Logística

Pisos mínimos do frete elevam custos em mais de 16% para a indústria, aponta CNI

A política de pisos mínimos do frete continua gerando impactos significativos sobre a competitividade da indústria brasileira. Levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 94% das empresas que contratam transporte rodoviário de cargas identificam efeitos negativos da medida sobre os custos logísticos.

Além disso, o setor produtivo demonstra preocupação com a Medida Provisória nº 1.343/2026, que ampliou os mecanismos de fiscalização e endureceu as penalidades relacionadas ao cumprimento das tabelas estabelecidas pela Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC).

Dependência do transporte rodoviário amplia impacto da medida

De acordo com a pesquisa, 86% das indústrias utilizam serviços terceirizados de frete para escoar sua produção, seja de forma exclusiva ou em conjunto com frota própria. O dado evidencia o alcance das consequências da política sobre diversos segmentos da economia.

Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, o cenário reforça a necessidade de aperfeiçoar as regras que regem o transporte de cargas no país.

Segundo ele, os custos de transporte e logística já figuram entre os principais componentes do chamado Custo Brasil, e intervenções que restringem a livre negociação entre embarcadores e transportadores acabam afetando toda a cadeia produtiva.

Empresas apontam aumento expressivo nos custos do frete

A pesquisa mostra que 64% das empresas classificam os impactos do tabelamento como altos ou muito altos. Entre os negócios de menor porte, essa percepção é ainda mais acentuada.

As empresas consultadas estimam que a política elevou, em média, 16,4% os custos do frete rodoviário em comparação a um cenário de livre negociação. No entanto, os efeitos variam conforme o porte da empresa, a região e o setor de atuação.

Pequenas e médias empresas sentem mais os efeitos

Os dados apontam que as pequenas empresas foram as mais afetadas, registrando aumento médio de 19% nos custos de transporte. Entre as médias empresas, a elevação estimada é de 18%, enquanto as grandes companhias apontam impacto de 14%.

Além disso, cerca de 70% das pequenas e médias empresas classificam os reflexos da política sobre os valores do frete como elevados.

Metodologia da ANTT é alvo de críticas

Outro ponto destacado pela sondagem envolve a metodologia utilizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para calcular os pisos mínimos.

Oito em cada dez empresas avaliam que os critérios adotados estão parcial ou totalmente desconectados da realidade operacional do transporte rodoviário brasileiro.

A analista de infraestrutura da CNI, Paula Bogossian, afirma que o modelo atual não consegue representar adequadamente a diversidade das operações existentes no país, fator que ganha importância devido ao uso da tabela como referência para fiscalização e aplicação de sanções.

Setores com menor valor agregado enfrentam maiores impactos

Os efeitos do tabelamento são mais intensos em segmentos onde a logística representa parcela significativa dos custos de produção.

Entre os setores mais impactados estão os de extração mineral e produtos minerais não metálicos, como fertilizantes, sal, gesso e cerâmica, que registraram aumento próximo de 23% nos custos de transporte.

Também apresentaram elevações acima da média nacional os setores de alimentos, máquinas e equipamentos, evidenciando que os impactos da política não ocorrem de forma uniforme entre as diferentes cadeias produtivas.

Nova MP amplia preocupação com custos e segurança jurídica

Além dos efeitos já observados com a política de pisos mínimos, a Medida Provisória nº 1.343/2026 também preocupa o setor industrial.

A norma amplia a fiscalização do cumprimento das tabelas de frete, cria novas exigências regulatórias e aumenta as penalidades aplicáveis em casos de descumprimento.

Entre as empresas que conhecem o conteúdo da medida, 85% apontam a elevação dos custos de transporte como principal preocupação. Na sequência aparecem a perda de competitividade (57%) e a insegurança jurídica (35%).

Também foram citados riscos relacionados a atrasos operacionais, interrupções na cadeia logística e à proporcionalidade das sanções previstas.

Proposta prevê piso salarial para motoristas de longa distância

A comissão mista responsável por analisar a medida provisória foi instalada recentemente no Congresso Nacional. O relatório deverá ser apresentado pelo deputado Zé Trovão (PL-SC), relator da proposta.

Entre as alterações em discussão está a criação de um piso salarial de R$ 5 mil para motoristas profissionais que atuem em operações de longa distância, caracterizadas por permanência superior a 24 horas fora da base de trabalho.

Caso a proposta avance, os impactos poderão atingir tanto empresas que operam com frota própria quanto aquelas que terceirizam o transporte, já que os custos tendem a ser repassados aos contratantes por meio de reajustes no frete.

Na avaliação do setor, a medida pode aumentar ainda mais os custos do transporte rodoviário de cargas e, consequentemente, influenciar os preços finais dos produtos para os consumidores.

Debate segue no Judiciário

A política de frete mínimo também é alvo de questionamento no Supremo Tribunal Federal por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 5.964, apresentada pela CNI.

A entidade contesta a constitucionalidade da Lei nº 13.703/2018, que instituiu a política de pisos mínimos do frete, além de pedir a suspensão dos efeitos da MP nº 1.343/2026.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: fanjianhua/Magnific

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Segurança

Segurança no transporte de cargas aumenta custos da indústria e pressiona competitividade

Os investimentos em segurança no transporte de cargas têm elevado os custos operacionais da indústria brasileira e impactado diretamente o preço final dos produtos. Levantamento recente revela que a preocupação com roubos, furtos e ataques cibernéticos faz parte da rotina de grande parte das empresas do setor.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 62% das empresas industriais afirmam que os gastos com segurança no transporte contribuem para o aumento dos custos finais de seus produtos. O estudo também mostra que 81% dos empresários consideram que a insegurança patrimonial é um dos fatores que ampliam o chamado Custo Brasil, reduzindo a competitividade das organizações. Além disso, 45% das indústrias reconhecem que os investimentos em proteção patrimonial e prevenção de perdas acabam encarecendo a produção, enquanto 20% relatam já terem sido vítimas de roubo ou furto de cargas no transporte rodoviário.

Rodovias concentram a maior parte dos roubos de cargas

Entre as empresas que sofreram esse tipo de ocorrência nos últimos cinco anos, 68% apontam as rodovias como o principal cenário dos crimes. Os materiais mais visados pelos criminosos são fios e cabos, presentes em 60% dos casos registrados. Ferramentas aparecem na sequência, representando 31% das ocorrências, enquanto máquinas e equipamentos industriais correspondem a 23%.

Diante desse cenário, mais da metade dos executivos entrevistados, cerca de 54%, defende o aumento do policiamento em áreas industriais como prioridade das políticas públicas de segurança. Apenas uma pequena parcela, equivalente a 4%, acredita que houve melhora na segurança patrimonial nos últimos cinco anos.

Ataques cibernéticos também preocupam o setor industrial

Além dos riscos físicos nas estradas, a indústria brasileira enfrenta uma crescente ameaça digital. Casos de vazamento de dados e ataques de ransomware têm provocado prejuízos financeiros significativos. Segundo a pesquisa, 30% das empresas registraram perdas diretas relacionadas a fraudes eletrônicas ou pagamento de resgates de dados.

Para minimizar esses riscos, as organizações têm investido em estratégias de proteção digital. Entre as principais medidas adotadas estão:

  • Backups periódicos dos dados (75%);
  • Utilização de softwares de segurança (67%);
  • Políticas mais rigorosas de controle de acesso e senhas (45%);
  • Capacitação dos colaboradores em segurança digital (38%);
  • Contratação de equipes especializadas em cibersegurança, internas ou terceirizadas (34%)

Pesquisa ouviu empresas de todo o país

O levantamento foi realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados para a CNI entre março e abril de 2026, com a participação de 1.003 executivos de indústrias de pequeno, médio e grande porte, distribuídas por todas as regiões brasileiras. Desse total, 503 representam pequenas empresas e 500 pertencem aos segmentos de médio e grande porte.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI), com levantamento realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados.

Texto: Redação

Imagem: Reprodução CNN

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Comércio Exterior

Portal Único pode reduzir R$ 40 bilhões em custos e impulsionar exportações brasileiras

A conclusão do Portal Único de Comércio Exterior até dezembro pode gerar uma economia anual de R$ 40 bilhões para empresas brasileiras, segundo estimativa apresentada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

A declaração foi feita nesta segunda-feira (25), durante a inauguração de uma nova unidade da Whirlpool, em Rio Claro (SP), onde o ministro destacou a importância da modernização logística para ampliar a competitividade das exportações brasileiras.

Modernização do Portal Único deve reduzir burocracia

Durante o evento, Alckmin afirmou que a integração do sistema ao Siscomex pode diminuir significativamente o chamado Custo Brasil, principalmente ao acelerar processos de importação e exportação.

Segundo ele, atrasos em portos, aeroportos, navios e etapas de desembaraço aduaneiro geram prejuízos relevantes para as empresas. De acordo com o ministro, apenas um dia de carga parada pode representar custo equivalente a 0,8% do valor total da mercadoria.

A expectativa do governo é que o avanço do Portal Único de Comércio Exterior simplifique procedimentos logísticos, reduza burocracias e torne o fluxo de mercadorias mais eficiente.

Exportações ganham papel estratégico para a indústria

Alckmin também destacou a necessidade de ampliar a presença da indústria brasileira no mercado internacional. Durante o discurso, ele afirmou que alguns setores dependem diretamente das vendas externas para manter competitividade e escala de produção.

A nova fábrica da Whirlpool foi citada como exemplo desse movimento. Segundo o vice-presidente, a unidade deve atuar como um hub de exportação para atender países da América Latina.

O ministro mencionou ainda empresas como a Embraer, destacando que a atuação internacional foi fundamental para o crescimento da fabricante brasileira de aeronaves. A retomada das atividades da Avibras, em Jacareí (SP), também foi lembrada durante o evento.

Acordos comerciais fazem parte da estratégia do governo

Além da modernização logística, o governo federal aposta na ampliação de acordos comerciais para fortalecer o comércio exterior brasileiro.

Entre os avanços citados estão os acordos firmados pelo Mercosul com Singapura e com os países integrantes da Associação Europeia de Livre Comércio (Efta).

As negociações entre Mercosul e União Europeia também seguem como prioridade da estratégia brasileira para ampliar mercados e estimular novas oportunidades para a indústria nacional.

Menos burocracia e novos mercados podem fortalecer competitividade

Na avaliação do governo, a combinação entre redução de entraves burocráticos e expansão de acordos comerciais pode ampliar a competitividade das empresas brasileiras no cenário internacional.

A expectativa é que a modernização dos sistemas logísticos e aduaneiros ajude o país a reduzir custos operacionais, acelerar exportações e aumentar a presença do Brasil no comércio global.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Mercado Internacional

Mais de 200 indústrias brasileiras migram para o Paraguai impulsionadas pela Lei de Maquila e redução de custos

Mais de 200 indústrias brasileiras passaram a operar no Paraguai nos últimos anos, atraídas pelos incentivos da Lei de Maquila, regime que oferece imposto único de 1% sobre a produção exportada, isenção de tributos na importação de insumos e redução significativa dos custos operacionais. O movimento reflete a busca das empresas por maior competitividade e pela redução do chamado “Custo Brasil”.

Levantamentos citados por entidades locais e reportagens da imprensa apontam que a migração industrial se concentra principalmente na região de Ciudad del Este, no departamento de Alto Paraná, área que vem se consolidando como um novo polo estratégico para cadeias produtivas voltadas ao Mercosul.

Lei de Maquila impulsiona produção voltada à exportação

No centro dessa estratégia está a Lei de Maquila, regime paraguaio criado para estimular a industrialização com foco no mercado externo. A legislação permite a admissão temporária de matérias-primas, insumos e máquinas com suspensão de tributos aduaneiros, desde que a produção final seja exportada.

O principal diferencial do modelo é a cobrança de um imposto único de 1%, aplicado na etapa final da operação. De acordo com o governo paraguaio, o tributo incide sobre o maior valor entre a fatura de serviços emitida pela maquiladora à matriz no exterior ou a fatura de exportação, quando a venda ocorre diretamente ao cliente final.

Como funciona o imposto único de 1% no Paraguai

Pelo desenho institucional do regime, as empresas podem atuar no Paraguai por meio de uma maquiladora local ou instalar uma unidade própria para realizar etapas de montagem, transformação ou produção industrial.

O sistema se baseia na importação de componentes e equipamentos sob condições específicas, vinculadas ao compromisso de exportar o produto final. A tributação simplificada substitui a cadeia de impostos comum em outros países, concentrando a carga fiscal no percentual único aplicado na exportação.

Exportações da maquila batem recordes históricos

Dados oficiais do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai indicam crescimento contínuo das exportações realizadas sob o regime de maquila.

Em 2024, o volume exportado alcançou US$ 1,109 bilhão, o maior já registrado até então. Em 2025, o acumulado anual chegou a US$ 1,309 bilhão, estabelecendo um novo recorde histórico.

As estatísticas também mostram que o Brasil figura entre os principais destinos dessas exportações, ao lado de outros mercados regionais, reforçando a integração produtiva entre os dois países.

Redução de custos explica migração de indústrias brasileiras

A diferença de custos tributários e operacionais aparece como o principal fator citado por empresas que decidem transferir parte da produção para o Paraguai. No Brasil, a importação de determinados insumos pode enfrentar alíquotas elevadas e uma extensa lista de obrigações acessórias.

No regime paraguaio, a tributação é concentrada no imposto único, enquanto a entrada de insumos ocorre com suspensão de tributos, dentro das regras do programa. Reportagens destacam casos em que matérias-primas importadas da Ásia, como poliéster para a indústria têxtil, entram no Paraguai com imposto zero, antes da incidência do tributo final na exportação.

Especialistas ressaltam, no entanto, que o impacto econômico varia conforme o setor, o desenho da operação e o correto enquadramento no regime de maquila.

“Custo Brasil”, burocracia e mão de obra entram na conta

Além da carga tributária, empresários apontam a burocracia, os custos administrativos e a complexidade regulatória do ambiente brasileiro como fatores que pesam na decisão de investir no exterior. Esse conjunto de entraves é frequentemente resumido pela expressão “Custo Brasil”.

A comparação também envolve regras trabalhistas e custos de mão de obra. No Paraguai, as atividades das maquiladoras seguem o Código Trabalhista local e são acompanhadas pelo Conselho Nacional das Indústrias Maquiladoras de Exportação (CNIME).

Segundo dados oficiais, em 2024 havia 29.956 empregos vinculados ao regime de maquila, número superior ao registrado no ano anterior, conforme informações do Instituto de Previsión Social.

Mercosul e regras de origem influenciam a estratégia industrial

Em muitos casos, as empresas mantêm o mercado consumidor brasileiro como destino principal, deslocando apenas parte do processo produtivo para o Paraguai. A produção retorna ao Brasil ou segue para outros países do bloco, dentro das regras do Mercosul.

Nesse fluxo, ganham importância as exigências de origem, certificações e requisitos técnicos necessários para acesso a benefícios tarifários no comércio intrabloco. Esses critérios influenciam diretamente o desenho das operações industriais na fronteira.

Alto Paraná concentra plantas industriais e reorganiza cadeias produtivas

Registros do governo paraguaio mostram concentração de empresas com programas de maquila aprovados em departamentos como Alto Paraná, Central, Capital e Amambay, com destaque para Alto Paraná, onde está localizada Ciudad del Este.

Em 2024, o Ministério da Indústria e Comércio estimou que as maquilas responderam por 66% das exportações paraguaias de manufaturas de origem industrial. Para o Brasil, o movimento é descrito como uma reorganização das cadeias produtivas na região de fronteira.

Setores como têxtil, plásticos, autopeças e bens de consumo aparecem com frequência entre as indústrias que adotaram o modelo, em busca de redução de custos, maior previsibilidade tributária e competitividade no mercado internacional.

Fonte: Com informações de reportagens da Band, Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai e órgãos oficiais paraguaios.

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução/MaratonaDoConsumidor

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