Transporte

DNV prevê que frota mundial de navios de abastecimento de GNL terá de mais que dobrar até 2030

A expansão do uso do GNL (gás natural liquefeito) no transporte marítimo deve exigir um forte crescimento da infraestrutura de abastecimento nos próximos anos. Um novo estudo da DNV estima que a frota mundial de navios de abastecimento de GNL precisará mais que dobrar até 2030 para acompanhar o avanço da demanda.

De acordo com o relatório “Gas Bunkering Vessels: Enabling the Transition to Alternative Fuels”, serão necessários entre 165 e 208 navios de abastecimento de GNL em operação no mundo até o fim da década.

O cenário evidencia um possível descompasso entre a expansão da frota marítima movida a GNL e a capacidade disponível para realizar o abastecimento de combustíveis marítimos.

Infraestrutura será decisiva para a transição energética

Para Cristina Saenz de Santa Maria, CEO da DNV Maritime, a transformação energética do setor não depende apenas da substituição dos combustíveis utilizados pelos navios.

A executiva destaca que a transição também exige investimentos em infraestrutura de abastecimento, cadeias de suprimentos e capacidade operacional, garantindo que os combustíveis alternativos possam ser disponibilizados de maneira segura e em escala.

Nesse contexto, a criação de uma rede de bunkering flexível, confiável e preparada para diferentes combustíveis deverá ganhar importância à medida que o mercado marítimo avance em direção à descarbonização.

Relatório analisa mercado e operação dos navios

O estudo da DNV aborda diferentes aspectos relacionados ao desenvolvimento do mercado de abastecimento de GNL, incluindo exigências regulatórias, características de projeto das embarcações e requisitos técnicos específicos para navios de fornecimento de gás.

O documento também reúne orientações sobre boas práticas operacionais e avalia o papel dessas embarcações no atendimento da demanda atual por GNL e na futura adoção de outros combustíveis alternativos.

Para a DNV, o crescimento das operações exigirá não apenas mais embarcações, mas também maior preparação das equipes e estruturas responsáveis pelo abastecimento.

Conversão de pequenos metaneiros pode acelerar oferta

Uma das alternativas apontadas pelo relatório para ampliar a capacidade de abastecimento é a conversão de pequenos navios metaneiros que apresentem características adequadas para atuar como embarcações de fornecimento de gás.

O aproveitamento desses ativos pode contribuir para acelerar a expansão da infraestrutura e atender ao crescimento da demanda sem depender exclusivamente da construção de novas embarcações especializadas.

O relatório também chama atenção para a necessidade de fortalecer a gestão de segurança, a preparação operacional e a capacitação de profissionais. Isso se torna especialmente relevante à medida que as operações de abastecimento de gás aumentam em frequência e passam a ocorrer em um número maior de regiões.

Amônia surge como próximo combustível estratégico

Embora o GNL seja o principal foco da análise, a DNV também considera o avanço da amônia como combustível marítimo.

Segundo o relatório, a infraestrutura e os conhecimentos desenvolvidos atualmente para o abastecimento de GNL podem servir como base para a futura implantação de sistemas destinados à entrega de amônia.

A experiência acumulada em segurança operacional, infraestrutura de bunkering e procedimentos de abastecimento tende, portanto, a ter valor estratégico para a próxima etapa da transição energética marítima.

O avanço desses sistemas será fundamental para que o setor consiga acompanhar a introdução de novos combustíveis e, ao mesmo tempo, manter padrões adequados de segurança, confiabilidade e eficiência.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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