhões no segundo trimestre de 2024, com receitas avançando cerca de 31%.

A Embraer segue esperando uma receita total no ano de US$ 7 bilhões a US$ 7,5 bilhões, com uma margem Ebit ajustada de 7,5% a 8,3% e um fluxo de caixa livre ajustado de pelo menos 200 milhões de dólares.

“Até o momento, temos 20% do impacto das tarifas já sendo sentidas no nosso fluxo de caixa — e é por isso que esperamos um impacto maior no segundo semestre deste ano. Por isso que temos um Ebit moderado só para reafirmar nossas estimativas”, disse Neto.

Recorde de receita

A Embraer destacou que registrou receita de R$ 10,3 bilhões no segundo trimestre de 2025. O valor representa uma alta de 30,9% na comparação com o mesmo período de 2024.

De acordo com fabricante brasileira, o valor da receita no segundo trimestre deste ano representa um “recorde histórico” para o período.

Na apresentação do balanço, a companhia também reiterou previsões de entregas de aviões para este ano, com expectativa de envio a clientes de 77 a 85 aeronaves comerciais e entre 145 e 155 jatos executivos.

KC-390

O KC-390 é um projeto da Força Aérea Brasileira (FAB) que, em 2009, contratou a Embraer para realizar o desenvolvimento da aeronave. Ao todo, 11 países selecionaram o KC-390, entre eles o Brasil, Portugal e Coreia do Sul,

Segundo a Embraer, o modelo pode ser usado em diversas missões, como transporte e lançamento de cargas e tropas, evacuação aeromédica, busca e salvamento, ajuda humanitária, missões de resposta a desastres, combate a incêndios e reabastecimento aéreo.

O avião cargueiro é capaz de transportar até 26 toneladas a uma velocidade de 470 nós (870 km/h), com capacidade de operar em pistas não pavimentadas ou danificadas.

A fuselagem acomoda cargas de grandes dimensões, com acesso por meio da rampa. A aeronave, cuja produção ocorre na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto, pode ser reabastecida em voo.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Lula diz que não vai ligar para falar de tarifaço ‘porque Trump não quer’

O presidente Lula (PT) afirmou hoje que não vai ligar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para falar sobre o tarifaço, que entra em vigor amanhã, porque o norte-americano não estaria interessado.

O que aconteceu

“Ele não quer falar”, disse Lula, durante discurso no Itamaraty. O governo brasileiro tem tentado uma aproximação com o norte-americano e se deixou aberto a uma conversa entre os dois, mas não houve avanço pelo lado de Washington.

O Itamaraty justifica que a ligação é um processo diplomático. Membros das Relações Exteriores dizem que a ligação só ocorre com horário marcado e concordância dos dois lados —logo, caso o norte-americano não indique interesse na ligação, o processo nem é iniciado do lado brasileiro.

Lula disse, no entanto, que deve falar com Trump sobre a COP30, marcada para novembro, em Belém. “Vou ligar para convidá-lo para vir para COP porque quero saber o que ele pensa da questão climática. Vou ter a gentileza de ligar. Vou ligar para ele, para [o presidente chinês] Xi Jinping, para o primeiro-ministro [indiano Narendra] Modi.”

Pouco antes, Lula reclamou da preocupação do país com o Pix. “Qual é a preocupação deles? É que, se o Pix tomar conta do mundo, os cartões de crédito irão desaparecer —e é isso que está por detrás dessa loucura contra o Brasil”, afirmou o presidente, sem citar empresas específicas.

Negociações sobre tarifaço

O governo federal estima que 35,9% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão impactadas pelo tarifaço. Isso representa que um total de US$ 14,5 bilhões em vendas externas de produtos brasileiros para o mercado americano passará a ser taxado em 50%.

Ficarão fora da nova taxação 44,6% dos produtos vendidos para os EUA. A fatia corresponde, segundo a governo, a US$ 18 bilhões, levando em conta as vendas do ano passado. A lista de exceções tem 694 itens, incluindo suco de laranja, madeira e derivados de petróleo. Número está próximo ao que havia sido estimado pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), de 43,4%.

Mais cedo, o chanceler Mauro Vieira destacou o avanço das negociações. “As tratativas empreendidas pelo governo foram fundamentais para a exclusão de cerca de 700 itens comerciais da ordem executiva sob tarifas, o que preservou setores estratégicos como a indústria de aviões, a produção de sucos de laranja e o setor de celulose”, disse.

Setores foram do “alívio” ao “medo de colapso” desde o anúncio. Indústria de calçados, que será tarifada, prevê perdas significativas, enquanto o setor de sucos cítricos afirmou ter visto a sua própria exceção com otimismo.

Trump ameaçou com “devolução na mesma moeda” se Brasil retaliar. A ordem executiva assinada por Trump afirma que, se o Brasil resolver aumentar as taxas dos produtos importados dos EUA em resposta ao tarifaço americano, o texto será modificado para “garantir a eficácia das medidas determinadas”.

Fonte: UOL

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Comércio Exterior

Minerais críticos e terras raras podem entrar em negociações com EUA

Ministro Fernando Haddad admitiu possibilidade nesta segunda-feira

Os minerais críticos e as terras raras podem entrar nas negociações tarifárias com os Estados Unidos, disse nesta segunda-feira (4) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Segundo ele, um acordo sobre os dois temas pode ser assinado com o governo estadunidense.

“Temos minerais críticos e terras raras. Os Estados Unidos não são ricos nesses minerais. Podemos fazer acordos de cooperação para produzir baterias mais eficientes”, disse Haddad em entrevista à BandNews nesta tarde.

Atualmente, os minerais críticos, como lítio e nióbio, são usados para a produção de baterias elétricas e em processadores de inteligência artificial (IA). Desde maio, o governo discute um novo marco regulatório para a IA e datacenters (centros de processamento de dados).

Plano de contingência

Em relação ao plano de contingência para ajudar setores afetados pelo tarifaço do governo Trump, Haddad afirmou que as medidas estão prontas e devem ser anunciadas até quarta-feira (6), data marcada para as tarifas entrarem em vigor. Nesta segunda, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o plano está concluído e, entre outras medidas, inclui linhas especiais de crédito e ajuda para compras governamentais.

Novas exceções

Haddad não descartou a possibilidade de outros produtos serem incluídos na lista de exceções dos Estados Unidos até quarta-feira (6). O ministro reiterou que o Brasil continuará negociando e que os termos atuais impostos pelo governo estadunidense são inaceitáveis, mas podem melhorar.

“Creio que alguma coisa [ampliação da lista de exceções] ainda pode acontecer até o dia 6. Pode acontecer, mas estou dizendo que não trabalhamos com data fatídica. Não vamos sair da mesa de negociação até que possamos vislumbrar um acordo, que precisa de interesses em comum. Nesses termos, o Brasil, evidentemente, não vai fazer um acordo, porque não tem o menor sentido na taxação que está sendo imposta ao país”, declarou Haddad.

Um dos possíveis setores beneficiados pode ser o café. Após reunião com Alckmin nesta segunda-feira, o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcio Ferreira, disse haver 50% de chances de o setor ser excluído da tarifa de 50%.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

Como começar a operar no comércio exterior: guia prático para empresas que querem exportar ou importar

Entrar no mercado internacional é um passo estratégico para negócios que buscam crescimento, diversificação e novos clientes. Confira os principais passos para iniciar operações com segurança e eficiência.

O comércio exterior brasileiro vem ganhando cada vez mais espaço entre empresas que desejam expandir suas fronteiras, aumentar a competitividade e explorar novas oportunidades. Porém, antes de começar a exportar ou importar, é fundamental entender os processos, exigências e estratégias que envolvem esse universo.

Neste guia do ReConecta News, você confere os 7 passos essenciais para iniciar no comércio exterior, desde o planejamento até a prospecção de clientes internacionais.

1. Estudo de mercado e planejamento: o primeiro passo para exportar ou importar

Antes de iniciar qualquer operação internacional, é necessário identificar quais produtos ou serviços têm potencial de exportação ou importação. Isso envolve uma análise detalhada dos mercados-alvo, barreiras comerciais, concorrência e demanda.

Além disso, é preciso avaliar a viabilidade logística, tributária e regulatória em cada país. Esse planejamento inicial é decisivo para reduzir riscos e garantir assertividade nas decisões.

2. Habilitação no Siscomex: cadastre sua empresa para atuar legalmente

Toda empresa que deseja realizar operações internacionais precisa estar habilitada no Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior), da Receita Federal. Esse registro é feito por meio do Radar, e pode ser solicitado nas modalidades Expressa, Limitada ou Ilimitada, dependendo do porte e da capacidade financeira da empresa.

O processo pode ser iniciado pelo site da Receita Federal, com o suporte de contadores ou consultorias especializadas.

3. Estrutura e capacitação: monte uma equipe preparada para o comércio internacional

Ter uma equipe qualificada faz toda a diferença no sucesso das operações. É importante contar com profissionais que conheçam as exigências de documentação aduaneira, logística internacional, idiomas e legislação.

Além disso, vale investir em sistemas de gestão COMEX que auxiliam no controle de prazos, tributos e processos. Outra opção é contar com despachantes aduaneiros e consultores especializados, principalmente no início das atividades.

4. Documentação e compliance: evite erros e garanta conformidade

Cada operação exige um conjunto específico de documentos, como:

  • Fatura comercial (Invoice)
  • Certificado de origem
  • Packing list
  • Conhecimento de embarque (BL, AWB, CMR)

Além disso, é necessário atender exigências de órgãos como ANVISA, MAPA, Receita Federal e autoridades internacionais. Rotulagens específicas, certificações e licenças sanitárias podem ser obrigatórias, dependendo do produto e do destino.

5. Logística e transporte: escolha o modal ideal para sua operação

Um dos pilares do comércio exterior é a logística. É preciso escolher entre os modais marítimo, aéreo ou rodoviário, conforme o tipo de produto, urgência e destino.

Negociar com transportadoras, agentes de carga e empresas de seguro internacional é fundamental para garantir segurança e eficiência no transporte das mercadorias.

6. Finanças e câmbio: proteja sua operação das oscilações econômicas

Definir a forma de pagamento é outro ponto crítico. As mais comuns no comércio exterior são:

  • Carta de crédito
  • Pagamento antecipado
  • Cobrança documentária

Também é importante acompanhar as flutuações cambiais e considerar contratos de hedge para garantir estabilidade financeira. Custos com tributação, armazenagem e taxas portuárias devem estar no radar do planejamento financeiro.

7. Prospecção internacional: como encontrar clientes no exterior

Para expandir sua presença global, invista em ações de promoção comercial:

  • Feiras internacionais
  • Missões empresariais
  • Rodadas de negócios

Além disso, ter materiais em idiomas estrangeiros, um site estruturado e presença em marketplaces B2B como Alibaba, Amazon Global e outras plataformas especializadas pode ampliar significativamente suas chances de sucesso no mercado internacional.

Entrar no comércio exterior exige planejamento, preparo técnico e visão estratégica. Mas os benefícios — como diversificação de mercados, aumento de receita e fortalecimento da marca — fazem esse movimento valer a pena.

Se sua empresa está pronta para crescer além das fronteiras, comece agora mesmo a estruturar seu plano de internacionalização. E continue acompanhando o RêConecta News para mais dicas, cases e oportunidades no mundo do comércio exterior.

TEXTO: REDAÇÃO / DAISE SANTOS

IMAGEM: FREEPIK

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Comércio Exterior

Tarifaço: setores reclamam de demora em socorro após reunião com governo

Executivos relatam “frustração” enquanto não há data para anúncio e indicam medidas ventiladas não atendem a preocupações do curto prazo

Executivos que se reuniram com membros do governo Lula na segunda-feira (4) reclamam de demora da gestão federal para apresentar um plano de contingência voltado a socorrer as empresas que serão prejudicadas pelas tarifas de 50% dos Estados Unidos, que entram em vigor no próximo dia 6.

Um presidente de associação que conversou com a CNN disse que, após a reunião, o clima entre os empresários era de “frustração”.

Segundo representantes presentes — além de faltar sinalização sobre uma data para o socorro —, as medidas ventiladas pelo governo durante a conversa — como utilização de compras governamentais e busca por novos mercados — atenderiam os segmentos especialmente no médio e longo prazo.

Sobre compras governamentais, por exemplo, um executivo afirma que, na percepção dos setores, a medida pode demorar entre 30 e 60 dias para se concretizar, enquanto as mercadorias perecíveis que embarcariam para os Estados Unidos precisam de uma solução imediata.

O governo federal ventila a possibilidade de comprar — ou autorizar gestões estaduais a fazê-lo — itens que deixem de ser exportados devido às taxas.

Outro problema, segundo os empresários, seria que os produtos por vezes levam sabor e embalagens características da encomenda e haveria impasses para distribuí-lo no mercado interno.

Os executivos deixaram a reunião com a percepção de que as negociações diplomáticas foram de fato destravadas, mas avaliam que a expansão da lista de exceções ou redução da alíquota de 50% não será imediata. Também por isso, reclamam da alegada demora.

Questionado sobre a frustração dos setores, após o encontro, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), disse que o plano será apresentado “em questão de dias”.

“Estamos terminando um trabalho conjunto, de vários ministérios, o plano de contingência. E em questão de dias isso estará resolvido”, afirmou.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Setor brasileiro de fertilizantes fica fora da nova tarifa dos EUA e evita impactos imediatos

Produtos essenciais para a agricultura, como fertilizantes NPK e micronutrientes, não sofrerão taxação adicional; comércio entre Brasil e EUA no segmento é pouco expressivo

Nova tarifa dos EUA atinge diversos produtos brasileiros, mas exclui fertilizantes

No dia 31 de julho, o governo dos Estados Unidos anunciou a aplicação de uma tarifa extra de 40% sobre uma série de produtos importados do Brasil. A medida, que visa proteger a indústria americana, passa a valer uma semana após sua publicação e, em alguns casos, eleva a carga tributária total para até 50%.

No entanto, uma análise da consultoria GlobalFert revelou que os fertilizantes usados na agricultura brasileira ficaram de fora dessa nova taxação, evitando impactos diretos ao setor.

Fertilizantes essenciais ficam isentos da nova taxação

Produtos à base de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), além de micronutrientes como boro, zinco, enxofre e magnésio, não sofrerão a sobretaxa adicional. Também seguem isentos compostos como hidróxido de potássio, sulfatos de zinco, manganês e magnésio, além de materiais industriais com uso agrícola, como silício técnico e óxido de alumínio.

A exclusão destes itens da lista tarifária foi possível graças à aplicação rigorosa da classificação pelo código HTSUS (Harmonized Tariff Schedule of the United States), que determina quais produtos estão sujeitos a impostos, cotas ou exceções.

Comércio entre Brasil e EUA no setor é pouco expressivo

Segundo dados da GlobalFert, os Estados Unidos não representam um parceiro comercial relevante para o Brasil no segmento de fertilizantes. Nos últimos cinco anos, apenas 0,4% das exportações brasileiras de fertilizantes NPK tiveram os EUA como destino.

Do lado das importações, os fertilizantes americanos corresponderam a cerca de 1% do total recebido pelo Brasil, com uma leve queda para 0,7% no primeiro semestre de 2025.

Setor de fertilizantes brasileiro evita efeitos diretos do tarifaço

Com a manutenção da isenção para fertilizantes e produtos relacionados, o segmento agrícola brasileiro evita pressões imediatas causadas pela nova política tarifária dos Estados Unidos. Isso contribui para preservar a competitividade da agricultura nacional e garante a continuidade do abastecimento de insumos essenciais para a próxima safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Comércio Exterior

Excesso de carga não declarada em contêineres pressiona armadores

A conteinerização revolucionou o transporte de mercadorias. No entanto, na última década, embarcadores e agentes de carga inescrupulosos, em busca de economizar alguns dólares no frete, colocaram em risco um modo eficiente e seguro de transporte em contêineres ao falsificarem o peso das cargas, seu conteúdo, além de não embalarem e fixarem as mercadorias dentro dos contêineres conforme os requisitos das normas internacionais e do Código Marítimo Internacional de Mercadorias Perigosas (IMDG).

Alguns acidentes recentes com navios porta-contêineres ilustram o problema: MSC Flaminia (2012), APL Austria (2017), Maersk Honam (2018), ONE Apus (2020), Maersk Essen, Maersk Eindhoven, XPress Pearl e MSC Messina (todos em 2021), além de MSC Elsa-3, Grande Brasile, Altay e Wan Hai 503, ocorridos este ano.

Segundo o Lloyd’s Register, a declaração incorreta de carga (peso e conteúdo) é o terceiro maior fator contribuinte para acidentes com porta-contêineres.

A subdeclaração cumulativa do peso de contêineres pode causar sérios problemas de estabilidade. Colocar um contêiner de 18 toneladas declarado como se pesasse apenas oito toneladas em uma posição mais elevada pode resultar em uma condição conhecida no jargão marítimo como “navio tender” — mais propenso a balanços acentuados, o que aumenta a tensão sobre as pilhas de contêineres e seus sistemas de fixação, superando os limites estruturais previstos e fazendo com que contêineres se soltem e caiam no mar.

Armazenar uma carga exotérmica (que libera calor) ao lado de um líquido inflamável pode não representar risco enquanto o contêiner estiver parado em um pátio, mas, com o movimento do navio em alto-mar e o ambiente marítimo, pode haver uma reação térmica descontrolada, combustão, incêndio, explosão e liberação de gases inflamáveis e tóxicos. Navios não estão equipados nem os tripulantes preparados para lidar com desastres químicos dessa natureza.

Apesar da exigência da IMO, em vigor desde julho de 2016, que tornou obrigatória a verificação da massa bruta (VGM), embarcadores e agentes de carga continuam desrespeitando a regra e, infelizmente, raramente são responsabilizados. O armador acaba arcando com prejuízos pesados por razões que fogem ao escopo de suas operações. Por outro lado, as aduanas internacionais não estão equipadas — nem são obrigadas, conforme o capítulo três da Convenção Revisada de Kyoto da Organização Mundial das Alfândegas e o SAFE Framework of Standards (2005) — a verificar o conteúdo e o peso de cada contêiner. Elas confiam naquilo que é declarado pelo embarcador ou agente de carga na fatura de embarque.

Confiar exclusivamente na declaração do embarcador ou do agente de carga é a grande falha — o calcanhar de Aquiles — do serviço porta a porta.

Como soluções essenciais, recomendamos que um órgão independente, aprovado pela administração (como uma sociedade classificadora), seja nomeado para verificar o conteúdo, peso, embalagem e fixação da carga no momento da estufagem — etapa mais crítica na jornada do contêiner. Essa verificação deveria ser um pré-requisito para que a alfândega emitisse o manifesto de carga.

Também deveria ser obrigatório que todo embarcador e agente de carga obtivesse um número IMO como identidade única, vinculado à fatura de embarque e ao manifesto aduaneiro de cada contêiner estufado.

A Organização da Aviação Civil Internacional exige que embarcadores e agentes de carga sejam treinados para manusear carga IMDG. Uma exigência semelhante deveria ser aplicada obrigatoriamente ao setor marítimo.

Dado que a declaração incorreta pode ser catastrófica, declarações erradas ou falsas deveriam ser tratadas como crime passível de detenção por todos os Estados-membros da IMO, com punições severas e multas pesadas previstas em suas legislações.

O Conselho Mundial das Alfândegas e a IMO deveriam realizar uma sessão conjunta para discutir essa ameaça crescente — mais um fardo que ameaça quebrar as costas dos donos de navios porta-contêineres.

Fonte: Splash 247

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Comércio Exterior

Armadoras revisam previsões para 2025 diante de mercado morno de contêineres

A perspectiva para o segundo semestre de 2025 no mercado global de transporte de contêineres está se desenhando como decepcionante, com demanda fraca, excesso de capacidade e turbulência nas políticas comerciais levando as armadoras a revisarem suas projeções financeiras para o ano. Nesta terça-feira, a japonesa Ocean Network Express (ONE) revisou para baixo suas estimativas para o ano fiscal completo — e outras companhias devem seguir o mesmo caminho.

Analistas do banco Jefferies resumiram o clima atual em seu mais recente relatório sobre contêineres, intitulado “O lugar nada empolgante entre o ruim e o não tão ruim”, capturando a estagnação do mercado. Apesar de alguns picos nas tarifas no início do verão, o sentimento se deteriorou significativamente, e o setor se prepara para uma temporada de pico com desempenho fraco.

A Linerlytica alerta que os efeitos em cascata das políticas tarifárias dos EUA já começam a se fazer sentir, com os volumes de contêineres sob pressão. O recente acordo comercial entre EUA e União Europeia, que inclui uma tarifa de 15% sobre produtos europeus, deve atingir com força o fluxo transatlântico. As importações da Europa para os EUA cresceram 8% no primeiro semestre de 2025, mas essa tendência deve se inverter na segunda metade do ano: o Jefferies projeta uma queda de 10%. Enquanto isso, a capacidade na rota transatlântica continua 16% maior do que há um ano, aumentando os temores de excesso significativo de oferta caso a demanda caia como previsto.

Os índices de frete refletem esse pessimismo. O Índice de Frete Conteinerizado de Xangai (SCFI) caiu por oito semanas consecutivas, com nova baixa de 42 pontos nesta terça-feira. As tentativas das armadoras de elevar tarifas em agosto não vêm surtindo efeito, diante do desequilíbrio entre oferta e demanda.

A ONE, sexta maior armadora do mundo, divulgou hoje seus resultados do primeiro trimestre e cortou US$ 400 milhões de sua previsão anual. O CEO Jeremy Nixon citou os desafios geopolíticos e econômicos em curso.

“Nossa previsão para o ano completo deve enfrentar ventos contrários devido às contínuas incertezas geopolíticas, às condições de mercado em evolução nas principais economias e aos congestionamentos portuários que afetam as cadeias globais de suprimento”, afirmou Nixon.

Segundo a Sea-Intelligence, o breve rali nas tarifas no início de junho já perdeu força, e a tão esperada alta sazonal pode nem se materializar. No pior cenário, os volumes de agosto podem despencar até 26% em relação ao mesmo mês do ano anterior, forçando mais cancelamentos de escalas (blank sailings) e pressão para redução nas tarifas.

Mesmo que ocorra um breve e urgente aumento no final de setembro — impulsionado por importadores dos EUA apressando-se para embarcar mercadorias antes do feriado da Semana Dourada na China — analistas alertam que seria apenas um pico passageiro. “Podemos ver outro salto nas tarifas como em junho, seguido de nova queda acentuada”, observou a Sea-Intelligence.

A volatilidade também aparece nas tarifas spot. Lars Jensen, da Vespucci Maritime, destacou nesta semana que as tarifas transpacíficas para a costa oeste dos EUA — que haviam disparado mais de US$ 3.000 por FEU em junho — já voltaram completamente aos níveis anteriores ao pico.

Fonte: Splash 247

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Comércio Exterior

Tarifaço: Soberania nacional não se negocia, diz secretário do Conselhão

Secretário do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social detalha estratégias do governo brasileiro diante da ameaça de sobretaxas americanas sobre produtos nacionais

O governo brasileiro intensifica suas ações em resposta à ameaça de sobretaxas de 50% anunciadas por Donald Trump sobre produtos brasileiros, previstas para entrar em vigor na próxima quarta-feira (6). Olavo Noleto, secretário do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, afirma, em entrevista à CNN, que “soberania não se negocia”, estabelecendo uma clara posição do país.

Uma força-tarefa foi estabelecida para lidar com a situação, coordenada pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), que tem mantido diálogo constante com interlocutores americanos, tanto do governo quanto da iniciativa privada, buscando alternativas para a negociação.

Impactos setoriais e estratégias

O governo tem realizado reuniões individuais com diferentes setores industriais para avaliar o impacto das medidas. “É importante olhar isso com muita calma, com muito carinho e com solidariedade. Dentro do mesmo setor tem aquele que exporta 30% para os Estados Unidos e tem aquele que exporta 90%”, explica Noleto.

A análise está sendo conduzida de forma minuciosa, avaliando caso a caso, chegando ao nível de CNPJ individual das empresas afetadas. O governo mantém a expectativa de que as tarifas ainda possam ser revistas, trabalhando com foco em uma agenda econômica.

Noleto destaca que a taxação de 50% representa, na prática, um embargo comercial: “Tudo isso requer muito cuidado, muita negociação, muito espírito público. Agora não é hora de bravata e sim hora de defender o Brasil”.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Parte do dinheiro do tarifaço pode ser distribuída para população dos EUA, diz Trump

Presidente dos EUA declarou que pode criar dividendos para pessoas de renda média e baixa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no último domingo (3) que pode distribuir parte do dinheiro do tarifaço para a população de média e baixa renda dos Estados Unidos. As informações são do g1.

— Pode haver uma distribuição ou um dividendo para o povo de nosso país, eu diria que para as pessoas de renda média e baixa, poderíamos fazer um dividendo — afirmou Trump a jornalistas antes de embarcar no Air Force One, após deixar seu clube de golfe em Nova Jersey.

Tarifaço

Na semana passada, Trump assinou uma ordem executiva que amplia e modifica as tarifas aplicadas a diversos países, com alíquotas que, agora, vão de 10% a 41%, a partir de 7 de agosto. Mesmo assim, o Brasil ainda é o mais tarifado por Trump, com uma alíquota de 50%, a partir de 6 de agosto. Depois, entre os mais taxados, vem a Síria (41%), seguida por Laos e Mianmar (Birmânia), ambos com taxas de 40%. Já os menos afetados foram o Reino Unido e as Ilhas Malvinas — os únicos até agora com taxas de 10%.

Segundo a Casa Branca, a taxa de 50% contra o Brasil foi adotada em resposta a ações do governo brasileiro que representariam uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA”.

O anúncio, porém, surpreendeu pela inclusão de quase 700 exceções, retirando diversos setores econômicos da tributação extra. A medida foi encarada como uma “desidratação” do tarifaço e trouxe alívio a segmentos econômicos brasileiros.

Entre as áreas que entraram nas exceções e escaparam do tarifaço estão as de aviação civil, com aeronaves e peças, o automotivo, também com veículos e peças, o ramo de eletrônicos, combustíveis, produtos de ferro, aço, alumínio e cobre e fertilizantes (veja lista ao lado). Já as atividades econômicas que não tiveram a mesma sorte e continuaram sujeitas à sobretaxa a partir de 6 de agosto incluem café, carne bovina, frutas, produtos têxteis, calçados e móveis.

Na quinta-feira, após os anúncios, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou que o tarifaço com as exceções acabou sendo melhor que o esperado e representa um “melhor ponto de partida” para as negociações. O político prometeu que as negociações seguirão para tentar livrar do tarifaço também os setores não contemplados nas exceções desta semana.

— Há muita injustiça nas medidas anunciadas ontem, há correções a serem feitas. Há setores que não precisariam estar sendo afetados — afirmou.

Os impactos do tarifaço em SC

Os Estados Unidos são o principal mercado de exportações catarinenses, sendo responsáveis por 14,9% de todas as vendas do Estado ao mercado externo em 2024. Entre os principais itens estão produtos de madeira, motores e materiais elétricos. A participação é maior do que a registrada no comércio nacional, onde os EUA são o segundo maior consumidor, com 11% de todas as negociações brasileiras ao exterior.

Por conta disso, a confirmação do tarifaço e as novas regras e exceções divulgadas esta semana impactaram também nos reflexos econômicos da medida à economia do Estado. Na reta final desta semana, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) ainda analisava quais os setores excluídos e mantidos do tarifaço, e como isso deve refletir no Estado.

A análise inicial apontou que mesmo com as exceções o tarifaço deve atingir a maior parte dos produtos exportados por SC aos EUA.

Os produtos mais exportados de SC aos EUA

  • Obras de carpintaria para construções;
  • Motores elétricos;
  • Partes de motor;
  • Madeira serrada;
  • Madeira em forma;
  • Outros móveis;
  • Madeira compensada;
  • Transformadores elétricos;
  • Partes e acessórios para veículos;
  • Carne suína.

Fonte: NSC Total

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