Logística

Logística e transportes no Brasil exigem R$ 2,03 trilhões em investimentos, aponta CNT

O Brasil precisará investir cerca de R$ 2,03 trilhões para superar os principais gargalos da logística e da infraestrutura de transportes. A estimativa faz parte do Plano CNT de Transporte e Logística 2026, elaborado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), que reúne 2.837 projetos considerados prioritários em diferentes regiões do país.

O levantamento mostra que as deficiências na infraestrutura continuam elevando o chamado Custo Brasil, comprometendo a competitividade da economia e dificultando o crescimento de setores como a indústria, o agronegócio e o comércio exterior.

Segundo o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, o planejamento de longo prazo é essencial para promover uma infraestrutura mais integrada, eficiente e sustentável, reduzindo custos logísticos e ampliando a competitividade nacional.

Custos logísticos no Brasil superam os de economias desenvolvidas

O estudo revela que os custos logísticos brasileiros atingiram 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, praticamente o dobro do registrado em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, onde representam cerca de 8% do PIB.

Na avaliação da CNT, parte significativa dessa diferença está relacionada à precariedade da infraestrutura, que reduz a eficiência do transporte de cargas, aumenta despesas operacionais e afasta investimentos.

Dependência das rodovias expõe desequilíbrio da matriz de transporte

Outro ponto destacado pelo levantamento é a forte concentração do transporte de cargas nas rodovias, responsáveis por 65,8% da matriz de transporte brasileira. O percentual é superior ao observado em outras economias de grande extensão territorial, como Estados Unidos, China, Austrália e países da União Europeia, que utilizam de forma mais equilibrada ferrovias, hidrovias e a cabotagem.

Além da concentração no modal rodoviário, o estudo chama atenção para a baixa cobertura de estradas pavimentadas. Apenas 13% das rodovias brasileiras possuem pavimentação, índice inferior ao registrado em países como China e Índia.

A situação da malha viária também preocupa. Dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 indicam que 62,1% das estradas brasileiras apresentam condições classificadas como regular, ruim ou péssima. Quando analisada apenas a rede pública, esse percentual sobe para 72,8%.

Plano prevê investimentos em integração nacional e mobilidade urbana

Dos R$ 2,03 trilhões estimados pelo Plano CNT, a maior parcela será destinada a obras voltadas à integração do território nacional.

Os 2.509 projetos de integração somam aproximadamente R$ 1,5 trilhão, com destaque para investimentos em ferrovias, que concentram cerca de R$ 1,1 trilhão. Também estão previstos recursos para rodovias, hidrovias, portos, terminais logísticos e aeroportos.

Já os 328 projetos urbanos, orçados em R$ 518,4 bilhões, priorizam sistemas de transporte coletivo de média e alta capacidade, como metrôs, trens urbanos, VLTs, monotrilhos e corredores exclusivos de ônibus (BRT).

Investimentos seguem abaixo da necessidade apontada por especialistas

O estudo também evidencia a diferença entre a necessidade de investimentos e os recursos aplicados nos últimos anos. Enquanto o Banco Mundial estima que o Brasil deveria investir cerca de 3,7% do PIB por ano em infraestrutura de transportes para reduzir seu déficit, a média de investimentos federais entre 2015 e 2025 foi de apenas 0,15% do PIB ao ano.

CNT defende maior participação da iniciativa privada

Diante das limitações orçamentárias do setor público, a CNT defende a ampliação das concessões e das Parcerias Público-Privadas (PPPs) como alternativa para acelerar a modernização da infraestrutura brasileira.

A entidade ressalta, no entanto, que o avanço desse modelo depende de um ambiente regulatório estável, segurança jurídica, previsibilidade institucional e redução da burocracia.

Como parte da iniciativa, a CNT também lançou um painel virtual com consulta dinâmica aos projetos previstos no plano, oferecendo informações para gestores públicos, investidores e sociedade. A expectativa é que o estudo sirva de base para orientar políticas públicas capazes de reduzir o Custo Brasil, fortalecer a logística nacional e aumentar a competitividade da economia.

FONTE: Times Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Agência Brasil

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