Comércio Exterior

Estados ganham protagonismo em plano nacional de investimentos e comércio exterior

O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, reuniu-se nesta segunda-feira (24/11) com secretários estaduais de Desenvolvimento no Palácio do Planalto para alinhar estratégias de atração de investimentos estrangeiros e de fortalecimento do comércio exterior nos estados. As reuniões ocorreram pela manhã, e os encaminhamentos foram apresentados ainda na tarde de segunda-feira.

O encontro avançou na integração dos estados a duas ferramentas do governo federal desenvolvidas pelo MDIC: a Janela Única de Investimentos, prevista para entrar em operação em fevereiro de 2026, e o Monitor de Investimentos, plataforma já ativa que organiza e divulga projetos de infraestrutura para facilitar a chegada de capital privado.

Estados apresentam avanços na Cultura Exportadora
Durante a reunião, também foram apresentados os Planos Estaduais de Promoção da Cultura Exportadora elaborados por sete estados: Pará, Pernambuco, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Amapá e Espírito Santo. Os documentos fazem parte da Política Nacional da Cultura Exportadora (PNCE) e têm como meta ampliar a participação de empresas — especialmente micro, pequenas e médias — no comércio internacional.

Esses planos reforçam o objetivo de interiorizar e diversificar as exportações, estimulando novos setores e ampliando o número de produtos enviados ao exterior.

Projetos estaduais avançam com linha de financiamento do BID
Os secretários também apresentaram o andamento dos projetos iniciados por meio da linha de financiamento de R$ 11 bilhões lançada pelo BID no início deste ano. Os recursos são voltados para áreas como Infraestrutura Logística, Inovação, Desenvolvimento Regional Sustentável, Comércio Exterior e Investimentos produtivos.

A devolutiva dá continuidade às discussões iniciadas em março, quando foi anunciada a Linha de Crédito Condicional para Projetos de Investimento (CCLIP), que está sendo operacionalizada pelo MDIC por meio da Camex. A proposta prioriza iniciativas capazes de elevar a produtividade, ampliar a competitividade e considerar as realidades regionais.

Indicadores mostram avanço do comércio exterior e do IED
Dados recentes do Banco Central reforçam o cenário positivo. O Investimento Estrangeiro Direto (IED) alcançou US$ 71,1 bilhões em 2024, alta de 13,8% sobre 2023. Em 2025, apenas de janeiro a setembro, o fluxo já chega a US$ 63,3 bilhões.

As exportações brasileiras também mantêm trajetória de crescimento, mesmo diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. De janeiro a outubro de 2025, o país exportou US$ 289,7 bilhões, superando em 2% o recorde do mesmo período de 2024.

Ferramentas estratégicas apresentadas aos estados

Monitor de Investimentos
A plataforma, que continuará ampliando seu alcance, reúne informações detalhadas sobre projetos de infraestrutura e tem foco na atração de investimentos privados. A partir da assinatura de nova portaria, a ferramenta também destacará projetos dos estados e do Distrito Federal, reduzindo assimetrias de informação entre o setor público e o mercado.

Janela Única de Investimentos
Com solicitação formal ao BID para ampliar a cooperação técnica, a plataforma será um portal centralizado para gestão e agilização de processos relacionados a investimentos no país. Reunirá documentos, dados padronizados e informações estratégicas, simplificando etapas e dando mais transparência às operações.

PNCE — Política Nacional da Cultura Exportadora
Criada em 2023, a política articula órgãos públicos e privados para difundir a cultura exportadora e ampliar a base de empresas aptas a exportar, com forte foco em pequenas e médias empresas.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência de Notícias da Indústria

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Comércio Exterior

Corrente de comércio do Brasil alcança US$ 12,1 bilhões na terceira semana de novembro

A corrente de comércio brasileira atingiu US$ 12,1 bilhões na terceira semana de novembro de 2025, segundo dados da Secex/MDIC. No período, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,8 bilhão, resultado de US$ 7 bilhões em exportações e US$ 5,1 bilhões em importações.

No acumulado de novembro, o país soma US$ 21,2 bilhões em vendas externas e US$ 17,2 bilhões em compras do exterior, gerando saldo positivo de US$ 4,1 bilhões. A corrente de comércio mensal já chega a US$ 38,4 bilhões.

Desempenho no ano ultrapassa US$ 565 bilhões
De janeiro até a terceira semana de novembro, as exportações totalizam US$ 311 bilhões, enquanto as importações alcançam US$ 254,5 bilhões. O superávit acumulado é de US$ 56,5 bilhões, e a corrente de comércio anual soma US$ 565,5 bilhões.

Comparando as médias diárias de exportações até a terceira semana de novembro de 2025 (US$ 1,5 bi) com o mesmo período de 2024, houve alta de 3,5%. Nas importações, a média diária cresceu 10,4%, passando de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,2 bilhão.

Com isso, a média diária da corrente de comércio no mês chegou a US$ 2,7 bilhões, enquanto o saldo positivo médio ficou em US$ 290,75 milhões. Em relação a novembro de 2024, houve crescimento de 6,5%.

Exportações por setor: agropecuária em destaque
No acumulado até a terceira semana do mês, o desempenho setorial das exportações mostra crescimento significativo na Agropecuária, com avanço de US$ 77,41 milhões (32,8%). Os produtos da Indústria de Transformação registraram alta de US$ 31,21 milhões (3,8%), enquanto a Indústria Extrativa recuou US$ 57,38 milhões (14,4%).

Importações por setor: indústria de transformação puxa a alta
Nas importações, houve aumento de US$ 117,85 milhões (11,6%) na Indústria de Transformação, reforçando a demanda por bens intermediários e insumos industriais. Já a Agropecuária teve queda de US$ 0,74 milhão (3,3%), e a Indústria Extrativa recuou US$ 1,76 milhão (2,8%).

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Tecnologística

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Comércio Exterior

Alckmin destaca que redução de tarifas pelos EUA é o maior avanço nas negociações com o Brasil

O presidente em exercício e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, afirmou na última sexta-feira (21/11) que a nova ordem executiva do governo dos Estados Unidos, que revoga a tarifa extra de 40% sobre diversos produtos agropecuários brasileiros, representa o “maior avanço” nas negociações recentes entre os dois países. A medida beneficia itens como carne, café, frutas, cacau, açaí e fertilizantes.

Segundo Alckmin, a decisão — anunciada ontem pelo presidente Donald Trump — retirou 238 produtos do chamado “tarifaço”. Ele lembrou que, no início das negociações, 36% das exportações brasileiras aos EUA estavam sujeitas à sobretaxa. Com a nova ordem, o impacto cai para 22%.

Decisão terá efeito retroativo
A nova regra foi divulgada na quinta-feira (20/11), mas terá validade retroativa a 13 de novembro, garantindo o reembolso a exportadores que pagaram a tarifa extra após essa data. Alckmin afirmou que o diálogo entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi determinante para o recuo norte-americano.

“Continuamos otimistas. O trabalho segue, agora com menos barreiras”, declarou o ministro.

Lula celebra avanço na relação bilateral
Na noite de quinta-feira, Lula publicou um vídeo nas redes sociais comemorando a decisão dos EUA. Ele classificou a medida como um “sinal importante” para uma relação “civilizada” entre os dois países. O presidente viajou nesta sexta (21/11) para Joanesburgo, onde participará da Cúpula do G20, entre 22 e 23 de novembro.

Agropecuária volta a ganhar competitividade
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, também destacou o impacto positivo da retirada das tarifas adicionais, afirmando que a decisão reforça o papel do Brasil como grande fornecedor global de alimentos. Ele avalia que o retorno ao fluxo técnico e institucional no diálogo com os EUA consolida uma “relação mais madura e eficiente”.

Para Fávaro, produtores brasileiros recuperam competitividade imediata no mercado norte-americano. “Quem ganha com isso são brasileiros, norte-americanos e o comércio mundial”, afirmou. Ele reforçou que as conversas continuam e que ainda há pontos a serem negociados.

Confira os produtos brasileiros beneficiados com a retirada de tarifas adicionais de 40% impostas pelos EUA:

1. Carnes bovinas – o anexo traz todas as categorias de carne bovina — fresca, refrigerada ou congelada — incluindo:

Carcaças e meias-carcaças
Cortes com osso
Cortes sem osso
Cortes de “high-quality beef”
Miúdos bovinos
Carne salgada, curada, seca ou defumada

2. Frutas e vegetais – grande lista, incluindo:

Tomate (por sazonalidade)
Coco (fresco, desidratado, carne, água de coco)
Lima Tahiti / Lima da Pérsia
Abacate
Manga
Goiaba
Mangostim
Abacaxi (fresco e processado)
Papaya (mamão)
Diversas raízes tropicais: mandioca

3. Café e derivados

Café verde
Café torrado
Café descafeinado
Cascas e películas de café (“husks and skins”)
Substitutos contendo café

4. Chá, mate e especiarias – inclui diversas categorias de:

Chá verde
Chá preto
Erva-mate
Pimentas (piper, capsicum, paprika, pimenta-jamaica)
Noz-moscada
Cravo
Canela
Cardamomo
Açafrão
Gengibre
Cúrcuma
Misturas de especiarias

5. Castanhas e sementes

Castanha-do-pará
Castanha de caju
Macadâmia
Nozes pignolia e outras
Sementes diversas (coentro, cominho, anis, funcho etc.)

6. Sucos de frutas e derivados

Suco de laranja (várias classificações)
Suco de limão / lima
Suco de abacaxi
Água de coco
Açaí (polpas e preparados)

7. Produtos de cacau

Amêndoas de cacau
Pasta de cacau
Manteiga de cacau
Pó de cacau

8. Produtos processados

Polpas de frutas (manga, banana, papaya etc.)
Geleias
Pastas e purês
Palmito
Tapioca, féculas e amidos
Produtos preservados em açúcar ou vinagre

9. Fertilizantes (importante para o Brasil como exportador/importador)

Ureia
Sulfato de amônio
Nitrato de amônio
Misturas NPK
Fosfatos (MAP/DAP)
Cloreto de potássio (KCl).

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cadu Gomes/VPR

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Comércio Exterior

China busca elevar qualidade do comércio exterior, diz vice-premiê

O vice-premiê chinês He Lifeng defendeu novos esforços para elevar a qualidade e a eficácia do comércio exterior do país. Segundo ele, ainda há gargalos e obstáculos que precisam ser eliminados para garantir o desenvolvimento de um mercado interno unificado e mais competitivo.

As declarações foram feitas durante uma visita de inspeção às províncias de Hubei e Hunan, realizada entre terça e quinta-feira. He, que também integra o Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China, percorreu cidades como Ezhou, Xianning e Changsha.

Diversificação e novos modelos de negócios
Durante a viagem, He destacou a necessidade de ampliar o apoio a novas formas de comércio, incluindo o e-commerce transfronteiriço, além de incentivar a criação de armazéns no exterior para fortalecer as cadeias globais de suprimentos.

Ele também reforçou a importância de diversificar os mercados internacionais, estratégia vista como essencial para manter o crescimento do setor de comércio exterior da China.

Transporte multimodal e logística moderna
O vice-premiê pediu avanços no transporte multimodal e a aceleração da construção de um sistema logístico moderno, capaz de reduzir custos e melhorar a circulação de mercadorias em todo o país.

Inovação tecnológica e segurança das cadeias produtivas
He Lifeng ressaltou ainda que o país precisa se adaptar à nova onda de inovação tecnológica e à transformação industrial em curso no mundo. Ele defendeu investimentos em tecnologias-chave e o fortalecimento de cadeias industriais mais autossustentáveis e com riscos controláveis.

Por fim, incentivou governos locais a apoiar empresas e superar dificuldades estruturais para garantir a conclusão do 14º Plano Quinquenal (2021-2025) e preparar um início sólido para o 15º Plano Quinquenal (2026-2030).

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xinhua/Jin Liangkuai

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Comércio Exterior

Trump remove tarifa de 40% e libera produtos agrícolas do Brasil para os EUA

Donald Trump assinou, nesta quinta-feira (20), uma ordem executiva que revoga as sobretaxas de 40% sobre uma série de produtos agrícolas brasileiros. A medida passa a valer em 13 de novembro, abrindo caminho para a retomada das exportações nacionais a pleno ritmo.

Principais exportações brasileiras são beneficiadas

A lista contempla itens estratégicos para o comércio exterior brasileiro, como café, carne bovina, frutas e petróleo — alguns dos produtos de maior peso na pauta de exportações aos Estados Unidos.

A remoção das tarifas acompanha o decreto global anunciado em 14 de novembro, que eliminou as chamadas tarifas recíprocas para diversos bens importados pelos EUA. Com isso, o Brasil já havia deixado de pagar uma alíquota adicional de 10% na última semana.

Sobretaxas impostas no “tarifaço” são anuladas

Com a nova decisão, as sobretaxas de 50% aplicadas durante o tarifaço são totalmente zeradas. Importadores que tiveram cargas tarifadas após a data de retirada das cobranças serão reembolsados.

A medida reverte o decreto de 30 de julho, que classificava como “emergência nacional” as supostas ações do governo brasileiro consideradas “incomuns” e “extraordinárias” por Washington.

Negociação entre Trump e Lula destravou impasse

Segundo comunicado da Casa Branca, a revogação ocorreu após uma conversa telefônica entre Trump e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em 6 de outubro. Ambos teriam concordado em avançar nas negociações tarifárias.

Trump mencionou que recomendações técnicas e a demanda interna norte-americana também pesaram na decisão.

Setor produtivo brasileiro comemora decisão

Café: retomada de espaço no mercado americano

Para o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, a isenção chega como um “presente de Natal antecipado”. Ele afirma que o café brasileiro vinha perdendo espaço para concorrentes como Colômbia e Vietnã.

“Agora é correr para reconquistar os blends e reduzir impactos”, destacou.

Carne bovina: estabilidade garantida

A Abiec classificou a decisão como importante para a “estabilidade do comércio internacional”, preservando condições equilibradas para todos os países e reforçando a competitividade da carne bovina brasileira.

Indústria vê avanço nas relações bilaterais

A CNI chamou a retirada das tarifas de “avanço concreto” na agenda bilateral, lembrando que o Brasil é um dos principais parceiros comerciais dos EUA.

A Fiemg destacou o papel da diplomacia. Para o presidente Flávio Roscoe, o diálogo direto entre os governos foi essencial para “reestabelecer previsibilidade aos exportadores”.

Efeito imediato para empresas brasileiras

A Amcham Brasil afirmou que o decreto tem efeito imediato, fortalecendo a competitividade das empresas brasileiras e indicando “um resultado concreto” do diálogo de alto nível entre os dois países.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que Brasil e Estados Unidos não podiam ficar sujeitos a “fofocas e intrigas”, e que o contato direto entre os presidentes trouxe a situação “de volta à normalidade”.

Para o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua, a decisão reabre plenamente o mercado americano para cadeias importantes como frutas, castanhas, madeiras, carne bovina e água de coco.

Setor de pescados fica de fora da isenção

O único setor que demonstrou frustração foi o de pescados, que não entrou na lista de isenções. Com exportações anuais de cerca de US$ 300 milhões, o presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, lamentou a falta de avanços.

“Estamos felizes pelos demais setores, mas frustrados pela falta de priorização do pescado”, afirmou.

Com informações de CNN Brasil.
Texto Redação

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Comércio Exterior

O comércio exterior mostra sinais de melhora, mas persistem desafios operacionais

O comércio exterior argentino atravessa um processo de transformação acelerada sob a gestão de Javier Milei. Com um enfoque centrado na desregulamentação, o governo impulsionou medidas destinadas a simplificar trâmites, ordenar o sistema de pagamentos e melhorar a transparência da operação. No entanto, persistem inconsistências normativas, gargalos técnicos e restrições operacionais que continuam afetando tanto importadores quanto exportadores.

Para analisar esse cenário, serindustria.com.ar conversou com Julieta Serena, sócia-gerente do Grupo Serena, secretária da Câmara de Comércio Exterior de Córdoba (CaCEC) e integrante da Comissão Operativa da Federação de Câmaras de Comércio Exterior da República Argentina (FECACERA), que oferece uma visão integral sobre os avanços e as pendências.

A advogada e despachante aduaneira considerou que a decisão mais relevante do governo em matéria de comércio exterior foi a eliminação das licenças automáticas e não automáticas. Nesse sentido, qualificou a medida como “muito favorável sobretudo para a previsibilidade das operações”, já que esses mecanismos haviam se tornado ao longo dos anos “um obstáculo” que afetava seriamente a concretização das importações.

“Havia certos produtos sensíveis, como têxteis ou brinquedos, em que realmente não havia certeza de conseguir concretizar a operação. Era preciso judicializar, e a judicialização também havia se tornado bastante difícil”, explicou. Ela acrescentou que, mesmo quando eram obtidas medidas cautelares contra o Estado, surgiam novos obstáculos, como a impossibilidade de registrar declarações. A eliminação desse esquema devolveu previsibilidade e reduziu custos.

Um sistema de pagamentos mais previsível
Outro ponto positivo destacado é a maior clareza no acesso ao mercado de câmbio. Serena reconheceu que ainda não existe a disponibilidade ideal para o importador. De toda forma, valoriza que “foi possível regularizar a maioria das dívidas comerciais e, além disso, ter certeza de quando seria possível pagar e que os prazos seriam cumpridos”.

A especialista lembrou que, antes do esquema atual, o último controle da SIMI era decisivo para determinar o prazo de pagamento e que, mesmo quando se estabeleciam 180 dias, “chegava o dia e não era possível processar o pagamento”. O resultado era um sobrecusto que atingia com força as PMEs, obrigadas a se financiar com brokers diante da falta de linhas bancárias. “Isso melhorou sem dúvida”, afirma.

Ela também considerou positiva a incorporação do mecanismo incluído no DNU 70/2023, que permite liberar mercadorias denunciadas garantindo posteriormente os valores que a Aduana considerar pertinentes. “Antes, a mercadoria ficava retida e podia demorar meses, gerando custos altíssimos de depósito e falta de insumos”, destacou.

Também ressaltou a habilitação para que exportadores compartilhem plantas mediante contrato e o desenvolvimento do monitoramento remoto de exportações, ainda em fase piloto. Para regiões afastadas dos grandes polos aduaneiros, afirmou que representa uma ferramenta valiosa. “Facilita o tempo da operação e evita deslocamentos longos”, apontou.

Regulamentos técnicos: uma reforma necessária, mas mal desenhada
Um dos pontos mais críticos levantados por Serena é a nova regulamentação dos regulamentos técnicos de segurança elétrica, brinquedos, aço e outros produtos. Ela reconheceu que o critério geral é positivo, mas questionou sua implementação. “Foi regulamentado com uma técnica legislativa ruim. Há pouca clareza sobre os produtos abrangidos e ampliaram o escopo para mercadorias que não deveriam estar sujeitas”, afirmou.

Nesse sentido, alertou que o espírito desses regulamentos é proteger o consumidor, mas a norma acabou incluindo insumos industriais ou produtos destinados a processos produtivos. A eliminação da exceção de uso idôneo, somada à confusa aceitação de certificações internacionais, aprofundou a complexidade.

A isso se somam inconsistências evidentes. “Ampliou-se a possibilidade de trazer uma máquina de lavar por courier desde o Chile sem qualquer controle, mas uma lavadora industrial para uma fábrica fica sujeita a múltiplas exigências. São incoerências”, afirmou.

Apesar da simplificação administrativa, Serena destacou que várias restrições ainda geram incerteza operacional. Os bancos privados continuam atuando com critérios próprios e muitas vezes não enviam consultas ou pedidos de prorrogação ao Banco Central, o que afeta regularizações, cumprimentos de divisas ou pagamentos antecipados.

“Como sujeito administrativo, você não tem acesso direto ao Banco Central. Sempre depende do banco, e às vezes o banco não tem interesse em encaminhar o caso”, explicou. Essa intermediação, garantiu, pode resultar em descumprimentos formais que bloqueiam devoluções de IVA e penalizam o exportador.

Duplo controle, custos ocultos e assimetrias
Serena mencionou as distorções que afetam as províncias fora da região do AMBA. Observou que coexistem dois regimes de trânsito: um para fronteiras terrestres sob o Acordo de Transporte Internacional e outro para cargas que entram por portos. O segundo implica o uso obrigatório de um lacre eletrônico cujo custo pode chegar a US$ 800 em algumas regiões, especialmente no sul.

Apesar do monitoramento digital, muitas cargas são igualmente submetidas a verificações em Buenos Aires por diferenças mínimas de peso ou imagem. “Qualquer mercadoria que permanece em um terminal gera um sobrecusto altíssimo”, reclamou, acrescentando que isso impacta diretamente a competitividade.

Ela também apontou diferenças inexplicáveis nos prazos de permanência em depósitos fiscais, que são de 90 dias para cargas terrestres e de 30 para aéreas ou marítimas. “Não há justificativa alguma para essa distorção”.

Embora reconheça avanços na Ventanilla Única de Comércio Exterior (VUCE), Serena afirmou que a Aduana continua trabalhando majoritariamente em papel. “Os despachos de importação ainda são transportados fisicamente em pastas; os expedientes continuam sendo discutidos em papel”. A implementação de inteligência artificial, embora mencionada na agenda oficial, “ainda está muito longe”.

A especialista explicou que a exportação nunca teve a mesma complexidade operacional que a importação. No entanto, identificou uma área crítica: o regime de envios com deficiência. A falta de agilidade faz com que os exportadores evitem utilizá-lo e recorram a operações a título não oneroso, o que depois os expõe a sanções bancárias e bloqueios de IVA.

Ainda assim, reconheceu melhorias recentes, como a aceleração do Certificado de Tipificação de Insumo Produto (CTIT) para importações temporárias, que passou de demorar um ano para ser resolvido em um mês. “É muito favorável e estão trabalhando para reduzir ainda mais os prazos”.

Para Serena, o setor privado deve assumir um papel mais ativo na identificação de problemas e na proposição de soluções, especialmente em um país onde “a realidade de cada ponto operacional é diferente”.

O comércio exterior ainda enfrenta entraves, custos ocultos, assimetrias regionais e uma estrutura administrativa que não acompanha a velocidade dos negócios globais. No entanto, ela afirma que os avanços recentes não são menores e que o desafio agora é aprofundar a simplificação sem gerar contradições.

FONTE: Ser Industria
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Comércio Exterior

Déficit comercial dos EUA recua em agosto após atraso na divulgação por causa do shutdown

O déficit comercial dos Estados Unidos apresentou uma redução acima do esperado em agosto, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira (19). As informações chegaram com atraso devido ao prolongado shutdown que paralisou parte do governo federal por 43 dias e suspendeu a publicação de diversos indicadores econômicos.

De acordo com o relatório, o saldo comercial negativo caiu para US$ 59,6 bilhões, resultado atribuído principalmente à forte contração nas importações. A expectativa dos analistas era de uma retração menos acentuada.

Importações recuam mais de 5%

As importações tiveram queda de 5,1%, somando US$ 340,4 bilhões. O recuo foi influenciado por uma diminuição expressiva de US$ 18,6 bilhões nas compras de bens, movimento que pressionou para baixo o déficit geral.

Por outro lado, as exportações avançaram 0,1%, alcançando US$ 280,8 bilhões, impulsionadas principalmente pelo setor de serviços. Ainda assim, o envio de bens ao exterior também registrou queda no período.

Impacto das tarifas na dinâmica do comércio

Os fluxos comerciais norte-americanos seguem influenciados pela política tarifária do governo Donald Trump, marcada por aumentos sucessivos de impostos sobre produtos importados. A estratégia levou empresas a anteciparem compras antes dos novos reajustes, distorcendo o ritmo normal das trocas comerciais ao longo do ano.

Desde janeiro, Washington adotou tarifas consideradas “recíprocas”, atingindo diversos parceiros econômicos. A escalada tarifária com a China, segunda maior economia do mundo, intensificou-se ao longo de abril, quando algumas taxas chegaram a níveis de três dígitos, dificultando ainda mais as relações comerciais entre as duas potências.

FONTE: Estado de Minas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jornal de Brasília

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Comércio Exterior

Brasil dribla impacto das tarifas dos EUA e mantém crescimento das exportações, aponta Icomex

O mais recente relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta quarta-feira (19/11) pelo Ibre/FGV, mostra que as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros não afetaram de forma significativa o desempenho das exportações totais do Brasil no curto prazo.

Embora as vendas para o mercado americano tenham recuado 24,9% entre agosto e outubro, o Brasil ampliou embarques para outros parceiros comerciais e para terceiros mercados, garantindo um avanço geral de 6,4% nas exportações no período.
“O efeito do tarifaço não comprometeu as exportações totais do Brasil”, destaca o relatório, reforçando, porém, que o mercado dos EUA continua sendo estratégico tanto para o Brasil quanto para o comércio global.

Superavit cresce e exportações ganham força

A balança comercial de outubro registrou superavit de US$ 7 bilhões, valor US$ 2,9 bilhões superior ao de outubro de 2024. As exportações subiram 9,1%, enquanto as importações recuaram 0,8%.

No acumulado de janeiro a outubro, o superavit chegou a US$ 52,4 bilhões, uma queda de US$ 10,4 bilhões frente ao mesmo período do ano passado. Nesse intervalo, as exportações avançaram 1,9% e as importações cresceram 7,1%.
Segundo o Icomex, a tendência de alta das importações observada no primeiro semestre começou a mudar a partir de julho, com exceção de setembro.

Dependência de acordo com os EUA

O relatório também acende um alerta: o Brasil precisa acelerar negociações comerciais com os Estados Unidos para evitar perda de competitividade. Isso porque Washington tem firmado novos acordos bilaterais que podem redirecionar exportações atualmente destinadas ao mercado americano.

“À medida que os Estados Unidos avançam com novos acordos, as margens de preferência do Brasil tendem a cair em terceiros mercados”, diz o Icomex.

O governo brasileiro enviou uma proposta no início de novembro, e o chanceler Mauro Vieira se reuniu com sua contraparte americana no dia 13. No entanto, ainda não houve anúncio de avanços concretos nas negociações.

EUA negociam com novos parceiros e ampliam vantagens

Os Estados Unidos já estabeleceram acordos com países como Malásia, Camboja, Tailândia, Vietnã, Coreia do Sul, Japão, Suíça, União Europeia, El Salvador, Guatemala, Equador e Argentina. Os pactos variam de alcance, mas todos ampliam o acesso de produtos e serviços americanos a esses mercados — em alguns casos, como no Vietnã, com abertura quase total.

Entre as cláusulas mais comuns estão:

  • isenção de tributos para plataformas digitais;
  • maior proteção à propriedade intelectual;
  • regras específicas sobre terras raras;
  • estímulos a investimentos nos EUA;
  • compromissos de segurança econômica, incluindo restrições a acordos com países considerados ameaças aos interesses americanos.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: mrcolo/Pixabay

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Comércio Exterior

Governo autoriza JBS a importar tilápia do Vietnã para o Brasil

O governo Lula autorizou a JBS a retomar a importação de tilápia do Vietnã, com a chegada de 700 toneladas do peixe ao Brasil. Ao todo, serão 32 contêineres, sendo o primeiro despachado em 6 de novembro e com desembarque previsto no Porto de Santos em 17 de dezembro.

A liberação foi formalizada pelo Ministério da Agricultura, por meio do Despacho Decisório nº 379, em abril. O fluxo de importações estava suspenso desde 2024 e agora integra os compromissos comerciais firmados entre o presidente Lula e o primeiro-ministro vietnamita Pham Minh Chinh, durante a Cúpula Ampliada do Brics, incluindo tilápia, tra e basa vietnamitas e a expansão da compra de carne bovina brasileira pelo Vietnã.

Cooperação econômica entre Brasil e Vietnã

O embaixador vietnamita Bui Van Nghi destacou que a operação reforça a cooperação econômica bilateral e consolida o Vietnã como fornecedor de produtos agrícolas e aquícolas para a América Latina. A embaixada informou ainda que continuará apoiando empresas interessadas em expandir o comércio entre os dois países e inserir novos produtos sul-americanos no mercado vietnamita.

Preocupações do setor de aquicultura

Ao mesmo tempo, a tilápia foi incluída na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, provocando apreensão entre produtores nacionais. Representantes da aquicultura local temem insegurança jurídica e dificuldades no licenciamento. O Ministério do Meio Ambiente reforçou que a classificação é de caráter técnico e não interfere na produção comercial do peixe no país.

A operação evidencia a busca do governo por equilibrar segurança ambiental e expansão do comércio internacional, especialmente em setores estratégicos como a aquicultura.

FONTE: Pleno News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels

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Comércio Exterior

China volta a suspender importação de frutos do mar do Japão em meio à crise diplomática

A China decidiu barrar novamente as importações de frutos do mar do Japão, segundo a imprensa japonesa, em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre os dois países. A medida teria sido tomada após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que afirmou no Parlamento, em 7 de novembro, que um eventual ataque chinês a Taiwan poderia justificar o envio de tropas japonesas para apoiar a ilha, governada democraticamente e reivindicada por Pequim.

A informação foi divulgada por veículos locais, incluindo a emissora pública NHK, que citou fontes do governo japonês sob anonimato.

Justificativa envolve águas tratadas de Fukushima
Segundo a NHK, autoridades chinesas alegaram que a suspensão das compras é necessária para controlar possíveis impactos das águas residuais tratadas de Fukushima, despejadas no oceano desde 2023. A usina sofreu um colapso nuclear após o terremoto de 2011, e o lançamento da água tratada contou com o aval da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A operadora TEPCO afirma que todos os elementos radioativos foram removidos, com exceção do trítio, mantido dentro dos limites considerados seguros.

Não houve confirmação imediata do governo chinês sobre a decisão, mas o gesto reacende críticas de Pequim, que já havia acusado Tóquio de transformar o Pacífico em um “esgoto”.

Medida ocorre após breve retomada das importações
A nova barreira comercial surge poucas semanas após a China voltar a comprar produtos marinhos japoneses, suspensos inicialmente quando o despejo de água começou em 2023. A restrição anterior afetou fortemente o setor: em 2023, as exportações japonesas de frutos do mar para o mercado chinês representaram 15,6% de um total de 390 bilhões de ienes — abaixo dos 22,5% registrados em 2022. No mesmo ano, Hong Kong respondeu por 26,1% das compras e os Estados Unidos, por 15,7%.

Crise diplomática se intensifica e afeta circulação de cidadãos
A disputa ganhou novos contornos na última semana. Após as declarações sobre Taiwan, Pequim convocou o embaixador japonês e recomendou que seus cidadãos evitem viagens ao Japão. Já o governo japonês orientou seus nacionais na China a reforçarem medidas de segurança e evitarem locais com grande concentração de pessoas.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/O Globo/AFP

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