Exportação

Exportações de caminhões e ônibus: montadoras brasileiras planejam conquistar novos mercados em 2027

A indústria brasileira de veículos pesados prepara uma ofensiva comercial para recuperar as exportações de caminhões e ônibus, que vêm registrando quedas expressivas. Diante da perda de espaço em mercados tradicionais e do avanço da concorrência asiática, as montadoras pretendem intensificar a busca por novos destinos e retomar negociações comerciais a partir de 2027.

O plano foi anunciado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que prevê ampliar o diálogo com representantes do governo federal para viabilizar acordos comerciais e fortalecer a presença dos veículos produzidos no Brasil no mercado internacional.

Anfavea quer ampliar mercados para veículos pesados brasileiros

A estratégia para 2027 inclui a retomada de conversas em Brasília, com o objetivo de estabelecer novas parcerias e recuperar negociações com países da América Latina e de outras regiões.

Embora o Brasil mantenha acordos comerciais por meio do Mercosul com o México e outros mercados regionais, a indústria considera que essas iniciativas não têm sido suficientes para recuperar os volumes de exportação registrados no passado.

Segundo Igor Calvet, presidente da Anfavea, será necessário adotar uma agenda estratégica para ampliar a competitividade dos fabricantes brasileiros e reduzir a dependência de mercados específicos, especialmente o argentino.

A intenção é identificar novas oportunidades de negócios, fortalecer relações comerciais existentes e criar condições para que caminhões e ônibus fabricados no Brasil conquistem mais espaço no exterior.

Concorrência chinesa pressiona montadoras brasileiras

O avanço das fabricantes asiáticas tornou-se uma preocupação crescente para o setor de veículos pesados. Mesmo com barreiras tributárias que limitam a entrada de alguns modelos importados, a concorrência internacional tem avançado sobre mercados tradicionalmente atendidos pela indústria brasileira.

Em maio, durante o evento Anfavea Visions, em São Paulo, Roberto Cortes, CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), alertou que veículos pesados chineses estão conquistando espaço em países nos quais os modelos brasileiros tinham presença consolidada.

A mudança representa um desafio para um setor com longa trajetória na América Latina, que historicamente utilizou a região como um dos principais destinos de suas exportações.

A preocupação também envolve o mercado argentino. No segmento de veículos leves, a entrada de modelos chineses com tarifa zero já intensifica a disputa com os automóveis produzidos localmente. Embora existam mecanismos fiscais de proteção para os veículos pesados, eles não impedem totalmente o avanço das marcas asiáticas.

Volkswagen Caminhões e Ônibus reforça tradição exportadora

A busca por novos mercados também está relacionada à necessidade de preservar a relevância internacional dos fabricantes instalados no Brasil.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus completou 45 anos de atuação nas exportações em 2026. Ao longo desse período, a companhia enviou mais de 200 mil veículos para países da América do Sul, da África e do Oriente Médio.

A trajetória demonstra a importância das vendas externas para a indústria nacional e reforça o interesse das montadoras em recuperar mercados nos quais a concorrência internacional tem reduzido a participação dos fabricantes brasileiros.

Ônibus brasileiros enfrentam avanço de marcas asiáticas

A pressão competitiva também atinge o segmento de ônibus urbanos. Fabricantes chinesas ampliam sua presença na América Latina e começam a manifestar interesse em investimentos no mercado brasileiro.

Entre as empresas que avançam nesse cenário estão a Higer e a Zhongtong, que já divulgaram intenções de atuar no Brasil.

Na região, as fabricantes asiáticas disputam espaço com marcas tradicionais, como Scania, Volvo e Mercedes-Benz, que mantêm operações industriais no país.

O aumento da concorrência amplia os desafios para os fabricantes nacionais, que precisam preservar sua participação comercial e, ao mesmo tempo, buscar novos compradores para os ônibus produzidos em território brasileiro.

Exportações de caminhões caem 21,3% em 2026

Os números mais recentes da Anfavea mostram a dimensão das dificuldades enfrentadas pelo setor. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou aproximadamente 17 mil caminhões, uma redução de 21,3% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Em setembro, foram embarcadas cerca de 2,1 mil unidades. O resultado representa uma queda de 23% na comparação anual e recuo de 6,3% frente a agosto.

O desempenho indica que a recuperação das vendas externas ainda não se concretizou, aumentando a pressão sobre as montadoras para diversificar seus mercados e recuperar a competitividade internacional.

Exportações de ônibus recuam 32,6%

O segmento de ônibus também apresentou retração significativa. Nos nove primeiros meses de 2026, as exportações brasileiras somaram aproximadamente 3,5 mil chassis, volume 32,6% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Somente em setembro, foram embarcados 354 chassis de ônibus, queda de 47,7% em relação ao mesmo mês de 2025. Na comparação com agosto, quando foram registradas 494 unidades, a redução chegou a 28,3%.

Os resultados refletem as dificuldades enfrentadas pela indústria de veículos pesados em um ambiente de concorrência crescente e demanda externa menos favorável.

Anfavea reduz projeções para a indústria de veículos pesados

Diante do desempenho abaixo do esperado, a entidade revisou para baixo as estimativas de produção e exportação do setor.

Em junho, a previsão era de uma redução de 6% na produção de veículos pesados em relação a 2025. Agora, a expectativa é de queda de 8,2%.

Para as exportações de caminhões e ônibus, a projeção também ficou mais pessimista. A Anfavea estima uma retração de 18,7% no ano, com o volume total chegando a aproximadamente 27,2 mil unidades. Na estimativa divulgada em junho, o recuo previsto era de 11%.

Com esse cenário, a abertura de novos mercados e a retomada de acordos comerciais passam a ocupar posição central na estratégia da indústria brasileira para 2027. O desafio será recuperar os embarques, conter a perda de participação para concorrentes asiáticos e fortalecer a presença internacional dos veículos pesados fabricados no país.

FONTE: C-Level/Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Indústria

Anfavea eleva previsão de crescimento da produção de veículos no Brasil para 6,7% em 2026

A produção de veículos no Brasil deve crescer 6,7% em 2026, segundo nova projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A estimativa, que era de 5,8% em junho, foi revisada para cima após o desempenho do setor superar as expectativas nos primeiros meses do ano.

Caso a previsão se confirme, as montadoras brasileiras deverão produzir 2,82 milhões de veículos até dezembro. O volume será o maior registrado em sete anos, indicando uma recuperação da indústria automotiva aos patamares anteriores à pandemia.

A revisão positiva está relacionada principalmente ao aquecimento do mercado interno, que tem impulsionado a procura por automóveis, utilitários leves, caminhões e ônibus.

Venda de veículos deve atingir maior volume em 12 anos

A Anfavea também aumentou a estimativa para o crescimento das vendas de veículos novos no mercado brasileiro. A projeção passou de 12,1% para 15,2% em 2026.

Com isso, a expectativa é que sejam comercializadas 3,1 milhões de unidades ao longo do ano, considerando automóveis de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. Se confirmado, será o maior volume de vendas em 12 anos.

O avanço das comercializações reforça a importância da demanda doméstica para o desempenho da indústria automobilística, mesmo diante de desafios relacionados aos custos de financiamento e à concorrência com veículos importados.

Importação de carros limita avanço da produção nacional

Apesar da perspectiva de aumento na fabricação, a produção das montadoras brasileiras não acompanha o mesmo ritmo de crescimento esperado para as vendas.

Um dos fatores que explicam essa diferença é a maior participação dos veículos importados no mercado nacional, especialmente os modelos provenientes da China.

Com mais automóveis estrangeiros disponíveis para os consumidores, parte da demanda interna deixa de ser atendida pela produção das fábricas instaladas no Brasil.

Outro obstáculo é a retração das exportações, principalmente para a Argentina, principal destino dos veículos brasileiros enviados ao exterior. A redução das compras pelo mercado argentino afeta diretamente o desempenho das montadoras nacionais.

Anfavea prevê queda de 17,7% nas exportações

As perspectivas para o comércio externo do setor automotivo ficaram mais negativas. A entidade passou a projetar uma redução de 17,7% nas exportações de veículos em 2026, com embarques estimados em 435 mil unidades.

Na previsão anterior, a queda esperada era menor, de 12,8%.

A revisão evidencia as dificuldades enfrentadas pela indústria brasileira para ampliar suas vendas internacionais, sobretudo diante da diminuição da demanda em mercados importantes da América do Sul.

O cenário contrasta com as expectativas mais favoráveis para o consumo interno e mostra que o crescimento do setor depende também da recuperação dos mercados compradores de veículos fabricados no país.

Juros elevados continuam pressionando o setor automotivo

Embora o mercado de trabalho apresente baixo desemprego e a economia conte com estímulos fiscais que favorecem o consumo, o custo do crédito continua sendo um ponto de atenção para a indústria automobilística.

A direção da Anfavea destacou que a taxa Selic permanece elevada e vem recuando em ritmo inferior ao esperado pelo mercado no início do ano.

Os juros altos podem encarecer os financiamentos e dificultar a aquisição de veículos, especialmente em um segmento no qual o crédito tem papel relevante nas decisões de compra.

Assim, apesar da revisão positiva das projeções de produção e vendas, a indústria automotiva brasileira segue exposta a fatores como o custo do financiamento, a concorrência dos importados e a desaceleração das exportações.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Informação

Produção de veículos no Brasil cresce 6,8% em agosto, aponta Anfavea

A produção de veículos no Brasil avançou em agosto, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Foram fabricadas 271,2 mil unidades no mês, resultado 6,8% superior ao registrado em julho e 9,4% acima do volume produzido em agosto de 2025.

Produção acumula alta de 8,5% no ano

Entre janeiro e agosto, a indústria automotiva brasileira produziu quase 1,9 milhão de veículos. O número representa crescimento de 8,5% na comparação com os primeiros oito meses de 2025.

Para o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o desempenho de agosto foi o melhor para o mês desde 2013. Na avaliação do executivo, a expectativa é de que o mercado automotivo brasileiro permaneça aquecido até o fim do ano, embora as montadoras enfrentem uma concorrência cada vez maior com o avanço dos veículos importados.

Vendas de veículos sobem 22,1% em um ano

As vendas também apresentaram crescimento significativo na comparação anual. Em agosto, foram comercializados 275,1 mil veículos, alta de 22,1% sobre o mesmo mês de 2025.

Na comparação com julho, porém, houve queda de 1,6%. No acumulado de 2026, os emplacamentos chegaram a 1,975 milhão de unidades, avanço de 18,4%.

Setor deve passar por mudanças em 2027

Durante a apresentação dos resultados, Calvet afirmou que o próximo ano poderá trazer uma reorganização importante para o setor automotivo. Entre os fatores apontados está a possível influência da cobrança de imposto de importação sobre kits CKD, utilizados na montagem de veículos completamente desmontados.

A redução dos estoques também deve contribuir para alterar a dinâmica do mercado. Apesar dos desafios, o presidente da Anfavea ressaltou que as fabricantes continuam anunciando investimentos de longo prazo e demonstrando confiança no potencial do mercado brasileiro.

Segundo Calvet, o tamanho do mercado nacional ainda permite espaço para uma expansão estrutural da indústria.

Estoques caem, mas veículos importados predominam

No fim de agosto, os estoques das montadoras somavam 506 mil veículos, ante 525 mil unidades em julho. O volume corresponde a aproximadamente 50 dias de vendas.

Do total armazenado, 324 mil veículos eram importados, conforme os dados divulgados pela Anfavea. O cenário reforça a pressão competitiva enfrentada pela indústria automobilística brasileira.

Exportações registram queda

Na contramão da produção e das vendas internas, as exportações de veículos tiveram desempenho negativo. Em agosto, os embarques recuaram 31,7% em relação ao mesmo mês de 2025.

No acumulado de 2026, as exportações somaram 294,1 mil veículos, queda de 22,9% ante o mesmo período do ano anterior.

A Anfavea destacou ainda a redução de 36,6% nos embarques destinados à Argentina ao longo do ano. O país é o principal mercado externo para os veículos produzidos pela indústria brasileira.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Tecnologia

Carros chineses no Brasil: participação pode chegar a 35% do mercado até 2035

A presença de carros chineses no Brasil deve crescer de forma acelerada na próxima década e transformar o equilíbrio do setor automotivo. A projeção é de que 1 em cada 3 veículos vendidos no país seja de marcas chinesas até 2035.

Participação das marcas chinesas deve triplicar

A estimativa é do consultor Rogélio Golfarb, ex-presidente da Anfavea. Segundo ele, a fatia das montadoras chinesas deve sair de cerca de 10% registrada recentemente para:

  • 20% do mercado até 2030
  • 35% até 2035

O avanço ocorre em um cenário de expansão das montadoras chinesas em diferentes segmentos do mercado brasileiro.

Estratégia mira segmentos de maior volume

De acordo com a análise, o crescimento será impulsionado pela entrada dessas marcas em categorias com maior demanda, como:

  • carros de entrada
  • picapes
  • vans e veículos comerciais

Essa diversificação amplia o alcance das empresas chinesas e fortalece sua competitividade frente às fabricantes tradicionais.

Vantagem competitiva vem de tecnologia e escala

Um dos principais diferenciais das montadoras chinesas está no custo de produção. Mesmo com a tendência de nacionalização, elas continuam competitivas devido ao acesso a componentes mais baratos vindos da China.

Entre os itens estratégicos estão:

  • baterias para veículos elétricos
  • semicondutores
  • componentes eletrônicos automotivos
  • telas e sistemas digitais

Além disso, fatores como integração produtiva e ganhos de escala explicam grande parte da eficiência de custos dessas empresas.

Comparação com concorrentes globais

Para ilustrar essa vantagem, Golfarb comparou um modelo elétrico da Tesla, o Tesla Model 3, com um veículo similar de uma fabricante chinesa, ambos produzidos na China.

Segundo ele, o carro chinês pode custar cerca de US$ 4 mil a menos, resultado principalmente de:

  • integração da cadeia produtiva
  • produção em larga escala

Subsídios governamentais e condições de pagamento também contribuem, mas têm impacto menor.

Presença de gigantes reforça mudança no setor

O especialista destaca que as marcas chinesas que estão chegando ao Brasil são grandes grupos industriais, com capacidade global consolidada.

Parcerias recentes reforçam esse movimento, como:

  • Stellantis com a Leapmotor
  • General Motors com a Hyundai

Esse cenário evidencia uma transformação estrutural na indústria.

Indústria automotiva vive transformação global

Para Golfarb, o avanço das marcas chinesas no mercado automotivo faz parte de uma mudança profunda e irreversível no setor.

A combinação de tecnologia, escala e competitividade deve consolidar a presença dessas empresas no Brasil, alterando de forma definitiva o perfil da indústria nos próximos anos.

FONTE: Diário do Comércio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Diário do Comércio

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Portos

Hub de Veículos do Porto de Suape registra recorde histórico em 2025 e fortalece logística automotiva

O Hub de Veículos do Porto de Suape encerrou 2025 com o melhor desempenho de sua história e reafirmou sua posição como um dos principais polos logísticos do setor automotivo nas regiões Norte e Nordeste do país.

Movimentação cresce e supera marcas anteriores

Ao longo do ano, o porto pernambucano movimentou 83.992 veículos, número que representa um avanço de 5% em relação a 2024. O resultado supera o recorde anterior, alcançado em 2023, quando foram registradas 80.647 unidades.

O desempenho foi impulsionado, sobretudo, pela expansão das operações de exportação de veículos, que somaram 74.436 unidades, crescimento de 20% na comparação anual. A ampliação das atividades logísticas reforça o papel estratégico de Suape no comércio exterior automotivo.

Participação relevante nas exportações brasileiras

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicam que, entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil exportou 387.373 automóveis de passageiros. Desse total, 18,23% passaram pelo Porto de Suape, consolidando o terminal como uma das principais portas de saída da produção nacional para o mercado internacional.

O resultado evidencia a competitividade do porto tanto nas importações quanto nas exportações, além de ampliar a presença de Pernambuco nas rotas globais da indústria automotiva.

Stellantis lidera exportações; grandes marcas atuam na importação

Nas exportações, o destaque foi o polo automotivo da Stellantis, localizado em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Os veículos produzidos na unidade tiveram como principais destinos Argentina, México e Chile.

No fluxo de importação, operações foram realizadas por Toyota, General Motors (GM), BYD e Volkswagen. Já as atividades de transbordo de veículos envolveram Renault, Toyota e Nissan. Argentina e México figuraram como as principais origens, fortalecendo a integração de Suape ao mercado automotivo latino-americano.

Impactos econômicos e fortalecimento regional

De acordo com a administração do complexo portuário, o avanço do hub automotivo de Suape contribui diretamente para o desenvolvimento econômico regional. O crescimento das operações amplia a geração de emprego e renda, atrai novos investimentos e fortalece Pernambuco como elo estratégico da logística nacional e internacional.

Antaq autoriza avanço do Terminal de Veículos

O cenário positivo ganhou reforço em dezembro de 2025, quando o Porto de Suape recebeu o aval da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para dar sequência ao processo de licitação do Terminal de Veículos (SUA 01).

A autorização permite o arrendamento à iniciativa privada, com previsão de investimentos de R$ 4,6 milhões, destinados à modernização da infraestrutura e ao aumento da capacidade operacional. O leilão será realizado após análise do Tribunal de Contas da União (TCU), com expectativa de lançamento do edital ainda no primeiro semestre.

FONTE: Porto de Suape e Datamar News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Indústria

Montadoras pressionam contra cotas para carros chineses e alertam para impacto de R$ 103 bilhões

Disputa sobre cotas de importação ganha força
As montadoras instaladas no Brasil e fabricantes de autopeças intensificaram a mobilização contra as cotas de importação de carros chineses híbridos e elétricos isentos de imposto. O setor avalia que a manutenção do benefício pode gerar um impacto negativo de R$ 103 bilhões na cadeia automotiva nacional.

Cálculos técnicos foram elaborados pela Anfavea, entidade que representa os fabricantes de veículos, como parte da preparação para o debate sobre o desempenho do setor em 2026 e os efeitos da política atual de importações.

Prazo das cotas termina no fim do mês
As cotas vigentes expiram no próximo dia 31 e permitem a importação, sem imposto, de veículos eletrificados parcialmente ou totalmente desmontados, desde que a montagem final ocorra no Brasil. O modelo é conhecido como SKD (Semi Knocked Down) e CKD (Completely Knocked Down), formato adotado por montadoras chinesas como a BYD, na Bahia.

A indústria teme que o benefício seja prorrogado e atua de forma preventiva para influenciar o governo antes mesmo de um eventual pedido chegar à Camex.

Modelo produtivo preocupa indústria nacional
Segundo a Anfavea, as cotas reduzem a complexidade produtiva no País. Em um cenário extremo, no qual montadoras com operação completa passassem a apenas montar veículos importados, a cadeia de autopeças teria queda anual de R$ 103 bilhões em encomendas.

Esse movimento resultaria em perda estimada de R$ 26 bilhões em arrecadação de ICMS e PIS/Cofins, além de impactos severos no emprego e na balança comercial.

Empregos e arrecadação em risco
O estudo aponta a possível eliminação de 69 mil postos de trabalho nas montadoras e outras 227 mil vagas em fornecedores, o que reduziria em R$ 18 bilhões a arrecadação de tributos federais sobre a folha. O custo adicional com seguro-desemprego poderia chegar a R$ 4 bilhões.

Também são estimados R$ 12 bilhões em saques do FGTS e uma redução de R$ 35 bilhões no poder de compra dos trabalhadores. Na balança comercial, o impacto poderia alcançar R$ 42 bilhões, considerando exportações que deixariam de ocorrer.

Efeito em cadeia preocupa setor
Mesmo uma migração parcial para esse modelo já traria consequências relevantes. Segundo a Anfavea, se apenas 10% da indústria adotasse o formato de baixa complexidade, o impacto sobre fornecedores chegaria a R$ 10,3 bilhões.

A entidade alerta ainda que investimentos já anunciados por montadoras e fabricantes de componentes, que somam R$ 190 bilhões, podem perder sentido caso o modelo de importação com benefícios seja ampliado.

Críticas ao modelo CKD e SKD
Para o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, os regimes CKD e SKD podem ser aceitáveis como fase inicial de instalação de novas montadoras, mas se tornam problemáticos quando associados a grandes volumes.

Segundo ele, esse formato reduz custos trabalhistas, logísticos e industriais no Brasil, favorecendo importações com carga tributária menor e criando uma concorrência desigual com quem produz localmente com impostos cheios.

Cotas envolvem até 30 mil veículos
As cotas atuais autorizam a importação de até US$ 463 milhões em veículos híbridos e elétricos desmontados, volume estimado em cerca de 30 mil automóveis. O receio do setor é que prazos sejam estendidos ou que novas cotas sejam liberadas.

Até o momento, a Camex informou que não recebeu pedido formal de renovação, mas entidades do setor, como o Sindipeças, já se manifestaram oficialmente contra qualquer prorrogação.

Autopeças também alertam para perdas
O Sindipeças estima que as importações de veículos eletrificados retiram cerca de R$ 97 bilhões em faturamento do setor de autopeças e representam uma renúncia fiscal de R$ 24 bilhões. A entidade também aponta risco de redução expressiva da força de trabalho e desestímulo a novos investimentos.

Histórico de tensão com montadoras chinesas
Em 2024, pedidos da BYD para redução permanente das alíquotas já haviam provocado reação da indústria, incluindo manifestação direta ao presidente da República. Na ocasião, as montadoras tradicionais alertaram para riscos de desindustrialização, enquanto a marca chinesa acusou o setor de tentar barrar a inovação.

A Camex não reduziu as tarifas, mas autorizou as cotas temporárias, agora próximas do vencimento.

Posição das empresas
A GWM, que monta veículos em Iracemápolis, afirmou que não solicitou renovação de cotas ou isenções para produção em CKD. A BYD não se manifestou até a publicação.

Para a Anfavea, o ponto central é garantir competição equilibrada. Segundo Calvet, conceder incentivos tributários para grandes volumes importados compromete a sustentabilidade da indústria automotiva nacional.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Exportação

Produção de veículos cai 8,2% em novembro, aponta Anfavea

A Anfavea divulgou nesta segunda-feira (8) os novos indicadores do setor automotivo, que mostram queda na maior parte dos resultados de novembro. A produção de veículos recuou 8,2% em relação ao mesmo mês de 2024, enquanto as vendas registraram o melhor desempenho de 2025, com média diária de 12,6 mil unidades — ainda abaixo, porém, do volume observado no ano anterior.

Projeção para 2025 não deve se concretizar

Durante coletiva, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que o desempenho abaixo do esperado deve impedir o cumprimento da projeção anual da entidade, que estimava crescimento de 7,8% na produção. Segundo ele, há um “gap” de 5,2% entre o previsto e o acumulado até novembro.

Calvet também atribuiu o cenário às taxas de juros mais altas tanto para pessoas físicas quanto para o mercado em geral. Em novembro de 2024, a Selic estava em 11,3%, enquanto hoje alcança 15%. Os juros para pessoa física passaram de 26,4% para 27,4%. De acordo com o executivo, esses fatores têm impacto direto no potencial de expansão do setor.

Caminhões e exportações também recuam

Os dados da Anfavea mostram ainda a quarta queda consecutiva na produção de caminhões, com média mensal de retração de 26%, o que acende um alerta para o segmento.

As exportações de veículos também diminuíram, caindo 13%, influenciadas principalmente pela redução da demanda na Argentina. Já os veículos importados tiveram aumento no período, elevando os estoques para 153 dias, o equivalente a cinco meses de consumo do mercado interno.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Nacho Doce/Reuters

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Internacional

Acordo entre Brasil e China alivia crise de chips e reduz risco de paralisação na indústria automotiva

A parceria entre o Brasil e a China começou a surtir efeito no setor automotivo. O abastecimento de chips – essenciais na produção de veículos – começa a ser retomado após negociações conduzidas pelo governo brasileiro junto às autoridades chinesas, reduzindo o risco de paralisação nas montadoras.

Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), embora o risco de falta de componentes ainda exista, o cenário já apresenta melhora significativa. “Na sexta-feira, as fabricantes começaram a ser avisadas pelos fornecedores de que a autorização para importação de chips está sendo gradualmente retomada. Isso diminui o risco de interrupção nas linhas de produção”, afirmou Igor Calvet, presidente da entidade.

Liberação de importações e licenças especiais

Calvet explicou que dois fatores foram decisivos para aliviar a crise. O primeiro foi a liberação, pela China, da exportação de semicondutores para empresas com operação simultânea no Brasil e em território chinês. O segundo foi a criação de uma licença especial para companhias brasileiras, garantindo acesso direto aos componentes.

“A situação melhorou, mas ainda não está completamente normalizada. Se não houver novas interrupções, a indústria automobilística brasileira deve seguir operando normalmente”, completou o presidente da Anfavea.

Diplomacia evita desabastecimento no setor automotivo

A flexibilização ocorreu após tratativas diplomáticas lideradas pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, que solicitou à Embaixada da China no Brasil prioridade no fornecimento dos semicondutores.

O movimento também abriu caminho para o fim do embargo às importações de chips da empresa Nexperia, cuja suspensão ameaçava desabastecer fornecedores de autopeças e comprometer toda a cadeia produtiva nacional.

Crise global dos semicondutores e disputa entre potências

A escassez global de semicondutores é consequência direta da disputa comercial entre China e Estados Unidos, que envolve o controle sobre a produção de chips e minerais críticos. A crise se agravou após a intervenção do governo holandês em uma empresa chinesa com operações na Holanda, responsável por 40% do mercado mundial de chips para carros flex. Em resposta, a China suspendeu exportações vindas de sua principal fábrica.

A disputa faz parte da corrida global pelos minerais estratégicos, essenciais na fabricação de semicondutores e tecnologias limpas. Hoje, a China domina cerca de 70% da mineração mundial de terras raras, mais de 90% do refino e quase 100% da produção de ímãs permanentes, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA). Esse domínio confere ao país forte influência sobre cadeias produtivas globais, afetando diretamente setores como o automotivo.

Com a recente aproximação diplomática, o Brasil ganha fôlego para manter sua produção de veículos, enquanto acompanha de perto os desdobramentos dessa guerra tecnológica internacional.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Tecnologia

China autoriza importação de chips para montadoras brasileiras e ajuda a conter risco de desabastecimento

O governo chinês anunciou que concederá autorizações especiais de importação de chips para montadoras brasileiras, em uma iniciativa que busca evitar o desabastecimento de semicondutores no país. A decisão foi confirmada pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, à Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), após tratativas diplomáticas conduzidas pelo governo brasileiro.

De acordo com o comunicado, as empresas brasileiras que enfrentarem dificuldades para importar semicondutores poderão solicitar exceções ao embargo diretamente à Embaixada da China em Brasília ou ao Ministério do Comércio chinês. Cada pedido será avaliado individualmente antes da concessão da licença especial de exportação.

Crise global de semicondutores pressiona o setor automotivo

A medida surge em meio à crescente tensão global na cadeia de fornecimento de chips, agravada pela recente intervenção do governo dos Países Baixos na Nexperia, uma das maiores fabricantes mundiais de chips automotivos. A empresa responde por cerca de 40% do mercado global de componentes básicos utilizados em veículos — como diodos, transistores e reguladores de tensão.

A decisão holandesa, justificada por motivos de segurança nacional, provocou reação imediata da China, que impôs restrições à exportação de produtos da Nexperia fabricados ou processados em seu território. O bloqueio afetou diretamente o abastecimento internacional de semicondutores, gerando preocupação em países que dependem fortemente dessas importações, como o Brasil.

Dependência brasileira de chips importados

O mercado automotivo brasileiro é altamente dependente de importações de semicondutores. Segundo a Anfavea, cada veículo produzido no país contém entre mil e três mil chips, essenciais para o funcionamento de sistemas de injeção eletrônica, freios, segurança e entretenimento.

Uma interrupção no fornecimento desses componentes pode paralisar as linhas de produção em poucas semanas. A associação estima que, sem reposição de chips, as montadoras brasileiras seriam obrigadas a suspender a produção em até três semanas.

Impactos econômicos e reação do governo

O setor automotivo brasileiro, responsável por cerca de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos, movimenta uma ampla cadeia produtiva que envolve siderurgia, plásticos e eletrônicos. Diante da crise global, a abertura de diálogo com a China é considerada uma estratégia essencial para garantir o fornecimento de insumos e evitar impactos sobre a economia e o emprego.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificou a medida como “um passo positivo”, mas ressaltou que será necessário acompanhar como o compromisso será implementado na prática.

Empresas com maior integração à cadeia de suprimentos chinesa, como BYD e GWM, devem sentir menos os efeitos da crise. Já montadoras que dependem de fornecedores europeus ou norte-americanos permanecem em situação mais vulnerável.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Gazeta do Povo

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Tecnologia

Crise global de chips pode paralisar montadoras no Brasil nas próximas semanas, alerta MDIC

A escassez de chips volta a preocupar a indústria automotiva brasileira. O secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira, alertou nesta terça-feira (29) que algumas montadoras de automóveis podem ser obrigadas a suspender a produção nas próximas duas a três semanas, caso a crise internacional de fornecimento de semicondutores não seja solucionada.

“Se não houver uma solução nesse curto espaço de tempo, pode haver um processo de paralisação em algumas montadoras”, afirmou Moreira.

Impasse entre China e Holanda agrava crise

O problema decorre de uma disputa entre China e Holanda pelo controle da fabricante de microprocessadores Nexperia, responsável por cerca de 40% do mercado global de semicondutores básicos. A tensão se intensificou após o governo holandês assumir o controle da empresa, alegando preocupações de propriedade intelectual e segurança nacional, já que a controladora chinesa Wingtech está sob sanções dos Estados Unidos.

As restrições impostas por Pequim impactaram diretamente o fornecimento global. Embora os chips da Nexperia não sejam considerados de alta complexidade, eles são essenciais para o setor automotivo, utilizado em larga escala na fabricação de veículos e produtos eletrônicos.

Governo busca diálogo com a China

Segundo o MDIC, o ministro Geraldo Alckmin e o secretário Moreira se reuniram com o presidente da Anfavea, Igor Calvet, para discutir soluções. O governo brasileiro tenta abrir canal diplomático com a China, buscando garantir que o país não sofra os efeitos colaterais da disputa geopolítica.

“Nosso objetivo é deixar claro que o Brasil está fora desse conflito e não pode ser penalizado por ele”, destacou Moreira.

O ministro Alckmin já entrou em contato com o embaixador brasileiro em Pequim e com o embaixador chinês em Brasília, solicitando o início de negociações bilaterais. O representante chinês teria se comprometido a dialogar com autoridades locais, enquanto o diplomata brasileiro fará a mediação com a Nexperia.

Indústria em alerta com possível paralisação

A Anfavea reforçou a preocupação com a escassez de chips, lembrando que situação semelhante durante a pandemia provocou paralisações e queda na produção. Estimativas da entidade indicam que um carro moderno utiliza entre 1.000 e 3.000 chips, o que torna qualquer interrupção no fornecimento um risco imediato.

Apesar de fontes do setor apontarem possíveis substitutos — como Infineon, NXP e Texas Instruments —, a troca de fornecedores exige tempo, já que os componentes precisam passar por processos rigorosos de aprovação técnica antes de serem usados nas linhas de montagem.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Acervo Volkswagen do Brasil

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