Comércio Exterior

Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto

A balança comercial brasileira fechou agosto com saldo positivo de US$ 7,4 bilhões, resultado 23,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O desempenho foi o terceiro melhor da série para meses de agosto, ficando atrás apenas dos superávits de US$ 9,6 bilhões, em 2023, e de US$ 7,7 bilhões, em 2021.

O resultado foi impulsionado principalmente pelo crescimento das exportações brasileiras, que somaram US$ 33,2 bilhões, avanço de 12,2% em 12 meses. As importações também aumentaram, mas em ritmo inferior, chegando a US$ 25,8 bilhões, alta de 9,2%.

A corrente de comércio, formada pela soma das exportações e importações, alcançou US$ 58,9 bilhões, o maior valor já registrado para um mês de agosto desde o início da série histórica.

Exportações crescem e sustentam o saldo comercial

O aumento das vendas externas foi observado nos principais setores da pauta brasileira. A indústria extrativa exportou US$ 8,3 bilhões, crescimento de 16,4% sobre agosto de 2025.

Na indústria de transformação, as exportações chegaram a US$ 17,2 bilhões, alta de 10,2%. Já a agropecuária registrou US$ 7,4 bilhões em vendas ao exterior, avanço de 11,4%.

Entre os produtos da indústria extrativa, os minérios de cobre e seus concentrados tiveram o maior crescimento, com alta de 223,1%. Também avançaram as exportações de minérios de níquel e concentrados, 120,7%, e de petróleo bruto, 18%. O minério de ferro apresentou crescimento de 20% em valor em parte dos dados setoriais.

Na indústria de transformação, o destaque ficou com os combustíveis, cujas exportações aumentaram 61,6%. As vendas de carnes de aves cresceram 40,5%, enquanto as de farelo de soja e outros alimentos destinados à alimentação animal subiram 36,6%.

Na agropecuária, as exportações de soja aumentaram 14%, as de café não torrado avançaram 24,1% e as vendas de animais vivos, com exceção de pescados e crustáceos, dispararam 174,3%.

Minério de ferro e carne bovina têm queda

Apesar do desempenho positivo da pauta exportadora, alguns produtos apresentaram retração.

As vendas externas de minério de ferro recuaram 10,8% na comparação com agosto de 2025. O resultado refletiu uma queda de 4,4% no preço médio e uma redução de 6,7% no volume embarcado.

A carne bovina brasileira também teve queda nas exportações, de 19,7% em valor. O movimento ocorreu em meio à aproximação do limite de importação definido pela China, principal mercado consumidor da proteína brasileira.

O país asiático estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas para importações sem a cobrança de uma sobretaxa de 55% sobre os volumes que ultrapassarem esse limite.

Europa amplia compras de produtos brasileiros

O crescimento das exportações do Brasil alcançou a maioria dos principais mercados internacionais.

As vendas para a Europa aumentaram 22,1% em agosto, chegando a US$ 7,3 bilhões. Para a África, o avanço foi de 20,5%, para US$ 1,7 bilhão. Já os embarques destinados ao Oriente Médio cresceram 12,6%, totalizando US$ 1,4 bilhão.

Na América do Norte, as exportações brasileiras subiram 11,5%, para US$ 4,6 bilhões. Dentro desse resultado, as vendas aos Estados Unidos cresceram 12,1% em relação a agosto de 2025, mesmo após a entrada em vigor das novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.

A Ásia, principal destino das exportações nacionais, apresentou crescimento mais discreto, de 0,7%, alcançando US$ 13,6 bilhões.

Na América do Sul, por outro lado, houve queda de 1,5%, com as vendas totalizando US$ 3,6 bilhões.

Os números mostram que o avanço das exportações em agosto foi distribuído entre diferentes mercados, com Europa, América do Norte, África e Oriente Médio registrando crescimento de dois dígitos.

Importações avançam 9,2%

As importações brasileiras somaram US$ 25,8 bilhões em agosto, alta de 9,2% ante o mesmo mês do ano passado.

Os bens de capital apresentaram o maior crescimento entre as principais categorias, com alta de 29,3%, para US$ 3,9 bilhões. As compras de bens de consumo também aumentaram, 15%, chegando ao mesmo valor de US$ 3,9 bilhões.

As importações de combustíveis cresceram 7,4%, para US$ 3 bilhões. Já os bens intermediários, que representam a principal categoria entre as compras externas, tiveram avanço de 3,1%, alcançando US$ 15 bilhões.

O aumento das aquisições de bens de capital chama atenção por incluir máquinas, equipamentos e outros itens utilizados diretamente na produção e nos investimentos das empresas.

Superávit acumulado chega a US$ 55,3 bilhões

No acumulado de janeiro a agosto, o superávit comercial brasileiro atingiu US$ 55,3 bilhões, alta de 28,2% sobre os primeiros oito meses de 2025.

As exportações totalizaram US$ 250,9 bilhões, crescimento de 10,3%. As importações, por sua vez, alcançaram US$ 195,5 bilhões, avanço de 6,1%.

O saldo acumulado é o segundo maior da série histórica para o período. O recorde continua sendo de 2023, quando o superávit entre janeiro e agosto chegou a US$ 62,4 bilhões.

A diferença entre o ritmo de crescimento das exportações e das importações contribuiu diretamente para a expansão do saldo. Enquanto as vendas externas avançaram 10,3%, as compras internacionais cresceram 6,1%.

Governo prevê superávit de US$ 90 bilhões em 2026

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revisou para cima, em julho, a projeção para a balança comercial de 2026.

A estimativa de superávit passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. A previsão para as exportações também aumentou, de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões.

Para as importações, a projeção foi elevada de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões.

Uma nova atualização das estimativas está prevista para outubro. A projeção do governo supera a expectativa dos analistas consultados pelo Banco Central no boletim Focus, cuja mediana aponta para um saldo comercial de US$ 78 bilhões em 2026.

Com oito meses do ano encerrados, os US$ 55,3 bilhões acumulados correspondem a pouco mais de 61% da previsão oficial de US$ 90 bilhões. Para alcançar essa estimativa, o desempenho do comércio exterior nos quatro meses restantes dependerá principalmente da evolução das exportações, das importações e dos preços das principais commodities brasileiras.

FONTE: O Presente Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cláudio Neves/Portos do Paraná

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