Comércio Exterior

Leite em pó: Argentina prepara ação na OMC contra medidas antidumping do Brasil

A aplicação de medidas antidumping pelo Brasil sobre o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai pode gerar um novo capítulo nas relações comerciais do Mercosul. O governo argentino estuda levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), questionando a legalidade e os critérios utilizados na investigação conduzida pelas autoridades brasileiras.

A decisão foi oficializada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) em 29 de maio, estabelecendo a cobrança de direito antidumping por até cinco anos. Apesar disso, a medida permanece temporariamente suspensa enquanto o governo avalia possíveis impactos sobre a inflação.

Retaliações comerciais também estão em análise

Além do acionamento da OMC, autoridades argentinas avaliam outras respostas comerciais ao Brasil. Segundo fontes ligadas às negociações, a medida brasileira pode afetar acordos em andamento entre os dois países e provocar uma revisão de decisões anteriormente favoráveis ao comércio bilateral.

Entre as alternativas estudadas está a retomada da sobretaxa aplicada sobre a importação de talheres de aço inoxidável brasileiros, suspensa em 2024 após solicitação do governo brasileiro. Na época, a tarifa adicional de 47% atingia fabricantes nacionais do setor.

As possíveis medidas estão sendo analisadas pelos ministérios da Economia e das Relações Exteriores da Argentina.

Exportações de leite têm peso estratégico para a Argentina

A reação argentina está diretamente relacionada à importância do setor lácteo para sua balança comercial. O Brasil é atualmente o principal comprador do leite em pó argentino, utilizado principalmente pela indústria alimentícia.

Os embarques do produto para o mercado brasileiro movimentam centenas de milhões de dólares por ano, tornando o segmento uma das principais fontes de receita das exportações agroindustriais argentinas.

Autoridades do país vizinho argumentam que a relação comercial entre as duas nações já é desfavorável à Argentina, especialmente devido à forte presença de produtos brasileiros de maior valor agregado, como veículos.

Questionamentos sobre os critérios da investigação

Na contestação que pretende apresentar à OMC, a Argentina deverá concentrar seus argumentos nos critérios técnicos adotados pelo Brasil durante a investigação antidumping.

Representantes do governo argentino consideram que houve falhas na metodologia utilizada para comparar os produtos analisados e afirmam que a decisão pode abrir precedentes para interpretações divergentes em futuras disputas comerciais.

O Uruguai, que também foi atingido pelas medidas, acompanha o caso e avalia a possibilidade de adotar medidas semelhantes perante os organismos internacionais.

Caso amplia tensões diplomáticas entre Brasil e Argentina

O episódio ocorre em um momento de distanciamento político entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei. Diplomatas dos dois países avaliam que a disputa comercial pode dificultar o andamento de negociações técnicas que vinham sendo conduzidas de forma relativamente estável.

Segundo interlocutores envolvidos nas discussões, decisões com forte impacto econômico tendem a aumentar a pressão sobre as relações diplomáticas e comerciais entre os parceiros do Mercosul.

Divergências surgem após acordo entre Mercosul e União Europeia

O impasse envolvendo o leite em pó ocorre poucos dias após outro atrito comercial dentro do Mercosul. A distribuição das cotas agrícolas previstas no acordo entre o bloco sul-americano e a União Europeia gerou disputas entre os países membros.

Utilizando o sistema “First-In, First-Out” (FIFO), Argentina e Uruguai registraram rapidamente suas exportações e esgotaram as cotas com tarifa reduzida para produtos como arroz e ovos.

A situação limitou o acesso de exportadores brasileiros aos benefícios iniciais do acordo e evidenciou diferenças operacionais entre os países na implementação das novas regras comerciais.

No caso do arroz, a totalidade da cota anual destinada ao Mercosul foi preenchida logo nas primeiras semanas de vigência do tratado. Já no segmento de ovos, produtores argentinos conseguiram ocupar integralmente a cota disponível para exportação ao mercado europeu, fortalecendo a posição do país no comércio internacional desses produtos.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Qu1m/Flickr/Creative Commons

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Comércio Exterior

Cota chinesa para carne bovina brasileira pode atingir 94,5% já em junho

A cota de exportação de carne bovina para a China pode alcançar 94,5% de ocupação até o fim de junho, segundo projeção da Terra Investimentos. O levantamento indica que o espaço restante dentro do limite anual estabelecido pelo governo chinês está cada vez mais restrito, o que aumenta a atenção do mercado para os próximos embarques.

De acordo com a análise, considerando a carne já desembaraçada nos portos chineses e os carregamentos atualmente em trânsito, restariam apenas cerca de 60,3 mil toneladas disponíveis dentro da cota autorizada para 2026.

Exportações brasileiras avançam rapidamente

A China definiu para este ano uma cota de importação de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina brasileira. Dados da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) mostram que, até maio, 723,8 mil toneladas já haviam sido liberadas no país asiático, representando 65,4% do total permitido.

Para estimar o preenchimento da cota, a Terra Investimentos também considerou informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) referentes aos embarques realizados pelo Brasil.

Segundo os cálculos, aproximadamente 153,9 mil toneladas exportadas em maio devem chegar ao mercado chinês entre junho e julho. Já os embarques previstos para junho, estimados em 168 mil toneladas, devem ser recebidos entre julho e agosto.

Pipeline logístico compromete quase toda a cota anual

Ao somar o volume já internalizado pela China com as cargas embarcadas e em trânsito, o montante comprometido alcança cerca de 1,045 milhão de toneladas.

Isso significa que aproximadamente 94,5% da cota anual de importação chinesa já estaria ocupada até o encerramento de junho, reduzindo significativamente a margem para novos embarques dentro das condições tarifárias atuais.

Mercado acompanha possível esgotamento da cota

De acordo com Geraldo Isoldi, analista da Mesa Agro da Terra Investimentos, o ritmo das exportações aponta para um rápido consumo do volume disponível.

A projeção da instituição indica que o limite poderá ser totalmente preenchido entre os dias 12 e 14 de julho nos portos brasileiros. Considerando o tempo médio de viagem de cerca de 45 dias entre Brasil e China, essas cargas chegariam ao destino entre o final de agosto e o início de setembro.

Tarifas adicionais podem impactar negócios

O avanço acelerado da ocupação da cota é acompanhado de perto por frigoríficos, exportadores e importadores chineses. Isso porque as compras realizadas após o esgotamento do limite estabelecido ficam sujeitas a tarifas adicionais, o que pode alterar estratégias comerciais e decisões de aquisição nos próximos meses.

Além disso, a evolução dos embarques durante julho e agosto será determinante para confirmar a data exata de saturação da cota e avaliar os possíveis reflexos sobre o fluxo de comércio entre Brasil e China, um dos principais mercados da proteína bovina mundial.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Comércio Exterior

Guerra comercial impulsiona empresas brasileiras a buscar novos mercados no exterior

A intensificação da guerra comercial iniciada pelo governo dos Estados Unidos tem levado empresas brasileiras a acelerar a busca por novos destinos para seus produtos. O movimento já reflete nos números do comércio exterior: em 2025, o Brasil registrou recordes de exportação para 42 países, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Entre os mercados que alcançaram volumes históricos de compras de produtos brasileiros estão Canadá, Índia, Turquia, Paraguai, Uruguai, Bangladesh, Filipinas, Panamá, Paquistão e Noruega. A expectativa é que essa tendência se fortaleça nos próximos anos com a ampliação dos acordos comerciais firmados pelo país.

Empresas revisam estratégias para ampliar presença internacional

O cenário de mudanças nas políticas comerciais globais e o aumento das tensões geopolíticas têm levado empresas a repensar suas estratégias de exportação.

Segundo especialistas ligados ao setor, a diversificação de mercados já faz parte da cultura de muitas empresas brasileiras, mas o ambiente internacional atual tornou essa prática ainda mais necessária para reduzir riscos e ampliar oportunidades de negócios.

A busca por novos parceiros comerciais também tem incentivado governos e entidades empresariais a adotar uma postura mais pragmática nas negociações internacionais.

Novos acordos ampliam alcance do comércio exterior brasileiro

O avanço das negociações comerciais tem sido apontado como um dos reflexos da necessidade de ampliar mercados para os produtos brasileiros.

Recentemente, o Congresso Nacional aprovou dois acordos firmados pelo Mercosul: um com Singapura e outro com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Com esses novos tratados, a parcela do comércio brasileiro coberta por acordos internacionais passou de 12% para 31%, ampliando significativamente o acesso das empresas nacionais a mercados estratégicos.

Mercosul negocia novas parcerias com Canadá, Japão e países asiáticos

A expansão da rede de acordos comerciais deve continuar nos próximos anos.

O Mercosul mantém negociações com o Canadá, que ganhou relevância entre os destinos das exportações brasileiras, além de tratativas em andamento com Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Líbano e Vietnã.

Também está em discussão a abertura de negociações entre Mercosul e Japão, tema debatido recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. O anúncio oficial das conversas poderá ocorrer durante a próxima cúpula do bloco sul-americano.

Paralelamente, o Brasil busca ampliar acordos já existentes com Índia e México, considerados mercados estratégicos para o crescimento das exportações.

Singapura e EFTA oferecem oportunidades além dos grandes números

Embora as exportações brasileiras para Singapura e os países da EFTA sejam fortemente concentradas em petróleo e combustíveis, autoridades do comércio exterior destacam que a pauta exportadora é mais diversificada do que os números gerais sugerem.

Das cerca de 8 mil categorias de produtos exportadas pelo Brasil em 2025, aproximadamente 2,5 mil foram vendidas para Singapura e 2.280 chegaram aos países da EFTA.

Esse cenário indica potencial para ampliar a presença de empresas brasileiras, especialmente dos setores industrial e de produtos com maior valor agregado.

Impacto econômico dos acordos pode gerar bilhões em investimentos

Estudos do governo apontam que os novos acordos comerciais podem trazer benefícios relevantes para a economia brasileira.

No caso de Singapura, considerada uma porta de entrada para o dinâmico mercado do Sudeste Asiático, a previsão é de um impacto positivo de R$ 28 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) até 2040. Além disso, os investimentos podem crescer R$ 11 bilhões e o fluxo comercial aumentar cerca de R$ 40 bilhões.

Já o acordo com a EFTA poderá acrescentar R$ 2,69 bilhões ao PIB brasileiro, estimular R$ 660 milhões em investimentos e elevar as exportações em R$ 3,34 bilhões.

As projeções reforçam o apoio recebido pelos acordos junto ao setor industrial, que vê nos tratados uma oportunidade para ampliar negócios e atrair novos investimentos.

Setor produtivo defende regras rígidas para evitar triangulação comercial

Apesar do apoio aos acordos, representantes da indústria defendem mecanismos de controle para impedir a chamada triangulação comercial.

A preocupação é que produtos fabricados em terceiros países utilizem Singapura como rota de acesso ao Mercosul, aproveitando vantagens tarifárias sem cumprir os critérios de origem estabelecidos nos tratados.

Especialistas também destacam que as relações comerciais internacionais envolvem não apenas fatores econômicos, mas aspectos políticos e estratégicos. O tema ganha ainda mais relevância em um contexto de eleições e de redefinição das políticas comerciais em grandes economias globais.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Comércio Exterior

Corrente de comércio do Brasil alcança US$ 43,6 bilhões até a terceira semana de junho

A corrente de comércio brasileira atingiu US$ 43,6 bilhões até a terceira semana de junho de 2026, impulsionada pelo crescimento das exportações e pela manutenção de um forte superávit na balança comercial. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (22) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Somente na terceira semana de junho, o país registrou um saldo positivo de US$ 3,1 bilhões. No período, as exportações somaram US$ 9,3 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 6,3 bilhões. Com isso, a corrente de comércio da semana chegou a US$ 15,58 bilhões.

Exportações acumulam US$ 25,6 bilhões em junho

No acumulado do mês até a terceira semana, as exportações brasileiras totalizaram US$ 25,6 bilhões. Já as importações atingiram US$ 18 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 7,6 bilhões.

O desempenho positivo também elevou a corrente de comércio mensal para US$ 43,6 bilhões, reforçando o ritmo de crescimento das transações internacionais do país.

Resultado do ano supera US$ 308 bilhões em comércio exterior

De janeiro até a terceira semana de junho, as exportações brasileiras chegaram a US$ 174,1 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 133,9 bilhões.

Com esses números, o saldo da balança comercial acumulado em 2026 alcançou US$ 40,3 bilhões. Já a corrente de comércio exterior atingiu US$ 308,1 bilhões no período.

Média diária das exportações cresce 26%

Na comparação entre a média diária das exportações até a terceira semana de junho de 2026 e a registrada em junho de 2025, houve crescimento de 26%.

A média diária passou de US$ 1,451 bilhão para US$ 1,828 bilhão. As importações também apresentaram avanço, com alta de 10,7%, saindo de US$ 1,158 bilhão para US$ 1,283 bilhão na mesma base de comparação.

A média diária da corrente de comércio alcançou US$ 3,11 bilhões até a terceira semana do mês, enquanto o saldo médio diário ficou em US$ 545,4 milhões. Em relação a junho do ano passado, o crescimento da corrente de comércio foi de 19,2%.

Agropecuária, indústria extrativa e transformação impulsionam exportações

Entre os setores exportadores, a agropecuária registrou aumento de US$ 75,68 milhões na média diária, avanço de 21,9% frente ao mesmo período de 2025.

A indústria extrativa apresentou o maior crescimento percentual, com expansão de 70,3%, equivalente a US$ 220,17 milhões. Já os produtos da indústria de transformação avançaram 10%, com incremento de US$ 79,01 milhões.

Importações avançam na indústria e recuam na agropecuária

No lado das importações, a indústria extrativa registrou crescimento de 11,6% na média diária, o que representa aumento de US$ 5,48 milhões.

Os produtos da indústria de transformação também tiveram desempenho positivo, com alta de 11% e acréscimo de US$ 118,77 milhões. Em contrapartida, a agropecuária apresentou leve retração de 0,8%, equivalente a US$ 0,18 milhão.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Comércio Exterior

Comércio Brasil-Argentina movimenta US$ 31 bilhões e amplia oportunidades para exportadores brasileiros

O intercâmbio comercial entre Brasil e Argentina alcançou aproximadamente US$ 31 bilhões em 2025, consolidando o país vizinho como um dos principais parceiros econômicos do Brasil. Os dados fazem parte do novo Perfil de Comércio e Investimentos – Argentina, divulgado pela ApexBrasil, que destaca o fortalecimento da integração regional e o crescimento das oportunidades para empresas brasileiras.

Atualmente, a Argentina ocupa a posição de terceiro maior destino das exportações brasileiras no mundo e segue como o principal parceiro comercial do Brasil dentro do Mercosul.

Economia argentina em recuperação favorece exportações

Segundo o levantamento, a economia argentina registrou crescimento de 4,4% em 2025, impulsionada principalmente pelos setores agropecuário, energético e mineral.

A retomada da atividade econômica tem aumentado a demanda por produtos importados, criando um ambiente favorável para a expansão dos negócios brasileiros no mercado argentino. O cenário fortalece a presença de empresas nacionais que buscam ampliar suas vendas internacionais com vantagens logísticas e tarifárias proporcionadas pela proximidade regional.

Exportações brasileiras crescem mais de 30%

As vendas do Brasil para a Argentina somaram US$ 18,1 bilhões em 2025, representando um avanço de 31,4% em relação ao ano anterior.

O desempenho reforça a posição do Brasil como principal fornecedor do mercado argentino, respondendo por 24,3% das importações do país, à frente de grandes economias globais como China e Estados Unidos.

Setor automotivo lidera a pauta comercial

O segmento automotivo continua sendo o principal elo produtivo entre os dois países e lidera as exportações brasileiras para a Argentina.

Entre os produtos com maior participação estão:

  • Veículos de passeio;
  • Caminhões e veículos de carga;
  • Autopeças;
  • Motores automotivos.

Além do setor automotivo, a indústria brasileira também mantém forte presença em áreas de maior valor agregado, incluindo máquinas industriais, equipamentos elétricos, papel, cartão e maquinário agrícola.

ApexBrasil identifica mais de 1.900 oportunidades de negócios

O estudo aponta um amplo potencial de expansão para empresas brasileiras interessadas no mercado argentino. O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identificou mais de 1.900 possibilidades comerciais para exportadores nacionais.

As oportunidades estão concentradas em segmentos nos quais o Brasil possui elevada competitividade, como:

  • Produtos químicos;
  • Bens manufaturados;
  • Máquinas e equipamentos;
  • Equipamentos de transporte.

O levantamento também destaca espaço para crescimento em áreas como equipamentos médicos, fertilizantes, instrumentos industriais, insumos produtivos e produtos tecnológicos.

Mercosul garante vantagens competitivas para empresas brasileiras

Um dos principais fatores que favorecem o comércio bilateral é a estrutura institucional do Mercosul.

O bloco assegura benefícios tarifários para grande parte dos produtos brasileiros exportados à Argentina, reduzindo custos e ampliando a competitividade das empresas nacionais. Além disso, diversos produtos industriais operam sob regimes específicos que proporcionam maior previsibilidade e estabilidade nas relações comerciais.

Investimentos bilaterais também avançam

A integração entre os dois países não se limita ao comércio de mercadorias. Os investimentos bilaterais também registram crescimento expressivo.

Em 2024, o estoque de investimentos argentinos no Brasil alcançou US$ 2,2 bilhões, avanço de 155,6% em comparação ao ano anterior. Os recursos estão concentrados principalmente nos setores de varejo, indústria, serviços e cadeias ligadas ao segmento automotivo e agroindustrial.

Por outro lado, o Brasil permanece entre os principais investidores estrangeiros na Argentina, com estoque acumulado de aproximadamente US$ 8,6 bilhões distribuídos em diversos setores produtivos da economia.

Mercado argentino segue estratégico para empresas brasileiras

Com a recuperação econômica da Argentina, a ampliação das exportações e as vantagens proporcionadas pelo Mercosul, o mercado argentino continua sendo uma das principais portas de entrada para empresas brasileiras que desejam expandir sua presença internacional.

A combinação de proximidade geográfica, integração produtiva e acordos comerciais fortalece as perspectivas de crescimento para exportadores, cooperativas e indústrias nacionais nos próximos anos.

FONTE: apexBrasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/apexBrasil

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Comércio Exterior

Tarifas dos EUA e Convenção da OIT acendem alerta para empresas brasileiras

As recentes investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos contra o Brasil e a aprovação de uma nova convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre plataformas digitais estiveram entre os principais assuntos debatidos durante reunião do Conselho Superior de Relações do Trabalho (Cort), da Fiesp, realizada na última quarta-feira (17).

Um dos focos da discussão foi o avanço das apurações norte-americanas que analisam práticas brasileiras em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, mercado de etanol, combate à corrupção e ações de preservação ambiental. Mesmo após manifestações do governo brasileiro e de representantes do setor produtivo, a avaliação preliminar dos EUA manteve os questionamentos e indicou a possibilidade de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

Risco de sobretaxas preocupa setor produtivo

Outra investigação em andamento trata do enfrentamento ao trabalho forçado. Nesse caso, a análise norte-americana vai além da legislação vigente e considera também os mecanismos de monitoramento e controle das cadeias produtivas. A medida pode resultar em uma sobretaxa de 12,5% para mercadorias exportadas pelo Brasil.

A preocupação do setor empresarial cresce diante da relevância do mercado americano para a economia nacional. Atualmente, os Estados Unidos figuram entre os principais destinos das exportações brasileiras de maior valor agregado e também estão entre os maiores investidores estrangeiros no país.

Segundo a gerente de Política Comercial da CNI, Constanza Negri Biasutti, o maior desafio está na possível combinação das duas medidas tarifárias, o que aumentaria significativamente os custos para empresas que atuam no mercado norte-americano.

Nesse contexto, ela destaca a importância de fortalecer práticas de compliance, ampliar a rastreabilidade dos processos produtivos e investir em mecanismos de governança corporativa, além de manter o diálogo institucional com autoridades dos Estados Unidos.

Nova Convenção da OIT exige atenção das empresas

Durante o encontro, também foi analisada a recém-aprovada Convenção nº 193 da OIT, considerada o primeiro instrumento internacional voltado à regulamentação do trabalho em plataformas digitais.

O conselheiro do Cort, Jorge Matsumoto, destacou que a futura incorporação da norma ao ordenamento jurídico brasileiro deverá ser acompanhada com atenção pelas empresas. Entre os pontos que podem gerar impacto estão a classificação dos trabalhadores, os custos operacionais e os aspectos relacionados à segurança jurídica.

Regulamentação deve buscar equilíbrio entre proteção e inovação

Matsumoto, que participou da conferência da OIT realizada em Genebra entre os dias 1º e 12 de junho, ressaltou que a convenção não impõe vínculo empregatício automático aos trabalhadores de plataformas e preserva a autonomia dos países para definir seus próprios modelos regulatórios.

Na avaliação do especialista, o principal desafio será desenvolver uma regulamentação equilibrada, capaz de garantir proteção aos trabalhadores sem comprometer a inovação, a competitividade e o desenvolvimento sustentável das novas modalidades de trabalho.

FONTE: FIESP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Everton Amaro/Fiesp

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Comércio Exterior

Embargo à carne bovina brasileira entra na pauta de diálogo entre Brasil e União Europeia durante o G7

A suspensão das exportações de carne bovina brasileira para a União Europeia (UE) ganhou espaço nas discussões paralelas à cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Representantes europeus e brasileiros buscam uma solução negociada para o impasse sanitário que poderá afetar o comércio entre as duas partes a partir de setembro.

O tema foi confirmado pelo presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, que destacou a importância do diálogo entre os envolvidos para superar divergências relacionadas às exigências sanitárias do bloco europeu.

União Europeia questiona padrões sanitários da carne brasileira

A controvérsia teve início após a Comissão Europeia retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina para o mercado europeu. A decisão foi anunciada pouco depois do início da aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

Segundo autoridades europeias, a medida está relacionada ao cumprimento das normas referentes ao uso de antimicrobianos na produção pecuária, requisito considerado essencial para o acesso ao mercado europeu.

Antonio Costa reforçou que o respeito aos padrões sanitários é indispensável e lembrou que as negociações estão sendo conduzidas pela Comissão Europeia, responsável pela execução das políticas do bloco.

Lula busca avanço nas negociações durante a cúpula

A expectativa do governo brasileiro é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trate do assunto diretamente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante encontros realizados à margem do G7.

Embora o encontro bilateral ainda não tenha sido oficialmente confirmado, o embargo à carne brasileira é considerado uma das prioridades da agenda diplomática do Brasil durante o evento.

O país participa da reunião como convidado, apesar de não integrar o grupo formado por Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Japão, Canadá e Itália.

Participação do Brasil é vista como estratégica

Para Antonio Costa, a presença brasileira no encontro reforça a relevância do país nos debates globais. Segundo ele, desafios como desequilíbrios macroeconômicos, desenvolvimento sustentável, inteligência artificial e cooperação internacional exigem participação ampla e articulação entre diferentes economias.

Esta é a décima vez que o Brasil participa de uma reunião de líderes do G7 como convidado.

Conflitos internacionais dominam a agenda do encontro

Além das negociações comerciais, a cúpula tem como foco principal as tensões geopolíticas internacionais. O conflito no Oriente Médio e a guerra na Ucrânia concentram boa parte das discussões entre os chefes de Estado.

Durante sua passagem pela França, Lula também se reuniu com o presidente francês Emmanuel Macron. Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou das atividades do encontro em meio às recentes movimentações diplomáticas relacionadas ao Oriente Médio.

Reabertura do Estreito de Ormuz mobiliza líderes mundiais

Um dos temas mais sensíveis debatidos durante a cúpula é a retomada da navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e mercadorias.

Autoridades internacionais acompanham os desdobramentos do acordo que encerrou o conflito envolvendo o Irã e discutem medidas para garantir a segurança marítima na região.

Macron afirmou que países europeus estudam apoiar operações para remover minas instaladas durante os confrontos e acelerar a normalização do tráfego marítimo. O líder francês também demonstrou preocupação com a possibilidade de cobrança de taxas adicionais para embarcações que utilizem a passagem, alertando para os impactos que a medida poderia gerar no comércio internacional.

Economia global e comércio exterior seguem no centro dos debates

Além dos conflitos geopolíticos, os líderes do G7 discutem temas ligados à economia global, segurança de cadeias produtivas, fornecimento de minerais críticos, comércio internacional e regulação digital.

Nesse cenário, a negociação entre Brasil e União Europeia sobre a carne bovina brasileira é vista como um dos temas relevantes para o futuro das relações comerciais entre o Mercosul e o bloco europeu.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

Webinar de comércio exterior discutirá drawback, reforma tributária e incentivos às exportações

Empresas que atuam no comércio exterior, incluindo exportadores, importadores e despachantes, terão a oportunidade de acompanhar debates sobre temas estratégicos para o setor durante o Webinar de Operações de Comércio Exterior, marcado para a próxima quinta-feira (18), das 9h às 12h.

O evento será transmitido ao vivo pelo canal do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) no YouTube e tem como objetivo promover a troca de informações entre governo e iniciativa privada.

Evento busca aproximar governo e operadores do mercado

A proposta do webinar é apresentar atualizações regulatórias, esclarecer dúvidas dos participantes e receber sugestões de profissionais que atuam diretamente nas operações de importação e exportação.

De acordo com a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, a interação entre o setor público e o setor produtivo é fundamental para fortalecer a presença do Brasil no mercado internacional.

Segundo ela, ouvir as demandas de empresas exportadoras e importadoras contribui para o aprimoramento das políticas públicas e para a construção de um ambiente de negócios mais competitivo diante das constantes mudanças do cenário global.

Programação abordará temas estratégicos para o comércio exterior

Entre os assuntos que estarão em pauta estão os procedimentos de controle administrativo econômico-comercial realizados por meio do Portal Único Siscomex, além das atualizações relacionadas aos regimes de drawback suspensão e drawback isenção.

O encontro também discutirá o Programa Acredita Exportação, iniciativa voltada ao fortalecimento das vendas externas brasileiras, e os efeitos da Reforma Tributária do Consumo sobre as operações de comércio internacional.

Mercosul-União Europeia também estará entre os destaques

Outro tema relevante será a operacionalização das cotas de importação e exportação previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia, assunto que vem sendo acompanhado de perto pelo setor empresarial.

Segundo Renato Agostinho da Silva, diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior da Secex, o webinar amplia o diálogo já existente entre o governo federal e os operadores privados sobre questões consideradas prioritárias para o desenvolvimento do comércio exterior brasileiro.

Participação é aberta ao público

Embora seja direcionado principalmente a profissionais ligados às atividades de importação e exportação, o evento é aberto a todos os interessados.

Durante a transmissão, os participantes poderão encaminhar perguntas aos especialistas por meio de um QR Code que será disponibilizado na tela, permitindo interação em tempo real com os palestrantes.

A expectativa é que o encontro contribua para ampliar o conhecimento dos operadores sobre temas que impactam diretamente a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MDIC

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Comércio Exterior

Receita Federal abre consulta pública para modernizar regras do despacho aduaneiro de importação

A Receita Federal iniciou uma consulta pública para receber sugestões da sociedade sobre uma proposta de Instrução Normativa que pretende consolidar e atualizar as regras relacionadas ao despacho aduaneiro de importação de mercadorias no Brasil.

Proposta reúne normas em um único documento

O texto apresentado pelo órgão busca unificar, em uma única regulamentação, dispositivos atualmente distribuídos em diferentes normas. Entre elas, está a Instrução Normativa SRF nº 680, publicada em 2 de outubro de 2006, considerada uma das principais referências para os procedimentos de importação.

A iniciativa tem como objetivo tornar a legislação mais organizada, acessível e de fácil compreensão para empresas, profissionais e demais envolvidos nas operações de comércio exterior.

Atualização acompanha avanços do Portal Único e da Duimp

Além da consolidação das normas existentes, a proposta incorpora mudanças ligadas ao Portal Único de Comércio Exterior e à Declaração Única de Importação (Duimp).

Segundo a Receita Federal, as atualizações buscam ampliar a segurança jurídica, aumentar a transparência dos processos e garantir maior previsibilidade nas operações de importação de mercadorias.

Sociedade poderá enviar sugestões

A consulta pública está aberta à participação de pessoas físicas, empresas, entidades representativas e profissionais que atuam no setor de comércio exterior, além de qualquer cidadão interessado no tema.

As contribuições poderão ser enviadas entre os dias 18 de junho e 8 de julho de 2026, por meio da plataforma Brasil Participativo.

Como participar da consulta pública

Antes de encaminhar sugestões, a Receita Federal recomenda que os interessados consultem o material disponibilizado na plataforma. O conteúdo inclui a exposição de motivos da proposta e a minuta completa da nova Instrução Normativa, permitindo uma análise detalhada das mudanças sugeridas.

Acesse aqui a consulta pública.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Receita Federal

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Comércio Exterior, Tecnologia

Blockchain ganha espaço no comércio exterior e promete mais segurança e transparência nas operações

Muito além das criptomoedas, a tecnologia blockchain começa a ganhar espaço no comércio exterior como uma ferramenta capaz de aumentar a confiabilidade das informações, integrar diferentes participantes da cadeia logística e tornar os processos mais eficientes.

De forma simples, o blockchain funciona como um grande livro de registros digital e compartilhado, no qual todas as transações ficam armazenadas em blocos interligados e protegidos contra alterações indevidas. Como as informações só podem ser modificadas com o consenso da rede, a tecnologia garante maior segurança, transparência e rastreabilidade para documentos, pagamentos e demais operações realizadas entre diferentes participantes. Baseado nesse sistema de registros compartilhados e validados, o blockchain permite que documentos e dados sejam acompanhados de forma segura desde a origem da operação até a entrega da mercadoria, reduzindo divergências, retrabalho e atrasos.

Para Mauro Marcelo Sperber dos Santos, CEO da Múltipla Assessoria, o grande diferencial da tecnologia está na construção de confiança entre todos os envolvidos. “O blockchain é uma ferramenta que gera confiança entre diferentes participantes de uma operação. No comércio exterior, onde informações e documentos circulam entre empresas, transportadores, bancos e órgãos governamentais, ter um ambiente seguro e transparente para compartilhar dados representa um avanço significativo em eficiência e segurança”, afirma.

O especialista destaca que o principal benefício está na confiabilidade das informações. Em vez de cada empresa manter controles isolados, todos os participantes passam a compartilhar registros validados, fortalecendo a rastreabilidade e a transparência das operações. “Em um setor como o logístico, onde tempo, previsibilidade e conformidade são fatores críticos, o blockchain aumenta a segurança das informações, melhora a rastreabilidade e cria mais transparência entre todos os envolvidos. Como consequência, os processos tendem a ser mais ágeis e menos burocráticos”, explica.

A aplicação da tecnologia pode beneficiar importadores, exportadores, operadores logísticos, bancos, seguradoras e também órgãos reguladores, como Receita Federal, Mapa e Anvisa. Segundo Mauro Marcelo, o blockchain não resolve apenas desafios individuais das empresas, mas fortalece toda a conexão entre os elos da cadeia de comércio exterior.

Na avaliação do executivo, a tendência é que a tecnologia se torne parte da infraestrutura das operações internacionais nos próximos anos. “Acredito que daqui a alguns anos não estaremos mais discutindo se devemos usar blockchain no comércio exterior, mas sim em quais etapas do processo logístico ele ainda não está sendo utilizado”, projeta.

Para as empresas, iniciar essa jornada desde agora pode representar uma vantagem competitiva importante. “Quem começa antes desenvolve maturidade, identifica oportunidades e constrói experiências práticas. Mais do que acompanhar uma tendência, trata-se de preparar a empresa para um comércio exterior cada vez mais digital, conectado e orientado pela confiança nas informações”, conclui.

Texto: Redação

Imagem ilustrativa gerada por IA.

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